terça-feira, abril 13, 2010

Missa

Começo por dizer que desde sempre tive uma educação religiosa. A habitual missa dominical (ou vespertina - missa de Sábado a partir das 1700H), a catequese, o colégio de freiras, etc. Os ensinamentos e os mandamentos religiosos estão cá todos. Tenho a "cassete" na minha cabeça.

Contudo, e com o inevitável avançar da idade, começaram a pairar as várias questões dilemáticas. E cujas respostas dadas por quem de direito nem sempre eram satisfatórias ou razoavelmente conclusivas. Ou por outra, não satisfaziam o meu espírito inquieto e ansioso por respostas. De resto, não será de estranhar que tal acontecesse, tendo em conta que a minha formação académica tem por base as ciências exactas..Visíveis, ou calculáveis.

Aparte de todo o cerimonial religioso que está subjacente à missa, há, entre outros, um momento especial na celebração. A parte da homilia. Se em algumas celebrações me foi possível dormir a bom dormir (até que era acordado por um beliscão da minha mãe), outras celebrações houve em que o padre conseguia captar a minha atenção. Não é preciso muito, na minha opinião. O ser pragmático, o opinar de forma sucinta e aligeirada sobre a leitura do Evangelho, e conseguir um enquadramento da mesma face à realidade. Estavam assim reunidas as condições para uma homilia sustentada e sem qualquer dúvida aquelas que me mantinham desperto.

Também fui tentado a voluntariar-me para acólito. Mas rapidamente realizei que não ía correr nada bem. Recordo-me de, em diversos momentos, quando o meu grupo da catequese ía à Igreja, não raro acontecia a risada. Se a memória não me falha, enquanto integrante deste grupo, creio nunca ter sido  capaz de assistir a uma celebração inteira sem que me desmanchasse a rir..até às lágrimas, entenda-se. Ou porque alguém noutro ponto da Igreja se engasgava a tossir, ou porque alguém no grupo dizia uma graçola, ou simplesmente porque o "tenor" da fila por trás da nossa fazia um falsete (tipicamente as pessoas de mais idade...). Ou seja, tudo era motivo para a boa disposição na casa do Senhor. Assim sendo, a minha promissora carreira enquanto ajudante do padre Martins ficou-se mesmo pelo projecto e/ou vontade.

Fiz o crisma tarde. Já em idade adulta e porque me afastei do percurso normal da vida religiosa. A rapaziada lá da rua, as miúdas, as solicitações mundanas desafiavam-me e claro, sendo verdadeiramente tentadoras não era suficientemente forte para resistir. Mais tarde "encontrei-me" de novo e optei por continuar...sempre com Fé. Essa nunca deixou de me acompanhar.

Até hoje e de forma inabalável.

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1 comentário:

Zé Reis disse...

Mais uma vez os comentários nos fazem recuar no tempo, e lembramo-nos de coisas da nossa infância.... Eu nunca dormi na missa, também já me deram ataques de riso, em que a catequista, a minha mãe, a minha irmã mais velha, ou qualquer outra pessoa de idade lá ao nosso lado nos fuzilava com os olhos, e nós lá nos quedávamos quietas e a engolir o riso....
Lembro-me perfeitamente das missa de festa, com um grande sermão á mistura, mas eu adorava ouvir os sermões dos padres na igreja, principalmente nos dias de festa, eram sempre vários padres, era o cheiro a incenso (talvez por isso ainda agora adore o cheiro do incenso, passo a vida a ter "pauzinhos" dele a queimar, tem alguns cheiros que me transportam mesmo á minha igreja de menina, e à missa em honra de S. Brás, ou de Santa Luzia etc etc..), lembro-me das procissões tão lindas.... havia um momento durante a missa que eu "odiava" que era quando o padre oferece a hóstia e o cálice, e toda agente baixava a cabeça e sussurrava , e eu ficava sempre sem saber o que sussurravam porque nunca ninguém me dizia a tal oração sussurrada, foram anos até descobrir a bendita oração, e me reconciliei com esse momento da eucaristia...
Durante longos anos gostava de ir, e ia religiosamente à missa, até uma vez ter literalmente sido colocada da missa para fora, sim isso mesmo!!!!! eu e outra mulher na mesma condição que eu, que foi cometer o sacrilégio de ir à missa e levar a minha filha mais nova porque não tinha onde ou com quem a deixar, a mais velha já era grandinha pelo que se portava bem, a mais nova era pequenina, e então o padre colocou-nos na rua a mim e a outra mãe, porque as crianças pequeninas, "palravam".... bem se fosse hoje eu sairia da igreja na mesma, mas dava uma boa resposta ao padre, naquela altura senti-me tão envergonhada que nem tive reacção, tenho a certeza de que hoje já teria mais frieza, e responderia de igual modo.... bem mas esse episódio acabou com a minha devoção de ir à missa, e agora só lá vou mesmo mesmo por obrigação, tipo casamentos ou funerais, em que detesto tanto uns como outros, por motivos diferentes , mas tão iguais......
Gosto de visitar igrejas vazias, dão-me uma sensação de liberdade e paz.... Adoro olhar os altares, os santos expostos, as pinturas... e fico sempre a pensar o quão eram inteligentes e talentosos os nossos antepassado....... A minha fé, essa também anda tão arredia de mim, que já quase nem a consigo vislumbrar......talvez tantos e tantos "pontapés" da vida me façam acreditar que Deus se esqueceu que eu existo.... mas ainda continuo a ter muita fé no meu Anjo da Guarda.... e apraz-me pensar e saber que posso pelo menos pedir "socorro" a Nossa Senhora de Fátima.....gosto do mês de Maio, porque me faz lembrar bastante na escola o que chamavam o mês de Maria, em que nós todos os dias rezávamos e cantávamos a Maria....
talvez até a minha fé ainda continue dentro de mim, não tão inabalável como a do João.......