terça-feira, junho 06, 2006

Incêndios 2006

Foi com alguma consternação que assisti a uma peça no telejornal da hora do almoço sobre o combate a um incêndio que terá deflagrado no norte do país, concretamente em Fragoso, concelhia de Barcelos.

Não entendo o porquê de tanta conversa, de tanto discurso "politicamente correcto", de tanta reunião entre os diversos grupos parlamentares, para, no momento em que eclode um incêndio que à partida seria rapidamente circunscrito, além de não o ser, provocou uma revolta espontânea na população local, fruto de uma "inactividade da corporação dos soldados da Paz".

Passo a explicar. Pelo que depreendi da peça, e que depois foi explicado por uma autoridade na matéria, actualmente o combate ao incêndio é "pensado" de outra forma, diferente daquela que sempre existiu, desde que me conheço.

Como é sabido, e normalmente, há uma dor de cabeça para os bombeiros. Ou seja, quando existem várias "frentes de ataque" do incêndio, o que como é lógico, torna severamente complicado o combate ao mesmo e compromete a eficácia da operação. Curiosamente, em Barcelos, não foi o que sucedeu. Havia uma frente conhecida, e os bombeiros tentaram combatê-la, com os meios que tinham ao seu dispôr..mas não com todos.

Aqui surge uma nova variável. Quando se fala em meios de combate aos incêndios, é sugerida de imediato a ideia do(s) bombeiro(s) com a mangueira de alto débito de água, mas também os meios aéreos. E não foi o que aconteceu. Na peça, alguns populares revoltados, afirmavam peremptoriamente que não tinham sido desbloqueados todos os meios para combate ao referido incêndio, nomeadamente o pedido de auxílio aéreo..E isto teria de ser feito pelo Chefe de Bombeiros locais. Porque pelo que parece, é normal só desencadear esta linha processual quando os homens em terra constatam que não dão conta do recado..

Pergunto eu...qual é o limite? Têm de existir famílias que fiquem sem casa e sem meio de sustento para que este tipo de meios seja activado? Nomeadamente o aéreo? Há necessidade de protelar um combate mais prolongado, mais cansativo, mais complicado com as elevadas temperaturas que se têm feito sentir, sendo que um pedido de auxílio poderia minimizar fortemente as consequências do incêndio?

Mais uma vez, Portugal está na vanguarda. Comanda o pelotão, como sendo um dos países em que mais se fala e menos se faz. Fala-se também em antecipar a contratação dos aviocars, na medida em que a época dos incêndios parece que começou mais cedo..

É pena que as pessoas não entendam que temos este flagelo, anualmente. E mais...este ano vai ser particularmente complicado, com um esperado aumento da temperaturas médias...

A ver vamos como corre tudo.

2 comentários:

Cookie disse...

Este cenário tem vindo a repetir-se indefinidamente ano após ano. Todos sabemos bem a quantidade de interesses e de interessados por detrás da maioria destes incêndios. Porque convenhamos... não acredito que aconteçam todos por "acaso" nem por descuidos. Ha muita gente a ganhar com tudo isto e infelizmente não é mais uma teoria da conspiração "Codigo Da Vinci style"... É bem real, tal como também são reais as pessoas que sofrem todos os anos as consequências deste flagelo.

Pi disse...

Os incêndios representam uma tragédia a todos os níveis e que se repete todos os anos...
Infelizmente é um Lobby cada vez mais poderoso e os "senhores do fogo" lucram cada vez mais com estas catástrofes que não só destroem as nossas florestas, como também destroem inúmeras famílias.
É com tristeza que ano após ano assisto à inércia dos governantes, ao trabalho inglório dos bombeiros e ao "encher de bolsos" de uns contra a miséria de outros que perdem toda uma vida de trabalho para as chamas...

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