segunda-feira, novembro 28, 2005

Suicídio


Um tema controverso. A escolha deste cartoon tem que ver com o facto da minha busca na internet se ter revelado algo perturbadora. As fotos de suicidas são mais que muitas (não fazia ideia), e algumas delas muito "violentas" mesmo. Não para mim, mas para pessoas mais sensíveis que eu, eventualmente.

Porquê este tema? Simples. Porque me ocorreu falar um pouco da forma como vejo o suicídio. Na Quinta-Feira passada, fazendo zapping antes de dormir, no canal "People & Arts" parei numa série, em que havia uma das personagens que tentou o suicídio com alcool e medicamentos, tendo fracassado, porque o irmão (ou amigo) o encontrou a tempo.

Embora fosse um filme, é um bom motivo para analisar aquilo que vi. Em primeiro lugar, o que lhe disse o tal irmão ou amigo que o salvou de morte. Nem mais, nem menos que "podes matar-te a ti, mas e que acontece aos que ficam cá?". Isto resume tudo o que penso. O suícidio é um acto cobarde. É um acto de alguém desesperado e que quer tão somente chamar a atenção. Mas é igualmente um acto de egoísmo, porque o/a suicida não pensa nos que ficam cá, e que terão de viver daí para a frente com esse fardo.

Há variadíssimas formas de suícidio. Muito em voga estão os suicidas por "uma causa". É frequente em comunidades religiosas (leia-se extremistas), e diariamente podemos constatar isso mesmo através da tv. Da mesma forma que na II Grande Guerra existiam os kamikazes japoneses. Mas havia uma causa, algo em que acreditavam, e morriam por essa crença. Nos dias de hoje, acaba por ser o mesmo, mas com outro tipo de contexto, e outro enquadramento. Naturalmente que será discutível a forma que este tipo de suicidas encontra para se fazer "ver", sendo que na maioria dos casos acabam por haver baixas civis. Lamentavelmente. Mas é a forma que encontram de indignar a comunidade internacional.

Paralelamente, e no caso do filme, não sendo por uma causa divina ou crença incutida, o suicídio poderá ser o culminar de um caminho longo. Caminho esse em que houve a tentativa de comunicar, mas que se manifestou impossível, ou as pessoas com quem o/a suicida tentou falar não perceberam. É aqui que reside um potencial problema. Falha de comunicação. Ou melhor, a pessoa não saber como dizer que precisa urgentemente de ajuda. E este facto acaba por passar um pouco "ao lado" das pessoas interpeladas. Na maioria das vezes, não há sensibilidade suficiente para "ler" todos os sinais, e regra geral, o/a suicida sente-se só neste mundo e vê num acto egoísta a sua única salvação.

Os dias que correm potenciam enormemente este tipo de actos. Muito stress, falta de tempo por parte das pessoas interpeladas, falta de coragem das pessoas que se sentem mal em dizer o que lhes vai na alma, enfim, uma série de pormenores que poderão eventualmente ter um final pouco digno. Digo pouco digno porque é como encaro o suícidio. Ninguém tem o direito de matar ninguém, e muito menos acabar com a sua vida, uma dádiva de Deus.

Em Portugal há estatísticas para este tipo de morte. Sabe-se que acontece mais no interior, fruto de falta de oportunidade, vida monótona e sedentária, população mais pobre, menor nível de habilitações académicas. Qualquer um destes aspectos é rebatível, até porque qualquer pessoa sabe que o suicídio acontece em qualquer local, independentemente da pessoa ser pobre ou não, ser interior ou litoral, vida nómada ou sedentária...

Não há uma forma de encarar isto com leviandade. A melhor forma, será ou poderá passar pela conversa franca e aberta com alguém com quem temos confiança. Poderá passar por parar um bocado, descansar, e distracção com algo diferente. Há milhões de soluções...acabar com a vida não é uma delas...

2 comentários:

Pi disse...

Este é um tema sobre o qual é difícil escrever. Acho que nem tu, nem eu, nem ninguém poderá avaliar o que pode levar a uma acto destes... Não imagino o desespero que seja preciso sentir para se tomar essa decisão. Assim como não imagino o desespero que os que cá ficam devem sentir. Deve ser terrível sentir que se falhou, passar o resto da vida a pensar naquilo que poderá ter levado a tão brutal acto, sentir uma culpa infinita por não se ter conseguido ajudar... Concordo quando dizes que o suicídio é um acto egoísta!
E pegando nos suicídios "fundamentalistas", esses ainda menos compreendo! Como é que um "Deus", seja ele qual for, pode estar na origem de atentados que tiram a vida a milhares de pessoas...?? Não creio que assim seja! Não entendo, não aceito, condeno vivamente e gosto de acreditar que em vez das "7 virgens" à espera no paraíso, os muçulmanos suicídas encontarm antes um senhor com chifres e cauda que os irá "premiar" por tamanha atrocidade!

Isabel disse...

É um tema que aborda multi-factores. Não consigo conseguiria abranger nem um milésimo. Só posso pensar e falar num facto que se passou com um ente mto querido e próximo de mim... Tinha uma depressão profunda, era bipolar e penso que nos últimos tempos não tinha a mínima energia para pensar em mais alguém, senão no próprio sofrimento que o arrebatava completamente...e podem os de fora( inclusivé eu que nunca me apercebi de tão grave era a sua doenças, a sua dor). Neste caso, não havia um irmã(ão) para o socorrer, nem salvar! Não estava com ele a ex-mulher amor da sua vida, nem os pais que tanto o amavam! Egoísmo não! Dor até ao insuportável até não conseguir pensar, nem em si, nem em quem quer que seja ou ame! Respeito a tua opinião, o modo de pensar! O injusto que é mts querem continuar a viver e ser-lhes negada pela vida essa possibilidade...apenas direi, à almas que não querem ter vidas longas...nunca conseguirei fazer juízos absolutamente certos e reais de muitos tipos de assuntos...este é um deles...

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