domingo, novembro 12, 2017

Forças de Segurança

Não há no mundo inteiro ninguém que defenda mais as forças de segurança do que eu. É humanamente impossível. E considero forças de segurança, para que estejamos todos na mesma página, quer as forças armadas e autoridades policiais. Este enorme grupo de profissionais é responsável pela manutenção da ordem, cumprimento da Lei e ainda pela segurança dos cidadãos.
O último acontecimento partilhado nos meios de comunicação social (i.e. agressão a um agente da PSP num conhecido miradouro da cidade de Lisboa) por um tipo já referenciado - conhecido - das autoridades policiais. E isto remete-me para outro tipo de discussão: quem são os actuais agentes policiais?
Não é possível responder à questão acima, sem antes falar das provas de admissão às forças policiais (e mesmo forças armadas). E posso falar com conhecimento de causa, na medida em que num passado longínquo também eu realizei provas de admissão para uma instituição militar. E desde então, se a memória não me falha, continuam as mesmas. Sem qualquer alteração. O que não é necessariamente bom ou abonatório quer para a imagem desta instituição quer para outras similares.
Quando refiro que as provas de admissão são as mesmas, refiro-me objectivamente à questão da não adaptação das provas à realidade contemporânea. Ou seja, se as actuais provas de admissão das autoridades policiais forem as mesmas que eram há 30 ou 40 anos atrás, alguma coisa estará mal. A altura e compleição física de um homem de 20 anos nos dias de hoje é naturalmente diferente da compleição física de um homem com a mesma idade em 1972. Esta é para mim uma realidade incontornável.
As provas de admissão servem precisamente para possibilitar às várias instituições a realização de uma triagem, dos candidatos "aptos" e "não aptos" ao exercício de determinada função. O meu ponto, é que não basta perfazer a corrida dos, 12 elevações e 20 abdominais, ou seja, os mesmos critérios que eram utilizados para avaliar a robustez física de alguém há 40 anos! É preciso mais. A minha prima com 12 anos consegue fazer todas as provas de admissão. Sem qualquer problema. Se calhar até o faz em menos tempo. Mas a realidade é que a minha prima não vai fazer patrulhamento nas (complicadas) ruas da cidade de Lisboa. Nem terá de pontualmente, ter de possuir alguma compleição física para deter um agressor do seu tamanho - melhor dos cenários - e maior, no pior dos cenários.
Enquanto houver uma resposta da Tutela no sentido de formar mais agentes fazendo "vista grossa" ao critério da compleição física, muita coisa vai correr mal. Ou ignorar a necessária formação em disciplinas como seja a defesa pessoal, ministrada de forma continuada, para fazer face às situações do quotidiano.E com isto, a opinião pública irá tendencialmente ficar no domínio do descrédito naquelas forças que são responsáveis pela segurança dos cidadãos portugueses. Com os riscos que daí são advenientes...

domingo, novembro 05, 2017

Liderança

Tenho para mim que para se ser líder, são necessárias duas características nucleares: ter pulso e ter coragem. O resto é acessório.
Já lidei com vários tipos de liderança. Algumas com as quais me identificava mais, outras com as quais me identificava menos. O tema é vasto e obriga-nos, inevitavelmente, a aludir a características intrínsecas das pessoas e que podem ser trabalhadas com treino. 
Por um lado, há os traços de personalidade comuns que encontramos nos líderes. O ter pulso, o ter coragem para liderar em tempos difíceis e com equipas desmotivadas - daí ser preponderante a capacidade de motivação. O conhecimento das características individuais dos membros das suas equipas, o ser elemento agregador, possuir experiência de coordenação de equipas, entre tantas outras características que tipicamente são perceptíveis nos bons líderes.
Por outro lado, não havendo os tais traços "normais" e desejáveis, é necessário que seja tornado possível incutir ou, através de treino específico possibilitar haja meios alternativos para a consecução do mesmo objectivo. Reformulando, se uma determinada pessoa (enquanto líder) não se consegue impôr ou fazer valer o seu ponto de vista perante algumas pessoas com quem trabalha, deverá ter formação ou treino especializado para que lhe seja possível o reforço dessa sua característica.
Questão: o que acontecerá se dermos as chaves de um Ferrari a um macaco? Teoricamente, nada. Refiro propositadamente o "teoricamente", porque com treino talvez pudesse haver uma acção que fosse ao encontro das nossas pretensões.
Como já vem sendo natural em mim, consigo perceber duas formas de abordar a questão: pessoas que não tendo perfil de líder foram designadas como tal - tipicamente pessoas que têm experiência profissional relevante para a função e como tal são elegíveis para a mesma - e que nunca serão bons líderes, por via de não terem as tais características ou o perfil de líder. São bons executantes. Só isso, sem mais. E este é o grosso dos líderes que temos por cá (Portugal). Pessoas que ocupam cargos de responsabilidade só porque...trabalharam em algo parecido (experiência profissional). Mas sem todo o necessário complemento e bagagem para ser líder. Com uma grande probabilidade de até ser a antítese (i.e. tímido, ansioso, inseguro, falta de confiança em si, etc.).
Por outro lado, há pessoas designadas como líderes e que têm experiência profissional nula ou perto disso. Bom, o "caminho das pedras" nestes casos será naturalmente mais complicado. Para começar, designar um líder numa organização em que há outras possibilidades válidas para esse cargo, pode causar algum ruído e mal estar. Ainda derivado desta situação, a aquisição de conhecimento não será fácil porque o conhecimento detido por outras pessoas não será partilhado e consequentemente a conquista do "espaço" e reforço da posição será demorado. Se é que tal será possível.
Hoje em dia há no mercado empresas de formação com profissionais especificamente vocacionados para treino de pessoas que têm atribuições profissionais de líderes. Contudo, há uma fortíssima aversão ou relutância por parte das organizações em cabimentar verba para este tipo de formação. À boa maneira portuguesa, as organizações entendem que as tais características se tiverem de ser melhoradas, que o farão por si. Erro crasso. E está à vista o resultado...

domingo, outubro 29, 2017

Lidar com os imponderáveis

Estou certo que não é a primeira vez que desenvolvo o tema. E mais certo ainda estarei que não será a última.
O ponto é simples. Para pessoas que têm a vida mentalmente organizada ou estruturada - como é o meu caso - lidar com os imponderáveis ou imprevistos da vida, se preferirem a terminologia, revela-se uma tarefa (muito) desafiante. Profissionalmente poderá ser, por exemplo, o pedido de elaboração de um relatório que surge meia hora antes do final do dia de trabalho. Em casa, por exemplo, a necessidade de ir ter com um amigo ou amiga que ficou com o carro avariado às 2330H numa das piores noites do ano, com chuva e frio. Dois pequenos exemplos que poderão espelhar bem o que falo.
É natural que as coisas acabam por ser conseguidas. O relatório é produzido e ajudamos o tal amigo ou amiga. A minha questão é a forma como se lida com isso. Pessoalmente falando, não é fácil. Porque o meu "mindset" terá de ser alterado e adaptado a uma nova situação. A necessidade de produção do tal relatório deveria ter surgido mais cedo. Ou se o carro já estava a ameaçar que ía parar um dia, não deveria ter sido utilizado. Parece simples, esta forma linear e imediata de ver as coisas. Mas não é possível determinar de forma tão peremptória as coisas na nossa vida. E aqui surge a utilização da palavra "imprevisto". Algo que não estávamos à espera.
Ainda que sendo uma pessoa pouco receptiva a mudanças que podem alterar significativamente a minha forma de estar (afinal um relatório produzido em pouco tempo poderá não ser a referência em termos de qualidade ou a probabilidade de apanhar uma gripe das antigas ser enorme, ao sair de casa a desoras com mau tempo), o que é certo é que as coisas acontecem. Pode demorar um pouco mais a "mudar a agulha", mas acontece. Quase sempre bem. Porque o empenho e dedicação acaba por ser o mesmo. Mas conheço pessoas cuja capacidade de dar resposta aos imprevistos é nula. Por via de bloqueios naturais ou incapacidade de se adaptarem a novas situações. Tenho para mim que a nossa sociedade de brandos costumes acaba por "proteger" estas pessoas. Profissionalmente, na medida em que é conhecida a sua incapacidade para dar resposta à tal solicitação do tal relatório, alguém o fará. Na vida pessoal, se todos os amigos(as) souberem que é uma pessoa que dificilmente sairá de casa numa má noite para ajudar, o telefone daquela pessoa não tocará. Infelizmente ocorrem-me vários nomes. E curiosamente de pessoas bem próximas.

domingo, outubro 22, 2017

Caracas e Curaçao

A semana passada, em trabalho tive de me deslocar a Caracas (Venezuela) e a Curaçao. O objectivo era auditar duas empresas de manutenção e ainda dar formação a mecânicos locais.

Caracas

Começando pela Venezuela. Caracas tem o típico clima que detesto: muito quente e abafado, juntamente com uma humidade altíssima. Resultado? Basta sair do hotel, de banho tomado, para se ficar a suar de novo. No presente momento, a Venezuela tem uma inflacção que ronda os 800%. Os preços de alguns produtos (i.e. bens essenciais) sofrem aumentos todos os dias. 
A título de curiosidade, no dia 17.10.17, o salário mínimo na Venezuela era de 325.544 Bolívares (Bs) - moeda oficial da Venezuela.  Comparativamente à nossa moeda (€) a correspondência é de 1 € = 39.000 Bs. Isto no mercado oficial. Há um imenso mercado paralelo (ou mercado negro) onde o valor sobe exponencialmente. Agora, e para se ter uma ideia do preço dos produtos: 36 ovos custam 36.000 Bs, 1kg de carne tem um custo de 50.000 Bs, 1 pão são 7.000 Bs, 1 Kg tomates são 15.000 Bs e um 1kg de arroz tem um preço de 15.000 Bs. Por descargo de consciência tentem realizar o exercício de preparar uma refeição (ou duas) com o salário mínimo. Complicado, certo? Também me parece.
A Venezuela vive presentemente um momento complexo. Politicamente complexo. Foi sujeito a um sufrágio (acto eleitoral) muito recentemente sendo que o actual partido político - e responsável pela depressão que o país vive actualmente -  conquistou (curiosamente) 17 dos 23 centros eleitorais. Curioso, não? Pois. O povo venezuelano também acha o mesmo e avança com manipulação de resultados à boca das urnas. O mais grave, e agora falando do meu sector (aviação), é que muitos operadores internacionais que voavam para Caracas, deixaram de o fazer por via da insegurança que se vive e da instabilidade social sentida nas ruas. Como consequência deste êxodo ou não investimento na rota de Caracas há uma natural contribuição para o agravamento da situação económica do País.
O mais curioso é que a Venezuela é um país riquíssimo. Com riqueza natural abundante, como seja petróleo e aço. Entre outros. Com 90,00€ podia-se, à data que referi acima, encher 1.200 vezes o depósito do meu carro. É verdade. O custo do litro de combustível é ridiculamente baixo. 

A arquitectura e as ruas dificilmente poderia ser pior. A zona do nosso hotel era calma e com harmonia arquitectónica na envolvente, mas os demais locais por onde passámos, não o eram. No primeiro dia que chegámos a Caracas fomos aconselhados a não andar a pé pelas ruas para nossa segurança. Para se ter uma ideia, há 12 homicídios diários nesta cidade. E quem já viu o "Narcos", série original da Netflix, irá ver muitos "lugares comuns". Motorizadas com dois ocupantes sem capacete e muita pobreza na rua. Uma réplica da Colômbia, portanto, País com quem a Venezuela faz fronteira. Deixei a Venezuela com sentimento de pena, pelo facto de ser um País com imensas potencialidades, mas onde a corrupção fala mais alto. E daí haver uma disparidade tão grande entre classes sociais e uma inflacção asfixiante. 

Curaçao

Uma ilha. Com mais contras que pontos a favor, naturalmente. Foi uma colónia da Holanda pelo que é usual ver-se muitos holandeses na ilha. Fica a cerca de meia hora de Caracas e não podia ser mais diferente.
Curaçao é sem dúvida um destino turístico. Nota-se bem o investimento em infra-estruturas (i.e. hotelaria) e também no centro da cidade numa tentativa de tornar um destino mais apelativo. Refiro propositadamente o centro da cidade, porque aparte desta zona da ilha, tudo o resto, em redor, é muito similar ao que vi em Caracas. Um pouco melhor, mas igualmente pobre e (quase) abandonado. Ou seja, um pouco diferente das fotos de praia com areia branca e água verde - que há, atenção! Mas..não é só isso que se vê!


Por via de ser um destino de férias dos holandeses, o custo de vida na ilha é substancialmente mais caro que em Caracas. As moedas aceites são o "florim" e o dólar americano e claro que os preços são devidamente ajustados. O hotel em que fiquei hospedado não deixa qualquer saudade. Os quartos mal limpos, a humidade no tecto do WC e uma alcatifa com aspecto de não ser bem limpa desde....que o hotel era novo, ou seja, final da década de 80!

Tive a oportunidade de ir ao centro de Curaçao. Interessante. Salta à vista os edifícios com cores vivas. A razão pela qual isso acontece - e que me venderam - é que houve em tempos um "Governador" (que no caso seria o equivalente ao nosso Presidente da República) uma vez terá dito que sempre que abria as janelas via só branco e que tal o deprimia. Daí, haver as várias cores:

Pessoalmente até consigo achar alguma piada. Notei igualmente uma grande presença de americanos na minha curta estadia. Basicamente, e para estes turistas, trata-se de um destino com bom clima, e com um custo de vida bastante aceitável (para não dizer baixo, tendo em consideração os vencimentos). Para um europeu como eu, e proveniente de um país do Sul da Europa, a realidade não será bem a mesma. Mas mesmo assim, com alguma ponderação é possível passar-se uma boa temporada. Por exemplo, o nosso cicerone disse-nos logo que o hotel em que tínhamos ficado não tinha piada alguma e mais tarde mostrou-nos aquele em que podíamos ter ficado se tivéssemos efectuado a reserva por ele. E...tinha sido bem melhor!! E mais barato.

A viagem foi muito cansativa, especialmente no regresso a Lisboa. Viemos via Miami. Depois de Miami, rumámos a Madrid e depois de Madrid, finalmente Lisboa. Com tudo isto, saímos de Curaçao no Sábado às 1600H e chegámos a Lisboa à mesma hora, mas no dia seguinte (hoje). Amanhã terei de folgar para que o meu organismo recupere desta viagem intensa e para retomar o trabalho!  

domingo, outubro 15, 2017

Viagem

Em trabalho, terei de ir à Venezuela e a Curaçao. Não tenho grande expectativa para qualquer um dos destinos. A única coisa que sei é que será uma viagem muito cansativa. Mais detalhes na semana que vem!

domingo, outubro 08, 2017

Troca de carro

É verdade. Mais uma vez. Vou trocar a carrinha por um outro menino. Bonito, "raçudo". Diferente. 
O negócio foi fechado ontem de manhã. Pelo meio, a habitual negociata, quer com vendedores, quer com pessoas conhecidas que desde sempre manifestaram interesse na compra do carro, mas quando confrontadas directamente passaram a achar caro. Acho engraçado. Só engraçado. Nota: Certamente quereriam que o desvalorizasse de tal forma que no final do dia ficasse eu a perder e eles a ganhar. Lindo.
Com o passar dos anos e a experiência de vida capitalizada, negociar automóveis passa a ser uma valência importante (tipicamente) do homem adulto. No sentido de não ser (tão) gamado. Na hora da compra de um carro, os vendedores tornam-se os nossos melhores amigos. Na hora da retoma, nem tanto. A menos que se queira trocar por outro carro que está a vender! Afinal, é tudo uma gestão (hábil) da chamada "margem de lucro". E o quão dispostos estão a esmagá-la para ficar com o negócio.
Informei-me com várias pessoas acerca deste negócio. Se no início pareceu-me pouco interessante, em termos de valor, com alguma tenacidade (e cedência) da minha parte, fui levando a água ao meu moinho. No final do dia não será "o" negócio da minha vida, mas tenho a certeza de ter feito um negócio justo. Avaliando o facto de ser uma retoma e o valor que está a ser pago, é um bom negócio.
A questão que certamente paira neste momento nas vossas cabeças será...porquê trocar um carro (sim, o carro que estou a trocar tem 4 anos). Por várias razões.
Em primeiro lugar porque o carro que estou a entregar tem um bom valor comercial neste momento. Mais baixo do que inicialmente pensei, mas ainda assim um valor simpático. Sendo que estou certo que o não terá daqui por mais 2, 3 anos. Em segundo lugar, porque começa a haver algum tipo de "movimentações" nos grandes fabricantes automóveis no sentido da adopção das tecnologias limpas: veículos híbridos ou eléctricos. O que representará uma mudança de paradigma para entidades que têm estruturas e tecnologia de ponta no desenvolvimento de motores a gasolina e gasóleo. Por imposição da Comissão Europeia, terão os construtores automóveis de começar a pensar em tecnologias limpas e alternativas. Na minha perspectiva, a curto prazo haverá uma aposta dos mesmos nos veículos híbridos, posteriormente 100% eléctricos e mais tarde o recurso ao Hidrogénio.  Tudo faseado. E afirmo isto tendo presente o desenvolvimento tecnológico e as soluções que actualmente há e estão na calha no horizonte temporal dos próximos 2-3 anos.
Consequentemente, e em pouco tempo, as "baterias" vão virar-se para os carros mais poluentes actualmente existentes. Como se sabe, é representada pelos carros a gasóleo. O que acho que vai acontecer é que o mercado de usados vai ficar inundado com estes carros (gasóleo). Excedente. Que acontece quando há muita oferta e pouca procura? O custo baixa. Ou seja, o valor dos carros vai diminuir. Concluindo, um carro a gasóleo que vale hoje "X" não manterá esse valor. Claro que com os anos se perderá sempre valor comercial, é certo, mas a perda será (ainda) mais acentuada, é o que quero dizer.
Em terceiro lugar, a utilização do carro a gasóleo. Aqui realizo um acto de contrição. Também eu embarquei durante muitos anos - houve uma interrupção em 2005 em que tive um carro a gasolina - na febre dos carros a gasóleo. Teve início em início da década de 90 com a importação da sucata automóvel da Alemanha, Bélgica e França. Estes países, principalmente. Contudo, a realidade destes países é naturalmente antípoda à nossa. Extensões geográficas maiores, o que justifica, só por si, a escolha do gasóleo. Em Portugal, e a menos que se faça 20.000 quilómetros / ano, não se justifica esta escolha. São carros mais caros, motores mais pesados e embora visitem menos a oficina, quando o fazem, o preço da manutenção é mais oneroso.
Havia duas vantagens: custo do combustível / consumo e valor de retoma. Quanto ao preço de combustível essa é uma realidade que hoje em dia tende a ficar cada vez menos flagrante. Os preços estão praticamente os mesmos. O mesmo acontece com os consumos. Há inclusive carros a gasolina, do mesmo segmento, que consumem menos que as motorizações a gasóleo. Aliado a um custo de combustível praticamente o mesmo, não será uma escolha racional nos dias que correm. O valor de retoma do carro a gasóleo poderá ser ainda apetecível, mas durante pouco tempo. Mais um ou dois anos. E depois começa a desvalorização (que falo acima) destes carros.
Para concluir, moro perto do local onde trabalho. Os meus carros não aquecem num percurso que com trânsito demora 5 minutos. Carros a gasóleo que perfazem continuamente trajectos curtos vão ter em algum momento da sua vida um problema: filtro de partículas, que não é mais componente dos carros a gasóleo que filtra as partículas em suspensão do fumo de escape). O filtro de partículas actual tem associada uma temperatura de funcionamento que, de forma simplificada, decorre do tempo de utilização ou funcionamento do motor. Se um carro só fizer trajectos curtos ou funcionar em curtos períodos de tempo, é provável (sem ser matemático) que possa vir a ter problemas com este componente.
Estou feliz pela minha escolha. E contente por ter conseguido uma escolha equilibrada e justa.

domingo, outubro 01, 2017

Subserviência

Fui educado no sentido de, entre outras premissas, tentar manter sempre uma base de respeito com os demais. Dirigir-me a pessoas mais velhas com a respectiva e desejável deferência. Ou a pessoas que não conheço e com quem não privo habitualmente. Tentar manter sempre uma distância de respeito. E um nível seguro de educação.
Ao longo dos anos mantive-me fiel a isto. Que sustenta quem sou. Por muito que possa causar incómodo a algumas pessoas. Porquê? Porque digo o que não deve ser dito. Porque incomodo. Porque sou não raro repreendido por ser "fracturante" ou "incisivo" em demasia. 
Contudo, tenho-me deparado com pessoas que vivem a vida de forma diametralmente oposto à minha. Que de forma flagrante e quase obscena prestam vassalagem a outras pessoas. Que são desprovidos de coluna vertebral com o intuito de conseguirem o que querem. Isso "é só" um reflexo de alguém menos honesto. E que naturalmente, em termos de carácter da pessoa em causa, diz tudo. 
As regras, procedimentos e normas da vida quotidiana são para serem cumpridas. Se por exemplo, ao chegar ao carro estiver um polícia a autuar-me por estar mal estacionado - e se estiver numa zona de paragem e estacionamento proibido - na minha concepção das coisas, não tenho absolutamente nada de estabelecer qualquer tipo de conversa com o agente da autoridade. Nem tampouco pedir-lhe desculpa por ter abusado da sua bondade. Não me faltava mais nada! Identifico-me como proprietário do carro e aguardo pacientemente que acabe de passar a multa - esperando que não cometa nenhum erro ortográfico ou imprecisão nos dados. Na primeira oportunidade e no mais curto espaço de tempo pago ao Estado a minha dívida por desleixo. Outras pessoas começariam a apelar ao lado bom do agente da autoridade. Não há paciência. Como este exemplo que dei, há milhões. E muitos deles bem próximos de nós...

domingo, setembro 24, 2017

Fim do Verão

É verdade. Para mim, são algumas as coisas que estão intimamente associadas ao final desta estação do ano: o aparecimento dos dias mais pequenos (e da mudança da hora associada), o arrumar a roupa do Verão e os dias mais frescos e húmidos. Mais tarde, chuvosos.
Este Verão, como aqui dei conta, foi marcado pelo meu regresso à praia, depois de 1,5 ano de interregno. É verdade. Lá terei as minhas razões, mas posso referir sem problema algum que encontrei a fórmula de sucesso: ir para a praia mais cedo e voltar à hora de almoço ou ao final do dia, como aconteceu numa das últimas vezes que fui à praia e aqui também partilhei.
Só por si, o regresso à praia era suficiente para "ter ganho" o Verão. Aproveitei melhor os fins de semana com excelentes passeios a pé. À excepção de um fim de semana, consegui, desde finais de Maio até agora (finais de Setembro) usar sempre calções ao fim de semana. E se me soube /sabe bem...
As temperaturas que se fizeram sentir não foram abusivamente altas, o que me agradou particularmente. Foi um bom Verão, este!

domingo, setembro 17, 2017

Falta de tempo

Já aqui escrevi umas linhas sobre a falta de tempo e as nossas prioridades. Para quem me conhece e começa já a dizer que não com a cabeça, o texto também se aplica a mim - um acto de contrição, se quiserem.
Costumo dizer que todos temos uma "agenda": a nossa família, o nosso trabalho e as nossas relações (independentemente do grau de afeição que possa haver nas mesmas). Contudo, a priorização que estabelecemos das nossas agendas é diferente de pessoa para pessoa e não raro, há expectativas que saem goradas.
A palavra certa é essa mesma : expectativas. Por exemplo, o imaginarmos que em algum momento entendemos que uma determinada pessoa vai agir de certa forma. Uma forma que entendemos (na nossa ideia) que seria a correcta. E por alguma razão as coisas não correm dessa forma. Daí advém facilmente o sentimento da frustração. Quem não passou já por isto? Pois.
Intimamente associado a tudo isto está a questão da falta de tempo. Ninguém gere a sua agenda de tal forma eficiente que consiga acudir a todas as solicitações. E acredito que sejam muitas e das mais variadas origens!
As boas notícias são que..é bom que hajam solicitações. Sejam de que tipo forem. Afinal somos importantes e alguém lembra-se de nós. A partir daí, e mais uma vez, "apenas" temos de gerir prioridades. As más notícias é que há um risco enorme de, pelo caminho, defraudarmos as expectativas de alguém. E acredito (e sei) que isso acontece com uma facilidade assustadoramente grande. Pelo facto da ordem de prioridades de duas pessoas não ser necessariamente a mesma. Esta constatação leva-me inevitavelmente a pensar que a vida é curta. Passa depressa. E que nada acontece por acaso. E que por vezes as coisas passam-nos ao lado...para não mais voltar a passar. Dá que pensar. Até ao próximo Domingo!

segunda-feira, setembro 11, 2017

Passeio Douro Vinhateiro

De memória, penso que foram raras as vezes que aqui falei do Norte de Portugal. Devo ter feito uma ou outra alusão ao Porto, mas de resto, pouco ou nada. O que acaba por ser normal, na medida em que mais nada conhecia além do Porto, até este final de semana.
Foram dois dias que dificilmente irei esquecer. Por várias razões. Em primeiro lugar, porque fiz uma das coisas que mais gosto de fazer: todo-o-terreno. Em segundo lugar, porque pude experimentar a sério o jipe e não podia ter ficado mais contente com as prestações do mesmo, depois de tanto revés, como aqui fui partilhando. Em terceiro e último lugar porque fui brindado não só pela magnífica paisagem, bem como pelo facto de ter estado um fim de semana com um tempo espectacular.
Não tive muita oportunidade de lidar com as pessoas do Douro. Este evento foi milimetricamente organizado e sem grande tempo para se poder socializar com estas pessoas. Imaginem o que seria se cada um dos participantes se pusesse na conversa com os locais...facilmente se percebe que o mesmo talvez durasse até às Janeiras de 2018 - sim, eram muitos participantes!
As paisagens são lindíssimas. A visita a Foz Côa é obrigatória. A subida do Douro a barco e a descida de comboio usando a linha do Tua é obrigatória para quem quer realmente perceber a beleza nas margens do rio. E claro, não podia deixar de falar de Trancoso, que já conhecia do meu passeio a Santiago de Compostela.
Visitar o Douro Vinhateiro e não falar do vinho é quase um sacrilégio. Contudo, e infelizmente, não sou apreciador. Prefiro os vinhos do Alentejo. Se calhar não tão frutados ou não tão encorpados como os vinhos da região do Douro, mas mais do meu agrado. São gostos, no final do dia.
Quando se faz um passeio (bem) organizado, não só não há muito tempo livre - por forma a optimizar a agenda do evento - bem como já está tudo programado. Especialmente os locais onde se vai pernoitar e visitar e onde, naturalmente, se come. E aqui uma pequena nota de tristeza, porque os menús eram simples e daqueles que se podem comer em qualquer parte do País. Ou seja, sem serem de gastronomia típica. Globalmente, adorei o fim de semana. Óptimo e para repetir, com mais calma para poder usufruir em pleno de tudo o que esta região do País nos pode oferecer. Próximo destino...Alentejo! Claro!