domingo, novembro 13, 2005

A Noite

Depois de muito tempo, ontem saí um bocado. Sair para mim, é por exemplo jantar fora e eventualmente ir a um bar. Reconheço que ontem fui um pouco mais além, e o bar passou a ser uma discoteca. Há muito tempo que não o fazia, e sinceramente, tão cedo não o faço.
A questão da saída à noite, nos moldes em que mencionei, sugere alguma "predisposição para". "Predisposição para", no meu ponto de vista, não é mais do que qualquer um de nós entrar numa das muitas discotecas da localidade onde moramos, e sabermos que vamos estar num local qualquer sujeitos a levar um encontrão, que um simples pedido de desculpa não existe, que vamos ter de falar umas oitavas acima do nosso nível de conversa normal, que os cabelos e roupa ficam com o cheiro horrível a tabaco, entre milhares de outras coisas. Ou seja, vislumbro apenas e somente duas "vantagens": i) Possibilidade de ver pessoas arranjadas/diferentes daquelas que estamos habituados/as a ver, ii) Poder dançar um pouco. Naturalmente que qualquer uma das opções é rebatível, porque a primeira pode "cair por terra" se formos ao "Toquio" (discoteca do Cais do Sodré, frequentada pelo bas fond lisboeta), e a segunda é rebatida com o fundamento do espaço físico..Se por azar estivermos numa discoteca "fashion", decerto que a conjugação do verbo dançar passará a ser mais complexa.
Não quero com este discurso dizer que não goste de sair à noite, de ir jantar fora, estar com os amigos(as) e fazer uns programas. Não é isso. Tornei-me apenas mais selecto. Mais maduro, ou mais exigente, se quiserem. Na medida em que a maior parte dos (as) amigos (as) vai tendo a sua casa, é-me fácil e perfeitamente lógico, bem como aceitável e prontamente aceite um convite para jantar, seguido de uma boa conversa com um whisky de 12 anos (mínimo eehehehe) na mão. Não só porque se pode conversar da semana, de outros assuntos relacionados com interesses em comum, bem como se pode ver um DVD e adormecer no sofá, ou simplesmente jogar um jogo qualquer. Ou seja, se há uns anos gostava de fazer determinados programas, hoje em dia pretiro um programa que envolva restaurante e "disco" por um jantar em "casa do (a)" + conversa em casa do (a).
Não creio que seja a única pessoa a pensar assim. Reconheço que exista muita gente da minha idade que continua a preferir ir jantar fora e sair à noite. É a predisposição de que falava há pouco. Não tenho. Já tive, há muito tempo atrás. Hoje em dia não tenho, nem quero voltar a ter. Vejo isto como amadurecimento. Como o deixar de ter uma determinada necessidade (ir a uma discoteca) e preferir a conversa, no recato de um lar.
Com tudo isto, creio que este ano já fiz a minha "incursão nocturna" por Lisboa. Ou seja, voltar a sair à noite, neste tipo de circunstâncias, só para 2006. Convidem-me para jantar e para uma boa conversa. Para ambientes tipo discotecas e bares onde as pessoas nem falar conseguem...não me apanham por lá...

1 comentário:

Pi disse...

Pois é... Couldn't agree more!! Na mesma saída que referes, e pegando na parte dos encontrões, fui literalmente abalroada por uma "senhora" que me deitou ao chão um cigarro acabado de acender e que nem se deu ao trabalho de olhar para trás... Não acho normal!
Cada vez mais me convenço de que a noite não nos enriquece em nada! Para quê estar num sítio barulhento, poluído e apinhado...? Tenho duas Amigas que voltaram a estar "solteiras" há pouco tempo... Uma delas disse-me que desde que voltou a estar sem namorado começou a sair novamente imenso e que isso a ajuda a não pensar... O que quererá isto dizer? Eu acho que diz muito... Quando as pessoas não andam à procura de nada e estão bem consigo mesmas não precisam desse tipo de programa! E é por aí que se entende o tipo de espírito que se vive na noite...
Não é preciso ir para uma discoteca para se "sair à noite"! Um programa que englobe um barzinho, uma jantarada e conversa até às tantas tem muito mais a ver comigo e com o meu conceito actual de sair à noite! E ainda bem que tenho ao meu lado alguém que pensa como eu! Nada como estar em sintonia com a nossa "cara-metade"...

Vozes incómodas

Existem temas que evito desenvolver em público porque tenho uma opinião bem construída sobre os mesmos. E mais, não são temas em que a minh...