Não será de bom tom comentar os opções dos outros. "Cada cabeça sua sentença", reza o adágio popular, e como tal, não costumo/gosto de questionar as vontades de cada um. Há contudo questões que se me colocam pontualmente, quando penso em determinados comportamentos das pessoas perante a vida. O tão em voga swing é um deles.
Para quem não sabe, swing consiste na troca de casais. O que a esmagadora maioria das pessoas não imagina ou não percebe, é que quando um dos membros do casal propõe ou tenta convencer o outro a "brincar-aos-papás-e-mamãs-com-o-Pedro-e-a-Joana-com-quem-até-nos-damos-muito-bem-e-são-muito-queridos"..é porque alguma coisa vai mal. E passo a explicar. É uma falsa tentativa de quebrar rotinas, sendo que quer para ele, quer para ela, há a vontade de experimentar aquilo que falha com outras pessoas. Pode ser que resulte. Porque não tentar? E a abordagem errada começa precisamente aqui. É necessário encarar as coisas com pragmatismo e frontalidade. O swing é a traição consentida no seio do casal. Reviro os olhos quando oiço dizer ou leio que é para "apimentar" a relação. Conheço 459 formas de o fazer sem ter que imaginar uma mulher minha com outro homem.
Mas há mais. Não é novidade para ninguém que o sexo masculino gosta de apreciar os rabos de saia. Ninguém do sexo oposto ficará chocado ao ler este axioma, conquanto que a apreciação a ter lugar, seja discreta. O mesmo acontece com o sexo oposto, embora não seja assumido. Homem e mulher são iguais em termos de vontades, sendo que o homem é tipicamente mais desbocado e a mulher mais reservada.
O swing, como mencionei atrás, é tido como o "quebra rotinas" ou seja, é tido como um estimulante da relação. E acredita quem quiser, nomeamente quem os 5000 casais praticantes que estão registados só na capital do País. Para mim, não deixa de ser a traição consentida. "Tu deitas-te com ela, eu deito-me com ele". É algo que assume contornos perigosos, porque o tal Pedro que falei lá em cima pode ser um verdadeiro animal sexual, comparativamente ao "cinzento" e "desinteressante" Artur, que não traz qualquer valor acrescentado na cama. É claro que a Luísa, mulher do Artur não vai olhar com os mesmos olhos para o Artur depois de ter experimentado ir ao céu com o Pedro. Parece-me líquido e de simples compreensão.
Importa também reter a questão da "novidade". São raras as mulheres sempre dispostas a experimentar sensações novas com parceiros novos. Ainda que possam eventualmente ter sido brindadas pela natureza com uma líbido saudável e presente, poucas serão as que embarcam nas aventuras novas todas as semanas com casais novos. Já os homens são diferentes. Exista ao seu lado uma companheira que não se importe de conhecer pessoas novas todas as semanas..é de imediato"endeusada", na medida em que passa a estar aberta possibilidade de abordar muito mais mulheres. Com surpreendentente conivência da cara-metade. Melhor que isto só mesmo as 72 virgens dos mártires suicidas. Acho isto delicioso..até porque a dada altura não há intimidade no seio do casal...mas sim entre casais. Com as naturais e óbvias consequências.
Por último, o sentido de oportunidade. Este tema não é escolhido aleatoriamente. Passou uma peça na TVI sobre este tema no Domingo passado. Não quero parecer o "guardião-da-moral-e-dos-bons-costumes", nem tenho pretensões a isso, mas passar esta peça, num País predominantemente cristão-católico, em prime hour...acho escusado. Há horas para tudo e até seria muito mais interessante um documentário mais alargado sobre o tema. Senti-me incomodado por ver esta reportagem à hora do jantar, e à mesa com os meus pais. Está fórmula tem sido frequentemente explorada pelos canais televisivos que vivem do share..Nem que para isso seja necessário (como aliás aconteceu nesta peça) colocar as filmagens dos casais a swingar, ou seja ,em pleno acto. Achei escusado.
Em jeito de conclusão, acho que quem opta ou pensa no swing deve primeiro olhar para dentro e perceber o que pode perder e ganhar. Assumindo que são mais as perdas que os ganhos, e estando a rotina instalada, é com o/a parceira que se tem de conversar e não é procurando a "cura" no relacionamento com outros casais. Na minha opinião, a possibilidade das coisas correrem mal é substancialmente incrementada. Mas quando as hormonas falam mais alto...nada a fazer.
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