Começou a corrida a Belém. Não para ver o Menino Jesus como seria desejável nesta altura do ano, mas sim para o cargo de Presidente deste magnífico e espectacular País que é o nosso Portugal. São 6 os candidatos, mas irei centrar a minha reflexão de hoje em três, que considero serem os mais mediáticos, e com maior probabilidade de disputarem uma 2ª volta. Falo de Cavaco Silva (CS), Manuel Alegre (MA) e Fernando Nobre (FN).
Cavaco Silva (CS) é de todos o que reúne mais consenso como sendo aquele que tem maior probabilidade de ganhar as eleições. Infelizmente, não será pelos seus magníficos feitos em prol da Nação, mas sim porque não existe uma alternativa à sua altura. "Em equipa que ganha não se mexe", parece ser o mote para que muitos portugueses optem por colocar a cruz no seu nome, quando forem às urnas, no próximo dia 23 de Janeiro de 2011. Para um leigo em matéria de política como me considero, CS podia em todo e qualquer momento do seu mandato, ter vetado leis, ter tido uma postura mais interventiva e, em nome da Nação, ter enfrentado / castigado mais o Governo. Mais vezes e de forma mais severa. A analogia que imediatamente me ocorre, é a de um pai que vai dizendo ao filho para se portar bem. Sendo que o filho continua a portar-se mal e o pai vai sendo condescendente e conivente com as diabruras.
Afinal, dar uma lambada na cara do miúdo até é anti-pedagógico e há sempre o medo que a criança fique com traumas, em consequência da deslocação do cérebro em consequência da lambada bem aplicada. Quantas e quantas galhetas não apanhei na altura certa e nunca me fizeram mal. Reside aqui o cerne da questão. CS é um excelente político, de craveira, com provas dadas enquanto Primeiro Ministro de Portugal. Contudo, e se em alguma altura depositei esperanças no seu mandato enquanto Presidente da República (e que consequentemente mereceu o meu voto de confiança para que fosse eleito), desiludiu-me. Um mandato "cinzento", marcado pelas poucas vezes em que interveio e acima de tudo, um argumento que frequentemente utilizou: o da "estabilidade governativa", ou não tão falada relação cordial entre o Presidente da República e o Governo. Resumidamente, o pai foi alertou várias vezes o filho para não fazer asneiras, o filho não fez caso disso. Ignorou os alertas. E caiu, obviamente magoando-se. Assim afundou Portugal o actual Governo . CS vem agora, em plena campanha eleitoral dizer que alertou o Governo para o rumo dos acontecimentos. Questiono-me de que valem AGORA os seus alertas, se (como se sabe e estão consagrados na Constituição Portuguesa), os instrumentos que assistem ao PR no sentido de dissolução da Assembleia da República e veto de leis? Não compreendo. É algo que me transcende um grande bocado. E sinceramente, um próximo mandato de CS parece-me que será "mais do mesmo".
Nunca pensei dizer isto de CS, mas da maneira como as coisas têm funcionado, com a vergonha do sistema judicial português, com a falta de meios policiais para os crimes mais complexos (abordavam esta temática numa reportagem que tive oportunidade de assistir), a gritante falta de respeito para com os aposentados, enfim, uma série de pormenores. Que óbvia e naturalmente não beliscam o cidadão CS, na medida em que nunca irá sentir na pele qualquer uma destas situações. Não conhecerá a realidade da sociedade porque não é mais interventivo e mais interessado. E talvez porque não conhece tão profundamente os diplomas legais que lhe passam pelas mãos e recebem o seu despacho favorável. Ou ainda porque teve informação privilegiada que lhe deu indicação do rebentamento do escândalo do BPN...e lhe permitiu tirar o seu dinheiro antes...O que me parece também que poderá justificar a sua grande reserva em que o FMI venha cá a Portugal...
Manuel Alegre é um poeta. Nunca gostei do seu estilo. Aparte de ser comunista, que não gosto, é o tipo de pessoa que se orgulha de não saber o que fez na altura da licenciatura. Li há poucos dias um carta que amavelmente me passaram, e que era endereçada ao seu cunhado. Na mesma, e entre outras coisas, aludia ao facto de ter a certeza que "um padrinho" tinha qualquer coisa alinhavada para ele e que como tal, pretendia ter uma relação das cadeiras feitas no curso até então. Basicamente, um "job for the boy". Isto antes do 25 de Abril de 1974, e numa altura em que o artista estaria debaixo de olhos por aqueles a quem chamava de "Filhos da P***", referindo-se à Polícia do Estado. Incomoda-me que exista este tipo de pessoas. Manuel Alegre é o protótipo de político que chama a si mesmo o papel de defensor de um Estado Social e equitativo, da governação justa e rigorosa por parte do Presidente da República. Congratulo-me por ser alguém que vejo como idealista. Um poeta. Só assim compreendo que alguém como ele acredite que esse é o caminho.
Num dos debates que tive oportunidade de assistir, dizia que nunca tinha votado uma revisão à Constituição Portuguesa. Pergunto-me se terá alguma noção do que isso envolve. Ou que medidas entende este poeta que deviam ser revistas e votadas. Aposto o que quiserem, que (e se) fosse eleito Presidente da República, iria passar mais tempo a pensar na poesia que na própria governação enquanto Presidente. É preciso determinação, força, inteligência...predicados que não revejo no MA. O que, mais uma vez, não deixa de lhe tirar o mérito enquanto excelente poeta. Para terminar, como pode um poeta, um tipo que fez uma revolução com cravos (e que se vangloria de ter feito parte da mesma), ser Chefe Supremo das Forças Armadas? É incoerente.
Há pessoas que deviam ter a noção do ridículo. FN é uma delas. É conhecido o seu excelente contributo para a humanidade e trabalho desenvolvido enquanto Presidente da AMI. E que, na minha modesta e humilde opinião, é desempenhada de forma ímpar. Um Presidente interventivo, que prefere vestir umas calças de "combate" a estar de fato Armani atrás de um secretária a assinar papelada. Gosto do estilo. Mas...só isso. Assisti ao debate entre o FN e o MA. Confesso que me divertiu o pouco que pude ver. Deu-me para rir. Especialmente quando se começou "a-medir-o-tamanho-das-pilas" relativamente ao número das missões em guerra nas quais já estiveram ambos presentes. Pensei que tivessem levado para o estúdio o curriculum das missões em que estiveram ao serviço da Pátria. Parece-me que o FN tem a "pila-maior-que-a-do-MA". Mas também é Presidente da AMI (daqueles que vai ao terreno), e o MA apenas cumpriu a sua obrigação enquanto militar numa qualquer comissão no Ultramar.
O grande handicap do FN é estar a concorrer ao cargo político de maior relevo na Constituição Portuguesa. E infelizmente não estar de todo preparado para tal. Não interessa aos portugueses as vezes que, no exercício da sua actividade profissional (e porque assim optou), tenha estado em cenários de guerra. Interessa zero. Dá-lhe sem dúvida alguma projecção, confere-lhe alguma imagem coragem, mas somente isso. Em termos de experiência na governabilidade de manutenção de um Estado coeso, com economia débil e muitíssimo sacrificada....contribui zero. E já há algum tempo que FN devia ter percebido isso.
Há outros candidatos a Belém. O objectivo das suas candidaturas é "cansarem" a candidatura de CS, como tive oportunidade de referir no início desta reflexão, o canditato que reune mais consenso. A analogia que vejo das demais candidaturas é alusiva aos "cães que ladram mas não mordem". E que no final do dia, como se sabe, convergirão todas no candidato à esquerda. Basicamente, uma prática comum que tem vindo a ser seguida, nas últimas eleições legislativas / presidenciais. Vários candidatos com o intuito de "criar ruído" e depois, aconselham o seu eleitorado a votar mais à esquerda / direita.
Uma jogada astuta..mas que na minha opinião...conhecida e que pode ser prejudicial.
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