sábado, novembro 19, 2005

Ajudar o próximo

É sem sombra de dúvida um tema que me dá prazer escrever. "Ajudar o próximo", na minha concepção tem uma abrangência enorme, tem um significado profundo e acima de tudo, é uma frase que desde sempre esteve presente na minha maneira de ser.

Há vários tipos de ajuda. Alguns mais visíveis e perceptíveis (monetárias, ajudar alguém com alguma dificuldade), outros menos, ainda que não menos importantes. Não me consigo recordar de alguma vez que me tenha escusado a ajudar alguém. É complicado lembrar-me desse momento, e já lá vão 3 décadas de vida.. Faz parte de mim. Diria que é algo inato. Não me conheceria sem esta postura. Ainda que por vezes me seja prejudicial, na medida em que penso nos outros antes de pensar em mim, faço-o instintivamente. Uma das formas mais bonitas de auxílio, para mim, é o "ouvir". É necessário algum tipo de predisposição para tal. É preciso que exista abertura de espírito e disponibilidade mental para ir ter com alguém que está em baixo, e simplesmente...ouvir. Nem toda a gente o sabe ou consegue fazer, nos dias que correm.

Há várias interpretações deste tema. A minha interpretação, é, e será sempre na medida do possível, proporcionar ou facultar uma melhor qualidade de vida a outra pessoa. Daí, remeto-me directamente para o caso específico das "esmolas de semáforo", que opto por não dar, porque sei que muitas das vezes o dinheiro é canalizado para redes organizadas do crime, geridas por pessoas sem qualquer tipo de escrúpulos. Já o mesmo não acontece se vir alguém com fome. Aí pago uma sopa, ou um sandes mista e um copo de leite. É um pouco por aqui.

Ajuda o próximo requer disponibilidade, como já referi anteriormente. Nem sempre essa disponibilidade é possível, fruto das nossas obrigações familiares, profissionais e mesmo dos nossos problemas. Contudo, acho que é sempre possível encontrar forma de ajudar alguém, quanto mais não seja sob forma de um telefonema rápido, um e-mail curto ou simplesmente uma mensagem escrita, curta, mas evidenciando que "estamos aqui, se precisares". É pena que nem toda a gente pense assim. É pena que cada vez mais vivamos para nós, olhando para os nossos umbigos e finalmente, é pena que cada vez sejamos mais egoístas.

Por aquilo que tenho vivido de há uns tempos para cá, sei que muita gente precisa de ajuda. Não é ajuda monetária, não é "palmadinhas nas costas". É sobretudo alguém em quem possam confiar, alguém com quem possam contar quando precisam de desabafar, ou simplesmente alguém com quem possam estar em silêncio (poderá parecer ridículo, mas não o é, acreditem..)

Fruto de uma série de factores com os quais lidamos diariamente, somos deparados com adversidades que não são normais. Se por um lado nós mesmos podemos analisar e gerir essas mesmas adversidades, há pessoas que não o conseguem. Mas duvido muito que venham a pedir ajuda. Contrariamente ao que seria de esperar, hoje em dia há o sentimento de vergonha em pedir ajuda. Cada vez mais há situações de depressão, angústia ou simplesmente tristeza profunda acompanhada dum sentimento de impotência e frustração, porque não sabendo como resolver as coisas, as pessoas acomodam-se e vivem sem qualquer tipo de qualidade de vida, sem esperança e sem coragem para pedir ajuda.

Este último parágrafo faz alusão directa aos suicidas. São pessoas para quem a vida não faz sentido, que não tiveram coragem de pedir ajuda, ou que simplesmente quando o tentaram fazer, o que aconteceu foram "gritos mudos", como gosto de definir como analogia adequada.

É fulcral, vital, estar atento aos que nos rodeiam. É essencial que de quando em quando mostremos disponibilidade para ouvir, para aconselhar, ou seja, para ajudar. Que os nossos amigos (as) podem contar sempre com o nosso apoio. Entender os seus sinais, e estabelecer canais de comunicação entre ambas as partes de forma a que qualquer alteração da harmonia seja perceptível, e acautelada.

Para terminar, uma sugestão: pensem em todos os vossos (as) amigos (as), e tentem fazer o exercício de avaliar o quão bem os conhecem. Alguma vez sentiram que eles (elas) poderiam estar alegres não o sentindo verdadeiramente? Que poderão haver problemas escondidos? É fundamental que junto daqueles que gostamos e que fazem parte do "nosso círculo" tenhamos a garantia de que nada nos escapa..Porque se alguma coisa não está bem, será percebida, e é aqui que entra a palavra "Ajudar o próximo".

4 comentários:

Pi disse...

"Ajudar o próximo" é uma máxima de Vida que todsos deveríamos ter... Tu és, de facto, alguém que está sempre disponível para ajudar quem precisa! E, como bem dizes, muitas vezes em detrimento de ti mesmo.. Este tipo de postura ou é inata ou não é.. Ou nos é incutida desde sempre pelos nossos pais ou não é.. Ou tivemos exemplos de "Ajuda ao próximo" ou não teremos nunca uma sensibilidade tão grande para o fazer..
Considero-me uma pessoa extremamente sensível para com o sofrimento alheio, mas sei que há muita gente que ajuda por egoísmo.. Ambígua esta afirmação? Não... Há pessoas que ajudam para sentirem bem por ter ajudado.. E essa ajuda não é desinteressada, genuína ou pura!
Quem me conhece sabe que pode contar SEMPRE comigo! Quanto a ti? Bem... julgo que a nossa vivência te tem dito mais que quaiquer palavras...

alexander disse...

Olá João... ao ler este teu post aconteceu algo estranho. Parecia estar a ler algo que eu próprio podia ter escrito. Parece que somos parecidos no modo de pensar. Também ninguém me vê a dar uma "esmola"... acredito mais num provérbio japonês muito antigo "se queres ajudar alguém não lhe dês um peixe, ensina-o a pescar"

Quando tiveres tempo, vem até ao meu blog, eu sei que assim que puder volto ao teu.

alexander
http://tuesimportante.blogspot.com

Anónimo disse...

O meufilho tambem se chama João e ao ler toda a mensagem, diria que a mesma poderia ter sido escrita por ele, porque tem precisamente a mesma postura.Que bom queé ler mensagens destas, fico muito feliz.

LINDOMAR disse...

AJUDAR ALGUEM E FAZER O BEM,CONVERSAR,PENSAR NO PROXIMO AMAR.
EU GOSTEI MUITO DESSES EXEMPLOS.

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