Volvido não sei bem quanto tempo, aqui estou eu de novo. Não porque gosto de períodos de ausência prolongados, como foi o caso. Mas porque não tenho tido inspiração/paciência para escrever umas linhas. Desde já o meu mais sincero pedido de desculpas a todos(as) aqueles que aqui vêm à procura de novos textos.
Poucas serão as novidades que tenho. Relativamente a ocupação profissional, pouco há a dizer. Ou por outra, nada há a dizer. O mercado está estagnado, e para muitos recém-licenciados, grupo no qual me insiro, esta é uma altura particularmente complicada. Momentos de angústia, de insatisfação, frustração, entre outros sentimentos, são diariamente vivenciados por mim. E por muitas outras pessoas. É certo que nada depende de nós. Mas é igualmente certo que após uma pequena reflexão sobre este tema, há muita coisa que se poderia fazer, e não é feito. Infelizmente.
Enquanto aguardo que surja uma oportunidade de emprego dentro da minha área, regozijo-me com os argumentos esgrimidos pela tutela. Que na minha opinião se esquece que o País vive uma das mais elevadas taxas de desemprego das últimas décadas, que apenas pensa no dinheiro que vai ter de retirar aqueles que trabalharam um vida inteira, para que na altura em que deixaram de trabalhar, tivessem uma boa qualidade de vida. É gritante a facilidade com que se tenta resolver um e um só problema e não haja uma preocupação em analisar e tentar dar resposta a outros problemas. Mais graves, na minha leitura. Mas o que interessará será acima de tudo manter a calma, serenidade e a consciência de que melhores dias virão. Creio que este será o "chavão" que mais tenho ouvido nestes últimos 5 meses de parasitismo. Será assim tão complicado perceber que quantas mais pessoas entraram no mercado de trabalho, mais descontos existirão a jusante para a Segurança Social? E naturalmente menos problemática será a situação dos pensionistas?
Um pequeno apontamento relativo aos 150000 postos de emprego que o Governo disse que ía criar...desculpem-me a sinceridade mas vou ter de me rir durante meia hora. Estes postos de emprego são naturalmente muitíssimo relativos, e dizem respeito a estágios profissionais, ou seja, é um convite à precaridade das condições de trabalho. Contratos a termo, recibos verdes (em alguns casos) e naturalmente uma consequente falta de segurança imediatamente perceptível por parte de quem abraça o primeiro emprego. Nenhuma instituição bancária, consolidada e responsável aceita um empréstimo nestas condições. Ou seja, é naturalmente comprometida a individualidade, a independência de tantos jovens como eu, que querem sobretudo dar início a um projecto de vida em que acreditam. Nestas condições não é possível. Nem será tão cedo, através das palavras de alguém como o Prof. Cavaco Silva, actual Presidente da República, e figura proeminente na nossa sociedade, com conhecimento de causa. As coisas não estão boas e vão tender a piorar, no curto/médio prazo. Esta é a realidade.
E assim vamos andando e cantando. Uns com mais vontade que outros.
Resta-nos a esperança. E a serenidade de espírito. E apoio daqueles que gostam de nós.
P.S - Vou tentar arduamente não ficar tão ausente!! :)
quarta-feira, maio 17, 2006
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1 comentário:
Foi com um aperto na Alma que li este teu desabafo, aperto esse com que tenho acompanhado cada dia melhor ou pior ao longo deste teu tempo de pós-licenciatura.
É, de facto, triste ver como vai este nosso país, em que se dá mais importância a coisas mesquinhas do que ao que é importante.
Devo dizer que me deu a volta ao estômago ouvir esta manhã nas notícias que as obras de renovação do Campo pequeno custaram mais de 50 milhões de Euros... Vamos todos rir em conjunto?? Ou será melhor chorarmos!? Sinceramente não acho normal... Quanto ao tema de que aqui falas, e correndo o risco de te dizer mais uma vez o chavão que mencionas... Neste momento tens mesmo que pensar em "acima de tudo manter a calma, serenidade e a consciência de que melhores dias virão."
Estas são SEMPRE fases muito dificeis e em que é tão fácil perder a esperança e deixar de acreditar.. Mas como te digo todos os dias: Fases menos boas acabam sempre por dar lugar a outras melhores! Como diz o povo: "não há mal que sempre dure nem bem que sempre se ature"
Como referes e muito bem, "Resta-nos a esperança. E a serenidade de espírito. E apoio daqueles que gostam de nós.
Vamos continuar a ACREDITAR! O apoio te-lo-ás SEMPRE!
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