quinta-feira, junho 10, 2010

Eutanásia

Por definição, a eutanásia é uma forma abreviada de pôr fim à vida de um enfermo incurável, assim seja a mesma feita de maneira controlada e medicamente assistida.

É sabido que ninguém tem o direito de tirar aquilo que de mais precioso temos - a vida. Contudo, e em algumas situações, defendo que não é positivo que seja perpetuado um estado de coma vegetativo. Porquê? Porque são raros os casos de coma vegetativo que duraram anos e que reverteram em situações "normais". Por outras palavras, são raros os casos da história da medicina em que os enfermos tenham "acordado" do coma.

Há contudo uma variável que pode fazer a diferença na avaliação do quadro clínico pelo médico e que (poderá) funcionar(á) como mote orientador na decisão da família. A decisão em vida tomada de forma lúcida pelo paciente. Há doentes que apercebendo-se do estado debilitado em que se encontram (e antevendo um progressivo agravamento do mesmo), informam o médico e família da sua vontade em recorrer à eutanásia. Há estados dos EUA onde tal é possível. Noutros estados do mesmo país, os mais "conservadores", tal não é possível.

Muito mais complicada é a análise de uma situação de coma que dura há anos e em que não é possível ser conhecida a vontade do doente. Lembro-me vagamente de ser miúdo e ver na televisão um toureiro que ficou em coma durante largos anos. Também há o comum exemplo dos jovens que sofrem acidentes graves e ficam ligados às máquinas. Se não estou em erro, as mesmas só são desligadas quando há morte cerebral. E até lá? Esperança, sofrimento e ansiedade. Existe uma teoria defendida por alguns médicos que a partir de determinada altura é uma cama do hospital que está a ser ocupada por alguém que há muito tempo não dá mostras de vir a melhorar a sua condição. O que naturalmente irá fazer com a que situação tenha de ser analisada muito bem, quer pelo corpo de médicos, quer pela família...

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1 comentário:

Anónimo disse...

Nunca consegui ter opinião formada sobre este tema, se seria a favor ou contra... no entanto pude constactar que é mais "fácil" quando estamos dentro da situação. Claro que ter este tipo de experiencia com um parente ou um amigo será francamente mais dificil mas para quem gosta de animais como eu e que os trata como se fossem da familia foi igualmente dificil. A minha gata tinha cancro e já estava em fase terminal. Operei-a duas vezes, fiz tudo o que medicamente estava ao meu alcance e não queria mesmo que ela sofresse. No entanto e enquanto o veterinário me afiançou que não sofria, pois estava medicada, fui tratando dela. No dia em que faleceu cheguei a casa e lá estava ela num cantinho (nem sei como lá conseguiu chegar), sem se mexer. Peguei-lhe e liguei para o veterinário a perguntar como "funcionava" a injecção para a "adormecer" (nunca pensei que fosse capaz de o fazer...), e combinei que se ela aguentasse essa noite que o faríamos pela manhã. Faleceu ás 21h50, dia 9 de Junho, naturalmente, e comigo ao lado dela. Não sei como me sentiria se tivesse que lhe ter dado a injecção.
Cmg