terça-feira, julho 25, 2006

Skimming

Quem anda de metro diariamente, como eu, está a par das notícias do nosso quotidiano. Através de uma publicação que julgo ser excelente. Directa, sem grandes floreados, e onde se encontra a toda a informação necessária acerca do que se passa cá no "rectângulo" e fora do mesmo.

Entre outras notícias (como por exemplo a tão mediatizada guerra em Israel, que será objecto de uma dissertação minha a seu tempo), e não descredibilizando as mesmas, uma das notícias digeridas pela minha mente, a esta hora matinal foi o fenómeno skimming.

Para quem teve uma formação longa e continuada em institutos de língua britânica como foi o meu caso, entende esta palavra. Durante os sucessivos anos em que tive oportunidade de frequentar este tipo de ensino, sempre foi promovido aquilo a que os nativos do Reino Unido denominam de skimming reading. Em suma, não é mais do que aquilo a que chamamos de "leitura na diagonal" de um texto, sendo que é potenciada a absorção da informação relevante. Por outras palavras, é sugerido ao aluno que rapidamente leia um texto, e rapidamente fique com uma ideia global do conteúdo do mesmo. Uma forma inteligente de optimizar o tempo de estudo e pelo que me foi dado a entender, sobejamente utilizado no ensino além-fronteiras.

O recurso à mesma terminologia no nosso léxico, numa altura em que cada vez mais recorremos aos anglicismos, tem que ver com um fenómeno relativamente recente (de há 10 anos para cá), e que em português "camoniano" tem um nome bem mais simples e do conhecimento geral - clonagem de cartões de débito.

Como é feito? O artista ou chico esperto (actividade em que os portugueses são exímios) dedica algum do seu tempo a construir uma micro câmera que instala numa caixa multibanco (ou ATM), da mesma forma que altera a ranhura de entrada do cartão. Assim sendo, consegue duas coisas: i) O movimento dos dedos da pessoa que está na caixa ATM, o que naturalmente lhe dá acesso ao código pessoal (supostamente secreto), ii) a clonagem propriamente dita da banda magnética do cartão.

Tudo isto é recente. Quando utilizo a palavra recente, penso em algo com 10 anos. Ou mais. As minhas distâncias temporais tendem a ser mais imprecisas, mas sei que há uma década atrás o meu pai, estando em Lisboa, em casa, soube que o seu cartão de crédito tinha sido utilizado para compras numa loja de electrodomésticos em Nova Iorque. Curioso, não? Mais ainda assim, na altura, as coisas eram feitas de uma forma mais rudimentar. Ainda predominava a questão da ingenuidade global, a questão de "não ver qualquer problema no facto das pessoas desaparecerem com o nosso cartão", sendo que posteriormente aconteciam surpresas. O meu pai foi um dos visados. E serviu-lhe de emenda.

Quero com isto dizer que o fenómeno da clonagem de cartões não é novo entre nós. Nem entre nós, nem em parte alguma do globo. Tudo bem, deverão existir zonas do planeta Terra onde nem existem cartões..mas desses não falo. Falo dos países teoricamente desenvolvidos (ou em vias de desenvolvimento), onde há participações de desfalques nas contas bancárias, por parte dos clientes, e cria-se sem qualquer sombra de dúvida um mall-estar. Entre banca e cliente. De quem é a culpa?

Na minha opinião, o culpado aqui só é um. Respeitadas todas as regras de segurança inerentes ao pagamento do que quer que seja com "dinheiro de plástico", não perdendo o cartão de vista NUNCA, a imputação de culpabilidade só pode ser feita "aquele" que tendo conhecimento da realidade tecnológica não investe na segurança dos seus clientes. E permite que se crie uma situação de mal-estar que poderá comprometer o bom relacionamento entre ambas as partes. Falo das instituições bancárias.

Meus senhores...acordem para a vida. Não é com uma atitude displicente e "polvilhada" com o facilistismo, ou "nacional porreirismo" que se consegue pôr cobro a situações deste tipo e importância. Não é assumindo uma postura inerte que as coisas vão ao seu lugar.

De uma vez por todas, justifiquem aquilo que vos é pago!

1 comentário:

Pi disse...

Tenho pavor que isso me aconteça... Recentemente uma pessoa nossa conhecida passou por isso. Dirigiu-se a uma bomba de gasolina para atestar o depósito e assim fez... Só que chegada a hora de pagar o combustível, a caixa da bomba informou-a que o cartão tinha sido recusado. Ciente de que tinha saldo, e convencida que teria sido um problema do aparelho, foi à caixa multibanco para levantar dinheiro e não conseguiu. Quando tirou um saldo da conta viu que tinha a conta negativa... Imaginem-se nesta situação!! Pois é... depois de alguma investigação por parte do banco chegaram à conclusão que o cartão tinha mesmo sido clonado e o banco responsabilizou-se pela restituição do dinheiro na totalidade... Nem outra coisa seria de esperar!! enfim... Espero nunca passar por uma situação destas! Mas dá que pensar...

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