sexta-feira, dezembro 09, 2005

Presidenciais 2006


Reconheço que é com alguma expectativa que tenho visto os debates televisivos dos candidatos presidenciais. Expectativa é a palavra certa, na medida em que pouco ou nada de novo pode ou será dito. Não me vou demorar muito a analisar o perfil político de cada um dos candidatos, até porque qualquer pessoa com "2 dedos de testa" o poderá fazer facilmente. As provas estão à vista, e creio que é muito fácil que cada um de nós tire as suas conclusões.

Há coisas que me fazem alguma confusão. Alguma é ser demasiado benevolente. Fazem imensa confusão. Como é que Portugal vivendo actualmente uma das maiores crises desde há décadas, se propõe a encetar obras como seja a do aeroporto da OTA ou o tão falado TGV? Quem vai pagar a factura? Os mesmos de sempre. Aqueles (e aquelas) que vão pagar os estádios de futebol do Euro 2004. É a nossa postura e ideia megalómana. Infelizmente somos assim. Gostamos de ostentar. Gostamos de mostrar que somos um país rico, quando subsistem problemas gravíssimos em áreas como a Justiça, a Educação, a Saúde, forças militares, e se verifica uma escalada no desemprego.

O candidato presidencial não se pode imiscuir destas duras realidades. Não deve. Da mesma forma que não pode censurar a política do Executivo. Não o deve fazer porque corre o risco de que a opinião pública sinta que há a possibilidade de que tudo caia de novo. Que o Governo seja destituído e volte tudo ao mesmo, como aconteceu há relativamente pouco tempo. Não é bom para Portugal, que passa a viver num clima constante de instabilidade e na medida em que poderá afastar oportunidades de investimento (entre outras coisas) do nosso país. O mesmo candidato deve ter em mente que a sua principal função é a de fazer cumprir a Constituição Portuguesa, sendo que deverá assumir um papel de moderador, ou seja, auscultar a opinião pública (não ser um político de gabinete) e vetar ou aprovar peças legislativas do Executivo, antevendo valor acrescentado (ou não) para a nação.

É preponderante que pratique regularmente o exercício e promova a fiscalização das contas das grandes obras. Não assuma ou deixe assumir o gasto supérfluo, enquanto Portugal não iniciar a sua recuperação económica. É um pouco, acautelar possíveis endividamentos e obrigar o país ao cumprimento do acordado em termos de comunidade europeia. Deve estar atento aos indicadores económicos, quer dos países vizinhos (Espanha, França, por exemplo), e aprender algo com a experiência destes mesmos países. Cingir-se à aprovação ou ao veto de documentos legais, é puramente demagógico e utópico. É querer "enfiar a cabeça na areia", e negligenciar a própria responsabilidade enquanto chefe supremo das Forças Armadas e digníssimo representante do País.

Muita coisa fica por dizer. Não me vou alongar muito mais. Continuarei deliciado a ver os debates da televisão, analisando o quão astutos podem ser os políticos, "rabeando" as perguntas que não lhes convém responder. E acredito piamente que treinem bem as respostas.

Têm feito o seu "trabalho de casa".

Mas as perguntas que os portugueses querem ver respondidas, curiosamente não surgem...Porque será?

3 comentários:

Pi disse...

"Mas as perguntas que os portugueses querem ver respondidas, curiosamente não surgem...Porque será?" Porque é mais fácil e porque a "Agenda" das estações de televisão e dos seus dirigentes assim o ditam. Existe uma teoria à qual se chama "Agenda Setting" que defende que muitos temas e assuntos da vida social, política e afins são debatidos e comunicados de acordo com os interesses de cada Órgão de Comunicação Social, do Estado e do próprio País. Quando se afirma que os Órgãos de Comunicação Social são isentos, independentes e apartidários, não se podia estar a mentir mais!! Não são nem nunca serão num estado social como aquele em que vivemos. Não Existe isso hoje em dia, nunca existiu e nunca vai existir... E quem acredita nisso, está MUITO iludido! Quanto aos candidatos, debates e afins, custa-me mas tenho que admitir que este nosso país está num estado de tal forma grave, que só um milagre o faria ir ao lugar. Que comentário fazer acerca da OTA, do TGV e dos estádios quando se verifica um aumento miserável nas pensões dos reformados, quando se vive um dos piores momentos ao nível do desemprego, quando temos um dos salários mínimos mais baixos da Europa, quando estamos na cauda da Europa em quase tudo... Não sei que dizer, a não ser que neste momento devo apenas esperar e ter Fé que tudo isto dê uma grande volta para melhor!

Sofia disse...

Isto só lá ia com uma ditadura, mas como infelizmente com a entrada na CEE isso é impossivel (Será impossivel? relembro que Portugal foi o único país onde o ditador morreu e a ditadura continuou), só nos resta a invasão oficial dos espanhois. Viva La Spaña!!!!!!!!

Mac Adriano disse...

Cá o Macaco pensa como a Sofia: só os espanhóis nos podem salvar! Vengan, hermanos, y gobiernennos!!!

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