quarta-feira, março 31, 2010

Speed Dating

Speed Dating, para quem não sabe (ou não vive neste mundo), é qualquer coisa que consiste num encontro às cegas, que acontece entre pessoas que não têm tempo para nada, e no menor intervalo de tempo possível. No final, e para essas mesmas pessoas, o encontro poderá ser entendido como uma perda de tempo. Ou não.

Basicamente, tudo assenta na primeira impressão que passa quando se conhece alguém. Logicamente que será importante (e desejável) que a primeira impressão seja a melhor. Por outras palavras, que no tal curto espaço de tempo em que tem lugar o encontro, seja possível debitar o máximo possível de informação que permita um conhecimento bom de cada uma das pessoas. Há agências especializadas na promoção (e realização) deste tipo de encontro com tempos religiosamente controlados. Aliás, é aqui que reside o segredo da coisa.

Fico contente por alguém ter tido a coragem de dinamizar e promover este tipo de conhecimento. Se na generalidade das relações nem décadas de convivência permitem um conhecimento profundo daquele com quem se partilha uma vida, parece-me imediato que tal não será possível com uns minutos de conversa.

Pois comigo não teriam grande sorte. Não consigo imaginar apresentar-me, falar de mim, conhecer a outra pessoa e encontrar um tema de conversa suficientemente interessante em curtos espaços de tempo. Só de imaginar isso consigo ficar com mais cabelos brancos. Fico ansioso e acho que não sairia nada de especial no diálogo.

Contudo, há quem não pense assim e não tenha tempo para conhecimentos mais profundos....e aproveite este tipo de serviço.

Próximo Tema: Desporto

terça-feira, março 30, 2010

Traições

Todos nós conhecemos casos de traições. Ou mais próximos ou não tão próximos, mas existem bons exemplos. Há os casos de traição que duram décadas, há casos de traição pontual, enfim, uma enormidade de exemplos. Nenhum deixa de o ser.

Existe também a traição em pensamento. Esta sugere-me invariavelmente pessoas muitíssimo inteligentes capazes de fantasiar com alguém e mantêm as suas relações (casamento ou namoro). Mas para os mais puristas não deixa de ser traição. Regra geral neste tipo de traição poucas pessoas falam...fala-se mais, e logicamente, naquela que é consumada.

A traição acontece quando algo vai mal na relação, obviamente. A falta do diálogo, a não percepção de alguns sinais, o não conhecimento cabal do parceiro podem fazer com que surja a traição. Mais cedo ou mais tarde.

A traição é um acto cobarde. Cobarde no sentido que enquanto uma das partes aposta na relação, se dedica, se entrega, a outra parte não teve a hombridade de pôr um ponto final nas coisas, após dizer o que está a acontecer ou aconteceu com uma terceira pessoa.

Para terminar, uma palavra especial e dedicada às traições entre amigos. Ou Amigos, na medida em que também as há. Considero estas traições tão ou piores que as que mencionei atrás. Têm lugar por vezes em amizades de muitos anos. Amizades essas onde por vezes são partilhados segredos ou confidências que as caras-metades não têm conhecimento. Daí serem piores, em alguns casos.

Próximo Tema: Speed Dating

segunda-feira, março 29, 2010

Mediatismos

Como já aqui tenho dito variadíssimas vezes, estou muitíssimo contente por viver e trabalhar em Portugal. Recentemente foi promulgada uma lei que estou certo que irá ajudar a esmagadora maioria da classe média portuguesa, da qual faço parte integrante. A tal lei que sugere uma carga fiscal para aqueles que auferem mais de 1000 euros / mês. Praticamente toda a classe média.

E é aqui que surgem os mediatismos. A importância que se dá a algumas notícias. O facto da classe média mais uma vez ser sacrificada. Não se fala de outra coisa na imprensa. O regresso do Hulk do Futebol Clube do Porto aos relvados.

É disto que vivem os media. Venderem o que as pessoas querem ler. Drama. Mortes. Roubos. Escândalos (sexuais, preferencialmente). Calotes. Divórcios. Separações. Netos de famosos...e podia continuar aqui o resto da tarde a discorrer exemplos do tipo de notícia que efectivamente vende e engrossa as contas bancárias dos grandes grupos ligados à comunicação social.

Mas tenho a certeza que é assim que os media entendem contribuir para ajudar Portugal. Fazendo esquecer daquilo que realmente importa e desviando a atenção para o que é secundário ou acessório. Fico em delírio quando percebo que um canal televisivo entende partilhar a informação comigo que o Obama ainda não cumpriu a promessa de deixar de fumar e falar no PEC quase na parte do desporto. O PEC nem é importante para Portugal. Ou não será importante a má opção no presente da construção do novo aeroporto ou do TGV...

Os mediatismos de hoje são consequência das decisões dos lobbies da comunicação social. E pelo que veio a lume há bem pouco tempo...das decisões do Governo.

Próximo Tema: Traições

domingo, março 28, 2010

Filmes Porno

Foi com grande tristeza que realizei que o canal 18 deixou de fazer parte da grelha da TV Cabo. Durante meia dúzia de anos serviu o mesmo para aperfeiçoar o meu já de si medíocre espanhol. Percebi igualmente que pode haver paixão e desejo num filme pornográfico atendendo ao envolvimento e entrega dos actores. A forma como contracenam espelha  muito bem essa realidade. Assim sendo, e com o que fui aprendendo do que ouvi, sou obrigado a confessar que me sinto confortável e perfeitamente capaz de manter uma conversação longa e adulta com qualquer mulher espanhola: "es muy guapa", "si cariñoooo", "me gustas mucho" entre outros mimos. São excelentes quebra gelo em qualquer conversa.

Tenho de admitir que o canal 18 foi uma borla que os amigos da TV Cabo deram a muitos lares portugueses. Todos os homens (e algumas mulheres) tinham conhecimento de que não seria para sempre, mas o que é certo é que "abriu os horizontes" (e não só) a muitos dos telespectadores(as) e acredito que tenha igualmente permitido a que muitos casais improvisassem, tivessem a oportunidade de alargar o seu vocabulário e finalmente percebessem que há acrobacias humanamente possíveis (e passíveis) de realizar.

Uma das grandes vantagens que reside no visionamento destes filmes interessantíssimos reside na história dos mesmos. Ou na ausência da mesma, em bom rigor. À semelhança do que acontece num filme em que já é conhecido o final, também nos filmes porno existe essa nuance. Assim sendo, informo para quem não sabia que é possível não seguir o filme inteiro de fio a pavio. É possível interromper a visualização do mesmo em qualquer momento, ir comprar um frango assado, fumar um cigarro,  voltar e está tudo na mesma. Ou seja, sem novidades. Poderá eventualmente passar pela mudança de uma posição experimentada pelos actores.

Tenho para mim que todos os argumentistas dos filmes porno mereciam receber um óscar na vida. Pensar num argumento, "cozinhá-lo" e pô-lo no papel e algo que não é para qualquer mortal. E imaginando as quantias de dinheiro movidas pela indústria do sexo, acredito que os argumentistas não se possam ficar por um único enredo mensal...Haja imaginação.

Próximo Tema: Mediatismos

sábado, março 27, 2010

Delapidação de Patrimónios

Sem dúvida um dos flagelos actuais para muitas famílias. Falo das famílias porque em termos de empresas há mecanismos judiciais (quando os mesmos funcionam) para sancionar os culpados. Embora reconheça a dificuldade em que se seja feita prova de "delapidação do património".

Infelizmente, todos vamos conhecendo casos destes. Delapidar património familiar, é, na minha opinião, a utilização de capital ou bens da família, para venda e utilização do dinheiro resultante em proveito próprio. Isto sem autorização, obviamente. Se quiserem, venda das jóias e outros bens herdados para realização de dinheiro rápido.

O acima descrito remete-nos para algumas abordagens, senão vejamos: Qual  razão da necessidade do dinheiro rápido? Jogo, droga, alcóol, pagamento de dívidas...e mais longinquamente...a tão badalada doença dos "compradores compulsivos". Paralelamente, entendo que jogadores cumpulsivos, compradores compulsivos deviam ser judicialmente proibidos de entrar em determinados locais onde se sabe que irão ficar "alterados". Mandá-los para um retiro em Taizé durante 3 semanas para se encontrarem.

Muito mais ficará por dizer. O que é certo, é que muitas famílias já perderam para sempre jóias de valor inestimável. O mercado dos metais valiosos (entenda-se ouro e afins) foi, é e será para sempre um dos que "mais mexe". E em menos de nada aquela pregadeira da bisavó é derretida..desaparece para sempre.

Próximo Tema: Filmes Porno

sexta-feira, março 26, 2010

Correio Electrónico

Também denominado "e-mail", "mail" ou simplesmente correio. São várias as formas de denominar as mensagens que nos enviam de forma electrónica.

O e-mail promove uma forma de comunicação agilizadora de um contacto mais célere, instantâneo e sem dúvida alguma eficiente. Não fossem os e-mails que pontualmente recebo da "célebre-corrente-que-não-pode-ser-quebrada-e-tens-de-passar-a-10000-pessoas-senão-vais-morrer-em-3-segundos" ou o habitual "como-ter-um-pénis-de-90-cm-em-duas-horas" ou ainda como "tome-um-comprimido-destes-e-emagreça-15-kg-em-1-dia" e o sistema seria perfeito. Como nem tudo corre de feição, estes e-mails irão continuar ad eternum a entrar na minha caixa de correio. Já pensei várias vezes em guardá-los todos, um a um, e devolvê-los ao acéfalo que inventou o spam. Ou utilizando a tortura / privação do sono deste iluminado, obrigá-lo a repetir até ficar sem voz que não irá desenvolver mais ferramentas que enviem e-mails automaticamente.

Por outro lado, o e-mail tornou-se algo banal nos dias que correm. Não cabe na cabeça de ninguém trocar cartas registadas com AR. Isso acontecia no antigamente. Hoje em dia, o e-mail constitui de forma perfeitamente legal e é assumidamente um meio de comunicação tão utilizado como era a tal carta. A vantagem reside no facto de tudo isto ter lugar em milésimos de segundo, à distância de um clique no rato no botão "send" ou "enviar" e com uma poupança de tempo que pode chegar a semanas em alguns casos. Lembro-me por exemplo do tempo que demorava o correio transcontinental.

Assim sendo, atrevo-me a dizer que quem não tem uma conta de correio electrónico nos dias que correm parou no tempo. Não quis adaptar-se às novas tecnologias, e tem o seu negócio em risco. Será uma questão de tempo até que seja ultrapassado(a) pelas empresas concorrentes. Não faz qualquer sentido em pleno século XXI viver agarrado à forma de correio tradicional e/ou esperar respostas durante semanas. Não numa altura da era de informatização global. Não numa altura em que até já vendem os "Magalhães" nas camadas mais jovens antevendo e promovendo um contacto das mesmas com os computadores. Tal seria impensável há umas décadas atrás...

Próximo Tema: Delapidação de Patrimónios

quinta-feira, março 25, 2010

Moda

A moda sempre exerceu um fascínio enorme sobre este vosso amigo. Tenho para mim que sou uma pessoa com bom gosto, que até gosta de se vestir bem, e que, confesso, tem um gosto conservador / clássico nos dias que correm.

Assim sendo, faz-me confusão que alguns jovens de hoje não tenham aquilo a que se pode denominar de "discernimento" no vestir. Uma pessoa que usa as calças a meio do rabo não pode estar bem da cabeça. Parece ter uma fralda suja no interior das calças e que com  a gravidade força as mesmas a ir para baixo. Analogamente, faz-me alguma confusão que algumas mulheres usem sapatos abertos com collants ou meias. Não entendo. Mas reconheço que podem ser os meus conceitos de moda possam estar desajustados.

Outra das minhas irritações tem que ver com o grande alarido se faz relativamente aos frequentes estados anorécticos dos/das modelos que andam nestas lides da moda. Não entendo o porquê. Cada um é livre de fazer o que quiser e bem entender. Se alguém interioriza que tem de perder 15 kg para fazer uma passagem para a Carolina Herrera, que o faça. Qual o problema? Se daí resultar um problema grave ou perigo para a sua vida...tal decorrerá da exclusiva responsabilidade do/a irresponsável que consciente e voluntariamente a cometeu. Sinceramente, não entendo o porquê disto ser notícia. Ou de se perder tempo com este assunto.

Ainda assim, e para terminar, acho que hoje em dia se veste melhor comparativamente há uns anos atrás. Poderá ajudar o facto de ter tido lugar uma "internacionalização" com a penetração em Portugal dos grandes armazéns e marcas de roupa mundialmente conceituadas.

Próximo Tema: Correio electrónico

quarta-feira, março 24, 2010

Presentes

Dar e receber presentes é um gesto normal nos dias que correm. Contudo, e para mal da generalidade das carteiras de muitos, a tendência é de se oferecerem presentes cada vez mais caros. Basicamente, evidenciar sob a forma de um presente, a estima que temos por determinada pessoa. Esta é se quiserem a razão de ser da troca de prendas para muita gente.

Confesso que durante algum tempo pensei assim. Decerto se compreenderá que se alguém nos oferece uma prenda com um valor de 10 euros poderá parecer ofensivo devolvermos por altura do aniversário dessa pessoa uma prenda de 50 cêntimos. Ou seja, existe o dogma que vai passando século após século, e que nos é incutido desde tenra idade de que é necessário trocarmos prendas de igual valor. Ou próximo.

A questão muda de figura quando alguém inverte as regras do jogo. Das prendas mais valiosas que recebi até hoje foi um avião de papel feito por um vizinho meu lá do prédio.  Com 7 ou 8 anos de idade, foi convidado de surpresa pela minha mãe, e só teve tempo de amanhar um avião e dar-me de presente. Fiquei bastante sensibilizado.

Também dediquei algum tempo a desenvolver uma teoria minha que assenta no facto de achar que as prendas que ofereço aos outros têm de ser adequadas. Ou úteis, se preferirem. Não me parece adequado oferecer um livro de culinária do Olivier se a pessoa detestar cozinha. Ou oferecer uma caixa de chocolates belgas raríssimos se a pessoa for intolerante ao chocolate. Ou seja, decorre também do quão familiarizados estamos com essa pessoa.

Por último, uma reflexão. Não entendo o porquê dos ateus trocarem as prendas por altura do Natal. Reviro os olhos quando avançam que é prática em Portugal. Também será costume a prática dominical da missa e não me parece que tal aconteça por parte dos mesmos. Basicamente, o sistema está deturpado. Confunde-se frequentemente o gesto de oferendas, simbolizando as ofertas ao Menino Jesus por parte dos reis magos, com um mau costume enraizado nas sociedades que o praticam por ser "hábito".

Acredito que muita gente que troca prendas não entende ou não sabe o que está subjacente.

Próximo Tema:  Moda

terça-feira, março 23, 2010

Pastores

Tive oportunidade de assistir há poucos dias uma peça televisiva alusiva à vontade convicta de um adolescente de 16 anos que pretende seguir a actividade de pastoreio como meio de subsistência. Confesso que achei  uma certa piada ao facto de alguém que nem sequer atingiu a maioridade ter o objectivo de chegar cedo a casa e alimentar ou passear as ovelhas e cabras que integram o seu rebanho...

Um adolescente que antes de se ir deitar procura na internet melhores formas de passear as ovelhas é alguém que está adaptado à realidade contemporânea, é certo,  mas evidencia indubitavelmente  a "fractura" com a clássica imagem do pastor que passeia o seu rebanho , com o inseparável cajado e o seu fiel companheiro de todos os momentos - Piloto. Também poderá reflectir o pouco sucesso que o mesmo terá junto da facção feminina. Se sai da escola e vai pastar, não promove a sociabilização. Por outro lado, tenho algumas reservas relativamente ao facto de alguma menina gostar de, numa base diária,ir mirar a mesma paisagem enquanto as ovelhas e cabras pastam.

Não estará em causa o facto de serem procuradas as técnicas de melhor pastar as ovelhas e as cabras. Está sim em questão a dedicação tempo de antena (prime hour) para um adolescente que não sabe o que quer. Com 16 anos e com uma vontade maior em pastar ovelhas do que estudar, só me pode dar para a risota. Ainda por cima com a conivência do progenitor que babado anui para as câmaras de televisão com a vocação do seu filho..

Próximo Tema: Presentes

segunda-feira, março 22, 2010

Amoladores

Tivesse eu um daqueles apitos dos amoladores e todos os dias soprava no mesmo só para ouvir aquele som que tenho para mim como sendo delicioso. Aliás, em bom rigor, os inícios e finais das reuniões, das formações, seriam marcados por este som.

Com grande tristeza minha, são cada vez menos vezes que oiço o Sr. Francisco, meu amigo amolador. Não sei se terá que ver com o facto de sempre que lá aparecia na rua há uns valentes anos, eu lhe colocar 70000 perguntas. Hoje em dia torna-se mais fácil comprar um guarda-chuva novo ou uma faca nova na loja do Sr. Ming (que até tem a loja aberta aos Domingos e não sabe o que são feriados), do que esperar pelo meu amigo que durante décadas respondeu de forma incansável e paciente. Acho que também quis ser amolador a dada altura.

Para se ser amolador é preciso preencher alguns requisitos. Trata-se de uma profissão em que são exploradas algumas faculdades pessoais, essenciais à labuta diária destes homens, senão vejamos: imagine-se que o Sr. Francisco estava constipado...não conseguiria soprar convenientemente o seu apito, logo, quem como eu morasse num apartamento alto não o ouviria chamar lá em baixo. Por outro lado, se o Sr. Fernando tivesse uma conjuntivite  no olho esquerdo, certamente não seria aconselhável afiar uma faca naquela pedra que rodava à ordem do seu pedal....talvez ganhasse um problema mais grave se a faca lhe fugisse das mãos...

À semelhança do que  já aqui escrevi sobre os oleiros, também a actividade de amolador é cada vez mais rara e dentro de pouco tempo tenderá a desaparecer.  Infelizmente.

Próximo Tema: Pastores

domingo, março 21, 2010

Humildade

Conheço cada vez menos pessoas humildes. Infelizmente, torna-se cada vez mais complicado para as pessoas serem humildes, assumirem-no e consequentemente "descerem do poleiro" onde frequentemente se encontram.

Ao longo dos anos constatei que o ser (ou saber ser) humilde é (ou pode ser) uma qualidade. Evidencia maturidade, sugere um conhecimento profundo de si mesmo e alude a uma predisposição para fortalecimento ou consolidação das relações interpessoais.

É pena que nem toda a gente disponha desta clareza de pensamento, ou de uma mentalidade que faça com que a humildade se reflicta em pequenos gestos que poderiam tornar a convivência mais sadia. É igualmente lamentável que determinados estilos de  vida profissional (eg: competitividade) seja transposta para dentro de casa e os valores de cada indivíduo sejam preteridos para segundos e terceiros planos. A jusante, uma das consequências imediatas passa por relações familiares / afectivas bem mais débeis e seguramente mais despersonalizadas.

Próximo Tema: Amoladores

sábado, março 20, 2010

Maratonas

Congratulo-me todos os dias por viver num País onde cada vez mais se assiste ao "engordar" do número de participantes nas várias maratonas, mini maratonas que se vão organizando durante o ano. É muito bonito e frequentemente sinto e penso que devia participar num destes eventos, quanto mais não fosse para marcar um ritmo bom na corrida (a lebre do pelotão), conquistar a camisola amarela e obviamente ir ao pódio abraçar uma loira e uma morena que me beijariam para a habitual foto da posteridade.

É muito bom (para a imagem das empresas organizadoras) e para a saúde dos que participam as maratonas. Contudo, quase que aposto em como todos aqueles que dizem que vão participar apenas correm 10 metros e o resto fazem em ritmo da maratona em ritmo de marcha. Em amena e tranquila cavaqueira. Ou por outra, fingem estar correr quando passam as motas com câmaras de filmar dos canais televisivos ou quando se ouve os helicópteros que fazem a cobertura aérea do evento.

Torna-se pois importante desmistificar e desmascarar esta combinação toda. Acharia bem se os participantes destas maratonas chegassem ao fim suados. Ou se de alguma forma fosse possível confirmar a perda de 5 kg depois de terem suado as estopinhas durante o exercício físico que supostamente seria intenso e no fim não é mais que uma caminhada ou passeio em cima da Ponte.

Para terminar, uma palavra para o magnífico exemplo que temos cá dentro. O nosso Primeiro Ministro é um acérrimo desportista e que tem como estandarte a prática regular do jogging em alguns países que visita. Ainda recentemente o fez em Moçambique e profusamente mediatizado. Gosto muito de saber os hábitos saudáveis que o meu Primeiro Ministro tem. Tranquiliza-me de sobremaneira saber que é alguém saudável e faz-me imaginar que gostaria muito de ter a sua condição física e fumar aquilo que se diz que fuma. Estou certo que nem tendo deixado de fumar há quase um ano o conseguiria acompanhar...

Próximo Tema: Humildade

sexta-feira, março 19, 2010

Aulas de Dança

Um tema muitíssimo interessante e com pano para mangas. Era capaz de ficar por aqui um dia inteiro a partilhar com todos os meus seguidores (as) as maravilhas da dança. Confesso, e colocando a mão na consciência, que tenho tudo para ser um dançarino exímio. Não fosse a falta tempo, era homem para ir ao mercado da Ribeira dançar com a Dª Maria Antonieta ou Dª Hortênsia aos Domingos à tarde. Convites não me faltam.

É no seio deste alegre e descontraído ambiente que se cimentam amizades e porque não, se aprendem passos de dança que não se ensinam nas escolas de hoje. A Dª Maria Antonieta, no auge dos seus 74 anos ou a Dª Hortênsia na pujança dos seus 78, minhas grandes amigas, certamente teriam todo o prazer em partilhar comigo algumas dicas que me permitiriam brilhar junto das camadas mais jovens. É esta a lei da vida e é o que espelha a passagem de conhecimento de verdadeiras amantes da dança para um novato nestas lides. Moi même.

Tenho para mim que um dia destes terei de lá ir cumprir a minha promessa amiúde protelada. Encher-me de coragem e porque não, conhecer outras pessoas, simpáticas, afáveis, com uma inegável e interessante experiência de vida marcada episódios que me vão fazer ficar muito agradado. Não tenho a mais pequena dúvida que será isto que vai acabar por acontecer.

Da mesma forma, não tenho muitas dúvidas que vou ser alvo de cobiça por parte das muitas das amigas da Dª Maria Antonieta. Sendo mais novas (faixa etária dos 65 anos) é natural que tenham outro tipo de necessidades e ainda tenham um espírito sagaz de novos conhecimentos e novas experiências. Estou ansioso por ampliar a minha rede de amizades. E é nestes locais bem frequentados que é possível ter o útil (amizades) e o agradável (dançar umas boas modas).

Uma última palavra para as músicas que neste tipo de aulas passam. As músicas do Joe Dassin ou Demis Roussos fazem-me sentir leve e frequentemente consigo imaginar-me a dançar muito....e bem acompanhado naturalmente.

Próximo Tema: Maratonas

quinta-feira, março 18, 2010

Escolas de Condução

Das experiências mais gratificantes que tive foi sem dúvida o ter tirado a carta de condução. Mais aulas de código e de condução fossem obrigatórias e certamente que com todo o prazer e gosto as teria tirado / feito. Paixão pelos automóveis / condução, portanto.

Tive o privilégio de ter tirado a carta numa escola de condução de renome (pertencente ao maior clube português - Automóvel Clube de Portugal). O ACP tem a particularidade de ter um simulador em sala, que familiariza os instruendos antes de passar para a condução no carro verdadeiro. Como se imaginará, foram vários momentos em que o professar teve dificuldade em me convencer a sair do simulador. Embora o grafismo dos monitores fosse antigo e aludisse a cenários da década de 1960/1970 dos Estados Unidos, foram várias as viagens que fiz por entre terras lusas ao volante do simulador. Só mais tarde se avançou para a rua(condições reais) e tive a sorte de ter tido um instrutor de condução com quem estabeleci de imediato uma boa relação. Considero importante e sem dúvida que foi um facilitador da aprendizagem.

Convém salientar que já tinha uma longa experiência de condução. Com 10/11 anos já ligava os carro aos meus pais, com 12 anos já puxava o carro à frente e atrás e com 14 anos já trocava de velocidades com o pai ou a mãe a conduzir. A experiência salta à vista. Com 16 anos consegui fazer o impensável. Partir a mola de um travão de mão a fazer marcha-atrás. Defendi até ao último momento a teoria de defeito do material.

Não é qualquer pessoa que sabe conduzir que se torna um bom instrutor de condução. Acima de tudo, importa ser uma pessoa calma, ter reflexos rápidos, uma boa dose de paciência e não ter propensão para ter cabelos brancos. Em alguns destes exemplos não me consigo rever pelo que, ensinar a conduzir se poderia revelar uma tarefa complexa, ou angustiante. Ah..e sendo no actual momento grisalho, certamente que em menos de um fósforo ficaria careca...

Para terminar, é flagrante o baixo nível de ensino da condução praticado por cá. Os erros de condução cometidos e as falta de civismo na estrada, não estando directamente relacionadas com o ensino, têm que ver com a forma como o mesmo é ministrado. Importa pois, incutir nas escolas de condução práticas boas e seguras neste domínio. E não cair no erro recorrente de "passar mais um" com vista a engordar os cofres da escola e para "piscar o olho" a futuros instruendos.

Há bem pouco tempo foi publicitada uma razia nas escolas de condução nacionais. Muitas tiveram de fechar as portas em consequência de gestão danosa e de práticas ilegais (leia-se conceder título de condução sem que os instruendos estivessem aptos). É necessário que exista um orgão que supervisione este processo. De forma anónima, por exemplo. E que daí possam ser retiradas conclusões que promovam a segurança na estrada e uma garantia de mais vidas humanas.

Próximo Tema: Aulas de Dança

quarta-feira, março 17, 2010

Campismo

Admiro aquelas pessoas que têm o jovial e necessariamente aberto espírito para acampar. Se preferirem, a capacidade de adaptação (e predisposição) para o campismo.

A minha segunda observaçao prende-se com a necessária  e mandatória higiene diária matinal. Bastou-me uma experiência de campismo para perceber que não tenho espírito ou vocação para ser campista. A higiene diária é vital para mim. Foi  neste aspecto que com um sorriso genuíno pensei o quão afortunado me posso considerar por morar na urbe, por ter água quente para fazer a barba todos os dias e por poder tomar banho sem que tenha um vizinho ao lado no balneário a olhar para o "júnior". Como se percebe trata-se de um momento delicado e quiçá capaz de beliscar a masculinidade e virilidade do macho.

Há quatro tipos de campismo: o da tenda, o da auto-caravana, o da "casa" no parque de campismo e o campismo selvagem. Não irei desenvolver todos eles, até porque são sobejamente conhecidas as suas diferenças. O único tipo de campismo que me parece aceitável, é o da auto-caravana. Existe algum luxo, proporciona mobilidade se eventualmente me fartar daquele local,  garante conforto e impossibilita o ter de ouvir o ressonar do Sr. Fernando e a sua mulher, D. Alzira que, no Parque de campismo de Monsanto e há 42 anos passam os habituais primeiros 15 dias do abafado mês de Agosto. Que boas e prazeirosas sestas fazem ambos depois da bela sardinhada diária..

Os outros tipos de campismo não têm piada nenhuma. Não me entra na cabeça a essência do campismo selvagem. Ocorrem-me logo dunas na praia, invasão de propriedade privada, ou seja, qualquer coisa ilegal. Associo sempre a hippies ou alguém que se considera de alguma forma "contra o sistema" ou simplesmente anárquico.

Já a tenda e a "casa" no parque de campismo conseguem fazer-me imaginar pessoas de faixas etárias distintas e com posturas e interesses diferentes na vida. A tenda será para a juventude, que gosta de dormir nos tapetes de borracha e próximo da bicharada. Quem não gosta de apanhar uma valente piela, aterrar no chão da tenda e dormir até às 1600H do dia seguinte? Sublime desejo de muito boa gente, acredito eu. Já no caso da "casa" estamos noutro patamar. Alguém que não quer por nada deste mundo perder o contacto próximo com a natureza e resolve "deslocalizar" o habitual e recorrente conforto da sua habitação quotidiana para o parque de campismo. Como? Muito simples.Edificando uma casa no parque de campismo, em detrimento de outras opções válidas e certamente mais confortáveis. Não raro, nestes casos, é possível ver pequenos canteiros à entrada destas singelas mas bem decoradas "casas de férias". Um pequeno toque dos seus proprietários...

Próximo Tema: Escolas de Condução

terça-feira, março 16, 2010

Despedidas de Solteiro

Sempre achei imensa piada ao fenómeno das despedidas de solteiro. São momentos obrigatórios na vida dos casais e que sem dúvida alguma vieram para ficar. Ainda bem que assim é.

Se virmos bem, são só vantagens na despedida de solteiro. É possível apanhar uma valente piela, com os velhos e bons amigos de sempre. Dizer os maiores impropérios sem que a cara-metade esteja por perto, e sobretudo, avaliar o "material " dos profissionais do assunto sem que levemos um beliscão no braço.

É igualmente nas despedidas de solteiro que é possível descobrir o animal selvagem que existe dentro dos futuros maridos e mulheres. Não raro, é possível observar serem feitas coisas que, em alguns casos os queridos maridos e queridas mulheres não desconfiariam que quem têm ao lado fosse capaz de fazer. Acho isto óptimo. É como se houvesse um segredo guardado para todo o sempre entre o/a visado(a) e convidados.

Não entendo muito bem o propósito em ir a um clube de striptease. Não consigo perceber a piada em ir a um clube destes, com 10 amigos, pagarem-nos  um table dance...e estar ali, sem poder tocar, com uma esculturar e simpatiquíssima loira de seu nome Simone. Aliás, em abono da verdade, aprofundar o conhecimento com estas amigas tem associada uma probabilidade nula ou próxima disso.

Assim sendo, na minha humilde perspectiva, as despedidas de solteiro servem para observar as figuras ríduculas a que são sujeitos os noivos na véspera dos casamentos. Nada mais que isso.

Depois disso...de volta à realidade. Para o resto da vida.

Próximo Tema: Campismo

segunda-feira, março 15, 2010

Monsanto

Das boas memórias que tenho da infância, algumas estão relacionadas com idas à mata de Monsanto. Lembro-me de lá ter começado a ir quando estava na primária, e muitos anos mais tarde recordo-me do quão interessante era um passeio grande e demorado nesta zona com o meu cão.

São cada vez menos as matas existentes no seio das cidades, e objectivamente falando de Lisboa, Monsanto é o "pulmão" da mesma. Existe a também conhecida conotação negativa associada a Monsanto e que está relacionada com a prostituição. Pelo que me foi dado a conhecer ao longo dos anos, é um poiso habitual de "meninas" e seus chulos. Nunca tive um encontro imeadiato com qualquer uma destas figuras. Talvez não frequentasse os seus "poisos habituais", que até hoje desconheço localizações.

Ter a possibilidade de ir passear a pé em Monsanto, respirar o ar puro, sentir a tranquilidade, tem um efeito revigorante em qualquer pessoa. Em determinadas zonas mais elevadas da mata é possível ver-se a bonita cidade de Lisboa. Lamentavelmente, e por questões de segurança, não é aconselhável a visita destes bons pontos de observação por razões de ordem de "pico de trabalho" da actividade profissional que mencionei atrás...

Próximo Tema: Despedidas de Solteiro (a)

domingo, março 14, 2010

Mata-bicho

Aqui está um tema que gosto particularmente de comentar / desenvolver. Não que seja uma pessoa que aprecie o "mata-bicho" logo pela manhã ou após o almoço/jantar. Gosto sobretudo a associação de palavras.

Pedir um mata-bicho é o mesmo que usar um código conhecido e consensualmente aceite entre clientes e pessoas que trabalham na restauraçao. Quando alguém utiliza este código com o homem lá do café/restaurante, (com ou sem piscadela de olho),  será o mesmo que dizer..."arranje-me aí um cálice da s/melhor aguardente, que estou mesmo precisado de um calor aqui no meu interior". Sem espinhas. É isto mesmo.

Há contudo algumas particularidades. A título de exemplo, não deixa de ser curioso perceber que afinal há pessoas que necessitam do calor logo pela manhã. Foram já várias as vezes  que dei conta de existir friorentos que pedem o mata-bicho antes das 0900H. Tal leva-me a pensar que poderei ter o termómetro interior avariado..Nunca tal me ocorreria.
Há também quem chame ao mata-bicho simplesmente "digestivo". Uma forma bem mais educada de pedir a zurrapa para acamar bem a refeição.

No meu caso, e quando me apetece ou estou para aí virado, peço a habitual mousse de chocolate "com cheirinho". Há quem peça o café. Gosto bastante da combinação do chocolate com a aguardente. Especialmente quando carregam bem na aguardente e deixo de sentir o sabor da mousse. Nesse caso é mesmo a loucura.

Claro que também recorro frequentemente às mezinha (aguardente, mel, leite quente)  quando estou constipado. Costuma ser remédio santo...e passados dois dias estou novo.

Próximo Tema: Monsanto

sábado, março 13, 2010

Eléctricos

Já não utilizo o eléctrico há bastante tempo. Se a memória não me trai, a última vez que utilizei este meio de transporte terá sido algures em 1980, e num trajecto entre Algés e Belém. Ou na baixa (sendo que aí seria uma memória mais antiga ainda...)

Em virtude de ser um meio de transporte que não existia próximo do zona em que morei, e tenho de confessar que era com algum entusiasmo e excitação que ía para casa de uma das minhas tias que morava ali em Algés, e  sempre na expectativa de que, conjuntamente com os meus primos, tivéssemos oportunidade de ir ali para perto do Palácio de Belém utilizando este meio de transporte. Claro está que a viagem era prazeirosa e marcada pela diferença para os outros transportes que na altura usava (eg: autocarros de dois andares).

Também me recordo da história que o meu tio nos terá contado umas 5000 vezes e que tinha que ver com alguém que ficou sem cabeça quando inopinadamente se pôs de fora do eléctrico. Achava aquilo uma declaração muitíssimo séria e para ter em conta. Sempre guardei uma distância de segurança das janelas, não fosse alguém de fora puxar-me e cortar-me a cabeça. Nunca se sabe.

Hoje em dia são raros os eléctricos na cidade de Lisboa. Creio que continuam a trabalhar no mesmo traçado, ainda que com outro tipo de composições, maiores, sem o chão em estrado de madeira e sem a campaínha típica...

Próximo Tema: Mata-bicho

sexta-feira, março 12, 2010

Bullying

Bullying, por definição da wikipédia, é o termo utilizado para descrever actos de violência física ou psicológica, intencionais e repetidos, praticados por um indíviduo ("bully" ou valentão) com o objectivo de agredir e intimidar outros indivíduos incapazes de se defenderem.

Escrevo este texto numa altura em que não apareceu ainda o corpo de uma criança que se atirou ao rio depois de ter sido alvo de violência por parte de um grupo de colegas de escola. Na minha humilde visão e apreciação desta situação, e não obstante ter tido lugar a lamentável perda de uma vida humana, é importante avaliar a situação em apreço com a finalidade de prevenir futuras situações análogas, "escutando activamente" as vozes de outras crianças alvo de violência bem como a dos pais das mesmas. Falta, sem dúvida alguma, "mão pesada" para pôr cobro a este tipo de situações. De uma vez por todas.

Assim sendo, e pelo que me foi dado a conhecer na peça televisiva, vários pais já teriam alertado para esta situação. Contudo, e inexplicavelmente, nada foi feito, na medida em que os indefesos, queles que foram objecto da fúria e violência dos mais fortes, continuaram a sê-lo. Torna-se necessário haver apuramento de responsabilidades, e parece-me que não há dúvida alguma que o primeiro culpado neste infeliz episódio será o Conselho Directivo do liceu. Não preveniu cabalmente a re-ocorrência de situações de agressão para os seus alunos. Desde a primeira queixa, quer de alunos, quer dos pais.

Importa igualmente perceber o porquê de tamanha violência contra alguém. O porquê da continuada violência para uma certa pessoa. Será o facto de não ser oferecida resistência? Será o facto de não haver capacidade para dar resposta ao valentão? O facto desta violência ser impune por ser perpetrada por menores? Não sei. Para isso há os psicólogos, psiquiatras e outras entidades que se irão certamente debruçar (ou deixar cair no esquecimento) sobre este assunto. Quero acreditar que existirá uma comissão de inquérito constituída para a clarificação deste assunto.

Também eu andei no ensino português. Sempre adoptei uma postura antípoda aquela que retrato acima. Sempre me posicionei do lado do agredido e não raro tive de fazer justiça pelas próprias mãos contra um ou outros indivíduos tidos como agressores. Curioso o facto de como os valentões deixam de o ser depois de levaram duas chapadonas bem metidas. Ou como o próprio grupo que acompanha o valentão entende que é melhor "ir andando que se vai faz tarde".

Pois é...como em tudo, e infelizmente, o mundo está para aqueles que fazem as coisas de forma errada. Existe a sensação de impunidade para este tipo de crime o que convida a que o mesmo seja repetido em vários estabelecimentos de ensino por esse País fora. A justiça portuguesa pouco ou nada poderá fazer na medida em que não reconhece na generalidade dos casos a maioridade para aplicação de pena.

No "final do dia", temos em alguns casos o suícidio em consequência de actos violentos direccionados.

Pena eu não ser o pai de uma das crianças agredidas deste liceu. Os agressores só teriam a sorte de o fazer uma vez. E teriam o azar de me conhecer pessoalmente.

Próximo Tema:  Eléctricos

quinta-feira, março 11, 2010

Advogados

Tenho imensos amigos e amigas que seguiram o maravilhoso mundo da advocacia. Alguns para fugir das matemáticas (a esmagodora maioria) e outros porque acharam que poderiam ser sócios de qualquer bom escritório de advogados e não ter de trabalhar mais o resto da vida.  Da realidade que conheço, e extrapolando para a dimensão nacional, não erro muito se avançar com a teoria que há uma oferta maior de advogados do que realmente é necessário.

Como me dizia alguém há uns anos atrás, é curioso perceber como há cursos que ensinam a "ler", "escrever" e a "falar". Um desses curso é o da advocacia. Resumidamente, qualquer bom advogado lê o que mais ninguém consegue ler, escreve de uma forma (ou tem alguém que por ele/a escreva de forma "formatada" - aprende-se nas faculdades de Direito) e fala como ninguém. Sinceramente, e no momento em que escrevo estas linhas, admira-me o nunca me ter ocorrido ter seguido advocacia. E ter comprado uma farmácia já agora. Teria sido ouro sobre azul, e neste momento estaria a escrever este texto debaixo de água nas Maldivas com um copo de gin tónico à minha espera na areia.

Não posso deixar de salientar os honorários pornográficos que os bons escritórios de advogados cobram pelos seus serviços. Se quiserem, o que é cobrado pelos seus pareceres, que não é mais do que serem pagos os serviços por saberem "ler", "escrever" e "falar". Acho isto delicioso e bestial. Então quando há a contratação por parte dos organismos centrais sempre dos mesmos escritórios de advogados...é mesmo a cereja no topo do bolo.

Para terminar, e tendo vários e várias amigos/as que seguiram a vida da advocacia, invejei e invejo a sua imensa capacidade de decorar os livros das leis e "cantar" as mesmas para as orais e exames escritos. Muito livro de Direito vi eu na praia. Acho maravilhoso e mostra-me que desde que realmente tenho uma sub-utilização da minha capacidade mental, em termos de memorização. Já um advogado usará uma percentagem significativamente superior...

P.S: Há uns anos, e estando bem disposto,  resolvi enviar um e-mail a um dos meus advogados em que comentava uma notícia. Escrevi duas linhas, e esperava receber um comentário com o mesmo desenvolvimento. A notícia assim o sugeria, não sendo nada de importante. Lembro-me de ter recebido uma resposta de 4 páginas inteiras, sem que tivesse percebido qual era efectivamente a sua opinião acerca do tema. 

Há coisas giras não há?

Próximo Tema: Bullying

quarta-feira, março 10, 2010

Hippies

Começo por dizer que nada tenho contra quem quer que seja. Muito menos com os nossos amigos hippies. Louvo contudo a sua paciência e firme convicção nos ideais que nem sempre são sinónimo de convivência sadia entre as pessoas. A aversão ao banho, os pés sempre encardidos, os cabelos pastosos, o gosto pela vida nómada, as drogas e o tão apregoado "make love not war".

É igualmente curioso verificar que este fenómeno perdura há mais de 50 anos e a uma escala global (leia-se internacional). Da mesma forma importa reter o tipo de causas a que sempre estiveram ligados. Exemplos bons será a guerra do Vietnam, o capitalismo, os presos políticos, a despenalização das drogas (tinha a sua piada), entre outras causas muy nobres. Confesso que me faz um pouco de confusão, certamente por ter sido criado num tipo de ambiente antípoda a este e balizado com outro tipo de valores.

Contudo, há momentos em que o convívio é incontornável. Muitos dos pais de hoje são os hippies do pós-25 de Abril. Aqueles que combateram o regime, que se insurgiam contra o Estado Novo, fintavam (e faziam gáudio nisso) a Polícia Política. Aqueles que no avançado da noite imprimiam publicações proibidas para distribuir nas escolas no dia seguinte. Aqueles que se revoltavam com o sistema de ensino vigente...enfim, a geração "flower power". Que hoje são pessoas distintas, com uma vida nova...e ideais novos.

Devo ter conhecido dois hippies em toda a minha vida. Embora me relacionasse bem com os mesmos, sempre me fez alguma confusão o tipo de indumentária, a leitura, o tipo de música e uma forma de estar na vida com a qual nunca me identifiquei. Demasiado "parada". Demasiado "calma". Muito "low profile", se quiserem.

Em verdadeiro abono da verdade, os hippies de hoje em dia não são para mim os verdadeiros. Pagam impostos, vivem em apartamentos e vêem televisão. Não se acorrentam no Mosteiro dos Jerónimos contra a realização de mais uma Cimeira subordinada ao tema "Tratado de Lisboa", nem vão fumar charros para a escadaria da Assembleia. São "pseudo-hippies". Pagam tudo e não reclamam. Lêem literatura capitalista, compram carros de países capitalistas e até fazem compras em superfícies comerciais conotadas com o novo capitalismo...Como tudo o que é "pseudo", perde a piada.

Próximo Tema: Advogados

terça-feira, março 09, 2010

Barro

Entre tantas outras opções de vida profissional, o ser oleiro foi algo que durante uns tempos povoou a minha mente. Trabalhar o barro sempre teve em mim um efeito hipnótico e confesso que sempre mantive o desejo secreto de ter uma daquelas rodas dos oleiros no meu quarto. Acordar de manhã cedo, fazer uma ou duas peças de "empreitada" e depois ir à minha vida profissional a sério. Ou seja, manter duas actividades profissionais paralelas sendo uma delas de oleiro.

O contacto com a argila ou barro vem de longe. Refiro-me a algures entre o 2º e o 7º ano de escolaridade. Lembro-me de ter sido pedido, em dada altura, pelo professor de trabalhos manuais, que livremente escolhessemos uma tema e desenvolvessemos uma peça. Com pouco mais de uma dezena de anos de idade,  é claro e óbvio que seria obrigatório gastar umas 3 semanas seguidas com representações fálicas (do tamanho das mesas de trabalho - 1,5 metros x 4,0 metros). Outra coisa não seria de esperar. Finda a brincadeira (só minha - a dada altura só eu me ria), os prazos apertaram e tornou-se necessário fazer aquilo a que me propús. Segundo um desejo que devo ter feito um dia antes...

Resumidamente, pensei ser mais fácil a tarefa de moldar um boneco. Subestimei o grau dificuldade. Sem preparação, sem qualquer tipo de trabalho preparatório (consequência de ter passado semanas na palhaçada), o máximo que consegui foi um boneco perneta, sem olhos, orelhas e boca e ainda sem um dos braços. Achei por bem ficar por ali com a minha experiência no mundo da olaria. E poupar o professor a mais umas dezenas de cabelos brancos.

Contudo, e volvidas algumas décadas, é com algum saudosismo que por vezes vejo uma actividade que tende a desaparecer, por via da tendencial mecanização emergente dos processos. Os oleiros que resistem não conseguem suportar  mais do que a produção residual/familiar e têm contra os grandes grupos económicos dominantes deste negócio, que produzem o mesmo e mais barato.

Ou seja, mais um ofício nobre que se vai perdendo.

Próximo Tema: Hippies

segunda-feira, março 08, 2010

Farmácias

A ideia de ser um feliz proprietário de uma farmácia agrada-me de sobremaneira. Lembro-me de com tenra idade acompanhar o meu pai a uma das farmácias lá perto de casa, e, sem chegar com a cabeça ao topo do balcão, venerar o farmacêutico....

Sempre tive para mim que aquele farmacêutico não iria adoecer de nada. Por outras palavras, aquele farmacêutico era alguém que estaria acima de toda e qualquer doença a que os comuns mortais normalmente estariam. Também mantive a firme crença durante muitos anos que os farmacêuticos não pagavam medicamentos.Não deixa de ser verdade se tivermos em consideração as amostras deixadas pelos delegados de propaganda médica...

Durante muitos anos, ser proprietário de uma farmácia era algo apenas e só possível a licenciados em farmácia. Ora isto, em bom rigor, e em português vernáculo, é o mesmo que dizer que só alguns "mamavam daquela teta". Os outros, os que até tinham dinheiro e que até podiam ter uma farmácia não podiam. Porquê? Porque não eram farmacêuticos. Felizmente a lei mudou há meia dúzia de anos e hoje em dia, para minha satisfação é-me possível concretizar o sonho de ter uma farmácia. Não poderei ser o Director Técnico da mesma (aí sim, tem de ser um licenciado em Farmácia ou Ciências Farmacêuticas, se preferirem), mas posso ter uma ou duas farmácias. Gosto da ideia.

É sempre agradável fazer um raid pelas farmácias de serviço. Convido qualquer um de vós a experimentar fazê-lo depois de um bom jantar. É entrar noutra dimensão. Sempre (e não estou a exagerar), que foi necessário que fosse a uma farmácia de serviço encontrei pessoas que deviam estar num hospital. Ou a desfalecerem, ou de tal forma constipadas que tinham a vista praticamente toldada de tão congestionada estava a cara. Ou com feridas abertas a pedirem pontos... Analogamente, se nesse mesmo momento fosse feito um raid pelos hospitais, veríamos pessoas sentadas nas urgências à espera para serem atendidas em consequência de um golpe de 1 mm no indicador direito. Ridículo mas verídico.

No meio disto tudo, prevalece um negócio que floresce a olhos vistos. Não é necessário ter um MBA ou uma licenciatura em Economia para perceber que uma farmácia é uma fonte de rendimento garantido. Toda a gente adoece. Em algum momento da sua vida. A única ameaça aos medicamentos convencionais, e que até há uns anos era existente, eram os génericos. Que como se sabe vieram para ficar. Uma das formas de contornar este "pequeno problema", foi aumentar a oferta de serviços. Ou seja, há farmácias com gabinetes de massagem, de depilação, que comercializam calçado ortopédico, etc.

Gerir uma farmácia nunca deixou de ser um negócio lucrativo. Assim a mesma esteja bem posicionada. Hoje em dia possível a uma leque maior de proprietários....

Próximo Tema: Barro

domingo, março 07, 2010

Viroses

Quatro dias. Quatro longos dias que esta malvada e impiedosa virose me escolheu como hospedeiro. O que pensei ser uma indisposição passageira, na passada Quarta-Feira, veio a revelar-se ser uma virose.

Os sintomas foram os de sempre. Vómitos, febre, dores no corpo, dores de cabeça e claro, as diarreias. Devo ter perdido uns bons litros por este último meio (tive sempre o cuidado de me  manter convenientemente hidratado).

Em conversa com várias pessoas percebi que será "fruto do tempo". Qual vírus primo da gripe. Não são assim tão poucas as pessoas que, este ano, já foram hospedeiras desta virose que, no meu caso, me fez ficar dois dias de cama. Infelizmente.

A sensação de vulnerabilidade e de fraqueza que este tipo de maleita sugere é indescrítivel. Os estragos que um ser microscópico pode causar num ser infinitamente superior maior evidenciam o quão exposto está o ser humano.

Há uns anos este tipo de doença era mortal...ainda o será...nos países em vias de desenvolvimento.

Próximo Tema: Farmácias

sábado, março 06, 2010

Drogarias

Quando penso em drogarias só me vem à memória a drogaria do Sr. Pardal, lá perto de casa. Foi o Sr. Pardal que durante anos sem fim me vendeu o sebo para eu aplicar nas minhas botas caneleiras, que anualmente convencia a minha mãe a comprar.

Também foi com no Sr. Pardal que eu e a minha "turma" lá da rua encontrámos um cúmplice para a vida. Sem seu conhecimento, naturalmente.  A determinada altura descobrimos uma combinação única de produtos (só vendidos em drogarias). Basicamente, a mistura química de dois produtos específicos fazia com que o Trancão cheirasse a um roseiral em flor. E já se está à espera do resto da história..pois claro. Durante algum tempo andámos com esta brincadeira...saco de produto numa mão, garrafa com líquido na outra, mistura, e fugíamos a sete pés.

É claro que o Sr. Pardal nunca suspeitou que o que nos vendia servia para estas diabruras. Nem tão pouco imaginou os nomes que a senhora sua mãe tinha quando aquele cheiro pestilento tocava nas narinas de alguém.

Há pouco tempo passei pelo sítio que em tempos foi a drogaria do Sr. Pardal. Diga-se em abono da verdade, a única que conheci durante décadas. Mesmo antes de AKI´s e outros que tal aparecerem. Só lá estava o sítio. Se não estou em erro deu lugar a uma retrosaria. Lembro-me de ter ficado triste com a constatação cruel dessa realidade.

Estão-me a roubar os referenciais da juventude...qualquer dia não tenho com que me identificar!

Próximo Tema: Viroses

sexta-feira, março 05, 2010

Hospitais

Felizmente foram poucas as vezes que tive de me deslocar a hospitais por necessidade. Contudo, das poucas vezes em que tal aconteceu, dei comigo a pensar que se trabalhasse num hospital tipo Santa Maria, me perderia todos os dias em que fosse trabalhar.

Confesso que sempre fiquei surpreso com a azáfama dos hospitais. Pessoas que andam de um lado para o outro, ambulâncias que chegam, ambulâncias que partem..vidas salvas e vidas que se perdem. É este o saldo da equação no final do dia.

Como principais variáveis desta equação estão todos os profissionais de saúde (médicos e enfermeiros). A sua dedicação, o seu empenho, bem como o procuraram dar sempre o seu melhor para contribuirem de forma única para o bem-estar dos doentes. Melhorar a sua qualidade de vida, se preferirem.

Os hospitais têm um cheiro característico. Éter misturado com álcool entre outros produtos que tais que nos fazem "saltar" quando aplicados. Mas como se costuma dizer "No pain, no gain", o que traduzido para a língua camoniana significará algo como "o que arde cura".

Desde há uns anos para cá que se tem vindo a perceber o interesse dos grandes grupos económicos neste mundo dos hospitais. Basicamente, prestarem o mesmo tipo de serviço (médico, pois então), a troco de um custo. Normalmente não é barato.  Acho esta forma de enriquecimento óptima. Assumindo que o custo é sinónimo de melhores condições de prestação de serviço, equipamentos tecnologicamente mais evoluídos, só os ricos, no limite, terão direito aos mesmos. Aqueles que não têm dinheiro para os hospitais privados....não precisarão...é o que se me dá a pensar.

Por outro lado, não vejo quem de direito (aqueles que mandam), tomarem iniciativas no sentido de melhorar o atendimento médico aos utentes do Serviço Nacional de Saúde, diminuir o tempo de espera para intervenções cirúrgicas tidas como vitais (eg: transplantes), ou repensar todo o sistema de comparticipação das despesas médicas.

É esta a realidade.

Próximo Tema: Drogarias

quinta-feira, março 04, 2010

Repartição de Finanças

As repartições de finanças que conheço, à boa maneira portuguesa, são espaços únicos. Nestes espaços cumprem-se horários. Ou seja, o início do trabalho acontece invariavelmente às 0900H e o final tem lugar às 0530H. Contudo, e não raro, se porventura fôr necessário um atendimento às 0500H tal já não será possível. Ou se o fôr, somos "brindados" com uma cara "4 x 9" e com a má disposição do funcionário.

Felizmente, foram poucas as vezes que me levaram às Finanças. Regra geral, adopto a abordagem de que quero facilitar o trabalho do funcionário e não dificultar a sua vida. Costuma resultar, embora tenha de me esforçar muito para me rir mais do que seria normal. O truque passa portanto por fazer sentir o funcionário alguém muito importante. Alguém de quem nós dependemos naquele momento específico. Mostrarmo-nos prestáveis, disponíveis e sobretudo utilizar construções frásicas simples e reforçando a sua incondicional sapiência e poder.

Estou em crer que a informatização de todos os serviços de Administração Pública virão atribuir um peso diferente ao funcionário que durante décadas atendeu milhares de pessoas atrás de um vidro. E que será tendencial que cada vez menos será necessária a deslocação à repartição física das Finanças...

Enfim...é necessária muita paciência. Para ambos os lados do tal vidro!

P.S: Escrevo-vos estas linhas com uma firme suspeita de uma virose aliada a uma gripe. Daquelas à séria e que nos atiram à cama. Contudo, não podia deixar de cumprir a minha responsabilidade de escrita do texto diária, fazendo com que os meus seguidores tivessem hoje o texto.

Próximo Tema: Hospitais

quarta-feira, março 03, 2010

Talhos

Gosto de ir aos talhos sempre que posso. Não que goste de ver as peças de carne penduradas nos ganchos, ou as miudezas do frango expostas nas vitrines. Gosto sim de observar a mestria e habilidade com que os talhantes cortam as peças.

Confesso que me recordo de pensar que o meu futuro passaria por envergar uma bata branca, touca, cutelo e cortar umas boas bifanas ou tiras de entrecosto para os meus vizinhos e conhecidos com quem fosse estreitando relações. Actualmente a minha mãe só gasta de um determinado talho e  desde que me lembro, sempre tratou os empregados e os donos dos talhos pelos seus nomes próprios.  E vice-versa. Acho este trato excelente.

No meu mundo fantasioso, no meu sonho de ser talhante, cheguei a imaginar-me a cortar aquelas febras finas como papel. Como se estivesse a cortar manteiga. Contudo, e de forma consciente e responsável, nunca passei da sonho à realidade. Embora me fascine a luva de metal (uso obrigatório e muitas  vezes negligenciado pela generalidade dos talhantes) acho que ao primeiro corte não seria só um pedaço de carne do pobre animal morto que seria separado...

Próximo Tema: Repartição de Finanças

terça-feira, março 02, 2010

Pesca

É com uma enorme alegria que escrevo sobre um tema que sempre fez as minhas delícias. Embora nunca o tenha feito, gosto muito de ver pescar e invejo verdadeiramente a infinita paciência que algumas pessoas têm em ir ali para a Marginal ou Padrão dos Descobrimentos, com a cana de pesca e a meio da madrugada.

Há contudo outra abordagem que explico seguidamente. Baseia-se no facto de alguns homens terem conseguido "conquistar" a anuência da mulher para esta actividade. Passa pelo o terem sempre feito ao longo dos séculos. Ou de, em algum momento terem levado as respectivas  algumas vezes à pesca, e as mesmas não quererem ser otárias em ir para o frio (e madrugada) mais nenhuma vez. Parece-me natural. A partir daí está conquistado esse direito.

É lógico que ninguém, em posse de plenas faculdades mentais, espera conseguir pescar um robalo ou um peixe-espada ali no murete da Marginal. Ou por outra, pescá-lo enquanto o seu olho irrequieto vai observando os carros com os vidros embaciados e aos solavancos ritmados que por ali costumam estar estacionados. Seria certamente um fartote e claro que a "pesca" teria muito mais emoção do que fitar o mar.

Acredito que esta concordância por parte das mulheres, como tantas outras, é algo que se conseguiu com continuada insistência e afinamento de tácticas de persuasão masculinas. Estamos a falar de sapiência masculina secular. Tornou-se igualmente necessário o desenvolvimento de certos e determinados artifícios especiais, sob pena da mulher achar que está a ser trocada por outra mais nova e com corpo melhor. Uma das tácticas passa por sugerir à mulher um passeio ou uma ida ao cinema ou uma discoteca. A mesma aperalta-se e a dada altura do caminho, trocar-lhe as voltas e dizer se está a ouvir o chamamento do mar. E explicar que o mar exerce sobre nós um chamamento especial. E que a voz que ecoa na nossa cabeça nos diz que  "aquela" vai ser uma boa noite de pesca. Acredito piamente que esta técnica resulte. Uma única vez. Mais que isso dá azo a internamento com divórcio junto...

A partir deste momento, em que a mulher já não nos quer acompanhar nas pescarias, e com continuada astúcia, todo o nosso caminho passa a estar aberto para as "pescarias". Pescarias essas, que como é óbvio, terminam num bar. Com os amigalhaços, a beber umas valentes cervejolas, comer umas boas bifanas no pão e a falar de mulheres e carros. É vital que estas "pescarias" durem até por volta das 0600H, altura em que a lota já recebeu o peixe verdadeiramente pescado e por quem desta actividade económica sobrevive.

Antes de ir para casa é obrigatório passar pela lota. Procurar trazer o maior peixe que lá existir. Aqui é imperativo que se conheça muito bem a Dona Rosa. Nem que isso faça com que tenhamos de dar dois beijos naquela cara enrugada com o tempo, e em troca as nossas faces sejam picadas pelo seu bigode forte... Em alternativa, poder-se-á esperar que qualquer traineira regresse da faina e começar acenar vigorosamente a partir de terra quando a mesma fôr avistada, correndo de um lado para o outro. Assim que a mesma atracar, ser logo prestável, ajudar os pescadores (por esta altura atónitos, mas não interessa) a descarregar as cestas e as redes de pescado. No final comprar todo peixe e despedir-se de forma efusiva. É muito importante estabelecer relação de amizade próxima neste momento para  com estes trabalhadores para que numa situação futura nos voltem a auxiliar.

Chegar a casa com o ar mais cansado que se conseguir...esboçar um sorriso e apresentar o produto da nossa noite de pesca!

Próximo Tema: Talhos

segunda-feira, março 01, 2010

Feira Popular

Chegou o momento de abordar neste meu humilde e simples espaço de partilha de opinião o tema de hoje. Saber que a Feira Popular não existe mais em Entrecampos é uma memória dolorosa. Algo que me faz sentir que parte da minha meninice e parte da vida de adolescente se perdeu para sempre.

Não serei o único lisboeta a sentir-me enganado e muito zangado com os Presidentes da Câmara Municipal de Lisboa. Por altura em que o Dr. Santana Lopes foi o edil da capital do Império, prometeu-me que iria "transplantar" a Feira Popular de Entrecampos ali para a zona do Parque Mayer. Volvidos alguns anos a esta parte, o que é dado a ver a estes olhos que a terra há-de comer é um local esquecido e abandonado. Não sei que tipo de compensações tiveram os donos da montanha russa, do comboio fantasma, da "Passagem do Terror" ou do mundialmente conhecido "Poço da Morte".

Também não me parece possível que possa voltar a passar largos períodos de tempo empunhando as espingardas de pressão de ar (com canos tortos) treinando a minha pontaria às latas de coca-cola mordidas pelos chumbos e ser invariavelmente ofertado com os habituais corta unhas, isqueiros ou baralhos de carta.

Os cheiros da Feira Popular dificilmente me sairão da memória. O cheiro das sardinhas assadas, misturado com cheiro do frango assado, farturas e algodão doce... Confesso que tenho saudades de chegar a casa com o cabelo e a roupa a cheirar a fumo e fritos. E para terminar em grande, ouvir a minha mãe refilar pelo facto da roupa estar suja com massa consistente dos carrinhos de choque...

Para terminar, um agradecimento a quem esteve à frente dos desígnios da Feira Popular durante as temporadas que lá ia. Foi a este espaço único que consegui convencer algumas das minhas conquistas amorosas a acompanhar-me. Apanhar o autocarro depois do jantar (não muito depois das 2100H), dar umas voltas pela Feira, fazer um jogo de matrecos, comer um algodão doce a dois,  andar de carrinho de choque e..não dava para muito mais (nem eu tinha descoberto ainda "algumas coisas"). Às 2330H já a futura cara-metade estava entregue sã e salva em sua casa.

Próximo Tema: Pesca