domingo, julho 11, 2010

Subsídio de Desemprego

Não tenho dúvida alguma que a actual taxa de desemprego  seja uma das maiores dores de cabeça do actual Executivo. É igualmente verdade que a promessa dos 150.000 postos de trabalho não foi mais que uma "bandeira" durante a campanha eleitoral para angariar mais uns votos.

Há uns largos anos atrás fui inscrever-me numa das delegações do IEFP (Instituto do Emprego e Formação Profissional). Tinham passado cerca de dois meses que tinha concluído o curso superior, e começava a desesperar, na medida em que enviava muitos  meu cv´s sem que fosse obtida qualquer tipo de resposta. Resolvi ir directamente aquele que na minha opinião seria o local certo, e onde encontraria umas 20 propostas de emprego com o meu nome.

Para quem nunca teve necessidade/vontade de ir a um local destes, importa desmistificar algumas coisas. Não "caem os parêntesis na lama" a ninguém por ser visto numa delegação do IEFP. Muito pelo contrário. Demonstra pro-actividade, interesse, vontade de resolver uma situação que poderá ser mais (ou poderá ser menos) prolongada. Por experiência própria sei que o leque das oportunidades de emprego é ampliado quando se procuram mais alternativas que as usuais (eg: jornais e internet). Os centros de emprego são um bom exemplo de alternativa possível aos canais normais de divulgação. Até porque as ofertas de emprego que lá figuram, na esmagadora maioria das vezes não são publicitadas recorrendo a outros canais (custa dinheiro publicitar...).

Lembro-me que uma das coisas que me ficou gravada na memória, desde então, foi o facto de a partir do momento em que a pessoa estivesse inscrita num destes centros de emprego, não poderia recusar sempre as ofertas de emprego comunicadas. Salvo erro, na altura, não se podia recusar mais de duas vezes.

Quis o destino que passadas duas semanas encontrasse um trabalho, e prontamente comuniquei essa situação ao IEFP. Deve ser algo raro, pela estranheza com que me fitaram...E é precisamente aqui que quero chegar. Quantas e quantas pessoas há por esse Portugal fora que recusam ofertas de emprego nos dias que correm? Por algum azar da vida deixaram de trabalhar nas empresas onde estavam...mas, o caminho não passa por recusar as ofertas que existem, e continuar a "mamar" à conta dos demais contribuintes no activo. Sim, em primeira e última análise, eu enquanto contribuinte, pago para que outros possam ficar em casa, de perna estendida, a ler as ofertas de emprego no jornal, e a receber o belo do subsídio de desemprego. Limpo, sem qualquer imposto incidente. Conheço algumas pessoas assim. Infelizmente.

A culpa não é das pessoas que apenas e só usufruem e exploram um vazio legal. A culpa é do Executivo, que não possui mecanismos eficientes de cruzamento de informação acerca dos desempregados. Importa perceber quem e há quanto tempo não está empregado. Quem e há quanto tempo recebeu propostas de emprego e recusou. Quem e há quanto tempo não frequenta as acções de formação dirigidas a desempregados nos centros de formação. É inconcebível (e insustentável) que se possa ficar ad eternum a receber o subsídio de desemprego.

Este deve ser um tema tratado com a seriedade que merece e não com a ligeireza que se percebe existir ao longo de décadas.

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