terça-feira, julho 25, 2006

Os inocentes na Guerra

Estamos perante mais uma "guerra de ideologias", ou por outra, uma guerra entre uma nação que é Israel e uma facção extremista, Hezzbolah. Sempre foi algo que me suscitou grande confusão, na medida em que desde que me recordo sempre houve qualquer tipo de guerra nesta zona do globo.

Adiante. No referido jornal de hoje, ("metro", distribuído gratuitamente nas estações), que li aquando da minha viagem de metro para o emprego, senti a minha vista presa a uma fotografia de uma criança com 4 anos. Dizia o artigo que a mesma "descansava no hospital, após ter visto a sua casa destruída e o seu carro atingido por rockets".

Não conheço a realidade da guerra. Felizmente. Aquilo que sei, e que me faz pensar ou repensar em tudo, é a violência com que estes ataques são perpetrados, bem como o número de inocentes que são colhidos aquando dos mesmos. Uma coisa será ter um alvo pré-determinado, e infligir um ataque preparado ao milímetro. Outra coisa será desenvolver uma operação ou teatro de guerra completamente desprovido de sustentação técnica, orientação militar válida e...porque tem de ser. Este "tem de ser" nunca me convenceu. Não me convence e jamais me irá convencer. Enquanto morrerem crianças, enquanto crianças que ainda nem conseguem andar ficarem orfãs de pais...não irei ficar convencido. Lamento. E sou militarista, note-se.

Como em tudo, há os chamados "danos colaterais", ou seja, uma facção marginal, ou uma ínfima minoria de possibilidades que mancham um conflito bélico. Uma coisa será recorrer indubitavelmente ao corte das relações diplomáticas, mas sendo que para tal recorre-se ao "diálogo" bilateral, outra coisa será avançar para uma ofensiva bélica. Desenvolvimento de vários teatros de guerra sem que para isso seja possível aferir os tais danos colaterais, ou seja, vítimas inocentes estropiadas, mortos, crianças orfãs, etc.

Não sei para onde caminha este mundo. Um mundo cruel para muitos, e menos cruel para outros. Ainda que menos cruel, duro. Nem todas as pessoas têm a capacidade de sobreviver ao mesmo, teoria postulada por Darwin (Teoria da Selecção Natural). Mas impedir, clivar, impedir que seres humanos inocentes e completamente alheados das reais razões de um conflito tenham de "pagar a factura", creio ser inadmissível. Insustentável e objecto da minha repulsa e indignação.

Devo dizer que a foto (pequena, sem sangue visível e só com uma mão de uma criança a soro) me impressionou bastante. Bastante. E devo dizer que não sou uma pessoa facilmente impressionável.

Para terminar, quando alguém disser que a vida lhe corre mal, e que é madrasta...pense neste criança de hoje, dia 25 de Julho de 2006, que possivelmente perdeu os pais e restante família num atentado. Quando tentavam fugir de sua casa, no seu carro...desconhecendo as razões pelas quais encontram a morte num atentado. Fica cá a criança. "A descansar no hospital".

Pensem nisso antes de avançar com teorias de que tudo corre mal. Da minha parte, dou-me por satisfeito se deixar de ler que crianças de 4 anos "descansam no hospital".

1 comentário:

Pi disse...

Não há palavras... Qualquer guerra é, na minha opinião, de uma estupidez atroz!! Porquê?? Porque quem sofre, quem morre, quem fica mutilado para o resto da vida, quem vive os dramas e quem fica com marcas profundas e traumas imensos não são os chamados "senhores da guerra", mas sim os civis que vêem o seu país, a sua aldeia, a sua casa e toda uma vida de trabalho destruída em segundos...
Imagens como a que te chocou hoje são, infelizmente, o dia a dia de quem vive nesses cenários macabros... Graças a Deus que não temos que viver numa realidade como essa. E como dizes, é revoltante assistir a desgraças destas e depois ouvir alguém que vive como nós dizer que a vida é madrasta... ou porque recebem mal, ou porque o chefe é chato, ou porque têm isto ou aquilo... Francamente! Dizer que a vida é madrasta de "barriga cheia" até é pecado!

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