segunda-feira, novembro 21, 2005

Saber Comunicar

É um post algo controverso. Tenho plena consciência disso. Até eu dou erros ortográficos, até eu no dia-a-dia recorro a um prontuário ortográfico e/ou dicionário para confirmar alguma dúvida. Creio que é uma forma de aprendermos a comunicar melhor e fazer passar mais facilmente (e correctamente) a nossa mensagem.

Contudo, há muita gente que não o faz. Há pessoas que escrevem mal, pessoas que falam mal, e pessoas que dizem que "não têm tempo para ler". O não ter tempo para ler, quando me dizem isto , fazem-me ter vontade de rir até às lágrimas. Não ter tempo para ler, significa assim de repente, que as pessoas têm uma vida profissional que as ocupa as 8 horás diárias, e no resto das 16 horas estão permanentemente ocupadas, ou seja, 24 horas por dia e 365 dias por ano (366 dias se o ano fôr bissexto). A sério, custa-me ouvir este tipo de argumentação. É fraca e rebatível. Se calhar, as mesmas pessoas são capazes de optar por ver tv ou um dvd, ou ouvir música...em detrimento de ler. É uma questão de opção, é certo, mas também é uma questão de paciência e/ou predisposição para o fazer.. Eu prefiro ler. Há quem não o prefira.

Este final de semana comecei a ler um livro técnico, sobre a minha área de formação académica. Um livro escrito por um engenheiro de uma das faculdades mais prestigiadas do País, com pós-graduação e mestrado. Ou seja, uma pessoa a quem se exige uma formação literária superior, fruto dos trabalhos, relatórios e apresentações/formações que já terá feito. Erro seu ou do revisor ou do editor, na página 5 do seu livro, escreve "..espectativa.." em vez de "..expectativa..". Fiquei irritado com o erro. Fechei o livro. Mais lá para o final da semana volto a abrir. Não é uma questão de ser intransigente. É uma questão de não tolerar determinado tipo de erros a determinadas pessoas "com canudo", com um percurso académico bem notório e perceptível. É exigir que um (a) "mestre" não dê erros ortográficos, ou que tenha o cuidado de reler o seu livro antes de ser publicado. É o mínimo.

Outro tipo de lacuna de comunicação, não raro, é o que se verifica em peças dos telejornais ou mesmo no nosso quotidiano, que são os atropelos frequentes à linguagem "camoniana". Tento levar as coisas com calma, rio-me para dentro. Já não comento. Que fazer?

Atribuo o estado desta situação a dois factores (entre outros): novelas brasileiras e internet. As novelas influenciam quer a escrita, quer a oralidade. A internet, e cada vez mais, interfere na escrita das camadas mais jovens, em termos de "economia monetária e economia de letras". Fazem inconscientemente "contracções" de palavras...que não devem/podem fazer.

Em suma, e não me querendo alongar muito mais, só quis fazer um pequeno apontamento ao que aconteceu no Sábado (livro que estou a ler), e fiz um ponto de situação da forma como analiso a comunicação dos portugueses. Não sou ninguém para dar conselhos, nem tão pouco tenho moral para o fazer. Contudo, na minha opinião, acho que qualquer pessoa gosta de se exprimir correctamente, de forma a ser bem percebido (a), da mesma forma que gostará de perceber perfeitamente a mensagem da pessoa com quem fala. Chama-se a isto comunicação.

A título de sugestão, se me permitem..leiam livros de autores bons. Ainda que não sejam livros muito grandes, leiam boa escrita, bom português. Ajuda a melhorar o vocabulário, adjectivação, e sobretudo a escrita.

2 comentários:

Pi disse...

De facto não se admite que num livro desse género, escrito por alguém com uma formação superior tenha erros desse tipo! No entanto, e infelizmente, grau de formação superior não é sinónimo de uma escrita correcta... Antes pelo contrário! Numa fase da minha vida em que trabalhei como jornalista numa das principais estações de televisão Portuguesas, fiquei escandalizada com os erros inacreditáveis que eram dados na escrita e com a gravidade de alguns dos jornalistas não saberem uma vírgula de Inglês... Num mundo em que todas as notícias internacionais chegam às redacções escritas e faladas em Inglês, é MUITO grave e preocupante que os jornalistas não entendam "patavina" da informação que lhes chega. Depois disto é legítimo perguntar-mo-nos se as notícias nos chegarão de forma fidedigna...
Quanto aos hábitos de leitura, é realmente mais fácil ver televisão do que ler um livro. É mais cómodo, não obriga a pensar, e... embrutece qualquer um!! Basta comparar a forma cuidada como se falava e escrevia antes do "boom" da TV e a linguagem de hoje em dia que quase tem que ser descodificada . A televisão é um veículo excelente para a globalização e aproximação dos povos, para a rápida circulação de informação... Mas para nos cultivar, os livros continuam em PRIMEIRÍSSIMO lugar!!

Anónimo disse...

Concordo com o que proferiu.

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