Contrariamente ao que sucede noutros países ditos desenvolvidos, Portugal é o local onde mais "doutores" e "engenheiros" existe. Qualquer grau de licenciatura que se tire neste simpático País confere um grau de doutor (especialmente os de Direito) e parece que há uns cursos que se podem tirar via internet que conferem o grau académico de engenheiro. Ouvi dizer.
Para mim, e se calhar erradamente, doutor é quem tem uma licenciatura em medicina (nas mais variadas especialidades) ou medicina veterinária. Ou quem tira um doutoramento. Ponto final. Engenheiro será alguém que queimou as pestanas durante 5 anos e obteve uma licenciatura em engenharia. Ponto final. O resto é paisagem, e pessoas que pretendem possuir um prefixo antes do nome, ainda que não exista uma razão lógica que o sustente. Não entendo bem o porquê de um sociólogo ou alguém que obtém um grau de licenciado em turismo ser "doutor".
Há poucas situações em que concebo que exista a comunicação do grau académico. Reuniões de trabalho ou troca de e-mails profissionais. Faz sentido que exista, até porque regra geral, as reuniões são tidas com pessoas cuja experiência profissional não é conhecida. Poderá facilitar a comunicação, assim seja a mesma direccionada. Engenheiros falam a mesma língua, e os médicos também se costumam perceber uns aos outros.
É claro que a coisa complica quando na mesma sala temos vários "doutores". Imagine-se uma reunião de qualquer Conselho de Administração de um desses hospitais privados. Naturalmente que os médicos têm assento garantido. Eventualmente engenheiros (responsáveis pela manutenção do edifício / algumas salas daquelas que não podem deixar de funcionar). Mas também lá estão representados os economistas e advogados. Repare-se na confusão que será para alguém, que pela primeira vez vai a uma dessas reuniões. O Dr. Francisco de Almeida (advogado) a solicitar mais meios logísticos para a sala de ressonância magnética. Ou o Dr. Paulo Ventura (médico) a defender que o break even point já devia ter tido lugar há dois meses e meio. Uma coisa gira de se ver portanto. E é garantido que em reuniões bem representadas (elevado número de participantes), quem nelas participa pela primeira vez, terá alguma dificuldade em perceber quem é quem. À boa maneira portuguesa.
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