domingo, dezembro 24, 2006

Natal 2006

É certo que muito se passou desde que aqui deixei algumas linhas...Mais certo ainda que iniciei uma nova fase na minha vida, que me toma bastante tempo, e que naturalmente me impossibilita de aqui vir..com a regularidade que julgo ser necessária para ir dando conhecimento de algumas opiniões relativas a temas actuais.

O Natal sempre teve um significado especial para mim. Desde miúdo, confesso. Envolto numa aurea de misticismo, envolto em mistério, cheiros característicos (fritos, pinheiro, papel de embrulhos....), entre outros tantos odores característicos desta quadra...

Contudo, e creio já ter focado esta minha apreensão, não entendo o porquê de muita gente celebrar uma quadra que afinal...diz respeito ao nascimento de Jesus Cristo, sendo naturalmente motivo de alegria para a religião católica. Ou seja, uma festa para os católicos. Faz-me alguma confusão pensar que todos aqueles que se dizem ateus durante o resto dos 11 meses, troquem prendas, que não significa mais do que a alusão das oferendas dos Reis Magos para o filho de Deus...Chamo a isto hipocrisia. Ou heresia. Conforme preferirem. Igualmente me faz alguma confusão pensar que todas estas pessoas celebram os feriados religiosos. Em bom rigor, e sendo coerentes consigo mesmos, não deviam ir trabalhar? Pois...mas sabe bem ficar em casa, ainda que o motivado por algum feriado religioso...

É triste, mas cada vez mais se verifica um afastar dos valores religiosos. Cada vez mais se constata que a instituição secular "Igreja" não consegue cativar a atenção das camadas mais jovens. E cada vez mais, se verifica que as pessoas trocam prendas entre si, sem saber o real significado ou simbolismo inerente.

Dá que pensar...e até hoje, poucas foram as pessoas que me conseguiram explicar tudo isto de uma forma que eu compreendesse...

Boas Festas para todos (para os católicos e para os não católicos)

quarta-feira, agosto 02, 2006

Cetraria - Uma Arte Medieval

Caríssimos (as),

Desde muito cedo me fascinaram os predadores. Desde os tubarões, passando pelos grandes felinos (tigres, leões, leopardos), e naturalmente a águia-real e falcões. Ou seja, três elementos presentes - água, terra e mar.

Há coisa de uma semana quis desenvolver um pouco mais o meu conhecimento acerca das aves de rapina, especialmente os falcões. Não sei se consequência de algum documentário, não sei se de algum filme, e assim o pensei, assim o fiz. Busca na internet, e voilà....mais algum conhecimento acerca desta arte. Não me vou debruçar em grandes dissertações, até porque qualquer um de vós poderá efectuar uma busca como eu, e eventualmente aprofundar mais o conhecimento relativamente a determinadas temáticas inseridas neste domínio.

Apenas e só queria partilhar convosco este meu fascínio, e promover um pouco esta arte, que remonta à época medieval. Das várias aves de caça, e das várias sub-espécies que existe, relativamente aos falcões, aprendi que existe uma espécie relativamente frequente no nosso país, que pratica um "alto voo", em que normalmente o falcão intercepta a presa, "preando" no ar, sendo que a velocidade atingida pelo falcão, em voo picado, e praticamente vertical ronda os ....300 Km/H. Pasmem-se, mas é a mais pura das verdades. Um bicho que tem menos de 1,5 kg, na maioria das vezes, conseguir atingir este tipo de velocidade. E é lógico que este tipo de voo me delicia... Já há bastante tempo que conhecia a utilização dos falcões nos aeroportos. Aliás, para quem compra usualmente o jornal "Expresso" (último final de semana 30 de Agosto de 2006), poderá ler um artigo dedicado a um tratador de falcões, e promotor da reprodução da água-real, que como se sabe, é uma espécie em vias de extinção.

Neste mesmo artigo (e que não era novidade para mim), é mencionada a utilidade dos falcões como "polícias do ar", ou seja, como aves predadores que afastam outras aves do espaço aéreo, impedindo desta forma o fenómeno de birdstrike, ou seja,e para quem não sabe, um fenómeno relativamente usual nos "pássaros de metal", que é caracterizado pela sucção das aves (a sério), pelos reactores, com consequentes danos para as pás das turbinas. O mesmo adestrador do falcão do aeroporto de Lisboa treinou os falcões do aeroporto de Faro. Acho isto sublime. Haver um pássaro pequeno, que afugenta os outros, através de acrobacias aéreas e descrição de voos picados..Adoro isto. Um pormenor interessante, relativamente aos falcões, prende-se com o facto de serem uma das poucas espécies animais em que o macho é fisicamente inferior à femea. Chama-se a isto dimorfismo sexual, dizem os entendidos.

(...)" As fêmeas de todas as espécies são maiores que os machos, recebendo na nomenclatura cetreira o nome de primas, por serem sempre as preferidas para a caça. O macho recebe o nome de treçó por ter, sensivelmente, um terço do peso da fêmea.."(...) [ in http://www.ectep.com]

Sem dúvida que vou querer saber mais informações desta arte. Um pouco para ganhar sensibilidade para este mundo (até porque não me parece pacífico tentar adestrar um tubarão branco ou um tigre siberiano)!!

Cumprimentos

terça-feira, julho 25, 2006

Os inocentes na Guerra

Estamos perante mais uma "guerra de ideologias", ou por outra, uma guerra entre uma nação que é Israel e uma facção extremista, Hezzbolah. Sempre foi algo que me suscitou grande confusão, na medida em que desde que me recordo sempre houve qualquer tipo de guerra nesta zona do globo.

Adiante. No referido jornal de hoje, ("metro", distribuído gratuitamente nas estações), que li aquando da minha viagem de metro para o emprego, senti a minha vista presa a uma fotografia de uma criança com 4 anos. Dizia o artigo que a mesma "descansava no hospital, após ter visto a sua casa destruída e o seu carro atingido por rockets".

Não conheço a realidade da guerra. Felizmente. Aquilo que sei, e que me faz pensar ou repensar em tudo, é a violência com que estes ataques são perpetrados, bem como o número de inocentes que são colhidos aquando dos mesmos. Uma coisa será ter um alvo pré-determinado, e infligir um ataque preparado ao milímetro. Outra coisa será desenvolver uma operação ou teatro de guerra completamente desprovido de sustentação técnica, orientação militar válida e...porque tem de ser. Este "tem de ser" nunca me convenceu. Não me convence e jamais me irá convencer. Enquanto morrerem crianças, enquanto crianças que ainda nem conseguem andar ficarem orfãs de pais...não irei ficar convencido. Lamento. E sou militarista, note-se.

Como em tudo, há os chamados "danos colaterais", ou seja, uma facção marginal, ou uma ínfima minoria de possibilidades que mancham um conflito bélico. Uma coisa será recorrer indubitavelmente ao corte das relações diplomáticas, mas sendo que para tal recorre-se ao "diálogo" bilateral, outra coisa será avançar para uma ofensiva bélica. Desenvolvimento de vários teatros de guerra sem que para isso seja possível aferir os tais danos colaterais, ou seja, vítimas inocentes estropiadas, mortos, crianças orfãs, etc.

Não sei para onde caminha este mundo. Um mundo cruel para muitos, e menos cruel para outros. Ainda que menos cruel, duro. Nem todas as pessoas têm a capacidade de sobreviver ao mesmo, teoria postulada por Darwin (Teoria da Selecção Natural). Mas impedir, clivar, impedir que seres humanos inocentes e completamente alheados das reais razões de um conflito tenham de "pagar a factura", creio ser inadmissível. Insustentável e objecto da minha repulsa e indignação.

Devo dizer que a foto (pequena, sem sangue visível e só com uma mão de uma criança a soro) me impressionou bastante. Bastante. E devo dizer que não sou uma pessoa facilmente impressionável.

Para terminar, quando alguém disser que a vida lhe corre mal, e que é madrasta...pense neste criança de hoje, dia 25 de Julho de 2006, que possivelmente perdeu os pais e restante família num atentado. Quando tentavam fugir de sua casa, no seu carro...desconhecendo as razões pelas quais encontram a morte num atentado. Fica cá a criança. "A descansar no hospital".

Pensem nisso antes de avançar com teorias de que tudo corre mal. Da minha parte, dou-me por satisfeito se deixar de ler que crianças de 4 anos "descansam no hospital".

Skimming

Quem anda de metro diariamente, como eu, está a par das notícias do nosso quotidiano. Através de uma publicação que julgo ser excelente. Directa, sem grandes floreados, e onde se encontra a toda a informação necessária acerca do que se passa cá no "rectângulo" e fora do mesmo.

Entre outras notícias (como por exemplo a tão mediatizada guerra em Israel, que será objecto de uma dissertação minha a seu tempo), e não descredibilizando as mesmas, uma das notícias digeridas pela minha mente, a esta hora matinal foi o fenómeno skimming.

Para quem teve uma formação longa e continuada em institutos de língua britânica como foi o meu caso, entende esta palavra. Durante os sucessivos anos em que tive oportunidade de frequentar este tipo de ensino, sempre foi promovido aquilo a que os nativos do Reino Unido denominam de skimming reading. Em suma, não é mais do que aquilo a que chamamos de "leitura na diagonal" de um texto, sendo que é potenciada a absorção da informação relevante. Por outras palavras, é sugerido ao aluno que rapidamente leia um texto, e rapidamente fique com uma ideia global do conteúdo do mesmo. Uma forma inteligente de optimizar o tempo de estudo e pelo que me foi dado a entender, sobejamente utilizado no ensino além-fronteiras.

O recurso à mesma terminologia no nosso léxico, numa altura em que cada vez mais recorremos aos anglicismos, tem que ver com um fenómeno relativamente recente (de há 10 anos para cá), e que em português "camoniano" tem um nome bem mais simples e do conhecimento geral - clonagem de cartões de débito.

Como é feito? O artista ou chico esperto (actividade em que os portugueses são exímios) dedica algum do seu tempo a construir uma micro câmera que instala numa caixa multibanco (ou ATM), da mesma forma que altera a ranhura de entrada do cartão. Assim sendo, consegue duas coisas: i) O movimento dos dedos da pessoa que está na caixa ATM, o que naturalmente lhe dá acesso ao código pessoal (supostamente secreto), ii) a clonagem propriamente dita da banda magnética do cartão.

Tudo isto é recente. Quando utilizo a palavra recente, penso em algo com 10 anos. Ou mais. As minhas distâncias temporais tendem a ser mais imprecisas, mas sei que há uma década atrás o meu pai, estando em Lisboa, em casa, soube que o seu cartão de crédito tinha sido utilizado para compras numa loja de electrodomésticos em Nova Iorque. Curioso, não? Mais ainda assim, na altura, as coisas eram feitas de uma forma mais rudimentar. Ainda predominava a questão da ingenuidade global, a questão de "não ver qualquer problema no facto das pessoas desaparecerem com o nosso cartão", sendo que posteriormente aconteciam surpresas. O meu pai foi um dos visados. E serviu-lhe de emenda.

Quero com isto dizer que o fenómeno da clonagem de cartões não é novo entre nós. Nem entre nós, nem em parte alguma do globo. Tudo bem, deverão existir zonas do planeta Terra onde nem existem cartões..mas desses não falo. Falo dos países teoricamente desenvolvidos (ou em vias de desenvolvimento), onde há participações de desfalques nas contas bancárias, por parte dos clientes, e cria-se sem qualquer sombra de dúvida um mall-estar. Entre banca e cliente. De quem é a culpa?

Na minha opinião, o culpado aqui só é um. Respeitadas todas as regras de segurança inerentes ao pagamento do que quer que seja com "dinheiro de plástico", não perdendo o cartão de vista NUNCA, a imputação de culpabilidade só pode ser feita "aquele" que tendo conhecimento da realidade tecnológica não investe na segurança dos seus clientes. E permite que se crie uma situação de mal-estar que poderá comprometer o bom relacionamento entre ambas as partes. Falo das instituições bancárias.

Meus senhores...acordem para a vida. Não é com uma atitude displicente e "polvilhada" com o facilistismo, ou "nacional porreirismo" que se consegue pôr cobro a situações deste tipo e importância. Não é assumindo uma postura inerte que as coisas vão ao seu lugar.

De uma vez por todas, justifiquem aquilo que vos é pago!

segunda-feira, julho 17, 2006

Situações caricatas

Após a minha leitura diária do diário "Público", apercebi-me que muito recentemente houve um problemazito reportado à entidade que faz a gestão dos aeroportos (ANA), consequência de uma aterragem de um avião proveniente das Canárias, e que levantou umas telhas de uma habitação, devido à impulsão dos reactores.

Curioso ou não, a mesma entidade gestionária aconselha o morador a contactar a empresa "Portway", a quem serão imputados os custos advenientes da reparação da referida habitação. Custa-me um bocado a acreditar nisto. Aliás, não me custa a acreditar. É algo recorrente em Portugal, e algo que nos caracteriza - o célebre "jogo do empurra".

Ao invés de assumir o encargo financeiro de imediato, suportando os custos todos da reparação e posteriormente negociar com a companhia aérea as responsabilidades, tem o queixoso, neste caso proprietário da residência afectada que contactar uma tal empresa que lhe foi indicada pela entidade gestora. Parece-me sem dúvida mais uma "pérola" de Portugal-no-seu-melhor, e sem dúvida mais uma que irá ficar nos anais da história.

A semana passada um amigo meu atropelou mortalmente dois cães na auto-estrada de Cascais, na A5. Lembro-me muitas vezes da minha mãe comentar em casa, que na altura em que tirou a carta de condução, o instrutor lhe disse que a acontecer algo do género, nunca se desviar..e atropelar os animais. Se quando era mais novo esta sugestão me parecia altamente egoísta e com requintes de sadismo, hoje em dia compreendo o porquê das coisas, bem como compreendo a fundamentação da mesma sugestão. Antes o animal que nós, que, ao desviarmo-nos podemos ter um acidente fatal.

Contudo, há outro prisma que convém analisar. Entender e interiorizar. Quando me desloco num determinado troço de estrada, e ainda para mais sendo pago (por intermédio de portagem), confesso que gosto de me sentir seguro. Não é sentir que a estrada está boa...(até porque isso só acontece durante os primeiros anos de exploração da mesma), mas sentir que estou seguro. Sentir que me posso deslocar a velocidades elevadas (minha conta a risco), sem que me tenha de deparar com alguma "variável exógena ao binómio automóvel-estrada". E é aqui que as entidades que exploram as auto-estradas falham. Recordo os exemplos de vandalismo de há alguns anos atrás (sendo que alguns ainda estão na barra do tribunal), bem como os não raros exemplos de animais que surgem na estrada, e provocam os acidentes. Mais ou menos graves, mas provocam.

No caso deste meu amigo, e porque não se quis maçar com muita coisa, não chamou as autoridades, nem tão pouco imputou a responsabilidade a quem de direito. Neste caso à Brisa. Um erro crasso, na minha humilde opinião. Na medida em que deveria ser mais um atestado de não conformidade manifesta à concessionária.

É por esta e por outras que Portugal anda como anda. As pessoas não querem ter chatices. O sistema está altamente "viciado", e existe um clima de impunidade latente. Entre outras, a Brisa é uma das empresas que decerto terá imensas queixas. Como por exemplo o facto de continuar a cobrar portagem aquando das obras de beneficiação da auto-estrada de Cascais. Ainda que a estrada não estivesse dotada de qualquer tipo de condições para o bom e regular funcionamento da mesma. Ou seja, pagava-se portagem para não ter boas condições e fluidez de tráfego.

Como sempre, será um pormenor secundário...



quarta-feira, junho 14, 2006

Opel Azambuja

Era algo de esperar. Passou uma peça à hora de almoço, e à hora de jantar passou de novo a mesma peça, com mais detalhes. Parece que a Administração GM não está contente com o gasto "excessivo" da fábrica nacional. Avançam com valores de 500€ a mais / carro produzido, o que não deixa de ser um valor redondo. E curioso. Estamos a falar de cerca de 1700 trabalhadores que laboram neste complexo, e cuja actividade incide especificamente na construção da Opel Combo. E que têm os seus postos de trabalho seriamente ameaçados, fruto de uma deslocalização para Espanha ou para um país do leste europeu.

Convém salientar que a produção da Azambuja é responsável por cerca de 0,6% da riqueza nacional (leia-se PIB), pelo que embora possa parecer um valor irrisório, é naturalmente um número que se deve ter em conta, na conversação que se espera bilateral entre a Tutela e a GM. Sendo que para tal, se encontra em território nacional o Vice-Presidente do construtor norte-americano. Uma das questões que desde logo me "assalta a mente", é a profusão de notícias veiculas. Se de manhã os trabalhadores da Azambuja receberam um e-mail a dizer que o complexo ía fechar, em consequência de uma operação de deslocalização da fábrica (adoro este chavão), de tarde veio o Ministro da Economia dizer que é necessário alguma ponderação, e que o Governo Português está ciente da necessidade do diálogo. Ou seja...será um argumento demagógico para protelar o futuro do complexo? Será mais uma (entre tantas outras) "manobras de diversão" por parte dos governantes para perpetuar a instabilidade?

Curiosamente a massa trabalhadora da Opel na Azambuja já entendeu onde vai isto parar. E foi avançando com a exigência de 30 milhões de euros decorrentes do pagamento de vencimentos até 2009, altura em que finda o contrato de produção da Combo. Isto fora indemnizações. A GM é o maior construtor mundial. Cerca de 32000 trabalhadores, se não estou em erro. Desconhecia este pormenor. É também responsável pelo despedimento massivo de trabalhadores, isto falando "worldwide". Pergunto eu: - Numa altura particularmente complicada, em plena recessão económica e com todos nós a fazer contas à vida, não deveria a Tutela assegurar todo e qualquer mecanismo que garantisse o posto de trabalho a quase 2000 trabalhadores? Vejam o que aconteceu na Auto Europa. Por um triz também não foi deslocalizada. Desta feita, pelo que foi anunciado na altura pelos meios de comunicação, para um país do leste. Muito sinceramente, estou consciente da realidade. Não sou utópico, e muito menos gosto de esgrimir argumentos demagógicos, particularmente quando está em causa o "ganha pão" de tanta família.

Também estou plenamente consciente de que a realidade portuguesa é algo diferente da dos demais países. Especialmente aqueles em que a mão-de-obra / hora é mais barata. Sendo que o produto final é o mesmo. Neste caso específico um determinado modelo, de um conhecido construtor de automóveis. Contudo, não posso deixar de manifestar o meu desagrado e indignação face aos últimos desenvolvimentos. É mais forte que eu, confesso. Não estamos a "brincar ao faz de conta", e estão em risco muitos postos de emprego. Ou seja, mais instabilidade. Menos segurança, mais entropia no sistema todo. Tenho muita pena se perdermos esta oportunidade. Aliás, foi também avançada a hipótese das conversações durarem durante as próximas 5 semanas, ou seja, tentar-se encontrar uma solução viável para o complexo. Já trememos com a fábrica de Palmela (VW) e creio que vamos tremer, ou mesmo cair com esta da Azambuja. Pena que poucos ou nenhuns argumentos tenhamos para mostrar a mais-valia decorrente do construtor continuar a investir por cá. Aliás, temos mais contras que prós.
Começando pelo preço da mão-de-obra.

Numa altura em que estamos particularmente fragilizados, é muito perigoso que se comece a utilizar a "gestão de empresa", e a reduzir onde há efectivamente gastos. Necessários, é certo, mas não deixam de se traduzir numa factura mais alta para a própria empresa, a jusante. Entendo isso...mas também estou sensível às 1700 pax que vão ficar sem emprego.

Dualidade estranha...não é?

terça-feira, junho 06, 2006

Incêndios 2006

Foi com alguma consternação que assisti a uma peça no telejornal da hora do almoço sobre o combate a um incêndio que terá deflagrado no norte do país, concretamente em Fragoso, concelhia de Barcelos.

Não entendo o porquê de tanta conversa, de tanto discurso "politicamente correcto", de tanta reunião entre os diversos grupos parlamentares, para, no momento em que eclode um incêndio que à partida seria rapidamente circunscrito, além de não o ser, provocou uma revolta espontânea na população local, fruto de uma "inactividade da corporação dos soldados da Paz".

Passo a explicar. Pelo que depreendi da peça, e que depois foi explicado por uma autoridade na matéria, actualmente o combate ao incêndio é "pensado" de outra forma, diferente daquela que sempre existiu, desde que me conheço.

Como é sabido, e normalmente, há uma dor de cabeça para os bombeiros. Ou seja, quando existem várias "frentes de ataque" do incêndio, o que como é lógico, torna severamente complicado o combate ao mesmo e compromete a eficácia da operação. Curiosamente, em Barcelos, não foi o que sucedeu. Havia uma frente conhecida, e os bombeiros tentaram combatê-la, com os meios que tinham ao seu dispôr..mas não com todos.

Aqui surge uma nova variável. Quando se fala em meios de combate aos incêndios, é sugerida de imediato a ideia do(s) bombeiro(s) com a mangueira de alto débito de água, mas também os meios aéreos. E não foi o que aconteceu. Na peça, alguns populares revoltados, afirmavam peremptoriamente que não tinham sido desbloqueados todos os meios para combate ao referido incêndio, nomeadamente o pedido de auxílio aéreo..E isto teria de ser feito pelo Chefe de Bombeiros locais. Porque pelo que parece, é normal só desencadear esta linha processual quando os homens em terra constatam que não dão conta do recado..

Pergunto eu...qual é o limite? Têm de existir famílias que fiquem sem casa e sem meio de sustento para que este tipo de meios seja activado? Nomeadamente o aéreo? Há necessidade de protelar um combate mais prolongado, mais cansativo, mais complicado com as elevadas temperaturas que se têm feito sentir, sendo que um pedido de auxílio poderia minimizar fortemente as consequências do incêndio?

Mais uma vez, Portugal está na vanguarda. Comanda o pelotão, como sendo um dos países em que mais se fala e menos se faz. Fala-se também em antecipar a contratação dos aviocars, na medida em que a época dos incêndios parece que começou mais cedo..

É pena que as pessoas não entendam que temos este flagelo, anualmente. E mais...este ano vai ser particularmente complicado, com um esperado aumento da temperaturas médias...

A ver vamos como corre tudo.

terça-feira, maio 30, 2006

Insegurança nas Escolas

Assisti com alguma incredulidade a uma reportagem que acabou de passar no telejornal da RTP 1. Sobre algumas escolas secundárias, e objectivamente acerca da insegurança das mesmas. Nunca pensei que fosse algo tão preocupante, bem como sempre associei a insegurança a algo pontual, ainda que existente. Não foi bem isso que ficou evidente na peça que acabei de assistir, e um sentimento de ódio, raiva, e sobretudo fazer justiça com as próprias mãos emergiu em mim. É certo que temos de controlar as emoções que teimam em surgir nestes momentos, mas é complicado. Muito complicado mesmo.

Sendo militarista e simpatizante de uma determinada corrente ou ideologia política muito especial, bem como sou apologista de uma máxima defendida noutros tempos, em que o docente era respeitado. Independentemente da sua idade, era respeitado. Talvez não vá ao ponto de defender que se deva rezar quer no início, quer no final da aula, mas sou apologista da deferência para com aquele que nos ensina. Ou seja, levantar-se da mesa quando alguém entra, e sentar à ordem. Parece-me pacífico, parece-me uma questão de boa educação, e sobretudo, parece-me um gesto respeitoso. Como todos sabemos, é algo que é manifestamente inviável, sendo que apenas e só é aplicado em instituições militares. E infelizmente. O problema, e que muita gente confunde, ou não quer entender e prefere manter-se numa confusão deliberada, é que o docente não é pai nem mãe. Nem tão pouco tem obrigação disso. O docente tem obrigação de ensinar, de formar pessoas, de partilhar conhecimento. De instruir, de orientar pedagogicamente. Não tem de educar ninguém. A educação vem de casa. E o problema começa exactamente aqui. Quando não há quem tenha mão. Ou saiba educar. Ou quando eventualmente existem quadros familiares problemáticos associados à droga, prostituição ou alcoolismo. Ou ainda porque há um "alhear consentido e manifesto" por parte dos tutores, ou seja, dos pais.

Em qualquer um dos casos, naturalmente que existirão repercussões na formação da personalidade do indivíduo, com consequente decréscimo do desempenho escolar, insubordinação e uma recorrente frustração que se torna evidente em actos de escape - agressões a docentes, assaltos, e agressões a outros colegas. Subsiste um fenómeno curioso, que tem que ver com a emancipação dos homens. Ou seja, necessitam de mostrar a sua virilidade invadindo outras salas de aula, desencadeando cenas de pugilato, assaltos a colegas indefesos e um semear de um medo constante em todos aqueles que partilham o mesmo espaço físico. Sala e escola. Há uns anos atrás surgiu o conceito de "Escola Segura". É certo que deverá ter as suas benesses. Não contesto. Mas será que é efectivamente bom? Será que funciona como elemento dissuasor de actos violentos? Será que resolve problemas sociais de classes menos favorecidas? Não me parece. É mais do mesmo, ou seja, mais areia para os olhos daqueles que começam num gradativo e continuado descrédito da instituição escola. Foi algo que algum governo resolveu instituir, para passar a imagem de segurança, sendo que negligenciou a resolução de problemas de fundo, como seja o auscultar os verdadeiros problemas associados á pobreza que em todo o país grassa. Outra questão que se me coloca, é a apatia e completa inaptidão para resolução dos problemas dentro da sala de aula e fora dela. Ou seja, concretizando melhor...se um docente não tem capacidade de resolver um problema..dentro da sua sala de aula, em que medida ou de que forma poderá ser respeitado? Da mesma forma que acontece no reino animal, aquele que for mais forte e impuser a sua força..vinga, os outros não. E esta teoria não é minha. É a teoria da selecção natural de Darwin. E é bom que quem vá leccionar para escolas problemáticas se mentalize disso. Naturalmente que terão de ser desencadeados toda uma série de ferramentas e mecanismos que possibilitem ao docente estar precavido de eventuas retaliações...que muitas vezes podem até não partir de dentro da escola, mas de fora da mesma. Mas para isso existe a polícia, não? Ou será que não competirá às autoridades policiais este tipo de incumbência? Às vezes questiono-me sobre isto....

Num dos episódios filmados por câmaras ocultas nas salas de aula, pude ver uma aluna com 13 anos a assediar um professor. Não era aluna de faculdade e não era uma mulher. Era uma miúda com 13 anos. Que futuro terá esta miúda? Não auguro nada de bom, para ser o mais sincero possível. E muito menos acho que alguém consiga ou tente fazer algo para modificar esta tendência. Numa era em que miúdos com esta idade já fumam mais que eu diariamente, ou já têm telefone portátil há 2/3 anos, está incutido o facilitismo. Que por sinal na minha altura não existia. Mas também não existiam muitas outras coisas, é certo. Coloco-me então, para terminar este pequeno desabafo, a seguinte questão...serei eu que não acompanho as tendências? Serei eu demasiado conservador? Será que parei no tempo e não adquiri a capacidade de entender determinado tipo de comportamentos? Que futuro terão os meus filhos? Que segurança terão os meus filhos e filhas numa sala de aula onde os colegas começam cenas de pugilato entre eles e arrastam os docentes para as mesmas? Na volta sou eu que preciso de fazer uma interiorização profunda...já que os problemas estão á vista de todos...e ninguém (quem de direito) parece interessado em resolver. Talvez dê muito trabalho e exija muito exercício mental, ou seja, trabalho mental. Talvez essas mesmas pessoas não se importem de pagar 1000€ para ter um filho num colégio particular, onde existem igualmente problemas, mas são "camuflados".

O ensino é gratuito e está ao alcance de todos. Mas em condições. Em segurança, com respeito pelos colegas e docentes. Com respeito por aqueles que estão a desempenhar a sua actividade profissional o melhor que podem, e que se esforçam. Com respeito para com os colegas, muito deles envolvidos em confusão, mas que querem singrar na vida, que não querem seguir as pisadas dos pais, e que querem ter uma oportunidade numa sociedade cada vez mais elitista e em que se promove o "nacional porreirismo" e facilitismo tão nossos. E que tão bem nos caracterizam. Ganhem vergonha na cara e vão para o obral se não querem estar na escola. Alanquem com baldes de cimento no lombo a subir 7 andares, e passam-lhes logo as manias todas. E as frescuras também. Nunca fez mal a ninguém.


O problema, caros amigos, começa e acaba na geração "demasiado branda" e nova que temos de governantes.

Tenho dito.

domingo, maio 21, 2006

O Código da Vinci

Depois de ter lido o livro há algum tempo, era com alguma expectativa que esperava o filme. Sentia uma curiosidade enorme, no sentido de perceber como iriam ser tratados alguns detalhes da escrita do Dan Brown.

E assim foi, vi ontem o filme. Não terá sido um dos filmes mais curtos que já vi. Muito pelo contrário. Tem uma duração de sensivelmente 2H 35 minutos, e acreditem...custa a passar. Mais ainda quando as condições de visionamento não são as melhores, nomeadamente uma extracção de ar viciado deficitária e uma sala cheia...Variáveis que deviam ser equacionadas na equação...Ainda para mais num filme tão publicitado, em que era normalíssimo esperarem-se salas cheias..

De qualquer das formas, o filme é bom. Não é excelente. Para quem aprecia um género mais "movimentado", este é daqueles filmes que não o é. É um filme descritivo, com mais cenas paradas do que movimentadas. Uma das personagens principais (O "Silas", para quem já leu o livro), não me parece que tenha sido bem escolhida. Imaginava uma personagem com outro tipo de compleição física, mais robusto, mais alto, mais corpulento e era uma pessoa normalíssima. São pequenos pormenores que reparamos, lá está...advenientes de uma leitura prévia do livro.

Para quem goste de história, nomeadamente aquela que versa os Templários, Prioridado do Sião, Opus Dei...sim, vale a pena. Acho que o Tom Hanks (Professor Langdon) está bom. Mas já o vi melhor noutros papéis. A actriz principal (Inspectora Neveau) não me parece com uma grande prestação. Demasiado mediana.

Ou seja, de 0 a 10..daria 5.

quarta-feira, maio 17, 2006

Mais um regresso...

Volvido não sei bem quanto tempo, aqui estou eu de novo. Não porque gosto de períodos de ausência prolongados, como foi o caso. Mas porque não tenho tido inspiração/paciência para escrever umas linhas. Desde já o meu mais sincero pedido de desculpas a todos(as) aqueles que aqui vêm à procura de novos textos.

Poucas serão as novidades que tenho. Relativamente a ocupação profissional, pouco há a dizer. Ou por outra, nada há a dizer. O mercado está estagnado, e para muitos recém-licenciados, grupo no qual me insiro, esta é uma altura particularmente complicada. Momentos de angústia, de insatisfação, frustração, entre outros sentimentos, são diariamente vivenciados por mim. E por muitas outras pessoas. É certo que nada depende de nós. Mas é igualmente certo que após uma pequena reflexão sobre este tema, há muita coisa que se poderia fazer, e não é feito. Infelizmente.

Enquanto aguardo que surja uma oportunidade de emprego dentro da minha área, regozijo-me com os argumentos esgrimidos pela tutela. Que na minha opinião se esquece que o País vive uma das mais elevadas taxas de desemprego das últimas décadas, que apenas pensa no dinheiro que vai ter de retirar aqueles que trabalharam um vida inteira, para que na altura em que deixaram de trabalhar, tivessem uma boa qualidade de vida. É gritante a facilidade com que se tenta resolver um e um só problema e não haja uma preocupação em analisar e tentar dar resposta a outros problemas. Mais graves, na minha leitura. Mas o que interessará será acima de tudo manter a calma, serenidade e a consciência de que melhores dias virão. Creio que este será o "chavão" que mais tenho ouvido nestes últimos 5 meses de parasitismo. Será assim tão complicado perceber que quantas mais pessoas entraram no mercado de trabalho, mais descontos existirão a jusante para a Segurança Social? E naturalmente menos problemática será a situação dos pensionistas?

Um pequeno apontamento relativo aos 150000 postos de emprego que o Governo disse que ía criar...desculpem-me a sinceridade mas vou ter de me rir durante meia hora. Estes postos de emprego são naturalmente muitíssimo relativos, e dizem respeito a estágios profissionais, ou seja, é um convite à precaridade das condições de trabalho. Contratos a termo, recibos verdes (em alguns casos) e naturalmente uma consequente falta de segurança imediatamente perceptível por parte de quem abraça o primeiro emprego. Nenhuma instituição bancária, consolidada e responsável aceita um empréstimo nestas condições. Ou seja, é naturalmente comprometida a individualidade, a independência de tantos jovens como eu, que querem sobretudo dar início a um projecto de vida em que acreditam. Nestas condições não é possível. Nem será tão cedo, através das palavras de alguém como o Prof. Cavaco Silva, actual Presidente da República, e figura proeminente na nossa sociedade, com conhecimento de causa. As coisas não estão boas e vão tender a piorar, no curto/médio prazo. Esta é a realidade.

E assim vamos andando e cantando. Uns com mais vontade que outros.

Resta-nos a esperança. E a serenidade de espírito. E apoio daqueles que gostam de nós.

P.S - Vou tentar arduamente não ficar tão ausente!! :)

terça-feira, março 07, 2006

A Amizade

Já escrevi sobre isto anterioriormente, e sem dúvida que é algo que na maioria das vezes sugere leituras/interpretações diferentes. A conclusão a que chego, sem sombra de dúvida, como muitos de vós já terão chegado em dada altura da vossa vida, é de que os meus Amigos podem contar comigo, mas eu raramente posso contar com eles. Não me faz ser diferente, apenas e só me desilude. Sou uma pessoa que estabelece diferenças entre "amizade" e "Amizade", sendo que esta última é revestida de uma importância que dificilmente é entendida por alguém que não estabeleça esta diferenciação. Contrariamente ao que muito boa gente possa pensar, eu sou daquelas pessoas que acredita que ainda há lugar à Amizade, sendo que a mesma, para que seja efectivada e cresça sustentadamente, tem de ser alimentada. É a partilha de alguma angústia, é a partilha de alegrias, tristezas, é a questão do aconselhamento...enfim, uma série de coisas.

Sou uma pessoa que pede pouco aos meus Amigos. Apenas e só que estejam "lá" quando preciso, e que façam por ter disponibilidade, quer mental, quer presencial se tal fôr necessário. Na maioria das vezes não acontece, e não raro acho que há uma deturpação bem visível do tal conceito de Amizade que tenho vindo a falar. A prova disso é visível nos mais pequeno gestos. Nunca fui, não sou e nunca serei uma pessoa materialista. Não me tenho como tal. Tenho-me como uma pessoa sensata, que gosta de ver a alegria estampada na cara das pessoas a quem dou algo. Quer seja no Natal, quer seja no aniversário, quer seja em alguma outra altura. Contudo, esta minha alegria não tem reciprocidade. Ou seja, as pessoas gostam de receber, mas gostam pouco de dar. Talvez não gostem de gastar dinheiro. Eu gosto, e sempre que o tenho, gosto de presentear alguém. E acreditem que doi um pouco quando os melhores Amigos(as) vos dizem no vosso aniversário que "depois vos dão alguma coisa", quando outras pessoas, que se calhar não têm esse "estatuto", se lembraram, e deram algo...É a triste realidade.

Contudo, é necessário ir aprendendo com as pessoas. Aprender simplesmente a pensar como elas, e a agir como elas. E basicamente é isso que terei de aprender a fazer, na medida em que hoje em dia não o faço.

terça-feira, janeiro 24, 2006

As eleições presidenciais

No Domingo passado foi eleito por sufrágio universal mais um Presidente da República (PR) de Portugal. Não fiquei surpreso com os resultados, muito embora acredite que a oposição, liderada pela candidatura de Mário Soares tenha de retirar algumas ilacções dos resultados. Da mesma forma que o próprio Partido Socialista (PS) também o terá que fazer. É normal em tempo de eleições e creio que o seu secretário-geral, na figura de José Sócrates, Primeiro Ministro (PM) de Portugal, terá de se contentar com um PR de direita.

Há toda uma série de pormenores que gostava de discutir aqui e agora. Nomeadamente os resultados dos independentes. Quer de Cavaco, quer de Alegre. Se o primeiro não me surpreendeu, e já de há algum tempo era vaticinada a sua vitória, já o segundo, que parte para uma campanha eleitoral com um manifesto "não apoio" à sua candidatura por parte da estrutura partidária da qual faz parte, surpreendeu-me enormemente. Contudo, a principal leitura que terá de ser feita, é que nem sempre devemos ter como garantidas vitórias inegáveis. Candidatou-se crente de que era capaz de ter um resultado bom, e acreditando numa causa por si defendida, levou avante as suas pretensões, contra tudo e todos. Incluindo um adversário de peso dentro do partido, Mário Soares.

Entre outras coisas e cenas felizes, Mário Soares não percebeu um simples aspecto: o seu tempo acabou. Não vale a pena dizer que foi uma prova de que ainda tem faculdades mentais, que ainda estava na plenitude de todas as suas qualidades, nomeadamente a de estadista, a de excelente diplomata, entre outras...mas como em tudo, é necessário saber quando parar, e passar o testemunho, Mário Soares não soube, e pior, assumiu aquela atitude e postura arrogante, prepotente e disparando para todas as direcções. Incluindo os media. Foi esta a sua reacção quando percebeu que a sua vitória era altamente improvável. Ainda dentro desta sua linha de pensamento, e relativamente ao tempo de antena que diz não ter tido, relativamente ao candidato vencedor, que poderia ser dito do candidato do MRPP, Garcia Pereira, que teve 1/4 do tempo de antena dos restantes candidatos...Mas enfim.

Há contudo algumas curiosidades que tenho, que creio que irão ser respondidas a seu tempo. Cavaco avançou com um chavão de "estabilidade constituicional" em Portugal, e uma atenção especial dedicada ao Executivo. Gostava de saber como. Como é que um PR de direita poderá estar à frente dos desígnios da Nação, tendo um Executivo de esquerda? Por sinal um Executivo que só tem tomado medidas altamente controversas? Como é que Cavaco pode avançar com medidas de combate ao défice e ao desemprego sendo PR? Não será isto discurso de PM? Fiquei confuso. ..

Houve muita gente que se juntou na noite da vitória de Cavaco, enquanto independente, mas apoiado por estruturas partidárias como o PSD e o PP. Dá-me um certo gozo ver este tipo de pessoas, tal qual hienas. Ninguém terá apoiado Cavaco quando perdeu as presidenciais contra Jorge Sampaio, mas o que é certo é muitos colunáveis comparaceram na noite da vitória. Talvez na esperança de que Cavaco os visse na tv, ou os cumprimentasse e se lembrasse deles..."Jobs for the boys" é ainda uma máxima muito difundida.

Relativamente aos demais candidatos de esquerda, pouco ou nada há a dizer...um deles, Jerónimo de Sousa, parou no tempo. O seu discurso marxista-leninista está completamente obsoleto e desenquadrado da nossa realidade actual. E o argumento que mais se ouviu na sua campanha, foi o "cumprimento da constituição". Algo cansativo.

Já o Louçã foi o pároco de serviço da campanha. Eminentemente utópico e com um discurso francamente demagógico, creio que conquistou a franja da sociedade mais receptiva a este tipo de comunicação - intelectuais de esquerda, potenciais anárquicos e afins. E baixou nos votos. Talvez tenha de também perder algum tempo a pensar e analisar onde falhou.

Garcia Pereira, o candidato-vítima. Aquele que não reuniou condições para ter qualquer tipo de apoio e teve bem menos tempo de antena que os demais candidatos. Faz parte.

Com tudo isto, e para finalizar, apenas queria dizer o seguinte. Foi notória a campanha eleitoral direccionada para a derrota de Cavaco. A esquerda "tentou" unir forças e baterias para que Cavaco não ganhasse à 1ª volta. Mas deu-se mal. Dentro do PS houve e terá de haver muita história ainda por contar. Começando e terminando por um dos seus elementos (Alegre) ter tido uma votação superior à do candidato por eles apoiado.

Cavaco será o nosso PR durante os próximos 5 anos. A ver vamos como corre.

segunda-feira, janeiro 09, 2006

Aviões e Aeroportos


Para muitos é algo habitual, devido à actividade profissional. Para outros sinónimo de viagem, de saída, de férias para algum destino paradisíaco ou há muito esperado.

Enquadro-me neste último grupo. Sou daquelas pessoas que adoro viajar. Conhecer novas culturas, reviver algum país, ou simplesmente partir à descoberta de algum país do qual tive referências de alguém conhecido.

Qualquer viagem, para o exterior do país, para mim, foi sempre feito através de avião. Houve a altura em que não tinha idade para conduzir, as viagens por barco actualmente são caríssimas (cruzeiros) e além disso o avião é considerado o meio de transporte mais seguro que existe, bem como é um meio de transporte rápido.

Contudo, sendo uma pessoa "do pormenor", é natural que a minha atenção recaia em determinados aspectos. Começando nas pessoas que estão na sala de embarque, ou que simplesmente deambulam no aeroporto no dia da nossa partida. Perco-me a olhar para as pessoas, a imaginar a sua vida, de onde vêm e para onde vão. É um exercício cansativo, como poderão calcular...Mas altamente gratificante para uma mente fértil como a minha. :)

A azáfama dos aeroportos é algo que sempre me fascinou. Todas as pessoas parece que sabem bem o que fazer. Onde estar, com quem falar e para onde se devem dirigir. Não concebo que uma pessoa chegue ao aeroporto e não saiba que "para ir para Londres deverá dirigir-se à porta 12 para embarque". É algo que a que já estou habituado, em grande parte fruto das várias viagens de avião que já tive oportunidade de fazer. Mas penso como será complicado para aquelas pessoas que nunca viajaram de avião, e que em alguma altura das suas vidas têm de o fazer...sem ter ao lado pessoas que já o tenham feito. Deduzo que possa ser algo angustiante..Não deduzo, é mesmo.

Acho igualmente interessante perceber o quão desagradável poderá ser pernoitar num aeroporto. Naqueles voos de ligação, que deixam de existir "Lamentamos o atraso, mas houve uma falha técnica". Sendo que o vôo de ligação só existe no dia a seguir. Felizmente nunca me aconteceu, mas reconheço que não iria achar muita piada à situação. Não tenho feitio para isso. Acho que fazia logo um "pé de vento"...

Há duas coisas que detesto nas viagens de avião. Uma delas é a comida (serviço de catering que as companhias contratam para fornecimento das refeições) e outra é o pitch - termo técnico aeronáutico para a distância inter cadeiras. No primeiro aspecto, acho que a comida sabe sempre a plástico. Tudo bem que não estou em casa, não tenho a "comida-da-mamã", mas ainda assim, não me agrada a comida do avião. Relativamente ao segundo aspecto, para optimizar o espaço útil da aeronave, as companhas optam pela diminuição da distância inter-cadeiras, o que acarreta como consequência directa, uma sensação de desconforto para pessoas altas. São estas as regras do jogo..e quem não quer jogar..vá a nado, recorra a outra companhia aérea, ou gaste mais dinheiro optando pela 1ª Classe, onde naturalmente os "problemas de espaço da plebe" que viaja em económica - não se colocam.

Posto isto, resta-me aguardar mais uns tempos. Ou não. Pode ser um final de semana. Para viajar de novo de avião. Para reviver uma série de situações, quer de aeroporto, quer do avião em si. Degustar de novo a comida "maravilhosa", e fazer uma viagem com "os joelhos na cara", de tal forma a cadeira da frente está junto à minha...

Porque não ser excêntrico? Era tão mais fácil...

sábado, janeiro 07, 2006

Fátima..local de culto

Tive uma educação esmerada, e predominantemente católica. A missa aos Domingos, ou Sábado de tarde (missa vespertina), a catequesa, grupo de jovens, etc...

Com o tempo, os interesses mudam, as vontades idem, e dou por mim já não frequentando a Igreja tão amiúde, a não ser na altura da Vigília Pascal e Missa do Galo, além das minhas idas a Fátima, sempre que sinto necessidade e tenho disponibilidade. Hoje foi um desses dias.

Cheguei a Fátima a tempo de ainda assistir à missa das 1200H. Durou cerca de hora e meia, já com os mistérios todos (nunca soube muito bem o que é - shame on me), mas sei que demorou bastante, mesmo antes da eucaristia propriamente dita. Terminou tudo aí pelas 1400H.

O que me chamou a atenção, a dada altura, num local de culto, como é Fátima, foi ter estado com uma celebridade à minha frente. Nem mais, nem menos que o "Mister" Scolari. Com a respectiva família. Como qualquer pessoa normal, olhei para ele (estava a uns 50 cm de mim), à minha frente, e continuei atento à eucaristia. Já uma família que por ali estava não achou o mesmo. Reclamou uma foto com o senhor Scolari, o que achei divino. Divino não só porque parecia uma situação típica e verdadeiramente digna de qualquer programa medíocre dos apanhados, bem como a expressão do Scolari foi digna de uma foto. Não achou piada e abanou a cabeça evidenciando isso mesmo, depois de ter posado para a posteridade com um digníssimo senhor. Isto durante a cerimónia.

Escusado será dizer que o Scolari desapareceu, pouco depois. E achei muito bem. Já não se pode ir a Fátima sem que toda a gente aponte o dedo, tal qual animal enjaulado. Mais, para piorar, estava com a sua família, num local onde se quer calma, tranquilidade, serenidade e reflexão. É por isso que Fátima é designada de local de culto. Mas há pessoas que nunca entenderão isso. Da mesma forma que esta família, tipicamente portuguesa, ao invés de ter esperado pelo final de cerimónia, decidiu imortalizar esta ocasião antes do Evangelho. Acho soberbo. Depois da foto, naturalmente que tendo deixado o "Mister" constrangido, a família quase que se sentou no altar com o dia ganho, com um sorriso de orelha a orelha. Neste momento já o Scolari devia estar em casa.

É por estas situações e por outras, que muita gente tem por vezes têm atitudes /gestos irreflectidos. Porque não há respeito pela privacidade das pessoas. Quer o Scolari, quer outra pessoa mais mediática, têm todo o direito de ir onde bem lhes apetecer, sem que para isso seha necessário que alguém vá importunar a sua individualidade ou tentar entrar na sua esfera privada. Na minha óptica foi o que aconteceu. E condeno veemente este tipo de gesto.

Enfim..Portugal no seu melhor.

domingo, janeiro 01, 2006

Ano Novo, Vida Nova

É uma frase recorrente, "dobrado" mais um ano. Toda a gente a diz, e muita vez sem a devida interiorização. Não sou diferente. Também a digo no início de cada novo ano.

Contudo, e como em tudo, a idade diz-nos ou vai-nos ensinando variadas coisas. O discernimento ou capacidade de perceber onde estamos mal, creio ser uma faculdade essencial, essencial porque a partir dessa base de conhecimento, é-nos possível melhorar ou mesmo eliminar determinados aspectos menos bons.

Tenho uma série de defeitos. Defeitos e vícios de personalidade, que com os anos se tornaram mais evidentes. A convivência com outras pessoas, os stresses, a calendarização de determinados projectos aos quais estão associados objectivos pessoais, tornam que toda uma série de sensações sejam vivenciadas, e muitas vezes a "válvula de escape" sejam aqueles que nos estão mais próximos. Não é algo feito de propósito ou deliberado. É assim que são as coisas.

2006 quero que seja um ano de mudança. Um ano em que da minha parte, irei tentar ser mais racional, e sobretudo controlar-me mais em termos emocionais. Evitar as explosões, ou por outra, deixar à "porta de casa" problemas profissionais. Acima de tudo ser uma pessoa sensível, humana e agir em conformidade com tal.

Quero que todos aqueles de quem gosto, e que me estão mais próximos, tenham saúde, amor e paz interior. Gostava que todos tivessem aquilo que desejam, e que duma vez por todas Portugal desse início à saída do marasmo em que se encontra. Nos mais variados quadrantes. Não são alguns..são vários..é algo tranversal.

A todos vós que me têm acompanhado aqui no blog..um 2006 com tudo o que mais desejam, e que este ano que agora se inicia, tenho tudo de bom, na companhia daqueles de quem mais gostam.