segunda-feira, julho 17, 2006

Situações caricatas

Após a minha leitura diária do diário "Público", apercebi-me que muito recentemente houve um problemazito reportado à entidade que faz a gestão dos aeroportos (ANA), consequência de uma aterragem de um avião proveniente das Canárias, e que levantou umas telhas de uma habitação, devido à impulsão dos reactores.

Curioso ou não, a mesma entidade gestionária aconselha o morador a contactar a empresa "Portway", a quem serão imputados os custos advenientes da reparação da referida habitação. Custa-me um bocado a acreditar nisto. Aliás, não me custa a acreditar. É algo recorrente em Portugal, e algo que nos caracteriza - o célebre "jogo do empurra".

Ao invés de assumir o encargo financeiro de imediato, suportando os custos todos da reparação e posteriormente negociar com a companhia aérea as responsabilidades, tem o queixoso, neste caso proprietário da residência afectada que contactar uma tal empresa que lhe foi indicada pela entidade gestora. Parece-me sem dúvida mais uma "pérola" de Portugal-no-seu-melhor, e sem dúvida mais uma que irá ficar nos anais da história.

A semana passada um amigo meu atropelou mortalmente dois cães na auto-estrada de Cascais, na A5. Lembro-me muitas vezes da minha mãe comentar em casa, que na altura em que tirou a carta de condução, o instrutor lhe disse que a acontecer algo do género, nunca se desviar..e atropelar os animais. Se quando era mais novo esta sugestão me parecia altamente egoísta e com requintes de sadismo, hoje em dia compreendo o porquê das coisas, bem como compreendo a fundamentação da mesma sugestão. Antes o animal que nós, que, ao desviarmo-nos podemos ter um acidente fatal.

Contudo, há outro prisma que convém analisar. Entender e interiorizar. Quando me desloco num determinado troço de estrada, e ainda para mais sendo pago (por intermédio de portagem), confesso que gosto de me sentir seguro. Não é sentir que a estrada está boa...(até porque isso só acontece durante os primeiros anos de exploração da mesma), mas sentir que estou seguro. Sentir que me posso deslocar a velocidades elevadas (minha conta a risco), sem que me tenha de deparar com alguma "variável exógena ao binómio automóvel-estrada". E é aqui que as entidades que exploram as auto-estradas falham. Recordo os exemplos de vandalismo de há alguns anos atrás (sendo que alguns ainda estão na barra do tribunal), bem como os não raros exemplos de animais que surgem na estrada, e provocam os acidentes. Mais ou menos graves, mas provocam.

No caso deste meu amigo, e porque não se quis maçar com muita coisa, não chamou as autoridades, nem tão pouco imputou a responsabilidade a quem de direito. Neste caso à Brisa. Um erro crasso, na minha humilde opinião. Na medida em que deveria ser mais um atestado de não conformidade manifesta à concessionária.

É por esta e por outras que Portugal anda como anda. As pessoas não querem ter chatices. O sistema está altamente "viciado", e existe um clima de impunidade latente. Entre outras, a Brisa é uma das empresas que decerto terá imensas queixas. Como por exemplo o facto de continuar a cobrar portagem aquando das obras de beneficiação da auto-estrada de Cascais. Ainda que a estrada não estivesse dotada de qualquer tipo de condições para o bom e regular funcionamento da mesma. Ou seja, pagava-se portagem para não ter boas condições e fluidez de tráfego.

Como sempre, será um pormenor secundário...



1 comentário:

Pi disse...

Palavras para quê...? Já todos sabemmos que em Portugal as coisas não funcionam como deveriam! Mas a culpa não é só das empresas e entidades, como as que referes, mas também daqueles que se acomodam e não expressam o seu descontentamento... Se todos os lesados se queixassem, como acontece em países como os EUA, provavelmente seriam as próprias empresas e entidades a PREVENIR eventualidades destas. A pessoa que atropelou os dois cães na AE receberia uma indemenização choruda, com certeza, e o senhor que ficou com o telhado destruído por causo do avião não só teria uma casa nova como uma pensão vitalícia por danos psicológicos... Acho que nem 8 nem 80... mas ao menos as coisas são feitas sem a leviandade com que se fazem em Portugal...
Enfim...

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