O treinador de futebol é para mim uma peça importantíssima neste mundo intrincado e complexo que é o do futebol. Contudo, e contrariamente à importância que lhes é normalmente atribuída, não os vejo como mais do que um profissional que tem um poder de persuasão fora de série, ou seja, alguém que consegue que um grupo de futebolistas lhe obedeça. É preciso é saber-se como. Como levar a água ao moinho...ou a bola à baliza.
Não posso, nem quero deixar passar em branco o episódio da prestação do seleccionador nacional da equipa portuguesa neste momento único que foi a nossa participação no mundial de futebol. Aproveito para dizer que o entusiasmo que sinto ao falar da bola é o mesmíssimo que sinto ao falar de uma corrida de caracóis. A leitura que faço desta nossa participação num mundial é minha, e vinda de um leigo em matéria de futebol e saliento igualmente que decorre apenas e só do que assisti no nosso frente à equipa espanhola.
A selecção nacional esteve bem neste jogo. Foi notório o esforço enquanto equipa, e não tenho qualquer dúvida que houve um herói na noite do jogo: o guarda-redes português. Os restantes...e a dada altura...(como vem sendo habitual), perdeu a "unidade" tão necessária para fazer frente aos espanhóis. Porquê? Porque temos mais uma vez se constata que há muitos candidatos ao "papel principal" neste teatro e é possível assistir a verdadeiras exibições disso mesmo. Jogadas individualistas, sem visão de jogo. É claro que o resultado não poderia ser pior.
Este jogo em especial deu também para perceber o quão depressa alguém passa de "Bestial a besta". Se bem que este seleccionador nunca tenha sido "bestial". Nem com o 7-0 frente à Coreia. Neste jogo, a troca de um jogador mostrou que é sempre algo similar à clássica analogia do "pau de dois bicos". "Ah, e tal, mas foi substituído um jogador que estava a jogar bem". O que me leva a perguntar..."Então o jogador que entrou não podia ainda jogar melhor que o que saiu? E marcar logo 4 golos de rajada?" Não se sabe. O que é sabido, é que por uma infeliz coincidência a Espanha marcou um golo. De resto, e aqui entre nós, um golo nada de especial. Eu próprio marcaria um golo mais bonito. Mais elaborado e que certamente iria ser do agrado de todos os portugueses que assistiram ao jogo.
Infelizmente este tipo de análise não foi bem a mesma que a dos jogadores (principalmente a daquele que ostentava a braçadeira de capitão). Qual puto desautorizado, de forma tão sua, avançou a teoria de que a culpa era do treinador. Típico. Esqueceu-se por exemplo que o treinador não está dentro das 4 linhas do campo - não joga, e esqueceu-se ele mesmo de correr durante o jogo. Mas isso são pormenores, claro.
Quantos aos demais treinadores "special ones" que falei num texto anterior, não me merecem qualquer comentário. Como costumo dizer relativamente a este tema, é tudo uma questão de sorte. Vários momentos de sorte, se preferirem. Mas como em tudo, o arauto da desgraça tarda mas não falha. E alguns momentos áureos terminarão. Com o consequente declínio daqueles que tem um Ego tão inflamado que se esquecem de ser humildes.
Estarei cá para assistir à queda. E quem ri por último ri melhor. E com mais vontade.
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1 comentário:
Para quem diz que "abomina futebol" não te saíste nada mal nesta tua análise sobre o tema. Confesso que gostaría muito de te ver marcar um golo "bonito e mais elaborado".
MM
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