domingo, fevereiro 28, 2010

Quando o Telefone Toca

Quando o telefone toca é o nome de programas que dá a "desoras" em 2 ou 3 canais televisivos simultaneamente. A partir das 0200H sensivelmente. 

Este tipo de programa consegue atrair-me imenso pelo facto de que nem tudo o que aparenta ser, na realidade é. O programa tem como propósito o completar palavras. Um jogo tipo palavras cruzadas. Tem de existir uma coerência vertical e naturalmente uma coerência horizontal. Acredito que a produção do programa tenha contratado para ficar como "residente escondido atrás do biombo" algum erudito da língua camoniana (e muito criativo). Quando penso já ter acertado nas combinações possíveis que existem, a palavra me parecer ser básica...a palavra revela-se errada. É frustrante.

Desenvolvi uma teoria muito minha de que afinal o objectivo do programa não é o de completar palavras. É tentar vencer o "velho" que está preso nos bastidores a diariamente encontrar uma palavra escondida no vocabulário português para atazanar e baralhar o juízo de quem tem insónias. E aliviar a carteira dos incautos, na medida em que cada chamada ronda 1 euro...quantia paga para ser mais frustrado ainda..não só não dorme como ainda é burro!

Contudo, nem tudo é mau. Fico agradavelmente surpreso (e sensibilizado) com a paciência e persistência que as meninas que apresentam o programa têm. Afinal, não é qualquer pessoa que consegue estar a falar para uma câmara, em pé, saltos altos, decotes sugestivos e num registo de motivação incessante, sendo que único amigo acordado que tem às 0300H é mesmo o operador que está a filmar..

Haja paciência.

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sábado, fevereiro 27, 2010

Whisky

Uma das minhas bebidas preferidas. Não por ser mais barato que as demais (não o é). Mas enquanto digestivo, gosto de um bom whisky após uma refeição, preferencialmente daqueles mais envelhecidos.

Não sendo um verdadeiro apreciador e conhecedor de vinho, não desenvolvi ainda a capacidade de sê-lo relativamente aos whiskys. Não tenho qualquer dúvida que o venha a ser num futuro próximo, até porque acho que é quando os homens perfazem os 40 anos de idade que se torna necessário expectável que saibam diferenciar entre um Dão e um Monte Velho ou por outra diferenciar entre um whisky de centeio e um whisky de milho. Para já, limito-me qual bom apreciador, a beber whisky sem adicionar água e/ou gelo. Puro é que se quer. Ainda que me venham as lágrimas aos olhos quando me distraio e dou tragos maiores. Mas isso é outra conversa.

Concluindo, o meu critério, e do alto da minha ingenuidade, passa por apreciar mais os whiskys mais velhos. Desenvolvi igualmente a teoria de que uma noite a beber whisky velho, não há ressaca no dia seguinte. Ok...uma ressaca tão grande!

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sexta-feira, fevereiro 26, 2010

Férias

Os dias de férias dizem respeito ao descanso merecido para qualquer pessoa que trabalhe o ano inteiro. Descanso da confusão, do stress, dos telefones, do trânsito. Para aqueles que fingem que trabalham ..é uma extensão do período de tempo em que nada fazem.

Como seria expectável, este filho de Deus também aprecia o prazer do "não fazer puto" durante alguns dias. Contudo, não deixa de surgir uma questão paradoxal...estando de férias a disponibilidade é maior...sendo a disponibilidade maior..mais coisas aparecem por fazer. É um ciclo vicioso e infalível.

No meu caso é normalmente isso que acontece. Os dias de férias são invariavelmente preenchidos para tratar de assuntos que não tenho tempo para tratar quando estou a trabalhar. O dia começa à mesma hora e não raro termina depois do expediente. Optimização do tempo pois claro.

Não gosto de passar muito tempo de férias. Duas semanas é o limite máximo "dos máximos" que entendo ser razoável para alguém normal ter férias. Mais do que isso...é gozar com os outros que trabalham. É gozar com aqueles a quem o patronato não dá férias alegando necessidade profissional.

Acho muito mais saudável e economicamente preferível, optar-se pelos finais de semana prolongados (3 dias, por ex) e fazer incursões por esse País fora...em detrimento de se contrair mais um crédito pessoal para fazer aquela viagem ao Brasil há tanto tempo desejada...Ah..e está provado que quanto mais tempo se fica fora do posto de trabalho mais difícil é retomar aquando do regresso...

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quinta-feira, fevereiro 25, 2010

Porteiras

A figura da porteira nos prédios onde habitamos, no meu entender, é uma actividade que já não alicia ninguém no seu juízo perfeito. Ninguém gosta de ir esfregar escadas de joelhos e levar com o fedor activo da lixívia. Hoje em dia não é assim...Há uns anos era. Houve há umas décadas atrás um fluxo migratório de casais oriundos de aldeias do nosso maravilhoso Portugal, em direcção às cidades, em busca de melhores condições de vida. Cheios de boas intenções e com vontade de trabalhar. Daí, em alguns casos, era possível ver que certos rituais nunca se perdem - como por exemplo, cuidar da horta. Pelas cidades foram ficando estes casais, como "caseiros" dos prédios, tendo (ou não) a sua descendência e  até regressarem de novo "à terra". Um ciclo completo, portanto.

Longe vai o tempo que a Dª Palmira e a Dª Soledade, porteiras dos dois prédios onde vivi, conseguiam o minha atenção. Em grande parte, e no primeiro caso, porque a minha mãe de forma incansável, abriu o precedente de as ouvir durante horas sem fim. Digamos que era "apanhada" ao entrar para o prédio sem fuga possível. E assim sendo, ao longo dos anos foi sendo cultivada essa prática.

É claro que este precedente da minha mãe teria sequelas incontornáveis para mim. No auge dos meus 10/11 anos tinha sem dúvida uma ordem de soltura mais regrada. Tornava-se muito mais fácil para a minha mãe, estando no R/C,  controlar os atrasos para os banhos e subsequente hora do jantar. Por outro lado, a Dª Palmira via na minha mãe uma aliada e muitas queixas fazia, desde ter decidido com amigos meus fazer do terraço um campo de futebol (partindo várias vezes as plantas dos canteiros), ou que tínhamos andado de bicla e feito derrapagens no mármore do terraço tão extremosamente esfregado semanalmente com lixívia.

Compreendo igualmente hoje em dia, e a esta distância, que não fosse muito saudável para o coração do pobre Sr.Leonel (marido da Dª Palmira) que eu e o meu irmão tenhamos decidido  a dada momento que era perfeito o corta-mato para as traseiras do prédio através da sua horta. Valeu-nos alguns impropérios por parte do mesmo...

Numa rua com vários prédios, são naturalmente criadas algumas animosidades com algumas porteiras, e naturais empatias com outras. Tipicamente, foram mais as "arquiinimigas" que criei do que aquelas que gostavam do grupo de índios ao qual pertencia.

Uma característica que me ficará para sempre (sendo sensitivo), é o costume de ao longo dos anos ter conhecimento do que ia ser o almoço e jantar em casa das porteiras que falo acima. Sempre achei esta partilha importante e congredadora do espírito de condóminos dos prédios, e no sentido de "aproximar" o R/C do 10º andar. Sempre achei muito bem que todo o prédio soubesse no R/C não se passava fome. E que em casa da Dª Palmira, às Quartas-Feiras, o jantar era invariavelmente favas com chouriço.

Enfim...coisas que já não voltam!

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quarta-feira, fevereiro 24, 2010

Caça

A caça é daqueles prazeres que sei vou ter de certeza quando estiver próximo do meio século de existência. Não pelo prazer de matar animais. Não pelo prazer de correr à frente de um javali raivoso e cuja prazeiroso almoço da bulota foi interrompida pelo tiro falhado. Quando quiser praticar o tiro, dirijir-me-ei à carreira de tiro mais próxima. Mas porque o prazer da caça não reside aqui...

Acho muita piada à azáfama que envolve este prazer tão nosso conhecido e que é a caça. Tudo obedece a costumes perfeitamente enraizados na nossa sociedade. Qualquer mulher sabe que quando começa a época da caça o seu homem tem de ir caçar. Qual homem pré-histórico que saía em busca do alimento para levar para casa. Acho óptimo que a caça seja feita com os amigalhaços do costume...e eis aqui, amigos e amigas,  o primeiro segredo da caça - o convívio.

A caça é um excelente meio para desopilar. Todo e qualquer homem que esteja cansado da vida rotineira que tem em sua casa decide em alguma altura da sua existência ir caçar com os amigos. Caçar qualquer coisa. Não interessa o quê nem como. Apenas quer ir caçar com os amigos. Há coisas giras não há?

O segundo segredo que aqui desvendo, é que ninguém caça nada nestes eventos. As peças supostamente "caçadas" são compradas num açougue próximo. Os finais de semana de "caça" servem apenas e só para apurar os dotes culinários individuais dos pretensos "caçadores". Experimentem passar por uma coutada qualquer à hora de almoço e vejam quantos "caçadores" andam à procura do que caçar para comer...pois é....curioso...Nem um. Já cheguei a ver alguns com avental e chapéu de cozinheiro... Pois é....As roupas, os bonés típicos...tudo..é ficção. É para enganar quem têm lá em casa..Apenas e só para espairecer e mudar de ares...

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terça-feira, fevereiro 23, 2010

Educação

Parafraseando o que alguém disse em tempos..." É na rua que se vê a educação que é dada em casa". Sem dúvida alguma foi uma frase que me ficou até hoje, e não podia estar mais de acordo com esta afirmação tendo como exemplo o meu quotidiano.

São raros os casos de pessoas "bem formadas" ou "bem educadas". Para o texto em apreço não faço distinção nesta terminologia. Aferindo ou percebendo o que resta de boa educação nas camadas mais jovens, facilmente decorre para pessoas sensíveis como aqui o vosso amigo que mais 15 cabelos brancos adicionais são certinhos no final do dia com as mostras de má educação a cada dia que passa. Não quero com isto dizer que a boa educação reine na terceira idade...Mas também me parece sensato o benefício da dúvida e  maior tolerância...Afinal, e em alguns casos, não sabem o que dizem e/ou fazem.

Há episódios que conseguem chocar a opinião pública. E que têm uma projecção estratosférica num País como Portugal que viveu 40 anos em ditadura.  Falo do vídeo que esteve no top5 do youtube e que retratava os mimos de uma miúda mentalmente disturbada para com a sua professora. O primeiro pensamento que se apoderou de mim foi o de serem duas colegas. Nunca, em mais de 20 anos de escola / liceu / universidade tratei um (a) professor (a) por "tu". Acho incrível como as coisas mudaram. Aliás, estou tentado a sugerir que este vídeo seja divulgado em cursos de futuros docentes como exemplo do bom relacionamento que se pode ter em sala de aula. E claro, para ver aquilo com que os aspirantes a docentes poderão ter de lidar. Mas no limite, a culpa não é desta adolescente. Será sim dos seus pais, que não sabem domar a "fresca" que têm em casa. E que, como tantos outros pais resolvem partilhar a educação da mesma com os professores.

É lógico que uma pessoa como eu, vertical e que honra os bons costumes não podia deixar este episódio passar em branco. Logo após ter  afastado as ideias maléficas que passavam por sem querer deitar cal viva no cabelo da adolescente ou atirar dois gatos bravos à cara da mesma, resolvi empreender uma interiorização em que a tónica é acima de tudo aceitar os outros como são. É claro que se trata de um processo que sugere alguma complexidade. E piora quando penso na época em que se respeitava o professor. Quando o professor entrava na sala deixava de haver barulho, entre outros exemplos que muitos de nós saberemos por termos vivenciado, ou mesmo por termos ouvido. Não se mudaram os valores..mudaram-se sim as mentalidades. E o nível de permissão concedido às pessoas sem educação.

Outro bom exemplo do que falo, será a forma como iniciamos o dia, ou seja, a interacção com as pessoas com quem trabalhamos ou com quem nos cruzamos. O simples cumprimento "Bom dia" parece-me obrigatório. Sem discussão possível. Ou outro qualquer cumprimento adequado a essa altura do dia. Em suma, é a diferença entre um cumprimento endereçado a alguém que se conhece, e com quem se cria naquele momento uma pequena comunicação, e a má educação para com essa mesma pessoa, desviando o olhar e fingindo-se desatento claramente fugindo ao cumprimento.

A boa educação adquire naturalmente outras formas. O ser prestável. O ajudar quem por alguma razão precisa. O Oferecer os préstimos. O levar alguma coisa quando vamos jantar a casa de alguém...O não se levantar da mesa sem pedir a autorização, o não começar a comer sem todos começarem...O comer de boca fechada por forma a que quem está ao lado não tenha de ouvir o ruminar ou seja brindado com a maravilhosa visão da boca do estômago...tudo isto são pequenos exemplos de boa educação...

..E que infelizmente se tem vindo a perder.

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segunda-feira, fevereiro 22, 2010

Domingos

Domingo é o dia do Senhor. O dia do trabalhador, se quiserem (para aqueles que trabalham). É o dia que aproveito para me preparar mental e fisicamente para as semanas de labuta que têm início no dia seguinte.

No nosso calendário e modo de vida, Domingo será um dia em que não se trabalha. Já no calendário judaico, e em países que conheço tipo Israel, é um dia de trabalho normal. Como  será uma Terça ou uma Quarta-Feira cá em Portugal. No início faz um pouco de confusão, mas depois surge a habituação.

Domingo é um dia em que evito sair de casa.Tenho a firme convicção que sou mais um otário que não tem mais nada para fazer e resolver ir espairecer enfiando-me voluntariamente no trânsito. Como se já não bastasse o trânsito intenso que tenho de vencer no dia-a-dia...ainda tenho de me controlar no trânsito de Domingo. Com os célebres condutores de Domingo (eles existem).  Basicamente, a imagem mais agradável que me ocorre é mesmo o fustigar-me e de seguida deitar qualquer coisa tipo álcool nas feridas abertas.

Também me agrada particularmente o ter de comprar qualquer coisa que só exista no  supermercado num Domingo. Todas as pessoas têm a mesma lembrança, naquele dia e na mesma hora. Resultado? Muitas meias horas da minha vida passadas nas filas.

Haja paciência..

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domingo, fevereiro 21, 2010

Depressão

A depressão é das doenças que mais aflige a sociedade actual. Derivada de vários factores, poderá ser apontada como sendo uma das causas. Em casos extremados, o suicídio.

Há uma série de factores que concorrem para um estado que poder ser depressivo ou pode ser menos depressivo. A forma de reacção pessoa, a forma como os que estão à volta dessa pessoa reagem, o próprio motivo que leva à depressão, serão entre outros, bons indicadores de como agir. Importa acima de tudo, estar atento, e sem dúvida, ajudar atempadamente.

Conheço vários casos de depressão. Motivada pelo stress profissional, perda de um ente querido, baixa auto-estima ou simplesmente pela solidão. Infelizmente, também tive a oportunidade de conhecer quem tivesse partido deste mundo em consequência de um estado depressivo profundo. A melhor forma de caracterizar estes estados será o que alguém denominou de "gritos mudos".

Importa reter que não basta o papel do profissional de saúde na resolução / auxílio deste tipo de problemas. É importante que todos os que intimamente lidam (dia-a-dia) com esta pessoa também estejam envolvidos. Aliás, não me parece lógico que alguém saia de uma consulta de psicoterapia e mergulhe de novo no meio que lhe é hostil ou mesmo a causa da depressão. Afigura-se-me natural que a conclusão seja imediata e óbvia: dinheiro da consulta "deitado à rua".

Assim sendo, é muito importante que o quadro envolvente seja perfeitamente caracterizado para que se possa dotar das ferramentas adequadas para conseguir vencer o estado depressivo, bem como perceber ou identificar aqueles indivíduos que fazem parte da vida desta pessoa e que podem sem dúvida ter um papel importante na sua recuperação.

Muito ficará por dizer sobre este tema. Não é a minha área profissional ou de formação académica. Contudo, e pelo que vejo, aflige-me um grande bocado que muita gente esteja em estados depressivos (ou pré-depressivos) e não tenha noção disso. Ou em alguns casos, quem está ao lado não perceba. Aí sim...surgem os problemas graves. 

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sábado, fevereiro 20, 2010

Construção Civil

A construção civil constitui na minha humilde e sincera opinião uma variante da escola da vida. Toda a gente devia ter a oportunidade de passar um período das suas férias de Verão a acordar às 0500H e carregar com baldes de cimento até ao sexto andar de um prédio em construção . Seria assim possível o conhecimento do verdadeiro significado da palavra "cansaço" no trabalho.

Essa temporada teria também como objectivo o enriquecimento do vocabulário no português vernáculo. Tenho para mim já ter ouvido nestes meios piropos que fariam corar um carroceiro daqueles à moda antiga. O trabalho continuado nestes meios e em meio unicamente masculino faz com que seja possível ouvir verdadeiras pérolas poéticas.

Um dos aspectos que acho magnífico é a pluralidade de etnias que laboram nas obras que por cá têm lugar. Gosto de pensar nas conversas sobre economia tidas ao almoço entre um paquistanês e um guineense, moderadas por um moldavo. Não raro o dono de obra, não tem conhecimento das situações ilegais relacionadas com a contratação de mão-de-obra por parte dos empreiteiros. A "pedra de toque" é naturalmente o preço baixo da mesma, ainda que para isso sejam fechados os olhos à necessária validação efectiva dos pressupostos legais relacionados.

Numa temática que me é familiar, consequência da uma das minhas valências profissionais (Técnico Superior de Higiene e Segurança), não seria correcto abordar a mesma sem salientar a minha preocupação e consternação com as baixas mortais relacionadas com esta actividade profissional. Contratar um estrangeiro que não tem conhecimento (nunca teve de ter) das práticas de segurança e o não ministrar a necessária informação / formação do mesmo, é deliberadamente ser assumido um jogo da roleta russa com o tempo e tranquilamente esperar que aconteça um acidente de trabalho mortal.

Para finalizar, uma palavra para a (des) organização arquitectónica do nosso País e intimamente relacionada com a construção civil. Tento descobrir diariamente o porquê de tantas obras serem licenciadas em zonas onde existe a chamada "traça característica" indelével...Passa a existir um contraste, nem sempre agradável a vista ou consensual (construção antiga vs construção recente)..

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sexta-feira, fevereiro 19, 2010

Ídolos

Entendo no presente momento ser importante manifestar o meu reconhecimento público por todos aqueles que se prestam a serem avaliados publicamente pelo júri do concurso dos Ídolos. Aliás, dos 30 minutos deste programa que consegui ver até hoje, sem vomitar, fez-me pensar na figura que qualquer um dos elementos que constituem o tão célebre painel de jurados faria se fosse interpretar U2, Michael Jackson, Janis Joplin, etc.

Basicamente, estamos a falar de auto-estima das pessoas. Dos concorrentes acharem que cantam bem ou através de amigos e familiares que acham que o/a concorrente se deve submeter à avaliação. Ser publicamente reconhecido é o sonho de qualquer adolescente. A ascensão meteórica do anonimato para o estrelato paira na mente destas tenras idades. E não há quem chame a atenção para o quão perigosa poderá ser a queda.

Era bom que tudo corresse bem e todos os concorrentes fossem bem sucedidos, mas a realidade não aponta nesse sentido. O fenómeno Susan Boyle é para mim algo inusitado. Parece-me ter havido algum exagero por parte de quem entende ter feito a descoberta desta senhora, ou no limite na avaliação e lágrimas de crocodilo do júri que a aclamou vencedora. Acho pouco coerente. Pouco real.  Mas acredito que queiram ter feito esta dona de casa ver a vida de outro prisma. Todas as estações televisivas se debruçaram sobre esta temática e brindaram os espectadores com a figura desta senhora, que deve um pouco à beleza, de robe e de manhã. Vejo-a como o Calimero, o patinho feio que se tornou de repente um cisne. Por sinal um cisne raivoso quando recentemente não ganhou um prémio num outro concurso de música britânico. A fama tem disto...

Ir ao programa Ídolos é um pouco como se sujeitar deliberadamente a ser apedrejado na praça pública. É o ser assumido que se pode ser motivo de chacota (como acontece não raro) pelo painel de jurados deste programa, nos moldes em que foi idealizado e é apresentado. Acho deplorável que alguém se preste a este tipo de prova. E entendo que ninguém tem o direito de dizer o que já ouvi ser dito a jovens de tenra idade que concorrem enganados.

Sei cantar muito bem. É um das minhas armas. Sei trautear muitas músicas e acompanho com muito gosto algumas das músicas mais comerciais e que vulgarmente se ouvem nas nossas rádios. Nunca tive tempo de ir a um casting destes, mas é um sonho que não pús ainda de lado. Cheguei a fazer uma maquete muito minha, há uns anos atrás, em que vesti o papel de Edith Piaf e cantei com emoção o "La vie en rose". Um clássico, portanto. Estou seguro de ser um talento desaproveitado e que a minha maquete ainda fará muito sucesso um destes dias. Não tenho qualquer dúvida.

Infelizmente, quis o destino que abraçasse outros desafios. Não tão aliciantes como sei que seria a minha carreira enquanto cantor. O tempo mostrar-me-á que vale sempre a pena esperar, e que a minha oportunidade tardou, mas não falhou.

Enquanto não surje "a" minha oportunidade para mudar o meu percurso profissional de sucesso, vou vendo nos intervalos dos bons programas e o quão depressivo pode ser assitir um concurso.

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quinta-feira, fevereiro 18, 2010

Gatos

As minhas primeiras palavras são endereçadas aos amantes dos gatos. Com muita pena e para meu desconsolo, os gatos não gostam de mim. Esta é a minha triste realidade. Por mais tentativas que tenha feito até hoje, nunca fui bem sucedido. Qual grandes felinos, também os pequenos gatos têm "a" tal pose. Este será para mim o único aspecto que aprecio nestes bichos. Tudo o resto, não gosto. O serem independentes, o não ser normal passeá-los na rua, o não ser possível atirar um pau e trazerem de volta nos 15 anos seguintes...entre outras coisas.

Importa confessar que as experiências que tive com gatos não foram boas. Nada boas. Sempre fui muito querido e atencioso para os gatos, sempre tive o cuidado de não molestar suas excelências com as minhas energias negativas..e sempre que invariavelmente os tentei pegá-los ao colo, acabei com os braços esquartejados pelas suas afiadas e finas garras maléficas. Donde, e expectavelmente, dificilmente consegui ter qualquer outro sentimento que não seja atirá-los pela janelas de qualquer andar alto e verificar se sempre caem de pé...ou se têm 7 vidas. Acho lógico.

Caso para se dizer que a minha relação com estes bichos é como "cão e gato".

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quarta-feira, fevereiro 17, 2010

Bicicletas

Sempre gostei muito de andar de bicicleta, ou "bicla", ou "bike", terminologia mais corriqueira e madura entre machos.

Salvo raras excepções em que pedalei freneticamente em bicicletas de ginásios ou em bicicletas de amigos, nunca mais pedalei por esse País fora. Também é certo não deixar mais ADN via derme nos vários mantos de alcatrão de cobrem este pedaço de terra à beira-mar plantado. A bicicleta é a culpada dos meus joelhos parecerem as nossas maravilhosas estradas de Portugal de tão esfolados. Muita cicatriz de "guerra".

Volvida quase uma década e meia que abandonei o meu futuro promissor como ciclista, eis que voltou de novo, e em força a moda das biclas. Desencontrei-me, estou seguro.  Fico muito contente por ver tanta gente querer ser saudável, combinar passeios, fazer o tão em voga "cicloturismo" e rematar com uma bela feijoada transmontana ou um Cozido à Portuguesa como só se faz lá em casa. De resto, e como de costume…a bela da sesta para completar o ciclo.

Creio ser coerente quando digo que já não tenho paciência para andar de bicicleta. Não é não gostar…é mesmo entender ou acreditar que neste momento da minha vida não tenho paciência para andar de bicicleta. Já tive, há muitos anos atrás. Hoje em dia não tenho.

Sou capaz de pensar em várias alternativas ao andar de bicicleta, como por exemplo a marcha. E mais baratas. Sim, porque o ter uma bicicleta envolve um investimento...se entender ter uma bicicleta razoável e adequada à utilização pretendida...

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terça-feira, fevereiro 16, 2010

Barcos

Há barcos de vários tipos como se sabe. Cruzeiros, traineiras, lanchas, veleiros, entre outros. Sempre vi o barco como um sinal de ostentação. Não está em causa o prazer que se retira ao andar de barco num rio calmo, ou após alguma incursão no no mar alto. Está em causa o que representa para alguns.

Não consigo deixar de ficar agradavelmente sensibilizado quando alguém "estaciona" a lancha com "preços de apartamento" à vista de todos os plebeus que estão na areia da praia. Basicamente, os barcos são comprados para mostrar ao comum mortal que está a torrar na areia da praia. Tento ver isso como um claro sinal de esperança dado aos portugueses. Um dia chegarão lá.

Os barco devem ser utilizados para fugir dos olhares indiscretos rumo a alguma ilha recôndita. Aí sim, faz todo o sentido comprar um barco - evasão.

No meu caso, o motivo pelo qual não tenho barco prende-se com o simples facto de não gostar. Mas confesso que gosto muito de ouvir atentamente quem os tem. E cuja utilização, não raro, se limita a puxar o ski ou ...a ficar estacionado a umas boas centenas de metros da praia enquanto os donos (e convidados) mergulham e se bronzeiam. Faz-me lembrar os episódios de quem compra jipes para subir passeios...ou para ir às compras do El Corte...

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segunda-feira, fevereiro 15, 2010

Dia dos Namorados

Se há dia rídiculo, e que devia ser abolido, é o dia dos namorados, ou dia de S. Valentim. Dia dos namorados são todos os dias do ano. Ou seja, os 365 dias ou 366 dias do ano caso seja o mesmo um ano bissexto.

Infelizmente, há quem caia nas esparrelas lançadas anualmente. Ele são cartões horríveis com corações e ursos, ele são peluches e bonecos igualmente horríveis, mas que fazem as delícias do sexo feminino. As operadoras de telefones têm lucros inigualáveis (apenas comparáveis aos do  Natal), na medida em que quem não sabe como ou não quer gastar dinheiro numa prenda, envia um sms à / ao "mais que tudo". Ganha o sector da restauração na medida em que todos casais aproveitam para jantar fora. E podia continuar a dar exemplos.

No final, aquele que devia ser mais um dia passado a dois, não é mais do que um dia de consumismo. Só porque sim.

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domingo, fevereiro 14, 2010

Canetas

Gosto muito de canetas. A par e passo com os relógios (e outra paixão que falarei oportunamente), as canetas são sem dúvida uma das minhas paixões.

Existem as canetas roller e as canetas de aparo. Prefiro o primeiro grupo. No dia-a-dia as canetas de aparo não são práticas. Ainda que possibilitem um tipo de caligrafia específico e sejam muito fáceis de usar. Contudo, tenho a convicção firme de que o débito de tinta é enorme, e o máximo que consigo escrever será meia folha A4. Já para não falar que provocam nódoas na roupa muito feias. Falo com conhecimento de causa.

Tenho poucas canetas boas. Contudo, as poucas que tenho são canetas com um significado especial. Não serão canetas invulgares, únicas,  mas marcam a diferença entre utilizar uma "bic" e qualquer uma destas canetas em ocasiões especiais.

Gosto de ver uma boa caneta na mão de um homem ou de uma mulher. Sem dúvida um objecto distinto. Pode mesmo, em alguns casos,  ser considerada uma "jóia". Existem canetas mais caras que alguns automóveis...Da mesma forma que existem marcas de canetas famosas por ter sido utilizadas pelos astronautas na Lua...

Uma paixão que certamente me irá acompanhar para sempre.

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sábado, fevereiro 13, 2010

Aquários

Devia ter os meus 7/8 anos, quando resolvi conjuntamente com o meu irmão, iniciar-me nesta nobre e simpática actividade que é a aquariofilia. O objectivo pareceu-me claro e coerente. Recolher girinos na praia de Carcavelos, transportá-los em baldes de praia para casa e colocá-los num aquário. Lembro-me de ter entendido que os peixes tinham de ser alimentados em número igual às minhas refeições. Três vezes ao dia, portanto.

Foi com desconsolo que percebi que invariavelmente nos dias subsequentes à introdução dos girinos no aquário, os mesmos morriam. Desenvolvi a teoria de poderem não gostar de terem sido roubados à família e inconsoláveis terem decidido partir desta cruel vida. Outra teoria teria que ver com alguém que tivesse tido conhecimento da minha ambição conjunta com o meu irmão, e quisesse sabotar a mesma.  Ou seja, alguém deliberadamente envenenava os peixes. Naturalmente que a culpa recaiu na Dona Maria, empregada de sempre lá de casa.

Só após várias baixas nas colónias de girinos percebi que poderia estar em causa um excesso de alimento disponível no aquário. Também percebi que a água não se regenerava sozinha, pelo que era necessário trocar a água do aquário (encontrei assim a justificação para as paredes do aquário estarem sempre verdes).

Não obstante, acho que um aquário bem tratado é tranquilizante. Gosto de ver aqueles aquários enormes, com uma decoração bonita, com termómetros, filtros, castelos em ruínas, pedras, etc. Fico sempre maravilhado. Ainda me vem à memória a minha longínqua (e esforçada) tentativa para ser um profissional bem sucedido neste domínio. Actualmente há empresas que se dedicam exclusivamente à construção de aquários, fornecem tudo, estudam o ambiente em que o aquário vai ser inserido, luz incidente, equipamento para medição do pH da água, etc.

Quem sabe um dia não volto a pensar em construir um aquário?

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sexta-feira, fevereiro 12, 2010

Feira da Ladra

Quem visita Lisboa e não conhece a feira da ladra é como ir a Roma e não ver o Papa. Constitui um ponto de passagem obrigatório. A feira da ladra, como o próprio nome indica, é um dos locais lisboetas onde se pode encontrar qualquer auto-rádio roubado na noite anterior, cd´s pirateados passando pelos puxadores de portas, fechaduras, ferramentas, etc. Tudo aquilo que se possa imaginar tem como destino final esta feira e constitui uma natural e óbvia oportunidade de enriquecimento.

A feira tem um horário de expediente normal às Quintas-Feiras e Sábados (0900H-1800H). Por experiência própria (vão por mim) permitam-me que aconselhe os Sábados de madrugada. E explico o porquê.

Para que sejam feitas boas "transacções comerciais" ou se tenha uma boa capacidade de argumentação, é necessária a motivação e sobretudo a rapidez de raciocínio. Quem tem sono ou gosta de estar na caminha não vai à feira da ladra. Seguramente será enganado(a). Os vendedores que estão na feira  não nos vão facilitar em nada a vida. São profissionais do ramo. Estão habituados a esta vida errante e do como enganar o próximo sem ficar cansado. Não dormem às Quartas e Sextas-Feiras por saberem que vão ficar com mais uns cobres na conta bancária. Por vezes, entendem que aquilo que tem para venda é a "última coca-cola do deserto" e inflaccionam sem compaixão o preço do bem. Gosto muito de ver os potenciais economistas que ali têm a sua oportunidade de brilhar.

Nada melhor que escolher o amanhecer de um Sábado para ir à feira da ladra. Prolongando a saída de Sexta-Feira à noite e aproveitando o alcóol para nos ajudar a "soltar a língua" (leia-se regatear). Em bom rigor, posso avançar que em tempos idos cheguei sair à noite e ir directamente para a feira. Algo que nunca foi muito compreendido lá em casa. 

Contudo, sempre houve uma boa razão subjacente. É que é no amanhecer que se fazem as minhas melhores aquisições. Em grande parte, e na minha opinião, porque o vendedor está tão (ou mais) ensonado, impaciente que nós, os compradores. Ou mesmo "ligeiramente tocado". Ou ressacado (droga).

Há um aspecto que entendo ser algo verdadeiramente único. As encomendas. Ou seja, pode ser feita a encomenda ao vendedor a quem costumo comprar a minha "mercadoria", que na semana seguinte quero 1 DVD específico, umas lâminas de barbear para a Gillette ou outra coisa qualquer. Ou seja, é possível encomendar mercadoria do chamado "circuito paralelo" ao nosso querido vendedor. Por outras palavras, do "gardanho", mercadoria "subtraída", desviada, roubada. Acho óptimo. E questiono-me o porquê da existência das grandes superfícies. Deviam todas ter assento por lá!

Para finalizar, não vou à feira da ladra há alguns anos. Não sei se ainda anda por lá a senhora que aparecia por volta das 0800H e por lá andava a vender carcaças com dois croquetes. Tirava o pão de um saco mais amarfanhado que uma folha seca de árvore, e colocava os croquetes no interior do pão com as mãos que faziam os trocos. Naturalmente não existia a ASAE. O que é certo é que me sabiam pela vida.

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quinta-feira, fevereiro 11, 2010

Desilusões

Sendo uma pessoa exigente comigo mesmo, não consigo conceber uma forma de estar na vida que não seja dar o meu melhor. Se será o certo, ou errado, não sei. Normalmente é, mas contudo já tenho vindo a experimentar situações em que as minhas escolhas se revelaram ser as erradas. Consequentemente é necessário rever as mesmas, reflectir e não errar novamente no futuro.

Por ser exigente são várias as vezes que fico desiludido comigo. Tento adoptar uma postura isenta de erros. Ou quase isenta de erros. Como? Estando atento ao que me é dito, agindo de imediato, sendo alguém em quem se pode confiar.

Se me desiludo comigo mesmo, desiludo-me muito mais com as pessoas. Aqui sim, advogo a ideia de que quanto mais conheço as pessoas, mais gosto dos animais. A menos que estes estejam doentes não falham. E recebem-nos sempre contentes por nos verem. Fazem-nos sorrir ao final de um dia cansativo e apenas pedem em troca um pouco de atenção e mimos.

Sinto um maior distanciamento por parte das pessoas. Maior egoísmo. É cada vez maior o número de pessoas que conheço, e que se refugia no trabalho, para não deixar aflorar ou aprofundar sentimentos afectivos. Consequentemente, preferem não encetar uma relação. São vários os casos que conheço assim. São as mesmas pessoas que sabem que podem contar comigo (como já contaram no passado) em momentos complicados da vida, mas também são aquelas que não têm tempo para um café ou uma conversa quando me apetece ter um pouco de "tempo de antena". Há sempre alguma coisa combinada, algum imprevisto. Em suma, algo que impossibilita o encontro.

É nestas alturas que sinto que tenho de rapidamente rever a minha disponibilidade, por forma a conseguir salvaguardar ou "blindar" um pouco os meus sentimentos. Não estar tão exposto. Esta decisão surge em consequência de começar a conhecer melhor as pessoas. E a agir da mesma forma que agem para comigo. Talvez seja por aí e talvez resida aí o erro que recorrentemente cometo. Dar demais de mim e exigir pouco dos outros. Acho que é altura de mudar.

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quarta-feira, fevereiro 10, 2010

Transportes Públicos

Durante muitos anos andei de transportes públicos. Hoje em dia não ando, porque a minha actividade profissional não o torna temporalmente exequível ou porque a rede de transportes perto de minha casa não é boa. Existe, mas não serve adequadamente as minhas necessidades. Sim, sou comodista, e se saio mais cedo para apanhar transportes, daqui a pouco nem sequer durmo.

Andar de transportes públicos é sempre um momento especial para mim. Especialmente no metro, em hora de ponta, ao ver as caras desesperadas das pessoas a saltar lanços de escadas para não perderem "aquele" metro. Aliás, não me orgulho deste episódio, mas há uns anos atrás preguei uma rasteira a um senhor, numa altura em que íamos ambos a correr para apanhar o metro para as Olaias. Acho que ele não ficou muito satisfeito e ainda chamou uns nomes a alguém da minha família Não fosse eu ter de apanhar aquele metro, tinha perdido o mesmo aproveitando a oportunidade para falar com ele e ensinar-lhe umas boas maneiras. Pateta!

De todos os transportes públicos, o que mais gosto é o táxi. É espantoso como fico a saber que todos os taxistas que apanho, invariavelmente cumpriram o serviço militar na Guerra Colonial. Em Companhias de forças especiais e no meio da selva, onde era "quente". Também estou habituado a ouvir de todos eles o seu ódio visceral aos Governos em exercício bem como a adoração pelo Benfica ou pelo Sporting. Mais uma vez, devo transmitir confiança e conhecimento futebolístico, porque a conversa vai parar sempre no mesmo. O parque automóvel também é uma coisa gira de se ver, sendo que por vezes, sendo amante de carros, tenho oportunidade de ser transportado em autênticas "máquinas". A última foi um Mercedes Benz, mais velho que eu, que na Av. da República, o velocímetro marcou 200 km/H, sendo que a velocidade não devia passar os 100 km/H. Ah, devia ser um carro batido, porque não acho normal eu estar sentado quase fora do carro, de tal forma seguia torto..

Os autocarros também me deixam boas recordações (especialmente quando ía à baixa com a minha mãe e irmão naqueles autocarros de dois andares). Ou mais recentemente, já "quase" homem, mas sem carta em que tinha de andar muito em autocarros mais recentes.

O comboio também é um meio de transporte que aprecio. É curioso ir para o Norte ou Sul do País por altura do final de semana e ter por companheiros de viagens os magalas ou as estudantes universitárias. Há sempre conversa para todos e uma viagem bem passada.

Quanto ao aviões...deixarei esse tipo de experiência para um texto dedicado. Avanço que há dois momentos que adoro: Descolagem e aterragem. Estou particularmente atento nesses momentos (até porque são os momentos mais críticos do vôo).

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terça-feira, fevereiro 09, 2010

Tascas

Sou de opinião que as tascas deviam constituir um local de visita obrigatório. Estarem num roteiro. Toda a gente devia ir ao Rossio beber uma ginja. Ou duas. Devia ainda ser possível experimentar pedir à Dona Maria um pastel de bacalhau acabado de fazer ou umas iscas de cebolada com batata cozida. São experiências únicas.

Não deixo de me sentir algo desolado quando entendo que se perdem muitas cabeças pensadoras.  Treinadores da bola que se perderam ou autênticos "animais" políticos. Não sei como só eu reparo nestas sumidades. Mas adianto que fico muitíssimo lisonjeado (e sensibilizado) quando me questionam ou solicitam a minha singela opinião acerca de alguns temas. Normalmente são questões colocadas por pessoas com 80 anos e sem dentes. O tema é invariavelmente a bola. Devo ter um magnestismo especial, que sempre que frequento estes espaços de tertúlia, fico a conhecer um pouco mais acerca de futebol. Sim, eu que adoro bola.

É importante reter que nestes lugares tipicamente portugueses é onde se aprende e ouve o jargão (já ouvi asneiras impronunciáveis) e passando pela degustação dos pratos típicos, sendo alguns (entre muitos) aqueles que mencionei lá atrás.

Há coisas que não mudam. As tascas são um bom exemplo disso.

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segunda-feira, fevereiro 08, 2010

Seguradoras

Ando a pensar comprar uma seguradora. Quero passar o ano inteiro num local qualquer recôndito, dando ares da minha graça na aprovação das contas e das reuniões do CA. Ou seja, por altura da recolha dos dividendos anuais.

Tenho pena de só tardiamente ter despertado para esta realidade do enriquecimento generoso fácil. A realidade do "como ficar rico sem ficar cansado". Devia ter começado a amealhar uns trocos para comprar acções de seguradoras há alguns anos. Eventualmente já seria alguém com voto em algumas matérias. Já me ligariam a perguntar se concordava ou não com a venda de um novo produto, ou com o aumento generalizado dos prémios das apólices. Vejo-me frequentemente nesse cenário. Apenas e dizer que sim, ou que não, entre dois golos de um Martini Rosso servido numa esplanada do Mónaco.

As apólices têm que se lhe diga. São os filões das seguradoras. Começaram com as apólices obrigatórias dos automóveis, em paralelo com as apólices das nossas casas. Mais tarde começou a vender-se o produto das apólices dos seguros de saúde. As duas primeiras apólices são obrigatórias por lei. E dependem dos valores segurados. Já o seguro de saúde é facultativo, sendo que algumas organizações contratualizam o seguro de saúde básico. Por outras palavras, paga-me 1/70 da despesa facturada pelo Dr. Carlos, meu médico dentista.

No que diz respeito às apólices dos seguros automóveis, também costumo ficar sensibilizado com a carta que anualmente recebo. Senão vejamos: Tenho carta há quase 20 anos. Nunca participei um incidente com culpa. Contudo, porque o Bruno lá da minha rua bateu com o carro vejo a minha apólice inflacionada. "Ah, mas é pouco significativo o aumento". Se o é ou não, só eu saberei. Tenho dois dedos de testa para perceber que vários "aumentos pouco significativos" numa seguradora tornam um relatório de contas muitíssimo apetecível.

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domingo, fevereiro 07, 2010

Bares

Desde há alguns anos para cá que troquei os ritmos acelerados e exuberantes das discotecas pelos ritmos mais calmos e sóbrios de alguns bares que ocasionalmente frequento. Não quero com isto dizer que não goste de ir  de vez em quando a uma discoteca.

Desde logo, há uma vantagem indiscutível no bar. É-me possível conversar. Numa discoteca é possível, mas mais complicado, consequência do "débito sonoro" das mega colunas existentes. O ambiente do bar é tipicamente mais sereno, com mais espaço entre as pessoas e é possível terminar a noite sem estar rouco. Ainda não consegui foi terminar a noite sem o cabelo a cheirar a tabaco, na medida em que em vários bares é permitida a "fumaça". E em algumas discotecas também. Não digo isto como ex-fumador. Contudo, é curioso constatar que naqueles sítios onde é possível encontrar uma densidade elevada de pessoas aos finais de semana, acabam por também ser os sítios onde os sistemas extractores de ar são deficientes e o fumo não é totalmente / convenientemente evacuado. Se assim fosse não ficava com a roupa e o cabelo a cheirar como se tivesse passado a tarde a assar frangos.

Acredito que com o avançar da idade, se opte normalmente por locais mais recatados, ou seja, genericamente, os bares. Contudo, tenho também percebido que nem sempre é aplicável o que acabo de dizer. Noto que cada vez mais pessoas (por vezes bem mais velhas que eu) gostam de ir dar à discoteca  no Sábado à noite. E acho que fazem optimamente.  O mesmo acontecerá com pessoas mais novas, naturalmente.

Sendo eu uma pessoa comunicativa, gosto pouco de estar em locais onde não consiga comunicar. Sinto-me ridículo em ter de ficar em pé (ou sentado), de copo na mão, e ficar calado. Como se estivesse de castigo. E por vezes, com alguém meu conhecido ao lado. É um pouco a mesma sensação que convidar alguém que não vejo há anos para uma ida ao cinema. Tem de se falar ao ouvido, como se estivesse a contar um segredo...enfim..não me agrada.

Tenho conhecido alguns bares novos, nestes últimos tempos, e que se enquadram na perfeição no meu conceito de pacatez e de boa conversa. Com boas companhias. Como não podia deixar de ser.

Quem sabe um dia descubro um bar onde passe a ir sempre, como no mundialmente conhecido "Cheers"?

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sábado, fevereiro 06, 2010

Velocidade

A velocidade é um daqueles temas que me é bastante familiar. Desde miúdo que gosto de velocidade. Há variadíssimas formas de experimentar  a mesma, mas aquela que prefiro é a experimentada nos automóveis. Acredito que tenho tido uma dose generosa de sorte, na medida em que muito frequentemente circulo a velocidades muito elevadas.

Surge como consequência imediata a necessidade de atenção que tem de ser tida para com a condução dos demais utentes da via. Ou porque estão os mesmos distraídos, ou porque já não têm idade para ter carta de condução, ou porque se assustam com algum outro carro, entre variadíssimas outras hipóteses que poderia elencar. No fundo, é importante ter em linha de conta estes pequenos imprevistos que podem ditar o fim (ou não) seguro da viagem.

Para se atingir velocidades elevadas não é preciso grande ciência. Qualquer "chaço" com 20 anos consegue-o facilmente. Atingir e manter velocidades elevadas, transmitindo segurança ao condutor e passageiros é que já será mais complicado. Há carros preparados de fábrica para terem determinado tipo de prestações (eg: travagem melhorada, potência, afinação das suspensões, etc). Há os outros carros que são alterados a bel-prazer dos vários "Rubens" (ver meu texto dos "Cromos") que vivem por esse mundo fora, sendo que, na maioria das vezes é uma questão de tempo até que um azar aconteça. Sendo que por vezes são azares bem graves.

A velocidade, para mim, quando atingida em determinadas condições (estrada limpa, madrugada) e não perigando outros condutores, pode ter aquilo a que chamo de terapia. Na medida em que adoro conduzir, a ligação que se sente entre homem-carro, o traçado da estrada e a rapidez com que os quilómetros são devorados, é viciante. E tranquiliza-me.

Muito mais haveria por dizer relativamente à condução, mas fica a promessa de desenvolvimento desse tema oportunamente. Com calma...na medida que é um tema que me merece toda a atenção..ou não fosse uma das minhas maiores paixões!

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sexta-feira, fevereiro 05, 2010

Os Bancos

Desde há alguns anos que desenvolvi uma teoria simplista da não necessidade dos bancos. Ou seja, entendo que para ter uma conta bancária sem custos associados (manutenção, transferências, etc), ou bem que sou o dono do banco ou guardo o dinheiro debaixo do meu colchão da cama. Irrita-me ver nos extractos bancários a despesa associada aos custos que o meu banco tem de suportar para manter a minha conta.

Gosto muito de falar com o meu banco. Não raro ligam-me umas meninas a querer saber de mim, da minha saúde e digo sempre que está sempre tudo bem. Quando a conversa descamba e me querem vender algum produto fica tudo mal. As instituições bancárias vivem do dinheiro que os seus Clientes lá depositam. O nosso dinheiro é de imediato investido pelos bancos em aplicações, fundos monetários, e claro, reverte ou devolve lucro ao banco. É esse lucro que vai diferir de banco para banco, e se o risco associado ao investimento efectuado é do tipo conservador ou se será mais agressivo.

Há muitos anos recebi dos que dos meus pais um mealheiro do Montepio Geral. Ainda o devo ter por aí algures fechado. Um mealheiro encarnado para mim, e um verde para o meu irmão, ambos com fechaduras para as quais o "senhor-do-banco" teria uma chave especial para abrir, diziam-me os meus pais, para afastar as minhas ideias de arrombamento prematuro do(s) mealheiro(s). Passaram algumas décadas desde então, e a minha pequena fortuna de moedas de 2$50 ainda se encontra confinada e alocada naquele meu mealheiro. Espero sinceramente que quando fôr ter com o tal senhor do Montepio Geral a minha vida mude de vez e possa ir viver para as Maldivas.

É gritante a concorrência entre os vários bancos que operam no nosso mercado. Conscientes da crise económica que veio para ficar, e apoiados numa taxa euribor baixa, praticam um marketing agressivo no sentido de angariar e fidelizar Clientes. Prometem este mundo e outro. O que acontece, passado algum tempo, é que o que se tem de pagar de volta ao banco (ninguém dá nada a ninguém), é muito superior ao que foi acordado. Porquê? Porque ninguém tem paciência para ler as entrelinhas dos contratos.

Também há outros factores negativos nas chamadas políticas de aproximação "Cliente-Banco". Ainda há bem pouco tempo vivi uma experiência muitíssimo esclarecedora do quão desorganizado pode ser um sistema destes. Basicamente, o meu banco tentou vender-me um novíssimo cartão de crédito, com anuidades gratuitas para o resto da minha longa vivência.  Desconheciam que eu fosse Cliente do banco...E quando comuniquei isso, volvidos 20 minutos de conversa simpática com a menina, atalhou conversa e desligou. Má organização e /ou cruzamento incorrecto da informação da base de dados.

Em todo o caso sou "amigo" do meu banco e não o hostilizo. Ou não tivesse lá com ele o meu "faz-me" rir..

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quinta-feira, fevereiro 04, 2010

Greves

Sou um típico "fura greves". Daqueles assumidos. Detesto greves e muito menos aprecio quem promove greves / quem as faz : os grevistas. Encaro as greves como sendo "aquele" motivo que faltava para se ter uns dias extra de gazeta. Veja-se o exemplo de algumas greves do ano passado, e que curiosamente tiveram lugar nos meses de Verão. Tal significou uns dias adicionais de praia. Também eu queria (se gostasse de fazer praia). Vale bem a pena. Curiosamente deixaram de existir greves por parte de alguns sectores de actividade quando o Governo ameaçou que iria descontar nos vencimentos dos grevistas os dias de greve. O direito à greve está consagrado na Constituição, é certo. Mas também existe Democracia há 36 anos, e existem locais próprios para a discussão, sem que pessoas que querem trabalhar saiam prejudicadas. Os grevistas deviam perfilar-se na escadaria da Assembleia da República e fazer greve de fome sem data estimada para terminar. Sem maçar mais ninguém! Sem ser necessário comprometer toda uma série de aspectos directa ou indirectamente relacionados, como por exemplo o trânsito em Lisboa já de si caótico.

Aos períodos de greve corresponde a estagnação do País em determinados sectores de actividade  e obviamente de "produtividade zero". Em grande parte, os "culpados" das greves são os sindicatos dos trabalhadores que as promovem e que funcionam como autênticas máquinas de propaganda política.

Também fico à beira de um ataque de histeria quando constato que alguns daqueles que heroicamente carregam as bandeiras nem sequer saberem o porquê da greve. E são vários os casos. Se olharmos para as greves dos estudantes (com o clássico truque do fecho dos portões da escola com cadeado e corrente) e ouvirmos as suas reivindicações facilmente inferimos o que acabei de mencionar acima.

Para terminar, um pequeno comentário relativo à última greve, que achei "deliciosa". A organizada pelos donos dos carrosseis. Acho surreal o porquê de se fazerem greves quando o Governo apenas regulamentou para que fossem mais rigorosas as inspecções a este tipo de forma de diversão. Ainda que isso envolva um investimento avultado em segurança destes equipamentos.

Enfim..o direito à greve é um direito adquirido. Nem sempre correctamente utilizado.

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quarta-feira, fevereiro 03, 2010

Red Bull Air Race

Desde há 3 anos que a Red Bull trouxe para Portugal aquela que considero ser a prova mais importante da marca. Não desfazendo todas as outras provas, esta é aquela que "separa os meninos dos homens".

Não é qualquer piloto que sabe pilotar um "F1 dos céus". Ou num traçado complicado como é o do Porto. Da mesma forma que não é qualquer marca que consegue reunir quase 1 milhão de espectadores num final de semana. É certo que as provas se realizam no final do Verão (Setembro, tipicamente bom tempo), o que sugere um final de semana passado de forma diferente acompanhado de algumas cervejolas e febras. E de máquina fotográfica ao pescoço (ver meu texto anterior sobre fotografia).

No meu caso, não vou só assistir a mais uma prova da Red Bull Air Race (RBAR). É certo que a prova me desperta grande interesse, mas ainda mais interesse me despertam os programas intercalados nos intervalos da prova. A esquadra de jactos da Breitling. As exibições da Marinha Portuguesa com desembarque de fuzileiros a helicópteros, os F-16 da Força Aérea Portuguesa, a passagem em 2009 do A310 da SATA...tudo isto contribuiu para que em 2009 tenha experimentado vários arrepios nesta velha coluna e tenha sentido a pulsação a disparar. Principalmente por altura da passagem dos F-16 por cima do local onde me encontrava estrategicamente posicionado para as minhas fotos (coloco uma delas aqui neste texto).  Numa delas, o tipo que estava ao meu lado por pouco não ficou sentado ao meu colo com o susto.

A maioria dos pilotos do circuito RBAR tem uma vida profissional ligada à aviação. Alguns são ex- pilotos militares, outros são pilotos de companhias aéreas por esse mundo fora. Não será quem tem vontade ou acha que tem jeito para esta actividade que entra neste circuito. Trata-se de um grupo de elite. E onde só se entra por convite da Red Bull. Naturalmente que têm de ser pilotos exímios. Quem já assistiu à prova sabe do que falo.

O circuito do Porto é particularmente complexo. É sinuoso, a distância entre margens é reduzida e para tornar as coisas ainda mais "interessantes", os pilotos que estiveram no Porto em 2009 não tiveram sessão de treinos, devido às más condições climatéricas sentidas, naquele que seria o dia de treinos livres. Assim sendo, o dia seguinte,  das classificativas,  correspondeu ao dia de treinos. O segundo e último dia, como é normal, foi o da corrida. Ou seja, as coisas não terão corrido de feição para os pilotos empenhados em manter uma boa posição no score total do circuito.

Para 2010 há destinos interessantes: Abu Dabi, Perth (Austrália), Ontario (Canadá), Nova Iorque, Eurospeedway (Alemanha), Budapeste (Hungria) e Lisboa. Alguns destinos são reincidentes e outros destinos são novos. Gostava de ver se conseguia acompanhar alguns dos destinos, aproveitando para conhecer um pouco mais dos locais onde serão os mesmos realizados. Infelizmente creio que não será pacífico dizer na empresa que pretendo uma licença sem vencimento para seguir o circuito RBAR. Talvez seja sumariamente internado. E despedido.

Para terminar, não me vou alongar sobre a celeuma actual: o facto da última prova do circuito ser em Lisboa em vez de ser no Porto. Sendo sincero, é-me indiferente, conquanto me seja possível assistir ao espectáculo. Pela amostra das multidões que esta prova move, parece-me claro, e julgo que a qualquer um(a) de vós também, que o comércio regional é dinamizado de forma exponencial. E foi essa a realidade experimentada pelo Porto durante 3 anos. Agora será a vez de Lisboa. Talvez se pudesse ter combinado tudo isto de forma menos "fracturante". À boa maneira portuguesa não poderia ser de outra forma.

Enquanto se zangam as comadres..que venham os aviões!

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Barbear

O homem depara-se com algumas crises existenciais ao longo da sua vida. Uma delas, sem dúvida será o facto de a partir dos 13/14 anos ter de começar a vislumbrar diariamente o buço. O buço "à Cantinflas" é o eterno inimigo do homem adolescente e que se inicia na conturbada e nem sempre bem sucedida série de abordagens com propósitos amorosos junto  do sexo oposto. Também é certo que é um compromisso que o nosso "futuro e quase homem" assume consigo mesmo. Não é possível "dar o sumiço" no buço quando convém. A partir do momento em que se retira pela primeira vez...assume-se que irá crescer mais forte e mais rápido. Quando acompanhado com a muda da voz vulgar nesta idade, torna-se uma combinação no mínimo hiliariante.

O ritual do barbear tem que se lhe diga. Por razões que se prendem com o pouco tempo que regra geral dedico a esta actividade matinal "pós-duche", não sigo o preceito do recurso à espuma de barba (bisnaga), aplicada com pincel e a célebre e de todos nós conhecida navalha igual à do Sr. Joaquim, o meu fiel barbeiro até aos 17 anos. Uso uma máquina dessas normais e vulgarmente anunciadas na televisão.

A navalha dos barbeiros é um instrumento que aprecio particularmente. Acredito piamente que nunca serei capaz de mudar aquelas lâminas duplas com a destreza dos barbeiros. Ou melhor, serei capaz, mas não sem antes ficar sem epiderme nas pontas dos dedos. Além do mais, o prejuízo pode ser aumentado se não usar a navalha convenientemente, ou seja, no ângulo de corte adequado. Talvez seja esta a justificação para a reticência que encontro neste recurso.

Não consigo de deixar de percepcionar um sentimento de comiseração quando vejo os anúncios dos "homens perfeitos" que se barbeiam nos anúncios da televisão. Frequentemente constato que sou um caso completamente atípico na medida em que só eu faço a barba no sentido do crescimento do pêlo e seguidamente no sentido inverso. É assim que manda o "Manual-do-homem-que-se-preocupa-em-ter-a-barba-bem-escanhoada". Nos anúncios, consegue-se o impossível, que  é  ficar com a pele impecável apenas e só com uma passagem da máquina. Barba escanhoada, na gíria especializada, é o termo correcto para designar uma barba "bem feita". Pele macia qual rabo de bébé..

Abomino as máquinas eléctricas. Das duas vezes que usei uma máquina que tinha cá por casa, há uma série de anos, dei-me mal. Não me querendo alongar muito acerca destes episódios infelizes, posso adiantar que ía ficando sem pele na cara. Talvez devesse ter realizado que não daria bom resultado usar máquinas com a minha idade. Mas a tentação foi mais forte...e o resultado foi andar uma semana com uns vergões na cara que parecia ter apanhado umas chapadonas de um trolha das obras.

Desde há uns 3 ou 4 anos para cá, que tenho deixado crescer a barba durante 2 ou 3 meses. O resultado prático e imediato é envelhecer uns 15 anos e rejuvenescer na mesma proporção quando "desmancho" a mesma.

Para terminar, não posso deixar de comentar o quão cómico vejo aqueles homens que não têm barba e deixam crescer a barba a um ponto tal que parecem ter peladas na cara. Acho que nunca deviam deixar crescer a barba a esse ponto. Ridiculariza um homem.

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terça-feira, fevereiro 02, 2010

Luxos

Tenho de confessar que já cometi algumas insanidades relacionadas com luxos. Não são muitos, é certo, mas são em número suficiente para me provocar um rombo na conta bancária quando resolvo "premiar-me" por algum feito ímpar.

Pessoalmente, vejo os luxos como momentos de maior dispêndio de dinheiro do que seria normal, feito conscientemente,  e para o qual não está associado aquele sentimento de arrependimento imediato. Felizmente para mim são poucos os meus luxos. Ou melhor, tenho de ter poucos: Relógios, canetas e carros. A saber para quem me quiser dar prendas.

Roupa não considero um luxo, vejo como uma necessidade. Não existe uma necessidade de comprar sapatos de determinado valor anormalmente caro ou uma peça roupa de determinada marca. Mas é como tudo. São gostos e "no final do dia" acaba por ser o valor que cada um de nós dá  ao "faz-me rir". Ou ao "bilim".

Lamentavelmente, anda por aí muito boa gente que vive das aparências. Vive acima das reais possibilidades, bem como na perpétua e incessante busca de evidenciar algo que não corresponde à realidade. E claro, como não podia ser, há alguém que se aproveita da pobreza alheia para enriquecer. Falo naturalmente do negócio da contrafacção. Até hoje não consegui entender qual é o gozo de ter no pulso um relógio falso. Das únicas vezes que tive cópias (quase 100% fiéis ao original), partiu-se uma correia de borracha (?!) ao apertar, ou saltaram ponteiros das horas.. O mesmo se aplicará a uma mala Louis Vuitton que sei ter sido comprada na feira de Alenquer. Imagino sempre que um dia qualquer, uma gota de chuva qualquer vá esborratar a pintura...

Também há outros tipos de luxos. Uma massagem revigorante ali no Ritz do Parque Eduardo VII. Ou um final de semana em Paris. Ou porque não uma ida a NY. Tudo "pequenos" mimos que fazem com que nos sintamos especiais. Bem connosco mesmos e que sem dúvida que têm outro sabor.

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