domingo, janeiro 31, 2010

Concertos de Música

Os concertos de música são momentos únicos na vida de uma pessoa. Arrisco-me a dizer que quem nunca foi a um concerto de música nunca experimentou em pleno os seus 5 sentidos.

Há mais de 15 anos que ajudei a montar um concerto no estádio de Alvalade. Na altura em que ainda haviam concertos "à séria" nos recintos desportivos lisboetas - tipicamente estádios da bola. O staff que organiza e faz acontecer este tipo de eventos é inimaginável. Regra geral, esta equipa acompanha os grupos musicais nas tournées, montam palcos em menos de nada (com luzes, som instrumentos, electricidade, etc), contratam mão-de-obra local (e especializada) neste tipo de trabalho. Foi o que sucedeu na altura comigo. Através do irmão de um amigo meu, conseguimos reunir um grupo de zelosos e rapazes cheios de boa vontade e realizámos esse trabalho integrados numa empresa portuguesa que organiza e monta espectáculos. Naturalmente que fiquei siderado com o profissionalismo de quem faz aquilo com regularidade. A rapidez, a coordenação de trabalhos, tudo.

Uma pequena nota para diferença de constituiçao física da equipa de montagem dos grupos musicais e da equipa de montagem da "tugolândia". É como comparar um típico alemão ou sueco e um típico alentejano. Não obstante trabalharem bem os dois (com ritmos diferentes, claro). E com "combustíveis" diferentes: cerveja e vinho.

Com o avançar do dia, e com a montagem do palco concluída, tem lugar o check sound. São testadas as colunas todas debitando para a atmosfera uns largos milhares de watts. Acredito que quem more para os lados de Alvalade até seja bom, na medida em que ouve (mas não vê) "gratuitamente" o concerto. Em paralelo tem lugar o teste das luzes. Saliento que são equipas pluridisciplinares, sendo que há técnicos especialistas em som e técnicos especialistas em iluminação.

As portas da entrada abrem-se depois do almoço (sendo que alguns grupos de amigos já almoçam dentro do estádio). Com o cair da noite, tipicamente, a casa está composta. Ou espectadores solitários, ou casais ou grupos de amigos. No meu caso, experimentei as duas últimas alternativas.

O último concerto que tive oportunidade de assistir foi dos Rammstein. A minha banda de música preferida. Vale o que vale esta minha opção, mas como se costuma dizer, gostos não de discutem. Também não me preocupa que não entenda as letras das músicas (alemão). Sou apenas mais um fã entre milhões que não percebe. E a banda sabe disso, como pude comprovar numa entrevista do vocalista. E mais curioso, que a quase totalidade das músicas versam o amor.

Pegando no exemplo dos Rammstein, permitam-me informar que o vocalista é especialista em efeitos pirotécnicos. Posso igualmente afirmar que no concerto (único) que assisti deles, no pavilhão Atlântico e da primeira vez que estiveram em Portugal, foram lançados foguetes no interior do recinto, sendo que percorreram uma distância percorrida igual ao comprimento do pavilhão, e por cima da cabeça do público. Ou seja, sugere muita preparação, cálculo, saber sem dúvida o que se está a fazer. Achei um concerto brutal, com muitos efeitos especiais e claro,com muitos arrepios. Creio que será um "lugar comum", ter arrepios ao ouvir (e ver) serem tocada "as" nossas músicas ao vivo.

Para finalizar, não poderia deixar de observar o público. Pais que deixam os filhos bem comportados à porta do estádio, e que no interior do recinto do concerto se transformam após terem bebido algumas jolas (ler texto o meu texto sobre as bebedeiras). Deixam de existir inibições. Também há os casais que vão ver actuar aquele que foi o grupo responsável por algumas músicas que marcaram a sua relação. Ou simplesmente curiosos pela grandiosidade que envolve um concerto num estádio.

Por último, e ainda referente ao tipo de pessoas que vai assistir a um concerto, faz-me alguma confusão quem vai sozinho. Não entendo...será que se perdeu do grupo? Será que os amigos com quem tinham combinado à última hora desmarcaram e não apareceram? Será que está de mal com a vida e quer experimentar "encontrar-se" sozinho? Fico a pensar nisso. Pode também apetecer ir assistir o concerto sem ninguém, é certo.... Mas é pouco provável.

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sábado, janeiro 30, 2010

O Ambiente

Tenho para mim que há muito boa gente que está equivocada nas escolhas profissionais que fez em alguma altura da sua vida. Todos os dias penso nisso. São tantas as opiniões e teses defendidas relativamente ao meio ambiente que oiço na rua, que na minha opinião, o País faz mal em não aproveitar esta "massa cinzenta" e fazer com que a poluição deixe de existir por cá.

Infelizmente, o meio ambiente em Portugal (sem grande diferença no restante mundo), é um tema ingrato. É facilmente subjugado para segundo plano e não constitui uma prioridade. Muito se legisla sobre o meio ambiente, sem que em 99,8% das vezes  legislador tenha conhecimento real acerca da matéria que tem em cima da sua secretária. A eterna dualidade entre "teoria vs prática". O legislador desconhece o que acontece no "campo". O que acontece geralmente, é existirem leis desenquadradas e desprovidas de significado prático.

A certificação das empresas e pessoas, segundo determinados referenciais normativos ambientais também tem que se lhe diga. Em Portugal, o objectivo primordial é "obter o autocolante" para colocar nos carros da empresa e o papel que atesta que a empresa satisfaz os vários requisitos elencados nas normas, por forma a ser obtida a certificação. Trata-se de um mau princípio. Os únicos momentos em que as empresas satisfazem os requisitos são aqueles que antecedem as auditorias de certitificação/acompanhamento. Fora isso, não acredito. Não deixa de ser curioso constatar que quando há cortes orçamentais, o meio ambiente, a par e passo com o marketing é um dos departamentos que de imediato sofre baixas. Aliás, não são importantes para as empresas, como se sabe.

Deixei de acompanhar as coberturas televisivas acerca das conferências ambientais. Entendo que é uma perda de tempo. Prefiro ir ler um livro ou ir dar um passeio. Esta opção é tomada a partir do momento em que os USA não ratificaram o tratado de Quioto. Grosso modo, e sem entrar em grande detalhe, por altura da assinatura do tratado de Quioto estavam perfeitamente identificados os grandes poluidores mundiais. Claro que os americanos eram um deles. Indústria pesada, indústria transformadora, etc. Em alguns casos, passava apenas e só pela aplicação de filtros de partículas nas chaminés destas mesmas indústrias. Exemplo de uma das medidas. E ainda assim os USA entenderam não concordar com algo que a generalidade dos países ao nível mundial concordaram com vista à redução das emissões gasosas.

Desde há alguns anos que oiço falar do carbono. Da "bolsa de carbono". Basicamente, todos os países têm créditos / quotas de carbono. Quer sejam desenvolvidos ou em "vias de desenvolvimento" (esta terminologia recentes e adoptada de há uns anos para cá, deixa-me ansioso). Para facilitar o entendimento, no primeiro grupo estão todos os países ricos e industrializados. No segundo estão os pobres. E terminologia segundo a qual Portugal aparece lado a lado com a esmagadora maioria dos países africanos. Curioso. O que acontece não tem segredo algum: Os países ricos consomem rapidamente as suas quotas de carbono e depois compram as quotas dos países pobres. Simples e transparente.

Muito há para dizer sobre o meio ambiente. É gritante a impunidade que se vive em Portugal, face a autênticos crimes ambientais continuamente praticados por indústrias menos escrupulosas ou de "vão de escada". É menos oneroso pagar a coima do que resolver o problema ambiental. O industrial sabe disso, o inspector sabe disso, e todos vivem com a consciência tranquila e na Paz do Senhor.

Para os mais distraídos...sou licenciado em engenharia do Ambiente, donde, "teoricamente" terei se saber algumas coisas sobre o tema.

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Os Cromos

Não é preciso entrar em grande detalhe sobre quem são os cromos. Facilmente são identificados no meio de uma multidão. O sapatinho deles com a biqueira em bico ( ou biqueira cortada), o cabelinho rapado ou rapado e puxado para a frente conferindo não raro um ar deficiente mental, o brinquinho (às vezes nas duas orelhas), ou então as calças com cintura descaída, as botas a imitar as famosas timberland desapertadas e um look qual cantor de qualquer boys band rasca faz-me sentir nauseado e com vontade de bater com a cabeça numa quina viva. Elas com as unhas das mãos (e às vezes pés) com flores e sem a mínima percepção das medidas das roupas que podem usar também  é algo bonito de se ver.

No meu entender, há culpados. São os amigos dos cromos e com quem eles e elas vão às compras. Uma pessoa que diz à Carina que pesa 130 kg que aquela mini-saia da Mango lhe fica a matar, não é amiga dela. É inimiga. É uma pessoa que não tem coração e quer que a Carina seja ridicularizada e objecto de chacota quando chegar na Segunda-Feira ao posto de saúde onde trabalha como auxiliar. Só pode. Da mesma forma que quando dizem ao Valter que aquele fato justinho no rabo fica a matar com o sapato imitação  Miguel Vieira, também não estão a desejar um futuro auspicioso lá no banco ou na seguradora onde o moço trabalha.

É lamentável que ninguém diga aos cromos que são pessoas desprovidas de bom senso. Ou simplesmente que lhes abram os olhos que têm na cara e percebam o quão ridículos estão. Não se trata de ser elitista ou selecto. Trata-se de chamar as bois pelos nomes e de perceber que há situações em que o ridículo impera e é uma constante na vida de algumas pessoas.

Outra situação que também é engraçada, é quando o Valter resolve ir com a "patroa" (a Carina) até ao Colombo ou Vasco da Gama. Pára tudo. A Carina entende que tem de ir mais aperaltada do que costuma ir ao café lá do bairro depois do jantar. O Valter vê nesta ida uma possibilidade de ver outras "chavalas", bem como de tirar o carvão do tubo de escape do carro dele. O Valter mantém uma paixão secreta pelo carro que tem, tendo o mesmo 1000 cavalos debaixo do lustroso capot. E assim seguem em ritmo estugado a sua viagem, com destino a um qualquer centro comercial e acompanhados de uma boa e audível kizombada. O passeio não demora muito no centro comercial. Como habitualmente,o Valter faz questão de tirar da sua bolsa que leva debaixo do sovaco (que a mãe da Carina lhe deu) a carteira para comprar o jornal  "A Bola" para ler na manhã do dia seguinte, bem como a revista "Maria" para a Carina ler lá no posto de saúde.

As noites de final de semana são marcadas pelas incursões obrigatórias às Docas durante o ano inteiro, bem como a todas as discotecas da Margem Sul na época balnear. Aí sim...a Carina pode exibir orgulhosamente o seu peito, atestando o quão benevolente foi Deus consigo, e usando tops 4 números abaixo. Já o Valter, não abdica da calça de linho branca, camisa preta aberta até ao umbigo e sandália preta de enfiar o dedão.

E poderia continuar por aqui adiante...mas acho que passei a ideia.

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quinta-feira, janeiro 28, 2010

Informática


Uma das relações "amor/ódio" que mantenho conscientemente. Abomino computadores, mas reconheço que são um mal necessário.

Já pensei em inscrever-me nesses cursos de familiarização que a minha Junta de Freguesia de forma zelosa e preocupada coloca ocasionalmente na minha caixa do correio cá de casa. Infelizmente, a minha disponibilidade temporal não é a mesma daqueles que certamennte seriam os meus colegas de turma. Quase que adivinho que a Dona Adélia e o Sr. Jaime, reformados, com mais de 65 anos e colegas de turma da minha mãe nos Arraiolos ficariam radiantes por me ver como colega na turma de informática. Estou convicto e é com grande tristeza minha que não poderei explorar todas as potencialidades que a informática me poderia transmitir. E claro, cimentar laços de amizade com pessoas novas. E extremamente válidas.

Há episódios que me ficam na memória. Lembro-me de há uns anos ter muita informação numa pendrive (essas coisas que se vendem nas lojas de informática, e que servem para gravar ficheiros informáticos e andar com eles no bolso da camisa). Fiz durante um brilharete nas apresentações da faculdade na medida em que tinha ali a licenciatura inteira. Tudo. Estava ali a minha vida académica. Um belo dia, tirei a tal pendrive sem fazer a chamada "Remoção Segura". Em menos de nada, corrompi a informação académica respeitante a uma licenciatura das antigas, ou seja, 5 anos com muito cabelo branco ganho e muitas noites mal dormidas. Deve ter sido por altura que passei a dormir pior e perdi algum cabelo tal não foi este stress. Consciente e preocupado com a condição da minha pendrive, fiz aquilo que tinha de ser feito.  Levei a mesma a uma dessas clínicas informáticas dos centros comerciais e ansiosa e atabalhoadamente expliquei ao técnico da bata branca o acontecido. Admito que deva ter faltado pouco para o técnico me dar um abraço e um beijo consolador, de tal forma me sentiu desolado. Expectavelmente, o resultado não poderia ter sido pior. De cerca de 10000 ficheiros recuperei menos de metade. E dessa quantidade, estavam incompletos. Parte da minha licenciatura esvaiu-se para todo o sempre. Ou parte de mim, se preferirem.

Não obstante este episódio infeliz na minha existência, reconheço que existem variadíssimas utilizações da informática. Aliás, não concebo a actualidade sem computadores. O que sucede, na minha opinião, é que integro uma geração cujo ensino foi feito sem recurso a computadores. Cresci na era informática, mas é certo que não nunca troquei um café ou um jantar com uma jeitosa para jogar Spectrum, ou qualquer jogo da bola ou simulador de vôo, para no outro dia ter uns olhos tipo sapo e chegar ao final do Verão sem estar bronzeado (Sim..às vezes vou à praia)...Nunca tive paciência para esses "filmes". Às vezes penso que devia ter tido. O que acontece hoje em dia, não raro, é que qualquer miúdo com menos uns anos valentes mexe num computador de olhos fechados.

Resumindo, tive de me adaptar de acordo com as minhas necessidades. Tenho um conhecimento informático limitado e perfeitamente confinado. Sem cursos de informática na Junta de Freguesia (onde tenho para mim a suspeita firme de que o/a formador/a seria consideravelmente mais jovem que eu). O que faço? Recorro ao google/amigos sempre que tenho alguma dúvida, e até hoje, tenho-me dado bem.

Estou em crer que daqui por 10 anos quem não souber mexer num computador...será analfabeto!

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quarta-feira, janeiro 27, 2010

Baixa Lisboeta

Desde sempre que me lembro de ir à baixa lisboeta. Ou sozinho, ou com os pais e irmão, ou com namoradas (é um spot obrigatório). Para quem conhece, sabe do que falo. É um must go. Para quem aprecia o comércio tradicional, valoriza determinadas marcas ou gosta de certos rituais / tradições,  tem um fiel alfaiate / costureira...encontra tudo na baixa.

A baixa lisboeta de hoje, como seria de esperar, não é a baixa que me lembro há mais de 30 anos. A ida à baixa, semanalmente com os meus pais e irmão era pautada pelas visitas matinais a determinadas lojas / livrarias, bem como às visitas da parte da tarde à Igreja de Santo António (missas vespertinas), e ainda, e com uma regularidade anual, as idas à Sé, por altura da Vigília Pascal e da Missa do Galo. Marcas indeléveis, portanto.

Como se percebe do que relato acima, há rituais que ficaram aprisionados na minha memória. Exemplo disso serão os vários Sábados. E estas incursões, fizeram com que ficasse um gosto especial por esta zona da capital. Várias foram as vezes que já percorri a Avenida da Liberdade a pé. E em todas elas senti e sinto prazer em fazê-lo.

Não posso deixar de aludir ao facto de cada vez mais adorar viver em Lisboa e de me considerar o munícipe mais orgulhoso e zeloso que vive nesta cidade. Considero-me um cidadão exemplar, que não só tem um papel activo mas também interventivo naquela que é a dinâmica da minha tão querida Câmara Municipal. Assim sendo, não poderia deixar de endereçar um agradecimento público e um apertado abraço a todos os Presidentes que já passaram pela minha (nossa) Câmara Municipal, e que anualmente me brindam com as cada vez maiores árvores de Natal que se montam no Terreiro do Paço. Deve ser por isso que a contribuição municipal é anualmente agravada. Nada me pode dar mais prazer (a não ser o visionamento da "Música no Coração" pela 590ª vez). Desta feita, penso não raro porque é que não me ligam questionando se não tenho alguma ideia alternativa onde gastar o dinheiro dos munícipes (e meu). Aliás, e em bom rigor, suspeito que não estará muito longínquo o dia em que alguém terá de informar os controladores de tráfego aéreo que naquele ano a árvore de Natal vai entrar para o Guiness e que convém "telefonar" para os aviões alertando-os que devem proceder para Beja ou Porto para aterrarem..

Vibro igualmente com delicioso caos que este tipo de eventos pensado durante um ano inteiro pode provocar no tráfego já de si problemático desta cidade. É qualquer coisa de me dar vontade de arrancar fio de cabelo a fio de cabelo. Este Natal (e se não me esquecer entretanto), vou escrever ao meu amigo de todas ocasiões (e sempre disponível) António Costa. Dá gosto viver num Município com dinheiro. Que se pode dar ao luxo de esbanjar o mesmo em KW de electricidade..Ou de desperdiçar água no Verão...com aspersores ligados durante 24 horas.

É de louvar a ampla requalificação da baixa lisboeta. Em especial do "eixo" Bairro Alto - Chiado, embora tenha uma dificuldade em entender o porquê de alguém escolher morar num prédio sem elevador, com escadas de madeira com degraus tão curtos e tão juntos que quase se toca com o queixo quando se sobem as mesmas..Ah..e sem estacionamento. A ideia de ter de deixar o carro a quilómetros de distância, e vir a pé com 200 sacos do Continente (ou Lidl)...à chuva / frio...custa-me a digerir.  Não consigo entender..Certamente existirá uma explicação lógica que me escapa.

Por último, ainda hoje li que os parquímetros desta zona da cidade vão ficar mais caros. Ainda recentemente fiz o trajecto Avenida de Roma - Bairro Alto - Avenida de Roma a pé. Não morri...e disfrutei bastante...

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terça-feira, janeiro 26, 2010

Fotografia

Desde o passado ano que tenho o equipamento para tirar fotografias. Tenho o equipamento para tirar excelentes fotos, ao nível das melhores revistas, mas ainda não tenho o jeito. Ou por outra, estou empenhado nessa tarefa.

Desde há alguns anos para cá que tenho vindo a usar uma máquina fotográfica digital pequena, daquelas que cabem no bolso de trás das calças. Um pouco efeminado, tenho de convir. Mas prática. Quer para exposições de automóveis / profissionalmente, quer para um final de semana fora em que não se pretende andar de um lado para o outro com um "canhão". E é mais prática do que aquela que comprei o ano passado.

Convém explicar a razão que me levou à  compra de um equipamento melhor. A um nível profissional, pois claro - e que permitiu um rombo imediato e significativo na minha conta bancária. Há um tipo de fotografia que aprecio particularmente, o chamado panning. Na gíria dos fotógrafos, este é aquele tipo de fotografia em que o fotógrafo foca o objecto em movimento e esbate ou "borra" o fundo da fotografia. Como resultado final transmite-se a sensação de velocidade. É uma fotografia que pode ficar muito bem, assim o fotógrafo consiga captar "o" momento e saiba o que está a fazer.

Por ocasião da primeira vez que fui ao Porto assistir à primeira vez que a Red Bull trouxe os aviões, levei a minha máquina digital pequena. Sim, aquela que falei em cima. Nesse ano consegui ter acesso a uma das tendas VIP que por lá estavam. Fui despreocupadamente bebericando uns Martinis e mordendo uns folhados de salsicha e uns croquettes deliciosos. A zona bem estava frequentada (se é que me entendem)..e aqui o vosso amigo tem de aproveitar estes pequenos prazeres da vida. Assim sendo, não me preocupei em encontrar um lugar onde tivesse uma vista desafogada para o objectivo que me levou ao Porto - Tirar uma fotografia "daquelas", para depois vender a um jornal aí por uma fortuna grande. Nem sequer me preocupei em ver qual a melhor zona para o conseguir. Aquele ambiente subiu-me mesmo à cabeça e nem sequer pensei mais nisso. Lembro-me que próximo da hora do início da prova,  me ter posicionado estrategicamente à beira-rio com um sorriso gozão, e ter pensado "Vamos lá então tratar aqui do assunto". E foi aqui comecei a perceber que algo estaria em falta.

Quem vai fotografar aviões, ou carros rápidos, sabe ao que vai. E vai "munido" para tal. O olhar com que alguns fotógrafos olharam para a minha máquina fotográfica e esboçaram um sorriso condescendente, e é o mesmo que os meus pais me terão feito quando com 5 anos lhes disse que estava determinado a casar com a Mónica lá do colégio onde andava. Também não me vou esquecer das faces rosadas (esforço) e da cara suada de alguns fotógrafos, por terem tido de correr com mochilas do seu equipamento fotográfico às costas, no meio das verdadeiras multidões de seguidores que o Red Bull consegue mover. O momento alto deste dia foi quando, estando eu de braços cruzados e à espera que começasse o espectáculo, começam a ver sair objectivas de meio metro, montadas máquinas profissionais. Morri para o mundo. Quando vejo esse tipo de objectiva montada nestas máquinas...percebi que aquela canalha não estava ali para brincar. Estava ali para trabalhar. Estamos a falar de objectivas com lentes que permitem uma aproximação tal que dá para perceber se o piloto escanhoou bem a barba ou não.

Impávido e sereno, sem desarmar, retirei timidamente a minha máquina do bolso traseiro das calças. Retirei-a da bolsa rígida e pús a alça à volta do pulso direito. Passou o primeiro avião. O melhor e mais nítido que consegui fotografar para a posteridade, foi o fumo que deixou. Ok, estamos a falar de aviões que atingem facilmente os 400 km/H.

Em todas as passagens de aviões ouvi distintamente os "clics" qual metralhadoras da várias máquinas que me rodeavam. Entretive-me a ir tirando fotos ao rio e à moldura humana da outra marge. Boas fotografias. Sempre dá uma ideia das pessoas que lá estiveram. Mas de aviões...zero.

O ano passado acabou a brincadeira. E decidi que não ía passar nova vergonha. Assim sendo fiz a tal aquisição que mencionei lá atrás.. E fui de novo ao Porto. Se na vez anterior tinha ficado muito bem posicionado em termos de vista, desta feita fiquei do lado do Porto, que, e para quem conhece a prova e o tipo de espectáculo, não permite ver quase nada. Ou seja, "pérolas a porcos". Tirei as fotos que me foram possíveis e tendo em consideração a posição em que me encontrava. Muito pior que da vez anterior!

Este ano ainda não saí para tirar fotografias. Não por falta de vontade, mas porque ainda não consegui uma conjugação de disponibilidade temporal e boas condições climatéricas. Valha-me o ano ainda agora ter começado...e faltarem 11 meses para o seu final...

E claro..."afinar" o jeito.

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segunda-feira, janeiro 25, 2010

Telefone


Perdi a conta do número de telemóveis que já tive até hoje e desde os meus 19 anos. Contrariamente à esmagadora maioria das pessoas que conheço, que tem o mesmo telefone durante 40 anos. Admiro essas mesmas pessoas. As teclas do telefone gastas, sem se verem os números já decorados. O ecrán baço e riscado. O telemóvel com o corpo gasto do uso intenso. Ou por outro lado, os cuidadosos, que mantêm os telefones imaculados. Com a película protectora do écran, e protecções plásticas para as teclas...

Hoje em dia, não raro, vejo crianças com 10 anos com telefones na mão. Dizem-me os entendidos na matéria (Pais), que é uma forma de os filhos comunicarem e serem contactados. Gosto desta teoria. Chamo-lhe de controlo parental. Não me parece que com 10 anos uma criança tenha necessidade de ter um telefone. Ou que use o mesmo para dar ordens de compra e venda de obrigações do Tesouro. Passei 19 anos sem telefone algum. E cresci sem problemas. Sempre consegui comunicar quando precisei. Quando passei a ter telemóvel...deixei de ter liberdade! Isso sim!

Tenho uma relação muito próxima com os telefones, e que facilmente adquire alguns contornos de insanidade. Tenho gosto em ver regularmente as novidades das várias marcas. As funcionalidades dos novos modelos. As potencialidades dos mesmos. O seu tamanho. Se têm organizador de tarefas. Os alarmes, os sons, etc. Mapas comparativos de 900 modelos diferentes. Perco tempo com isso. E claro, a "prova dos nove" culmina com a minha ida a uma loja perto de mim e "sinto" o telefone. Aí sim, é estabelecido e completo o binómio telefone <-> Homem. Para desespero de quem comigo vai às lojas...

Não obstante tudo o que menciono acima, acho pornográficos os preços que se praticam hoje em dia pelos telefones. O mais recente produto da marca da maçã "ratada" é mais que um ordenado de muitos portugueses. E não é isso que faz com que as vendas do mesmo decresçam. Muito pelo contrário. Quanto mais caro, mais cobiçado e mais vendido. A crise não afecta todos.

Desde há algum tempo para cá que me irrita de sobremaneira o toque dos telefones. Não entendo porque é que os telefones têm som. Deviam apenas e só vibrar. Deviam ser proibidos os toques da Shakira, hinos dos vários clubes da bola e assobios variados. Não consigo encontrar nada mais irritante que no meio de uma formação, ou reunião começar a tocar um telefone. Só mesmo aqueles romenos que me sujam o vidro da frente nos semáforos da cidade de Lisboa...

Parece-me claro que há vencedores no meio desta conversa toda. As operadoras. Que têm o monopólio das telecomunicações. Dificilmente outra operadora consegue penetrar neste negócio lucrativo e partilhado pelas três maiores. Atingem-se máximos históricos anuais por altura do Natal. Todos os anos recebo sms de pessoas com quem não falo há anos. Passo por mal educado e não respondo. Prefiro fazer um telefonema. Preferencialmente quando as linhas estiverem descongestionadas. É outro dos problemas típicos dessas alturas festivas...E claro...ainda comercializam outros produtos: telefones topo de gama a preços mais baixos mas com obrigação de fidelização, toques, etc. Para encher o olho, pois claro.

Por último, um pedido  para aqueles que apreciam conferir um toque pessoal aos seus telefones..Não o façam. Telefones com guitas da loja do chinês (para permitir que os telefones andem ao pescoço) é muito mau. Ou colar a bonecada da criançada lá de casa nas costas do telefone, piora ainda mais...sendo que a "cereja no topo do bolo" são as meias de lã para os telefones....não vão os mesmos apanhar uma constipação com este tempo adverso que se tem feito sentir.

Haja paciência...E bom gosto!!

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domingo, janeiro 24, 2010

Tabaco

Deixei o vício do tabaco desde Maio passado. Não fez ainda um ano, mas sinto ter recuperado o olfacto e o palato. Não falo dos restantes sentidos, porque não fumo com os olhos, com as orelhas ou com as mãos (os dedos só seguram o cigarro)...

O acto de fumar é vital e faz-nos ficar adultos mais depressa. Foi isso que  pensei no alto dos meus 15 ou 16 anos quando dei a primeira passa num cigarro. Nada mais errado e medíocre. Comecei pelo SG Filtro, tabaco forte, e considerado tabaco para homens de barba rija. Nessa altura teria ainda a penugem no buço. Não obstante, e após vários ataques de tosse em que estive na iminência de  apoplexias, lá fui começando  a conseguir fumar sem dar espectáculo aos transeuntes e a travar o fumo convenientemente. Posso dizer com propriedade (e sem orgulho) que devo ter fumado todas as marcas de tabaco que são actualmente comercializadas . Ou por ter comprado, ou por ter cravado (raras vezes).

Ironia do destino...comprei o meu primeiro maço de tabaco (e alguns subsequentes) no quiosque à porta do IPO de Lisboa. Do outro lado da rua era o prédio onde tive durante alguns meses as explicações de matemática. Lembro-me de alguns desses maços se terem perdido nas minhas calças que iam para lavar. E invariavelmente dizer à minha mãe que era tabaco de algum amigo ou amiga que me tinha pedido para guardar. Acho que nunca acreditou.

Tardiamente percebi os efeitos nefastos do tabaco. Não falo dos conhecidos efeitos na saúde. Falo do cheiro do tabaco que fica nas mãos e torna os dedos amarelos. No cabelo, no bigode (quando usava barba e lembro-me de reparar nos bigodes dos velhos amarelados), na roupa, na casa..no carro. Num dos carros que tive, um conhecido meu deixou cair um borrão no assento, queimando-o...consequentemente esteve quase para ser sovado.

Até hoje consegui deixar de fumar duas vezes. Em qualquer uma delas, recomecei por situações estúpidas, do estilo de interiorizar que ía apenas e só fumar "aquele" cigarro que me apetecia naquele momento. E claro...recomeçar tudo.

Desta vez creio ser diferente. Deixo de fumar numa altura em que me sinto mais maduro. Com mais força de vontade. Porque conheço dois casos próximos de cancro de pulmão e sei o quão fulminante pode ser este tipo de carcinoma. Consigo igualmente imaginar a agonia do fumador inveterado, e que de um dia para o outro se vê privado da sua dose diária de nicotina. Ou que num estado mais extremado, vê a superfície pulmonar severamente reduzida e consequentemente menos ar inspirado..o que leva à tão conhecida dificuldade na respiração (dispneia).

Não digo que não volte a fumar. Aliás, hoje em dia acredito que a palavra "nunca" deve ser muito bem doseada. É preciso ter-se um grau de certeza que nem sempre se tem. Acredito que estou no bom caminho para não voltar a fumar. Interiorizei que não o quero fazer. Tenho neste momento um maço de tabaco cheio, à minha frente, e não tenho vontade de fumar. Um pouco no seguimento do texto sobre a "Força de Vontade". Ah..muito embora não me incomode o fumo, advogo a teoria do Macário Correia..que "Beijar uma mulher que fuma é como lamber um cinzeiro"...

De qualquer das formas, tenho vindo a amealhar uns trocos. Quem sabe um dia possa ir ali ao Entreposto com alguns sacos de moedas e comprar um Porsche 911 Turbo...

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sábado, janeiro 23, 2010

Jogo

Devo fazer a ressalva de que nunca fui viciado no jogo. Acho um vício triste e que não raro "delapida" patrimónios de famílias. Tal como outros vícios conhecidos o farão.

Quando quero observar o que a ansiedade de ganhar ou a tristeza de perder provoca no ser humano, vou aquele que considero o melhor observatório de todos - Casino do Estoril.

O Casino do Estoril existiu sempre. Creio que o Stanley Ho o terá construído no início de todas as coisas.... Trata-se de uma marca indelével na nossa história. Li há uns tempos atrás, um testemunho (entre tantos outros que terão já acontecido) daquilo que este vício desmesurado pode ter como consequência. Impressionante. E triste.

Das poucas vezes que fui ao Casino, troquei sempre uma pequena quantia de dinheiro. Sou do tempo de trocar uma quantia ridiculamente pequena por "chapas" para jogar nas máquinas das frutas e ir derreter a mesa nas máquinas "livres". Livres, entenda-se, são aquelas que não têm a cadeira inclinada, ou as chaves do carro/casa na ranhura das moedas. Pois é. Aqui começa o fanatismo. Para quem não conhece, esta é a forma de "marcar" uma máquina "vencedora do jackpot", qual cão marca o seu território. Falo em máquina vencedora, porque o verdadeiro viciado recebe sinais divinos de que na jogada a seguir lhe vai sair o jackpot. Não raro, recebe "sinai"s para marcar 3/4 máquinas à sua volta.

Os meus "excessos" relativamente ao jogo tiveram lugar nos bingos. Não porque gastasse dinheiro no jogo, mas porque cheguei a aproveitar as minhas idas aos bingos para meter uma "bucha" e uma "jola" nos intervalos de alguns cartões (não me sentia afortunado) e me deliciava a ver o ar compenetrado das pessoas à minha volta. O bingo é daqueles jogos perfeitamente enraizado nos costumes portugueses e em que é normalíssimo nos sentarmos na mesma mesa com 3 casais com as idades mais díspares possíveis. É naturalmente um jogo levado a sério pelos mesmos. Não se fala, não se comenta, não se tosse. Eu tenho dificuldade em verificar dois cartões do bingo. Os habituées compram dez de cada vez..

De resto não aprecio jogos de azar. Acho que há uma probabilidade ínfima de se ganhar contra uma probabilidade enorme de se perder. Ou seja, serão raríssimos os casos de pessoas que gastaram pouco dinheiro e ganharam muito. Normalmente, quando tal  acontece, "curiosamente" tem lugar na China, ou num outro país suficientemente recôndito para que tal seja publicitado e ninguém tenha a veleidade ou o interesse em querer saber onde é ou quem ganhou.

Para concluir, um comentário ao euromilhões. Mais um engano. E mais uma fonte de enriquecimento da Santa Casa, a meu ver. Para que seja possível e exista a probabilidade de se ganhar algo, é preciso jogar. Para se jogar, é preciso gastar dinheiro...Todas as semanas....

....E finalmente é precisa a sorte. Que nem sempre existe!

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sexta-feira, janeiro 22, 2010

Cinema

A 7ª Arte. Uma das minhas maiores paixões. Não me venham falar em sistemas de "home cinema", ou "dolby surround" com 90 colunas e 10000 watts de som e um telão. Nunca, mas nunca será a mesma coisa que uma sala de cinema. Até porque esta última é construída de raíz para ter uma determina acústica, e que foi projectada e dimensionada para este tipo de espectáculo específico.

Desde miúdo que me fascina o cinema. Acredito que algumas das minhas namoradas tenham percebido isso enquanto duraram os relacionamentos. Gosto de ir ao cinema semanalmente, e em especial à última sessão das Sextas-Feiras. Religiosamente. Por variadíssimas razões, foi um hábito que perdi durante um período de tempo da minha singela vida. Contudo, estou determinado a mudar esta tendência. E a começar (como em tantas outras coisas) já no primeiro mês do ano maravilhoso que vai ser 2010.

Estar no cinema, esticar as pernas e ver um bom filme é algo que me tranquiliza e me faz abstrair do restante mundo durante o tempo em que assisto o filme. Alheio-me da realidade. Não raro, personifico o papel de algum personagem (homens, claro) e vivencio as mesmas sensações. Tenho para mim que qualquer cinéfilo vivenciará o mesmo. Não abro mão do pacote médio (ou grande) das pipocas. Lamento, mas é algo que é mais forte que eu. É como ir ao restaurante chinês e ter de obrigatoriamente pedir uma Coca-Cola...(no cinema é igualmente a minha bebida). Irá ficar gravada na minha memória uma situação em que estava a assistir um filme ali no Quarteto e eis que alguém logo atrás de mim tirou..um tupperware de sopa. Momentaneamente pensei estar nos apanhados. Mas não...acho que foi episódio único. Por mais tempo que viva não voltará a acontecer comigo um episódio destes...

Como actores preferidos: Jack Nicholson, John Travolta, Rober de Niro, Al Pacino, Nicolas Cage, Morgan Freeman, Denzel Washington, Russell Crowe, Liam Neeson, Ben Kingsley, Ralph Fiennes, entre outros que não me recordo agora. Estes serão os principais.

Como tipo de filme, sem sombra de dúvida, e no topo dos gostos, filmes que versem a II Grande Guerra ou o "Nam". Logo de seguida, filmes de acção, que metam alguma trama e "agarrem" o espectador até ao fim (Oceans Eleven é um bom exemplo).

Em termos de realizadores...Tarantino, Coppola, Spielberg. Pouco mais.

That´s All Folks!

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quinta-feira, janeiro 21, 2010

Hábitos de Leitura e Escrita

Este é um tema controverso e que melindra muito boa gente. Na maior parte das vezes aqueles que não gostam de ler. Ou que escrevem mal.

Tenho tido oportunidade de ao longo da minha vida me deparar com verdadeiras pérolas do língua "camoniana". Verdadeiros achados da nossa língua, e que certamente seriam merecedores da melhor atenção por parte de qualquer comissão de revisores da língua portuguesa. Exemplos não faltam: voçê, ancioso, portelar, gustar, preturbar, entre outros exemplos célebres. Não consigo reproduzi-los. Nem conscientemente. E não falo de erros simples ou derivados da pressa. Falo de erros graves, ortográficos, gramaticais, por parte de professores, de amigos (as), colegas, televisão...em todo o lado.

Outro tipo de linguagem que começa a ganhar um protagonismo relevante, é sem dúvida, a escrita abreviada. O "ke", "keres", "bjo", "Bjokas", veio para ficar. Infelizmente. É certo que com a proliferação das mensagens de telefone, nem sempre é exequível ou simples a escrita de uma palavra com todas as letras...mas também não deve ser adoptada uma escrita demasiado simplificada. Ao nível da minha prima de 16 anos.

A explicação para tudo isto, reside no facto de em Portugal não existirem os hábitos da leitura nas camadas mais jovens. Nos velhos, aplico a máxima de "Burro velho não aprende línguas". Não há volta a dar. Muito menos paciência por parte dos mesmos. Já os mais novos...devem ser incentivados (e obrigados) a ler, a fazer redacções, ditados, por forma a escrever e falar correcta e fluentemente a língua portuguesa.

Ah..quanto à célebre desculpa do "não ter tempo"....fico regra geral nauseado e com a "visão em túnel". Quer-se dizer...Não há tempo para ler algo bom, bem escrito, mas há tempo para ir aos saldos, ou tomar café, ou ao cinema. "Ah, mas e tal, eu não tive livros quando era mais novo"...é a mesma coisa que justificar um atraso sistemático pelo facto de não ter um relógio bom ou certo. Tem a sua piada a argumentação variada e justificativa para a iletracia... Eu cheguei a alugar livros com a minha mesada, em bibliotecas itinerantes que passavam no Alentejo...Em detrimento de comprar livros de bonecos (Pato Donald) ou ir jogar futebol...

São opções...

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quarta-feira, janeiro 20, 2010

Bebedeiras


Confesso que hoje em dia me recordo com saudosismo das valentes bebedeiras que já apanhei. Daquelas que certamente ficarão guardadas nos anais da história. E das quais recordo do que comecei a beber, mas não me recordo terminei a beber. Em bom rigor, e para quem já se embebedou, a dada altura, o que desce na goela parece água.

Uma das razões pela qual se bebe tem que ver com a emancipação. Quer neles, quer nelas. Se alguém está num grupo de amigalhaços que bebem, é quase que obrigatoriamente beber-se para não dar parte de fraco(a). Não raro, vêem-se mais garrafas de cerveja numa mesa de jantar de um grupo de jovens adolescentes que na prateleira desta bebida num hipermercado. E claro..aquele nerd que entra mudo e sai calado das salas de aula do 7º ano, nesse dia, nesse momento, retrata-se no George Clooney. E declara-se aquela que é "só" a miúda mais gira da turma. Que natural e obviamente o acha ridículo.

Lembro-me de há cerca de 18 ou 20 anos ter sido convidado para um jantar de uma miúda giríssima (posteriormente ficou amiga). Até hoje acredito ter sido convidado por ela por estar ao lado de dois amigos meus que foram convidados. E obviamente não poderia deixar de aceder prontamente ao repto. O jantar correu bem e lembro-me de ter bebido bastante. Demais para mim. O que é certo é que quando dei por mim estava numa das discotecas lisboetas mais badaladas na altura, e claro, completamente ébrio lembro-me de ter conversado com outras miúdas mais giras do liceu. Nessa noite...estava imparável..que nem me lembrava no dia seguinte do que tinha conversado horas sem fim. Penso com alguma distância que deverei ter dito coisas giríssimas e com todo o nexo (mais do que quando sóbrio, pela amostra), porque desde esse dia..não só me começaram a falar mais, como alguns dos meus colegas me passaram a respeitar e a lançar olhares de inveja. Um aspecto positivo da bebida..desinibidor.

É claro que existem os chamados efeitos "perversos" e/ou nefastos da bebida. Dizer-se o que não se quer ou o que não se deve, será um lugar comum. Não ser capaz de controlar o vómito à frente daquela pessoa com quem queríamos falar há tanto tempo...é um tiro no pé..com uma possibilidade imensamente remota de reverter o mau aspecto nos 40 anos subsequentes.

Para terminar, julgo ser importante reter que cada vez mais cedo se começa a beber. E cada vez mais são os casos de emergência médica - coma etílico. E claro...com consequências óbvias ao nível mental.

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terça-feira, janeiro 19, 2010

Petisco


No texto anterior mencionei, e tenho para mim que a ocasião do petisto é uma justificação tão boa como qualquer outra para confraternizar com os amigalhaços do peito. Depois de um dia "secante" de praia (ver texto anterior), eis que chega a altura de molhar a goela com umas jolas e deixar a imaginação fluir (e experimentar) os vários petiscos.

Felizmente para a minha saúde, não gosto de todos os petiscos. Se todos gostássemos do azul, o mundo não tinha piada!! Gosto de caracóis, mas não gosto de caracoletas. Gosto de amêijoas à Bulhão Pato, mas não adoro lagosta. Gosto de salada de polvo ou salada de ovas, mas dispenso o berbigão e as pernas de rã. Gosto de morcela assada, de navalheiras, pipis (o petisco, claro), moelas, orelha, etc. Nesta altura, e por altura do meio da refeição, o meu colestrol já está tão alto como a taxa de desemprego em Portugal...

Lamentavelmente, quis a vida que não seja dotado para a cozinha como é o filho do Michel ou o Olivier. Se quiser fazer um brilharete a alguém que convide para minha casa, não vou muito além de excelente salada de atum com maionese, ou uma salada russa que julgo ser digna de um louvor culinário. Ou as minhas famosas tostas mistas. Resumidamente, ninguém morre à fome...mas ainda estou um pouco distante de conseguir fazer um petisco memorável.

Assim sendo, e enquanto não tenho essa inspiração divina...sai um dose de amêijoas à Bulhão Pato e uma jola para a mesa 5!!

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segunda-feira, janeiro 18, 2010

Praia

Pela primeira vez em 34 anos, em 2009 não fui à praia. Não fui porque decidi, de mim para mim, que 2009 seria o primeiro de vários anos em que ninguém me mete mais a vista em cima em qualquer praia portuguesa. Zanguei-me a sério com a praia.

Para mim, ir à praia é um suplício. Começa a partir do momento em que saio de casa cedo, de manhã, (não entendo como há pessoas que conseguem ir para a praia à hora de almoço), e em que toda a gente sai do emprego, casa e se põe à estrada, para provocar filas de trânsito. Obviamente que não tarda fico impaciente e não tarda muito em que tem início a minha ladainha expiando todos meus pecados dos últimos 17 anos. Normalmente, e associado ao anterirmente mencionado o poder de encaixe diminui drasticamente, e entro num estado de mudez e catatónico.

Chegado à praia, uma de duas situações pode acontecer (e acontece invariavelmente comigo): ou está à pinha (como sempre nos dias de calor), ou está vazia. Neste último caso penso mais uma vez que só um otário como eu vai para uma praia vazia à espera que o tempo levante!

O contínuo e irritante barulho das crianças mal educadas, as gargalhadas dos boçais na zona circundante à minha toalha fazem-me exasperar e perder a paciência remanescente.

Também não deixa de por mim ser constatada a curiosa escalada de preços da comida na praia. Decerto que quem vende as batatas fritas ou os gelados, pensa ser mais inteligente que os demais utentes da praia, nos quais me incluo. Em algumas situações, já me aconteceu pensar que um assalto teria sido menos ofensivo do que os preços praticados em algumas barracas. Irritado, e a caminho da toalha, tenho não raro de enterrar os pés na areia para os não queimar, e enquanto percorro esta distância, fustigo-me mentalmente e dizendo mal da minha vida, por me ter esquecido de fazer duas ou três sandwiches para evitar este tipo de evento.

No final do dia, um trânsito imenso, para sair da praia. Piora tudo quando não tirei todo o sal das costas e começo a sentir o mesmo na t-shirt.

A única altura boa de um dia de praia é mesmo o petisco com os (as) amigos (as), ou seja, o final.

Nada mais. O resto do dia dispenso.

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domingo, janeiro 17, 2010

Os Buracos

Não sei como a maioria das pessoas convive com os buracos das estradas. Eu convivo mal. Aliás, lido mal com as estradas que têm desníveis, irregularidades e claro, buracos. Acabei de empenar uma jante do meu carro. Uma cratera numa estrada, tentei desviar, não fui a tempo e claro, empeno.

É gritante a inaptidão das Câmaras Municipais / Juntas de Freguesia em dar resposta ao crescente número de buracos que aparecem diariamente nas ruas das cidades. Resta aos condutores fazer autênticos "ziguezagueares" entre tampas de esgoto mais profundas e os buracos, para evitar jantes empenadas, pneus furados / rebentados, suspensões danificadas...etc. E pode (deve) haver uma intervenção técnica especializada neste assunto. Aquando da construção de novas estradas (escolhendo materiais melhores e mais duradouros), ou na avaliação regular do estado das vias de comunicação (drenagem eficaz das águas pluviais, etc). Mas não. À boa maneira portuguesa, a manutenção é correctiva. E não preventiva.

Não tenho muito mais a dizer. Noite estragada. Mau humor.

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sábado, janeiro 16, 2010

O Barbeiro

Sempre admirei os barbeiros. Homens dotados de mestria e hábil manejo das tesouras, lâminas e o pincel da barba. Lembro-me perfeitamente de em miúdo ir ao barbeiro e ser necessário um banco ser colocado em cima da cadeira, para que me pudesse sentar em cima do mesmo. Na altura com o briefing de como era o corte de cabelo dado pela minha mãe ao barbeiro.

Por essa idade, e vendo a facilidade com que me caiam as melenas, pensei repetida e profundamente em seguir a carreira de barbeiro. Certamente que clientela não faltaria, e desenvolvi iguamente a firme teoria de que com o avançar da idade dos homens a quantidade de cabelo é menor, e consequentemente o grau de exigência no corte. E dos 5 aos 10 anos creio que foi essa a minha convicção profissional. Seguida do bombeiro e polícia.

Posteriormente, e após ter-me visto em 49 actividades profissionais, realizei que a partir dos 30 anos, o corte de cabelo do homem varia em duas possibilidades: mais comprido no Inverno (frio) e mais curto no verão (calor). No meu caso, subsiste o pormenor adicional de caminhar a passos largos para grisalho, pelo que, e no Inverno, se notam mais os cabelos brancos. Dizem as mulheres que "dá mais charme". Eu acredito, como não podia deixar de ser.

Os barbeiros têm a minha vida nas suas mãos, quando vou cortar o cabelo. Passo a explicar..Imagine-se que discuto com o barbeiro futebol. Na medida em que não percebo nada de bola, é normal que cometa gaffes imperdoáveis. Por exemplo, não saber o nome do último "trinco" contratado para o Benfica (sendo simpatizante do Benfica). Imagine-se que o barbeiro até fanático doente do "Glorioso". Quem me garante que não levaria o meu óbvio desconhecimento futebolístico como sendo uma afronta pessoal? E quem sabe recusar-se a continuar a cortar o cabelo e mandar-me para casa (só pagava metade do preço do corte). Ou por exemplo, "sem querer" fazer um corte no meu pescoço e logo de seguida deitar álcool para "desinfectar"...ou rapar só metade da cabeça e dizer que a máquina não pode estar muito tempo ligada e que só daí a 3,5 horas poderia continuar...esse tipo de vingançazitas.

É por estas e por outras que é sempre bom ter o barbeiro como amigo....

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quinta-feira, janeiro 14, 2010

Jazz


Desde há algum tempo que ando a ganhar coragem para "aprender a ouvir" jazz. O jazz é um estilo de música que tem milhões de seguidores à escala mundial. Percebo "zero" de jazz, e diz quem percebe (e pacientemente me responde às questões intermináveis sobre este assunto), que são necessárias décadas para que se "afine" o gosto / ouvido e se fale deste estilo com propriedade.

O que conheço deste estilo decorre de algum confesso empirismo e "googlanços", em que me é devolvido não raro o nome de "John Coltrane". Em conversa com alguns entendidos da matéria, quase fui sovado e por um triz não fiquei sem unhas por ter ousado cometer o sacrilégio de não conhecer esta "lenda" do jazz. Um marco, pelo que li (forçosamente) posteriormente. John Coltrane está para o jazz como os Rolling Stones estarão para o rock...

O jazz transmite-me várias sensações e pensamentos. A título de exemplo, só consigo ouvir jazz de noite. E preferencialmente depois do jantar. Várias vezes penso estar num local específico, (alto), contemplando um mar calmo, numa varanda fechada, com um copo de whiskey na mão. Também me ocorrem aqueles filmes da década de 60/70, com foto a preto e branco, rodados nos Estados Unidos...Talvez seja saudosismo!!

Espero poder dentro de alguns anos falar com um conhecimento de causa mais profundo acerca do jazz! Começo timidamente a fazer por isso...

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As consolas de jogos


Se há coisa para a qual não tenho paciência, são as consolas de jogos (Eg.: Playstation ou X-Box). E não consigo entender quem tem, embora respeite. Não consigo perceber como é possível que criaturas (conheço vários adultos) combinem sessões contínuas de jogos, quando para mim, 5 minutos chegam e sobram para que sinta tonturas, suores frios, vertigens e uma imensa falta de paciência para continuar a jogar. Mais a mais, não raro, os meus jogos são sumários, passam por ser morto 45 vezes (isto sempre no primeiro nível) e ainda um óbvio motivo de chacota por parte de quem passa demasiado tempo agarrado a estas brincadeiras. Regra geral a chacota essa perdura mais de 4 semanas regra. Ou até que qualquer um dos ilustres se recorde.

Até poderia considerar a playstation uma boa forma de descomprimir ao final de uma semana de trabalho. Se fosse utilizada como tal, conscientemente e não como meio para evitar a sociabilização. O problema é aquilo vicia (diz quem já está curado). As consolas são concebidas para viciar os jogadores. E claro, quando começam a haver despiques entre os vários compinchas, as coisas assumem outro patamar - defesa da honra pessoal.

Parece-me óbvio que o terminar qualquer um dos jogos das consolas, ou atingir o complexo nível 2.000.000, deve ser motivo de gáudio e merecida recompensa. Ando a pensar recorrentemente nisso. Talvez oferecer-me para lavar o carros dos meus amigos que o conseguem fazer. Talvez ir comprar os jornais todos os dias e deixar à porta de casa. Qualquer coisa que reflicta o quão melhor ficou a minha vida após o nível ter sido completo e consequentemente o jogo ter sido terminado. Venha outro jogo e comece nova odisseia...

Nunca serei capaz de entender. Da mesma forma que me recuso a oferecer jogos para consolas a crianças. Por uma questão de princípio. Por achar que é um erro oferecer a uma criança algo que fará com que não leia. Com que não dialogue com os pais. Por outras palavras, algo que sei que não contribui para a sua educação.

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quarta-feira, janeiro 13, 2010

O Tigre


De entre os vários felinos (grandes, não gosto dos pequenos - gatos), o tigre é aquele que mais me seduz. Pela imponência, pelo porte, pelo olhar.

Corria o ano de 1809 quando surgiu a Teoria da Evolução das Espécies ou Teoria da Selecção Natural. Na mesma, Charles Darwin sugeria que só as espécies mais adaptadas / capazes sobreviveriam. Volvidos mais de dois séculos foi isso que a história animal teve oportunidade de nos mostrar.

Como em tudo, esta foi mais uma das espécies que sofreu evoluções. Morfológicas e psíquicas. E foram as evoluções no domínio da psique desta espécie que a tornaram uma das mais mortíferas e com uma taxa de sucesso nas suas caçadas que ronda os 100%.

Contrariamente à leoa (um dos flagrantes exemplos do Mundo animal em que a fêmea caça para o macho), o tigre desenvolveu ao longo da sua evolução geracional, um tipo de caçada único. Solo. Sempre com um aliado de pêso - o tempo.

Para o tigre, tempo de espera é sinónimo de cansaço da presa, ou do almoço, como este "gato grande" verá uma gazela (ou outro almoço / jantar). E aguarda até que a presa se canse...e não tenha reacção. Nesse momento desfere a "estocada final". Mortal, na generalidade das vezes. Daí as elevadas taxas de sucesso. Daí o ser um dos predadores mais eficientes.

Dá que pensar...

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terça-feira, janeiro 12, 2010

Mau tempo

O mau tempo veio para ficar. Ele é frio, ele é chuva, são as inundações. Consequentemente, aparecem as "maleitas" desta época. As típicas constipações (também denominadas de "resfriados" ou "carraspanas"), as frieiras, lábios gretados, e por aí adiante.

Paraleamente, não deixa de ser curioso que quem de direito não aprenda com os erros. Objectivamente, e sendo factual, continuam a ser registadas as vulgares e habituais cheias. E sempre nos mesmos locais, sem que durante o ano transacto algo se tenha feito. Também não deixa de ser um fenómeno repetitivo e algo trivial que na Av. Marginal o mar galgue o muro e perigue a circulação dos veículos veículos que nesta zona circulam.

Dou comigo a pensar porque razão não é efectuado um planeamento cabal, atempado e com carácter preventivo. Passo a explicar: porque razão não são os problemas usuais evitados? Se é sabido que determinada zona da cidade é propensa às cheias, porque não e antecipadamente se limpam as sarjectas e/ou colectores muncipais? Será necessária uma tese de doutoramento em Harvard para que alguém consiga ter esta clarividência? Não consigo entender. E já para não falar dos buracos que aparecem depois das chuvadas intensas, do comércio / restauração que é afectado...e por aí fora.

Também é claro que alguns condutores não adequam o seu estilo de condução às condições climatéricas adversas e/ou da estrada. Resultado? Incidentes, danos materiais avultados e melhor...o que eu "adoro"...filas intermináveis de trânsito que nos levam horas para percorrer.

Uma palavra especial para as empresas concessionárias (e em alguns casos responsáveis pela construção) das estradas / vias de comunicação. Relembro que alguns troços / estradas por este "pedaço de terra à beira-mar plantado" parecem ter sido projectados no joelho. Sem terem a título de exemplo alternativas de escoamento que permitam a drenagem das águas em caso de pluviosidade intensa (e evitem o fenómeno de aquaplaning). E Sim..na altura em que muitas das estradas foram projectadas já havia chuva...

Enfim....nunca mais é Primavera!

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domingo, janeiro 10, 2010

Força de Vontade

Há alturas da vida em que somos sujeitos a privações ímpares. Estou objectivamente a pensar no facto de não pegar num cigarro desde Maio passado. Não sentir falta. Não ficar mais com o hálito de bode ou com o cabelo a cheirar ao fogareiro das castanhas assadas. E depois de ter fumado quase duas décadas. Resumidamente, acordei um dia e disse que não queria fumar mais. E não fumei. Aliás, neste momento tenho um maço de tabaco cheio, à distância de um braço esticado e um isqueiro ao lado. E não lhes toco.

Chama-se a isto privação de algo a que o nosso organismos se habituou ao longo de algum tempo. "Aquela" dose diária de nicotina. Aqueles "mg" que nos acalmavam em picos de stress, ou que ao longo dos anos contribuiram para que tratássemos o reumático por tu por termos variadas vezes ter sido necessário ir fumar para a rua gélida.

Analogamente ao aplicado para o tabaco, há outros exemplos. Lembro-me que por carolice, no liceu ou faculdade, embirrava com algumas cadeiras. Achava complicadas, ou simplesmente seguia o pensamento dos veteranos (burros, calões) que achavam algumas cadeiras complicadas. E nem sequer tentava (estupidamente). Mais tarde, quando era mesmo necessário fazer a cadeira com aproveitamento, tinha em mim a força de vontade para a fazer. Até hoje não me recordo de alguma vez em que tenha querido fazer uma cadeira e não o tenha conseguido. A força de vontade foi o suficiente.

Há contudo casos mais extremados. Aqueles que envolvem a nossa saúde. Que poderão envolver a nossa recuperação. Acredito, como em tudo na vida, que aqui sim, reside a nossa capacidade de ter força de vontade. "Eu quero ficar curado". Dizem os entendidos e especialistas, que na força de vontade reside meia cura. Eu acredito nisso.

Yes, we can, como diria o homem mais poderoso do mundo..

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Sem Abrigo


Dou comigo a pensar no que terá levado alguns sem abrigo a chegar a determinado ponto da sua vida. O fim, não falando da morte, obviamente.

Não obstante fazer-me uma enorme confusão o aspecto andrajoso que alguns aparentam ter, associado ao cheiro nauseabundo, tento abstrair-me disso e tento ansiosamente encontrar uma ponta de comiseração neste meu raciocínio frio, pouco dado a complacências com alguém que visualmente ainda terá um bom cabedal para acarretar alguns baldes de cimento. Deste grupo de sem abrigo mais jovens, perdoem-me mas não consigo ter pena. Habituaram-se ao bem bom, de arrumar os carros e esperar pela moeda de 50 cêntimos ou de 1 euro (ou mais). Os otários, grupo no qual me incluo, contribuem para a sua dízima diária, para não ver o carro riscado. No final do dia, após assobios e acenos com o jornal, ganham mais que eu. Mas isso é outra conversa.

O grupo dos sem abrigo que efectivamente me choca mais, são aqueles com mais velhos. Aqueles que por vicissitudes inerentes da vida, ficarem sem lar, ou sem meio de subsistência. Abandonados / excluídos pela família. Atingidos pelo drama da droga, alcóol, jogo..entre outros. Ou que foram despedidos do local onde trabalhavam. E passaram a viver da caridade de alguns "vizinhos" das ruas onde vão pernoitando, das paróquias vizinhas e claro, da Santa Casa da Misericórdia. É também nesta altura do ano que estarei mais atento / sensível ao flagelo da pobreza nas ruas de Lisboa. É exactamente nesta altura que se faz sentir mais o frio. Neste momento, Lisboa é atravessada por uma frente de frio polar, que veio para ficar nos próximos dias (estamos a Sábado, dia 10 de Janeiro de 2010).

Ouvi à hora de almoço que a Câmara Municipal de Lisboa (CML), ontem mesmo, Sexta-Feira passada, permitiu (ou terá sugerido) à empresa Metro de Lisboa, que deixasse abertas três estações, por forma a que os sem abrigo pudessem ficar mais abrigados. Isto claro está, através de um telefonema efectuado de um gabinete climatizado. E recepcionado noutro gabinete climatizado. E quer o emissor, quer o receptor foram no final do dia para casas quentes. Climatizadas e dormiram bem. Só ontem, e conforme notícia que ouvi no jornal das 1300H as tais estações de metro estiveram abertas. Isto porque, (conforme pensei após ter ouvido a notícia), terá acontecido algo que me escapou completamente, e a temperatura terá subido para uns calorosos 30º Celsius. Muito mais agradável. Acabei de chegar a casa e o termómetro do carro marcava 8º Celsius.

Para concluir este artigo, quero apenas partilhar a minha incredulidade desta acção da CML para com os sem abrigo. Se há casas dadas a comunidades que nada produzem em termos de riqueza para este País (e não sou poucas), se há dinheiro da CML para os enfeites de Natal das várias artérias da cidade, se até há dinheiro para organizar os festivais de música anuais ali no Parque da Bela Vista, não ha dinheiro para se construir uma tenda aquecida até a frente de frio polar que dure os Invernos que tendencialmente se tornarão mais rigorosos? Proporcionando um pouco mais de conforto a estas pobres almas?

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sábado, janeiro 09, 2010

As Secas

Não são as secas climatéricas, consequência da falta de água. São as "outras". Aquelas que levamos quando vamos a andar numa rua qualquer..e vemos aquela D.ª Fernanda, avó da Catarina com quem brincámos quando éramos miúdos, que está casada, tem 4 filhos, é médica no Hospital das Descobertas, o marido é economista, têm uma casa em Albufeira, etc,etc..A Catarina não iria encontrar um buraco para se esconder se soubesse o que a D.ª Fernanda fala...Basicamente, e em escassos minutos, fico a saber da vida toda da Catarina. Através de fonte fidedigna. E melhor...sem ter perguntado nada.

Agora que fui apanhado, é importante fazer o ar mais interessado possível naquele momento. Os "humm, humm" são às centenas de milhar. Consigo abrir os olhos várias vezes mostrando um total espanto com as malandrices que a empregada da Catarina fez em casa dela. E por aí adiante. Para pessoas a partir de alguma idade, em que a vista começa a falhar, não vale a pena revirar os olhos, não percebem. Não vale a pena "bufar", porque não ouvem o mesmo. Donde, a melhor atitude / postura é mesmo deixar correr. Por vezes bato com o indicador no relógio e coloco-o ao ouvido..e rezo para mim mesmo a dizer que acho que está parado.

Paralelamente, e quando o / a meu / minha interlocutor (a) não se "manca", perco algum tempo a exercitar a minha mente tentando lembrar-me do que almocei diariamente desde há 4 meses até esse dia. Por vezes introduzo uma variável acrescida, e lembrar-me igualmente dos jantares. E com esta "manobra de diversão" interna, vou acenando ocasionalmente com a cabeça, mas com a atenção dedicada a outra tarefa bem mais estimulante. Normalmente resulta, assim sejamos capazes de ao longo da conversa irmos interrompendo os nossos pensamentos e ir ouvindo quem connosco fala.

Volvidos 40 minutos a D.ª Fernanda dá-se conta que tem de ir buscar os netos à escola, que é tardíssimo...e pede desculpa por ter tomado tanto do meu tempo...Esboço o meu sorriso mais amarelo e enigmaticamente a tranquilizo dizendo que não se preocupe...que tenho todo o tempo do mundo...

Outro tipo de secas são os atrasos. Algo que abomino. Para mim, todo e qualquer atraso pode ser evitado. E o que muita gente não se lembra, é que quando combina alguma coisa à hora "X", pode ser que a outra pessoa com quem combinou, o(a) otário(a) de serviço até seja uma pessoa pontual. E que normalmente acontece? Não houve aviso, não houve uma justificação do atraso (eg: sms, telefonema)...e volvidos 40 minutos o(a) atrasado(a) aparece. Lamentavelmente, comigo faz isso uma única vez. Dificilmente fará uma segunda. Lamento. Não gosto de esperar nem de fazer esperar. Ou por outras palavras...não gosto de dar seca nem de levar seca...

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sexta-feira, janeiro 08, 2010

As Touradas

A arte de tourear é antiga...Em Portugal não será uma grande asneira se disser que me remete para uns largos séculos atrás. Considerado o segundo "desporto rei " no nosso País.
O ser uma arte antiga e com raízes bem consolidadas na cultura portuguesa, não significa que partilhe ou veja algum prazer na mesma. Muito pelo contrário. Fico logo com palpitações, tenho de beber um copo de água com açucar não vá acontecer uma desgraça na arena!! Aliás, tenho uma carta preparada para enviar para o Dr. António Costa expressando a minha grave e profunda consternação para com a vida dos (e das) cavaleiros (as) de quem tanto gosto.

Na minha visão é uma fantochada. Os cavaleiros mascaram-se, mascaram os cavalos, arranjam-se umas bandarilhas....e aqui vai disto. Se tiver lugar ali no Campo Pequeno, melhor. É ver os tios e tias todos (as) de Cascais, Azeitão e afins por lá. E depois aparecem os "empatas" da defesa dos animais. Deviam era todos ter juízo. Acabava-se a tourada e mais nada. Deixava de haver trânsito ali perto do Campo Pequeno em dia de tourada. Acredito que alguns / algumas dos / das tótós que lá vão nem sequer saibam ou conheçam a tradição em si. Vão lá porque..."é bem ir". Ver e ser visto, afinal.

Paralelamente, se falarmos em "pega de caras" as coisas mudam de figura. Admiro os forcados. Não se trata de terem força física. Trata-se de não ter amor à vida. Quem se mete à frente de uma besta de meia tonelada, em marcha rápida (corrida), é porque realmente não vê qualquer sentido na sua passagem nesta curta incursão que é a vida terrena. É claro que me poderia dar ao trabalho de aqui elencar algumas maleitas (e fazer um brilharete daqueles) que decorrem de uma pega mal feita, mas julgo que o meu / minha leitor (a) decerto conhece as mesmas que eu, donde, não o faço!

A única diferença que vejo entre esta anormalidade, peço desculpa, variante da tauromaquia, é mesmo o não ser uma variante cobarde. É a dualidade entre 1 homem e 1 touro. Não entre homem + cavalo e touro como é a outra...

P.S: Até hoje ainda ninguém me explicou porque é que não se institui, como espectáculo de extra daqueles dias de tourada, que as cavaleiras após os espectáculos, saltem do cavalo e façam uma ou duas pegazitas de caras aos touros. Daqueles bem alimentados com pasto das lezírias ribatejanas...Quando isso acontecer...garanto-vos que serei o espectador da 1ª fila!

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quarta-feira, janeiro 06, 2010

Alentejo

Há algum tempo que venho sendo adepto das célebres escapadelas ao final de semana. Escusado será dizer que me refiro a destinos modestos e baratos. Adequados à minha singela bolsa.

Tem um significado especial para mim o sair de LIS ao final de uma semana de trabalho e conduzir de noite rumo ao Sul. Especialmente tendo como destino o Alentejo. E acordar no dia seguinte "lá". Aquele cheiro característico a terra (seca ou molhada), o barulho das aves autóctones..etc. Certamente que no Norte existirão igualmente destinos muitíssimo interessantes, mas confesso que ainda não me dediquei a explorar condignamente a oferta existente em termos de turismo rural nessa zona do Império.

O conceito de turismo rural (fazendo aqui uma side note), ganhou alguma expressão desde há cerca de 20 anos para cá. Houve na altura alguns subsídios estatais, e muita gente arrecadou o dinheiro do erário público para embelezar o solar que era do trisavô José. Uma envolvente bucólica, um rio, duas pilecas e uma moto 4 com motor de aparador de relva, e estava encontrada a receita para o sucesso de turismo rural daquele solar e naquele monte.... No início era assim..hoje em dia, e dado que a oferta é substancialmente superior, é importante aferir o que gostam os hóspedes, o que procuram...um pouco de benchmarking caseiro, obtido "googlando" e vendo o que oferece a concorrência ou mesmo em conversa com os hóspedes.

A paixão pelo Alentejo já vem de longe. Desde os dias em que eu, o meu irmão e um primo nosso, fartos da monotonia de vida alentejana em casa de uma das nossas tias, entendemos que deveríamos tentar algo variado e resolvemos experimentar qual o resultado prático de pegar fogo a algodão com alcóol. Ah..com a particularidade de ser num sotão seco, poeirento e tralha combustível. A Divina Providência fez com que a minha tia resolvesse ir ver o que andavam os matrecos a fazer e conseguiu resolver as coisas a tempo de evitar uma tragédia. A minha tia deve ter ganho uns 50 cabelos brancos, e nós...bem...digamos que com o calor alentejano...os gelados são sempre bem-vindos. Pois bem...durante semana e meia de clausura não houve gelados lá em casa. Só aplicável para os três pobres diabos, é claro.

Algumas das ruas do Alentejo também são responsáveis pelo facto dos meus joelhos hoje em dia parecerem o mapa de Portugal, com tanta cicatriz, consequência de ter esfolado muitas vezes os joelhos naquele alcatrão. O mesmo para os braços, e muita vez chegado a casa e com os cabelos cheios de poeira das terras em que andava de"bicla". Mas faz parte do crescimento. Fez parte da minha infância e naturalmente que contribuiu para que desenvolvesse um gosto especial pelo Alentejo. E por este Alentejo em especial. Gosto esse que perdurou até hoje.

Assim sendo, é para esta zona do País que normalmente opto por ir nas tais escapadelas no final de semana. É igualmente nesta zona onde se encontram bons vinhos. Boa culinária. Onde se descansa bastante de dia (a clássica e obrigatória sesta após almoço, acompanhada do ritmado e irritador cantar das cigarras). De noite, o barulho dos grilos.

O Alentejo interior que conheci, perto de Moura, é um Alentejo que nada tem que ver
com o Alentejo de hoje. Ou com o Alentejo da "moda", o Alentejo litoral. Não vou lá há muito tempo, mas acredito que esteja muito diferente. Talvez um dia vá lá. Para reviver algumas experiências. Menos os tralhos, claro.

Na memória..e para sempre ficará marcado o "meu Alentejo" e tudo o que nele vivi!

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terça-feira, janeiro 05, 2010

A Comida

Creio já ter escrito sobre isto em tempos neste blogue. É possível. Nem de propósito, há dois ou três posts atrás escrevi sobre o prazer ímpar que tenho em comer pão. Agora escrevo sobre a comida...talvez uma tentativa de justificar o porquê de querer trocar a balança (peso a mais)...

Tenho experiências com vários tipos de comensais. Uns fingem que comem, e "sujam os pratos". Comem mal, para não dizer pessimamente. E diz o adágio popular "Quem não é bom para comer, não é bom para trabalhar". Outros parece que não comem há uma semana, e enchem de tal forma o prato, que a comida extravaza. O que de resto, apenas e só reflecte que na casa da pessoa em causa, quando era o mesmo mais novo (a) recorria-se ao jejum de alguns dias (sabe Deus com que objectivo), tal não é a avidez com que estão habituados a comer "pilhas" de comida. Ah...isto quando não começam a comer ao mesmo tempo que os demais sentados à mesa.

Tenho pena de não saber cozinhar melhor. Desenrasco-me, é certo (faço uns bifes maravilhosos, uns ovos mexidos únicos, sei grelhar sardinhas), mas quando toca a quantidades de arroz, de massa, fazem-me confusão e começo logo a ficar nervoso e a hiperventilar. Aliás, neste ponto, confesso reconheço sobredotadas aquelas pessoas que conseguem fazer um arroz em 5 minutos, sem recorrer a chávenas ou outras formas de medida, ou conseguem fazer um esparguete a olhómetro. Talvez um dia eu o consiga igualmente. Aí terei mais uma razão para a minha realização pessoal (além das outras 900 razões).

Dou muita importância ao que me trazem para a mesa no restaurante. Não interessa se estou a almoçar no Eleven ou numa tasca qualquer ali de Alfama. Interessa-me apenas e só quão estimulado é o meu palato, o olfacto, a visão...Já paguei muito por refeições ordinárias e já paguei pouco em restaurantes muito bons e que jamais dizer ousarei partilhar o nome (para ninguém lá ir e começar a encher aquilo)...Talvez possa dizer um dia, o nome de um ou dois.

Muito fica por dizer relativamente à minha relação próxima e íntima com a comida. Não seria correcto dizer que gosto mais do leite creme queimado na hora do que o clássico arroz de pato. Estão ambos no topo das minhas preferências culinárias. Não faço (nem ousaria fazer) a destrinça entre o doce e o salgado...gosto de ambos. Conquanto sejam bem confeccionados, lá está.

Outro ingrediente que poderá melhorar ainda o prato confeccionado, será a nossa companhia à mesa. É diferente disfrutar de um bom prato com uma boa companhia do que com quem nos "vai ao bolso" na altura de pagar o IRS. A par e passo da companhia, um bom tinto ou branco também podem aumentar ainda mais o score de uma boa refeição.

Com tudo isto, parece-me óbvio e sensato que não almoçar uma cataplana de marisco ao almoço de Terça-Feira, em dia de trabalho, lá no restaurante do Tó, acompanhada de um bom branco caseiro. Seria o mesmo que dizer que não iria trabalhar da parte da tarde...

Por último, para saborear qualquer prato, é importante que não exista a limitação de tempo..o que significa que saboreio apenas os jantares e almoços / jantares aos finais de semana....

Ahh..e esta prosa toda sem ter introduzido a "Bimby".....Mas quem tem mão para a cozinha...não gosta da "bicha"!

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