domingo, janeiro 21, 2018

Jornal Expresso - Versão digital: 1as Impressões

Cá em casa sempre houve o jornal "Expresso". Desde todo o sempre. Reconheço que possa ter havido algumas semanas em que não tenham sido compradas as edições respectivas, mas globalmente, posso dizer que houve sempre este jornal semanal cá por casa. Importa também dizer que houve um período em que se comprava o "Sol", na medida em que o antigo Director do "Expresso" tinha abraçado aquele novo projecto - e na medida em que aprecio a sua frontalidade e o não ter papas na língua - também comprava. Contudo, tornou-se um jornal pouco interessante ao longo dos anos. E em vez de comprar 2 jornais semanais, retornei ao "velho-Expresso". Apenas e só.
Gosto de ler o "Expresso". E demoro a lê-lo. É um semanário denso e que aborda os vários temas semanais que têm relevo e que são desenvolvidos pelos colunistas dos vários quadrantes políticos que, ainda que tentem redigir artigos da forma mais isenta possível, não conseguem, na medida em que haverá sempre o "DNA" que os identifica e caracteriza. Não deixa de ser louvável e notório o seu esforço. 
Resumindo, trata-se de um jornal de referência. Quer queiramos quer não. Basta perceber que está a perfazer os 45 anos de existência. Por alguma razão. E que nunca deixou de existir. Lembro-me bem que numa aula qualquer do ciclo preparatório se falou deste jornal e ter retido, até hoje, o nome do seu formato: tablóide, à semelhança de alguns jornais britânicos, por exemplo. A questão que se coloca é: Podia ser mais pequeno e maneiro? Podia, mas deixaria de ter a sua identidade. Penso que isso é algo que nunca terá sido pensado genuinamente por quem detém o jornal. Exactamente porque iria descaracterizar o mesmo e passaria a ser "mais-um-jornal" qualquer e desinteressante. Ou que  poderia passar a ser lido tranquilamente na praia sem pedir ajuda ao/à vizinho/a para segurar a outra metade. Mas não dá. E essa será uma das razões pela qual muito raramente levo este jornal para ler na praia. Detesto as folhas a enrolar com a brisa. Ou alternativamente, ter de dobrar o jornal como se de um bilhete do metro se tratasse para conseguir ler!
Com a chegada (e cada vez mais assumida) utilização do meu iPad, resolvi experimentar a versão digital do jornal. Esta semana que passou. Gostei. A primeira impressão é bastante positiva. Os artigos estão lá ao alcance de um deslize de dedos. Para baixo para continuar a ler o mesmo artigo e para o lado para ler um artigo novo. Simples. Ao alcance de qualquer pessoa que minimamente perceba o funcionamento básico de um "tablet". Há uma coisa que não muda: o tempo para ler este semanário (que digitalmente mantém os 3 cadernos) - o tempo. É verdade. Demora (bastante) tempo para ler os artigos atentamente e conseguir reter, processar e consolidar a informação lida. Daí, desculpar-me-ão, mas tenho de ir ler mais um bocado. No iPad, claro - sim, continuo a não usar papel, a não ser estritamente necessário! 

domingo, janeiro 14, 2018

Liderança do PSD

Já aqui referi que cada vez me sinto mais apartidário. Se quiserem, costumo dizer que não voto nos partidos, mas sim nas pessoas. Não estou sozinho nesta frase. Há cada vez mais pessoas que pensam como eu e que assumem publicamente essa determinação. E como não podia deixar de ser, as eleições para a Direcção do PSD são um bom exemplo disso.
Muita tinta já correu sobre o tema, é certo. A campanha eleitoral terá tido uma duração de 4 meses, mas só senti a mesma no último mês. O que de resto é normal neste tipo de acontecimento.
A liderança do maior partido da oposição é um momento importante. E os portugueses deviam perceber isso. Por várias razões, e nomeadamente, pelo facto das coisas estarem "aparentemente" bem, mas não estão. Se me permitem, o que aconteceu nos últimos anos foi o mesmo que acontece às pessoas que ficam engripadas durante 2 semanas e quando ficam bem, vão fazer a maratona da EDP com chuva e frio. Estavam bem quando saíram de casa. Aparentemente bem de saúde. Mas com o clima invernoso rigoroso, ficam mal. Nada de anormal, até aqui.
Portugal viveu um clima de austeridade até há bem pouco tempo. Para quem não se recorda, estivémos próximo da bancarrota. Só a adopção de medidas impopulares e castradoras como o aumento da carga fiscal, as contribuições extra, a mexida nos escalões do IRS, etc., permitiram que todos nós conseguíssemos ultrapassar ou inverter a tendência negativa e fosse tornado possível o resgate financeiro, ou seja, conseguir que a União Europeia nos emprestasse dinheiro. Facto.
Não vou aqui falar do facto do actual Governo não ter sido sujeito a sufrágio universal - acto eleitoral onde, democraticamente, o povo português vota num partido. Normalmente ganha o mais votado. Não foi o que aconteceu. Mas esse será um pequeno (grande) detalhe.
Naturalmente que é fácil governar quando as pessoas sentem a carteira "mais pesada". Ninguém tem dúvida disso. Mais. Ninguém tem dúvida que a adopção de medidas populares como seja o aliviar (ainda mais) da carga fiscal ou a revisão das pensões, significa mais votos nas urnas. Basicamente estamos a falar dos 2 maiores grupos que votam: população activa contributiva e pensionistas. A fórmula é simples. E também me parece simples e lógico que as pessoas votem naqueles que lhes dão (de novo) a qualidade de vida e não a obliteram, como fez o anterior Governo, no cumprimento escrupuloso de um programa de austeridade assumido ao nível europeu. Mas o ser humano não pensa dessa forma. Pensa, de forma confortável, no imediato. No curto termo. E não no meio ou longo termo.
O que vai acontecer, dizem alguns comentadores políticos neste momento, é que o actual Governo (a geringonça) será um fortíssimo candidato à continuidade ou à manutenção à frente dos desígnios do País. Mais do mesmo. E em menos de nada estaremos numa situação delicada em menos de nada. Mais uma vez, a probabilidade de tal acontecer é tão elevada como o Futebol Clube do Porto alterar a táctica de jogo depois de ter avançado com a teoria peregrina das bancadas em risco de ruir no estádio do Estoril. Vai alterar, naturalmente, porque estava a perder. E porque conhece o jogo adversário. Onde já chegámos! Nota: Não estou com isto a querer dizer que sou a favor da permissão de utilização de bancadas em perigo de ruir - ou que possam infligir ferimentos ou mesmo mortes. Estou apenas e só a dizer que isso devia ter sido verificado antes. Não durante o jogo. E quando a equipa visitante estava a perder. Coincidências, dirão alguns. Talvez. Continuo a não gostar de bola na mesma...
Daí serem importantes as eleições para a liderança do PSD. Para que o maior partido da oposição se possa re-organizar (ou coligar, agora que está na moda). Se possa dotar dos meios e das armas para o combate. Se prepare de forma consistente. Que estude os vários dossiers e que não tenha qualquer problema em discutir os cadernos mais quentes: Administração Interna, Justiça, Saúde e Educação. 
É aqui que faz sentido pensar em Rui Rio (RR). Desde logo uma pessoa antipodamente diferente de Pedro Santana Lopes (PSL) em vários aspectos, especialmente na forma de estar e de ser. E isso viu-se bem no 1º debate televisivo. Em que PSL - um animal política de craveira - quase tão bom como aquele 1º Ministro que esteve preso com o número 44 na cadeia de Évora (e que para mim continua a ser a referência em termos de preparação para debates e réplica) ganhou, sem qualquer margem para dúvidas.
Percebeu-se claramente que a dimensão de acção de RR tem sido até agora o Município. Teve a tal questão de ter sido Vice-Presidente do PSD - que se sabe agora não correu assim tão bem quanto possa ter parecido (foi avançado nos debates televisivos, para espanto de PSL).
Já o outro candidato à liderança tem outra preparação e experiência política. Para começar o facto de ter sido 1º Ministro durante uns tempos. Quer queiramos quer não, dá outro traquejo, ainda que tenha sido Sol de pouca dura!
Há contudo algo que ambos têm:  legado. No caso de RR, um bom legado. Obra feita. Uma fama que o precede de incorruptível e de luta feroz e determinada contra os interesses instalados - basta ver, por exemplo, que enquanto edil da Câmara Municipal do Porto proibiu as celebrações das vitórias da equipa de futebol da cidade nesta instituição camarária. Quebrou uma tradição longa. E isso valeu-lhe muitas animosidades. Em particular por parte dos poderosos do Norte...
Já PSL tem um passado diferente. Não necessariamente bom. Para começar o facto de ter sido destituído do cargo de 1º Ministro pelo ex-Presidente da República Jorge Sampaio. Ou de ser mulherengo (ainda que daí não venha mal ao mundo)...Mas não abona nada em seu favor junto do eleitorado mais conservador. Outro aspecto que importa reter, penso eu, será relacionado com o fazer o seu mandato, mal ou bem, mas até ao fim. E depois ser avaliado. Outra coisa é interromperem o mesmo por não reunir as condições necessárias à desejável harmonia e continuidade. E percebeu-se bem a melhor (e natural) preparação de PSL face a RR, no 1º debate televisivo. A prosa foi fluida. Assertiva e contundente. Já RR, deu ideia de estar pouco à vontade. E até algo impreparado.
Já o segundo debate foi diferente. Enquanto que PSL ficou ancorado e preocupado com as amizades e almoços que RR frequentou, este preparou-se mais e melhor. E certamente terá sido aconselhado por pessoas próximas a melhorar alguns aspectos na entrevista que vinha a seguir - e notou-se bem que a sua postura foi bem diferente. Mais mordaz, acutilante e cirúrgico. E terá sido isso, aliado ao tal legado que falei anteriormente, que determinou a vantagem subsequente nas urnas.
Na minha opinião, RR é superior a PSL. Como dizia o outro, deixem-no trabalhar. Há muito trabalho a ser feito se se quiser inverter a tendência de voto expectável nas próximas legislativas.

domingo, janeiro 07, 2018

Resoluções para 2018

O início de cada ano é caracterizado pela definição de uma série de resoluções pessoais. Ou intenções. Toda a gente sabe disso. E claro que toda a gente sabe disto enquanto engole as passas e as empurra com espumante, desejavelmente  antes das 12 badaladas. Faço aqui um acto de contrição e partilho convosco que há alguns anos a esta parte não faço nada isso. Prefiro pôr as passas todas na boca e engolir tudo de uma vez com dois bons golos de espumante. Dá menos trabalho e não testo a minha paciência! Por vezes engasgo-me, mas faz parte do momento.
Entre as várias resoluções para o presente ano, há algumas que transitam do ano que finda e para o que agora tem início. A clássica e já conhecida de todos "saúde, paz, amor e dinheiro". Em boa verdade tenho saúde e paz. O resto nem por isso. Daí ser quase automático pedir anualmente. Por outro lado, alguns traços de personalidade que comecei a trabalhar o ano passado e que quero continuar a trabalhar. Não são novos. São os mesmos. 
A grande novidade é estar determinado em deixar de usar o papel e a caneta. É verdade. Estou quase a abandonar o "Moleskine" e a caneta de vez. Para todo o sempre.  Estou a horas de receber o meu iPad. Se bem que tive um, da 1ª geração - no longínquo ano de 2009 - não lhe dei grande uso. Eventualmente porque o vi mais como um "gadget" do que qualquer outra coisa. Não como uma ferramenta de trabalho/lazer como quero que este seja. O compromisso de deixar de usar papel - a não ser o estritamente necessário - é, desta vez, para ser levado a sério. Aliás, é mesmo minha intenção não andar com papel atrás para evitar "bengalas" e tentações de "deixa-lá-apontar-aqui-só-desta-vez-porque-não-sei-bem-como-trabalhar-com-isto". Diz o adágio popular que a "água mole em pedra dura tanto dá até que fura" e vai furar. Garanto-vos. Se não souber fazer algo tenho de fazer por saber. Azar o meu, só. A necessidade aguça o engenho. Só assim é possível evoluir e aprender as coisas. Posso também partilhar que nunca li tanto sobre aplicações específicas ou vi tanto tutorial, como agora. A razão prende-se com o facto de querer instalar uma aplicação específica no iPad e querer estar bem informado. À minha maneira, portanto. Ou seja, ler tudo o que há para ler. E ver tudo o que há para ver. Tornar-me especialista na matéria, em resumo. Ganham as árvores, no final do dia. E eu passo a ter muita informação comigo, à distância de um clique. 
Há outras resoluções, é certo, mas estas são aquelas que destaco este ano. Espero que todos os meus seguidores e seguidoras tenham tido uma excelente entrada neste ano que agora começa. Que os vossos desejos se concretizem. Haja saúde, paz e alguém (que não eu, pelos vistos) tenha muito amor e dinheiro! 

domingo, dezembro 31, 2017

Fim de Ano

E eis que chegamos ao último dia do ano. Mais um ano que passa e mais uma série de recordações, de vivências, de pessoas novas que conhecemos (e outras que deixámos entretanto de ter contacto) e ainda de reencontros com pessoas do nosso passado. 
À semelhança daquilo que fiz nos anos anteriores, também este ano faço aqui um saldo do mesmo. Se preferirem, um sumário daquilo que foi o ano de 2017
Como habitual, o ano que agora termina fica marcado por coisas boas e por coisas menos boas. Destaco, em particular, como coisas menos boas, a perda dos pais por parte de dois dos meus melhores amigos. Falei aqui disso. Mas a vida continua e ambos conseguiram superar a perda - como seria de esperar.
Por outro lado, não consegui trabalhar como queria, em mim, alguns aspectos que tinha identificado  em 2016 como passíveis de melhoramento. Aspectos, penso eu, mais relacionados com o meu feitio. Com a pouca tolerância ao erro (meu e dos outros) associado a um grau de exigência elevado. Continua a fazer parte da minha lista de desejos ou determinações para o ano que entra o trabalho nestes pontos que julgo poderem melhorar-me enquanto pessoa.
Ao que interessa, os pontos positivos. O estar aqui hoje, a escrever--vos estas linhas, é sem dúvida alguma um bom sinal. Quanto mais não seja que estou vivo e ainda consigo organizar as ideias e partilhá-las neste espaço.
Não queria alongar-me muito no texto de hoje. Em boa verdade, a probabilidade de me repetir é elevada. Isto porque há uma regularidade na partilha de textos ao longo do ano. Sobra pouco para acrescentar no dia de hoje. Haverá com toda a certeza coisas que poderiam ser ditas, é certo, mas as mais relevantes foram.
Uma novidade recente tem que ver com o jipe que comprei o jipe no final de 2016 e com o qual fiz alguns passeios. Não sei ainda se continuarei a fazer os mesmos este ano de 2017. A minha ideia passará, se conseguir vender o jipe por um valor próximo do que tenho em mente, investir em imobiliário. A ver vamos se consigo.
Como é sabido, detesto festividades em geral. A festa do fim de ano é apenas mais uma delas. Em que, ridiculamente, se festeja um minuto durante horas. Com muito álcool e pouca comida na barriga. Já dei para esse peditório e daí poder falar com propriedade. Ainda assim, e antes que a "brigada-dos-que-gostam-das-festas"  me venha crucificar, respeito todas as opiniões e gostos. Quem me dera conseguir aguentar noitadas como algumas pessoas que conheço aguentam. Não consigo. E mais, quando o consigo - como aconteceu há dois dias atrás por ocasião de um jantar mais longo - fico mal disposto no dia seguinte. Sim, mais mal disposto - como se tal fosse possível - pelo facto de ficar com os sonos trocados.
Desejo a todos(as) que me seguem, uma excelente entrada em 2018. Para aqueles que viajam para passar este dia com amigos ou família, cuidado redobrado na estrada. Nem todas as pessoas têm a consciência da condição "se beber, não conduza". Ou de praticar uma condução defensiva e antevendo os erros dos outros condutores.
Desejo sinceramente que este novo ano seja repleto de felicidade e que consigam todos os vossos desejos. Saúde, dinheiro e amor. Pela ordem que quiserem.

segunda-feira, dezembro 25, 2017

Dia de Natal

Mais um Natal e mais uma vez a habitual conversa a que já habituei a quem me segue. Sinto que com a idade começo a ser cada vez mais crítico e menos tolerante com as pessoas que se dizem ateus durante 364 dias do ano e no Natal trocam prendas. É só sinónimo de incoerência.
A verdadeira essência do Natal assenta numa premissa de simples entendimento e compreensão: Paz. Reunião da Família à mesa e confraternização. Esquecer as zangas e acima de tudo, praticar e interiorizar o bem.
É triste que as pessoas atribuam a esta quadra o despesismo. A hipocrisia. O consumismo. Que haja filas nas lojas para aqueles(as) que querem - porque querem - comprar uma prenda para alguém. Sendo que essa prenda poderá não ter qualquer outro significado que não seja....uma lembrança tanto mais importante quanto mais se gastar. Apenas e só isso. Sem qualquer valor sentimental ou simbolismo. É preferível ficar na fila e gastar dinheiro do que, por exemplo, escrever um texto ou fazer algo com a mãos e oferecer algo, talvez produzido por uma máquina qualquer numa linha de produção chinesa. 
Também com a idade habituei-me a duas coisas: ao bacalhau e às compras fora do buliço. Quem lê os meus textos e segue há mais de 10 anos  neste espaço, perceberá que comer bacalhau há uns anos era algo próximo a pedir-me que fosse assistir a um concerto do Sérgio Godinho. Ou do Jorge Palma. Que como se sabe, só adoro.
Hoje em dia não é bem assim (quanto ao bacalhau, atenção). Gosto de uma boa posta. De uma batata boa e de uma couve bem cozida e claro, ovos (como sempre dois) cozidos. Um bom azeite. Tive isso tudo na consoada de ontem. Já nos dentes de alho posso partilhar que a diferença entre estes e uma malagueta qualquer do México é nula. Daí ter deitado fumo das orelhas e ter ficado com a voz do Hélio. Típico em mim que não adoro picante. O tinto que abri não era nada de especial. Devia ter percebido que o meu gosto está perfeitamente alinhado com as "pomadas" alentejanas e não com as do Norte! As sobremesas não vou comentar. Posso partilhar que rabanadas com calda me fazem perceber que a carne é fraca. E não sou suficientemente forte para resistir. Fica aqui o meu acto de contrição. 
Na questão das compras, adoptei (e informei devida e antecipadamente as pessoas a quem ofereço prendas) que comecei a seguir, nesta época do ano, o calendário espanhol. Calha bem porque a partir do 25 os preços baixam mais de 50% e fazem-se compras bem melhores, sem pressão. A carteira agradece.
Não me vou alongar muito mais. Apenas quero desejar a todos(as) meus(minhas) seguidores(as) um Santo Natal na companhia de quem gostam. Tudo de bom. 

domingo, dezembro 17, 2017

Raríssimas

Para evitar confusões - que sei que vão acontecer - começo por me confessar partilhando que este assunto em concreto me tinha passado um pouco ao lado até que vi a (excelente) reportagem de investigação da jornalista Ana Leal.
Entendo e defendo que há organizações criadas para casos específicos e pouco vulgares. Faz todo o sentido que existam. Concordarão comigo que ter uma "Associação dos Engripados" ou "Unidos contra a Dor de Cabeça" seriam entidades atípicas. Aquando da tentativa de constituição não seriam levadas a sério e tenho grandes reservas se juridicamente poderia ter personalidade jurídica. Por razões óbvias, de resto.
O mais recente caso das "Raríssimas" extrapola com facilidade uma análise fácil das coisas. Porquê? Porque envolve individualidades públicas com responsabilidades perante o País. E revela também, mais uma vez, um crime que grassa o nosso País - o peculato. E que não é culpa das instituições. É culpa de quem as gere. E quem gere são pessoas. Como eu e o/a meu/minha amigo(a) que me lê neste momento.
Este caso em particular, se me permitem a partilha, poderia ter sido uma bonita e bem sucedida história de uma instituição fundada pela mãe de uma criança diferente. Com uma doença rara e que sentiu necessidade de proporcionar uma melhor vida ao filho. Assim seria, se à frente desta instituição não tivesse estado uma responsável que, aparentemente, cometeu uma série de irregularidades na gestão da mesma.
O problema assume uma outra dimensão diferente quando está em causa a alocação de 3M € canalizados por parte de um Ministério. Que por acaso tem um responsável máximo, o seu Ministro. E que curiosamente, ainda não apresentou o seu pedido de demissão até que a história fosse cabalmente esclarecida. Não está em causa a sua assumpção de culpa ou não por parte do mesmo. Mal seria se o mesmo afirmasse que era culpado. Está sim em causa a suspeita pública que os dinheiros públicos são mal geridos. Ou que se assina de cruz quanto ao seu destino. É a ideia que passa.
Como em tudo, seria inédito dizer que um representante do Estado sabe exactamente onde e como é gasto cada cêntimo da verba do seu Ministério. Para isso há funcionários específicos (e.g. Tesouraria). O problema reside na alegação do desconhecimento de qualquer problema. Quando ainda por cima - antes da entrada em funções neste Executivo - o mesmo político foi Vice-Presidente da referida Associação. Ou as sucessivas inspecções não terem detectado desvios / irregularidades nas auditorias / inspecções. E algo estranho acontece porque uma auditoria financeira (realizada a sério) facilmente teria detectado irregularidades. Ou mesmo na contabilidade organizada (obrigatória por Lei). Acho estranho, no mínimo.
Quanto à Presidente demissionária, pouco há a dizer. Para mim, pertence à classe dos invertebrados. Não tem coluna vertebral. Sem mais.

domingo, dezembro 10, 2017

A loja do chinês

Por ocasião do almoço (de um dos 3 dias) do estágio do Krav Maga - sobre o qual escrevi a semana passada - teve lugar a troca de prendas. Aqueles que me conhecem saberão bem o que acho deste tipo de coisas - palhaçada. Ao nível do "amigo secreto" que tantas empresas insistem em perpetuar todos os anos e que me provoca um sentimento próximo das náuseas que costumo ter quando ando de barco.
Contudo, dado que 8 dos meus colegas que foram ao estágio comigo acordaram em levar uma prenda até 5,00€, não quis ser o  "razinga" e aquele que ía furar o esquema. Um pouco contrafeito, concordei em participar.
Confesso que não consigo imaginar muitas coisas que custem tão pouco. Invariavelmente, vem à minha memória os blocos de "post-its" amarelos, afia-lápis ou um conjunto de marcadores fluorescentes. Penso serem os primeiros pensamentos que me ocorrem. Entretanto, a caminho de casa no final do primeiro dia de estágio - o tal almoço era no dia seguinte - lembrei-me do bazar do chinês que há aqui perto de casa.
Depois do merecido e reconfortante banho, lá fui eu ao tal bazar. De memória penso lá ter ido uma vez há uns dois anos. Mas tipo entrar e sair. Desta vez foi diferente.
Entrar num espaço destes é ser imediatamente invadido com uma mescla de cheiros: borracha, incenso e cortinas plásticas das casas de banho. Não me ocorre outra analogia melhor. É um mundo  ou uma dimensão nova, se preferirem. Além dos produtos correntes e de outros que podem ser necessários à última hora, há toda uma variedade que assumimos que aquela loja não teria, mas tem. E faz com que pensemos que se calhar poderá dar jeito em algum momento no futuro. Uma lata de 15 litros de tinta pastel ou por exemplo um tapete a imitar Arraiolos para a sala de jantar.
Depois de ter gasto tempo a explorar 89 coisas que não precisava, e ter dado umas 4 voltas ao espaço comercial, acabei por optar por uma caixa de madeira com um saco de papel. E tudo com um valor total inferior ao valor que referi acima - no dia seguinte, já na troca de prendas, calhou-me um VW carocha preto, de plástico (miniatura) que acabei por me esquecer no restaurante - espero que tenha feito a alegria de alguma criança.
Não quis vir embora da loja sem pregar uma partida ao asiático que estava na loja. Pedir algo que imaginei que não tivesse. Um porta-cartões daqueles com fita, para trazer ao peito um cartão de identificação. Em menos de 3 segundos mostrou-me onde estavam uns 100. Arrumei a viola, paguei os 4,60€ e vim-me embora plenamente convencido que as lojas do chinês têm tudo.

domingo, dezembro 03, 2017

Estágio Krav Maga

Realizou-se mais um estágio de Krav. Desta vez o do Inverno quase em simultâneo com o final do ano.
Os estágios são bons momentos para aperfeiçoamento de técnicas específicas bem como para a confraternização com alunos de outras escolas desta modalidade. No final do dia, penso que ganham todos, com a experiência e partilha de conhecimento.
Este ano foi um pouco atípico, pela carga horária que teve associada. Senão vejamos: tive a aula normal de 5F à noite, na minha escola, e 6F começou o estágio, da parte da tarde. Sábado foi todo o dia e Domingo foi da parte da manhã. Na 2F tive novamente aula normal, à noite, na minha escola. Feitas as contas, treinei mais de 20H e 5 dias seguidos. É dose.
Como não podia deixar de ser, há episódios que marcam estes momentos. Em todos os estágios há alguns minutos dedicados ao combate entre dois atletas. Este, em boa verdade, é aquela altura em que todos os atletas podem pôr em prática o que aprendem nas respectivas escolas e claro, no estágio. Quando nos é dada a instrução de calçar luvas e colocar os protectores das tíbias já sabemos para o que é. E usualmente choca-se com a luva na luva de alguém ao nosso lado, aleatoriamente, para fazer uns minutos de combate connosco.
A primeira pessoa com quem combati foi um rapaz (mais novo e mais pequeno que eu) de uma escola do Algarve. Retraí-me um grande bocado porque tinha medo de acertar e magoar. E não é esse o objectivo, naturalmente. Entretanto, mudança de parceiro de combate. Mais uma vez, choque na primeira luva que encontrei. E calhou-me desta vez um colega angolano. Curiosamente manco e com um olho inchado, possivelmente derivado de um golpe anterior desferido por alguém. Aqui sim, o colega de treino era mais forte, mais encorpado e mais conhecedor. A prova disso foram os dois "milhos" que apanhei logo. Quase de imediato e quase seguidos. Um no olho (de raspão) e outro nos dentes. Sim, é verdade, não tinha a boquilha (protecção dentes) posta. Não me magoou verdadeiramente. Foi mais o impacto que qualquer outra coisa. Mas faz parte. Afinal, se tivesse defendido bem não tinha entrado qualquer um dos golpes.
Para o ano há mais. E espero voltar a participar. Mais forte ainda. E a saber amparar melhor os golpes!

domingo, novembro 26, 2017

Pagamentos devidos

Creio que todos estaremos de acordo que devemos receber o que nos é devido. Crescemos nessa realidade. Se me perguntarem se não corro atrás do dinheiro que me devem, é claro que a resposta só poderá ser uma: sim. Se me perguntarem se não gosto de ver a minha conta bancária com o crédito mensal do meu merecido vencimento, a resposta será igual. Mas o meu ponto não é no que toda a gente sabe ou percebe ou mesmo concorda comigo. É um pouco diferente.
Mais uma vez as promessas eleitorais. O que é dito para angariar votos. Para apelar ao lado humano das pessoas. Para lhes tocar no coração: Quem é que no seu juízo perfeito irá dizer que não quer mais poder de compra (i.e. ganhar mais) ou melhorar a qualidade de vida que tem? Pois. É por aí.
E aqui chegamos a mais uma "bota-complicada-de-descalçar": os professores. Com toda a legitimidade reclamam o que é seu por direito. Contudo, estas manifestações irão ter um efeito similar a um fósforo numa seara bem seca. Sendo a seara todas as outras classes profissionais que perderam direitos durante o período da austeridade e quem foram prometidas benesses, assim que houve a "troca de cadeiras", leia-se "troca de Governo". Assim sendo, não auguro bons ventos para este Governo. Aliás, nem para este nem para o próximo. A questão basilar, neste caso em concreto, será a forma como este Governo vai resolver a questão dos Professores. E, a partir daí, a questão dos militares, das polícias e dos Magistrados. Deus me dê saúde para ver as saídas e soluções encontradas. E começar em quem vou votar. Em breve.

domingo, novembro 19, 2017

Método e Disciplina

Método e disciplina são duas características que me são intrínsecas. Se alguém me perguntasse do nada, sem aviso prévio, que características mais aprecio em mim, estas duas figurariam entre as "top 5". Sem qualquer hesitação ou pestanejar de olhos. Passo a explicar as razões das minhas escolhas. Por favor, acompanhem-me.

Método

Sem método não consigo funcionar. Há pessoas que conseguem. Por método entendo possuir, entre outras características, um raciocínio sistemático. Aqui entrará a parte mais técnica (formação em engenharia). Ficariam surpresos(as) com a facilidade com que um texto corrido pode ser transformado numa tabela de duas entradas para uma mente técnica. Ou como os fluxogramas florescem com toda a pujança. Método, para mim, é isto mesmo. De forma sistemática, com um padrão definido de trabalho, encetar esforços para a consecução de um determinado objectivo ou resultado. Há vários métodos de trabalho. Tenho o meu há muitos anos como outras pessoas terão o seu. Poderá não ser o melhor, mas é aquele com que me identifico e até à data, não me dei mal. É necessário que haja método em tudo o que se faz. Sem método, a probabilidade de ocorrência do "caos" ou desorganização é enorme. Pode ser causada, por exemplo, pela falta de rigor. Pelo desleixo ou mesmo pela não capacidade de definição de uma escala de prioridades. Estranho, não é? Também concordo. Mas acreditem quem 90% das pessoas não conseguem definir uma escala de prioridades diária. E isso tem associada uma falta de método flagrante. Com método (quase) tudo de consegue. Basta saber como usar o mesmo.

Disciplina

Conheço poucas pessoas como eu. Muito poucas, ou nenhumas, na verdade. Desde há muitos anos que esta será, penso eu, "a" característica mais vincada em mim. Falo de horários. Falo de pouca flexibilidade ou uma ínfima capacidade de adaptação ao improviso. Mas uma coisa é certa: missão dada é missão cumprida. Umas vezes com mais facilidade, outras vezes com menos. Mas o que é certo é que as coisas são conseguidas. Com esforço, dedicação, empreendorismo e resiliência. 
Há uns anos atrás escrevi aqui sobre a corrida. Quando comecei a correr. É verdade, há bastante tempo. E lembro-me bem dessa altura. Da(s) aplicação(ões) que saquei para começar a correr. Dos treinos que desenhei para mim mesmo, baseado em artigos escritos por especialistas que li na internet. E comecei a correr. Levado para a corrida por uma das minhas primas...apenas tive a companhia dela uma única vez. Maldito "fungo-da-unha-do-dedão-do-pé" que a atirou para o estaleiro!! E fez-me correr sozinho. Corri muito sozinho. E não foi só na Primavera e com temperaturas amenas. Foi de Verão com temperaturas tórridas. E de Inverno com muita chuva e com temperaturas polares, que em muitos momentos me fez pensar que tinha perdido as pontas dos dedos das mãos e dos pés. No entanto, em momento algum vacilei ou pensei em desistir ou furar o meu plano de treino. Impensável. Seria ser fraco. E seria também o princípio do fim. Na medida em que a partir desse momento, ter-me-ía de alguém sem disciplina.
Falta muita disciplina às pessoas. Vivemos na era do "nacional-porreirismo" em que 5 minutos, na cabeça da generalidade das pessoas, não mata ninguém. É certo que não mata, mas também é certo que as pessoas não têm qualquer respeito pelas pessoas que fazem esperar ou pelas instituições que se regem por horários exactos. É essa mesma falta de disciplina que faz com que alguém que dá um toque acidental num carro se vá embora sem deixar um bilhete a identificar-se e prontificar-se para suportar a reparação. Ou alguém que encontra uma carteira num qualquer centro comercial, primeiro veja se tem dinheiro e só depois entrega ao segurança mais próximo.
Irritam-me as pessoas que nunca têm coragem para enfrentar os problemas de frente. Afinal nunca é nada com elas. Chamo a isto indisciplina mental. Mente retorcida e cheia de filosofias baratas que não levam a lado algum. Fico com babas no corpo inteiro só de pensar nesta falta de disciplina e coragem. Enfim. A lista de situações reveladoras de indisciplina é longa. E levar-me-ía a escrever muito. Mesmo muito. Vou vivendo o melhor que posso. Dentro da minha disciplina.