Era algo de esperar. Passou uma peça à hora de almoço, e à hora de jantar passou de novo a mesma peça, com mais detalhes. Parece que a Administração GM não está contente com o gasto "excessivo" da fábrica nacional. Avançam com valores de 500€ a mais / carro produzido, o que não deixa de ser um valor redondo. E curioso. Estamos a falar de cerca de 1700 trabalhadores que laboram neste complexo, e cuja actividade incide especificamente na construção da Opel Combo. E que têm os seus postos de trabalho seriamente ameaçados, fruto de uma deslocalização para Espanha ou para um país do leste europeu.
Convém salientar que a produção da Azambuja é responsável por cerca de 0,6% da riqueza nacional (leia-se PIB), pelo que embora possa parecer um valor irrisório, é naturalmente um número que se deve ter em conta, na conversação que se espera bilateral entre a Tutela e a GM. Sendo que para tal, se encontra em território nacional o Vice-Presidente do construtor norte-americano. Uma das questões que desde logo me "assalta a mente", é a profusão de notícias veiculas. Se de manhã os trabalhadores da Azambuja receberam um e-mail a dizer que o complexo ía fechar, em consequência de uma operação de deslocalização da fábrica (adoro este chavão), de tarde veio o Ministro da Economia dizer que é necessário alguma ponderação, e que o Governo Português está ciente da necessidade do diálogo. Ou seja...será um argumento demagógico para protelar o futuro do complexo? Será mais uma (entre tantas outras) "manobras de diversão" por parte dos governantes para perpetuar a instabilidade?
Curiosamente a massa trabalhadora da Opel na Azambuja já entendeu onde vai isto parar. E foi avançando com a exigência de 30 milhões de euros decorrentes do pagamento de vencimentos até 2009, altura em que finda o contrato de produção da Combo. Isto fora indemnizações. A GM é o maior construtor mundial. Cerca de 32000 trabalhadores, se não estou em erro. Desconhecia este pormenor. É também responsável pelo despedimento massivo de trabalhadores, isto falando "worldwide". Pergunto eu: - Numa altura particularmente complicada, em plena recessão económica e com todos nós a fazer contas à vida, não deveria a Tutela assegurar todo e qualquer mecanismo que garantisse o posto de trabalho a quase 2000 trabalhadores? Vejam o que aconteceu na Auto Europa. Por um triz também não foi deslocalizada. Desta feita, pelo que foi anunciado na altura pelos meios de comunicação, para um país do leste. Muito sinceramente, estou consciente da realidade. Não sou utópico, e muito menos gosto de esgrimir argumentos demagógicos, particularmente quando está em causa o "ganha pão" de tanta família.
Também estou plenamente consciente de que a realidade portuguesa é algo diferente da dos demais países. Especialmente aqueles em que a mão-de-obra / hora é mais barata. Sendo que o produto final é o mesmo. Neste caso específico um determinado modelo, de um conhecido construtor de automóveis. Contudo, não posso deixar de manifestar o meu desagrado e indignação face aos últimos desenvolvimentos. É mais forte que eu, confesso. Não estamos a "brincar ao faz de conta", e estão em risco muitos postos de emprego. Ou seja, mais instabilidade. Menos segurança, mais entropia no sistema todo. Tenho muita pena se perdermos esta oportunidade. Aliás, foi também avançada a hipótese das conversações durarem durante as próximas 5 semanas, ou seja, tentar-se encontrar uma solução viável para o complexo. Já trememos com a fábrica de Palmela (VW) e creio que vamos tremer, ou mesmo cair com esta da Azambuja. Pena que poucos ou nenhuns argumentos tenhamos para mostrar a mais-valia decorrente do construtor continuar a investir por cá. Aliás, temos mais contras que prós.
Começando pelo preço da mão-de-obra.
Numa altura em que estamos particularmente fragilizados, é muito perigoso que se comece a utilizar a "gestão de empresa", e a reduzir onde há efectivamente gastos. Necessários, é certo, mas não deixam de se traduzir numa factura mais alta para a própria empresa, a jusante. Entendo isso...mas também estou sensível às 1700 pax que vão ficar sem emprego.
Dualidade estranha...não é?
quarta-feira, junho 14, 2006
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1 comentário:
Realmente toda esta situação é dramática. Portugal deixou de ser um país de mão de obra barata, pelo que estes grandes construtores automóveis deixam de ver vantagens em continuar por cá... O mais incrível, é que, como referes, as notícias alteram-se de manhã para a tarde e à noite já são outras.
As pessoas já não sabem bem o que pensar. Os trabalhadores estão hoje em greve, ainda que não saibam por enquanto o desfecho de todo o processo. No entanto, e de acordo com o próprio Ministro da Economia, "as negociações ainda se mantêm em aberto e tudo pode mudar de rumo"... Pois sim! Estamos cá para ver.. Pessoalmente tenho sérias dúvidas.
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