terça-feira, agosto 31, 2010

Dinheiros Públicos

Não percebo a política de contenção dos sucessivos Executivos. Aliás, em plena época de crise económica, "piscando um olho" ao possível eleitorado e numa tentativa de ganhar os" tais" votos a maioria absoluta, constroem-se estradas. Ainda há bem pouco tempo ouvi na televisão que se vai construir mais um troço de estrada algures no Norte, cujo orçamento estimado ronda algumas centenas de milhar de euros. Fiquei a pensar se, num rasgo de loucura do actual Executivo, não se teria sido adjudicada a construção de uma estrada para a Lua!

As estradas são naturalmente importantes na economia de uma Nação. A par e passo com o mar e o ar, constituem uma via de comunicação que permite o escoamento de pessoas e bens. São de inquestionável importância. Contudo, parece-me que tem de haver contenção. Mais a mais, não me parece que esteja em causa o asfaltar de estradas de terra! Um pouco à semelhança daquele que tem sido o crivo relativamente às grandes obras públicas (eg: TGV , novo aeroporto e a 3ª travessia sobre o Tejo), também nas estradas deveria haver uma análise e estudos ainda mais aprofundados sobre as necessidades (imperiosas ou não) e as consequentes implicações nos dinheiros públicos. No final do dia, todos pagamos o tal troço de estrada que vai começar a ser construído algures no futuro. Sem que usufruamos do mesmo.

"Respeitar para ser respeitado". Um dos vários lemas que norteiam a minha vida. Desde tenra idade. Sendo sincero, não acho que os sucessivos digníssimos representantes da sociedade portuguesa gastem de forma correcta aqueles que são os dinheiros públicos e não deles. Nos dias que correm, é cada vez maior o "quinhão" que o contribuinte português desconta no IRS. Desejavelmente, deveria existir a jusante uma gestão racional destes fundos. Afinal, trata-se de dinheiro ganho com suor, com esforço, e sempre na esperança de que seja bem aplicado. O que nem sempre acontece.

É nesta matéria que entendo que o nosso muy estimado e mais alto representante da Nação Portuguesa, o nosso Presidente da República, deveria intervir mais. Mais a mais, tem formação em economia, em contraponto com um falso engenheiro que ocupa o lugar de Primeiro Ministro. Contudo, e a bem da estabilidade política, decidiu-se encetar por uma "coexistência pacífica", sem tumultos, até porque são sobejamente conhecidas as diferentes opiniões relativamente a algumas rúbricas tidas como "fracturantes".É aqui que tem lugar o "princípio do fim". Da mesma forma que o anterior Presidente da República dissolveu o Governo por altura do Santana, também este Presidente devia ter tomado essa mesma decisão. A bem da Nação. Ainda que com isso fosse criar uma instabilidade política momentânea, julgo que os "ganhos" seriam significativos. Importa também reflectir na questão das reais consequências negativas...(que são avançadas sem certezas). Pouca gente avança com os pontos positivos. E há.

Concluindo, reconheço (como qualquer outro português), a legitimidade e obrigação do Presidente da República em exercer a sua capacidade de agente regularizador da economia portuguesa. Mais do que tem feito. Terá de o fazer continuamente. A bem da Nação...tem de ser revista esta "coexistência pacífica", por forma a garantir a defesa e salvaguarda dos interesses dos portugueses. No caso, dos dinheiros públicos.

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segunda-feira, agosto 30, 2010

Reformados

A reforma tem lugar quando é atingida a idade que o nosso Governo entende ser adequada para se deixar de trabalhar. Poderá também acontecer quando alguém se chateia com o empregador e entende deixar de acordar cedo para ir "picar o ponto".

Consequência do aumento da esperança média de vida (e do lógico envelhecimento das sociedades modernas ou aumento das faixas etárias mais elevadas), a idade atrás mencionada atrás vai sendo alvo de sucessivos e naturais ajustes. Assim sendo, actualmente o limite está definido para os 65 anos de idade, sendo que há uns valentes anos atrás seria alvo de algumas anedotas relacionadas com a 3ª idade. Não tem mal algum, até porque enquanto houver vida há esperança. Nem que para isso seja necessário passar e levar-se as fraldas dos incontinentes, a algália, e por aí adiante.

Não faz sentido. Pessoas que trabalharam uma vida inteira, no final da sua vida, terem de receber a notícia que têm trabalhar mais uns anitos para receber a reforma por inteiro. É um pouco ridícula a imagem do nosso Primeiro Ministro bater na corcunda de qualquer pessoa mais velha dizendo: "Vá la, são só mais 10 anos de trabalho, pelo bem da Nação". Esta imagem espelha bem o que presentemente acontece com pessoas que há poucos anos já teriam idade mais que suficiente para pedir a reforma, e no presente ainda têm de "vergar a mola" mais uns anitos.

Contudo, nem tudo é mau. Congratulo-me por viver em Portugal, e perceber que há coisas que nunca mudam. Aquilo a que chamo de "bons-costumes-enraizados". É muitíssimo importante para mim realizar que há imensas actividades ocupacionais no pós-reforma, até porque ando a pensar nisso com mais frequência, a cada dia que passa. Uma dessas actividades, aquela que mais me puxa e aprecio, é sem dúvida alguma, a bisca. Também há o dominó jogado, mas é diferente. Em ambos os casos, qualquer jardim perto de nós serve para a jogatana. Escuso de dizer que acho uma ideia óptima, depois de uma boa soneca ir jogar às cartas com a rapaziada lá da rua. E porque não, falar dos bons velhos tempos lá da aldeia ou como sempre, e como não podia deixar de ser, do tempo do "outro senhor". Quem me dera poder chegar a estas idades provectas e ainda conseguir ver ou segurar as cartas!

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domingo, agosto 29, 2010

Jeovás

Desde que me conheço que sempre tive uma curiosidade imensa  pelas "Testemunhas de Jeová".  Eventualmente por sempre ter visto os "casalitos", elas com saias que certamente fazem as delícias das Madres Superiores de muitos conventos ou outro qualquer elemento do sexo feminino com mais de 95 anos. Já "eles", optam pela indumentária não menos sóbria, e que me faz repensar aquela que é (foi) a minha referência da conservadorismo na forma de vestir,e que é a do  nosso muy estimado Presidente da República. Que passa a ser como que "prá frente", comparativamente com forma de vestir dos elementos masculinos das digníssimas Testemunhas.

Não me pretendo alongar em considerações diversas sobre o que defendem as Testemunhas de Jeová Ou encetar comparações com a religião católica, que sigo. Sugiro a quem quiser aprofundar o conhecimento relativamente a essa matéria, que leia a vasta bibliografia dedicada. Ou, porque não, "perder a cabeça" e num rasgo de insanidade receber estes casais em casa, oferecer uma chávena de chá e ouvir de forma atenta e interessada a sua versão da história da Vida. E da Humanidade.

As Testemunhas de Jeová rejeitam o dogma da Santíssima Trindade (Pai, Filho e Espirito Santo). Argumentam que existe apenas um só Deus verdadeiro e que o mesmo se chama Jeová.  Não condeno (não devo) e acho que ninguém de outra religião deve condenar. Cada um acredita no que quiser. E aprendi há mais de 30 anos que preciso respeitar para ser respeitado. E na religião, mais que em outras situações isto aplica-se.

Não podia deixar de fazer menção algo que no meu entender é um fundamentalismo exacerbado. A não aceitação por parte das Testemunhas de Jeová das transfusões sanguíneas. Quantas vidas poderiam ter sido poupadas não fosse o "fundamentalismo" de algumas cabeças? É certo que do lado das Testemunhas muitos serão os argumentos "esgrimidos" para sustentar esta recusa. Mas também tenho direito a ter a minha opinião, enquanto ser pensante, assim estejam em causa vidas humanas. E como em tudo...posso dizer o que penso. Assim não interfira com a liberdade de escolha religiosa de cada um.

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sábado, agosto 28, 2010

Menstruação

Tenho para mim que a menstruação é algo que a natureza desde o início da humanidade entendeu que fazia falta às mulheres. Como se já não bastasse terem "poucas" preocupações, mais uma esta mensal não faria mal algum. Quando aparece é bom sinal. Quando não aparece (fintando a habitual periodicidade da mulher) pode ser a causa de suores nas costas, ou queda prematura de todos os pêlos do corpo do homem. É portanto um indicador poderosíssimo da sanidade mental do companheiro ou camarada. O macho da relação. Pode também, e como infelizmente se sabe, ser a clássica desculpa por parte da muher para a "não brincadeira".

Há diversos sinais que estão associados a esta maravilhosa dádiva da natureza. Em muitas mulheres, que durante o resto do mês têm uma pele maravilhosa, aparece o "acne juvenil". Tem uma certa piada para quem percebe o que está associado. Uma simples questão hormonal. Contudo, é como que se passasse a existir um segredo partilhado: "Descansa-que-sei-o-porquê-de-teres-essa-borbulha-do-tamanho-da-Torre-de-Belém-no-queixo-mas-está-bem-guardado-comigo". A alteração do humor. Muito importante e acho simplesmente delicioso. Uma maior irritabilidade. O olhar mortífero, a pouca paciência, são sinal de que a paciência do lado da mulher está significativamente reduzida. E é preciso ter isso em consideração aquando da abordagem / pedidos à mesma. Do "outro lado", uma muitíssimo maior sensibilidade ao estímulo. Também é importante referir.

Felizmente, para os homens, há invenções maravilhosas. Começando pelos tampões de uma marca conhecida que tem duas letras (e que não vou dizer qual é para não fazer publicidade, mas que começa por "O" e termina em "B"), e que permite que a menina possa andar a cavalo ou ir às aulas de natação. Acho importante e manifesto publicamente o meu agradecimento à senhora ou senhor responsável por esta útil invenção, na medida em que são dois dos desportos mais importantes para a vida da mulher. Por outro lado, os novos pensos higiénicos com abas e aderentes ao slip da mulher. Não sei se terá sido a mesma senhor ou senhor a inventar, mas também é de se tirar o chapéu a esta invenção vital em prol da higiene e cuidado íntimo da mulher. Por último, at last but not least, aquela que admito que devia ter sido objecto de análise profunda e candidata ao Nobel da Medicina - o "Trifene 200". O comprimido milagroso. Aquele comprimido que faz com que as dores abdominais e dores de barriga da mulher desapareçam para todo o sempre e que fazem voltar imediatamente a boa disposição da mulher. Estou tentado a comprar uma caixa destas para mim e andar com comprimidos comigo. Quando alguma amiga começar a descompensar e com mau génio (e saiba que está com o "benfica a jogar em casa"), ofereço-lhe um dos meus comprimidos. É remédio santo, literalmente. Para ela e para mim.

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sexta-feira, agosto 27, 2010

Os (as) Ex´s

Começo por dizer que este texto não pretende ser personificado, ou escrito com o objectivo de passar alguma mensagem a alguém em especial. Adianto também que a redacção do mesmo decorre de um exercício profundíssimo de instrospecção, que tem como "substracto" o meu longínquo passado afectivo.

Feito que está o pequeno (mas não menos importante) preâmbulo acima, reconheço que tenho para mim que nem tudo é mau numa relação afectiva. Não pode ser. Há relações que duram 10 anos e só depois terminam! Se tudo fôr mau desde o início, as pessoas são idiotas em aguentar as relações tanto tempo. A menos que exista alguma conveniência, como falei há uns textos atrás...

Com mais ou menos tempo de relacionamento, as relações afectivas envolvem, regra geral ,a comunhão de ideias e valores, dos sentimentos e sobretudo, de um projecto de vida, reportando-me neste caso aquelas relações que duram mais tempo.

Assim sendo, faz sentido afirmar que os relacionamentos que duram mais tempo, em função de uma partilha mais profunda que terá existido, possam ter associada uma "cicatrização" mais morosa. Se por um lado admito que as pessoas possam manter um contacto após terem terminado uma relação duradoura, não acho, nem vejo qualquer tipo de interesse em que tal seja feito. Porquê? Porque se as relações terminam, por algum motivo é. Ninguém acaba uma relação por estar feliz. Que eu saiba. Por outro lado, poderá a vida ter sido ou estar a ser refeita por uma das partes. Não tem cabimento que uma terceira pessoa que pretende acompanhar a vida tenha de conviver com o(a) ex companheiro(a) de uma relação anterior. Absolutamente algum. Para mim, é "frescura". Modernices. A menos que se tenha em mente os cafés para que ambos(as) possam saber quais são as preferências sexuais das pessoas com quem se vão relacionar! É normal que esta leitura seja objecto de discórdia por aquelas pessoas que mantêm uma relação  (que poderá ser mais ou menos) estreita com os parceiros de relações anteriores. É a minha crença.

Também advogo existam motivos que per se justifiquem de um contacto regular de ex companheiros - filhos em comum. E aqui as coisas mudam de figura. Filhos sugerem escola, roupa, alimentação, desporto, médicos, etc. Dinheiro, portanto. Não é expectável que seja um dos membros do casal a suportar a despesa sozinho. Se na altura da concepção foram necessárias duas pessoas, faz sentido que depois do nascimento seja perpetuada esta necessidade. Sucede que por vezes há a chamada "negligência" ou alienação voluntária das responsabilidades de paternidade ou maternidade. O já "habitual" esquecimento no final do mês e com vista a ajudar a equilibrar as custas das situações que menciono acima. Também acontece por vezes um desrespeito dos valores acordados em juízo.. Por vezes calha bem, quando se anda enamorado(a) por outra pessoa..na fase do deslumbramento, em que tudo é côr-de-rosa... Uma questão de conveniência...e de números.

Experiência de vida adquirida e momentos vivenciados. Aquela pessoa com quem se perde a virgindade, "aquela" relação de cumplicidade, "aquela" pessoa com quem a identificação é muito grande, que tanta vez cúmplice...O chamado conhecimento  "capitalizável". Um importante e poderoso contributo para o "molde" da personalidade da pessoa. Para o  crescimento enquanto indivíduo. Em alguns casos traduzido no "ganho" da boa educação / boas maneiras / no apuramento da sensibilidade, que nem sempre era verificável antes.

Concluindo, importa pois, perceber que podem existir uma série de "ganhos" nas relações afectivas. Indubitavelmente. Mas que, por alguma razão terminaram. Emergem determinadas recordações e pode sugerir eventualmente o desconforto, se continuamente forem feitas comparações com a relação anterior. Na minha opinião, devem ser páginas viradas.

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quinta-feira, agosto 26, 2010

Arrumações

Tenho uma relação especial com as arrumações. Confesso que não convivo nada bem com a desarrumação. O "caos" neste campo, sugere-me desorganização, desmazelo e falta de disciplina. Factores que quem me conhece, sabe não fazerem parte da minha forma de ser.

A minha organização obedece a determinadas regras. E que são escrupulosamente seguidas . Na minha concepção e imaginário ideal, as regras fazem sentido. "Arrumado na minha desarrumação". Um pleonasmo simpático. Logicamente, se sei onde estão as coisas todas na minha "desorganização", deixo de saber se alguém interferir a dado momento. O que não raro acontece. E claro, não posso ficar contente.

A minha desorganização tem uma razão de ser. Tenho um controlo absoluto e rigoroso relativamente a tudo o que é importante (eg: documentação importante) que me chega às mãos. Os extractos bancários (quando ainda não solicitados em suporte digital) são amontoados em pilha, por datas, juntamente com comprovativos de pagamentos vários, facturas importantes, etc. Em qualquer princípio de tarde de Domingo, dou conta da pilha de papel e arquivo toda a documentação relevante. Terapêutico.

Na minha cabeça faz sentido ver as roupas arrumadas segundo um "degradé" num roupeiro. Calçado organizado por cores e sempre engraxado e limpo. Gravatas cuidadas, etc.. As gavetas com roupa "atirada" lá para dentro (eg: meias sem os pares correctos misturadas com boxers enroladas), qual "ninho de ratos", deixam-me ansioso e a suar das costas. Não consigo. É demais para mim.

O mesmo acontece com determinados bibelots que vão sendo coleccionados ao longo da vida, e que por algum motivo são colocados de "determinada" forma, num "determinado" local, conferindo-lhes um "determinado" destaque. Noto imediatamente quando foram mexidos ou trocados de posição. A situação "normal" (para mim) foi alterada, e tenho de imediato de repôr a mesma.

Gosto da secretária limpa de papéis (com os quais tenho uma ligação de ódio, para quem não sabe). Gosto de um carro bem arrumado, bem aspirado, e sem que se vejam coisas amontoadas nas portas no tablier ou perdidas na mala. Limpeza e arrumação total. Se houver necessidade de ter algo na mala, que esteja devidamente acondicionado e arrumado.

Há quem chame a este tipo de comportamento "neurose". Um pouco à semelhança das pessoas que têm as obsessões da limpeza ou higiene. Do meu lado, prefiro ter isto como sendo uma forma de organização. E que se traduz em harmonia e paz interior. Para mim, claro.

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quarta-feira, agosto 25, 2010

Comissões de Inquérito

Portugal  é um dos países onde existe uma comissão de inquérito por tudo e por nada. Resumindo, criam-se grupos de trabalho para várias rúbricas, sem que, na maioria dos casos, se dê continuidade às conclusões emanadas dos relatórios finais.

Comissão de inquérito, na verdadeira acepção da palavra, sugere "inquirir", estudo, análise das causas, sugestão de medidas que, sob forma de um relatório sucinto e objectivo, visem a re-ocorrência de determinado evento. Lembro-me a título de exemplo os fogos florestais com a conhecida sazonalidade anual. Ouvi há poucos dias na televisão que já foram constituídas umas duas ou três comissões de inquérito desde 2003. E não está em causa que não tenham cumprido as suas responsabilidades - análise das causas, "fotografia" da situação e proposta / sugestao de medidas preventivas. O problema acontece posteriormente.

Entre tantos outros, consigo identificar mais um problema grave no nosso País. A excessiva (e desnecessária) carga burocrática que existe em tudo. Faz com que a "máquina" se mova  lentamente. Que seja criada entropia. Torna-se necessária uma eternidade para encontrar uma solução que se pretende célere. E a culpa não é de "quem-está-atrás-do-balcão", mas sim do próprio sistema, da "máquina" que está viciada, e que trabalha assim há décadas. 

O mesmo acontece com estes grupos de trabalho constituídos por deputados da nossa afamada Assembleia da República. De forma alguma é questionado o trabalho extremamente válido e profissional efectuado. De forma alguma é "beliscado" o curriculum vitae dos coordenadores destas equipas.O problema, como referi no início do presente texto é não haver continuidade nas medidas propostas pelos vários grupos de trabalho (que constituem as comissões de inquérito). Ou seja, por outras palavras, não há uma validação e acompanhamento das sugestões emanadas dos relatórios.

Este parece-me ser o busílis da questão. Enquanto se continuar a criar comissões de inquérito de forma desregrada, sem que exista uma verificação subsequente, "no terreno", daquilo que é proposto nos relatórios finais, os problemas que justificaram a criação "dessas" comissões vão continuar a existir.

Porque a "máquina" não está afinada. E muito tem de ser feito para que tal aconteça.

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terça-feira, agosto 24, 2010

Omissões

Criou-se o hábito (errado) de usar e abusar das omissões em detrimento da verdade. Custa-me um bocado aceitar este tipo de opção, ou forma de estar, que peca por ser pouco correcta e frequentemente dá azo a más interpretações.

Ao longo da vida tenho-me deparado com várias situações em descobri pelas mais variadas formas que em dado momento foi omitida a verdade. Não serei naturalmente candidato ao lugar de "Guardião da Verdade Absoluta", e que procura incessantemente a verdade, mas sou alguém que aprecia que as pessoas com quem lido se pautem pelos mesmos valores, princípios e conduta vertical.

Se me faz uma confusão mentir, não deixa igualmente de me fazer confusão omitir. Pelos vistos, e em mais um exemplo na vida, devo ser a única pessoa à face do planeta Terra que assim pensa. Frequentemente, constato que as pessoas cada vez mais "omitem", sendo que a diferença entre "omissão" e "mentira" passa a ser muito ténue. O que me deixa verdadeiramente preocupado. Sinceramente.

A justificação para o recurso à omissão é manifestamente deficitária. E as consequências são péssimas. A menos que seja por uma causa perfeita e cabalmente justificada. O que nem sempre é. E daí a pensar-se em alguns cenários é um "tiro". E normalmente mortal...

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segunda-feira, agosto 23, 2010

Divórcios

São cada vez mais frequentes. Confesso que divórcio ou separação, "no final do dia" são a mesmíssima coisa, ou seja, o casal "desmembra-se", ou deixa de ser "uno", se preferirem uma terminologia mais "romanceada".

Concorrem para o divórcio várias razões. Não as irei aqui desenvolver todas, até porque deixaria o Dr. Machado Vaz no desemprego. Há algumas que me parecem mais óbvias e imediatas, como seja a incompatibilidade de feitios agudizada com o passar dos anos (leia-se diferentes perspectivas de vida), a não complementaridade de ambos os membros do casal, o  "normal" afastamento do casal aquando do nascimento dos filhos, traições, entre várias outras causas.

Tenho tido oportunidade de partilhar com alguns amigos, que se casa com facilidade ese "descasa" com mais facilidade ainda. Esta é a grande verdade. Pelo meio fica uma celebração religiosa estéril, são defraudadas as expectativas dos pais de ambos, e instaura-se (ou não) a incredulidade nos convivas. Este será o saldo final. Piora a "fotografia" quando os casamentos terminam dois meses após terem sido os mesmos "abençoados" por Deus....

É precisamente aqui reflicto...Se as pessoas não têm a certeza do que querem...porque dão o passo? Não sei os valores finais que aparecem na factura de uma festarola destas..mas não me admira que em alguns casos dê para dar entrada para um Porsche 911 turbo ou para um apartamento ali na Linha de Cascais. Só como entradas, naturalmente...Retomando a seriedade...não percebo o porquê das pessoas se casarem sem que se conheçam convenientemente. É certo que por vezes as pessoas só se evidenciam mais tarde..em situações concretas, e quiçà, no casamento...Mas também é certo que se são conhecidas as causas dos divórcios, porque não acautelar as causas conhecidas?....Mas não continua a assistir-se todos os dias a vários casamentos....e a vários divórcios.

Para finalizar, um pequeno apontamento. Filhos. São quem mais sofre no meio da guerra dos pais. Que pode ser (ou não) pacífica. A falta de um dos pais (quer seja pai ou mãe) torna a família disfuncional, e naturalmente que terá consequências ao nível da formação e educação dos mais pequenos. Parece-me líquida esta análise, que poderá ser rebatida por quem a vive pessoalmente. A minha ideia é que a vida torna-se complicada. Não sendo impossível, claro está. E deverá ser um passo a ser tomado com alguma lucidez pro ambos. E depois de estar o casamento consolidado. O que nem sempre acontece...

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domingo, agosto 22, 2010

Opções de Vida

Em tudo na vida (à excepção da morte) há sempre dois caminhos: o célebre cruzamento com a bifurcação para o caminho "A" e para o caminho "B". No caminho (ou opção de vida) "A" temos a opção de solução para o problema mais expedita, mais imediata, mais reactiva se quisermos. Resumindo, a opção fácil. O caminho (ou opção de vida)  "B" sugere tempo de maturação, avaliação dos "prós e contras" e tipicamente é mais morosa, menos imediata e poderá até ser preventiva. São estas as opções de vida.

São várias as situações que se nos deparam, ao longo da vida, e em que se torna necessário seguir a opção "A" ou validar uma opção "B". Diz-me a experiência de vida que as próprias condicionantes da questão ditarão a conveniência da escolha. Ou mesmo a própria personalidade da pessoa. Há pessoas que não gostam de pensar. Funcionam de forma impulsiva e reactivamente. Tipicamente optam pela opção mais fácil. Quero com isto dizer, que em algumas situações a opção "B" poderá ser preterida para uma opção "A" tendo em conta simples aspectos como sejam por exemplo o tempo. O mesmo poderá impossibilitar que se dedique mais tempo no amadurecimento de ideias e tomada subsequente de uma série de decisões.

Poderiam aqui ser elencados muitos exemplos: A minha opção de ter deixado de fumar o ano passado. A opção de trazer o Paco cá para casa. Entre tantos outros. Tendo em conta as minhas opções, lúcida e de forma consciente posso afirmar que sou uma pessoa que tende a optar pelo caminho mais complexo que envolve mais tempo. A opção "B", portanto.

O que leva a que facilmente seja levantada a legítima questão: "Ok, acho óptimo que as opções sejam amadurecidas com o tempo. Mas e se não houver tempo para a escolha?". Garantidamente não escolho levianamente a opção "A" por falta de alternativas. Tento encontrar uma solução de recurso, que me permita, eventualmente, ganhar algum tempo precioso para que me seja possível responder de forma coerente. Se ainda assim não conseguir...terei de rever mentalmente situações análogas. E que respostas foram dadas no passado. Pensar nos resultados obtidos. E optar, nesse momento, em conformidade com a minha consciência.

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sábado, agosto 21, 2010

Bodes Expiatórios

Reza a história que os hebreus organizavam uma série de rituais pagãos que tinham como grande objectivo a purificação da Nação. Era organizada uma celebração religiosa, em que participavam dois bodes. Um deles era sacrificado com um touro, e o seu sangue marcava as paredes do templo.

Já o outro bode tinha como "missão" carregar todos os pecados e pecadilhos da história da Humanidade. O sacerdote envolvia a cabeça do animal com as suas mãos para que essa transferência de responsabilidade tivesse lugar (i.e, a interiorização dos tais pecados). Após isto, este bode era abandonado no deserto, à sua mercê, para que os pecados, pecadilhos, males e influência dos demónios ficassem longe.

Mostra-nos a História que o ditado popular do "Virar-se o feitiço contra o feiticeiro" tem razão de ser. Quando por exemplo os judeus foram culpados pela Peste Negra, durante a Idade Média, ou quando foram alvo de perseguições por movimentos anti-semitas já no passado século XX. Ou seja, aquele povo a quem se deve a tradição do tal "bode-abandonado-no-deserto-com-todos-os-males-do-mundo"...acaba por ser o povo que ironicamente vê a sua vida complicada. E bastante.

Conheço relativamente bem os bodes expiatórios. Até porque eu mesmo já "abandonei-no-deserto-alguns-bodes". Especialmente naqueles momentos em que o alcóol ingerido era mais que a conta, e o "outro senhor" era chamado. A culpa, quando confrontado com a razão pela qual teria bebido demais, era sempre do cachorro quente que tinha comido na noite anterior tinha caído mal. Ou das vezes em que chegava tarde a casa e ao ser apanhado em flagrante a entrar no quarto, dizia que tinha ouvido um barulho estranho na rua e tinha ido ver o que era. Situações únicas entre tantas outras em que transferi a responsabilidade para algo ou alguém (também aconteceu, e foi para salvar a minha pele!).

Importa aqui dizer que a escolha de um bode expiatório, por mim, nunca interferiu ou nunca foi feita com o objectivo ou ideia de ser prejudicial. Ou seja, ainda que fosse encontrada por mim uma desculpa rápida, para momento crítico, nunca o fiz com o intuito de prejudicar quem quer que fosse. Embora tenha a ideia convicta de que há muita gente que o faz. Com dolo.

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sexta-feira, agosto 20, 2010

Marinas

Tenho o "privilégio" de conhecer 6 marinas por cá e no nosso Portugal: Cascais, Oeiras, Docas, Expo, Vilamoura e Lagos. Digo privilégio, porque por acaso até conheço quem tenha barco, e já me tenha dito quanto custa "ancorar" os brinquedos. Ah...e mantê-los. Os barcos não se mantêm sozinhos e é necessário pagar um fee mensal para que alguém tenha essa preocupação. No final, uma conta choruda a começar nos 3 zeros à direita do primeiro número significativo. Daí referir que me sinto feliz por não ver a minha conta bancária aliviada nessas quantias!

É também sabido que a construção de uma marina obedece a uma série de regras. Importa ter em linha de conta a correcta e eficaz impermeabilização dos fundos. A edificação dos acessos pedonais (na medida em que vão alterar o meio natural previamente existente e poderão interferir com espécies autóctones) e a própria gestão urbanística, enquanto parte do PDM (Plano Director Municipal) e tendo em conta um plano de requalificação da zona específica (remissão para o Plano de Pormenor - PP) .

Não estranho que existam contas "caladas" por saldar.E que não deixa de ser curioso, tendo em mente o preço de qualquer uma das embarcações mais baratas (não menos de 10.000 euros) + aluguer do espaço da marina + manutenção (caso aplicável). O que acontece, à boa maneira portuguesa, é que não existe um mecanismo que regularize e regulamente situações incumprimento contratual. Ou por outra, até podem existir, mas não me recordo de "bloqueadores-colocados-nas-hélices-por-não-ter-pago-o-aluguer-do-espaço". Donde, ainda que em falta, não há outra alternativa que não seja deixar por lá o barco. E ir facturando mês após mês.

Acho pouco coerente alguém possuir um barco de 200.000 euros e não pagar a renda mensal. Esta será das primeiras coisas que se me oferece dizer. A velha questão do exibicionismo e "evidência de sinais exteriores de riqueza". O que de resto é "mais do mesmo" cá em Portugal. E sintomático do novo riquismo.

Numa anáise mais técnica, é possível percepcionar a má concepção das marinas. Por exemplo, quando as as maré atingem valores de cota inferior ao nível médio. O cheiro nauseabundo das lamas, que ao longo do tempo se acumulam no fundo da marina, e que são formadas pelos óleos e pelo combustível (normalmente gasóleo) dos barcos. O aspecto pouco cuidado e com falta de manutenção das próprias infra-estruturas das marinas também interessa referir. Objectivamente e em concreto na rúbrica "Segurança". Penso muitas vezes como serão accionados os meios de combate a incêndio em caso de azar numa marina. E se funcionarão em caso de verdadeira necessidade.

Por último, as marinas (as que conheço), são locais óptimos para caminhadas. No meu caso, a de Vilamoura foi durante vários anos local de "caminhada-depois-do-jantar"  e de ponto de encontro com a rapaziada amiga, que estava lá por baixo na mesma altura que eu. E a partir daí rumava-se a outros destinos. Mas não deixava de ser um ponto de encontro para o início da noite. Por outro lado, e antipodamente, há também as "avis raras" que por lá aparecem nesta altura. A turma do "calção-abaixo-do-joelho-e-chinelos-da-piscina". E que passeiam em grupos de 20, no mínimo. Houve momentos em que pensei que fosse ser assaltado!!

Não obstante...e embora não seja algo com que sonhe...gostava de ter uma lancha. Com 4 motores...Para estar sempre reluzente e ancorada na marina. E sair de vez em quando com as minhas amigas. Era um bom indicador da saúde financeira aqui do vosso camarada!

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quinta-feira, agosto 19, 2010

Filantropia

Actos filantrópicos são os donativos ou os trabalhos voluntários com vista a apoiar instituições que tenham como propósito específico ajudar os seres vivos melhorando as suas vidas. Resumindo, é o dinheiro que os ricos doam a certas instituições para que se cuide e melhore a vida dos dos mais carenciados e de alguns animais.

Parece-me líquido que o filantropo só pode estar bem na vida. As verbas doadas não são "trocos". Ou para mim não serão trocos. Montantes doados com 6 zeros à direita do(s) algarismos significativos. Quem doa milhões...possui muitos outros milhões na conta bancária. Trata-se de um gesto nobre. Ainda que por vezes não exista uma correlação directa entre o dinheiro doado e uma resultado imediato. Ocorrem-me a título de exemplo as doações com vista à investigação oncológica ou a cura para o vírus HIV. Se bem que exista um trabalho de "back office" muito activo..não é possível ver resultados imediatos. Mais visível será a compra de géneros alimentícios (e medicamentos, por exemplo) para populações que foram envolvidas em algum tipo de catástrofe natural (e são vários os que têm acontecido ultimamente).

Nota: Um pouco a ver com isto estará o mecenato. Se bem que aqui o patrocínio seja direccionado para os artistas e actividades culturais. Em ambos os casos subsiste a doação de verba em prol de algo. Ah..e pode ser colocado no irs...

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quarta-feira, agosto 18, 2010

Montanhismo

À semelhança do mergulho, esta será mais uma modalidade que tenho imensa pena de não poder fazer. Mais uma vez os tímpanos fazem das suas.

Tenho como boa referência o conhecido João Garcia. Um orgulho para todos os portugueses e a prova-viva do que a força de vontade é capaz de fazer. Ou de como os limites humanos podem ser ultrapassados. Para começar, parece-me ser uma pessoa com um só fito - ser o melhor naquilo que sabe fazer. Tem um objectivo bem delineado e sobretudo com uma força de vontade (e de viver) inigualáveis. A prova disso será o facto de já ter muito próximo de "passar-para-o-outro-lado" e ter sobrevivido. Depois de ter ficado muito maltratado, como de resto se sabe.

Da mesma forma que é necessário ter em atenção alguns pormenores  no mergulho, também na actividade de montanhismo é desejável que se tenham. Em ambos os casos os tímpanos são sacrificados. O recurso ao oxigénio é condição sine qua non, e quer na água, quer na montanha....é aconselhável a prática vigiada por quem percebe da coisa. O conhecimento empírico (ou o teste sucesso/erro) costuma dar mau resultado.

O montanhismo à semelhança do mergulho poderá ser conciliado com a visita de lugares maravilhosos e únicos. Paisagens ímpares, se quiserem. Ter noção de que altitude sugere temperaturas muito abaixo do zero absoluto, como de resto se sabe. Sem falar em montanhismo extreme, até pode, porque não, sugerir uns bons e agradáveis momentos passados com a cara-metade num challet qualquer perdido na montanha...(garantida esteja a não ocorrência de enxurrada que poderia "afundar" os planos...).

Quem sabe um dia não subo uma serrazita pequena e vejo como corre...!

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terça-feira, agosto 17, 2010

Família

Uma das instituições mais importantes da minha vida. Tenho a sorte de ter uma Família bestial, numerosa e acima de tudo, unida. Coisa rara nos dias que correm.

É certo que já "partiram" muitos daqueles que cá deixaram boas memórias. É também certo que nem sempre é possível que nos consigamos reunir todos, com a regularidade que entendo que seria desejável e expectável. As distâncias geográficas por vezes fazem com que seja uma realidade remota. Também contribui estar a ser consolidada a segunda geração de primos (filhos dos primos direitos) o que complica sem dúvida a logística da coisa.

Há uns largos anos atrás, éramos 14 primos direitos. Agora alguns dos primos já têm filhos, o que faz com que o pobre fotógrafo dos casamentos e que tem a "sorte" de produzir a foto da Família...ganhe alguns cabelos brancos e comece a suar pela ansiedade. Não porque exista qualquer tipo de insubordinação dos mais novos. Mas sim porque é complicado reunir tanta gente e por vezes demora-se bastante tempo. E porque de ano para ano tem de se afastar mais do grupo (mais primos), não vá alguém não aparecer na foto para a posteridade.

Tenho um ideal de Família muito concreto. Penso sempre em almoçaradas e jantares com muita gente e barulho. Por altura da Páscoa e por altura do Natal. É certo que nos vamos encontrando todos ao longo do ano, mas sempre "segmentados". Melhor que nada, é certo, mas não é o mesmo que estar toda a Família.

Gosto de todos os meus primos direitos. São como se costuma dizer "primos-irmãos". Há contudo alguns que, pelo feitio e proximidade geográfica, me relacionei mais na infância, adolescência e idade adulta. E com quem sinto naturalmente mais afinidade. Foram os mesmos que me passaram alguns "traços" de personalidade e gostos que hoje em dia tenho, e que perduraram durante tantos anos. Presentemente vejo-os pouco, mas há sempre um telefonema que encurta a distância, ou mesmo uma viagem que me permite estar mais próximo. Às vezes tem de ser provocada!

A minha Família é normal e "funcional". Várias gerações em que são acentuadas as várias personalidades, as diferentes formas de estar na vida e os diferentes feitios, como será óbvio. Trata-se de uma Família "nada e criada" por altura do Estado Novo, e marcada pelo facto dos meus tios e tias terem optado pelos cursos que na altura existiam: Ensino, Medicina e Engenharia.

Ou seja, existe a coexistência destas três actividades profissionais. Curiosamente, só uma das minhas primas direitas seguiu Medicina, sendo que todo o resto da primalhada da minha geração seguiu cursos diferentes, predominando actualmente o sector da Engenharia. Há...e dois arquitectos (um primo e uma), o que tem como consequência algumas discussões acaloradas pontualmente.

Quis a vida que ainda não seja pai. Espero que um dia o venha a ser. E entre muitas outras coisas, que possa ser concretizado o sonho da tal "Família-feliz-à-volta-da-mesa-da-ceia-de-Natal!".

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segunda-feira, agosto 16, 2010

Coleccionismo

Há muito tempo que não tenho o prazer de experimentar a ansiedade de me faltar um cromo para fechar ou acabar uma caderneta. Muito tempo mesmo. Não estarei longe da verdade de disser que a última vez que andei ansioso por esses motivos terá sido por altura do campeonato de futebol do México '86. Depois disso, não me recordo de ter tido mais cadernetas.

Contudo, o coleccionismo não se resume às cadernetas. Gostava por exemplo de dar início à colecção de notas de 500 euros. Porquê? Porque sim, porque me apetece. Coleccionar várias. Por desporto, se quiserem. Até hoje ainda não consegui. São raras e difíceis de encontrar.

Mas há mais. Gostava de ser um tipo despreocupado, e ter coleccionado as coisas que os homens adolescentes coleccionam: latas, moedas, selos, caricas, "guelas", caramelos, números vários da "Playboy" e da "Gina"..lingerie das várias conquistas..entre outras coisas que tais. Fiquei-me por uma colecção de latas de refrigerante, que era a dôr de cabeça da minha mãe (não só eram muitas latas, como havia também a normal e esperada acumulação de pó nas mesmas). Já dos hábitos do coleccionismo feminino, não sei muito. Mas acho que as colecções passam por postais, bonecas, cd´s do Toy e do Carreira, e todas as juras de amor que os machos lhes foram fazendo ao longo da vida. Ah..e uma famosa qualquer que coleccionava sapatos e malas. Mas acho que isso é o sonho de qualquer mulher...

Gostava de poder coleccionar automóveis que por algum motivo marcaram a história do mundo automóvel: o Carocha, o Porsche, o 2 cv, entre tantos outros. Ter um hangar (ou mais que um) para carinhosamente guardar e coleccionar todos os carros que me apetecesse. Ter uma equipa de homens que tinham a única responsabilidade de manter a minha frota "ready to go". Só isso. No "final do dia" seria um homem quase, quase realizado. Infelizmente não nasci no Brunei, nem tenho o título de "Sultão", para ter um carro de cada côr do arco-íris.

Tenho uma colecção de moedas e de selos começada pelo meu avô, sendo que  ambas são presentemente geridas pelo meu pai. Quer para mim, quer para o meu irmão, em paralelo. Ainda não me debrucei a sério sobre as mesmas, porque entendo que para efectuar a criteriosa gestão, é preciso alguém calmo, paciente e com inequívoca lucidez de ideias. Predicados que nem sempre norteiam a minha forma de estar na vida. Talvez mais tarde, com (ainda) mais maturidade, as coisas sejam diferentes. E aí sim...assuma por inteiro essa responsabilidade. Que já vem de algumas gerações atrás. E aqui sim..existe o verdadeiro legado do coleccionismo!

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domingo, agosto 15, 2010

Prostituição

A mais velha profissão do mundo. Alvo de injúrias, acusações por parte da sociedade mais conservadora e consequentemente objecto de recriminação. E veio para ficar.

Vejo cada vez menos prostitutas na rua. Continuam a existir, é verdade, mas em menor número. O que não quer dizer que tenham optado por regressar aos estudos ou que alguém repentinamente se tenha lembrado dos seus nomes para ocupar uma vaga lá na empresa. Estou em crer que são cada vez menos as que dão a cara "na rua", adoptando ao invés a descrição. Aguardam  a abordagem do cliente dentro do seu próprio carro, ou disponibilizam o seu contacto telefónico e assim passam a marcar os encontros.

Durante algum tempo, com a rapaziada lá da rua, e numa altura em que só um ou dois elementos do grupo tinham carta de condução, íamos no seu carro chatear as "meninas" que paravam ali perto do Instituto Superior Técnico (IST). Algumas delas apenas com dois dentes na boca, outras com pobres figuras de tão magras, eram regra geral as escolhidas para a chacota do grupo. Gozar com quem trabalha, portanto. Havia as normais perguntas "tipo", que eram colocadas pelo elemento que ía ao lado do condutor, e sempre tendo em consideração os 5 elementos do carro. É claro que o riso dentro do carro era contido durante a conversa entre esse elemento e a menina,  e depois das respostas e arranque com as rodas do carro a patinar, havia a explosão do riso e gáudio geral. IST e Avenida da Liberdade eram dois dos locais onde íamos gozar com regularidade. Há uns anos atrás era uma fase pela qual todos os homens passavam. Ir de carro fazer o passeio dos tristes depois do jantar e gozar com as "meninas".

Nesta última artéria de baixa pombalina, havia a "nuance" de se poderem ver autênticas "avis raras"...os travestis. Sendo que era mais longe, as abordagens eram em menor número. Houve um episódio em que a coisa podia ter corrido mal, que meteu uma perseguição de um chuleco ao nosso carro. Durante vários quilómetros. Não terá gostado do facto de durante semanas e semanas passarmos pelo mesmo sítio e gozarmos com as duas "meninas-meninos". Se a memória não me trai, terá sido por essa altura que acabaram as nossas incursões nocturnas.

Anos mais tarde tive oportunidade de conhecer outro mundo. O da prostituição a sério. Sem ser o tipo de abordagem ridícula acima referida, com carros e perseguições à mistura,  foi-me dado a conhecer que há um submundo nocturno que consiste em dar prazer. Pago. E bem pago, em alguns casos. Com cicerones que conheciam muito bem os meandros do negócio, visitei o "muito bom" e o "muito mau". Realidades distintas para bolsas/clientes distintas(os). As diferenças são da noite para o dia. No primeiro local, chegado ao local, entrega-se a chave do carro ao porteiro e entra-se no local o mais depressa possível (para evitar ser-se visto). No segundo caso, o protocolo de entrada obedece a outros trâmites (curiosamente), sendo que o telemóvel é normalmente deixado à porta (a juntar aos vários que o porteiro já tem em sua posse). Predominantemente frequente pelo "pessoal da pesada", percebe-se facilmente que não tem qualquer problema em resolver os problemas com as mãos, ou "outro tipo" de utensílio, caso seja necessário e coisa descambe. Reza a lenda que o tipo que está atrás do bar (e-que-tem-o-cabelo-como-o-Marco-Paulo-há-30-anos-atrás", tem uma shotgun (espingarda de canos serrados) escondida debaixo do balcão. Para o que der e vier..

No primeiro caso, as coisas correm de forma diferente. Não há armas nem tão pouco são conhecidas lendas. Há contudo a certeza que para se "sair acompanhado" (a preços de há uns largos anos atrás) era necessário desembolsar cerca de 50 contos na moeda antiga ou seja, qualquer coisa como 250 euros na moeda actual. Isto com as meninas mais baratas, as que estão por ali a dançar no meio da pista e que se vêm sentar na mesa dos recém-chegados clientes e a quem é necessário pagar uma taça de espumoso que nunca será menos de 5 euros.

Conversa de circunstância, combinação de detalhes e voilà...sai-se acompanhado, paga-se antecipadamente à boca do multibanco mais próximo e tem lugar o "serviço" numa pensão próxima. Claro que o preço do quarto da tal pensão corre por conta do cliente. A profissional apenas faz "o serviço". O preço aumenta substancialmente quando se introduz a palavra "acompanhante" e "luxo" na mesma frase. Estas "profissionais" não dão a cara, regra geral bebem Veuve Clicquot Ponsardin ou Moët & Chandon e só respondem após marcação telefónica. Reservando-se ao direito de recusar, como é óbvio. Umas horitas podem ascender a alguns milhares de euros. Por dia.

Tenho lido que hoje em dia há pessoas que  exploram a hipótese de entrar para este mundo. A precaridade dos vencimentos ou ausência de trabalho, as contas para pagar e o querer poder continuar a poder proporcionar o mesmo estilo de vida aos filhos, são factores que contribuem para que esta possibilidade ganhe força. Não quer dizer que vá seja concretizada..mas em alguma altura da sua vida já foi ponderada.

Por outro lado, há o chamado jornalismo sensacionalista. Regularmente surgem no mercado livros de jornalistas que "heroicamente" dizem ter passado horrores para que pudessem experimentar o que é vestir a pele de uma prostituta. Basicamente, entregaram o seu corpo em prol do cabal conhecimento de realidades que não conheceriam tão bem de outra forma. E este tipo de pensamento, que conduz subsequentemente à redacção de um livro tem o condão de me fazer revirar os olhos. Quem a obrigou? Se lhe custava tanto, porque é que viveu esta vida durante meses/anos? Para ilustrar melhor o que uma prostituta vive e tem de passar? Podia ter entrevistado alguma, parece-me. Considero este tipo de "reportagem" completamente errado e não é mais que a realização de alguma fantasia sexual pessoal. Vou mais longe. O dinheiro que foi ganho...reverte a favor de quem? No caso das jornalistas...em bom rigor deveria reverter a favor dos jornais! Não me parece que tal aconteça.

E é este o objectivo da prostituição. A razão pela qual homens e mulheres, quer novos, quer velhos não deixam esta actividade. É uma actividade rentável. Não são pagos impostos. Em alguns casos, consegue-se auferir num dia o que um engenheiro no topo da carreira não consegue auferir num ano. Ainda que para isso se tenha muitas vezes de esquecer o orgulho e de se sujeitar a maus tratos físicos ou psíquicos. Ou ambos.

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sábado, agosto 14, 2010

Negligência médica

À boa maneira portuguesa, também o tema da negligência médica é daqueles em que o incumprimento cabal das obrigações profissionais..não é penalizado. Lembro-me por exemplo dos recentes casos do hospital Santa Maria e do mais recente caso de uma clínica algures no Algarve e dirigida por um médico holandês...julgo ser essa a sua nacionalidade, se não estou em erro.

Resumidamente, e no caso do Santa Maria, pacientes que entraram na consulta a conseguir ver e que tiveram de ficar internados após um "engano" na administração de algum fármaco. Foi este o momento da negligência. Chegado o momento de apuramento de responsabilidades, o mal está irremediavelmente feito, o médico / funcionária da farmácia do hospital é alvo de um processo de averiguação / inquérito para apurar as causas do sucedido, são advertidos e pronto. Continuam a exercer. Há casos extremados em que são retiradas a licença.

Não será  isto que me revolta. O pior, é que devido a um erro de desconhecimento ou distracção, alguém ficou sem poder ver, no caso que refiro acima. E no "final do dia", vai recebe-se indemnização rídicula pelo facto de se ter ficado sem um dos cinco sentidos.

Também sei que estes profissionais da saúde não verão a sua vida dificultada (a menos que fiquem sem a licença). Há uma carência acentuada e generalizada de médicos, e mais cedo ou mais tarde acabam por encontrar uma vaga num centro de saúde algures perdido por esse País recôndito. Parece mentira..como é que alguém muda a vida de uma pessoa em menos de nada, por incúria, e ainda tem trabalho. Mas há coisas que não se explicam.

Defendo que este (e qualquer outro tipo) de negligência médica deva ser punido de forma exemplar. Trata-se de uma actividade profissional onde o menor erro (eg: distracção, desconhecimento da prática médica) pode ser consequências muitíssimo graves, culminando na morte, em alguns casos. Assim sendo, a justiça deveria preconizar sanções únicas e pesadas para quem fosse provado ter sido negligente. Além da cassação da licença e impossibilitar o exercício da actividade durante 54 anos.

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sexta-feira, agosto 13, 2010

Sushi

Desde há cerca de 2 anos que comecei a gostar do sushi. Ou melhor, comecei a achar alguma piada a ir a restaurantes de sushi e "subverter" o sistema. Quando refiro a palavra "subversão" quero dizer que não adoro sushi. Pois é, confesso que faço o jeito e até "pico" algumas coisas...mas não serei nem de perto nem de longe um entusiasta deste tipo de iguarias.

Encontrei formas de contornar a minha impaciência sempre que ía a estes restaurantes japoneses. Irritabilidade também passou a ser um "lugar comum", na medida em que comecei a pensar que gostava de saber cortar vegetais como a rapidez com que aqueles rapazolas cortam, ou ainda quando há o "esventramento" do célebre peixe-balão, em que se cozinheiro se distrai com um qualquer rabo de saia e o gume da faca resvala uns mílimetros, quem receber este peixe no prato e o ingerir...vai passar um mau bocado. Mesmo.

Para combater ou de alguma forma me ser possível "aguentar" as idas a este tipo de restaurante, aprendi a defender-me. Passei a optar pelos grelhados japoneses. E aqui sim, o caso muda de figura e até sou capaz de ir e ficar bem disposto. Para quem nunca foi a um restaurantes destes, o peixe (ou carne) e os legumes são confeccionados em chapa quente. Chapa essa, que deve ter uma temperatura próxima da "casa-do-diabo", a atender pelo fumo que deita sempre que algo é lá colocado em cima. Já para não falar do cheiro com que se fica na roupa / cabelo. Esta é uma das grandes desvantagens. Ou pelo menos nos restaurantes que conheço, e que não primam por um sistema de exaustão de gases eficiente.

Tudo o resto, os nomes dos pratos cujos nomes não consigo pronunciar, dizem respeito, na sua generalidade, a alimentos crús. E é precisamente nesse aspecto que que reside a piada da coisa. Por mim, ficar-me-ei pela preferência dos grelhados.

Nota: Também me consegue tirar do sério o facto de não deter ter a destreza necessária e suficiente  para me ser possível comer arroz e pedaços de carne com os "pauzinhos". Acabo sempre por contar até 234 e já em desespero controlado e com voz sumida peço os talheres.

Para finalizar, tenho a comida chinesa como sendo mais saborosa que a comida japonesa. Nem a tão célebre polémica associada às condições de limpeza dos restaurantes chineses me fez deixar de frequentar os mesmos. Ou deixar de continuar a gostar da comida.

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quinta-feira, agosto 12, 2010

Incendiários

Há uns tempos atrás desenvolvi o tema dos incêndios florestais. Chegado que é o Verão  é  altura de falar de quem provoca cerca de 99,8% dos mesmos: os incendíários. Penso frequentemente  que durante os restantes 9 meses frios e chuvosos do ano, os incendiários  andam cabisbaixos, sem apetite, irritadiços e logicamente deprimidos.

Para um incendiário (ou pirómano, já que a diferença não é muita), os meses quentes, no sentido estrito da palavra, devem ser emocionalmente intensos. Falo em termos psicológicos, em bom rigor. Também defendo que os incendiários deviam ser objecto de estudo científico, na medida em que existe qualificação possível para um acto tão ignóbil como o atear fogo a terrenos de cultivo, de floresta/mata, em que não raro constituem o sustento de várias famílias,(actividades económicas associadas).

O incendiário é alguém que perdeu o cérebro algures. Alguém que gosta de pegar fogo a uns hectares de terreno e ir para um local alto ver tudo a arder, que gosta de ouvir as sirenes e ver os pobres bombeiros arriscarem a sua vida a apagar o fogo...só pode ser demente. Mas há pessoas assim,  que devem bastante à inteligência e que enquadram perfeitamente no "perfil de entrada" do incendiário.

Da mesma forma que os violadores têm um "tratamento especial" por parte dos outros presidiários, também estes criminosos, os incendiários, deviam experimentar na pele qualquer coisa que os fizesse acordar para a vida. Ocorre-me a título de exemplo, um ferro em brasa enfiado num sítio qualquer. Onde "a luz não chega", por exemplo. Talvez passassem a ter outra perspectiva da coisa. Ou não. Talvez gostassem.

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quarta-feira, agosto 11, 2010

Reclamações

Não querendo parecer abusivamente contestatário, ou alguém que é sempre do contra, sou uma pessoa que conhece minimamente os seus direitos e que se vale dos mesmos. Quando tenho alguma dúvida, questiono amigos e amigas que tiraram Direito, ou procuro a resposta nos canais próprios, por forma a garantir o cabal esclarecimento das minhas dúvidas relacionadas com reclamações.

Na maior parte das vezes, a reclamação decorre em consequência da má prestação de um serviço pago. Pelo menos serão estas aquelas situações em que pondero apresentar reclamação. Existe naturalmente uma série de possibilidades que vão desde a restauração, passando pelos electromésticos, oficinas e por aí adiante.

O direito da reclamação não é um favor que alguém nos faz. É um direito consagrado na legislação dedicada e na Constituição Portuguesa, na medida em que o direito à reclamação anda de mão dada com o direito de expressão. Donde, é perfeitamente enquadrável que qualquer pessoa, em qualquer momento e em qualquer estabelecimento de "porta aberta" (tipicamente prestação de serviços), possa solicitar o livro de reclamações se não estiver satisfeito com determinado aspecto da casa. Depois de preenchida a queixa, segue a sua tramitação legal e, na minha opinião, quem de direito fica consciente que o restaurante "A" demorou 4 horas a servir um bitoque, acompanhado com a má disposição do empregado.

Contrariamente ao que se possa pensar, qualquer que seja a queixa reportada no livro de reclamações atesta a sua existência, e posso adiantar que a queixa é analisada, assim lhe seja concedido o devido encaminhamento. E inexplicavelmente...Funciona. Uma das poucas coisas que funciona no nosso País.

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terça-feira, agosto 10, 2010

Swing

Não será de bom tom comentar os opções dos outros. "Cada cabeça sua sentença", reza o adágio popular, e como tal, não costumo/gosto de questionar as vontades de cada um. Há contudo questões que se me colocam pontualmente,  quando penso em determinados comportamentos das pessoas perante a vida. O tão em voga swing é um deles.

Para quem não sabe, swing consiste na troca de casais. O que a esmagadora maioria das pessoas não imagina ou não percebe, é que quando um dos membros do casal propõe ou tenta convencer o outro a "brincar-aos-papás-e-mamãs-com-o-Pedro-e-a-Joana-com-quem-até-nos-damos-muito-bem-e-são-muito-queridos"..é porque alguma coisa vai mal. E passo a explicar. É uma falsa tentativa de quebrar rotinas, sendo que quer para ele, quer para ela, há a vontade de experimentar aquilo que falha com outras pessoas. Pode ser que resulte. Porque não tentar? E a abordagem errada começa precisamente aqui. É necessário encarar as coisas com pragmatismo e frontalidade. O swing é a traição consentida no seio do casal. Reviro os olhos quando oiço dizer ou leio que é para "apimentar" a relação. Conheço 459 formas de o fazer sem ter que imaginar uma mulher minha com outro homem.

Mas há mais. Não é novidade para ninguém que o sexo masculino gosta de apreciar os rabos de saia. Ninguém do sexo oposto ficará chocado ao ler este axioma, conquanto que a apreciação a ter lugar, seja discreta. O mesmo acontece com o sexo oposto, embora não seja assumido. Homem e mulher são iguais em termos de vontades, sendo que o homem é tipicamente mais desbocado e a mulher mais reservada.

O swing, como mencionei atrás, é tido como o "quebra rotinas" ou seja, é tido como um estimulante da relação. E acredita quem quiser, nomeamente quem os 5000 casais praticantes que estão registados só na capital do País. Para mim, não deixa de ser a traição consentida. "Tu deitas-te com ela, eu deito-me com ele". É algo que assume contornos perigosos, porque o tal Pedro que falei lá em cima pode ser um verdadeiro animal sexual, comparativamente ao "cinzento" e "desinteressante" Artur, que não traz qualquer valor acrescentado na cama. É claro que a Luísa, mulher do Artur não vai olhar com os mesmos olhos para o Artur depois de ter experimentado ir ao céu com o Pedro. Parece-me líquido e de simples compreensão.

Importa também reter a questão da "novidade". São raras as mulheres sempre dispostas a experimentar sensações novas com parceiros novos. Ainda que possam eventualmente ter sido brindadas pela natureza com uma líbido saudável e presente, poucas serão as que embarcam nas aventuras novas todas as semanas com casais novos. Já os homens são diferentes. Exista ao seu lado uma companheira que não se importe de conhecer pessoas novas todas as semanas..é de imediato"endeusada", na medida em que passa a estar aberta possibilidade de abordar muito mais mulheres. Com surpreendentente conivência da cara-metade. Melhor que isto só mesmo as 72 virgens dos mártires suicidas. Acho isto delicioso..até porque a dada altura não há intimidade no seio do casal...mas sim entre casais. Com as naturais e óbvias consequências.

Por último, o sentido de oportunidade. Este tema não é escolhido aleatoriamente. Passou uma peça na TVI sobre este tema no Domingo passado. Não quero parecer o "guardião-da-moral-e-dos-bons-costumes", nem tenho pretensões a isso, mas passar esta peça, num País predominantemente cristão-católico, em prime hour...acho escusado. Há horas para tudo e até seria muito mais interessante um documentário mais alargado sobre o tema. Senti-me incomodado por ver esta reportagem à hora do jantar, e à mesa com os meus pais. Está fórmula tem sido frequentemente explorada pelos canais televisivos que vivem do share..Nem que para isso seja necessário (como aliás aconteceu nesta peça) colocar as filmagens dos casais a swingar, ou seja ,em pleno acto. Achei escusado.

Em jeito de conclusão, acho que quem opta ou pensa no swing deve primeiro olhar para dentro e perceber o que pode perder e ganhar. Assumindo que são mais as perdas que os ganhos, e estando a rotina instalada, é com o/a parceira que se tem de conversar e não é procurando a "cura" no relacionamento com outros casais. Na minha opinião, a possibilidade das coisas correrem mal é substancialmente incrementada. Mas quando as hormonas falam mais alto...nada a fazer.

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segunda-feira, agosto 09, 2010

Lingerie

Não serei a melhor pessoa para desenvolver esta temática mas tentarei dar uma achega. Trata-se de algo íntimo e que na minha opinião constitui condição obrigatória para que qualquer mulher se sinta mais feminina. Para aquelas que ligam a este tipo de coisas.

Não entendo muito bem qual é a piada no facto de algumas mulheres teimarem em usar a lingerie "da avó", ou por outra, aquela que foi moda há 58 anos atrás. Cuecas qual "toalha-de-mesa" e cinta (acho surreal), bem como soutiens com armações similares ao emaranhado da mais conhecida torre da capital francesa...

Contudo, é um facto incontornável que as mulheres se preocupam cada mais com a lingerie. A mulher moderna gosta de lingerie bonita e sobretudo prática. Julgo que o critério passa por em primeiro lugar se sentir bem com ela mesma e  ter prazer em se ver com a mesma vestida, e em segundo lugar para agradar o parceiro(a). Sim, a parte do agradar a cara metade também faz parte...

Li há poucos dias que 90% das mulheres não sabe escolher a sua roupa interior. Objectivamente, e no caso dos soutiens, são frequentemente escolhidas peças demasiado pequenos para aquelas mulheres com quem a "natureza foi generosa", ou o inverso. Da mesma forma que será ridícula a figura de uma mulher que pesa 440 kg de amor genuíno e usar um string. Há hoje em dia lojas de lingerie que inclusivè já têm a figura de "conselheira". A jornalista que redigiu a tal peça que li afirmava ter andado um bom par de anos enganada....

Para terminar, acho abominável a mulher adulta/madura usar ou sequer apreciar lingerie da "Hello Kitty" ou de bonecada parecida. Seria o mesmo que me dar na cabeça e começar a ir trabalhar com a capa do Batman e dizer que me sentia bem com esse figurino. Parece-me inusitado e sinceramente despropositado. Há idades para tudo, e uma mulher adulta deverá usar roupa ou acessórios adequados à sua idade. Sob pena de não ser respeitado como tal.

A lingerie, conquanto bonita e adequada ao corpo da mulher, pode ser um dos estímulos da relação afectiva. Pode apimentar a mesma. Infelizmente nem todos os homens sabem (ou gostam) de apreciar estas peças de roupa. Ou não têm tempo. Ou passam logo para o "até que enfim".  Não lhes ocorre sequer que há mulheres que gostam de receber lingerie...na medida em que pode ser visto como um mimo...ou um carinho inesperado - e qualquer mulher aprecia esse tipo de coisas lamechas.

 Acresce o facto da esmagadora maioria dos homens ter vergonha de entrar numa loja de lingerie. Certamente que pensam que as meninas da loja os vão encavacar. Ou rir-se na cara deles por não saberem distinguir entre um soutien de copa A ou de copa D (algumas mulheres não sabem também).....e aposto convosco o que quiserem como 99% dos homens não sabe as medidas da mulher com quem dorme. Ou por outra, até é capaz de ir a uma loja de lingerie e acertar logo à primeira. Mas tal não acontece. Quer por "falta de olho", quer por falta de interesse em saber a resposta. E então recorre-se à deixa de " Tem-um-corpo-parecido-ao-seu"; "Tem-um-corpo-parecido-ao -daquela-menina-que-está-ali-daquele-lado-da-loja". Não sem antes começar a suar nas costas com o nervosismo e exposição a que está a ser sujeito.
Tenho também a noção que o tempo dos "almoços grátis" já era. Ninguém dá nada a ninguém, e meus amigos, a lingerie boa e bonita é cara.Temos muita pena. E talvez por aí a mulher  tenha que regularmente optar por peças mais baratas. Ainda que a vontade (penso eu), de qualquer mulher seja ter lingerie bonita e confortável. Cabe aos namorados e maridos fazer umas surpresas de vez em quando....e subirem uns pontos na escala de consideração....e ganhar algumas "prendas" nessa noite. Ou no momento em que oferecem a lingerie.

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domingo, agosto 08, 2010

Graus Académicos

Contrariamente ao que sucede noutros países ditos desenvolvidos, Portugal é o local onde mais "doutores" e "engenheiros" existe. Qualquer grau de licenciatura que se tire neste simpático País confere um grau de doutor (especialmente os de Direito) e parece que há uns cursos que se podem tirar via internet que conferem o grau académico de engenheiro. Ouvi dizer.

Para mim, e se calhar erradamente, doutor é quem tem uma licenciatura em medicina (nas mais variadas especialidades) ou medicina veterinária. Ou quem tira um doutoramento. Ponto final. Engenheiro será alguém que queimou as pestanas durante 5 anos e obteve uma licenciatura em engenharia. Ponto final. O resto é paisagem, e pessoas que pretendem possuir um prefixo antes do nome, ainda que não exista uma razão lógica que o sustente. Não entendo bem o porquê de um sociólogo ou alguém que obtém um grau de licenciado em turismo ser "doutor".

Há poucas situações em que concebo que exista a comunicação do grau académico. Reuniões de trabalho ou troca de e-mails profissionais. Faz sentido que exista, até porque regra geral, as reuniões são tidas com pessoas cuja experiência profissional não é conhecida. Poderá facilitar a comunicação, assim seja a mesma direccionada. Engenheiros falam a mesma língua, e os médicos também se costumam perceber uns aos outros.

É claro que a coisa complica quando na mesma sala temos vários "doutores". Imagine-se uma reunião de qualquer Conselho de Administração de um desses hospitais privados. Naturalmente que os médicos têm assento garantido. Eventualmente engenheiros (responsáveis pela manutenção do edifício / algumas salas daquelas que não podem deixar de funcionar). Mas também lá estão representados os economistas e advogados. Repare-se na confusão que será para alguém, que pela primeira vez vai a uma dessas reuniões. O Dr. Francisco de Almeida (advogado) a solicitar mais meios logísticos para a sala de ressonância magnética. Ou o Dr. Paulo Ventura (médico) a defender que o break even point já devia ter tido lugar há dois meses e meio. Uma coisa gira de se ver portanto. E é garantido que em reuniões bem representadas (elevado número de participantes), quem nelas participa pela primeira vez, terá alguma dificuldade em perceber quem é quem. À boa maneira portuguesa.

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sábado, agosto 07, 2010

Violência Doméstica

Tenho a violência doméstica como um tema muito delicado. Por várias razões.  A primeira das razões, prende-se com o facto de 98% dos casos de violência doméstica ser perpetrada ou consumada por homens. Enoja-me este tipo de homem. Cobarde, sem escrúpulos, e que entre quatro paredes sabe que pode dominar e magoar a mulher. Em segundo lugar, a não comunicação destes actos de violência às autoridades competentes...já lá vamos. Em terceiro e último lugar, a forma displicente como a justiça portuguesa (mais uma vez) actua nestes casos.

Quanto ao tipo de homem execrável que pensa, sequer, em infligir a dôr a uma mulher, não me merece qualquer comentário. O egoísmo vai tão longe, que acabam por ser calculistas, e são de tal forma medrosos, que só conseguem fazer mal onde outras pessoas não podem ajudar, ou seja, tipicamente nas suas casas.

Relativamente à não comunicação, confesso que compreendo o lado da mulher. Por vezes, o amor que sente pelo parceiro faz com que releve a importância deste acto medíocre. Por outro lado, quando violentada/agredida, a mulher equaciona no que perderá se apresentar queixa do parceiro às autoridades. Na maioria das vezes trata-se de um pai de família, marido. A partir do momento em que a queixa entra na autoridade, tem início um inquérito. Pode ou não culminar em tribunal. Conheci dois casos, num passado longínquo, em que as mulheres foram retirar a queixa (depois de terem apresentado), porque os marido começaram a coacção psicológica em casa e porque ameaçaram cortar com uma série de facilidades. Não intervi porque qualquer uma das pessoas em causa me pediu encarecidamente para o não fazer. Nos dias que correm, sendo que as coisas não estão fáceis, preferiram continuar a viver o inferno em detrimento de dar continuidade ao processo judicial. Errado. Mas senti-me de mão atadas.

Ouvi há pouco nas notícias que desde o início do ano já 15 mulheres perderam a vida vítimas de violência doméstica. Fez-me pensar que realmente Portugal é óptimo para todo e qualquer animal destes, que consegue este tipo de feito - bater ou violentar uma mulher. Só Deus sabe quanto tempo aguentaram em silêncio as mulheres. Só Deus sabe quantas outras mulheres viverão martírios similares nos seus quotidianos. Não hipotecando o seu papel de mãe, de boa profissional e ainda de mulher. Ainda que para isso seja obrigada a ter um sorriso dosponível todos os dias e tenha de reprimir o choro, a raiva...e acima de tudo, quando há filhos, não se ir abaixo à frente deles.

À semelhança do que acontece em tantas outras matérias, não interessa mais legislação dedicada feita num gabinete com ar condicionado. Interessa dotar os assistentes sociais e as autoridades de ferramentas que possibilitem às vítimas sentir conforto. Não se sentirem angustiadas e desprotegidas se tiverem de relatar uma ocorrência destas. Não interessa continuar de forma leviana a poder proporcionar uma boa estadia na prisão aos homens detidos por violência doméstica. Muitos dirão que estão arrependidos e que não voltam a fazer. Contudo, do outro lado, o mal está feito. Irremediavelmente, em 100% dos casos. Se as mazelas físicas desaparecem com o tempo (a maioria), já as psíquicas não desaparecem. E são na maioria das vezes aquelas que ficam para sempre. Infelizmente.

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sexta-feira, agosto 06, 2010

Aperto de mão

Defendo que o aperto de mão mostra quão determinado e convicto é alguém. Quanto mais firme fôr o aperto de mão, mais determinada e segura será essa pessoa. O mesmo se aplica ao inverso.

Conheço algumas pessoas que apertam a mão de forma frouxa. Esforço da vida para levantar a mão, esforço hercúleo para esticar o braço e no final, para aquilo que é verdadeiramente importante, para o aperto de mão, para o cumprimento propriamente dito já não têm força. Será nesse momento que a minha mão sente aquilo a que chamo de "pêso morto". Não quero com isto dizer que sejam más pessoas. Muito pelo contrário. Não são más pessoas...têm só este "pequeno defeito", na minha opinião.

Obviamente que o aperto de mão vai de cada pessoa. Naturalmente que não espero que uma mulher que mostre a força de uma tenaz no aperto de mão . Mas também não acho normal que um homem de 90 kg não tenha uma aperto de mão firme. Ou seja...terá de haver algures um meio termo. "No final do dia" é esse meio termo que normalmente se constata de imediato no cumprimento.

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quinta-feira, agosto 05, 2010

Gigolos

Gigolo é um nome mais bonito para prostituto. Venha quem vier ou dêem as voltas que quiserem. Li há pouco tempo numa reportagem de um conhecido jornal semanal, dedicada a um rapazola de 29 anos que se dizia ser gigolo. Recebe dinheiro por dar prazer a mulheres, mas no seu entender não se prostituía, chegando mesmo a afirmar que por menos de 300 euros não "se deitava" com ninguém. Devo ser um bocado limitado intelectualmente porque não entendi qual a diferença para a prostituição.

Falava o artista em algumas coisas que acabam por ser verdadeiras. O turismo, que não raro brinda este "pedaço de terra à beira-mar plantado" com as mulheres ávidas dos prazeres carnais (e portugueses dispostos a saciarem essa carência), bem como o eterno problema da "mulher-casada-há-20-anos-e-que-deixa-de-ter-em-casa-aquilo-que-sabemos". Ainda que não exista uma fórmula definitiva e que dê resposta cabal a todas as perguntas..o que se retem é que os gigolos vão tendo trabalho. Ou por outra, a escassez e "falta de atenção" de alguns faz com que dê para  manter de "vento em popa" a segunda actividade profissional de outros.  A tal que não é declarada...

Quanto às indumentárias e discursos ridiculamente pobres que vou ouvindo ou lendo nestas pérolas jornalísticas...sem comentários. São óptimos. Conseguem divertir-me. Realmente constato rapidamente que vivo numa realidade diferente. Mundos diferentes. E que o mundo fantasioso em que estas criaturas vivem é só deles. Um universo paralelo, em que frequentemente são estas as personagens principais. Porque afinal....os deixam ser como tal.

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