
Um tema controverso. A escolha deste cartoon tem que ver com o facto da minha busca na internet se ter revelado algo perturbadora. As fotos de suicidas são mais que muitas (não fazia ideia), e algumas delas muito "violentas" mesmo. Não para mim, mas para pessoas mais sensíveis que eu, eventualmente.
Porquê este tema? Simples. Porque me ocorreu falar um pouco da forma como vejo o suicídio. Na Quinta-Feira passada, fazendo zapping antes de dormir, no canal "People & Arts" parei numa série, em que havia uma das personagens que tentou o suicídio com alcool e medicamentos, tendo fracassado, porque o irmão (ou amigo) o encontrou a tempo.
Embora fosse um filme, é um bom motivo para analisar aquilo que vi. Em primeiro lugar, o que lhe disse o tal irmão ou amigo que o salvou de morte. Nem mais, nem menos que "podes matar-te a ti, mas e que acontece aos que ficam cá?". Isto resume tudo o que penso. O suícidio é um acto cobarde. É um acto de alguém desesperado e que quer tão somente chamar a atenção. Mas é igualmente um acto de egoísmo, porque o/a suicida não pensa nos que ficam cá, e que terão de viver daí para a frente com esse fardo.
Há variadíssimas formas de suícidio. Muito em voga estão os suicidas por "uma causa". É frequente em comunidades religiosas (leia-se extremistas), e diariamente podemos constatar isso mesmo através da tv. Da mesma forma que na II Grande Guerra existiam os kamikazes japoneses. Mas havia uma causa, algo em que acreditavam, e morriam por essa crença. Nos dias de hoje, acaba por ser o mesmo, mas com outro tipo de contexto, e outro enquadramento. Naturalmente que será discutível a forma que este tipo de suicidas encontra para se fazer "ver", sendo que na maioria dos casos acabam por haver baixas civis. Lamentavelmente. Mas é a forma que encontram de indignar a comunidade internacional.
Paralelamente, e no caso do filme, não sendo por uma causa divina ou crença incutida, o suicídio poderá ser o culminar de um caminho longo. Caminho esse em que houve a tentativa de comunicar, mas que se manifestou impossível, ou as pessoas com quem o/a suicida tentou falar não perceberam. É aqui que reside um potencial problema. Falha de comunicação. Ou melhor, a pessoa não saber como dizer que precisa urgentemente de ajuda. E este facto acaba por passar um pouco "ao lado" das pessoas interpeladas. Na maioria das vezes, não há sensibilidade suficiente para "ler" todos os sinais, e regra geral, o/a suicida sente-se só neste mundo e vê num acto egoísta a sua única salvação.
Os dias que correm potenciam enormemente este tipo de actos. Muito stress, falta de tempo por parte das pessoas interpeladas, falta de coragem das pessoas que se sentem mal em dizer o que lhes vai na alma, enfim, uma série de pormenores que poderão eventualmente ter um final pouco digno. Digo pouco digno porque é como encaro o suícidio. Ninguém tem o direito de matar ninguém, e muito menos acabar com a sua vida, uma dádiva de Deus.
Em Portugal há estatísticas para este tipo de morte. Sabe-se que acontece mais no interior, fruto de falta de oportunidade, vida monótona e sedentária, população mais pobre, menor nível de habilitações académicas. Qualquer um destes aspectos é rebatível, até porque qualquer pessoa sabe que o suicídio acontece em qualquer local, independentemente da pessoa ser pobre ou não, ser interior ou litoral, vida nómada ou sedentária...
Não há uma forma de encarar isto com leviandade. A melhor forma, será ou poderá passar pela conversa franca e aberta com alguém com quem temos confiança. Poderá passar por parar um bocado, descansar, e distracção com algo diferente. Há milhões de soluções...acabar com a vida não é uma delas...





