quinta-feira, setembro 30, 2010

Poder de Síntese

Poder de síntese é algo que hoje em dia é extremamente valioso. Conseguir que se passe o máximo de informação possível em poucas palavras.. é algo que nem toda a gente consegue fazer. E na maioria dos nichos de mercado onde o tempo dinheiro, torna-se obrigatório ser-se sintético.

Dizer-se muito em poucas palavras é algo que envolve treino, domínio do que se pretende dizer e naturalmente não é para quem quer. É para quem sabe. A diferença na escrita é pouca. Na realidade faz toda a diferença.

Um dos problemas associados, e que desde logo salta à vista, são as pessoas que tentam ser sucintas....não sabendo sê-lo. Como consequência imediata, a mensagem não é totalmente passada, na ânsia de dizer pouco..o que, como se imaginará, acarreta consequências graves, derivadas da má comunicação.

Nos meios empresariais, é importante que o poder de síntese esteja sempre presente. A generalidade das reuniões demora tempo porque tem lugar o desenvolvimento de assuntos paralelos à agenda da reunião. Porque os oradores entendem desenvolver um pouco mais dos assuntos que dominam. E porque os "chairman" não conseguem ter mão na condução da reunião. Importa que se diferencie desde logo o essencial do acessório, por forma a que as reuniões decorram dentro da normalidade e sejam produtivas. Como se quer.

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quarta-feira, setembro 29, 2010

Ambição

A ambição é das características que mais valorizo nas pessoas. E ou se tem, ou não se em. Contudo, e por razões diversas, nem sempre é algo presente na mentalidade das pessoas.

A actua crise económica, os aumentos crescentes dos preços, e  "alavancada" por um tendencial agravamento das condições de vida, faz com que a ambição não figure nas preocupações primárias das pessoas. Faz algum sentido. Menciono a palavra "algum", na medida em que é nos momentos maus que se vê a "fibra" das pessoas. Há os pessimistas e há os....ambiciosos. A palavra "optimismo" está intimamente relacionada com a palavra "ambição". E consequentemente, são as pessoas ambiciosas, com um determinado objectivo perfeitamente delineado  que acabam por conseguir vingar nesta vida.

A palavra ambicioso é frequentemente confundida com "ambição-a-qualquer-preço" ou também conhecida como ambição desmesurada. Naturalmente que não posso concordar. E muitas são as vezes em que me sinto verdadeiramente nauseado após ouvir histórias de aproveitamento / exploração, já para não falar dos "espertalhões-das-dúzias"...

Para concluir, defendo a ideia de que toda e qualquer pessoa deve ser um pouco de ambição, por forma a vencer de forma vitoriosa as dificuldades quotidianas e provas que necessariamente têm de ser superadas.

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terça-feira, setembro 28, 2010

Vinganças

A vingança não devia ser permitida. É algo mau, e nunca se sabe do que as outras pessoas são capazes. E claro...há vinganças que, segundo algumas crenças..."se querem frias". Ou seja, piores ainda, na medida em que há mais tempo para serem "cozinhadas".

Não me tenho como sendo uma pessoa vingativa ou que perca muito tempo a pensar em viganças rocambolescas. De todo. Entendo que as pessoas têm o que merecem, e quando menos esperarem "pagam a factura". É uma fórmula simples em que acredito e que normalmente resulta.

Também sei que há pessoas que estão mal com a vida. Essas mesmas pessoas conseguem ver o mal onde o mesmo não existe e não raro fantasiam. Coisas que não devem. Daí ao aparecimento da mania da perseguição é um instante. E daí a pensar / congeminar vinganças...é outro.

Por outro lado, e repescando um tema que já reflecti aqui, importa que a comunicação seja feita sem "ruído". Ou seja, que seja entendida por ambas as partes, de forma correcta, e evitando mal entendidos desnecessários.

Há variadíssimos tipos de vingança...e acho que aqueles que são mais inteligentes, são sem dúvida, os subtis. Aqueles que não se esperam, mas que acontecem mais cedo ou mais tarde.

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segunda-feira, setembro 27, 2010

Polícia Judiciária

Lembro-me de na minha adolescência ter ponderado a entrada para a Polícia Judiciária (PJ). Consequência do fascínio pelas perseguições policiais a alta velocidade, armas de fogo e claro, por poder dar "umas pingas " aos bandidos.

Dentro desta organização, as brigadas mais aliciantes, no meu entendimento, seriam dos homícídios e do crime violento. Já a brigada do narcotráfico, se em tempos me foi querida...deixou de o ser. Por uma razão simples..pelo facto de haver por vezes a necessidade de se andar "infiltrado", para que a operação decorra com o máximo de normalidade, e por forma a garantir que eficientemente seja desmantelada toda uma estrutura ilegalmente constituída. Sinceramente, acho não me presto muito a representações desse tipo. Dissimular e fazer-me passar por algo que não sou.  E claro, imagino que a dada altura fosse "posto à prova" e ter de, dentro de determinado grupo suspeito e sob investigação, ter de experimentar alguma droga, por forma a validar o meu "papel". Estas seriam porventura as razões pelas quais esta brigada não figuraria nas minhas escolhas.

Sempre foi conhecido o "atropelo" de responsabilidades e consequente animosidade entre PJ e GNR. Por razões de ordem funcional, em alguns casos e há alguns anos a esta parte, uma das forças não poderia efectuar a detenção, tendo de comunicar à outra que o fizesse. Ainda que o trabalho fosse todo desenvolvido por essa anterior. Logicamente, no "final do dia" os louros vão para quem faz a detenção..é afinal é isso que conta. Lembro-me de ter conversado sobre este tema com alguém ligado à PJ e também à GNR e ter ficado ciente desta realidade. Injusta, mas ainda assim real há uns anos atrás. Julgo que hoje em dia as coisas estão mais coordenadas, e no campo, não raro, há um trabalho de equipa. Como deveria ser sempre, de resto.

A questão do risco (estimulante)  foi sempre secundarizada pelo receio das sevícias (com a família) e fez com que pensasse umas 15 vezes antes de me inscrever no curso de agentes. O ordenado miserável, bem como a preferência pelos licenciados (as) em Direito / Magistrados contribuiram igualmente para que gradualmente fosse sendo afastada a ideia do ingresso nesta força.

Não obstante, a PJ é das forças policiais que mais respeito e considerada uma das melhores a nível internacional. Os seus laboratório são muitíssimo bem equipados e as técnicas policiais estão ao nível dos melhores.

Consulte-se, a título de sugestão, o link com informação útil desta polícia: http://www.policiajudiciaria.pt/ (tem a possibilidade de ser seguido no twitter).

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domingo, setembro 26, 2010

Ganzas

Desculpar-me-ão aqueles que dão umas passas de vez em quando nas ganzas, mas acho uma palhaçada pegada. Comam uma cenoura crua. Começa com as "pedras" de haxixe ou na gíria chamadas de "chamon", que são queimadas e misturadas com tabaco normal. Em folha de papel de arroz (quase que se rasga com uma leve brisa), a mistura é colocada e esticada no sentido do comprimento, sendo então pacientemente enrolada (com o tempo começa a ser uma acção automatizada). O papel é lambido para "selar" e fuma-se assim. Preferencialmente em grupo (rodando a mesma ganza por todos).

Se à primeira vista o que relato acima parece fácil, na prática não o é. Nunca fui bem sucedido em fazer uma ganza (não tenho qualquer jeito mesmo), e em toda a minha vida, devo ter dado duas passas numa ganza qualquer. Da mesma forma, e até hoje, nunca compreendi muito bem a relação que existe entre dar uma passa na ganza e ficar com voz fina como se tivesse sido engolido Hélio. Ou ficar com os olhos mais rasgados que qualquer monge de um tempo perdido no Tibete...

O haxixe, contrariamente ao que muita gente possa pensar (normalmente os seus consumidores) causa a dependência. Como aliás todas as drogas causarão. A prova disso, é que há pessoas que fumam de ganza o que eu não fumava de tabaco por dia (cerca de 6 cigarros / dia). Parece-me líquido (e óbvio) que o termo "addicted" / viciado, se revela adequado.

Para terminar, importa referir que na generalidade das vezes, a "época ganza" perdura algures entre a adolescência e a idade adulta. Ou pode continuar. Dois apontamentos breves: i) As drogas mais leves (eg.: haxixe) podem ser o "trampolim" para drogas mais duras, naturalmente mais perigosas (eg: heroína, cocaína, LSD); ii) Pode dar em despedimento com justa causa a detecção de drogas nas análises efectuadas aos trabalhadores (aquelas-sem aviso-e-que-não-dá-para-pedir-à-mulher-que-faça-o-xixi-para-o-copo". Conta-se que já houve pessoas que souberam que íam ser pais assim..quando foram chamados ao gabinete do médico e lhes foi dito que estariam grávidos! P.S:  O simples facto de estar próximo de um grupo que está a fumar uma ganza e inalar o fumo expelido...pode acusar na análise.

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sábado, setembro 25, 2010

Prédios devolutos

Felizmente conheço a realidade de algumas cidades da Europa. Confesso que me agrada particularmente o tipo de construção típico da "cidade luz" e que são facilmente visíveis numa caminhada nesta maravilhosa cidade.

Talvez por sempre ter centrado as minhas visitas aos centros das cidades europeias, acabei por não ter conhecimento da realidade "além-centro". Porventura,  teria uma ideia contrária à que possuo, e que passa por um cabal ordenamento do território da generalidade destas cidades. E passa por exemplo, pela não existência de prédios devolutos. Ou à vista de qualquer pessoa / visitante.

Em Lisboa é  frequente verem-se prédios e palacetes devolutos / abandonados. E tal facto só pode entristecer-me. Um pouco pela incúria e despreocupação com que tal sucede. A manifesta apatia e consequente não intervenção no debilitado estado dos imóveis. Perde-se identidade da cidade. As Câmaras Municipais estarão conscientes da realidade, mas por parte do Governo que não há verba acrescida para as reabilitações dos imóveis da cidade bem como se assiste a uma tendencial alheação e negligência por parte dos senhorios, relativamente às suas obrigações enquanto proprietários. A situação complica quando os senhorios perecem e tem lugar a habilitação de herdeiros. E aí sim....os prédios ficam votados ao abandono até que surja o "fumo branco".

Importa pois ter um pouco mais de respeito pelos prédios / palacetes de outros tempos, e que permitem conferir uma trama única e especial de cada cidade. Torna-se necessário que seja efectuado um levantamento exaustivo dos imóveis nestas condições, e aferir a melhor forma de resolver os problemas.

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sexta-feira, setembro 24, 2010

Testemunhas

É sabido que as testemunhas têm um papel importante em sede de julgamento. Diria mesmo que podem decidir entre o futuro de alguém passado em liberdade e o mesmo futuro passado num espaço limitado a um quadrado de 2,5m2.

Logicamente que este poder decisório se paga. Regra geral, a banditagem consegue perder algumas horas de sono. Em primeiro lugar porque passa a realizar a possibilidade dedeixar de ter a comida da mamã à mesa. Em segundo lugar, porque importa garantir a sua inocência. Fico verdadeiramente estupefacto com a quantidade de injustiças que se comete por esse País fora. Em quase 100% dos casos de flagrante captura de um traficante de droga ou armas....não sabe o mesmo quem a colocou na sua posse (leia-se no carro ou em sua casa). Ou no casos de lenocínio, ou das casas e dos carros roubados. Passou a ser frequente serem encontrados casos de incompreensão a par e passo de eventos infelizes (e graves) de amnésia por parte dos injustiçados arguidos.

Justificada que é a importância das testemunhas oculares, e assumindo-as como pessoas idóneas, é desejável e sensato zelar pela segurança das mesmas antes, durante e no pós julgamentos. O que acontece, na generalidade das vezes, é que tal se revela moroso (e custoso) e implica alocar recursos policiais para tal. E aqui começam as minhas questões. Não entendo bem se todos os efectivos policiais deste grupo de protecção de testemunhas estarão "ocupados" a garantir a sobrevivência de alguém. Em casos de lógica e inquestionável necessidade, nem sempre é pacífica um deferimento do pedido de protecção de alguém.  Em última análise, e para quem não sabe, a ordem de protecção policial parte de um Magistrado ou da própria autoridade policial, e estando em causa a integridade física / sobrevivência da testemunha em causa.

Valha-nos que Portugal é um País de brandos costumes, e que as testemunhas dos grandes casos (eg: Pedofilia e assalto à mão armada) são conhecidas de todos. Os malandros dos bandidos fazem bem o seu "trabalho-de-casa" e com 2 ou 3 telefonemas sabe-se tudo acerca do Sr. João Matos, proprietário do talho em frente (e testemunha principal) à ourivesaria que há 3 anos foi assaltada. A partir desse momento, e face a importância que terá no desenlace do julgamento, poderá ver a sua vida perigada. Bem como a dos seus familiares. Telefonemas, cartas, encomendas, alguns sustos...são tudo manobras de diversão que têm como objectivo fazer o Sr. João pensar duas vezes (ou mais) antes de ir testemunhar.

Li há uns dias atrás que um pequeno grupo de importantes testemunhas num processo que corre em juízo (assalto a uma ourivesaria no Norte de Portugal), foram "amigavelmente avisadas", com tiros de caçadeira para o ar (intimidação), por desconhecidos, quando estariam num stand de automóveis. O Juíz não terá visto ligação entre uma coisa e outra: três testemunhas oculares de um assalto a uma ourivesaria (e do qual resultou um morto) e uns tiros disparados para o ar (intimidação), por 3 homens desconhecidos, uma semana antes da sua ida a tribunal. E não foi concedida protecção policial às testemunhas. Com os arguidos em liberdade. Como de resto é habitual por cá. À boa maneira portuguesa.

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quinta-feira, setembro 23, 2010

Música Portuguesa

Adoro ouvir música. Todo o tipo de música. Regra geral, os estilos de música que mais oiço são "pesados", embora me agradem outros estilos de música, podendo afirmar com segurança que oiço os mais variados tipos.

Cresci a ouvir os Heróis do Mar, Rádio Macau, UHF, Peste & Sida, os tão conhecidos Mata-Ratos, os jurássicos Xutos & Pontapés, os GNR, Sétima Legião, Mão Morta, entre tantos outros nomes que aqui poderia avançar. Por motivos vários, foram grupos / intérpretes que me marcaram em momentos específicos da minha vida, infância, adolescência e idade adulta.

É possível dizer que a música portuguesa é de boa qualidade. A prova disso será o simples facto de ser reconhecida lá fora.  As condições para gravação, ao nível de estúdios e os avanços na própria sonoplastia sofrem evolução, para melhor. Contudo, e para que um grupo se "possa afirmar" no complexo e intrincado mundo da música, não basta ter as condições, ou querer ser bem sucedido. É necessário ser-se conhecido, saber muito bem o target que pretende atingir (eg: idade dos ouvintes), criar nome, ou ter alguém que "dê a mão", sendo que este alguém tem de obrigatoriamente ser conceituado no meio. Ou ter dinheiro.

Por outro lado, há os chamados "cometas" ou "fogos fátuos" do mundo da música. O "pés-pá-cova" do Quim Barreiros e o desdentado e ordinário do seu "afilhado" Saúl. Quer um, quer outro, tiverem os seus momentos áureos e que não sabendo utilizar,  esgotaram. Resumidamente, o ordinário e abusivamente banal e trivial foi sem dúvida o que fez com que o Barreiros ficasse no top das vendas. O que de resto não me surpreende e faz com que fique ainda mais profundamente triste com os gostos musicais dos portugueses. Ou de alguns.

Dos demais grupos portugueses que mencionei acima...poucos serão os que permanecem no "activo". Alguns aparecem com uns projectos interessantes, sendo que já não produzem com a mesma qualidade que no antigamente (a idade pesa e vivem da fama), e outros com o tempo "desmembraram-se".

Entendo que há um longo caminho por percorrer neste mundo da música. O fenómeno "Deolinda" é a prova disso. Com música popular. Ou o fado da Marisa, conhecida por tão bem representar Portugal além-fronteiras...E importa que o músicos portuguesas sintam mais apoio "cá dentro". O que nem sempre acontece.

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quarta-feira, setembro 22, 2010

E-learning

Vejo o tão em voga e-learning (ou ensino à distância via internet) como algo muitíssimo positivo e com excelentes resultados. São cada vez mais as empresas que recorrem a este tipo de formação à distância, para os seus trabalhadores, na medida em que, apenas se torna necessário garantir os conteúdos de formação e uma plataforma de acesso.

Como consequência, há uma menor afectação de recursos humanos, uma poupança expressiva para a própria empresa (eg: água, electricidade, tempo de alocação, etc), e acaba a "mama-do-vou-interromper-o-meu-trabalho-diário-porque-vou-a-mais-uma-formação-da-treta-que-até-calha-bem-para-dormir-uma-boa-soneca-depois-do-almoço". O acesso aos conteúdos de formação, através da internet, e da plataforma, pode ser efectuado a partir de qualquer ponto de acesso, onde seja garantido o acesso à "auto-estrada da informação". Sem desculpas por parte dos calões, portanto.

A grande "desvantagem" para algumas pessoas, e que decorre do parágrafo anterior é o aumento de produtividade empresarial (as pessoas acabam por fazer um dia normalíssimo de trabalho) e a diminuição do tempo existentes para as sestas...perdão....reflexões.

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terça-feira, setembro 21, 2010

Picante

Pimenta ou piri-piri são condimentos há muito utilizados como condimentos da gastronomia portuguesa. E com a ajuda do Vasco.. (o da Gama).

Cá em casa todos gostam muito de picante...menos eu, infelizmente, acho eu. As comidas muito condimentadas têm o dom de me fazer suar , começar a hiperventilar e ficar com a língua como se tivesse tido lixada com uma grosa de meia cana daquelas usualmente utilizadas para a madeira. Além de ser logicamente aconselhável que exista uma casa de banho por perto.

É claro que não será para todo e qualquer tipo de picante. Consigo aguentar um caril de frango ou um de camarão. Aliás, desde que me conheço, é sempre é o que peço sempre. Aguento igualmente uma ou duas chamuças (na loucura) sem começar a lacrimejar e a usar a velha tanga dos "malditos-ciscos-que-escolhem-sempre-os-meus-olhos-para-implicar". Consigo igualmente usar o tabasco no frango assado ou nas costeletas (ou outra carne grelhada). Mas pouco. Conheço pessoas que mergulham a comida nos molhos picantes. Só de ver (e de pensar) fico logo com calor...

A moda da gastronomia "multi étnica", que existiu desde sempre, acaba por ser um deleite para os 5 sentidos. Principalmente visão e olfacto. Quem não aprecia a trama ou gradiente cromático dos pós (picantes) num mercado qualquer asiático? Quem nunca viu uma foto de pormenor de uma pimenta verde lustrosa em contraste com outro tipo qualquer de legume ou fruta? Já com o olfacto as coisas mudam um pouco de figura...o cheiro dos condimentos entranha-se literalmente na roupa e cabelo. E demora umas largas horas (por vezes dias) a sair. Ou seja, toda a gente fica a saber qual foi o almoço (ou jantar).

Não impossibilidade de satisfazer o palato (não sendo um entusiasta acérrimo das comidas condimentadas), deleito-me com os contrastes passíveis de serem vistos em qualquer loja do Martim Moniz, a mescla de cheiros das especiarias...e claro...o português macarrónico!

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segunda-feira, setembro 20, 2010

Ar Condicionado

Começo esta reflexão de hoje assumindo-me como masoquista. É verdade. Não acho normal que alguém goste de sofrer dentro de um carro com cerca de 40º C no interior. E só com as janelas abertas. Também me congratulo por ainda não ter instalado um ar condicionado em casa.

Qualquer pessoa que me acompanha nestes momentos introspectivas já sabe que me dou pessimamente com o calor. Daí a não morrer de amores pela praia é um "tirito". Depois penso em algumas coisas. É um contrasenso para a praia (onde facilmente se sentem  temperaturas próximas dos 30 e muitos graus)...com o ar condicionado do carro ligado. É quase como que ir à Igreja e levar um cruz anti-Cristo ao peito. Não faz sentido. A menos que se queira chegar "fresquinho" à praia...para depois levar o "chapadão da vida" do bafo infernal.

Para mal dos meus (e dos demais) pecados, o clima também anda a fazer das suas. Temos verões mais longos, o que sugere aridez e temperaturas altas durante mais tempo, e invernos mais rigorosos, caracterizados pelo frio e chuva. Se no Verão sofro com o calor, no Inverno sofro com o frio (afectando-me as articulações e aparecendo a má circulação). Ou seja, nestas duas estações do ano, sofro sempre. Nasci para sofrer, digo muita vez.

Estou constipado e o termómetro deve apontar uma temperatura exterior que não anda longe dos 30º C. Para mim é muito calor. E estamos no final do Verão. Poderia ter evitado a constipação se me tivesse protegido mais. E feito igualmente a figura do otário com pullover e calor. Não o fiz, mantive a minha crença nas temperaturas altas e num dos dias da semana passada esteve vento e frio. Imagine-se o resultado.

O ar condicionado é na minha opinião das piores invenções que já houve na história da humanidade. A única vantagem  que existe é mesmo aquela sensação de fresco, e que faz com que a pele fique macilenta, qual cadavérica. Desvantagens, há várias, começando pelo facto de que, em alguns casos, se ter de estar em pleno Verão, dentro de qualquer sala, com um casaco de malha vestido por causa do frio do aparelho.  Ou no Inverno com uma t-shirt dentro da mesma sala. Uma coisa gira de se ver, lá está. Seca as mucosas, seca os olhos, etc.

Cometo ocasionalmente o pecado mortal de ligar o ar condicionado de um dos carros quando o Bin Laden dá um ar da sua graça. O que como se imagina facilmente, faz com que alguns percursos curtos, já este ano, tenham findado com a camisa / polo completamente colada às costas. Se podia instalar um ar condicionado neste carro? Poder podia, mas não seria a mesma coisa.

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domingo, setembro 19, 2010

Sesta

Possibilidade de recarregar baterias a meio do dia. Repouso durante uma (s) horita (s). Se quando era mais novo detestava a obrigatoriedade da sesta depois de almoço, imposta quer nos colégios, quer lá em casa, hoje em dia lamento que o dia não tenha mais horas para o conseguir.

A hora da sesta é importantíssima. Para as pessoas que acordam cedo (meu caso), dormir a sesta a seguir ao almoço ajuda não só a recarregar as baterias, bem como acontece numa altura do dia em que a produtividade costuma ser quase ou mesmo nula. É sabido que o período pós-almoço é caracterizado pelo estado letárgico e com vontade para tudo...menos para trabalhar.

Temos também o exemplo próximo de Espanha. Não é por terem a siesta que produzem menos. Pelo contrário. Os indicadores económicos, ao longo da história, mostram uma economia mais sadia e com mais pujança que a nossa. Embora no presente momento estejam a viver um dos piores momentos de que há memória.

Não vejo razão para não se experimentar este modelo. Entrar à mesma hora, uma ou duas hora para a sesta depois de almoço, e sair mais tarde. Mais a mais, sendo Portugal um País com uma taxa de insolação bestial, no Verão há luz até às 2100H. De Inverno, com ou sem sesta, sendo 1800H o Sol já se escondeu. Mas também seria indiferente...

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sábado, setembro 18, 2010

Presos

No presente momento, confirma-se que os presos têm uma boa vida ou uma vida santa, conforme a perspectiva. Aparte de não poderem estar com a família (factor que certamente não lhes tirará o sono), têm cama, roupa lavada e comida na mesa.

Não posso deixar de me sentir muito feliz pelo facto de parte dos meus descontos (e a cada vez maior taxa incidente nos meus rendimentos), possa contribuir para que tenham lugar as tão necessárias obras de beneficiação nos estabelecimentos prisionais. Para melhorar a vida dos desfavorecidos (leia-se presos). Violadores, homicidas, "crimes-do-colarinho-branco", burlas fiscais, etc. Afinal, sou mais um contribuinte que zela pelo bem-estar dos presos.

Se fico feliz por poder ajudar a melhorar a vida dos presos, fico efusivo por perceber que o número de "residentes" nos estabelecimentos prisionais não deixa de aumentar..o que me leva a pensar se não estará em curso um movimento qualquer de cidadãos que façam tudo por ser presos. Mais a mais, estar na prisão é melhor que estar "cá fora", ou que em alguns hotéis. A diferença é que quem paga a factura da estadia é o Estado. Ou por outra, todos os contribuintes.

De há uns anos para cá, e porque era notória um descontentamento e tristeza na população prisional, institui-se a "visita conjugal". O que me naturalmente também me deixa satisfeito. Assim sendo, parece-me que nada fica a faltar: cama, roupa lavada e comida no prato...é por conta de todos os cidadãos contribuintes. Droga também aparece se realmente se quiser. E ainda, o bónus da possibilidade do "bem bom" lá, em quarto preparado para tal. Quem realmente se porta bem durante "x" tempo,  tem a benesse das "precárias". Não me parece faltar absolutamente nada. Há pessoas a viver pior cá fora.

Não entendo muito bem o porquê de tudo isto. Por exemplo, porque razão é que um violador ou alguns tipos de presos (eg: homicidas)  têm de estar em celas diferenciadas? Diferenciação remete-me para um pensamento imediato de despesa maior (se por exemplo a cela fôr um edifício diferente, ou mesmo uma zona de segurança máxima dentro do mesmo edifício). No "final do dia", e aos "olhos da Lei", trata-se de alguém que infrigiu a lei, e em alguns casos várias leis. Não percebo bem o porquê desta "segmentação". Mas quer-me parecer que alguém a paga...Num momento qualquer.

Com muita pena minha, não consigo ter um sentimento de comiseração pelo preso. Da mesma forma que não consigo entender a brandura da justiça em casos flagrantes. Ou o facto das condições de algumas cadeias conseguirem ser largamente superiores aquelas verificadas fora das mesmas. Ao menos há um tecto. Em alguns casos, como aqui já referi, por altura do Natal (ou quando os termómetros se aproximam vertiginosamente dos 0º C), e com anuência do Edil, os sem abrigo "podem" pernoitar em algumas estações de metro. Com as suas camas feitas com cartão prensado.

Dá que pensar.

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sexta-feira, setembro 17, 2010

"Esquemas"

A palavra "Esquemas" sugere-me imediatamente "espertalhão-das-dúzias" (ou espertalhona). Quando me apercebo que estou perante alguém do "esquemas"....fico de imediato com os sentidos alerta. E com razões para isso como se verá mais à frente.

Não é qualquer pessoa que consegue ser esquemático. Aliás, não basta querer. Torna-se necessário saber sê-lo. Posso também avançar que o ser esquemático envolve algumas premissas. Descontracção é um bom exemplo. Savoir faire é outra. Determinação na assumpção da inocência se o "esquema" fôr descoberto. E ainda algum bom humor nesta última, que poderá tornar ainda mais ridículo o cenário já de si mau.

Como habitualmente, é óbvio que este vosso escriba já passou por algumas situações peculiares. Posso também afirmar que até hoje, só único esquema que me correu bem. Teve lugar há uns largos anos, na Feira da Ladra, quando consegui vender uma revista de alta fidelidade na pelo mesmo preço que a tinha comprado. Teriam passado uns 3 meses. É claro que esta minha feliz e bem sucedida transacção comercial me garantiu uma perspectiva optimista da realidade, bem como a tenacidade e força para apostar noutros esquemas.

Volvidos alguns anos, por altura de um exame na faculdade, (numa altura em que o estudo não era abundante), decidi pôr em prática este meu dom. Para tal, arrumei criteriosamente as "minhas tropas" na sala onde iria ter lugar a prova. Quer por filas, quer por corredores. Nada foi deixado ao acaso. No final, e na minha sábia lógica, todas as perguntas iriam "desaguar" na minha carteira, sendo que obviamente estaria estrategicamente posicionado para tal. Importa referir que para que esta organização pudesse ser efectiva, era necessário solicitar a um funcionário da faculdade que amavelmente abrisse a porta da sala. Umas 4 horas antes do início do exame...

A espera para o início do exame foi invariavelmente longa. Conversa à porta do edifício, muitos cigarros fumados, e jogos da "espadinha" e "copas". Actividades que promovessem a descontracção dos cábulas, portanto. Chegada a altura do exame, e após estarem todos os examinandos sentados, o Professor rapidamente percebeu o enredo da coisa. Como se alguém lhe tivesse indicado quem era o "Comandante das tropas", pediu-me antes do exame ter início para ocupar o lugar disponível na carteira sita em frente à mesa dele. Parece-me líquido que se perceba que não demorei mais que o tempo regulamentar para desistir do mesmo e entregar a folha de resposta em branco.

Há mais situações do tipo. Em que a "terceira-Lei-do-Murphy" esteve sempre presente. Percebi portanto, e ao longo dos tempos, que não sou uma pessoa dos esquemas. Ainda que reconheça que há pessoas que nasceram com esse dom. A quem as coisas correm de feição. Contrariamente ao que comigo acontece quando penso demasiado nas coisas.

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quinta-feira, setembro 16, 2010

Dupla personalidade

Cada dia que passa e acredito mais que a teoria da dupla personalidade existe. Seguindo uma linha de pensamento segundo a qual as pessoas que conhecemos são uma coisa e afinal fazem tudo ao contrário. Sem razão aparente. E quando menos esperamos.

Em tempos abordei neste espaço, en passant ,o tema da dupla personalidade. Quando  escrevi sobre a bipolaridade. Se nesses casos concretos há um quadro clínico associado e que sustenta uma alteração brusca de humor e/ou forma de estar ou agir, nos casos das pessoas ditas "normais" o exercício mostra ser bem mais complexo que aquilo que possa parecer à primeira vista. Porque não há uma razão concreta ou que justificativa para determinadas atitudes ou comportamentos.

Nos últimos tempos tenho experimentado viver com pessoas que me mostram ter dupla personalidade. Feliz ou infelizmente, vou ganhando consciência do quão perigosa se pode tornar esta realidade. A generalidade das pessoas, (e quero acreditar que não o fazem propositadamente), têm atitudes, posturas e gestos que em nada as dignificam. Têm falhas para comigo. Eu também as terei, é certo, mas tenho consciência de quais são. E porquê as cometo.

Não raro, dou comigo a pensar se efectivamente existirá mais que um significado ou interpretação da palavra "Amizade". Não querendo com isto avaliar ou criticar certas pessoas, entendo que são as pequenas coisas, as tais coisas pontuais que acabam por "minar" uma relação de vários anos. E tenho toda a legitimidade para escrever isto, porque ninguém, que eu considere Amigo (a) se pode queixar da minha incondicional e verdadeira entrega. Mas posso assegurar que já perdi bons Amigos por erros continuados e cometidos por parte dos mesmos. E por adoptarem uma postura incorrecta para uma "instituição" que é a Amizade.

A situação assume contornos um pouco preocupantes quando as pessoas não dão conta de "encarnarem outra personalidade". Em tudo antípoda à normal. A não tomada de consciência e consequência da não reflexão regular sobre o que acontece no dia-a-dia, o não perceber os "sinais" dados por quem está próximo, leva a que, quando se ganha consciência da verdade, a pessoa só pode ficar atónita. O que tem a sua piada, por vezes, porque a ideia de existirem universos de vida paralelos ganha forma. E que as "tais" pessoas viverão algures num desses também.

Adoptar uma dupla personalidade é algo que não se faz de propósito. Como referi acima, a bipolaridade mostra exactamente isso. Poderá ser algo associado a um quadro clínico (desejavelmente acompanhado clinicamente). Por outro lado, a dupla personalidade poderá  emergir no dia-a-dia. Com toda uma série de "hipotecas" e negligências que são feitas, podendo passar pelas não reflexões, pela não percepção dos sinais de pessoas próximas, bem como toda uma série de coisas que "são-para-os-outros-fazerem-que-eu-não-preciso-de-me-preocupar". Há sempre algo mais importante. Até ao dia. Em que uma tal pessoa mais próxima se cansa. E "bate a porta".

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quarta-feira, setembro 15, 2010

Enxaquecas

A mais velha desculpa do história da humanidade para "aquilo" que sabemos.. Da mesma forma que há a "a mais velha profissão"..há também a "desculpa mais velha". Sendo que é desejável que não exista uma relação... Ou a estatística dos "desempregados" iria aumentar ainda mais.

Conheço alguns casos crónicos de pessoas que sofrem de enxaquecas. Li há algum tempo atrás, que a incidência das enxaquecas tem uma expressão significativamente superior no sexo feminino. As razões estão à vista: o tão conhecido e famoso ciclo menstrual. Poderá acontecer que o problema seja amenizado quando a mulher entra na menopausa, consequência de uma menor actividade hormonal. Reforço que não sou eu quem defende esta teoria. É a comunidade científica.

Há uma diferença abissal entre a "banal" cefaleia (vulgar dôr de cabeça) e uma enxaqueca. Enquando que a dôr de cabeça pode (e desaparece na maioria dos casos) com uma aspirina, com a enxaqueca tal não é possível. Diz-me quem padece deste mal que são dores fortíssimas. Um pouco oomo que se a cabeça fosse explodir e pulverizar-se na atmosfera. Existe histórico de ocorrência naquelas alturas que mencionei acima (menstruação), embora também possa ocorrer fora dessas mesmas alturas. Naturalmente que também há ocorrências no sexo masculino.

Não obstante ser predominante em qualquer um dos sexos, importa o acompanhamento médico. Há casos em que pode resultar em AVC´s, ou outras consequências perigosíssimas e irreversíveis. Sugerem-se dietas mais equilibradas, exercício físico regular e uma actividade profissional mais regrada (no caso dos workaholics). E....ninguém está livre de ter uma enxaqueca.

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terça-feira, setembro 14, 2010

Fatalismo

Nos dias que correm, adoptar a corrente fatalista passou a ser um "lugar comum" para muitos dos portugueses. Quero com isto dizer que é fácil, não custa ser fatalista, e seguir a corrente de pensamento pessimista/fatalista. Na generalidade das pessoas, esse é o sentimento que impera com o que se vivencia actualmente.

Não ajuda o "exemplo vindo de cima", de quem manda. O não estímulo do Governo relativamente à dinamização do investimento nacional faz com que o valor percentual relativamente aos desempregados aumente diariamente. Os mercados asiáticos e do Norte da Europa "piscam o olho" ao tecido empresarial português com valores de mão-de-obra ridiculamente baixos e quando comparados com o praticado por cá. O valor recentemente avançado de 60 mil milhões de euros colocados em offshores fazem-me reflectir e pensar que escolhi a profissão errada. Ou que há muito devia estar a viver num Principado. Não sei porquê, ocorre-me de repente o Mónaco... Para quem não entendeu o alcance da última frase, refiro-me a dinheiro que sai de Portugal, e é colocado em paraísos fiscais, para não ser objecto de tributação fiscal (pagamento de impostos). Sem comentários.

Não havendo um "Norte" para este povo desde sempre habituado a feitos gloriosos e de inigualável coragem, é lógico e normal que tenha lugar ou se instaure o fatalismo. O típico fatalista é aquele que baixa os braços perante a apatia e inércia por parte "do sistema". É aquela pessoa (como tantos outros milhares), para quem o Estado não tem resposta relativamente a uma ocupação profissional. É aquele estudante que não foi devidamente informado e entrou para um curso superior que tem saída profissional no Azerbeijão. Entre outros tantos exemplos. Já passei a ideia...

Importa pois que haja num momento próximo, uma lufada de ar fresco. Um balão de oxigénio. Algo ou alguém que "tome as rédeas" deste barco e nos conduza a bom porto. Basta de "desnorte" e de brincadeira. Basta de experimentação de modelos inadequados à nossa realidade. Basta da "roleta russa" que continuamente tem vindo a ser pedida aos portugueses. É compreensível o discurso fatalista de algumas pessoas. Da mesma forma que se percebe a não existência de forças para tentar mudar a realidade, quando a mesma, de si, já é tão má. 

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segunda-feira, setembro 13, 2010

Desprezo

Começo a reflexão de hoje dizendo que não consigo sentir desprezo por ninguém. Por mais que me esforce e digo isto do fundo do meu pobre e cansado coração. O sentimento de desprezo parece-me demasiado mau e sugere-me uma série de sentimentos que nunca senti ou julguei capaz de sentir.

Desprezo é ainda mais profundo que a indiferença. É o não reconhecimento de qualquer importância ou valor a alguém. E mostrar isso publicamente a terceiros. É humilhar esse alguém e fazendo com que a pessoa em causa se sinta pior que um rafeiro que pede comida a um desconhecido. Nunca senti o desprezo na pele , mas já estive por perto de pessoas desprezadas. Posso adiantar com segurança que o cenário não é de todo bom.

Tenho defendido ultimamente que urge que as pessoas criem mecanismos de defesa autónomos. Chamo igualmente a atenção para o facto de não ser bom, ou desejável a subjugação. Por outras palavras, a aceitação de determinadas coisas que fazem com que a sua vontade se anule ou possa anular, em função da vontade do (a) parceiro (a). Piora tudo quando a parte que está na "mó de cima" entende apimentar / endurecer o "jogo", e cruelmente introduz na equação a tão perigosa e insuspeita variável do desprezo.

Os danos, a jusante podem (e são-no, na generalidade das vezes) irreversíveis. As sequelas que ficam, no pós-relações, são muitíssimo profundas. As máximas do "o último-fecha-a-porta" ou "deixa-estar-que-eu-pago-o-pato"..aplicam-se integralmente. O esforço que tem de ser feito para compreender, aceitar e ajudar alguém nestas condições..é enorme. Nem sempre é uma tarefa fácil. Não é qualquer pessoa que tem paciência, entende e quer ainda assim apostar em algo. Mas como quem corre por gosto não cansa...

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domingo, setembro 12, 2010

Feitios

Há variadíssimos tipos de feitios. Os mais dominantes, os menos dominantes, os mais presentes, menos presentes, mais sensíveis, menos sensíveis...etc. Quero acreditar que não existem maus feitios, como por aí se costuma apregoar. Há sim pessoas com feitios "especiais". Que carecem de algum tempo para conhecer, para explorar. E no fundo, alguma razão as levou a ser como são. Ninguém nasce com um mau íntimo, ou com mau feitio.

Sou o exemplo vivo do tal feitio especial (que prefiro denominar em detrimento do "mau" feitio). Quem me conhece e tem a oportunidade de ler este texto sabe do que falo. Acontece frequentemente ganhar consciência que no resultado da equação do "dar / receber", o fiel da balança pende para um dos pratos - o "dar". Este é um exercício que faço regularmente, e cujo resultado é invariavelmente o mesmo. Já chateia. Piora quando tento ser como as outras pessoas, viver despreocupadamente e mudando um pouco a minha forma de estar e de ser. Não consigo. E claro, este tipo de percepção que vou ganhando, faz com que gradualmente fique menos crédulo. E as pessoas não percebem isso. Pensam ser má vontade. E não o é. 

Conhecer o feitio de alguém, hoje em dia, sugere tempo. Convivência. Dedicação. Confronto de ideias. A conclusão à qual chego, sem grande dificuldade, é que as pessoas não estão para isso. São tantos os problemas que cada um tem, que dedicar tempo para estes assuntos da "treta" é descabido. Na óptica de muita gente, é claro. Não na minha. E oiço (cada vez mais, e sendo algo que me faz revirar os olhos), ser invocada a falta de disponibilidade mental. Não há argumento mais ridículo.

Importa reter que todas as pessoas têm feitios diferentes. Os tais feitios especiais e os feitios mais moldáveis. No final, todos os feitios são "decifráveis". Assim haja tempo. E vontade  para os entender.

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sábado, setembro 11, 2010

Minorias

Em 2000, por altura da minha visita aos EUA, e numa altura em que ouvia o guia falar da história desta Nação em frente à estátua da Liberdade, percebi um dos pontos em comum com Portugal - o facto de ambos serem predominantemente povoados por minorias, e que, no final, contribuem para a identidade do País tal qual como é hoje em dia. Daí, nos EUA ser natural perceberem-se zonas predominantemente povoadas por determinadas etnias: chineses, judeus, africanos, hispânicos, etc. O mesmo acontece por cá. À nossa dimensão, claro.

Torna-se possível perceber, de há uns anos para cá, os fluxos migratórios de brasileiros, africanos, indianos, países de leste e asiáticos. Não sou, nem nunca fui contra o facto de se procurar melhores condições de vida. Aliás, Portugal ratifica em Junho de 1992 o famoso "Acordo de Schengen", que entre outros aspectos, viabiliza e legaliza a livre circulação de pessoas e bens entre países do continente europeu. Se até então, os países aderentes eram minimamente equiparados (leia-se economicamente equilibrados), com taxas de crescimento similares e realidades sócio-económicas idênticas, já em 2004 (com a ratificação do Acordo pelos países de leste como sejam a República Checa, Estónia, Eslováquia, Eslovénia, Hungria, Letónia, etc.) e em 2007 (com a ratificação do mesmo Acordo pela Roménia), as coisas mudam de figura. E claro, com a contínua entrada de cidadãos provenientes de outros países (Brasil, Paquistão, China, Japão, etc), para os quais não há ratificação, mas há entrada das mesmas em Portugal.

Algumas considerações:

1. Embora a ratificação do Acordo ter acontecido nos anos que mencionei atrás, tal não significa que os fluxos migratórios tenham apenas acontecido a partir desses momentos. Já vinham acontecendo. O que significa que, no actual momento, e tendo em consideração que são muitos os imigrantes que cá estão de forma  ilegal, não há números exactos. Nem tampouco os censos regularmente efectuados reflectem esse eventual e mais que certo desvio. Como é lógico, baseiam-se em dados facultados pelos orgãos centrais (eg: Arquivo de Identificação), o que sugere legalização, o que nem sempre acontece;

2. Taxa de criminalidade. Se as coisas estão mal para os portugueses, não estarão melhores para aqueles que  para cá vêm em busca de melhores condições de vida. Assim sendo, há "lugares comuns" para determinadas minorias. Em especial, e sem generalizar, há um tipo de crime violento tipicamente associado a pessoas do Leste da europa, em (diz-se que em consequência da sua preparação física/militar), há o "roubo comum" desde sempre associado aos ciganos (Roménia) e africanos. Não significa isto que o português não continue a cometer o seu roubo. Significa que há variáveis novas;

3. O comércio tradicional português (eg. drogarias, mercearias), está ameaçado. Com o aparecimento de lojas chinesas em todo o País, laborando 24/7, as lojas específicas para africanos (Margem Sul), cabeleireiros igualmente destinados para africanos, a famosa zona do Martim Moniz com o comércio (e frequência) dos indianos, marcam uma diferença que há uns anos não era perceptível. As necessidades eram diferentes;

4. A precaridade das condições de trabalho é gritante. Mais ainda quando existe o binómio "ilegalidade associado à mão-de-obra não especializada". Não raro, e infelizmente, têm lugar os acidentes de trabalho. Parece-me lógico, e do senso comum, que um acidente de trabalho com um trabalhador ilegal é um evento que nunca terá um desenlace favorável para o mesmo. Ou para a sua família (se, como acontece em alguns casos, acontecer a morte). Os mecanismos de inspecção (eg: Inspecção do Trabalho e Autoridade para as Condições do Trabalho) e de controlo dos fluxos migratórios (eg: Serviço de Estrangeiros e Fronteiras) não têm mãos a medir. Têm falta de pessoal para fazer face ao trabalho. E que tende a aumentar. No final, perspectivo que a situação se agrave. Há cada vez mais pessoas a entrarem em Portugal, sem nada (leia-se emprego) em vista, e sem que haja um controlo efectivo desta realidade. A jusante, e com condições de vida manifestamente deficientes, terá lugar a submissão e aceitação de qualquer condição de trabalho (sendo que o empregador se aproveita desta realidade).Baixos salários (quando os há), não há descontos para a Segurança Social, não há descontos para os cofres de Estado. E alguém paga a factura...os cidadãos que trabalham;

5. Constrariamente ao que se possa pensar, a coexistência de várias etnias ou minorias no mesmo espaço físico / geográfico, nem sempre é pacífica. Nem em Portugal (ninguém quer morar ao lado de uma comunidade de ciganos), nem em lado algum. Mostra-nos o histórico que os portugueses são frequentemente alvo de injúrias e ofensas verbais em países como Luxemburgo, Irlanda, Alemanha e França. O Alcino Monteiro teve o azar de nascer africano e foi espancado  até à morte por skinheads em Junho de 1995. Existem grupos neonazis em Portugal, sendo que as autoridades têm conhecimento dos mesmos, quem são os "mentores" e já têm sido feitas rusgas e interrupções de reuniões destes grupos, que são sempre agendadas de forma secreta. Importa reter que a escalada de criminalidade associada a minorias (eg: africanos) e recorrentemente circunscritas (eg:Linha do Estoril), faz com que possa haver alguma agitação nas bases das células dos grupos extremistas neonazis. Ou seja, face a uma acção não visível por parte das autoridades competentes, há quem entenda que a justiça possa eventualmente ser feita pelas suas próprias mãos. Daí ao motim é um passo. Curto.

6. Colapso do sistema de segurança social. Como se sabe é inevitável. Faz-me alguma confusão como é que se perpetua a inépcia relativamente ao que menciono em 1. Havendo um controlo deficiente de pessoas (quem está / não está legal), é lógico que aquando do apuramento de custos, no momento em que são feitas contas do que se gastou, os valores sejam díspares. Nunca ouvi até hoje uma sustentação deste facto por qualquer Executivo que fosse. Era a morte política, como é óbvio. Seria o assumir que o "sistema" tem falhas gravíssimas e que não há a dotação de mecanismos de controlo eficazes. E que é preferível "pagar a factura" levantar muitas ondas. Meus amigos e amigas, este é o caminho errado. É o continuar a "enfiar a cabeça na areia";

7. Espanha e França começam a mostrar alguma impaciência. Os sinais são óbvios e sem dúvida alguma passaram a ter expressão. Os motins. O descontentamento das minorias com o não reconhecimento por parte dos respectivos Executivos da precaridade das condições de trabalho / vida. A "não abertura" não negociação das mesmas. Relembro que em Portugal, há uns anos atrás, o actual dirigente de um partido de direita, no Parlamento, defendeu que só deveria entrar em Portugal quem fizesse prova de subsistência (eg: contrato de trabalho). Foi "carinhosamente" denominado de "Le Pen", conhecido por ser defensor da mesmíssima política em França.

Muito mais ficará por dizer e alusivamente a este tema. Este é daqueles temas que tem  "pano-para-mangas" e que urge discutir em sede própria e pelos orgãos decisores próprios. Sou de opinião que Portugal vive momentos complicados. Se já o são para os que cá estão, mais serão para aqueles que para cá vêm enganados. É um pouco como ter um bolo com as fatias cortadas. E contadas. E num dado momento aparece alguém que não tendo sido convidado também quer uma fatia. E não há mais fatias. E aparece a fome...

Sem mais comentários.

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sexta-feira, setembro 10, 2010

Ténis Sanjo

Homem que é Homem teve um (ou mais pares) de ténis Sanjo. Confesso que tive vários. Todos os modelos existentes na altura. Deste as clássicas sapatilhas totalmente brancas, passando pelas sapatilhas brancas e pretas (bicolores), botas totalmente brancas e pelas botas brancas e pretas (iguais às que estão na foto).

Em meados da década de 80, os ténis Sanjo "deram cartas" cá no Império. A febre dos All Star ainda não tinha tido lugar, e marcas como a Nike e a Adidas eram abusivamente caras e fora da generalidade das bolsas. Assim sendo, e aproveitando esta janela, a marca portuguesa explorou (e bem) o nicho de mercado. Para quem usou este tipo de calçado (e só me dirijo à facção masculina, na medida em que qualquer-mulher-que-tenha-usado-ou-gostado-destes-ténis-só-pode-ter-tido-um problema-grave-e-profundo-com-a-afirmação-da-sua-sexualidade), sabe o quão confortáveis eram estes ténis, inclusivè, e na altura com "dois olhais" metálicos para respiração dos pés situadas nas "laterais interiores" dos sapatos e uma palmilha que conferia um comforto inigualável, e claro, já para não falar da borracha vulcanizada. Avanços tecnológicos ímpares para a altura.

Ter uns Sanjo, naquele tempo, era conhecer o bom, e porque não, mostrar à sociedade que a aposta nos produtos nacionais era a acertada. Consciente dessa inequívoca realidade, e não destoando do padrão de moda da época, conscientemente deixei-me ir na onda. Estimei, em abono da verdade, os meus vários pares de ténis da marca Sanjo. Sempre limpos, atacadores imaculadamente brancos, e, admito que foram pares de ténis que nunca me deixaram ficar mal. O sexo oposto sabia que quem calçava Sanjo sabia o que tinha nos pés.

Volvido estes tempos áureos para a fábrica dos Sanjo, e inevitavelmente, surgiu a incontornável moda dos Nike e dos Adidas. Os culpados são óbvios: parabólica e exibição dos jogos de basket. Refiro-me à década em que todos os lares portuguesas tinham uma antena parabólica. Para ver o que acontecia no Dubai e em Newark. E claro...toda a mediatização feita por estas marcas nos canais estrangeiros.

Torna-se óbvio que os portugueses não podiam ficar indiferentes a tão bem montada mediatização das marcas, e tornaram-se fãs. Como sempre, é de bom tempo ser o percursor de determinadas modas ou correntes. E surgiu o boom de vendas em Portugal de marcas marcas mais ligadas aos desportos norte americanos, e em especial, Nike, Adidas e Converse. Um pouco mais tarde, tem lugar o caso de estudo All Star. Atrevo-me a dizer que quem não teve um par de All Star em meados da década de 90, viveu nessa altura dentro de um armário, sem ligação ao mundo exterior. Os All Star foram, a dado momento, uma descontraída forma de estar na vida. Tranquila. Havia disponível um leque variadíssimo de cores, oscilando entre o branco e o preto. Imagine-se a amplitude de cores disponível!

Assim sendo, e contra oponentes tão fortes, com uma disseminação tão forte, consequência de políticas de marketing fortíssimas, além de ser direccionada para ambos os sexos (os All Star também foram muitíssimo bem aceites pelo mulherio), os Sanjo perderam sem dúvida o chão. Foi então altura da marca nacional direccionar e focar a sua atenção para o tradicional. Para "alguém" que não seguisse modas. Que se paute pelo conservadorismo e cinzentismo. Assim se pensou e assim fez. E aconteceu um dos casamentos mais bem conseguidos da História do mundo: Sanjo e Forças Armadas. Volvidos vários anos relativamente à primeira vez que tinha calçado pela primeira vez um par de botas Sanjo, as clássicas bicolores pretas e brancas, eis que na entrega do fardamento, na Academia Militar, fui ofertado com um par de ténis Sanjo, brancos. Foi um momento único e que jamais esquecerei.

Também percebi rapidamente que ténis Sanjo e exercício físico intenso são palavras que não "jogam" na mesma frase. Ou melhor, até podem "jogar", mas para quem tenha a pele dos pés tipo cimento. No meu caso, ganhei dolorosas bolhas nos primeiros tempos de uso por lá.

Presentemente, dou conta de uma onda "revivalista" de alguns ícones que se perderam no tempo. Um deles, é "repescar" os ténis Sanjo. Pessoalmente, acho que "já era". Calçar uns ténis Sanjo hoje, nos dias que correm e com o padrão de moda actualmente vigente, é um pouco como que....optar por deixar crescer o cabelo, o bigode e envergar umas "calças-com-boca-de-sino". Parece-me descontextualizado. Mas houve um tempo em que não foi. Eu sou desse tempo.

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quinta-feira, setembro 09, 2010

Ameaças

Sempre defendi (e continuo a defender) que é preciso que alguém seja corajoso para fazer uma ameaça. Ou no mínimo, saiba as consequências que a ameaça pode ter do "outro lado", ou seja, de quem é ameaçado.

Aqueles que ameaçam por norma receiam alguma coisa. Têm o "rabo preso" como se costuma dizer na gíria. Esquecem-se também do fenómeno extraordinário que dá pelo nome de "telhados de vidro" e por vezes aqueles que ameaçam são quem acaba por se dar mal. Das histórias que oiço, e algumas que vivi no passado, mostram que as pessoas que levam as ameaças avante, são pessoas pouco dadas à inteligência. Descuram a via do "diálogo" preferindo ou pensando que a ameaça terá um efeito impactante forte e que terá como consequência uma reacção imediata. Não existe uma correlação linear entre estes aspectos, ou seja, uma coisa não implica obrigatoriamente a outra.

Comigo, as ameaças que me fizeram "morreram à nascença". Por outras palavras, pecaram por ser pouco sustentadas e as pessoas que as fizeram, de uma forma ou de outra, perceberam o erro. Não foi necessário a "paga" na mesma moeda. Apenas e só mostrei, de forma paciente (atípico em mim) e lúdica que a razão estava do meu lado. E que as ameaças não faziam sentido. Ou que não seria esse o caminho a seguir.

Talvez seja este exercício de introspecção que faz falta fazer a muito boa gente. Ou perceber que o (a)  visado (a) pode não ser uma pessoa razoável e paciente. E que pode responder usando uma forma desproporcionada de força. E que não raro dá mau resultado.

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quarta-feira, setembro 08, 2010

Esteróides

Todo e qualquer homem (e algumas mulheres) anseiam ter um corpo tonificado ou esbelto. Disto não tenho qualquer dúvida. Por outras palavras, corpo sem "proeminência" (barriga), sem as tão faladas estrias nas pernas ou braços, sem as incómodas e inestéticas "cascas de laranja" ou a tão temida pele partida. Passou a fazer sentido usar-se o verbo "tonificar", ou submeter-se a um programa qualquer de um desses ginásios que por aí não faltam, e resolverou ir resvolvendo tudo isso. Com suor. Com dedicação. E sobretudo com força de vontade para cumprir a obrigação de seguir o plano / programa na moldura temporal previamente definida pelo instrutor. Este será o procedimento correcto.

Há naturalmente, e à boa maneira "tuga", a forma de contornar o esforço, e acelerar resultados que se pretendem. Não é de agora. Há muitos anos que existe, e passa pela administração de esteróides. Não são mais que complexos vitamínicos / proteicos que permitem o "secar" a gordura e um aumento substancial de massa muscular em menos de nada. Logicamente, existe uma maior capacidade de treino (com pesos superiores), e que, associado a um plano de exercício caracterizados pelas poucas repetições/ mais peso/menos repetições, os resultados acontecem em 3 semanas. Mesmo antes de se começar a ir para a praia. Como aliás é de toda a conveniência.

A grande desvantagem destes produtos, comercializados sem que exista um controlo nos balneários dos ginásios, são os chamados "efeitos colaterais". Problemas cardíacos (mais e maiores solicitações ao coração), voz alterada (mais fina neles e mais grossa nelas) e aumento da superfície pilosa no sexo feminino (eles rapam). O que não deixa de ser curioso. Ver alguns "porta-chaves", com mais músculo, menos mamas e voz mais grossa que eu. Delicioso.

O esquema montado, de comercialização destes produtos, não é alvo de grande atenção por parte de quem de direito. É preciso acontecer um azar para que as pessoas "acordem para a vida"....Por vezes tarde demais.

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terça-feira, setembro 07, 2010

Heranças

Mais (entre tantos outros) motivo de discórdia entre as famílias. Envolve a "guita", ou o  "faz-me rir", ou "graveto" ou ainda "aquele-que-não-ajuda-mas-dá-algum-jeito-ter".

Se por um lado as coisas são facilitadas quando há um testamento, por outro lado revelam-e mais complexas quando o mesmo não existe, e há disputa da maquia em causa. No caso das heranças que se sabem ser dos milionários, há o costume de aparecerem familiares que sempre moraram longíssimo e que vêm manifestar o sentido pesar. E também filhos de famosos que fizeram vasectomias....

Em todo o caso, a herança significa que alguém que "partiu" se lembrou de nós. E esse alguém (assumindo que não deixou como heranças as dívidas contraídas em dívida) lembrou-se daqueles que lhes foram queridos durante a vida, sendo tal reflectido no testamento.

Dou comigo a pensar se algum "zilionário" do Brunei  se vai lembrar de mim, por altura da sua última viagem.....para o além.

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segunda-feira, setembro 06, 2010

Sexto sentido feminino

O grande inimigo do Homem...A também conhecida intuição feminina ou "o 6º sentido". Acredito tanto no 6º sentido feminino como na possibilidade do mundo acabar amanhã às quatro da tarde. É uma fraude. Uma falácia. Uma mentira que tem vindo a ser continuadamente perpetuada na História da Humanidade.

Existiu alguma "iluminada" que se lembrou de dizer que tinha descoberto ou sentido algo através de uma percepção "extra" sensorial. Uma amiga dessa "iluminada", também ela não devendo nada à inteligência, difundiu a informação que teria sido descoberto o "6º sentido". Até aos dias de hoje perdurou essa crença.

Nos dias que correm, muito se fala da intuição feminina. Aliás, é o quase que um "lugar comum" nas várias conversas que oiço. Especialmente nas mulheres que são amigas de outras mulheres que descobriram que o marido ou namorado andava a "regar-a-salsa-da-vizinha". Esta percepção não é de todo diferente da percepção masculina. Desenganem-se as mulheres que pensam isso. Basicamente, trata-se da percepção das coisas por parte das pessoas sensíveis. Não tem nada que ver com percepções "extra" sensoriais desenvolvidas, mas sim com a sensibilidade ser mais ou ser menos apurada. E para isso não é preciso ser homem ou ser mulher. É preciso ser sensível.

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domingo, setembro 05, 2010

Acordão Casa Pia (03SEP2010)

Pouco se me oferece dizer relativamente a este tema. Em resumo, mantenho o que já aqui tinha opinado há uns tempos atrás.

Fui defensor acérrimo da máxima do "onde há fumo há fogo". Desde o início deste processo. De pouco valeu. Quando toda a gente me achava demasiado crédulo e optimista....eu sempre defendi que este processo mediatizado de forma gigantesca, iria marcar a mudança de rumo. E claro que "morri na praia". Sozinho e com as minhas crenças defraudadas. Percebi também outra coisa no nosso sistema judicial. Por muitas provas que existam e que apontem inequivocamente para um determinado suspeito, há sempre formas de "fintar" a lei. E claro..há as fintas que culminam golo e a vitória de uma equipa..e antipodamente há as fintas que ditam a derrota da equipa fintada. 

No caso, os jogadores são os advogados de defesa dos arguidos. Aqueles que usualmente são pagos para fintar marcar os golos. Moram na Quinta da Marinha e almoçam no Eleven. Do outro lado, os "outros" advogados de defesa. Da equipa perdedora. Moram no Barreiro e almoçam um pastel de bacalhau e um galão em qualquer pastelaria de esquina. Não tiveram a sorte de ter um nome sonante ou fazer parte de um escritório qualquer que facture milhões / ano.

Não me irei alongar muito em considerações sobre o acordão. O mesmo fala por si. Aliás, mais um a contar a tantos outros, e que me fazem desacreditar no nosso sistema judicial. Percebi o andamento que isto ía levar quando o primeiro (de todos os Juízes que já presidiram sessões deste processo) e que tinha aceite provas, decretado prisão preventiva...foi afastado do processo. Desautorizado superiormente, portanto.  Muitas foram as peripécias que o processo sofreu ao longo dos 8 anos, culminando num acordão que me parece francamente aquém daquilo que seria expectável, e ainda por cima, com os arguidos na rua.

Mais do mesmo, portanto. E como já anteriormente aqui tinha avançado....incomoda-me que existam tantos lobbies neste pequeno País. E que quem sofra seja sempre o mesmo. O mexilhão.

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sábado, setembro 04, 2010

Línguas

Desenganem-se aqueles que ingenuamente pensam que a língua portuguesa é o bastante "além fronteiras". Já lá vai esse tempo.  A não ser que seja tendo em conta o País irmão, ainda assim sem que exista um grande esforço para entender o português falado, ou ainda em qualquer outra País lusófono (Brasil ou África).

Confesso que uma das coisas que mais prazer me dá é facultar a indicação de uma direcção (rua) a um turista. Que não em português. Por exemplo, a um britânico. Ou seja, em Portugal, sendo português, falo a língua de outro País. Aposto o que quiserem como o recíproco não é verdadeiro. Tente-se no meio de Piccadilly abordar alguém sobre a melhor forma de ir para o Big Ben a pé, recorrendo para tal à língua de Camões...e talvez se fique a falar sozinho, ou se receba uma moeda.

Longe vai o tempo em que a língua dos descobridores portugueses era a mais falada por esse mundo fora. Mas isso aconteceu há mais de 500 anos, por altura das Descobertas. A História mostra que o português (a par e passo com o espanhol, por altura do Tratado das Tordesilhas), esteve significativamente disseminado. As coisas não correram de feição e perdeu-se representatividade para nações mais fortes, e que naturalmente difundiram a sua língua.

O inglês é sem dúvida alguma a língua mais conhecida. Importa portanto garantir que a mesma é leccionada desde a escola primária, altura em que, como se sabe, há uma maior apreensão de conhecimentos e facilidade na aprendizagem de línguas "não nativas". Tive oportunidade de perceber que estando fora do País, o conhecimento (e domínio) da língua britânica torna-se vital. A menos que se esteja em Espanha, onde não há qualquer esforço por parte dos "nuestros hermanos" no sentido de estabelecer um diálogo que não seja no sua língua.

Aprendi também francês. Nunca fui grande entusiasta da língua de Napoleão, mas foi a disciplina em que tinha melhores notas. Comparativamente com o inglês, curiosamente. Nos dias que correm consigo perceber bem o francês, mas obviamente que me é complicado manter uma conversação.

Tenho uma relação muito especial com o espanhol. Resumidamente, não me entendo a falar. Já na compreensão, torna-se claro que entendo o que é dito, se o espanhol tiver algum tipo de deficiência mental e falar devagar. Assim que começa a "cantar" deixo de perceber. Simples. Há pouco tempo tive de entrar em contacto com Espanha. Nunca tinha tentado falar, eu mesmo, na medida em que houve sempre por perto que o fazia por mim. Uma colega minha que ouviu a minha conversa, no meu melhor espanhol, pensou que eu estivesse a falar com França, tal não era a minha dicção! Não deixa de ser importante realçar a grande comunidade hispânica com expressão ao nível internacional, e na qual se fala esta língua. Lembro-me por exemplo do eixo América Norte - América Central.

Por último, uma palavra especial para as línguas que começam a "dar cartas". Alemão e chinês. Esta última soube há uns anos que passou a ser língua opcional em algumas escolas norte-americanos. À semelhança do que acontece com o espanhol, importa também reflectir um pouco sobre o fluxo migratório dos chineses rumo aos Estados Unidos, bem como para outros destinos,  muito além da mundialmente famosa muralha. Já o alemão, é uma língua complexa (diz-me quem já aprendeu ou tentou aprender), mas que sempre me suscitou a curiosidade. Quem sabe um dia aprendo umas frases chave para ir visitar a fábrica da minha marca de automóveis preferida...em Estugarda!

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sexta-feira, setembro 03, 2010

Dívidas

"As boas contas fazem os bons amigos". Não podia estar mais de acordo com esta forma de estar na vida e que desde sempre tenho bem presente na minha mente. Há amizades que terminam por dinheiro. Há familiares que se deixam de falar pelo dinheiro. Há casais que se separam e/ou discutem por questões relacionadas com as dívidas contraídas.

As dívidas espelham igualmente o carácter do devedor, e claro, quão paciente ou "santo" será o credor. Se há pessoa que detesta andar atrás de quem deve dinheiro, esse alguém sou eu. Aplica-se quer tenha emprestado 1€ quer tenha ficado aliviado em 400€ na conta bancária. O raciocínio é o mesmo e adequado para ambas os montantes. Para mal dos meus pecados, esta minha grande preocupação não é naturlamente partilhada pelas pessoas que em alguma altura me pediram emprestados uns "cobres". Como consequência natural tenho de perder um pouco a paciência e fazer o que detesto - relembrar que me é devido dinheiro. Detesto-o fazer, na medida em que acho que é o ónus é do devedor. Só e mais nada.

A "fotografia" piora quando é o Estado quem veste a camisola de "devedor". Por vezes, e sendo ultrapassados os pagamentos a 30 dias, a 60 dias e até..."perder de vista". O que compromete severamente a subsistência de algumas PME´s. Algumas destas empresas não resistem, tendo de "atirar" para o desemprego mais umas centenas de pessoas. Seguindo o mesmo critério de cobrança utilizado aquando do pagamento das suas dívidas (eg: irs, irc, iuc, impostos municipais, etc), também deveriam haver instrumentos de fiscalização (e subsequente penalização / aplicação de coimas) para o agente Estado, tendo como justificação o incumprimento do acordado entre ambas as partes. Importa reter a importância dos pagamentos atempados por parte do Estado. Permite o pagamento dos vencimentos dos colaboradores das empresas, e claro está, custear todas as despesas subjacentes à "vida" de uma empresa.

O Estado penaliza o contribuinte pelo incumprimento das suas obrigações fiscais, mas quando são ultrapassados os prazos de pagamentos dos seus Fornecedores....não há sanções exemplares.

É triste perceber que os simples não vêm de cima. É por esta e por outras que Portugal não sai da cepa torta.

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quinta-feira, setembro 02, 2010

James Dean

James Dean personifica aquilo que quase todos os homens (e mulheres com bigode) já quiseram ser em alguma altura das suas vidas. Isto sem fugir muito à verdade. Muito culpa de se considerar um "marginal", com as suas próprias leis ou regras.

Há curiosidades um pouco mórbidas relativamente ao James. Era masoquista. Após ter tido um acidente de viação que se revelou fatal, soube-se que tinha prazer em ser o "cinzeiro humano". Oferecia o seu peito e pedia às pessoas que apagassem seus cigarros nele, num bar por ele frequentado em Hollywood. Este facto foi confirmado pelo médico legista, após terem sido vistas várias cicactrizes no corpo sem vida do actor.

O célebre lema de vida "Live fast, die young" preconiza muito daquilo que a juventude de hoje acaba por seguir. Sem que o saiba, o que torna as coisas ainda mais perigosas. São várias as solicitações com as quais os jovens de hoje têm de lidar, em contraponto com aquilo que acontecia há uns 50 anos atrás. O lema de vida do James tinha que ver, entre outros aspectos, com a sua paixão pelo mundo motororizado, em especial pelos automóveis e pelas motas velozes, intimamente associados ao seu espírito rebelde.

Naquele sentido, um jovem que perdeu cedo a mãe, que foi criado pelos tios e que sempre teve a velocidade presente na sua vida...só podia terminar como terminou. Ou ser bafejado pela sorte e conseguir sobreviver até ao presente momento em que escrevo estas linhas. Assim não quis o destino, e a foi a caminho de uma corrida que viu a vida fugir-lhe das mãos. James era também o tipo com azar no plano afectivo. Um menino bonito, que com o tempo foi conquistando a ribalta lá na América...mas que no final, acabava por pagar uma factura alta nos assuntos que ao coração diziam respeito. Interessou-se pelas pessoas erradas, como usualmente acontece com tanta gente.

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