domingo, setembro 17, 2017

Falta de tempo

Já aqui escrevi umas linhas sobre a falta de tempo e as nossas prioridades. Para quem me conhece e começa já a dizer que não com a cabeça, o texto também se aplica a mim - um acto de contrição, se quiserem.
Costumo dizer que todos temos uma "agenda": a nossa família, o nosso trabalho e as nossas relações (independentemente do grau de afeição que possa haver nas mesmas). Contudo, a priorização que estabelecemos das nossas agendas é diferente de pessoa para pessoa e não raro, há expectativas que saem goradas.
A palavra certa é essa mesma : expectativas. Por exemplo, o imaginarmos que em algum momento entendemos que uma determinada pessoa vai agir de certa forma. Uma forma que entendemos (na nossa ideia) que seria a correcta. E por alguma razão as coisas não correm dessa forma. Daí advém facilmente o sentimento da frustração. Quem não passou já por isto? Pois.
Intimamente associado a tudo isto está a questão da falta de tempo. Ninguém gere a sua agenda de tal forma eficiente que consiga acudir a todas as solicitações. E acredito que sejam muitas e das mais variadas origens!
As boas notícias são que..é bom que hajam solicitações. Sejam de que tipo forem. Afinal somos importantes e alguém lembra-se de nós. A partir daí, e mais uma vez, "apenas" temos de gerir prioridades. As más notícias é que há um risco enorme de, pelo caminho, defraudarmos as expectativas de alguém. E acredito (e sei) que isso acontece com uma facilidade assustadoramente grande. Pelo facto da ordem de prioridades de duas pessoas não ser necessariamente a mesma. Esta constatação leva-me inevitavelmente a pensar que a vida é curta. Passa depressa. E que nada acontece por acaso. E que por vezes as coisas passam-nos ao lado...para não mais voltar a passar. Dá que pensar. Até ao próximo Domingo!

segunda-feira, setembro 11, 2017

Passeio Douro Vinhateiro

De memória, penso que foram raras as vezes que aqui falei do Norte de Portugal. Devo ter feito uma ou outra alusão ao Porto, mas de resto, pouco ou nada. O que acaba por ser normal, na medida em que mais nada conhecia além do Porto, até este final de semana.
Foram dois dias que dificilmente irei esquecer. Por várias razões. Em primeiro lugar, porque fiz uma das coisas que mais gosto de fazer: todo-o-terreno. Em segundo lugar, porque pude experimentar a sério o jipe e não podia ter ficado mais contente com as prestações do mesmo, depois de tanto revés, como aqui fui partilhando. Em terceiro e último lugar porque fui brindado não só pela magnífica paisagem, bem como pelo facto de ter estado um fim de semana com um tempo espectacular.
Não tive muita oportunidade de lidar com as pessoas do Douro. Este evento foi milimetricamente organizado e sem grande tempo para se poder socializar com estas pessoas. Imaginem o que seria se cada um dos participantes se pusesse na conversa com os locais...facilmente se percebe que o mesmo talvez durasse até às Janeiras de 2018 - sim, eram muitos participantes!
As paisagens são lindíssimas. A visita a Foz Côa é obrigatória. A subida do Douro a barco e a descida de comboio usando a linha do Tua é obrigatória para quem quer realmente perceber a beleza nas margens do rio. E claro, não podia deixar de falar de Trancoso, que já conhecia do meu passeio a Santiago de Compostela.
Visitar o Douro Vinhateiro e não falar do vinho é quase um sacrilégio. Contudo, e infelizmente, não sou apreciador. Prefiro os vinhos do Alentejo. Se calhar não tão frutados ou não tão encorpados como os vinhos da região do Douro, mas mais do meu agrado. São gostos, no final do dia.
Quando se faz um passeio (bem) organizado, não só não há muito tempo livre - por forma a optimizar a agenda do evento - bem como já está tudo programado. Especialmente os locais onde se vai pernoitar e visitar e onde, naturalmente, se come. E aqui uma pequena nota de tristeza, porque os menús eram simples e daqueles que se podem comer em qualquer parte do País. Ou seja, sem serem de gastronomia típica. Globalmente, adorei o fim de semana. Óptimo e para repetir, com mais calma para poder usufruir em pleno de tudo o que esta região do País nos pode oferecer. Próximo destino...Alentejo! Claro!

domingo, setembro 03, 2017

Programas não programados...

Há programas que fazemos que têm um sabor diferente quando não são combinados. 
ão tenho tantos exemplos quanto isso, mas os que tenho são, sem qualquer sombra de dúvida, únicos.
Tudo começou com uma combinação de uma ida à praia. Sim, é verdade...eu (quem diria) a combinar uma ida à praia com um dos meus melhores amigos (um dos Jõoes - já aqui falei dele).
Muito resumidamente, o que sucedeu foi que em vez de aparecer só o João e a respectiva mulher e filha, apareceram também os irmãos (irmã e irmão e apêndices respectivos). Ou seja, em menos de nada, tinha um grupo na praia como há muito tempo não tinha e na qual fiquei na praia até desoras. Como há muito não ficava e se foi um dia bem passado!
A seguir à praia todo o grupo foi para "o petisco" e cheguei a casa já passava da meia-noite. Excelente programa (não programado) e em excelente companhia!!

domingo, agosto 27, 2017

Boxe

Há dias teve lugar o tão aclamado "combate de boxe do século". Ainda que alheado do mundo do boxe, resolvi encher-me de coragem e naquele início de madrugada, cheio de vontade, despachei-me cedo (2400H) para começar a seguir atentamente tudo o que se passava.
Os combates de boxe importantes têm algumas particularidades: são caros e movem multidões. Só com estes dois detalhes e rapidamente chegamos a valores movimentados / gerados na casa dos 7 algarismos significativos. Em menos de um fósforo.
Este combate em particular era  nem mais nem menos do que um desafio. Simplificando, um atleta de uma outra modalidade (MMA, desporto que congrega várias artes marciais e não só) desafiou um pugilista profissional com um "curriculum" isento de derrotas. Mais precisamente, 49 vitórias. Algo notório e invejável, portanto. E que naturalmente avivou o mundo das apostas. Muita gente deve ter apostado...e deve ter tido um retorno que lhe permitirá estar com um sorriso proporcional ao montante apostado. Ou seja, durante uns largos meses.
Para quem como eu que muito recentemente começou a treinar boxe (sim, é verdade) e que de forma esforçada tenta apreender as várias técnicas que há, foi com confessa e reconhecida curiosidade que "abanquei" na sala de estar para ver o combate com todo o conforto e calma. 
Pensei eu que conseguia ver nas calmas os 6 ou 7 combates que foram transmitidos antes "do" combate. Combates de somenos importância. Escusado será dizer que não foi possível chegar até às 2430H sem adormecer umas 4 vezes. E ainda não tinha começado a noite....
O combate propriamente dito teve 10 rondas (rounds no inglês) num total máximo de 12 acordados previamente. Ou seja...quem aguentasse mais pancada de pé, ganhava. Claro que o "desafiador" foi previamente avisado quanto à não permissão de utilização de uma série de golpes que utiliza habitualmente nas suas lutas e não são autorizados no boxe profissional. Sob pena de ter de sofrer sanções (e multas). E claro que o "desafiado", macaco velho em final de carreira, geriu o cansaço do outro (que está habituado a resolver as coisas em 2 rounds). E cansou-o até ao 10º. Os resultados são óbvios. 
Para não me adiantar muito mais no texto, vou resumir a minha apreciação. Não gostei do que vi. O combate começou eram 0500H e fui dormir eram 0635H. Nem nas minhas noites mais loucas  em que saía (e isto desde sempre) fiquei acordado até tão tarde. Fui deitar-me com um amargo de boca. Afinal, tanta coisa para nada. Um pugilista em final de carreira, com 40 e poucos anos de idade que quis sair em grande. E trabalhou para isso. Um atleta de "MMA" com 29 anos que quis mostrar ao mundo que era capaz de desafiar o melhor do mundo noutra modalidade. No final do dia, o pugilista encaixou 300 milhões de dólares na sua conta bancária e o outro atleta, 100 milhões de dólares. No meio disto tudo, demorei uma semana inteira a recuperar o sono.

domingo, agosto 20, 2017

Aplicações GPS

Sou uma daquelas pessoas que em décadas deverá ter usado o GPS umas dez vezes. No máximo. Sou do tempo de usar um aparelho que se colocava no vidro da frente do carro, com um "chip" comprado à parte com mapas. E assim eram feitas as viagens.
Alguns anos mais tarde, os próprios carros começaram a disponibilizar este equipamento como extra - hoje em dia a generalidade já traz como equipamento de séria. E já tive alguns carros com GPS. E finalmente o advento dos"smartphones".
Já aqui falei - embora de forma passageira - sobre a potencialidade destes pequenos aparelhos (hoje em dia pequenos outrora do tamanho de tijolos de alvenaria). Falarei com mais profundidade dos mesmos num próximo texto dedicado.
Com a chegada destes aparelhos, e legítimo dizer-se que só se perde quem quer. Ou porque não sabe o que é um GPS ou porque não tem um telefone esperto. Em jeito de acto de contrição, aqui o escriba andou uns bons anos sem perceber a funcionalidade que tinha à distância de 2 cliques e que lhe permite em menos de nada obter as direcções para qualquer ponto no planeta Terra. Estamos a falar de algo que tem associada uma precisão muito elevada (i.e. georeferenciação por satélite) e em alguns casos com um erro inferior a 1 metro!
O texto de hoje é escrito pelo facto de há algumas semanas atrás ter visto um "flash" de velocidade numa conhecida artéria periférica à cidade de Lisboa. É verdade. Não ía muito depressa, mas para aquela via estava em velocidade excessiva. Possivelmente receberei um postal em casa. A ver vamos. Bom, e o que tem uma coisa a ver com outra? Eu explico.
Há actualmente aplicações para os nossos telefones que ajudam (e muito) o condutor. Seguem o princípio de interacção dos condutores com a própria aplicação, em detrimento de uma solução "fechada" como havia no antigamente. Basicamente, os vários condutores que têm este tipo de aplicações instaladas nos telefones, usam-nas para ajudar todos os outros. Todos ganham. Desde segmentos no percurso de "A" para "B" onde é expectável mais trânsito, desde ter uma ideia de qual a hora de chegada tendo em consideração a fluidez do mesmo, eventos durante o trajecto (e.g. carros parados na berma, acidentes, trânsito intenso) e claro, as alternativas propostas para o trajecto inicial, por forma a não demorarmos 2 semanas a chegar ao mesmo, enfim, muitas vantagens.
Mas há uma funcionalidade que também está disponível em algumas destas aplicações e que podia ter evitado que tivesse visto o tal clarão naquela noite: a localização de radares de controlo de velocidade. É verdade. Trata-se nem mais nem menos do que a localização exacta dos pontos onde estão instalados os radares de controlo de velocidade. Não acho mal. O controlo de velocidade é tipicamente realizado em locais onde a probabilidade de ocorrência de acidentes é superior (i.e. histórico de acidentes ao longo dos anos num determinado ponto). Sendo instalados estes radares nestes pontos, há um propósito claro de minimizar a probabilidade de ocorrência dos acidentes nos pontos. No final do dia, se numa determinada zona, o condutor tiver conhecimento que há instalado um radar de controlo de velocidade, abrandará o seu ritmo e consequentemente deixa de haver "tanto" perigo e talvez seja evitado mais um acidente. Pelo menos causado pela velocidade... Mas era necessário a instalação destes radares? Sim. Por um lado pela receita extraordinária que representa para os cofres do Estado. Quem prevarica, paga - e agora fica sem pontos na carta de condução. Por outro lado e sem haver a sanção ou coima associada, ninguém respeita os limites de velocidade. Tem de haver uma responsabilização dos condutores. E já não vai lá com campanhas de sensibilização rodoviária.
Desde o dia em que vi o "flash" passei a usar uma conhecida aplicação. Não vou dizer o nome para não fazer publicidade, mas há várias aplicações que fazem este tipo de serviço. A grande desvantagem é mesmo o consumo de bateria. No caso do meu telefone, que não é certamente uma referência pela autonomia, vai-se num instante. Mas ando informado. Depois de ter "visto a luz". Casa roubada, trancas à porta.

domingo, agosto 13, 2017

Férias grandes

Na Sexta-Feira, depois do trabalho, fui ter com o Afonso à Terceira. É indescritível a felicidade com que ficou de me ver. E isso é impagável, naturalmente.
Durante os próximos dias vai estar comigo. Noto uma enorme evolução e cada vez mais interactivo.
Continuando a reforçar a minha decisão de fazer praia este ano, é claro que o meu "compincha" irá fazer parte das minhas idas. Muita brincadeira. Jogatanas de bola e raquetes. Corridas. Idas à água. Jogos de tabuleiro. Fichas (pré-escolares), entre tantas outras coisas. Vão ser umas férias bem boas, garantidamente!! Boas férias a quem não gozou e como eu vai ainda gozar!!

domingo, agosto 06, 2017

Treinadores de Bancada

Há umas semanas atrás, como já aqui tive oportunidade de referir, intervi num artigo da internet sobre um tema da aviação e concretamente uma companhia de aviação bem conhecida. Não sou especialista na matéria, bem sei, mas saberei um pouco mais do tema que o comum dos mortais. E em especial dos jornalistas "pára-quedistas" que querem "o" furo da vida.
Não tenho qualquer ligação a este piloto ou à companhia de aviação visada. Mas custa-me bastante ver uma pessoa ser crucificada pela opinião pública em consequência de um artigo jornalístico mal escrito, impreciso e com uma linha de condução do mesmo verdadeiramente surreal. E intervi, em prol da reposição da verdade no tema e apontando as lacunas no artigo. Dezenas de pessoas deram-me razão.
A falta de temas não pode, em circunstância alguma, justificar o mau jornalismo. Em nada dignifica esta classe. Nada mesmo. Costuma-se dizer - e uso muitas vezes este chavão- que é preciso muito pouco para alguém passar de bestial a besta. Segundos. E com o jornalismo é algo que acontece de forma muito simples. Basta um artigo tendencioso. Ou, fora do jornalismo, uma partilha verbal de algo que não corresponde à verdade. O também chamado boato.
Em todo o caso, qualquer que seja a situação, aparecem logo os "Doutores-da-razão". Pessoas que não têm mais nada que fazer do que opinar sobre assuntos que não sabem. Desconhecem, mas querem dar a sua opinião, na generalidade das vezes, infundada e até gratuitamente ofensiva. É só mau. Faz-me lembrar os camelos que abrandam (e param) para orçamentar os sinistros que acontecem nas nossas estradas. Haja paciência!!

domingo, julho 30, 2017

Anglicismos

Assisti ontem, à hora do almoço, a um programa no primeiro canal do Estado que tem o nome de "Provedor do telespectador". Para quem não sabe, é um programa dedicado aos telespectadores. Basicamente, opiniões e queixas que podem ser enviadas para esta pessoa (Provedor dos telespectador) que depois escolherá e abordará semanalmente nesta rubrica televisiva.
Já tinha visto este programa há uns meses. Lembro-me na altura de não ter achado nada de especial, mas, por alguma razão que me escapa agora, tinha-me abstido de o comentar aqui. Ou porque me esqueci ou porque simplesmente não tinha intenção de o fazer.
Da primeira vez que assisti ao mesmo, fiquei com a ideia de se tratar de mais um daqueles programas destinados aos telespectadores com (muito) tempo livre e zero preocupações. Ou seja, pessoas tipicamente com idades mais avançadas e para quem a televisão (e este canal em particular) é uma companhia. Pessoas que apontam num papel o que acham que está mal e depois elas mesmas (ou alguém a seu pedido) faz chegar essas anotações a este Provedor dos telespectadores.
A escolha do apresentador deste programa não poderia ser pior. Não sei como o encontraram ou de que prateleira da RTP o foram tirar. Imaginem uma pessoa circunspecta e que não mostra os dentes (não sorri e muito menos ri). Com um modelo de óculos (para ler) mais antigo que os da minha avó Filomena e com um figuro muito, mas muito forçado. Para uma pessoa destas, que parou no tempo, e ser do estilo conservador, ter um "blazer" e uma camisa sem gravata "só" lhe deve causar arrepios durante todas as gravações do programa. Demasiado forçado. E percebe-se claramente que a apresentação televisiva não é o seu forte. Coordenação forçadíssima e péssima com as câmaras. Pouco à vontade. Enfim, sofrível.
O tema do programa de ontem era a utilização dos anglicismos - utilização de termos inglês. Deve ter havido alguém que se queixou, em algum momento, da utilização profusa dos termos ingleses. Houve a participação de uma convidada, professora de línguas, que rapidamente se percebeu que também não estava particularmente à vontade com as câmeras. Mesmo assim melhor que o Provedor. 
Por muito que seja defensor da língua portuguesa (escrita e falada), tenho de admitir que utilizo muito, mas muito o inglês no meu léxico. Para começar, derivado da minha profissão e depois porque o inglês facilita a vida às pessoas. Ninguém (no seu juízo normal) diz que comer "comida rápida" faz mal. Ou que perdeu a ligação com "a rede global virtual" (internet). Entre milhões de exemplos que poderia dar de palavras perfeitamente enraizadas na nossa língua.
Com a saída do Reino Unido da União Europeia, não perspectivo que se deixe de recorrer aos anglicismos. Vieram para ficar. E no final do dia...facilitam a nossa vida! See you next week!

domingo, julho 23, 2017

Casamentos

Não sou uma pessoa de casamentos. Não está em causa o ser ou não católico. Não é disso que falo. Compreendo e aceito (mais este) sacramento da Igreja.
A minha questão é outra. A festa. Acho uma seca. A sério. Claro que devo ser a única pessoa do mundo que não acha piada alguma (já estou habituado), mas é um facto perfeitamente líquido e claro para mim.
Para começar, e nem percebo bem o porquê, 99% dos casamentos a que fui, tiveram lugar no Verão. Ora, ir a um casamento no Verão com fato vestido e gravata é só péssimo. Não que tenha qualquer problema em vestir um fato (até gosto). A questão é ter de o vestir o fato e a gravata no Verão. Para uma pessoa como eu, que "adora-o-calor", ir a um casamento no Verão (de fato e gravata) é quase o mesmo que me pedir que vá até à praia de sobretudo. Exactamente ao mesmo nível.
Vou saltar a parte da espera das 2 horas e meia que os noivos demoram a tirar as fotos. Exasperante. Às vezes dou comigo a pensar se serão fotos tiradas apenas com os convivas ou, se por alguma razão, também se tiram fotos com os 90 empregados de serviço no copo d'água. Talvez seja essa uma da(s) razões/razão da demora.
Este texto surge na sequência de um casamento a que fui ontem, no Norte de Portugal. E claro, Verão, embora o tempo estivesse de feição. Quente, mas não abusivamente. E por isso suportei melhor. Mas há detalhes que não consegui abstrair-me.
O facto de, por exemplo, se rasparem os restos de comida dos pratos ao lado das mesmas, quando os mesmos são recolhidos roça o surrealismo. Ou falta de profissionalismo - mas não de simpatia dos empregados, no caso do casamento de ontem. Ou seja, os empregados foram/são ensinados dessa forma (errada) de o fazer. Talvez em todos os casamentos aconteça isto. É uma forma de serem evitadas 900 idas e voltas à cozinha. Mas trata-se apenas um detalhe. 
O "melhor", para mim, é precisamente a abertura da pista após a dança dos noivos. Aqui sim. É como se chegasse um novo grupo de pessoas. Transfiguram-se. E vêem-se espectáculos que roçam o ridículo. Não, e não é o meu mau feitio a falar. É mesmo uma questão de bom senso e gosto. No meu caso, particularmente refinado (e crítico) quando o "DJ-de-serviço" aposta em ritmos latinos (i.e. Daniela Mercury, Gipsy Kings, etc.). Já pensei em filmar e colocar no "youtube". Ainda ganhava umas massas valentes com isso.
Moral da história: Espero tão cedo não ter de ir a casamentos.

domingo, julho 16, 2017

A liberdade de expressão

A liberdade de expressão é um direito consagrado na Constituição Portuguesa. Ou seja, em bom rigor, é algo que qualquer cidadão português tem seu, independentemente do seu sexo, idade, credo ou raça.
Até aqui não há novidade. Também me parece líquido que uma pessoa - pública ou não - que partilha a sua opinião publicamente (e.g. entrevista televisiva, jornal ou mundo virtual) se sujeita à crítica do cidadão anónimo (ou não).
Este meu espaço (blog) é um local de partilha das minhas opiniões e convicções. Partilho - com quem me lê habitualmente - as minhas ideias/opiniões. Há pessoas que lêem um dos meus textos e se calhar não regressam a este espaço e outras que me têm seguido. Algumas há vários anos. Não gosto de utilizar a palavra "seguidores" para não parecer pretensioso. Prefiro..."pessoas-que-gostam-do-que-lêem-e-voltam". Será um pouco o equilíbrio que se cria entre os leitores que vêm (e não voltam) e os que vêm e se mantêm fiéis. Tal como acontecerá com vários outros milhares de "bloggers" por esse mundo virtual fora.
Tenho defendido que a liberdade de expressão é um pau de dois bicos. Por um lado, assusta-me verdadeiramente a facilidade com que alguém passa de "bestial a besta" em menos de um fósforo. É verdade. Já aqui falei disso. A falta de profissionalismo / investigação gritante em imensas peças jornalísticas, a pressão que penso que haverá nas redacções para que os artigos saiam rapidamente para a rua só pode ter como resultado artigos maus. Pobres. Com inverdades e reveladoras que o profissional do jornalismo escreve um artigo sentado à secretária "googlando" - sendo que há muita informação disponível falsa e sem qualquer fundamento. E por isso mesmo, ainda há dias partilhei uma opinião pessoal / técnica num espaço público com uma parte para comentários. Tratava-se de umm assunto relativo ao tema da aviação. Não sou de comentar artigos, mas confesso que foi mais forte que eu. E tudo isto em prol da reposição da verdade. E quase que vestindo a capa de defensor daquele visado no artigo, que foi crucificado (sem o saber) em hasta pública por um jornalista.  
Mas há outro tipo de atropelo da liberdade de expressão. Reside no facto de alguém não poder partilhar publicamente o que e como sente. O princípio peca por ser perverso e reduz substancialmente (e quase anula) o alcance da palavra democracia conquistada há 43 anos. Falo, naturalmente das opiniões pessoais de figuras públicas. Sendo que algumas, sem qualquer problema partilham o que pensam. Tipicamente as pessoas que nada devem a quem quer que seja. E cujas opiniões nem sempre são aceites ou percebidas pela opinião pública. 
A nossa sociedade é um pouco a sociedade do "faz de conta". É mais conveniente (cai melhor) dizer que tenho amigos "gays", ou que gosto do futebolista "A" ou "B" e que percebo perfeitamente a contestação que há em determinadas minorias étnicas do que o contrário. Afinal, tudo isto (aparte do futebolista) configura ou sugere tolerância e abertura de espírito. Todos diferentes, todos iguais. Mas a nossa realidade não é essa. As estatísticas acabam por ser manipuladas e não revelam os números verdadeiros. E as sondagens pecam por ser construídas com base em amostras que não são verdadeiramente reveladoras do que quer que seja para se discutir interna e seriamente, como por exemplo, a homossexualidade ou o racismo. E é precisamente essa análise que tem de ser realizada com toda a frontalidade. Alguém terá dúvidas que uma amostra de opinião sobre estes dois temas terá resultados diferentes entre jovens (18-35 anos) e a faixa etária dos 40-60 anos? Ou sou só eu quem percebe isso? É precisamente esse tipo de discussão que tem de haver. É esse tipo de conversa pública que não há. 
Estou perfeitamente à vontade para abordar estes tema porque, como aqui já referi neste espaço (sendo que fui duramente criticado na altura) fui educado de determinada forma (independentemente de ser a certa ou não) e hoje em dia a compreensão que tenho dos mesmos é outra. Contudo, a minha forma de pensar e de estar na vida actual não reflecte de todo, e mais uma vez, a forma de pensar / estar da nossa sociedade. Da mesma forma que uma andorinha não faz a Primavera. E enquanto uma pessoa não puder exprimir livremente a sua opinião sem que aqueles que discordam da mesma o/a "apedrejem", não se pode falar em liberdade de expressão.