Mais um dos meus temas "quentes". E um daqueles rentáveis, sem qualquer dúvida. Não sei se já aqui disse...mas também terei pensado em seguir o ramo imobiliário quando era miúdo. Na altura em que era possível, de forma mais ou menos ardilosa ganhar alguns cobres com este negócio que é a venda / compra / permuta de terrenos e casas.
A "receita" é sempre a mesma. Comprar por 2 euros e vender por 5 euros. Parece (e já foi) simples. O lucro que adveio de muitas "negociatas" até aos dias que correm não é mensurável. O "sistema" vigente permitia e é claro, o "tuga" aproveitava. Contudo, com o avançar da tecnologia, é hoje em dia possível ter acesso a uma análise mais fina, que decorre do cruzamento de vários serviços. Há uma comunicação mais efectiva entre notários e serviços centrais das finanças, bem como as avaliações dos imóveis por parte das entidades bancárias já não são tão "generosas" como foram num passado recente. Porquê? Simples. O banco empresta o "faz-me rir" relativamente ao valor que entende que a casa vale. Na maioria das vezes (e sempre se pensou que os avaliadores do banco faziam um favor enorme) o imóvel era avaliado por cima, tendo em consideração o seu valor real. Ou seja, era emprestada a totalidade do valor que se pedia ao banco e que claro, servia para mobilar a mesma e comprar a televisão, microondas e aquele blueray. Após uma negociação do tempo de empréstimo (quase sempre acima das três décadas), a casa começava a ser paga. Ou quase. Sem entrar em grande detalhe de foro mais económico, há empréstimos em que os primeiros anos são juros. Só passado algum tempo a casa começava a ser paga...O que não deixa de ser curioso. Estou a trabalhar e a pagar algo que não é meu...durante esse período.
Para o banco me emprestar o dinheiro para eu comprar a minha casa tem de "comprar" dinheiro a outros camaradas. O momento actual / presente, não é propício a que essa compra seja feita. Ou seja, o banco onde a Dona Fernanda e o Sr. Aparício têm conta domiciliada há 90 anos está a comprar dinheiro mais "caro" e consequentemente tem de, com uma ginástica financeira hábil, conseguir algum lucro. O lucro advém naturalmente da taxa de juro que afecta o montante que o banco lhes emprestou e nos moldes em que foi feito o empréstimo, ou seja, em algumas variáveis, como seja o spread (valor que o dinheiro tem para o banco). Ou seja, os valores dos empréstimos feitos no presente momento vão subir. Ou seja, quem quiser comprar casa tem de pagar mais. Mais uma prenda do actual Executivo (não está em causa se boa ou má). E é claro que o banco não poderia ter prejuízo.
Com tudo isto, é natural que o sector imobiliário esteja pelas horas da morte. Ou seja, com o fecho de algumas pequenas empresas, sem o estímulo necessário para as médias se manterem na corrida de forma vigorosa e com as grandes empresas como que a "blindarem-se" para impedir danos colaterais severos, muitos são os empregados que são convidados a sair. Uns com melhores condições de saída. Outros nem por isso. Resumidamente, alguns conseguem continuar a pagar a prestação da casa...outros não conseguem suportar o encargo. Donde, esta é uma boa altura para comprar casa. E para negociar, na medida em que a margem negocial de "quem tem a corda à garganta" é zero ou praticamente nula. Sendo isto aplicável ao legítimo proprietário do imóvel ou do empreiteiro que empatou dinheiro e ainda não conseguiu vender puto.
Posto isto, resta-me concluir que com a gradual subida dos impostos e com os sucessivos despedimentos (colectivos ou não), a carteira de imóveis para venda vai aumentar substancialmente. Julgo que de forma nunca antes vista. Poderá ser similar ao que sucedeu nos EUA, em que, como se sabe, a recessão económica teve como origem a elevada especulação imobiliária. Portugal, na sua infinitamente inferior dimensão poderá ter reunido todas as condições para mergulhar numa depressão sócio-económica nunca antes vista. Basta não serem tomadas as medidas necessárias para estimular, dinamizar e conferir confiança aos empresários deste País.
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