No Domingo passado foi eleito por sufrágio universal mais um Presidente da República (PR) de Portugal. Não fiquei surpreso com os resultados, muito embora acredite que a oposição, liderada pela candidatura de Mário Soares tenha de retirar algumas ilacções dos resultados. Da mesma forma que o próprio Partido Socialista (PS) também o terá que fazer. É normal em tempo de eleições e creio que o seu secretário-geral, na figura de José Sócrates, Primeiro Ministro (PM) de Portugal, terá de se contentar com um PR de direita.
Há toda uma série de pormenores que gostava de discutir aqui e agora. Nomeadamente os resultados dos independentes. Quer de Cavaco, quer de Alegre. Se o primeiro não me surpreendeu, e já de há algum tempo era vaticinada a sua vitória, já o segundo, que parte para uma campanha eleitoral com um manifesto "não apoio" à sua candidatura por parte da estrutura partidária da qual faz parte, surpreendeu-me enormemente. Contudo, a principal leitura que terá de ser feita, é que nem sempre devemos ter como garantidas vitórias inegáveis. Candidatou-se crente de que era capaz de ter um resultado bom, e acreditando numa causa por si defendida, levou avante as suas pretensões, contra tudo e todos. Incluindo um adversário de peso dentro do partido, Mário Soares.
Entre outras coisas e cenas felizes, Mário Soares não percebeu um simples aspecto: o seu tempo acabou. Não vale a pena dizer que foi uma prova de que ainda tem faculdades mentais, que ainda estava na plenitude de todas as suas qualidades, nomeadamente a de estadista, a de excelente diplomata, entre outras...mas como em tudo, é necessário saber quando parar, e passar o testemunho, Mário Soares não soube, e pior, assumiu aquela atitude e postura arrogante, prepotente e disparando para todas as direcções. Incluindo os media. Foi esta a sua reacção quando percebeu que a sua vitória era altamente improvável. Ainda dentro desta sua linha de pensamento, e relativamente ao tempo de antena que diz não ter tido, relativamente ao candidato vencedor, que poderia ser dito do candidato do MRPP, Garcia Pereira, que teve 1/4 do tempo de antena dos restantes candidatos...Mas enfim.
Há contudo algumas curiosidades que tenho, que creio que irão ser respondidas a seu tempo. Cavaco avançou com um chavão de "estabilidade constituicional" em Portugal, e uma atenção especial dedicada ao Executivo. Gostava de saber como. Como é que um PR de direita poderá estar à frente dos desígnios da Nação, tendo um Executivo de esquerda? Por sinal um Executivo que só tem tomado medidas altamente controversas? Como é que Cavaco pode avançar com medidas de combate ao défice e ao desemprego sendo PR? Não será isto discurso de PM? Fiquei confuso. ..
Houve muita gente que se juntou na noite da vitória de Cavaco, enquanto independente, mas apoiado por estruturas partidárias como o PSD e o PP. Dá-me um certo gozo ver este tipo de pessoas, tal qual hienas. Ninguém terá apoiado Cavaco quando perdeu as presidenciais contra Jorge Sampaio, mas o que é certo é muitos colunáveis comparaceram na noite da vitória. Talvez na esperança de que Cavaco os visse na tv, ou os cumprimentasse e se lembrasse deles..."Jobs for the boys" é ainda uma máxima muito difundida.
Relativamente aos demais candidatos de esquerda, pouco ou nada há a dizer...um deles, Jerónimo de Sousa, parou no tempo. O seu discurso marxista-leninista está completamente obsoleto e desenquadrado da nossa realidade actual. E o argumento que mais se ouviu na sua campanha, foi o "cumprimento da constituição". Algo cansativo.
Já o Louçã foi o pároco de serviço da campanha. Eminentemente utópico e com um discurso francamente demagógico, creio que conquistou a franja da sociedade mais receptiva a este tipo de comunicação - intelectuais de esquerda, potenciais anárquicos e afins. E baixou nos votos. Talvez tenha de também perder algum tempo a pensar e analisar onde falhou.
Garcia Pereira, o candidato-vítima. Aquele que não reuniou condições para ter qualquer tipo de apoio e teve bem menos tempo de antena que os demais candidatos. Faz parte.
Com tudo isto, e para finalizar, apenas queria dizer o seguinte. Foi notória a campanha eleitoral direccionada para a derrota de Cavaco. A esquerda "tentou" unir forças e baterias para que Cavaco não ganhasse à 1ª volta. Mas deu-se mal. Dentro do PS houve e terá de haver muita história ainda por contar. Começando e terminando por um dos seus elementos (Alegre) ter tido uma votação superior à do candidato por eles apoiado.
Cavaco será o nosso PR durante os próximos 5 anos. A ver vamos como corre.
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2 comentários:
Não posso deixar de dizer que estou contente por termos Cavaco como o novo PR de Portugal. Mas como muito bem referes, vamos ver como poderá ele levar avante as promessas que fez... Como poderá resolver o desemprego, a situação caótica em que o país se encontra... sobretudo com um executivo que tudo fará para não lhe facilitar a vida! Acho que é tempo de ter calma.. de esperar para ver e de ACREDITAR!! Portugal está à espera do que há-de vir...
Não posso dizer que esteja a recuperar do choque, pois este resultado era já o esperado... Porém, não foi e continuaria a não ser a minha opção. Mas também devo admitir que se a escolha tivesse de ser entre Soares e Cavaco, então este terá sido um mal menor. De qualquer das formas, gostaria de ter visto como se comportaria o eleitorado numa 2ª volta.
De Cavaco Silva espera-se, não só pelo que afirmou durante a campanha mas também pela sua personalidade política, um mandato extremamente interventivo. Será porventura o melhor caminho, desde que esse intervencionismo não degenere numa "guerrilha" de esquerda/direita entre executivo e presidência. Instabilidade já nós temos tido de sobra...
Para os próximos tempos, espero sinceramente que os 50,6% dos portugueses que colocaram a cruzinha no mesmo local, estivessem, afinal, certos. Não me importo de admitir que estava enganada. Seria muito bom sinal...
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