sábado, julho 17, 2010

Crimes em Portugal

São raríssimos os momentos em que passo os olhos em alguns jornais diários. Refiro-me a jornais do tipo do "Correio da Manhã" (CM) e o recentemente extinto "24 Horas". Basicamente quando vou ao barbeiro, enquanto aguardo a minha vezm e para desviar os olhos de algum corte de cabelo daqueles de "revirar os olhos".

Não lia o CM há já algum tempo. Donde, é perfeitamente legítimo que tenha demorado mais tempo a assimilar toda uma série de diferenças que existem hoje em dia relativamente a exemplares de anos passados. Uma das "inovações" passa por ter sido introduzido um mapa de Portugal, que sumariza os crimes que aconteceram na semana anterior. Primeiro nome da vítima, idade e móbil do crime. Curiosamente constatei que alguns crimes que ocorreram naquela semana foram perpetrados por amantes (60%). Outros pelos cônjuges (20%) e outros (10%).

É sabido que é este tipo de notícia que "vende", ou que dá picos de audiência aquando da abertura de um bloco noticioso. A desgraça alheia. É esta a razão pela qual o CM  ainda existe. Utiliza a mesma fórmula de sucesso desde há muitos anos (sendo que deixou de existir o poster da mulher nua central). Contrariamente ao "24 Horas" que teve um período aureo enquanto foi novidade. Mas ainda assim não destronou o jornal mais sensacionalista de sempre. Que já passou por maus momentos, como é sabido, mas que sobreviveu.

Portugal é um País de brandos costumes. Não se passa nada, não temos psicopatas assassinos, tivémos uma tentativa de  assalto gorada há pouco tempo (que resultou numa baixa mortal de um dos assalta), um padre madeirense pedófilo (a juntar a todos os outros do caso Casa Pia) e algum sangue por altura dos atentados da FP 25 de Abril, ou o famoso crime do Baleal, ocorrido há algumas décadas, daquele pai/marido (recentemente solto) que matou a família toda. De resto, nada a assinalar.

Importa também fazer um pequeno apontamento à forma "eficaz" de funcionamento do nosso sistema judicial. A actual moldura penal existente, sugere um máximo de 25 anos para crimes do estilo daquele do Baleal. Ou seja, o tipo que matou a mulher e filha (ou filhas, não me recordo). Com a eventual benesse de não ter de cumprir a totalidade da pena, se houver bom comportamento.

É por esta e por outras situações que Portugal nunca sairá da cepa torta..

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