domingo, outubro 31, 2010

Heranças

Este é  dos é um dos temas que gosto de falar. Não pela razão que leva a que se fale de heranças, é claro, mas sim pelo tipo de situações desencadeadas com as mesmas.

Em primeiro lugar, a questão do oportunismo. Familiares que durante a vida do(a) defunto(a) não deram um ar da sua graça, e qual aves necrófagas, ainda não tendo arrefecido o corpo no caixão, aparecem questionando o momento da abertura do testamento. Acho piada e não deixa de ser sintomático que venha por parte de mentes menos escrupulosas, assim como se constata que é cada vez  mais frequente.

Em segundo lugar, a preocupação do Estado. Como se não bastasse, e após uma vida de contributiva (desejável) de quem parte deste mundo, também no momento da morte, o Estado pede mais um pequeno esforço ao contribuinte. Ou a quem herda. Trata-se de algo simpático, necessário para engordar os cofres do Estad e fica sempre bem honrar o compromisso contributivo. Mesmo na altura da partida.

Regra geral, associa-se a herança a algo "bom". Ou por outra, à oferta de algo, que pode ser (ou não) valioso. Ou simplesmente à cedência de algo. Contudo, há também as heranças ou os maus legados. Das famosas dívidas. Dos tão habituais e cada vez mais frequentes problemas, que, quem cá ficar terá de resolver. Por isso...o melhor mesmo é não morrer.

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sábado, outubro 30, 2010

Parkour

Parkour para quem não conhece, diz respeito a uma moda recentemente criada, em  que algumas pessoas trepam paredes e saltam de uns prédios para os outros. Ou para obstáculos físicos, e fazem umas piruetas.

Não compreendi até agora qual é a piada. Sinceramente, por mais que tente compreender, não entendo qual é objectivo de brincadeiras que podem ter como consequência uma visita inesperada ao Santa Maria.

Em paralelo, julgo que seria aconselhável que os adeptos desta modalidade ganhassem juízo e optassem por algo mais seguro e tranquilo, como por exemplo as olimpíadas da matemática. Ou um curso de iniciação aos tapetes de Arraiolos ou outro curso que verse as técnicas avançadas de reprodução do esquilo dos bosques domésticos.

Com tanta coisa interessante para fazer..havia de alguém lembrar-te de andar aos saltos nos prédios e paredes. Haja paciência.

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sexta-feira, outubro 29, 2010

Simplicidade

Nos dias que correm, cada vez mais valorizo a simplicidade nas pessoas. Uma pessoa simples é alguém que vive bem consigo mesma, com o que tem, e entende que tudo o que vier por acréscimo é lucro. É bem-vindo.

São poucos os casos das pessoas simples que conheço. Por variadíssimas razões e contigências da vida, é cada vez mais raro encontrar pessoas assim. A tendência é mesmo o azedar, o que não deixa de ser sintomático e natural nos dias que correm. Com as dificuldades do dia-a-dia, com as eventuais falhas daqueles que consideramos nossos amigos...a simplicidade já era. E surgem então as personalidades mais complexas.

A simplicidade também pode ser conseguida, com o tempo,  é óbvio. A prioritização das coisas, o valor que é dado às mesmas, no dia-a-dia, e a forma como se lida com as adversidades quotidianas, poderão, na minha opinião, ser variáveis importantes a considerar.

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quinta-feira, outubro 28, 2010

Orçamento de Estado - Negociações Fracassadas

Sem dúvida um dos momentos mais tensos da actual cena política. Com diversos episódios dignos de novela, o Executivo tem em mãos uma das piores "prendas" desde sempre. E cujo desenlace poderá ditar a sua continuidade ou não. Na minha opinião será o "princípio do fim". Agora mais evidente.

Ouvi há pouco na rádio que numa sondagem encomendada à Católica, o PSD ganharia hoje ao PS. Não estranho esta notícia. Mas assim não ganharia com maioria absoluta. Desde Junho deste ano o actual partido no poder caiu 8 %. É bastante. É o sinal do descrédito e naturalmente do cartão amarelo (e cada vez mais encarnado) que os portugueses mostram ao Governo. São muitas as medidas impopulares que têm vindo a ser tomadas, e sinceramente, não vejo uma explicação lógica e cabalmente justificativa de tal. O que é grave e evidencia a utilização de "filtros" por parte do Governo na passagem de informação para o exterior.

O que aconteceu na Grécia há uns tempos atrás deveria ter servido como mote orientador e impulsionador de uma nova política económica em Portugal. Devia nesse momento ter sido feito um paralelismo com a nossa realidade, como aliás foi defendido por antigos ministros das Finanças, e que no meu entender, têm opiniões conceituadas, válidas e percursos académicos ímpares.  Assim não aconteceu. Alguns "doutos" economistas, bem como o ilustre PR e Ministro das Finanças, avançaram com a tese de que a realidade grega seria diferente da realidade portuguesa. E cada vez mais se chega à conclusão que talvez não seja. Mais..aquilo que aconteceu na Grécia poderá acontecer em Portugal. O que se espera de um Governo é que não tenha receio de falar com abertura destas matériass. E que falem das mesmas com a profundidade que o momento merece e  expliquem aos portugueses qual é a real situação do País.

Neste momento seria desejável uma viabilização do Orçamento de Estado (OE). A questão, e comparativamente aos OE anteriores, é que desta vez existe um PEC (Plano de Estabilidade e Crescimento, versão II), e ainda uma "prenda" que atende pelo nome de "Pacote de Medidas de Austeridade". É aqui que tudo assume uma dimensão dantesca. O actual Executivo falhou em todas as promessas eleitorais. E tal facto não passou indiferente ao eleitorado. E mais...com uma postura arrogante e manifestamente insolente, foram várias as medidas castradoras e poucas aquelas que possibilitariam o melhoramente da condição de vida. E agora apresenta o tal "pacote". E quando no nome do tal pacote há a palavra "austeridade", o português olha para o cinto e vê que já nem há buraco para apertar. Há famílias que já não têm cinto...

É nesta altura que surge o PSD. O seu actual Presidente tem, habilmente, gerido a sua imagem. Não surge com frequência na comunicação social (preferindo que seja o porta-voz do partido a dar a cara - e inteligentemente preserva a sua imagem), e quando aparece, tem intervenções estudadas e cirurgicamente dirigidas ao seu adversário actualmente. Aproveitar as fraquezas do inimigo para se fortalecer. Táctica de guerra. É um pormenor que muitos não referem...e que tem que ver com o facto de Passos Coelho estar a fazer o que Sócrates fez enquanto esteve na Oposição - aproveita-se da situação em seu benefício. Não como "Salvador da Pátria", mas como alguém que pretende ser uma alternativa válida a Sócrates.

Teixeira dos Santos quase que encontrou um entendimento para que o OE passasse, com o seu antecessor, Cartroga. Contudo, um telefonema que recebeu fez com que as coisas evoluíssem noutro sentido. E fracassaram as negociações. Sem conhecer em profundidade o teor e profundidade das propostas do PSD, sei que o Ministro das Finanças afirmou repetidamente ser totalmente inflexível à negociação. E aludiu várias vezes ao défice para 2011. Como se estivesse em delírio. E até poderá estar.

Aguardaremos para ver o que nos reserva o futuro. Na próxima semana e na a seguir há dois momentos importantes de votação (generalidade e especialidade), que poderão definir de forma mais concreta o que poderá vir a acontecer. Não há grande surpresa. O PSD acabará por se decidir pela abstenção e o OE "passa". E se assim fôr...automaticamente há conivência com todas as medidas propostas pelo Executivo.

E a vida ficará mais difícil. Nada de novo.

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quarta-feira, outubro 27, 2010

Raspadinhas

O fenómeno das raspadinhas é relativamente recente. Não é algo que se possa dizer que existiu desde o princípio da Humanidade, como será por exemplo a lotaria dos Reis ou das vindimas.

Nunca aderi a esta moda. Aliás, no meu caso, tenho destinos mais interessantes onde gastar o "cacau". E nos tempos que se avizinham, o melhor é mesmo começar a amealhar. Contudo, não deixo de constatar que em tempo de crise (e logicamente), são cada vez mais as pessoas que tentam a sua sorte. Certamente e na esperança (válida, de resto) de figurar no "Top 10" dos mais ricos de Portugal. Parece-me líquido que ninguém goste de ser pobre e contar o metal para comprar o selo do passe para ir trabalhar todos os dias para a outra margem do rio. Infelizmente o que não sabem é que a raspadinha é um incentivo à despesa supérflua e um engano. E todas as semanas, contas feitas, há apenas um e um só vencedor: Santa Casa da Misericórdia.

Penso frequentemente a razão de ser pela qual, em plena crise económica, a Santa Casa da não promove um produto qualquer que incentive a poupança, em detrimento da despesa. É certo que também sei esta tramóia da raspadinha e jogos (tipo o euromilhões) tem uma dimensão ao nível europeu e não se restrito à dimensão local do nosso Império. Ainda assim, e um dia destes, conto ir à Santa Casa e ter uma conversa longa com o actual Provedor. Sei muito bem que terá todo o tempo do mundo para o cabal esclarecimento das minhas dúvidas existenciais e que com toda a certeza acatará as minhas humildes e objectivas sugestões.

Até esse momento, continuarei deliciado a ver pessoas a comprar 4 raspadinhas de cada vez, ao Sábado de manhã, quando vou ao quiosque da Dª Teresa buscar o "Sol"  e o "Público" e nada sair. Temos pena.

Nota: Aqui entre nós, que ninguém nos ouve, dá-me um certo gozo ver que nada sai...

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terça-feira, outubro 26, 2010

Autodidactas

Tenho a felicidade de ter conhecido alguns autodidactas ao longo da minha curta vivência. Para mim, em jeito de partilha com os meus seguidores (as), os autodidactas são quem efectivamente quem "dá cartas" na rúbrica inteligência.

A explicação está à vista. São pessoas que por via da necessidade ou ainda de um sentimento incessante de busca da razão de ser de alguma coisa, entendem / aprendem por si mesmos. Sem ajuda. Sem orientação. E sem dúvida que me merecem todo o respeito. Claro que não me refiro a montar uma estante para os livros da escola. Ou uma mesinha de cabeceira. Isso faço eu, enervo-me, parto parafusos e tenho de ir ler as instruções. Falo de coisas mais profundas. Falo de alguém que aprendeu as coisas sem os livros. Sem a ajuda de professores. E esse tipo de ensinamento, é obtido com a vida.

Lamentavelmente a sociedade não reconhece mérito a estas pessoas, salvo honrosas excepções. Grandes cabeças perdem-se nos anais História...e só mais tarde alguém reconhece a importância (ou não). E nessa altura é dado o valor.

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segunda-feira, outubro 25, 2010

Força de viver

Nos últimos tempos, tenho constatado que têm sido várias as provas que tenho à minha volta, de pessoas que por uma situação ou outra, quando confrontadas com "A-senhora-da-foice", conseguiram vencer a batalha.

Defendo igualmente, que à semelhança da cura para uma doença, contribui enormemente e de forma decisiva, a força de vontade de cada um. Sem isso, meus amigos (as)...nada feito. Li em tempos que as pessoas que têm o dom de conseguir ter pensamento positivo, encontrar a força e tenacidade para enfrentar várias dificuldades, conseguem vencer. A força de viver, a corrente de optimismo produzida quando experimentadas algumas adversidades, é preponderante nestes casos.

Não me vou adiantar muito mais sobre este tema. Congratulo-me (felizmente), que para os casos mais próximos de mim, houve um final feliz. Noutros casos, e lamentavelmente, a tal "senhora" levou a melhor. Acredito que, e eventualmente, por terem sido situações tardiamente diagnosticadas. Ou talvez a força de viver já não fosse tão evidente.
 
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domingo, outubro 24, 2010

Parasitas da Sociedade

Como já aqui dei a entender em tempos, se há bom sítio para morar, esse sítio é em Portugal. Bom clima, boas praias, pessoas simpáticas, bom peixe, um sistema judicial sem igual e claro, um Executivo ao nível dos melhores.

Os parasitas da sociedade para mim (e para qualquer pessoa), são aqueles que não fazem puto na vida. Acordam tarde e a más horas, preguiçam o dia inteiro e tranquilamente vão vivendo do dinheiro do subsídio de desemprego (nada fazendo para reverter essa situação). Não deixa de ser curioso que quando encontram um trabalhito "mixuruca", que os faz levantar da cama a horas decentes, conseguem estoicamente combater a vontade de ir ao instuto de emprego e formação profissional dizer que já têm algo, e deixar de receber o "bilim". Ou seja, recebe de dois lados. Infelizmente já tive conhecimento de alguns casos destes. No final, quem paga a factura, é a classe trabalhadora.

É lamentável que não exista um cruzamento de informação mais eficiente, por parte dos orgãos competentes. Que se saiba com detalhe quem é que está desempregado. Porquê? Quantas propostas de emprego recusou e porquê? Mais à frente, se fosse descoberta a tramóia, a tal dos dois "vencimentos" (receber a dízima do emprego mixuruca e o cacau do subsídio do desemprego, em simultâneo), devia o / a visada pagar com juros o prejuízo causado ao Estado e ser pintado com tinta encarnada a dizer "EU SOU CALOTEIRO".

A questão é que o próprio sistema está viciado. Falta quem tenha coragem para colocar o dedo na ferida e pôr "ordem na barraca". Um deputado (anónimo até há bem pouco tempo), diz que será complicado enfrentar os tempos duros que se avizinham...com um miserável vencimento de 3700 euros. Confesso ter alguma pena dele. Com um vencimento destes, qualquer pessoa experimentará a fome, o desassossego de ter contas para pagar, enfim...um cenário péssimo. Esqueceu-se o meu amigo deputado, de fazer uma conta de cabeça, e perceber que o que aufere mensalmente é 7,78 vezes superior ao salário mínimo nacional, sendo que, há algumas pessoas que recebem menos e vivem no limiar da pobreza.

É triste este episódio. Não sei, nem quero saber quem é o deputado. Certamente será alguém "porreiraço". É alguém que não merece o meu tempo ou consideração. É alguém que, como tantos outros, teve a infeliz ideia de partilhar a sua apreensão (e justificada, no seu entender) relativa ao mensalmente auferido. Numa altura de recessão, este tipo de partilha ou indignação cai mal. Muito mal.

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sábado, outubro 23, 2010

Hábitos

Diz-se usualmente que o Homem é um "animal de hábitos". E é verdade. Todos temos os nossos hábitos, os rituais, costumes que fazem parte da nossa vida e são, geralmente, incutidos pelos pais e mal ou bem, continuados ou descontinuados pela vida fora.

Há os bons e há os maus hábitos. Tenho um bom hábito de acordar cedo (na minha óptica, naturalmente). Gosto de começar cedo o dia. Tenho, segundo muitos, o mau hábito de não ser um fã de saídas nocturnas. Não só não tenho paciência para noitadas, como também não adoro. Aliás, para aguentar uma "noitada-das-antigas", hoje em dia, preciso de beber dois cafés. É a fórmula mágica para ganhar o "pedal" e não bocejar de 10 em 10 minutos.

Tenho outros hábitos interessantes. Locais que gosto por alguma razão (eg: restaurantes, bares, pastelarias). Gosto de frequentar os sítios habitualmente os sítios que me dizem algo. Ou passar a fazê-lo assim tenha boas referências por alguém que considera, visite os sítios e claro, goste dos mesmos. Tenho também um óptimo hábito de cultivar as amizades, ainda que comece a achar que devo ser um extra terrestre por fazê-lo. Confesso que não o faço com tanta regularidade quanto gostaria, mas gosto de saber como estão as pessoas que estimo (via telefone, e-mail, skype, msn). O que não falta são formas para o fazer. Donde..não há desculpa.

Acho que não tem interesse nenhum continuar a dissertar sobre os meus bons e maus hábitos. em jeito de conclusão, posso adiantar que estou "a trabalhar" no sentido de corrigir um mau hábito que tenho (na opinião de algumas pessoas) - e que passa exactamente por estar sempre corrigir as pessoas (quando aplicável, claro).

Já aqui escrevi que sou uma pessoa que gosta de ler bom português e de ouvir bom português. E asseguro que...me tenho controlado muitíssimas vezes!

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Emancipação

Cada se ouve falar mais na emancipação. Sobretudo nas camadas mais jovens. Contudo, entre o falar, e ser-se emancipado, vai um "pequeno-grande" passo.

Também este vosso escriba tentou ser emancipado. E tirar a carta de condução com 12 ou 13 anos. Naturalmente que lá em casa sempre disseram que sim (não se diz não aos loucos). E com a deixa "Acaba o ano lectivo com boas notas e logo falamos nisso de novo" em mente fiz o liceu todo. E só quando cheguei à faculdade, altura em que legalmente atingi a maioridade, tirei a carta de condução.

De resto, aparte de poder alugar filmes com "bolinha-encarnada-no-canto-superior-direito-do-écran" no clube de vídeo lá do bairro, poder tirar a licença e porte de arma ou entrar no animatógrafo sem ser barrado à entrada...nunca vi grandes vantagens na emancipação. São mais as desvantagens do que as vantagens. São só responsabilidades e deveres. Passa a ser necessário trabalhar-se para pagar casa, carro, escola dos putos, "pôr  pão na mesa", comida do cão, tv cabo, e por aí adiante. Depois...o pior. O alívio que tenho nos impostos. Quando chega a altura de pagar os mesmos, penso sempre que estou a pagar o meu e o de toda a gente lá da rua. Cada ano é maior a talhada e sinceramente, não deve faltar muito para que se trabalhe para honrar e cumprir as obrigações fiscais.

É também o final da adolescência, ou da "idade-do-armário". Na língua da "Her Majesty", cai o sufixo "teen", significando que se deixa se ser adolescente. Deixa de ser possível apanhar daquelas bebedeiras  que andar a lamber o chão, ou acordar às 1600H e ir para uma esplanada falar do mulherio. Legalmente, cai também por terra a questão da inimputabilidade.

No antigamente, eram emancipadas pessoas que necessitassem de tal. Irmãos mais velhos (não sendo maiores de idade) que tivessem ficado orfãos, por exemplo. E tivessem de cuidar de irmãos mais novos. Aí faria sentido e lógica que se falasse em "precipitar" a maioridade.

O problema vem quando se quer a maioridade..só porque sim.

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quinta-feira, outubro 21, 2010

Melros

Tenho um amigo melro. É a mais pura das verdades. Mesmo à porta de casa. Já o tenho visto diversas vezes, a bicar no jardim. Quando abro a porta de casa e surpreendo a sua busca de alimento (leia-se bicharada do subsolo), foge, claro.

O meu amigo melro é do mais inteligente que há. Uma vez resolvi observá-lo desde o momento em que levantou vôo e foi pousar numa árvore da borracha da moradia em frente à minha. O sacrista entrou na densa copa da árvore e momentaneamente desapareceu. Pensei eu que tivesse passado para o outro lado e se tivesse escapulido. Ainda assim, fiquei a olhar para o local onde o maroto tinha entrado. E não é que passado algum tempo, assomou um bico amarelado / laranja no sítio onde tinha entrado? Como se fosse confirmar se eu ainda estava no mesmo local?

Confesso que fiquei impressionado com a esperteza do bicho. Qualquer ave teria ido à sua vida, voado para qualquer outro destino, em busca de alimento para saciar a fomeca. O meu amigo não arredou pé (ou pata, melhor dizendo). E sei que é visita habitual do meu jardim. São várias as covas, bicadas e terra esgravatada que tenho por cá de vez em quando. E não é o Paco, não.

Lamentavelmente, há quem se divirta ou tenha prazer em matar aves. Recorrendo às pressões de ar, por exemplo. Não é uma espécie protegida, mas não faz mal a ninguém e faz parte do ecossistema, na medida em que se alimenta da bicharada que está debaixo da terra.

tenho muito prazer em ver a esperteza dos animais. Por vezes mais evidente que a de muitos seres pensantes.

Por hoje fico-me por aqui, e vou ver se vejo o meu amigo na árvore em frente à minha casa.

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quarta-feira, outubro 20, 2010

Apatia

Confesso que há algo que tem o dom de me pôr fora de mim. O sentimento da apatia. É o "fim da linha", a falta de vontade de reagir, a falta de forças.

Por via de ser uma pessoa reactiva, é natural que este sentimento mexa comigo. Um pouco como quando se circula na faixa da esquerda da auto-estrada a 100 km/H e encontramos mais à frente um carro que circula a 7 km/H. E sem grande vontade de sair. Há condutores que passam da faixa central para a faixa da esquerda com a mesma velocidade. Como quem procura um lugar para estacionar. E sem grandes preocupações no sentido de perceber quem circula a velocidades mais elevadas em faixas usualmente mais rápidas. E são perfeitamente "impenetráveis", ou seja, nem sequer se incomodam (ou vêem) o perigo envolvido na manobra. Perigosa por sinal.

É um pouco aquilo que acontece fora das estradas. Por muito que se faça "sinais de luzes", no sentido de alertar as pessoas, e de fazê-las reagir ou acordar para situações concretas e objectivas, esses alertas não são entendidos como tal. Consequência do estado letárgico e apático em que as pessoas vivem. E com tendência a "atingir" mais pessoas, tendo em linha de conta com o que se avizinha dentro em breve..... Isso é seguro.

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terça-feira, outubro 19, 2010

Orçamento de Estado 2011

A cada dia que passa fico mais extasiado com as notícias que oiço (e leio) sobre o Orçamento de Estado (OE) para o ano que vem. Ouvi ainda há pouco que enquanto se pede a contenção aos portugueses (classe média que pagam sempre o pato) aumenta a despesa do lado de quem manda no País, ou seja, do lado do Governo.

Ía-me engasgando quando ouvi que a verba contemplada no próximo OE, destinada aos seminários, publicidade e serviços de consultoria vai aumentar e que justificará o pagamento de uma factura que rondará os 600 milhões de euros. A despesa com pequenos serviços de remodelação (sempre necessária), transportes e comunicações também sofrerá alguma oscilação. Nuns casos para mais, noutros casos pouco decrescerá.

Não quero aqui e agora passar a imagem do fatalismo gratuito, nem tampouco do "arauto da desgraça". Constate-se que é a primeira vez que objectivamente foco a minha reflexão sobre algo que assola o clima de recessão económica vivido na actualidade. Não vivo bem com a derrota e vislumbro uma longa e dura batalha pela frente. Pelo caminho ficarão aqueles que errada e levianamente contrairam empréstimos num passado não muito longínquo, na esperança que as taxas de juro não voltassem a aumentar (eg: empréstimos habitação, empréstimos pessoais, carros, etc.). Mais uma vez, e como mostra a História do nosso País, será a sacrificada e habitualmente condenada classe média que terá de aguentar o barco, para que não se chegue a uma situação de carros incendiados nas ruas como aconteceu há poucos meses na Grécia e agora em França.

Não me identificando com qualquer partido político do presente momento, sei, pelos testemunhos dos meus pais e amigos mais velhos, que o preço dos bens de primeira necessidade nunca sofreram aumento na altura em que o Dr. Oliveira Salazar esteve à frente dos desígnios desta Nação. Curiosamente, o leite achocolatado verá a taxa do iva aumentar de 6% para 23%. Num País em que há um crescimento galopante e tendencialmente gravoso da obesidade na população (em especial nas camadas mais jovens), também o iva dos ginásios, ou locais para desporto, vai aumentar para os tão famosos 23% (em detrimento dos actuais 6%). Tal aumento não irá ser reflectido no vinho e nos bilhetes de espectáculos. O Ministro das Finanças disse no passado Sábado que tinha chegado o momento em que as contas ficam equilibradas. Prometo que vou pensar e interiorizar estas palavras na  tentativa de encontrar algum nexo nas mesmas.

Tenho tentado arduamente que o meu raciocínio não peque por ser tendencioso. Abstraio-me do facto de ainda há umas semanas atrás ter vindo à baila que o Governo ter concordado que a frota automóvel dos quadros superiores da empresa Águas de Portugal fosse renovada. Ou que perpetuamente sejam pagas avenças a empresas de consultoria (eg: obtenção de pareceres técnicos / estudos encomendados pelo Executivo) quando poderiam ser utilizados os recursos disponíveis nos vários Ministérios. Nem tudo é mau. Não posso deixar de ficar contente pelo facto de ainda ontem ter sido publicada em Diário da República a contratação de mais 250 funcionários públicos, contrariando uma máxima deste Executivo e que perdurou cerca de 6 anos, relativa à não contratação de mais funcionários.

Estou curioso para saber o que vão apresentar como alternativas os partidos da Oposição. Importa reter que o OE é viabilizado (ou não) com os votos do maior partido da Oposição. No caso, do PSD. Vão também ser conhecidas em breve as 15 medidas alternativas que o Bloco de Esquerda propõe que sejam adoptadas, evitando assim que o Executivo (mais uma vez) penalize os contribuintes. A ver vamos. E quão viáveis são as mesmas.

"Enquanto o pau vai e volta, folgam as costas". Enquanto o outro diz que quer dançar o tango e o seu pretenso par começa a pôr as unhas de fora, avançando a inviabilização do OE sem o cumprimento das suas condições, o País vive mergulhado numa das maiores crises de que há memória. Sem que haja uma solução à vista. Talvez não fosse mal pensado que o FMI tomasse a rédea das contas do País. Para ensinar alguma coisa a quem não é humilde o suficiente para pedir ajuda.

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segunda-feira, outubro 18, 2010

Casamenteiros

Desde que me recordo, sempre tive casamenteiros por perto. Casamenteiras, para ser mais preciso. E naturalmente que só me posso congratular com este facto. As minhas tias sempre aludiram ao facto de que "uma-sobrinha-da-colega" era muito gira e ajuizada, ou alguém desse género. Bem ou mal, sempre escolhi eu mesmo as minhas "princesas".

O "pequeno" problema foram os pares que me tentaram arranjar ao longo da vida. Pessoas que até podiamm ter um percurso de vida muito interessante e válido, mas por alguma razão, sem grande interesse para mim. Não obstante, importa "tirar o chapéu" a quem teve (ou tem) paciência para pensar nos pontos em comum entre duas pessoas, conhece relativamente bem ambas as partes e coordena esforços no sentido de fazer com que haja uma "união dos trapos".

Não me recordo de ter sido casamenteiro alguma vez. Aliás, não fui porque as pessoas que conheço orientam-se sozinhas e não precisam da ajuda deste vosso humilde escriba. Por muito boa vontade que tenha, não sou perdido nem achado nestas sábias escolhas. E até tenho amigos e amigas interessantes. Para mim, claro. Mas não é a minha vontade que conta.

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domingo, outubro 17, 2010

Cobranças

Na minha opinião, quase têm início as cobranças, tem também início o princípio do fim de qualquer relacionamento. Há uma diferença enorme entre o questionar, de forma educada e o cobrar.

A cobrança, quando assim entendida, pode ser mal interpretada, por via da forma como é feita e porque nem sempre são percebidas as razões que a sustentam. Consegue-se obter a mesma informação, colocando as questões de outra forma.

As pessoas não cobram por gostarem. Ninguém gosta de o fazer (quero eu acreditar). Na minha opinião, tal acontece derivado de eventos menos bons que tiveram lugar no passado, em relacionamentos anteriores. Ao mínimo sinal de algo fora do normal, soam os alarmes, e rapidamente é-se remetido para experiências vividas anteriormente. Vai daí, à primeira oportunidade que têm, cobram. Confrontado a outra parte com factos, horas, etc. Acho ridículo e descabido.

Como aqui já escrevi, é essencial que uma série de aspectos sejam tidos em consideração para que a relação afectiva flua normalmente e sem turbulências. Diz-me a experiência da vida que as cobranças, e de invariável minam as relações. Assim beliscam um dos pilares da relação: Confiança.

Nota: É claro que há outro tipo de cobranças. As do "faz-me rir" ou das "patacas". Mas essas deixo para o cobrador do fraque..

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Paixões de Verão

Lembro-me perfeitamente das minhas (poucas) paixonetas de Verão. Platónicas, pois claro, porque entre o estar apaixonado por qualquer uma das pessoas e passar à abordagem...ía um bocado grande.

O que é certo é que existiram. Mais intensas, menos intensas, tudo dependia da idade com que as vivi. Se mais novo a paixão era de tal forma intensa, que parecia que o mundo ía terminar, já maisvelho as coisas são colocadas em perspectiva, e passava mais depressa a loucura ou focalização.

Também é importante referir a estação do ano. Verão. A estação do ano em que as hormonas estão ao rubro. O bronzeado da praia, os jantares bem regados, o poder caminhar à beira-mar e poder observar o espelhado da lua no mar...faz com que estejam reunidas as condições para passar uns bons momentos. Na esmagadora maioria das vezes durante todos os meses de Verão.

Assim não existam terceiros envolvidos acho que não vem mal ao mundo com as paixões de Verão. Acho-as inofensivas e poderão, conquanto acordado e falado entre ambas as partes, ser algo que completa / complemente os intervenientes durante esse tempo. Ou quem sabe..depois de terminado o Verão.

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sexta-feira, outubro 15, 2010

Graffitis

Para quem não sabe, graffitis não são mais que externalizações artísticas de quem tem muito tempo livre, algum dinheiro e gosta de dormir pouco. É a única explicação lógica que encontro. Uma parede de 20 metros não se pinta sozinha e muito menos em 10 minutos. Envolve tempo. Preparação física para fugir (esconder-se quando passa o carro da polícia). Envolve dinheiro porque estas tintas são caras e vendidas objectivamente com este propósito. E claro, disponibilidade temporal (leia-se trabalhar de noite), na medida em que se arriscarem pintar a porta branca de uma garagem, talvez conheçam a dôr de um pau no lombo. Congratulo-me no entanto, e à semelhança do que acontece noutros países, que em Portugal exista um "capital humano" ligado às artes urbanas.

É certo que a classe dos artistas é recorrentemente esquecida por quem manda e quem tem o dinheiro (ou o que resta dele). Esta pequena facção, de artistas urbanos, usa como forma de contestação, e dando asas à sua criatividade, a pintura de murais, carros e mobiliário urbano. Acho alguma piada o tentar perceber o que são alguns símbolos que vejo pintados em algumas Ford Transit, e frequentemente associo a mensagens árabes entre gangues adversários. Não sei se corresponderá à verdade, mas é aquilo que me ocorre de imediato.

Por forma a usar estes artistas em s/benefício, deviam as Câmaras Municipais autorizar a pintura de prédios devolutos, concedendo uma "nova cara", até ao momento da demolição dos mesmos. Era o mínimo que se poderia fazer por estes munícipes, contribuintes zelosos da sua condição, e evitando que alguém chegue de manhã à porta da sua garagem e veja pintada a cara do Mohamed Ali ou do Martin Luther King na mesma.

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quinta-feira, outubro 14, 2010

Macacos de Imitação

Portugal deve ser dos países à escala mundial onde há mais macacos de imitação. Infelizmente, nem sempre  se copiam os bons exemplos, mas sim, e invariavelmente, os maus.

Num país onde se vive das aparências e da ostentação, em que é necessário usar o título académico para que algumas portas se abram, é normal que existam casos pontuais de pessoas que mostram uma clara dívida à inteligência - os macacos de imitação.

Os macacos de imitação são pessoas caracterizadas por não terem paciência para pensar. Como não têm paciência / conseguem pensar, optam por encontrar uma referência para copiar. Algo que seja do seu entendimento e de alguma forma facilitador das suas vidas...Afinal, pensar dá trabalho.

Constata-se que a situação actual em que o País se encontra decorre dos macacos de imitação que por lá passaram, nos sucessivos Executivos. O objectivo é delapidar e extorquir o máximo de dinheiro possível à classe média, aliviando a classe alta e esquecendo a classe baixa. Também não será complicado o entendimento de que a metodologia seguida é sempre a mesma: promessas e mais promessas eleitorais e no final....sai tudo furado.

Macacos de imitação perfeitos. Mais do mesmo.

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quarta-feira, outubro 13, 2010

Proteccionismo

Tenho-me como sendo um tipo proteccionista. Daqueles mesmo à séria. Entenda-se por proteccionista alguém que pode estar a milhares de quilómetros...mas tem sempre na sua mente os que lhe são próximos.

É indubitavelmente uma característica inata, na medida em que não me consigo retratar sem ser desta forma. Fará todo o sentido na minha idealização da instituição Família, o ser "alicerçada" pelo proteccionismo. Pelo zelo. E não é só meu, lamento informar. Vem desde os primórdios da história da Humanidade. Já na época do Homem de Neanderthal se desenvolviam ferramentas que permitissem a sua defesa bem como a da sua Família, dos inimigos / animais selvagens. Hoje em dia, e volvidos que são alguns milhares de anos, as coisas mudaram muito, mas na essênci,a mantem-se o mesmo objectivo - garantir a segurança do grupo.

É claro que esta é uma actividade que se torna extenuante. Lembro-me de uma conversa com alguém, há uns anos atrás, em que comentava que recorrentemente (leia-se ao longo do dia), faço um screening mental daqueles que me são mais queridos e avalio o quão expostos a determinado perigo poderão estar. É o proteccionismo levado ao extremo e claro... sugere um desgaste mental muito  acentuado. O meu interlocutor aludiu à incredulidade. E quando lhe confirmei que é natural em mim fazer isso....ficou um pouco preocupado.

Tenho consciência de que é algo que não se possa resolver de um dia para o outro. Também não resultará o dizer que está tudo bem. Como referi anteriormente, é algo que nasce connosco. Reconheço que há pessoas bem mais "desapegadas" e que eventualmente terão uma melhor condição de vida comparativamente à que eu tenho. Mas é a única realidade que conheço. E não lamento que assim seja.

Se podia ser de outra forma? Poder podia...mas não tinha tanta piada.

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terça-feira, outubro 12, 2010

Experiências de vida

Digo recorrentemente que estamos sempre a aprender. A todo o momento, algo que experimentamos faz com que tenhamos percepções diferentes da vida, de pessoa para pessoa, e a forma como as analisamos, será o que faz de nós pessoas diferentes.

Já vivi "alguma coisa", ou seja, foram já várias as experiências de vida que já tive. Algumas que deixaram marcas mais profundas, outras que por terem sido passageiras ou menos valorizadas por mim, não me recordo. E não tenho dúvidas que com o tempo apagar-se-ão. Memória selectiva, costuma dizer-se. Acredito nos ensinamentos que se retiram das experiências de vida, e que cada um de nós guarda para si, tornando-se mais apto e preparado para enfrentar as agruras da vida.

Tenho percebido, nos últimos tempos, que para algumas pessoas, só as más experiências de vida contam. Como resultado, e objectivamente tocando no assunto das relações afectivas, há sempre alguém que pacientemente terá de aguardar que desapareçam todos os "fantasmas" e se volte a ganhar crédito. Para que seja possível voltar a acreditar. Para que o processo de entrega aconteça de forma fluida.

O meu conselho vai no sentido das pessoas estarem "mais atentas" aos sinais. Não criarem muitas barreiras, mas também não baixar todas as guardas. Não deixar que experiências de vida menos boas "toldem" uma receptividade desejavelmente maior e que poderá fazer com que uma relação diferente, adulta e consolidada tenha início. Donde...importa deixar de vez as "âncoras"...atirá-las para longe...que é onde devem estar.

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segunda-feira, outubro 11, 2010

Deveres & Direitos

Muito boa gente não conhece o verdadeiro significado da palavra "Deveres". Mas conhece (ou pensa conhecer) o significado da palavra "Direitos".

Confesso que me irritam um pouco as máximas:"É um direito que me assiste"; "Isso não é legal"; "Vou fazer queixa à DECO"; "Vou ligar para a ASAE"; "Vou ligar para o primo-do-tio-do-sogro-do-meu-cunhado-que-é-guarda-giro-na-esquadra-de-Alcântara". É bluff. As pessoas desconhecem se realmente existe alguma lei que corrobore o que defendem. Se é que algumas opiniões são defensáveis......

Já no campo dos "Deveres", são poucas as vozes que se ouvem. Estranho por exemplo, não ouvir algo do género "Desculpe ter de desligar, mas estou a perder tempo ao telefone e quero produzir muito mais para a minha empresa"; "Que estúpido sou em ter atirado este papel para o chão. Vou apanhar todos os papéis desta rua"; "Que vergonha não conhecer o autor do Hino de Portugal. É melhor ir enriquecer a minha cultura e não passar mais vergonhas"; "Que chatice. Mais uma vez estou a pensar em pedir um empréstimo bancário. Se calhar é melhor fazer bem as contas e ver se consigo pagar".

Toda a gente fala do que tem a receber. Dos "direitos". Embora, como também referi anteriormente, poucos saibam do que falam em concreto. Falam porque alguém (nem sempre de forma correcta) defendeu uma teoria de que as coisas poderiam ser vistas de determinada forma. Dos "deveres", nem ouvir. São pouquíssimas as pessoas que de forma íntegra, vertical e honesta praticam uma vida exemplar. Que têm uma conduta irrepreensível. Que se pautam por valores elevados. Fossem todas as pessoas assim...e o País não tinha chegado onde chegou volvidos 36 anos.

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domingo, outubro 10, 2010

Fóruns da internet

Desde há alguns anos a esta parte que participo em fóruns da internet. Só relacionados com meio automóvel (entre contemporâneos, monomarca, clássicos e todo-o-terreno) estou inscrito nuns 6. Sobre telecomunicações / informática estarei registado em 2. De fotografia 1 ou 2 também. E por aí adiante.

É certo que não tenho tempo para ver todos os fóruns todos os dias. Também é certo que estou registado em alguns deles (sem contar com os dos automóveis), porque para ler os conteúdos e colocar questões específicas foi necessário em algum momento um registo. Uma forma inteligente de angariar novos utilizadores, se quiserem.

Tenho aprendido bastante com os fóruns. Há utilizadores que partilham o seu conhecimento, e assim sendo, há valor acrescentado na participação nestes espaços da internet. Contudo, nem tudo são rosas. Há os chamados utilizadores "barraqueiros". Resumidamente, são (e gostam de ser), elementos que causam perturbação na comunidade. Que causam "ruído". A voz dissonante. Só porque sim. Ou seja, nem são capazes de justificar um ponto de vista..o porquê de defenderem um ponto de vista diferente. E claro que este tipo de intervenção ou forma de estar é de evitar.

Quando comecei nestas lides tinha alguma dificuldade em lidar com os barraqueiros. Tenta-se ter uma postura vertical, íntegra, adulta..e vem um destes acéfalos estragar tudo. Por vezes escrevem impropérios, são mal-educados, já para não mencionar que nem sempre sabem escrever correctamente.

Hoje em dia adoptei outra postura. Coloco as minhas questões e espero obter resposta de uma ou duas pessoas. Assim que as tenho, tiro dali o sentido. Porque sei que a dada altura os barraqueiros não vão concordar com a resposta dessas mesmas pessoas. E a partir daí tem lugar o "bate boca". E deixei de ter paciência para isso. E para aturar criançolas.

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sábado, outubro 09, 2010

Prémios Nobel

Não irei aqui falar da história dos prémios Nobel. Quem quiser e tiver curiosidade, terá imensa informação disponível na internet e na extensa bibliografia alusiva ao tema. Ainda assim, avanço estes prémios são atribuídos, anualmente, a cada 10 de Dezembro, altura em que se comemora o aniversário da morte do seu mentor Alfred Nobel. Trata-se de um reconhecimento público de todas as pessoas que contribuíram para o bem da Humanidade, por meio de pesquisas pioneiras, da invenção de técnicas importantes ou pelos contributos que forneceram à sociedade. Deste modo, os laureados são personalidades que durante um ano se distinguem em áreas como: a paz; a química e a física; a medicina; a literatura e a economia. 

Algumas curiosidades relativamente aos Nobel: Os nomes dos candidatos, assim como a identidade de quem nomeia, são mantidos em segredo durante um período de cinquenta anos; as medalhas dos Nobel têm o mesmo design desde 1902, ano em que foram entregues pela primeira vez, dado não terem ficado prontas para a primeira cerimónia, que teve lugar em 1901; Na cerimónia inaugural foram entregues aos laureados umas medalhas esculpidas especialmente para o evento daquele ano, tendo por isso um carácter provisório; Na história dos Prémios Nobel figuram duas personalidades portuguesas:  Egas Moniz, laureado com o Prémio Nobel da Medicina em 1949, e José Saramago, vencedor do Prémio Nobel da Literatura em 1998; Craig C. Mello, um dos Prémios Nobel da Medicina em 2006 (partilhou a distinção com Andrew Z. Fire), tem na sua família raízes açoreanas, uma vez que o seu avô paterno era descendente de açoreanos. Motivos de sobra para nos sintamos orgulhosos, na medida em que temos 2 1/2 prémios Nobel com nome português.

Em jeito de informação, cada nomeado recebe: uma medalha do Nobel correspondente à categoria pelo qual é nomeado; um diploma; um certificado comprovativo do Prémio Nobel e um Prémio monetário de 10 milhões de Coroas Suecas (SEK).

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sexta-feira, outubro 08, 2010

Sexo Verde

Li há dois dias um artigo sobre "Sexo Verde". Naturalmente que pensei em tudo, menos naquilo que realmente é.  Pensei logo em "sexo-com-uma-amiga-do-ambiente". "Sexo-com-uma-ecológica". Confesso fiquei imediatamente atento e imaginei  também vários cenários: sexo em centrais de compostagem, no meio de papel reciclado, dentro de uma ETAR e até dentro de um vidrão. As coisas que os engenheiros do ambiente pensam...

Afinal não era bem isso. Uma norte-americana, de seu nome Stefanie Iris Weiss resolveu escrever um livro, baseada na sua própria experiência sexual (e que, segundo ela, divertidissíma). O livro chama-se "Eco-Sex: Go Green Between the Sheets (Sexo Ecológico: Seja verde entre os lençóis). Só mesmo nos Estados Unidos se lembram destes temas.. E começou então a minha descoberta de um mundo que me era totalmente desconhecido até esse momento.

Versa a autora sobre lingerie feita de material orgânico e lubrificantes sem químicos. Estou tentado a escrever uma carta à "Steffie" e dizer-lhe que vou avançar com uma petição para que seja nomeada para um qualquer prémio Nobel. Dei comigo a pensar que posso fazer começar a fazer soutiens e cuecas a partir dos espigos do molho de espinafres que a Dª Rosa faz o favor de arranjar cá para casa. Evito assim o algodão na lingerie e/ou materiais inimigos do ambiente. Adicionalmente vou ter oportunidade de dar uma palavrinha ao meu amigo Ricardo e pedir-lhe uns baldes de banha pura (e da boa) que lá tem no talho...para lubrificante.

Não contente, a Steffanie vai "ainda mais fundo" (literalmente falando). Fala em colchões "de-látex-natural-e com-uma-estrutura-de-madeira-certificada". Algum dia que eu vá ao IKEA, determinado e com esta ideia em mente, tenho de falar ao ouvido do (a) colaborador (a) para mais ninguém que lá esteja oiça. Quero acreditar que a Steffie não acredita no que escreve. Só pode. Também sugestiona o leitor para que não se perca muito tempo nos preliminares, mas que se vá dar uma volta de "bicla" - eco passeio - contribuindo assim para a redução das emissões de carbono. Diz que está aí um pretexto para uma massagem nas pernas da "boneca". Não adianta é qual a distância percorrida no passeio...meia maratona? Uma maratona? É importante saber essas coisas...É uma engraçada, esta Steffie.

Os conselhos vão mais longe. E aqui tenho prestar a minha total e incondicional reverência. É que recorda os leitores que não devem cozinhar espécies em vias de extinção. Nos Estados Unidos é usual, pelo que depreendo, em encontros românticos cozinhar-se o "Panda-au-vin" ou "Filetes-de-tubarão-branco-com-batata-frita". Em alternativa, pode optar-se pelas frutas que não são geneticamente modificadas (fiquei a pensar em como estabelecer um diálogo com um morango e perguntar-lhe se é de viveiro ou cresceu naturalmente). Em jeito de confidência / marotice diz a nossa amiga Steffie que podem fazer milagres na hora "H"...Fiquei com algumas ideias..

Este tema não é inédito.  Já tinha sido abordado pela muy nobre associação ambientalista Greenpeace. Não seria outra coisa de esperar. Tenho para mim que aquela juventude quando não anda no alto mar a querer amarrar-se aos navios petroleiros anda a "fazer-experiências-a-bem-da-ciência", se é que me estão a acompanhar... Ao que parece, desde há 8 anos para cá que este tema tem reunido muitas mensagens com pedidos de esclarecimento por parte de simpatizantes da associação. Fiquei verdadeiramente sensibilizado na medida em que é mais uma responsabilidade desta associação. Bestial. Entre várias outras dicas, é aconselhado: desligar a luz antes de se dedicar a horas e mais horas de prazer nocturno e explorar o momento único no casal que é o banho a dois. Nota: Uma dica muito importante para quem gosta de "brinquedos marotos" - optar pelas baterias carregáveis.

A "cereja-no-topo-do-bolo", para mim, é o sábio conselho da associação para os entusiastas das "brincadeiras-ao-ar-livre". Recomendam que sejam verificadas as condições de segurança do local. Não pelos mirones, entenda-se, mas pelos pesticidas e herbicidas na relva. Os químicos não são positivos nem para o meio ambiente nem para o corpo humano.

Que bom é saber estas coisas.

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quinta-feira, outubro 07, 2010

Aquaparque

O caso Aquaparque, como ficou conhecido aquele que foi um processo judicial mediático e que envolveu a morte de duas crianças nuns escorregas aquáticos tornou-se o exemplo preferido da imprensa para mostrar a lentidão da justiça. O processo prescreveu (como tantos outros), mesmo com o pedido dos pais de Frederico Duarte (uma das vítimas mortais) de aceleração do processo, que foi recusado. No entanto, este processo seguiu para instâncias superiores, sendo o Estado condenado de todas as acusações que lhe foram apresentadas.

A prescrição de processos, que deveria ser uma situação de carácter absolutamente excepcional e da qual deveria decorrer o apuramento das responsabilidades, aumentou de tal modo na última década que ameaça tornar-se, se é que não se tornou já, uma rotina decorrente do mau funcionamento do sistema judicial português.

No caso Aquaparque, o Juiz de Instrução responsável foi dado como culpado na prescrição deste processo. Quando se esperava que se fizesse justiça , o Juiz foi amnistiado. Quando assim é, algo vai mal. É preponderante que exista uma responsabilização exemplar dos vários intervenientes, e em bom nome da Justiça.

Em cinco anos, entre 1993 e 1998, ficaram por julgar quase 40 mil processos por terem sido ultrapassados os prazos legais

Como podem os casos não prescreverem se os funcionários da Justiça Portuguesa têm 3 meses de férias, trabalhando apenas 8 meses por ano? Surreal. Como pode não prescrever se os magistrados não tem as mínimas condições de apoio técnico e administrativo? Importa reter que os funcionários da Justiça Portuguesa têm salários e regalias ímpares, que chegam a ser 10 vezes superiores a média dos funcionários com idênticas habilitações literárias.

O problema não está nos prazos de prescrição, que nada têm de absurdo ou desproporcionado. Mas sim, no sistema que não consegue funcionar dentro de prazos minimamente razoáveis e que permite todas e quaisquer ‘’manobras’’ burocráticas. Toda esta burocracia leva a um aumento dos processos pendentes. O que é certo é que todos os anos saem mais licenciados em Direito. São formados mais Magistrados no CEJ (Centro de Estudos Judiciários). Não entendo onde está toda a gente.

Infelizmente, este é  mais um caso que engrossa a lista de processos prescritos. Em que não foi feita justiça. Em que há a lamentar a morte de duas crianças e em que quando se deveria dar este exemplo como referência de punição, dá-se como mais um caso das lacunas do nosso sistema judicial. Não há muito mais a dizer.

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quarta-feira, outubro 06, 2010

Revoltas Sociais

Acredito que em breve estaremos perante um País desgovernado. Já terá faltado mais. Um País desgovernado sugere-me uma ainda mais e acentuada desigualdade social. Mais para quem já tem muito e pouco (ou nada) para quem não tem nada. Torna-se claro que medidas como o célebre pacote das "Medidas de Austeridade" virão agudizar uma situação já de si tensa.

O FMI (Fundo Monetário Internacional) adianta que a economia portuguesa não vai estagnar (como tinha sido anteriormente referido), mas vai entrar em recessão. O que não são boas notícias, como se percebe. Também é líquido que o português da classe média já não tem "furos no cinto" para apertar. Aliás, já nem tem o cinto. Resumidamente, e de há uns valentes anos para cá que é esta classe social que tem pago a factura: os ricos pagam a quem os ajude a fugir dos impostos e da tributação cada vez maior nos ganhos. Colocam dinheiro fora do País, nos tão em voga off shore. Os pobres não têm dinheiro para pagar impostos, e claro,  não pagam. Sendo que alguns não serão tão pobres quanto isso..porque já ouvi falar de casos em que passam do desemprego para uma ocupação profissional e continuam a receber o subsídio de desemprego. Infelizmente é uma prática corrente. E como seria de esperar, o sistema peca porque falha e porque não há forma de fiscalizar estas irregularidades.

Tudo isto tem como consequência o aumento da crispação das classes sociais mais sacrificadas. É injusto que sejam sempre os mesmos a pagar, aqueles a quem são pedidos sacrifícíos e os aqueles que até lêem nas capas dos jornais que há empresas estatais que querem renovar frotas de 400 automóveis. Ainda que desmentido no dia a seguir..não vai deixar de ser feita a tal renovação da frota. Mas isso já caiu no esquecimento e não será notícia...

O meu ponto é simples. Quando começar a faltar a comida na mesa para algumas famílias, começam os problemas. Nenhum dos membros do actual Executivo passou por privações. Aposto o que for preciso como nunca sentiu fome. Ou como nunca deixou de ter dinheiro para comprar comida para os filhos. É uma estirpe nova de políticos que ganhou projecção no pós-25 de Abril, e em consequência de uma actividade política intensa. E insolente. Nas décadas anteriores à revolução dos cravos fumava ganzas, lia Proust e ouvia Zeca Afonso. Pertencia na altura à classe média/alta e como tal tiveram acesso a meios priveligiados, onde ser rebelde e irreverente era moda. Resultado: São os políticos que nos governam.

Imagine-se a realidade da família Silva. Os Silva moram em Alfama. O Sr. Luís, soldador de 1ª, todos os dias, utiliza os  transportes públicos para os estaleiros navais da LISNAVE, em Almada (como dizia o outro, "no deserto"). Trabalha há mais de 30 anos nesta empresa, desde que veio com a sua mulher Fernanda, lá da terra, em Viseu. A mulher trabalha como cozinheira num restaurante em Setúbal. Ambos têm de sair de casa pelas 0530H e regressam por volta das 1900H. Em tempo de chuva as coisas agravam-se e a hora de chegada "derrapa" cerca de hora e meia. Com 2 filhos menores, custos de educação, alimentação, roupa, as contas complicam-se severamente. O vencimento de ambos não chega a 1000 euros.

Os Silva ouviram na televisão que o iva vai aumentar para 23% e percebem que com isso....tudo vai aumentar. A Fernanda começa a chorar e o Luís Silva, sabendo que em breve não terá forma de garantir o pão na mesa...começa a pensar em formas de conseguir garantir os meios de subsistência primários. Afinal é o homem da casa, e é a ele a quem compete a arranjar uma solução....A história continuava...E chegaríamos ao serviço de "correio" de droga, assaltos, etc. Garantidamente, esta é uma história igual a tantas outras e que sustenta os sucessivos incrementos que taxa da criminalidade vai sofrendo ..

Este é o início de revoltas sociais. Não há pior sensação que a dos pais não terem como garantir a sobrevivência dos filhos. Quem me lê, certamente que não consegue imaginar uma situação extrema destas. Eu dificilmente consigo. Mas há famílias que conhecem de perto esta realidade. Com o aumento e diminuição da taxa do iva conseguem de forma mais (ou menos) confortável chegar ao final do mês com algum. E quem sabe poupar.

Tenho pena que estas "medidas da austeridade" que visam em última análise a diminuição da inflacção não tenham sido pensadas mais cedo. Mais uma vez, o exemplo não foi dado "de cima" e constata-se uma acção "reactiva" quando deveria ter sido "preventiva". Uma gestão consciente, regrada, uma conversa franca, honesta e objectiva com os portugueses teria calhado bem. Um preâmbulo para os tempos difíceis que se avizinham. E que poucos conseguirão aguentar.

A única alternativa que me parece acertada é agora, e mais que nunca, dar um sinal de esperança ao tecido empresarial e aos agentes investidores (quer nacionais, quer estrangeiros). E desde há uns 5/6 anos para cá tal não tem acontecido. O investimento estagnou, a criação de postos de emprego não teve lugar e consequentemente, com o aumento dos impostos das empresas...algumas tiveram de fechar as portas, aumento consequentemente a taxa de desemprego. 

Parecem-me estar reunidas as condições para convulsões sociais...Espero estar enganado.

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terça-feira, outubro 05, 2010

Bagaço

Já aqui escrevi neste espaço sobre o bagaço. Ou "mata bicho", "zurrapa" ou "digestivo". Confesso que esta última denominação me dá alguma vontade de rir. Imagino sempre um daqueles "Sir´s" lá do Reino Unido, a pedir um digestivo. E servirem-lhe um cálice de "mil-nove-e-vinte".

Contudo, se há uns bons anos a realidade de ser servida um qualquer bagaço (leia-se barato) era frequente, hoje em dia não é bem assim. Ninguém espera que num qualquer restaurante conceituado seja servido um cálice com a linha de medida do "bagaço", a 2 metros de altura, e a pingar a toalha de papel da mesa. Ou outra "pomada-feita-lá-na-terra". Nos melhores restaurantes são servidos whiskys envelhecidos, e manda a lei que se sigam determinados preceitos.

Como também já referi numa reflexão anterior, é desolador constatar que hoje em dia, e num qualquer café, ao pequeno-almoço, há quem precise de dois cálices de bagaço para começar bem o dia. Dizia-me um mecânico há uns anos, que o alcóol "dá força". Até hoje essas palavras não me sairam da cabeça. Infelizmente, o alcoolismo é cada vez mais um problema social, e para o qual quem de direito não está de todo sensibilizado.

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segunda-feira, outubro 04, 2010

Questionários

Gosto muito de responder a questionários. Principalmente quando me interrompem numa reunião, ligando de um número que não conheço (e que, pensando ser uma coisa importante, atendo), caindo na astuta armadilha. Fico logo contente por ter do outro lado "da linha" uma voz jovial, que ganha a vida a questionar as pessoas num registo compreensivo e demasiado calma. Deve haver algum curso para estas pessoas. Tipo licenciatura ou doutoramento. Não é normal manterem o mesmo registo em 500 telefonemas que façam. Só posso gostar. E tirar o chapéu. 

Há umas semanas atrás fui mandado parar numa estrada onde costumo passar quase diariamente. Um polícia municipal colocou-se no meio da estrada e mandou-me encostar num corredor balizado com pinos. Rápida e mentalmente comecei a rever se haveria algo no jipe que me fosse fazer ficar mais pobre (multa). Parei o jipe, e em vez do "sôr agente"  aproximou-se um rapazola com barba mal semeada, e uma pose irritantemente despreocupada. Indagou se podia colocar umas questões, tendo eu rosnado afirmativamente. Comecei entretanto a olhar para os lados a ver onde se tinha enfiado o polícia que me tinha mandado encostar. Percebi que continuava no meio da estrada a mandar encostar carros. Percebi então o filme todo. O rapazola e a amiguinha dele (mais à frente) não tinham coragem de perguntar as coisas às pessoas da rua, e foram chamar a polícia para os ajudar.

O questionário era do mais surreal que se possa imaginar. Aliás, apanhou-me de surpresa o tipo de perguntas colocadas. Pouco terá faltado para que interpelasse o agente da autoridade e perguntar-lhe se achava muita piada mandar encostar os condutores para responderem a questões do tipo "quantas vezes passa por esta rua", "a que horas", "de onde vem", "para onde vai"...Por pouco não comecei a trautear uma música com estas questões filosóficas. Acho de muito mau tom, e uma verdadeira falta de respeito para quem trabalha, ter de responder a estas questões. Mais, ser mandado parar pela autoridade e ter de responder a questionários deste tipo.

Também acho que as pessoas que fazem os questionários são escolhidas a dedo. Jovens, sempre e com menos de 25 anos. Ainda com borbulhas na cara. Com imensa paciência e com "sangue na guelra"...E são esses que levam o trabalho a sério...e fazem com que os questionários de 597 perguntas sejam integralmente respondidos. Para mal daqueles que voluntariamente aceitaram em responder.

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domingo, outubro 03, 2010

Plásticas

Começo por dizer que não nunca perdi muito do meu tempo a pensar nas plásticas. Sou do tempo em que havia plásticas para correcção de alguma malformação física ou acidente que tivessem uma má consequência na pessoa. E que fosse visível, na esmagadora maioria das vezes. 

Se compreendo e aceito que o senhor (que me lembro desde sempre de ter visto ali no Rossio), com elefantíase, tivesse toda a legitimidade para ser um Cliente de qualquer conceituado cirurgião plástico (não teve culpa de nascer com esta anomalia e que pode perigar a sua vida), já não aceitarei muito bem que sejam gastos uns largos milhares de euros em intervenções cirurgicas para encher os lábios, para aumentar o peito quando o mesmo já é consideravelmente grande ou mesmo esticar a pele.

Quero deixar claro que não sou contra quem faz as operações. Contudo, faz-me alguma confusão, e em alguns casos, que se gaste tanto dinheiro nestas coisas. É claro que cada um faz o que bem lhe apetecer com o dinheiro.Também constato que por vezes a orientação por parte destes médicos não será a mais correcta e, acontece "acolherem" de forma tranquila o pedido de uma adolescente com 15 anos que quer aumentarem  dois números o que veste de soutien. Na minha opinião, deveria existir por parte deste profissional da saúde uma conversa franca, objectiva e acima de tudo orientadora. No final pode até perder esta cirurgia plástica, que será ganha por outro colega. Assim a adolescente esteja determinada a querer que as mamas sejam a primeira coisa que os homens olhem. Já no caso das mulheres com 147 anos que querem encher os lábios ou esticar a pele da cara, contrariando o "avançar" da idade...julgo que não será um cirurgião plástico que necessitam, mas sim de um psiquiatra.

Quando estejam em causa razões relacionadas com a saúde, sou o primeiro a concordar com o contacto e com a plástica. Com um cirurgião conceituado, bom profissional e que saiba bem o que faz. Que não seja um "talhante". O que nem sempre é fácil de encontrar...até porque se trata de um negócio, como se sabe, muitíssimo rentável.

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sábado, outubro 02, 2010

Porreirismo

Todos os dias dou comigo a pensar o quão afortunado sou por viver em Portugal, nação oficial do porreirismo. Sinceramente, fico muitíssimo efusivo de alegria. Com a actual crise económica a atingir máximos históricos de endividamento , a banca é usualmente tida como "porreira" e empresta o dinheiro às famílias portuguesas carenciadas (e não carenciadas). Ainda que sejam deliberadamente omitidas as galopantes taxas de juro que irão "dar um ar da sua graça" em breve. Mas a banca rege-se pelas leis, e os agentes reguladores / fiscalizadores das leis são, em última análise, uns porreiraços.

Também me tranquiliza imenso que estejamos dotados de um sistema judicial justo e eficaz. Fiquei agradavelmente surpreso com o tão falado e recente acordão relativamente à Casa Pia. Ainda que centenas de crianças tenham sido abusadas sexualmente, com provas inegáveis, irrefutáveis...foi possível dar-se a "volta ao prego". Mais...fiquei com a noção (porventura errada), que os magistrados que agarraram no processo, logo no início e que tiveram a veleidade de decretar prisões preventivas..não eram porreiros. As suas decisões foram contestadas. Todas. E mais..quem tem a sorte de pertencer ao círculo de amigos do "maior-porreiro-de-todos"...nem sequer teve tempo para sentir o peso da opinião pública. E em menos de nada voltou a S. Bento...No final, mostra-nos o dia-a-dia que quem paga a conta são aqueles que não são porreiros, ou não têm amigos porreiros.

Nas organizações empresariais acontece o mesmo. Ainda que seja constatado o envolvimento claro e inequívoco da Gestão de Topo, invariavelmente o feedback passado é que de que está tudo bem.  Nunca há problema algum. Quando há. A mensagem que passa é tranquilizadora e tudo menos directa e objectiva. Consequência? Mais à frente a Gestão de Topo é apanhada de surpresa por não ter sido convenientemente informada de algo. Ou seja, são todos uns porreiros para quem manda....até ao dia.

Infelizmente, não me revejo em absolutamente nada do que escrevi acima. Não sou (nem tenciono ser) um tipo porreiro. Nunca o fui. Por exemplo, nunca gostei de emprestar coisas minhas ou dinheiro. Sou o exemplo acabado do azarado que empresta e depois devolvem estragado. Ou esquecem-se de pagar. Sempre, sem excepção. E depois, não me vou chatear com alguém por ter estragado algo ou por me dever dinheiro... Tudo tem solução (menos a morte), é certo, mas...evito ser o "porreiro de serviço". Da mesma forma que não sou um tipo bestial por dizer aquilo que os outros querem ouvir. Muitas vezes só me apetece abanar as pessoas para que acordem e pensem. Que saiam da letargia em que vivem...do marasmo psicológico a que as pessoas recorrem  frequentemente para encontrar uma "zona de conforto"..

Quem me conhece apercebe-se de alguns pormenores intrínsecos e que me caracterizam enquanto indivíduo. E não tenciono mudar. Nem vejo razões plausíveis para ser porreiro.

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sexta-feira, outubro 01, 2010

Desconfiança

Hoje em dia ninguém confia em ninguém. Começando pelos maus exemplos que são dados por "quem tem os desígnios deste País" e terminando em quem se tem ao lado. Pois é...lanço o desafio a quem me lê de fazer um pequeno exercício mental e pensar se confia a 100% no (a) parceiro (a). E de seguida pedir "a-com-quem-se-partilha-a-cama" que responda. Conseguem-se resultados surpreendentes.

Se para com a classe política pouco ou nada há a fazer, senão continuar a aceitar os consecutivos aumentos, "olhar para o lado" e começar a fazer contas de cabeça, já em casa as coisas são natural e desejavelmente diferentes. Um evento infeliz no passado, ou porque em momentos anteriores ao início da relação uma das partes tinha uma vida demasiado "desprendida", ou simplesmente porque é intrínseco à própria pessoa não confiar. Acontece.

Em todo o caso, não é razoável que se seja obrigado a  "pagar o pato" dos outros. No caso das relações afectivas, não é simpático que não se confie em alguém pelo facto de se conhecer o passado. Sou de opinião que o que aconteceu no passado deve ficar guardado com as próprias pessoas. E nem sempre isto é aceite ou compreendido pelo casal. Claro, como consequência surge a ralação desnecessária no seio do casal.

Profissionalmente, a não confiança ou a não delegação de responsabilidades pelas chefias é  um mau indicador. Se é razoável que tal aconteça aquando de uma fraca consolidação / experiência profissional, o mesmo não acontece quando alguém tem uma dezena de anos de experiência profissional e vê serem questionadas as suas opções / decisões / sugestões.

Nada como dispender algum tempo a explorar as debilidades que justificam a desconfiança. Quer profissionalmente, quer afectivamente. Recorrer sempre que necessário ao Diálogo, como forma de clarificar possíveis mal entendidos e garantindo que todas as eventuais dúvidas são sanadas. Só assim se pode começar a confiar. Ou tentar...

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