quarta-feira, junho 14, 2006

Opel Azambuja

Era algo de esperar. Passou uma peça à hora de almoço, e à hora de jantar passou de novo a mesma peça, com mais detalhes. Parece que a Administração GM não está contente com o gasto "excessivo" da fábrica nacional. Avançam com valores de 500€ a mais / carro produzido, o que não deixa de ser um valor redondo. E curioso. Estamos a falar de cerca de 1700 trabalhadores que laboram neste complexo, e cuja actividade incide especificamente na construção da Opel Combo. E que têm os seus postos de trabalho seriamente ameaçados, fruto de uma deslocalização para Espanha ou para um país do leste europeu.

Convém salientar que a produção da Azambuja é responsável por cerca de 0,6% da riqueza nacional (leia-se PIB), pelo que embora possa parecer um valor irrisório, é naturalmente um número que se deve ter em conta, na conversação que se espera bilateral entre a Tutela e a GM. Sendo que para tal, se encontra em território nacional o Vice-Presidente do construtor norte-americano. Uma das questões que desde logo me "assalta a mente", é a profusão de notícias veiculas. Se de manhã os trabalhadores da Azambuja receberam um e-mail a dizer que o complexo ía fechar, em consequência de uma operação de deslocalização da fábrica (adoro este chavão), de tarde veio o Ministro da Economia dizer que é necessário alguma ponderação, e que o Governo Português está ciente da necessidade do diálogo. Ou seja...será um argumento demagógico para protelar o futuro do complexo? Será mais uma (entre tantas outras) "manobras de diversão" por parte dos governantes para perpetuar a instabilidade?

Curiosamente a massa trabalhadora da Opel na Azambuja já entendeu onde vai isto parar. E foi avançando com a exigência de 30 milhões de euros decorrentes do pagamento de vencimentos até 2009, altura em que finda o contrato de produção da Combo. Isto fora indemnizações. A GM é o maior construtor mundial. Cerca de 32000 trabalhadores, se não estou em erro. Desconhecia este pormenor. É também responsável pelo despedimento massivo de trabalhadores, isto falando "worldwide". Pergunto eu: - Numa altura particularmente complicada, em plena recessão económica e com todos nós a fazer contas à vida, não deveria a Tutela assegurar todo e qualquer mecanismo que garantisse o posto de trabalho a quase 2000 trabalhadores? Vejam o que aconteceu na Auto Europa. Por um triz também não foi deslocalizada. Desta feita, pelo que foi anunciado na altura pelos meios de comunicação, para um país do leste. Muito sinceramente, estou consciente da realidade. Não sou utópico, e muito menos gosto de esgrimir argumentos demagógicos, particularmente quando está em causa o "ganha pão" de tanta família.

Também estou plenamente consciente de que a realidade portuguesa é algo diferente da dos demais países. Especialmente aqueles em que a mão-de-obra / hora é mais barata. Sendo que o produto final é o mesmo. Neste caso específico um determinado modelo, de um conhecido construtor de automóveis. Contudo, não posso deixar de manifestar o meu desagrado e indignação face aos últimos desenvolvimentos. É mais forte que eu, confesso. Não estamos a "brincar ao faz de conta", e estão em risco muitos postos de emprego. Ou seja, mais instabilidade. Menos segurança, mais entropia no sistema todo. Tenho muita pena se perdermos esta oportunidade. Aliás, foi também avançada a hipótese das conversações durarem durante as próximas 5 semanas, ou seja, tentar-se encontrar uma solução viável para o complexo. Já trememos com a fábrica de Palmela (VW) e creio que vamos tremer, ou mesmo cair com esta da Azambuja. Pena que poucos ou nenhuns argumentos tenhamos para mostrar a mais-valia decorrente do construtor continuar a investir por cá. Aliás, temos mais contras que prós.
Começando pelo preço da mão-de-obra.

Numa altura em que estamos particularmente fragilizados, é muito perigoso que se comece a utilizar a "gestão de empresa", e a reduzir onde há efectivamente gastos. Necessários, é certo, mas não deixam de se traduzir numa factura mais alta para a própria empresa, a jusante. Entendo isso...mas também estou sensível às 1700 pax que vão ficar sem emprego.

Dualidade estranha...não é?

terça-feira, junho 06, 2006

Incêndios 2006

Foi com alguma consternação que assisti a uma peça no telejornal da hora do almoço sobre o combate a um incêndio que terá deflagrado no norte do país, concretamente em Fragoso, concelhia de Barcelos.

Não entendo o porquê de tanta conversa, de tanto discurso "politicamente correcto", de tanta reunião entre os diversos grupos parlamentares, para, no momento em que eclode um incêndio que à partida seria rapidamente circunscrito, além de não o ser, provocou uma revolta espontânea na população local, fruto de uma "inactividade da corporação dos soldados da Paz".

Passo a explicar. Pelo que depreendi da peça, e que depois foi explicado por uma autoridade na matéria, actualmente o combate ao incêndio é "pensado" de outra forma, diferente daquela que sempre existiu, desde que me conheço.

Como é sabido, e normalmente, há uma dor de cabeça para os bombeiros. Ou seja, quando existem várias "frentes de ataque" do incêndio, o que como é lógico, torna severamente complicado o combate ao mesmo e compromete a eficácia da operação. Curiosamente, em Barcelos, não foi o que sucedeu. Havia uma frente conhecida, e os bombeiros tentaram combatê-la, com os meios que tinham ao seu dispôr..mas não com todos.

Aqui surge uma nova variável. Quando se fala em meios de combate aos incêndios, é sugerida de imediato a ideia do(s) bombeiro(s) com a mangueira de alto débito de água, mas também os meios aéreos. E não foi o que aconteceu. Na peça, alguns populares revoltados, afirmavam peremptoriamente que não tinham sido desbloqueados todos os meios para combate ao referido incêndio, nomeadamente o pedido de auxílio aéreo..E isto teria de ser feito pelo Chefe de Bombeiros locais. Porque pelo que parece, é normal só desencadear esta linha processual quando os homens em terra constatam que não dão conta do recado..

Pergunto eu...qual é o limite? Têm de existir famílias que fiquem sem casa e sem meio de sustento para que este tipo de meios seja activado? Nomeadamente o aéreo? Há necessidade de protelar um combate mais prolongado, mais cansativo, mais complicado com as elevadas temperaturas que se têm feito sentir, sendo que um pedido de auxílio poderia minimizar fortemente as consequências do incêndio?

Mais uma vez, Portugal está na vanguarda. Comanda o pelotão, como sendo um dos países em que mais se fala e menos se faz. Fala-se também em antecipar a contratação dos aviocars, na medida em que a época dos incêndios parece que começou mais cedo..

É pena que as pessoas não entendam que temos este flagelo, anualmente. E mais...este ano vai ser particularmente complicado, com um esperado aumento da temperaturas médias...

A ver vamos como corre tudo.