sexta-feira, abril 30, 2010

Parque das Nações

Que me lembre, só desde há 12 anos para cá se começou a ouvir falar mais no Parque das Nações (na altura Expo 98). Até essa altura, a zona que hoje em dia é uma das onde o m2 é mais caro, era para mim, apenas e só um prolongamento dos cais dos contentores à beira-rio. Merecia-me esse singelo respeito.

Ninguém duvida que a Expo 98 foi um sucesso. Um excelente cartão de visita para Portugal, um enorme impulsionador do tecido turístico e empresarial ao nível regional, e claro, imobiliário local. Pegando nesta última grande e notória vantagem, é também sabido que muitas foram as construtoras que tiveram de trabalhar "contra o relógio", e claro, como diz o ditado "Depressa e bem, não há quem". Conheço uma "mão cheia" de casos em que as casas não valem o dinheiro que foi pago. Inclusive paredes em pladur...em casas que não raro "começavam" em preços na ordem dos 50 mil contos (moeda antiga).

Confesso que nunca tive o prazer de andar de teleférico..embora conheça quem tenha andado. E saiba de histórias de pessoas que andaram...e não só. Estou certo que muitos foram os casais que conseguiram concretizar mais uma das suas fantasia..

Se há uma série de vantagens que podem ser apontadas, também há naturalmente o reverso da medalha. Todos os pavilhões internacionais, após a Expo, foram "abandonados". O sector de actividade que timidamente perdura, há mais de uma década é a restauração, e mesmo assim..com 1/3 do número total de restaurantes e bares que já existiram nesta zona ribeirinha da cidade de Lisboa. Os sucessivos governos desde então foram adiando aquela que seria a solução óbvia e natural, seguindo uma lógica de aproveitamente das infra-estruturas existentes. A deslocalização dos vários ministérios e empresas para esta zona oriental da cidade.

Uma desvantagem que salta à vista (e ao olfacto) é a marina. Quando a maré está baixa, o cheiro é nauseabundo. Os óleos dos barcos ficam visíveis, e assiste-se a um espectáculo hediondo. Com a maré "composta" disfarça. Melhora a "pintura". Mas o mal está lá...

Mais aspectos mais se poderiam elencar. Importa referir que, não obstante, é possível praticar desporto nesta zona. Trata-se um case study de requalificação de uma zona. Que decorre de vários estudos de engenharia. De estudos de impacte ambiental...que culminaram em neutralização dos terrenos e subsequente impermeabilização dos mesmos (não entrando em grandes detalhes técnico).

Por último, e para terminar, importa referir que o PDM (Plano Director Municipal) do Parque das Nações é independente do PDM da cidade de Lisboa. Resumidamente, quer isto dizer que é possível construir-se quando e onde se quiser.....Foi uma das consequências do acordo entre a Câmara Municipal de Lisboa e Administração do Parque Expo....Sem comentários.

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quinta-feira, abril 29, 2010

Oculto

Sou um grande respeitador daqueles que acreditam e vivem segundo as verdades do além. Perdão, "Além". Ou do oculto. Perdão,"Oculto". Todas estas verdades com que crescemos ao longo dos anos e que vêm professadas pelo celébre Nostradamus.

Até hoje não descobri qual dos meus primos é que era responsável por mexer no pires que aponta as letras no tabuleiro usado nas sessões espíritas. Tenho para mim que era algo combinado entre eles para impressionar os amigalhaços e os primos mais novos, onde eu me incluía, está claro.  O que é certo é que aquilo estava bem feito e eu era um dos crentes. Sempre mantive o máximo respeito por estas coisas com medo que algum espírito não contente por me ver rir, me rasteirasse partindo o meu segundo dente da frente (aqui que ninguém nos ouve, um deles já teve de ser restaurado).

Quero ver se não falho este ano o encontro em Vilar de Perdizes. Aqui sim,  fala quem sabe da poda. Trata-se da feira do Oculto e que anualmente tem assento nesta magnífica terra do Norte de Portugal. Aprender e beber conhecimento nunca fez mal a ninguém. Talvez consiga perceber o porquê de ter azar ao amor e AINDA azar ao jogo. Dois azares para uma só pessoa..só pode mesmo ser enguiço ou mau olhado. Estou verdadeiramente convicto que alguém me vai dar uma ajuda no sentido de clarificar esta situação pouco clara (passo a redundância...)

Descobri há uns meses atrás que o sector do turismo também começa a perceber que nestas coisas do Além há também a possibilidade de negócio. Como? Tenho a explicação. Dinamização dos empregos locais. Empregos temporários. Contratam pessoas que não têm mais nada que fazer na vida, para durante a noite se arrastarem e gemerem num piso qualquer de um hotel com mais de 900 anos. A fórmula é simples. E depois dizer que morreu por lá uma senhora com 140 anos e que a sua alma nunca encontrou descanso. Sendo que essa é a razão pela qual a porta desse quarto está sempre fechada. Só acredita quem quer...

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quarta-feira, abril 28, 2010

Clubes de Vídeo

Lembro-me perfeitamente do aparecimento do primeiro clube de vídeo lá perto da rua. Uma coisa pequena, singela, mas que permitiu, do nada e ao comum mortal como eu, que habitava por perto, alugar um  (ou mais) filme (s) pela módica quantia de 150$00, se não estou em erro. Quando me apetecesse.

Permitiu também que o grupo de amigos lá da rua passasse a fazer incursões ao clube de vídeo depois do jantar. Claro está, que a secção para onde timidamente nos dirigíamos era da dos filmes XXX. Os tais que não tinham capa e tinham invariavelmente títulos sugestivos que só podiam descambar na risota e em deixas para a semana inteira (que não reproduzirei aqui por uma questão de respeito da moral e bons costumes). Mas qualquer coisa do estilo de "férias de verão", "pais fora de casa", "aos saltos", "amigas" , "universitárias", "bacanal", etc.

Com o tempo, também desenvolvemos práticas ou rituais no grupo. Alugávamos filmes entre todos e o último a ver o filme comprometia-se em entregar o mesmo. Atempadamente. É claro que este sistema falhou a dada altura. Lembro-me de uma vez se ter perdido uma cassete qualquer. E termos de fazer uma colecta para perfazer o valor da multa.

Mais tarde surgiu o fenómeno blockbuster. Diz-se, não tenho a certeza, que a ausência dos tão cobiçados filmes XXX se deve ao facto do proprietário da cadeia ser um judeu ortodoxo. O que é certo, é que estranhamente estes estabelecimentos também estão a desaparecer, sendo que a fórmula de negócio tinha tudo para dar certo: aluguer de filmes + refrigerantes + pipocas / guloseimas....Curioso...

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terça-feira, abril 27, 2010

Karaoke

Há poucos momentos em que me divirto tanto, como aqueles em que alguém me consegue arrastar até um bar karaoke. É curioso a ideia que as pessoas têm de si relativamente ao saber cantar. Eu gosto imenso de cantar, mas não violento a audição de ninguém com as minhas tentativas de encontrar o "tom".  Tenho consciência da minha ausente queda para a música. Há contudo pessoas que tenho a certeza que cantam bem pior e que gostam de cantar em público. Várias vezes na mesma noite. Acho sublime.

Se a memória não me trai, das poucas vezes que cantei num karaoke foi em grupo, e já com alguns copos. Deu para disfarçar o não saber cantar, e foi maior a risota atrás das costas dos meus companheiros que propriamente o tempo que passei no microfone a cantar. Não terá sido uma actuação que deixasse saudades. Como será lógico.

Para se cantar no karaoke não basta o gostar. Tem de se saber o que se vai fazer. Tem de se ouvir a mesma música 4 meses, diariamente, e ir treinando até próximo da exaustão. Convencer familiares, pais, irmãos, namorado e namorada a ouvir.  Até ficar igual (ou ligeiramente melhor) que o próprio intérprete dessa música. Só assim é possível ser evitado um fiasco em público. Beber leite com mel todas as noites (para melhorar a voz) e evitar ao máximo ambientes poluídos. Se algum dia eu quisesse cantar sozinho no karaoke, e para evitar ridicularizações, seguiria escrupulosamente este ritual...

Para terminar, acho que continuarei a ter prazer verdadeiras "esperanças" no panorama musical em algum bar karaoke perto de mim. Para ver se aprendo alguma coisa!

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segunda-feira, abril 26, 2010

Paris

Considero Paris a minha cidade de eleição. Contrariamente a muitas pessoas que conheço, gosto da língua francesa. Gosto dos filmes franceses. Gosto das actrizes francesas..enfim, gosto de França.

Tive oportunidade de ir duas vezes a Paris. Se da primeira vez achei uma viagem enfadonha (no auge da minha adolescência), já em adulto revisitei esta capital europeia. Não com uma vertente de visitar museus ou visitar o que quer que fosse...mas sim para explorar mais e melhor Paris. A pé. E posso dizer que percorri umas boas dezenas de quilómetros da segunda vez.

Da segunda vez conheci algo que me deixou mais apaixonado ainda. A Île Saint - Louis. Digamos que está situada numa das margens do Rio Sena. Trata-se de uma zona de Paris habitada por uma classe social mais elevada. Não é por isso que gosto...É pelo facto de não circularem aqui carros (ficam à entrada). Pelo facto de existirem aquelas mercearias de rua (contemporâneas do filme "Delicatessen") com os presuntos pendurados na porta, ou garrafas de vinho, ou as famosas baguettes em cestas...

Gosto do estilo de vida parisiense. Contra algumas teorias, não acho os franceses "sujos" ou "porcos". Serão tanto como os lisboetas ou portuenses. Creio que alguém terá tido alguma má experiência e generalizou..mas uma andorinha não faz a Primavera, sempre ouvi dizer.

Para todos aqueles que pensam ir a Paris, aconselho procurar alojamento no centro da cidade  e movimentar-se sempre de metro. Há passes de metro para uma semana inteira, e julgo ser a melhor opção, na medida em que a rede de metro funciona e está perfeitamente adequada. Aconselho mais que um dia para visitar o Louvre. Um dia ou dois não chega. Da última vez que estive em Paris, em conversa com outra turista, disse-me acreditar que uma semana na opinião dela não chegava. Desconfio que estaria a preparar um assalto...

Uma cidade onde gostava de ir anualmente. Este ano ainda não fui visitar a Torre Eiffel...

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domingo, abril 25, 2010

Norte de Portugal

Por razões diversas, nos últimos anos, tive oportunidade de viajar mais vezes até ao Norte de Portugal.

Não me recordo de, enquanto lisboeta, ter acentuado ou ter vincado o regionalismo ou a crispação face a amigos e amigas minhas portuenses / bracarenses. A não ser mesmo no gozo. Ao longo da minha vida sempre tive colegas do Norte, e sempre me dei muito bem com todos eles. Contudo, há muitos anos atrás, e em algumas das vezes que fui ao Norte, houve sempre alguém que fez questão de me lembrar que "lisboeta é mouro", ou que foi em Guimarães que "Portugal nasceu", entre outros mimos, com "v´s" trocados por "b´s".

É claro que durante uns tempos acreditei que no Norte de Portugal só havia gente manienta. Lógico que este tipo de juízo era "devolvido" pelas pessoas do Norte, que me diziam que isso acontecia em Lisboa. Enquanto andava nesta troca de "mimos", passou-se algum tempo em que não havia necessidade das minhas viagens ao Norte. Até há meia dúzia de anos. Por motivos profissionais passei a ter de visitar com frequência algumas terras sitas a norte do Tejo. E realmente dei comigo a perceber uma série de pormenores que até então me tinham escapado. Objectivamente, e a título de exemplo, a simpatia e o bem-receber habitualmente conhecidos desta parte do nosso Portugal. Ou a deliciar-me com algumas iguarias regionais, como por exemplo, as internacionalmente conhecidas francesinhas.

Desde há 3 anos que tenho tido oportunidade de pelo menos ir  ao Porto por ocasião da realização do Red Bull Air Race. Este ano, se Deus quiser lá estarei de novo.

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sábado, abril 24, 2010

Portagens

Não irei falar da obvia necessidade das portagens.  Pessoalmente, entendo que deve prevalecer o conceito de "utilizador pagador". Utiliza, paga. Não utiliza, não tem de pagar uma portagem que se situa a centenas de quilómetros. Como se sabe, o actual Governo tem mais essa prenda na manga para o erário público.

Acho deliciosa a ideia de ainda se continuar a pagar a portagem na ponte 25 de Abril (ou ponte Salazar) utilizando parte da verba arrecadada para custear a ponte Vasco da Gama. Conheço vários casos de pessoas que moram na Margem Sul e que não se recordam de alguma vez não ter sido paga a passagem - a não ser no habitual mês de Agosto.

Os(as) portageiros(as) são funcionários como qualquer outros. Executam ordens. Baixam a cancela quando a viatura chega, e levantam a mesma depois de receberem o pagamento respectivo. Não são responsáveis pelo aumento do preço das portagens. Não são responsáveis pelo facto da sirene da Via Verde apitar (e a luz amarela acender) quando o identificador fica sem bateria, e todos os outros condutores num raio de 7 quilómetros ficarem com a firme convicção de que somos caloteiros e que pensámos (ou ousámos) passar neste corredor dedicado à borla...Para terminar, estes trabalhadores também não serão responsáveis pelo facto da obrigatoriedade de pagamento da portagem, ainda que as auto-estradas estejam em obras, em permanente mau estado de conservação, ou ainda que às vezes a passagem de animais provoquem acidentes.

Acho que seria um bom exercício, quem de direito, avaliar a necessidade da existência de certas portagens. Dos preços praticados vs condições das vias de comunicação. E aliviar um pouco os sacrificados de sempre.

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sexta-feira, abril 23, 2010

Ensino Nocturno

Desde que entrei para a faculdade que experimentei o ensino nocturno. Comparativamente com o diurno constatei rapidamente que são ensinos completamente distintos. Em tudo, começando pela disponibilidade dos professores e terminando na maturidade dos alunos.

O estudante trabalhador é diferente da esmagadora maioria dos estudantes do diurno que vai para a sala de aula conversar com o colega do lado e enviar sms para a namorada da carteira de frente. É em muitos casos um pai de família. Com responsabilidades pessoais, e que, de alguma forma, quer ampliar os seus horizontes. As suas oportunidades de emprego. A busca contínua da melhoria da qualidade de vida...

É para estas pessoas (e vários foram meus colegas) que deixo aqui uma palavra de alento. Sei o que custa depois de um dia de trabalho ir para as aulas. Independentemente das condições climatéricas, de ser uma cadeira chata..de vários factores. O que interessa, como grande objectivo, é tirar um curso (pode ser técnico profissional ou superior) e nos dias que correm, marcar a diferença face aos vários colegas / concorrentes para determinada vaga de emprego.

Tendo em conta um nível etário superior, é natural que as turmas da noite tenham outra disponibilidade mental por parte dos professores. O esclarecimento de dúvidas é pessoal,  personalizado e sem dúvida alguma mais produtivo.

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quinta-feira, abril 22, 2010

Violência Doméstica

Infelizmente são cada vez mais os casos de violência doméstica que me são dados a conhecer. Por vezes nem é recorrente. Basta um acto isolado, em que uma das partes (sim, também acontece serem as mulheres as agressoras), e que deixa sequelas para sempre.

A violência doméstica é daqueles episódios que marca profundamente alguém. Não só pela violência física associada, mas também, e mais importante, pelos efeitos que tem associados, psiquicamente falando.

Uma das piores consequências que vejo na violência doméstica é a não participação dos abusos quer aos familiares directos, quer às autoridades policiais competentes, com medo das retaliações por parte do(a) agressor(a). É natural e  lógico que a violência doméstica tenha lugar contra uma pessoa mais fraca. É igualmente fácil condenar o silêncio feito muitas vezes, mas mais importante ainda é reforçar a ideia de que este tipo de situações sejam comunicadas a quem de direito, por forma a possibilitar que o sofrimento seja eliminado ou na impossibilidade, minimizado.

Por último, violência doméstica não tem de acontecer exclusivamente "dentro de casa". Há situações em que o agressor chega a um tal estado de loucura que sem pejo algum agride verbal e fisicamente as vítimas. Em público. Caberá a quem assiste intervir. E a quem é agredido, procurar ajuda. Sempre. Sem hesitações. Só assim terminará o martírio.

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quarta-feira, abril 21, 2010

Palhaços

Nunca achei piada aos palhaços quando era miúdo. Ou por outra, achava piada a algumas coisas que faziam - especialmente quando se ridicularizavam.

É assim que sinto as pessoas hoje em dia. Verdadeiros palhaços. Estou em crer que cada vez mais há pessoas que cada vez mais encarnam esta muy nobre ocupação. Especialmente quando o Governo resolve aumentar os impostos (não aumentando os vencimentos) e pede um esforço acrescido (leia-se mais horas de trabalho). Acho delicioso. Também não deixa de ser curioso perceber no presente momento / actualidade, que dentro de poucos anos o "sistema" económico se irá colapsar, fazendo com que a minha geração não tenha direito a reformas. Ou seja, não vejo outra explicação melhor que sou mais um dos palhaços do corrente século.

Por último, e pelo que as últimas notícias apontam, a situação económica de Portugal, aos olhos dos mais variados especialistas na matéria, é preocupante. E que se trata de uma questão de tempo até acontecer o mesmo que está a suceder na Grécia. Contudo, a mensagem que passa por quem de direito para nós, os palhaços de serviço, é que está tudo bem e são realidades distintas em nada similares. Esperemos que tenham razão. Para continuarmos na palhaçada.

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terça-feira, abril 20, 2010

Restauros

Existem vários tipos de restauro. Desde o restauro da arte sacra, de monumentos, de mobília, e entre outros, de automóveis. E é sobre este último assunto, o restauro de automóveis, que partilharei o meu ponto de vista.

Começo por dizer que desde sempre quis ter um VW carocha. Várias foram as abordagens que fiz à minha madrinha, para que me desse aquele carocha que tinha (e que continua a ter) a apodrecer debaixo de um telheiro, mas só Deus (e os meus tios) saberão as razões secretas para nunca me terem feito a vontade e quererem ter uma sucata. Lembro-me de ter escrito uma carta formal, informando que comprava o carro. Sem êxito.

Muito triste e sentindo-me incompreendido, comecei activamente à procura de um belo e pujante exemplar. Cheguei a ir ver vários exemplares, mas a minha reacção era invariavelmente a risada na cara dos pretensos vendedores. Ou porque os carros tinham acessórios modernos (o que mata por completo o conceito de automóvel clássico), ou porque o conceito de "necessita de restauro" pecava por defeito, i.e., deveria ser qualquer coisa do estilo..."carro-sucata-com-buracos-do tamanho-de-vacas-feitos-aquando-da-passagem-num-campo-de-minas-vende-se".

Até que há pouco mais de 7 anos descobri um. Branco pérola ali na zona do Cartaxo. Entusiasmadíssimo fui ver o carro. Estava estacionado numa garagem, num piso subterrâneo. Lembro-me que quando o mesmo foi ligado pelo dono, para o tirar para o exterior, pensei de imediato que viesse trovoada. O escape que tinha era fisicamente igual ao de uma Harley Davidson e conseguia fazer mais barulho que uma destas motas em aceleração máxima. Pormenor sórdido..mas não seria isso que me iria demover da minha compra. Lembro-me de ter dado uma volta com o carro...fiquei rendido e passado uma semana tinha-o na minha garagem. Era finalmente o 12º proprietário deste vw carocha.

Ainda no caminho para Lisboa, vindo do Cartaxo, e a fazer uma barulheira que só eu sei...resolvi tentar a minha sorte numa inspecção periódica obrigatória. O máximo que me poderia acontecer seria ver um carro quase quarentão ser apreendido pelo escape que tinha. Para meu espanto passou à primeira. Estamos a falar de um carro com quase 40 anos, com modificações visíveis e recentes, e que quando foi feito o teste ao sistema de travagem pensei que a carroçaria se desconjuntasse do chão. Não me deixou ficar mal.

Olhando para trás, penso que poderia ter seguido o conselho do meu primo João Pedro que comigo foi levantar o carro. Devia ter aproveitado mais o mesmo. Devo ter conduzido meia dúzia de vezes, sendo que uma delas, e após ter atestado o depósito de combustível, o mesmo vertia o líquido para uma zona da chapa que estava partida, com as devidas consequências que poderiam ter tido lugar, acaso houvesse uma faísca... Sempre que mudava de direcção vertia combustível para susto e visível preocupação estampada na cara dos demais utentes da via.

Decidi então que era altura de arregaçar as mangas e começar a pensar em tornar o meu "menino" bonito. Assim pensei, e assim o fiz. Desloquei-me a uma oficina de bate-chapa e da qual tinha referências. Achei um roubo o dinheiro que era pedido pelo chapeiro, que resumidamente me iria desmontar todo o carro, lixá-lo e pintá-lo. Talvez tenha contribuído o facto de não ter gostado do sítio ermo onde a estufa de pintura estava localizada. E pensar que o meu "mais-que-tudo" iria ficar nas mãos daqueles artistas...Reflecti...e recusei o orçamento. Iria eu mesmo fazer o restauro, com as minhas mãos.

Passados 2 meses estava a desmontar o carocha. Foram vários os finais de semana que com a ajuda de dois amigos (habilmente convencidos), ía subtraindo peças ao carocha. Desde o dia em que o coloquei naquela garagem para desmontar...nunca mais trabalhou. Ía por vezes comprar peças, esperançado que o momento para as colocar estivesse para breve. É claro que não estava. O carocha ficou totalmente desmontado, qual gafanhoto. Chegou a uma parte da desmontagem em que não conseguimos separar a carroçaria do chão do carro, pelo que, ficou com um aspecto assustador. Uns largos meses mais tarde houve um assalto à garagem onde estava o carocha e estou em crer que os assaltantes terão  ficado assustados com o aspecto do meu projecto, na medida em que não tocaram num parafuso que fosse!

Ainda cheguei a levar lá alguns bate-chapas, para pegarem no trabalho e voltarem a montar- Os preços que pediam eram obscenos e naturalmente não aceitei. Passados dois anos resolvi que não ía mais continuar. Não porque tivesse deixado de ser aliciante, mas sim porque a minha vida deu uma série de voltas e porque era necessário igualmente vagar a garagem. A disponibilidade de tempo também foi afectada.

Vendi o carocha tal como ficou a um grande Amigo. E assim...posso ir vendo o mesmo sempre que quiser.

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segunda-feira, abril 19, 2010

Críticas

Uma das coisas mais fáceis de fazer é sem dúvida alguma a arte de criticar. Criticar é fácil, na minha opinião. Basta desmontar aquilo que alguém com mais, ou com menos dificuldade construiu. Não oferece grande dificuldade.

Pessoalmente, entendo que uma crítica é válida quando é baseada em factos concretos que a sustentem. Que mostra um ponto de vista consolidado, que é marcada pelo facto de ter associada uma visão construtiva e que ajuda o criticado a melhorar no futuro. O que sucede, é que por vezes a crítica efectuada não tem nada a ver com o que mencionei atrás. Revela ser uma crítica depreciativa ou que peca pela falta de argumentação e/ou exactidão da informação. E que naturalmente e facilmente se revela ser uma crítica estéril, desprovida de essência.

Há igualmente um grupo que me é muito querido. Os críticos de serviço. Aqueles que não sabem o porquê das coisas, mas que criticam por serem do contra. Para estes, a melhor arma é o desprezo. Relevar o que por eles é dito. Têm o prazer em destruir toda uma linha de pensamento, ou uma forma de pensar, ou uma teoria...só "porque sim". Ou "porque não". Não raro exortam quem os ouve que não há necessidade de justificar...mas...a verdade é outra..não têm como ou não sabem como justificar uma opinião contrária!

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domingo, abril 18, 2010

Secretárias

É sabido que qualquer bom Administrador / Director só o é se efectivamente tiver por "trás de si" uma boa secretária. Entenda-se aqui por boa secretária alguém que, a seguir à mulher do mesmo,  o conhece como ninguém (personalidade, feitio, gostos), os seus hábitos, gere a sua agenda e claro está, tem em linha de conta todas as suas obrigações e responsabilidades diárias.

Felizmente, ao longo da minha vida fui  conhecendo várias secretárias. Pessoas extremamente válidas, que ao longo dos anos se revelaram ser imprescindíveis a quem prestavam serviços. Lembro que gerir a agenda de alguém passa por deter um conhecimento da esfera pessoal, e acredito que ninguém no seu juízo perfeito passe uma série de pormenores da sua esfera privada a alguém que conhece há pouco tempo. Ou seja, nos casos que conheço, estas serão relações que duram há vários anos.

Dizia-me alguém há uns anos atrás que tinha uma forma muito especial de chegar a quem lhe interessava. Anualmente, e por altura do Natal, brindava as secretárias de quem lhe interessava com uma pequena lembrança. Poderá ser criticável por alguns, poderá não o ser por outros. No meu entender, não critico, nem tão pouco me choca. Acho perfeitamente adequado e lícito ofertar alguém que em alguma altura facilitou um contacto difícil de obter. Não vejo como errado. É uma forma de estar. Há quem "confunda estações" e chame outros nomes. Pessoas que não sabem o que é boa educaçao. Que confundem boa educação ou "mimo/lembrança" com "corrupção"...e defendam de forma acérrima que quem opta pelo mimo não é uma pessoa séria. Infelizmente nunca fui confrontado com estes "iluminados", até porque entendo que teríamos muito para conversar...

As secretárias conseguem o impossível. São pagas para isso, dirão uns. Não fazem mais que a obrigação, dirão outros. Vestem a camisola e dão o litro, direi eu. E é sabido que a esmagadora maioria (salvo raras excepções) não auferem valores por aí além de fantásticos. Ou seja, em muitos casos são verdadeiras provas de ajudar e de fidelidade. É também sabido que em alguns casos, e quando secretárias de Administradores / Directores proeminentes, acabam por gozar de alguns privilégios ou regalias que por vezes os mesmos não querem / não podem gozar. Ou seja, uma das vantagens...Contra tantas outras que poderia aqui elencar e conhecidas de todos nós...

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sábado, abril 17, 2010

Autódromo do Estoril

Para um amante do mundo automóvel, há os chamados "templos". Espaços físicos adequados e concebidos para as diversas actividades ligadas ao mundo automóvel, em especial a prática do desporto motorizado. Quer carros, quer motas. Por esta ordem, daí a palavra "autódromo" e não "motódromo".

Durante décadas se ouviu falar do Autódromo do Estoril, onde se realizava o Grande Prémio de Portugal da Fórmula Um.  Até que em determinado ano, deixou de fazer parte do circuito internacional da Fórmula Um (F1), que como é sabido, é o desporto rei do mundo automóvel. "Porquê?" Simples. Deixou de reunir as condições de segurança para a prática desta modalidade. "Ok, como se podia ter resolvido?" Dotando o autódromo do Estoril dessas mesmas condições de segurança que permitissem que Portugal continuasse no circuito da F1, com todas as vantagens daí decorrentes, nomeadamente projecção internacional e estímulo do turismo nacional.

Assim não foi. Preferiu-se a adopção do "laissez faire". Resumidamente, hoje em dia o autódromo é palco de eventos de tuning, provas de aceleração e outras que tais. Não digo que seja errado. Digo apenas que em alguns destes casos, há automóveis que em velocidade de ponta (máxima velocidade) atingem pouco menos que um F1. E não me parece que as tais condições de segurança tenham sido alteradas.

É lamentável que quem de direito não estimule ou não promova esta modalidade que tanto dinheiro (e pessoas / turistas) move. É igualmente lamentável que não haja vontade para "injectar" verba e beneficiar as infra-estruturas já existente. Ao invés, preferiu-se construir um autódromo no Sul do País, sendo que, estou para ver quando será o mesmo rentabilizado. Para quê mais um autódromo? Não compreendo.

Faz-me lembrar os 11 estádios de futebol que foram construídos...e que alguém terá de pagar!!

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sexta-feira, abril 16, 2010

Farmacêuticas

Quis o destino que o meu percurso académico experimentasse a passagem pelo mundo farmacêutico, tendo feito o meu estágio profissional (pós-licenciatura) numa farmacêutica de renome. Em concreto, no departamento de Qualidade, Ambiente e Segurança do mesmo. Uma boa experiência, é certo, e que me permitiu indubitavelmente deslindar aquilo que serão os interesses dos grandes grupos farmacêuticos.

No meu caso, e se ingenuamente tinha ideia de que alguns referenciais normativos e legislação eram exigentes....as normas e procedimentos utilizados nas farmacêuticas ultrapassaram tudo o que conhecia na altura. Especialmente em meio de produção, em que a esterilização e ambiente asséptico "andam de mão dada" e têm necessariamente de estar sempre presentes. Há toda uma série de regras que têm de ser respeitadas, normas das casas-mãe que têm de ser seguidas....e claro..objectivos comerciais que têm de ser atingidos.

Momento de falar de uma actividade profissional que sempre me fascinou. Os delegados de propaganda médica. Desde que me conheço que sei ser uma das actividades mais bem remunerada que existe. Sem dúvida alguma. Bons vencimentos, conhecimentos privilegiados na classe médica, bons carros, cartão de despesas...entre outras regalias. Fui igualmente tendo, ao longo dos anos um feedback por parte da classe médica existente na minha família, e relativamente aos mesmos, na medida em que há reuniões diárias, com os vários delegados das várias farmacêuticas. A minha opinião só pode ser uma - são pessoas escravizadas. Tal como em tantas outras profissões, trabalham por objectivos. Quanto mais venderem..mais ganham. Quanto mais ganham..mais querem ganhar. E pessoalmente, acho que este "mais querem ganhar" e "ter algum tempo para a família" não jogam na mesma frase. Nem nesta actividade nem em qualquer outra. Mas nesta em especial...até porque se ganha muito bem.

Por outro lado, o ser delegado de propaganda médica já "deu mais" do que dá hoje. Não esquecer que existe a concorrência feroz dos genéricos. E que veio para ficar. Não faz sentido comprar um medicamento que custa 40 euros, quando existe outro, exactamente com o mesmo princípio activo que custa 9 euros. É um pouco esta conta de merceeiro que se passou a fazer no balcão da farmácia, conjuntamente com o técnico farmacêutico (que por lei é obrigado a elencar os genéricos disponíveis e com o mesmo princípio activo). Adicionalmente, não é qualquer pessoa que consegue esperar horas pelos médicos, correndo (não raro) o risco de não conseguir vender nada.

É neste grupo de pessoas que as farmacêuticas se apoiam e escravizam para obter lucros de mais de 10 zeros. O valor irrisório que se paga a um delegado, e que poderá ser tido como um valor salarial bastante acima da média, não paga o tempo que passa fora de casa. Que não vê a família. Ou o ter de sorrir para um médico que está mal humorado. Ou ainda o ter de esperar pacientemente 4 horas para ser ouvido pelo médico...entre outras coisas. É preciso ter uma estrutura mental muito bem organizada para o conseguir. E nem toda a gente o tem. Mas mais cedo ou mais tarde...a selecção natural do mundo do trabalho (neste meio), acaba por fazer a triagem.

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quinta-feira, abril 15, 2010

Reboques

Que os reboques são necessários no nosso sistema ninguém tem dúvidas. Ainda que por vezes se ouvissem histórias de empresários deste ramo que, em algumas zonas do País lançavam óleo ou pregos para angariar Clientes...forçados, é claro.

Tal como noutras actividades que aqui tenho dado a conhecer, também o condutor do reboque é alguém muito especial. Detentor de uma destreza mental invulgar  e de uma capacidade de análise acima da média. Não me parece que fosse fácil ou exequível que eu conseguisse puxar um jipe paracima do reboque. Ou pelo menos à primeira tentativa. O lançar as rampas para as rodas subirem ainda vá que não vá, ou o trabalhar com o comando remoto para puxar o veículo...Mas desconfio que noutros pormenores não iriam resultar. Ou se resultassem, certamente que iria em algum momento a 3ª Lei de Murphy daria um ar da sua graça. E acredito que o valor da factura do infeliz proprietário aumentasse.

É necessário "estofo" para conduzir um reboque. Para começar, tem de ser alguém eloquente. Ou seja, estar preparado para, se fôr preciso, levar na cabine o(a) condutor(a) do carro avariado / sinistrado (se o sinistro não fôr por aí além de grave), e conseguir manter uma conversação fluida e minimamente interessante. Aquele é um momento de tristeza profunda para aquela pessoa que viu o seu "menino" ser beliscado e não será aconselhável falar de bola. Ou de mulheres / homens.  É igualmente simpático e necessário exibir mestria /  domínio daquilo que se está a fazer. Ou seja...não vacilar. Se porventura eu visse alguém nabiço a fazer isto a um carro meu, começava logo a ficar nervoso e com suores frios. E dificilmente iria conseguir disfarçar. Por último, é preciso ter "faro". Há as chamadas zonas "críticas", onde quem está neste negócio sabe que não "fica muito tempo parado". Há sempre alguém que "vai dar trabalho". Mais cedo ou mais tarde. É uma questão de esperar. É mórbido...mas sem avarias / incidentes / acidentes este negócio não floresce. Parece-me lógico.

Para terminar, e não fazendo publicidade a qualquer nome, adianto que há instituições que prestam serviço de reboque / desempanagem gratuitos. Duas vezes por ano. Mediante o natural e óbvio pagamento das quotas. A seguir ao Sport Lisboa e Benfica é o segundo maior clube português. Mais não posso dizer....

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quarta-feira, abril 14, 2010

Arrumadores

Desde há algum tempo a esta parte que se tem vindo a assistir a uma proliferação dos arrumadores por esse País fora. Tal facto não me é de todo alheio. Só posso ficar imensamente sensibilizado e agradecido pelo facto de tanta gente ter boa vontade para me ajudar a estacionar o carro.

Não é uma actividade profissional para qualquer um. É necessária uma boa compleição física. Um aspecto andrajoso. Não ter dentes. Ter barba de...bem, dependerá do quão mau se quererá parecer. Entre outros predicados e requisitos que mal ou bem todos conheceremos.

Por outro lado, o abraçar a oportunidade de ser arrumador poderá ser algo extremamente aliciante e que naturalmente cativa cada vez mais entusiastas. Para começar existe uma flexibilidade de horário como não existe em mais nenhuma outra actividade...legal. Os únicos descontos feitos são feitos na tasca mais próxima ou no dealer habitual. Permite manter uma boa condição física (o correr e andar de um lado para o outro um dia inteiro..), e como requisitos obrigatórios...uma boa voz e um braço direito operacional...para gesticular um dia inteiro com o jornal. Ou uma manhã, ou uma tarde. Depende da vontade. E claro...é uma actividade imensa lucrativa, na medida em que os zelosos proprietários dos automóveis não querem as pinturas dos seus meninos beliscadas.

Se no Porto houve a iniciativa de legalizar esta actividade (inscrição dos arrumadores da cidade na Câmara) e identificação dos mesmos, já em Lisboa prevalece a questão da antiguidade na zona. O primeiro arrumador a chegar à mesma passa a ser o seu zelador. E ai daquele que a quiser.

Gosto particularmente quando os meus amigos arrumadores me sugerem lugares nítida e logicamente proibidos. Não entendo o porquê a não ser que me querem dificultar a vida ou ver em apuros. Às vezes penso que se arreliaram com os amigos da EMEL, ou por outra, porque têm um acordo qualquer com a polícia..Em algumas situações o obter a multa é inquestionável. Claro que recuso os lugares, vou procurar outros...e chamo-lhes nomes. Patetas e tontos!

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terça-feira, abril 13, 2010

Missa

Começo por dizer que desde sempre tive uma educação religiosa. A habitual missa dominical (ou vespertina - missa de Sábado a partir das 1700H), a catequese, o colégio de freiras, etc. Os ensinamentos e os mandamentos religiosos estão cá todos. Tenho a "cassete" na minha cabeça.

Contudo, e com o inevitável avançar da idade, começaram a pairar as várias questões dilemáticas. E cujas respostas dadas por quem de direito nem sempre eram satisfatórias ou razoavelmente conclusivas. Ou por outra, não satisfaziam o meu espírito inquieto e ansioso por respostas. De resto, não será de estranhar que tal acontecesse, tendo em conta que a minha formação académica tem por base as ciências exactas..Visíveis, ou calculáveis.

Aparte de todo o cerimonial religioso que está subjacente à missa, há, entre outros, um momento especial na celebração. A parte da homilia. Se em algumas celebrações me foi possível dormir a bom dormir (até que era acordado por um beliscão da minha mãe), outras celebrações houve em que o padre conseguia captar a minha atenção. Não é preciso muito, na minha opinião. O ser pragmático, o opinar de forma sucinta e aligeirada sobre a leitura do Evangelho, e conseguir um enquadramento da mesma face à realidade. Estavam assim reunidas as condições para uma homilia sustentada e sem qualquer dúvida aquelas que me mantinham desperto.

Também fui tentado a voluntariar-me para acólito. Mas rapidamente realizei que não ía correr nada bem. Recordo-me de, em diversos momentos, quando o meu grupo da catequese ía à Igreja, não raro acontecia a risada. Se a memória não me falha, enquanto integrante deste grupo, creio nunca ter sido  capaz de assistir a uma celebração inteira sem que me desmanchasse a rir..até às lágrimas, entenda-se. Ou porque alguém noutro ponto da Igreja se engasgava a tossir, ou porque alguém no grupo dizia uma graçola, ou simplesmente porque o "tenor" da fila por trás da nossa fazia um falsete (tipicamente as pessoas de mais idade...). Ou seja, tudo era motivo para a boa disposição na casa do Senhor. Assim sendo, a minha promissora carreira enquanto ajudante do padre Martins ficou-se mesmo pelo projecto e/ou vontade.

Fiz o crisma tarde. Já em idade adulta e porque me afastei do percurso normal da vida religiosa. A rapaziada lá da rua, as miúdas, as solicitações mundanas desafiavam-me e claro, sendo verdadeiramente tentadoras não era suficientemente forte para resistir. Mais tarde "encontrei-me" de novo e optei por continuar...sempre com Fé. Essa nunca deixou de me acompanhar.

Até hoje e de forma inabalável.

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segunda-feira, abril 12, 2010

Todo-o-terreno

Admito que todos os anos que tenho oportunidade de ver o Dakar na televisão fico profundamente entristecido. Sinto que o espírito nómada e aventureiro que há em mim simplesmente foi "enjaulado" e se perdeu um grande entusiasta do todo-o-terreno.

Confesso que não consigo falar disto sem alguma frustração. Desde há cerca de 15 anos que tive a minha primeira experiência à séria no todo-o-terreno. Entenda-se por todo-o-terreno (TT) para clarificar,  um passeio de tarde inteira, numa matazita enlameada situada em terrenos adjacentes à OTA, e claro, com uma rapaziada amiga para a diversão ter total. Correu tudo bem durante umas valentes horas, até que conseguimos o impensável - atolar um jipe no meio de uma poça de água gigante. Quando nas laterais da poça de água havia terra firme!

Deu para perceber o que é o "efeito vácuo" in loco, o porquê da necessidade de se fazer TT com outro jipe a acompanhar, que o guincho eléctrico (instalado na parte frontal do jipe) às vezes dá jeito, o porquê de um high lift (espécie de macaco de grandes dimensões apropriado para desenrascar este tipo de problema) até poder ser um bom investimento. Ah..e que devemos sempre fazer coisas que temos a certeza que vão correr bem...não "inventar" para mostrar habilidade e depois..não saber resolver!

Também importa referir que não foi este final de dia infeliz que me demoveu de continuar a seguir o meu sonho de aventureiro dos trilhos sinuosos e complicados do TT. Não satisfeitos, voltámos ao "local do crime" passado algum tempo, desta vez sem lama, mas com muita poeira. Asseguro que fiquei com o cabelo totalmente branco e que devo ter comido uns 4 kg de poeira enquanto durou o passeio...mas como apregoa o ditado popular..."Quem corre por gosto não cansa"...

O engraçado teve lugar por volta da hora do jantar, ou seja, na hora do regresso a Lisboa....uns 7 marmanjos cheios de poeira, do cabelo aos pés, e que sem hipótese de recusar, foram convidados pela mãe do nosso grande Amigo Miguel, o anfitrião do passeio, para lá jantar em casa. Com convidados. Ah..e sem muda de roupa. Foi uma experiência única e que nos marcou a todos nós...Imagine-se falar com os convidados e ter o cabelo qual Gremlin...

Durou algum tempo esta fixação pelos jipes. Percebi à minha custa que era o tipo de veículo que rapidamente me iria saturar, por via de não ser destinado a grandes velocidades, que como se sabe...adoro.

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domingo, abril 11, 2010

Caminhadas

Comecei há umas semanas atrás a fazer as caminhadas. As caminhadas não são longas, sendo que, para mim, e afastado da prática desportiva há algum tempo, ter a oportunidade de andar a pé cerca 7 quilómetros de cada vez, três vezes por semana só pode fazer bem. A ideia será em breve avançar para corrida e/ou bicicleta.

A caminhada, desde que em boa companhia, promove vários aspectos. Tonifica a musculatura em primeiro lugar. Promove e aprofunda relações entre as pessoas (assim tenham tempo e paciencia para durante uma hora e picos falarem da vida). Trocaram experiências, vivências, enquanto se pratica o exercício físico.

Comprei há poucos dias um pedómetro. Para quem não sabe, e resumidamente, é um contador de passos. Trata-se de um aparelho que se coloca junto do osso da bacia, e que permite ao seu utilizador ter uma noção dos passos durante uma caminhada / dia. A tecnologia progrediu e também é possível determinar a quantidade de calorias consumidas durante o período de tempo em causa. Noutros aparelhos, ainda com mais funções, é possível aferir a pulsação.

Com tanta ajuda e tecnologia desenvolvida para este fim, haja saúde e vontade para a prática desportiva!

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sábado, abril 10, 2010

Casamentos

Se há celebração que aprecio, é o casamento. Gosto do momento "pré", do "durante", mas já não gosto tanto do "após", na medida em que não raro, o alcóol teima em toldar-me o pensamento...

Importa referir que também já pensei em ser padre. Poder celebrar matrimónios e para poder ir acompanhar os noivos (então marido e mulher) ao copo de água e claro, comer à borla. Ser padre também tem de ter as suas regalias, pois então! A leitura do evangelho nesta celebração é sempre a mesma mudando a homilia. Dependerá sempre da criatividade do padre e da capacidade do mesmo para agarrar aquele conjunto de testemunhas tão alegres em ver os noivos dar o nó.

Um pormenor que não deixa de ser muitíssimo engraçado de observar é a forma como as pessoas se apresentam a determinado casamento. O que vestem. A disparidade de indumentárias sugere-me o reflexo da forma de pensar e de estar da pessoa. Quanto mais exuberante na forma de vestir, mais notada quererá ser essa pessoa. Sendo que o inverso também se aplicará.

Infelizmente, a instituição casamento tem vindo a ser banalizada. Consequência da facilidade com que é possível casar-se e "des"casar-se nos dias que correm. Os casais acabam por dar o nó sem que se conheçam. Em alguns casos avançam para o matrimónio porque há a pressão das famílias para tal. Sem que no seio do casal tenha sido entendida a verdadeira essência do casamento. Do que está envolvido para a vida de cada um dos membros a partir daquele dia em que publicamente trocam os votos.

Sendo católico, é com algum cepticismo que encaro o casamento. É certo que nunca será possível saber o que vai na cabeça da pessoa que temos ao lado...mas entendo que é uma decisão que muda a vida de ambos. Para sempre. E nem sempre este pensamento é acautelado ou aprofundado de forma correcta. E assim sendo...surge a precipitação...para mais tarde acontecer a inevitável separação. Com sofrimento para o casal e desilusão para as famílias de ambos.

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sexta-feira, abril 09, 2010

Deficientes

Um dos temas que me merece mais atenção. Por toda uma série de razões e mais alguma. Aqui deixo uma palavra de encorajamento para quem teve ou decidiu que quer ter filhos deficientes. Uma palavra de alento aos deficientes que seguem este blogue. Uma palavra de agradecimento a todos aqueles que dedicam a sua vida a cuidar, ensinar e pacientemente orientar a vida de pessoas diminuídas.

Tenho para mim que no momento em que se tem conhecimento que se está à espera de um filho deficiente (Síndrome de Down, por exemplo), e ainda assim se opta por ter, tal é um acto louvável e corajoso dos pais. A sociedade de hoje é mais branda e menos severa para com os indivíduos que têm esta doença do que o era há uns anos atrás. Assim como o conhecimento relativo ao Síndrome de Down é muito mais profundo e constitui motivo de estudo da comunidade científica internacional, comparativamente à realidade de há umas décadas a esta parte.

A temática das infra-estruturas adaptadas aos deficientes também já fez correr muita tinta. Acredito que tenha sido a insistência das organizações de deficientes, em coordenação com as câmaras e juntas de freguesia, que permitiram alcançar vitórias ímpares neste domínio - criação de acessos adequados aos deficientes motores, acompanhamento na residência para pessoas deficientes e sem posses,  entre outras. Hoje em dia é possível garantir que todas os edifícios construídos, e com projecto legalmente submetido à câmara preconizam a sua utilização pelos deficientes. É claro que a "malha" é grossa e há projectos que são aprovados nas câmaras sem um estudo / comprovação efectiva por parte de quem projecta se realmente é algo viável.

Há contudo o reverso cruel da "moeda". As pessoas egoístas. As pessoas que não conseguem ver além dos seus umbigos e que não são capazes de fazer absolutamente nada quando perante um deficiente em dificuldades. E este tipo de falha é algo que me sensibiliza particularmente. Não aprecio e fico tristérrimo interiormente. Ninguém escolhe nascer deficiente. Mas quem nasce deficiente tem de ser demasiado forte para aguentar com muita coisa durante a vida.

Para terminar não sou pessoa de ver um deficiente como alguém que necessita da minha pena. Muito pelo contrário. Dito por um deficiente que conheci em determinada altura da minha vida, é das piores coisas que se pode fazer. Mostrar pena, fazê-lo sentir-se um(a) coitadinho(a). E creio ser aqui que muito boa gente peca.

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quinta-feira, abril 08, 2010

Oficinas automóveis

Para quem como eu é amante do mundo automóvel, não seria de todo estranho pensar em ter uma oficina. Gostava de ter uma oficina, com uns 30 ou 40 carros. Uma equipa de mecânicos só para fazerem as afinações que entendesse em cada um dos meus carros. Mantê-los sempre limpos, a brilhar e claro, com os depósitos atestados. É uma ideia que me agrada, tenho de confessar.

Contudo, e para encurtar este cenário idílico, a realidade não é esta. A não ser que tivesse nascido num qualquer país árabe, fosse multimilionário (e polígamo), não me é naturalmente possível concretizar esse sonho (nem o ser polígamo). Como tal, os meus carros vão, tal como os carros da esmagadora maioria dos demais contribuintes portugueses, para a oficina da marca, ou no meu caso, e pontualmente, para o Sr. Manuel, pai de um amigalhaço meu.

Aparte de algumas concessões autorizadas das marcas, com autorização para prestarem os serviços nos automóveis, existem aquelas oficinas "familiares" que todos temos conhecimento, onde conhecemos alguém que tem, onde trabalha sempre "aquele-mecânico-que-durante-o-dia-trabalha-na-marca-e-à-noite-faz-uns-biscates". As demais oficinas de vão de escada e mesmo algumas concessões autorizadas,  prestam infelizmente um serviço miserável. No final do dia, conseguem denegrir as marcas, prestando um mau serviço. Sou de opinião que a avaliação do serviço pós-venda deveria ser mais intensificado. Tão ou mais intenso do que quando o vendedor nos quer impingir um carro...

Um dos aspectos que mais me irrita nas oficinas é existirem os chamados incompetentes, que não sabem prestar um esclarecimento cabal ou dar-me uma resposta que me agrade. Resumidamente, quando algum dos meus "meninos" está doente, pretendo tão somente uma resposta rápida e conclusiva que me tranquilize a alma e modere a minha tristeza desoladora. Invariavelmente sou brindado com o clássico " terá-de-cá-deixar-o-seu-mais-que-tudo-que-um-colega-meu-terá-de-ver". É o mesmo que me pedir naquele momento um rim. Estou em sofrimento, com a ferida aberta e ainda vertem sal grosso para dentro da mesma.

Também é doloroso o momento de entrega da factura. Houve alturas em que pensei que estava a pagar o conserto dos 30 carros que estavam na oficina. Facturas obscenas, que me queimaram a ponta dos dedos. E claro...logicamente que fazem saltar a fera que está dentro de mim. Nesses momentos deixo de ser amigo de quem quer que seja. Peço de imediato tabelas de preços, confronto valores hora/homem para a execução de determinadas tarefas, questiono preço das peças / consumíveis substituídos(as) e peço para ficar com os componentes removidos. Desconfio de tudo e de todos, nestes meios. Não é por mal....mas conheço histórias macabras...e hoje em dia...sou levado a adoptar uma postura exigente e  rigorosa para "não me irem ao bolso". Ou para não ficar sem ar quando vejo algumas facturas.

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quarta-feira, abril 07, 2010

Desportos radicais

Pela primeira vez, o ano passado, experimentei o meu primeiro desporto radical. Primeiro e último, até porque consegui ficar ainda mais grisalho e devo ter perdido 15 anos de vida, não obstante ter sido uma experiência interessante e logicamente gratificante.

Falo do salto tandem (pára-quedas). Depois de alguma confusão em tentar coordenar agendas (minha e da escola), lá se conseguiu encontrar uma data conveniente para ambas as partes e teve lugar o salto. Com alguma distância, hoje, reconheço que não devia ter efectuado o salto depois de ter bebido uns copos na madrugada anterior.

O salto tandem, resumidamente, é um salto de pára-quedas com um (ou uma) instrutor(a). No meu caso foi um instrutor. Ainda no chão, foi-me amavelmente dado um briefing que com muita atenção segui. Ou por outra, tentei seguir, na medida em que o meu cérebro ainda estava etilizado aquela hora da manhã. 

Lá em cima nas alturas tudo é pequeno. Pontos pretos. Vento na cara, frio e silêncio. O corpo não quer sair do pequeno avião que a custo subiu aos 11000 pés para nos largar. E contra-natura, saltamos literalmente para o vazio. Creio que no meu salto consegui o feito de juntar dois pormenores: fazer um mortal invertido à saída do avião, que me deixou logo mal disposto (daí ter achado que não devia ter bebido...) e não ter respirado durante uns largos segundos durante a queda. Ah...isto a acontecer uma velocidade vertiginosa de várias centenas de quilómetros por hora (massa do meu corpo + massa do corpo do instrutor + aceleração gravítica)...Para não falar no momento em que o pára-quedas abre, com o objectivo de travar a descida. E em que é aconselhável, e insistentemente aconselhado pelos instrutores, ainda no chão, para a verificação da boa colocação do arnês  na zona das virilhas...especialmente no caso dos homens...

Acredito que a minha experiência nos desportos radicais pudesse ter sido melhor aproveitada se não tivesse "regado" bem a madrugada anterior. O salto de pára-quedas é uma experiência muito interessante. Embora, no meu caso, e contrariamente ao que tinha previsto, tivesse de ser feito em ritmo de passeio...quando devia ter sido feito com mais "emoção"..

É o que sei de desportos radicais.

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terça-feira, abril 06, 2010

Espaço

Se há assunto que me é muito querido é o Espaço. A sua imensidão tem um efeito muito interessante e facilmente percebo o quão pequeno é o ser humano.

Cresci a ver séries televisivas tipo "Galáctica" e "Guerra das Estrelas", mas confesso que nunva tive muita paciência para assistir às mesmas. Ou por outra, nunca me preocupei em seguir as mesmas com a regularidade necessária para entender a trama subjacente. A ficção científica não tem em mim uma atracção por aí além.

Vejo pontualmente documentários relacionados com esta temática e que confesso me dão que pensar. A sucata que lá está em cima incomoda-me bastante. Sucata esta que provém dos satélites, e de outros aparelhos que lá vão pondo em cima. Tenho vindo a pensar que não seria má ideia dando um verdadeiro exemplo de cidadania, ligar ao meu amigo de todas ocasiões Zé e pedir-lhe que interceda junto daquele acho que foi constituído arguido no caso "Face Oculta" para limpar aquilo de uma só vez. Talvez assim não eu pensasse mais no assunto e ficava mais descansado.

Enquanto tal não acontece, vou-me deliciando a  olhar para o céu estrelado e contando as estrelas cadentes que passam!

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segunda-feira, abril 05, 2010

Cheiros

Consigo associar os cheiros a momentos e locais. Com relativa facilidade é-me possível lembrar-me da primeira vez em que cheirei determinado cheiro e situar-me fisicamente relativamente ao mesmo.

Uma das minhas fragrâncias preferidas logo pela manhã é a da lavanda. Logo pela manhã. Gosto deste cheiro na roupa. Se não estou em erro, quase todos os meus perfumes têm na sua composição uma nota desta fragrância nas várias que compõem um perfume.

Curiosamente, associo cheiros a momentos ou épocas da minha infância ou adolescência. Há naturalmente cheiros que desagradáveis. Detesto o cheiro dos fritos do sushi onde costumo ir com a rapaziada e que teima em  ficar impregnado na minha roupa. Tendo sido fumador durante alguns anos, detesto o cheiro que o tabaco deixa na boca, mãos, cabelo e roupa. Abomino entrar num carro, pela manhã e sentir o cheiro a tabaco. É muitíssimo desagradável o cheiro da comida na roupa, o cheiro do suor ou o mau hálito.

Acredito que há pessoas que perderam o olfacto algures por aí...para mal dos meus pecados!

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domingo, abril 04, 2010

Bacalhau

Para que não exista qualquer tipo de dúvida, início este meu singelo texto confessando aquilo que já referi anteriormente neste espaço: gosto de comer com qualidade e em quantidade. Um bom garfo em resumo.

Falando do que interessa e  objectivamente sobre bacalhau. Tenho de dizer que durante muito tempo não entendi muito bem o prazer em comer este peixe. Salgado. Ainda que tenha durante alguns anos desenvolvido algumas teorias que explicassem o meu desagrado: Ou pelo facto de ter comido pratos mal confeccionados, ou porque os próprios bacalhaus não eram de boa qualidade, ou ainda porque o meu conhecimento de pratos de bacalhau se resume a meia dúzia de pratos. Qualquer uma das causas seria (e foi) aceitável.

Convém salientar que poderá ter contribuído para o eu não gostar de bacalhau o facto de ter comido só bacalhau cozido durante décadas. As variantes eram pontuais e não serviram para que conseguisse desenjoar da variante comum. Sei que os verdadeiros amantes de bacalhau gostam do mesmo de qualquer forma e feitio. Mas lamentavelmente (e correndo o risco de cometer um pecado mortal) tenho a informar que dispenso o bacalhau cozido.

Com o passar dos anos fui aceitando que talvez não fosse má ideia aprender a apreciar o bacalhau. Afinal nem é assim tão complicado diferenciar uma boa posta de uma má posta. Ou perceber se o bacalhau foi bem "demolhado". São pormenores que concorrem para o resultado final. Ou no sabor final se preferirem. Ainda assim...e presentemente, torna-se necessário para mim "disfarçar" muito bem o bacalhau cozido, com as batatas, as verduras, o ovo e o alho, regar com muito azeite e vinagre para que no final possa obter um "castelo" comestível.

Há naturalmente formas de bacalhau que não carecem de ser disfarçadas. Ou porque já o são naturalmente e que gosto (Bacalhau à Braz, Bacalhau com Natas) ou porque não me desagradam totalmente (Bacalhau no Forno, Bacalhau à Lagareiro, entre outras).

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sábado, abril 03, 2010

AKI

Antes de começar, tenho a informar que não tenho qualquer tipo de remuneração por estar a escrever sobre o AKI. Posso inclusivé afirmar sem qualquer tipo de problema que gosto muitíssimo do AKI e sinto que o prazer em me ter por perto é recíproco.

Tenho para mim a firme convicção de ser um esforçado e exímio entusiasta do arte do bricolage, ou "brico", terminologia utilizada num círculo restrito de amigos que tal como eu gostam destes assuntos. Logicamente que só me posso rever nos vários congéneres do mesmo sexo e numa faixa etária que não raro ultrapassa as 6 décadas de existência. É de experiência de vida partilhada nos corredores do AKI que aqui falo, portanto. Torna-se-á assim lógico para todos os seguidores deste blogue que este servo de Deus só pode "beber" toda essa informação de valor inestimável proveniente dos corredores do AKI.

Importa nesta altura realçar a importância e necessidade de chamar as coisas pelos nomes. Qualquer entusiasta do brico sabe diferenciar uma lima de uma grosa. Uma chave "philips" de uma chave de fendas. Um roquete de um maço. Uma lixa de água de um balde de tinta. Um martelo de um parafuso. Um escadote de um interruptor. Entre outras diferenças que poderão parecer básicas mas nem sempre o são.

Sem grande dificuldade é possível criar alguma impaciência na cara-metade por se conseguir passar 3/4 de hora a escolher entre dois berbequins eléctricos. Não viria mal ao mundo se pensassem na impaciência criada quando experimentam 747 saias ou pares de sapatos e pedem a opinião em todos os testes. É a mesmíssima coisa. Com a diferença que a escolha de um berbequim é revestida de uma cerimonial próprio, em que se torna necessária a momentânea abstracção da realidade e é imperativa a focalização nas características técnicas do equipamento.

Assim sendo, mesmo que não exista uma necessidade imediata de algo do AKI, não deixo de passar por lá. Tenho a certeza que o AKI está inteirado  desta realidade e que me tem como um verdadeiro amigo de todas as ocasiões. Eu preciso peço ajuda, o AKI precisa pede-me ajuda. Tão simples quanto isto. Gosto desta relação de mutualismo subjacente e que certamente irá prevalecer por muito tempo.

Um AKI. Perto de si.

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sexta-feira, abril 02, 2010

Ovnis

Tudo o que tem que ver com ovnis, et´s, e assuntos relativos a outras galáxias, sempre exerceu em mim um fascínio enorme. Adicionalmente, admito sem problema e/ou pejo, que os ovnis sempre me atrairam um pouco mais que as temáticas afins.

É igualmente sem grande espanto que constato que tem havido um menor fluxo de viagens das naves ao nosso planeta. Por outras palavras, menos publicidade / mediatização de fenómenos paranormais que estou em crer que continuam por aí a acontecer. Com pena minha, porque me agradaria muitíssimo aprofundar o meu conhecimento sobre os mesmos e quiçá estreitar relações com algum entusiasta do fenómeno.

Ao longo dos anos, e após a visualização de cerca de 10000 horas dedicadas a fenómemos do além, apraz-me dizer com absoluta segurança que estamos a salvo em Portugal. Aparte do aparecimento da Nossa Senhora de Fátima aos pastorinhos, o único fenómeno paranormal que por cá existe advém da crença do nosso Primeiro Ministro em como vai conseguir estancar a escalada do desemprego.

Os ovnis, esses, aparecem sempre do outro lado do Atlântico (EUA), e são invariavelmente vistos por algum casal que estava a trabalhar na lavoura...ou que acordou de noite para ir beber água e viu uma luminosidade intensa pela janela. Curiosamente, sempre as mesmas pessoas. Casais de idosos. Acredito que em alguns casos os actores sejam várias gerações da mesma família...

Convido a ver alguns documentários e a chegar às mesmas conclusões que humildemente vos passo.

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quinta-feira, abril 01, 2010

Desporto

Começo por informar que este vosso amigo já foi um verdadeiro fanático e entusiasta do culto do físico. Desde a natação (com tenra idade), passando por uma aula de ténis (sim, só uma porque embirrei com o professor), squash, boxe tailandês, rugby, musculação, golfe e claro, futebol. Homem que se preze em algum momento da sua vida tem de dar uns chutos no esférico. Mesmo que não goste.

Passando ao que interessa verdadeiramente, e que é a minha visão do desporto. Acho óptimo que toda a gente pratique desporto. Infelizmente, sempre gostei de actividades desportivas violentas. Atente-se nas que elenco acima. É normal (e expectável) que nem sempre as coisas corram bem durante a prática das mesmas. Lembro-me por exemplo de ter feito duas rupturas musculares no mesmo sítio e na mesma zona de um músculo anterior da perna direita. Ou uma lesão que tive numa virilha que me obrigou a ser massajado nessa zona por um homem com mais barba que eu (fisioterapeuta), ou ainda o recente estiramento de um músculo que fiz ontem nom jogo de futebol entre colegas (felizmente não fui o único a ficar lesionado).

Lembro-de de há uns anos para cá levava e percebia o desporto de forma diferente. Talvez porque na altura era mais "responsável" e mais ajuizado. Hoje em dia, e com o avançar da idade, ou com os sucessivos compromissos profissionais que existem e com timings apertados, é normal que algumas etapas essenciais sejam negligenciadas. No meu caso, e das duas últimas lesões musculares que tive, a causa foi comum - mau aquecimento muscular.

A juntar à festa, confesso que existe sempre o irritante factor da auto-confiança. Ocorre-me que porventura terei pensado que a prática concluída do golfe há 4 anos atrás me poderia ter preparado e aquecido para o jogo de futebol de ontem. Imbuído neste espírito, entrei em campo e completamente absorto no momento e com a força de 4 manadas de bois fiz um remate à baliza. Daqueles explosivos, qual tiro. É claro e óbvio que o músculo frio da perna se ressentiu de imediato e castigou-me prontamente com uma dor aguda que ainda persiste neste momento em que vos escrevo estas humildes linhas.

Para terminar, quero apenas informar que não será este episódio infeliz isto que me vai afastar de querer continuar a prática desportiva. Ou quem sabe ser um atleta medalhado. Talvez não fosse má ideia perceber que o corpo de hoje não é o corpo de há umas décadas, e como tal, os graus de liberdade existentes sejam em menor número. Também não será mal pensado apostar noutro tipo de actividade desportiva, em que existam solicitações tão grandes de um corpo que nos últimos anos não é trabalhado. Yoga, ou algo similar...embora seja algo que nunca ponderei praticar...por achar que são actividades para meninas...

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