quinta-feira, setembro 18, 2008

Os meliantes

Com a galopante onda de violência, somos diariamente brindados com notícias de captura de meliantes. Ou amigos do alheio. Conforme apetecer melhor a quem me lê. Há uma extensa adjectivação que poderá ser utilizada. E os nossos meliantes na rua.

Se em tempos, e ainda verificável em alguns países, aquele que comete a ilicitude é (ou era) castigado publicamente, "por cá", a realidade é diferente. Diferente ao ponto dos criminosos serem postos em liberdade, não havendo o flagrante delito. O que me parece ser um verdadeiro atentado às boas famílias. Aos que pagam impostos. Aos que se levantam cedo para ir trabalhar, e chegam tarde depois de um dia de trabalho. Enfim...aqueles que quando cometem uma infracção de trânsito (estacionamento em cima do passeio, têm de largar quase 200 euros para levantar o carro do parque da polícia ali nas Galinheiras...). E os nossos meliantes na rua.

Hoje, mais uma notícia no jornal da noite (TVI), que um gang da "inbicta" tinha sido capturado. Uns três tipos. Novos. Com bom corpo para o obral...Mas que optaram pelo caminho "A" num dado "cruzamento" da sua vida. O mais fácil, naturalmente. Aquele que contempla o carjacking, homicídios, agressão física, drogas, armas, etc. Aquele que permite o obter dinheiro fácil e sem grande cansaço. Mental, pelo menos. E os nossos meliantes continuam na rua.

E aqui chegamos a um ponto que entendo ser revestido de um mistério grande...se um criminoso é capturado, porque não podem os demais saber quem é? Porque razão teimam em tapar a cara? Alguns, quando assaltam, quando violam, quando matam...têm a cara descoberta...mas na altura do julgamento, tapam-na...nunca entendi muito bem porquê. E os nossos meliantes continuam na rua.

Esta é uma dúvida que me tem feito perder alguns minutos do meu pensamento diário...Mas julgo que não há uma resposta. Ou não haverá uma explicação lógica. Talvez, eventualmente, seja uma questão cultural, comparativamente com os países árabes. E os nossos meliantes continuam na rua.

A escalada da violência continua...

...E os nossos meliantes na rua.

sábado, agosto 02, 2008

Silly Season

Como habitualmente, por esta altura do ano, Portugal "vai a banhos". Durante algum tempo, esquecem-se os problemas, o TGV, o novo aeroporto, o preço do barril do petróleo, o aumento (ou não) da taxa de inflacção, o tendencial e crescente endividamento público...e por aí fora.

Lamento, que durante um ano, poucas ou nenhumas decisões se tomem, por quem de direito. Talvez por ser demasiado exigente. Talvez por ser prático. Talvez por nunca ter tido um cargo político, em que me fosse solicitada uma (ou mais) decisões. Julgo que esse será um dos maiores problemas que existe. Quem tem de tomar decisões, não as toma. É preferível discutir-se em plenário, vezes sem conta, as mesmíssimas coisas. Ir repescar acusações antigas, e como vem sendo hábito, quando as coisas não correm mesmo de feição, falar em legados políticos, falar em Governos antigos. Basicamente, aplica-se a máxima de "quando não sabemos dançar, dizemos que o chão está torto".

Não entendo muito bem como é que há pessoas que conseguem ter calma e abstrair-se dos problemas actuais. Da mesma forma que não entendo como é que há pessoas, com a actual conjuntura sócio-política, que continuam a praticar o mesmo estilo de vida que praticavam há sensivelmente 15 anos, em que Portugal não tinha problemas económicos (como aliás nunca teve, na douta opinião de alguns). Basta para isso, perder algum tempo e ver que se continua a viver acima das possibilidades, se continua a contrair empréstimos para pagar férias, se continua com a eterna ideia da "galinha da vizinha é melhor que a minha", aplicando a mesma à compra de móveis e imóveis. Infelizmente, diga-se em abono da verdade.

Detesto o Verão. Por variadíssimas razões pessoas, que poderei elencar noutra altura. A silly season é o protótipo de época/altura em que aqueles que pouco ou nada fazem, se vangloriam dos destinos de férias para onde foram. Apraz-me ver pessoas que sei que nada produzem profissionalmente, começar a pensar em Janeiro, nas férias que têm em Agosto. E vivem isso intensamente. Sendo que, durante o intervalo de tempo que medeia os dois meses, produzem zero. "Bola". E após o seu regresso, têm tema de conversa para os próximos meses. Bem como uma prestação (mais uma), numa banco para pagar o empréstimo que contrairam para ir às Maldivas.

Quanto à classe política, pouco ou nada se me oferece dizer. Não sendo objectivo, dá-me ideia que é tudo um grupo de amigos que jogam em equipas diferentes. E quando assim é, pouco ou nada se resolve. Gentleman Agreement parece-me ser uma prática corrente na Assembleia. Havendo pouca discordância (ou concordância), não haverá muito a discutir. A não ser aqueles temas mais "quentes"... E mesmo nesses...tenho as minhas verdadeiras dúvidas que algo seja feito na realidade.

Contudo...toda a gente se sente esgotada e a necessitar de férias...para os vizinhos verem!

Silly people!

sábado, julho 26, 2008

Leituras

Desde tenra idade, sempre houve o hábito da leitura lá em casa. Desde a leitura mais "despreocupada", que acompanhou a infância (Patinhas, Astérix, Michel Vaillant, and so on), passando pelos famosos "Cinco" e "Uma Aventura na..", (que suspeito ter lido todos os livros) durante a pré-adolescência..até à idade pré-adulta e adulta. E aqui a análise é outra.

Será esta fase da vida em que o sentido crítico, entre outras coisas, fica mais apurado. A personalidade acaba por estar (idealmente falando) formada, e poucas ou nenhumas variações decorrerão. Tive a sorte (ou azar) de ter um círculo de amigos onde existia (e existe) o prazer da leitura, e naturalmente, não existem atritos, ou comentários despropositados.

Há livros que marcam. Dostoiévski é um exemplo com "Os Irmãos Karamazov". Aconselho vivamente a quem goste de literatura densa. Interessante, mas densa. "Conversas com Deus", de Neale Walsch, igualmente denso. Não me agrade de todo o tipo de escrita de Saramago. Não só porque não o vejo como português, como detesto um tipo de escrita sem pontuação. Irrita-me. Tira-me do sério. Mas há quem aprecie. E temos de respeitar.

Actualmente, tenho um tipo de literatura diferente na mesinha de cabeceira (quando não estão no carro). "A Arte da Guerra", de Sun Tzu e "Princípios da Guerra", de Carl von Clausewitz. Em ambos os casos, a estratégia militar direccionada para a gestão das organizações/pessoas. E agradam-me muito, quer um, quer outro.

Entristece-me que as pessoas da minha geração não leiam mais..alegando que falta de tempo. Custa-me a acreditar que não tenham 10 minutos diários para a leitura. Mas deixei de me preocupar com isso, e aconselhar este ou aquele título. Não vale a pena quando não há vontade..

Contudo, e para mal dos meus pecados (e de tantos outros puristas da língua camoniana), vejo autênticos atropelos gramaticais, pontapés fortes nas construções frásicas e/ou discursos orais que me fazem pensar duas vezes se o acordo ortográfico veio para ficar (ao qual não aderirei jamais)...

Até breve..