Tenho o "privilégio" de conhecer 6 marinas por cá e no nosso Portugal: Cascais, Oeiras, Docas, Expo, Vilamoura e Lagos. Digo privilégio, porque por acaso até conheço quem tenha barco, e já me tenha dito quanto custa "ancorar" os brinquedos. Ah...e mantê-los. Os barcos não se mantêm sozinhos e é necessário pagar um fee mensal para que alguém tenha essa preocupação. No final, uma conta choruda a começar nos 3 zeros à direita do primeiro número significativo. Daí referir que me sinto feliz por não ver a minha conta bancária aliviada nessas quantias!
É também sabido que a construção de uma marina obedece a uma série de regras. Importa ter em linha de conta a correcta e eficaz impermeabilização dos fundos. A edificação dos acessos pedonais (na medida em que vão alterar o meio natural previamente existente e poderão interferir com espécies autóctones) e a própria gestão urbanística, enquanto parte do PDM (Plano Director Municipal) e tendo em conta um plano de requalificação da zona específica (remissão para o Plano de Pormenor - PP) .
Não estranho que existam contas "caladas" por saldar.E que não deixa de ser curioso, tendo em mente o preço de qualquer uma das embarcações mais baratas (não menos de 10.000 euros) + aluguer do espaço da marina + manutenção (caso aplicável). O que acontece, à boa maneira portuguesa, é que não existe um mecanismo que regularize e regulamente situações incumprimento contratual. Ou por outra, até podem existir, mas não me recordo de "bloqueadores-colocados-nas-hélices-por-não-ter-pago-o-aluguer-do-espaço". Donde, ainda que em falta, não há outra alternativa que não seja deixar por lá o barco. E ir facturando mês após mês.
Acho pouco coerente alguém possuir um barco de 200.000 euros e não pagar a renda mensal. Esta será das primeiras coisas que se me oferece dizer. A velha questão do exibicionismo e "evidência de sinais exteriores de riqueza". O que de resto é "mais do mesmo" cá em Portugal. E sintomático do novo riquismo.
Numa anáise mais técnica, é possível percepcionar a má concepção das marinas. Por exemplo, quando as as maré atingem valores de cota inferior ao nível médio. O cheiro nauseabundo das lamas, que ao longo do tempo se acumulam no fundo da marina, e que são formadas pelos óleos e pelo combustível (normalmente gasóleo) dos barcos. O aspecto pouco cuidado e com falta de manutenção das próprias infra-estruturas das marinas também interessa referir. Objectivamente e em concreto na rúbrica "Segurança". Penso muitas vezes como serão accionados os meios de combate a incêndio em caso de azar numa marina. E se funcionarão em caso de verdadeira necessidade.
Por último, as marinas (as que conheço), são locais óptimos para caminhadas. No meu caso, a de Vilamoura foi durante vários anos local de "caminhada-depois-do-jantar" e de ponto de encontro com a rapaziada amiga, que estava lá por baixo na mesma altura que eu. E a partir daí rumava-se a outros destinos. Mas não deixava de ser um ponto de encontro para o início da noite. Por outro lado, e antipodamente, há também as "avis raras" que por lá aparecem nesta altura. A turma do "calção-abaixo-do-joelho-e-chinelos-da-piscina". E que passeiam em grupos de 20, no mínimo. Houve momentos em que pensei que fosse ser assaltado!!
Não obstante...e embora não seja algo com que sonhe...gostava de ter uma lancha. Com 4 motores...Para estar sempre reluzente e ancorada na marina. E sair de vez em quando com as minhas amigas. Era um bom indicador da saúde financeira aqui do vosso camarada!
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