terça-feira, novembro 30, 2010

Prostituição

Também conhecida como "A profissão mais velha do mundo". Tal como qualquer outro grupo de pessoas, também as (os) prostitutas (os) me merecem o mais sincero e honesto respeito.

É claro que ninguém se prostitui por gosto. Este é um dado adquirido. Há várias correntes que tentando justificar a entrada de alguém para este mundo, sendo que o denominador comum é, indubitavelmente, a questão monetária. Outra corrente advoga a ideia dos fluxos migratórios (quer do interior do País para a grande urbe, quer do exterior do País para dentro do mesmo). Em qualquer dos casos, está subjacente a ideia de melhores condições de vida. E na maioria das vezes existe um agregado familiar algo grande que carece de sustento.

Se há uns anos, na capital, eram conhecidos os "poisos" habituais destas "amigas", as coisas mudaram um pouco desde então. Há o encontro marcado através do telefone, há quem receba em casa e há quem se desloque ao domicílio. Paralelamente, e cada vez menos representada, está o grupo que continua a ser encontrado ou que recebe "na rua" (dentro do carro).

Aparte das digníssimas representantes deste sector que falei agora, e em conjunto com um melhor serviço, importa referir que passou a a haver um cuidado maior com a apresentação. Foi abandonada a ideia (e prática corrente) da falta de 28 dentes. Embora continue a existir uma associação íntima entre toxicodependência / prostituição, hoje em dia não será esse o mote orientador e que leva algumas pessoas a enveredarem por esta via, mas sim o dinheiro, como já aqui referi.

Acredito que uma percentagem significativa das traições tenha lugar com prostitutas (os). Defendo a ideia que o mau sexo (e diálogo) em casa, não só frustra o homem / mulher, como também o (a) torna ávido (a) de encontrar alguém com quem se identifique na intimidade e com quem possa extravazar as suas fantasias e fetiches, sem ser questionado (a). E reside aqui um dos segredos do porquê de se recorrer ao mundo da prostituição. Liberdade sem ser questões.

Outra situação completamente diferente, será a das (os) jornalistas que escrevem sobre a prostituição. Já aqui referi no blogue anteriormente que me diverte um pouco esse tipo de jornalismo. Para que seja possível escrever na primeira pessoa, alguns profissionais deste sector entendem que devem "pôr a mão na massa" e não raro, durante uns largos meses enveredam neste mundo. Quer-me parecer que será acima de tudo a concretização de um fetiche pessoal que subsequentemente é partilhada com a sociedade. Por outro lado, parece-me um pouco perverso e revela pouca consideração pelas pessoas que não têm alternativa e fazem da prostituição um modo de vida*. É o mesmo que para se escrever sobre a droga se diga que é necessário tornar-se consumidor. Embora há quem já o tenha feito. (* - Tambem se pode ir lavar as escadas de um prédio com 89 andares. Resta saber quem é que o quer fazer, quando num dia de prostituição se ganha mais que uma porteira em 5 meses de árduo trabalho).

Sempre que se pensa em prostituição, associa-se de imediato o sexo feminino. A realidade mostra-nos que hoje em dia este é mais um dos mitos urbanos que importa desmistificar. Essa realidade já era. Hoje em dia, a prostituição masculina está cada vez mais presente. E veio para ficar. E a análise deste fenómeno será uma "colagem" da análise do fenómeno no sexo oposto, sendo que as razões que lhe dão origem são as mesmas.

Com a actual crise económica e consequente onda de despedimentos, chegam-me ao conhecimento situações complexas e que requerem acompanhamento. Pessoas que precisam mais do que um trabalho, por forma a fazer frente às contas mensais. E que ponderam na prostituição uma forma de obter um rendimento extra e acima de tudo rápido. Não sei se será a Segurança Social, a Santa Casa da Misericórdia, ou outra instituição à qual se deve dirigir alguém com dificuldades. Sei sim que é um flagelo, com um número de pessoas cada vez maior, sem que nada se faça para debelar esta realidade.

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segunda-feira, novembro 29, 2010

Charme

Desengane-se quem me tem como um tipo que se acha charmoso. Não é verdade. E duvido que alguma vez me venha a ter nessa conta.

Contudo, não fico indiferente ao sucesso que tenho junto das camadas mais velhas, como aliás já aqui referi anteriormente há uns meses atrás. Objectivamente, a para quem ainda não leu as minhas reflexões anteriores, refiro-me a algumas das minhas queridas vizinhas e que contabilizam bem mais que 70 joviais primaveras. Aqui sim, creio que se poderá falar em charme tendo em consideração o olhar embevecido e longas conversas com que me brindam. É muitíssimo positivo e enternecedor. Curiosamente, e nas camadas mais jovens, não reúne tanto consenso. Poderá dar-se o caso de estar desatento..mas não creio.

Desconfio que o facto ser grisalho me confere algum charme. Mas muito pouco. Digo isto porque a Dona Alcides, sempre que fala comigo, tem o olhar fixo nas minhas melenas brancas. Dou comigo a pensar que ou bem que gosta, ou é estrábica. Também não me interessa perceber muito bem, porque nesses momentos, o meu olhar fixa-se na boca dela e sempre alerta não vá ser agredido aquela arcada superior dos dentes...

Em jeito de confissão que às vezes dou comigo a ser mais querido com algumas "meninas-entradotas-que-trabalham-em-algumas-entidades-ou-instituições". E não é que às vezes resulta? Talvez não esteja directamente relacionado com "meu" charme, mas sim associado a uma abordagem mais simpática, mais pessoal e claro...no meio de tantas abordagens impessoais e neutras...a minha é tida em consideração. O que é certo é que consigo ser bem sucedido. E no fundo é isso que me interessa.

Não acredito em estereótipos de charme. Ou se tem, ou não se tem. Não se "aprende" a ser charmoso. Quem normalmente entende "que-não-é-charmoso-mas-até-pode-vir-a-ser"....dá-se mal. O" verniz estala" e às vezes...é pior a emenda que o soneto!

Da minha parte, naturalmente que espero continuar a ser simpático com as meninas da Loja do Cidadão e dos CTT. Paralelamente, continuarei a estreitar as minhas amizades lá na rua com a minha amiga Dona Alcides e outras tantas amigas que nunca me faltaram com 4 horas de conversa sobre os netos (as) e as agruras da vida. E que estoicamente oiço sem bocejar ou denunciar enfado. É o custo do charme. Dizem que sim.

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domingo, novembro 28, 2010

Vizinhos

Não me tenho como mau vizinho. Muito pelo contrário. O facto de acordar mais cedo que as galinhas, e por vezes (muito de longe a longe) chegar a casa a "desoras"  e ir com o Paco dar os seus passeios higiénicos permitem-me levar uma vitória confortável relativamente às rondas que a polícia e o guarda-nocturno fazem aqui na rua. Um destes dias  faço uma exposição ao meu amigo Costa lá da Câmara para fazer se me arranja um "job" aqui para o "boy". Dizem que é fácil...

Tenho por princípio cumprimentar todas as pessoas. E especialmente, os meus queridos vizinhos (quase todos). Manhã, tarde ou noite. Sendo uma rua pequena, conheço os carros de todos os vizinhos, o que me facilita enormemente a tarefa de perceber quais os carros estranhos cá na rua. Da mesma forma, sei na perfeição quem são os meus vizinhos e fico logo desconfiado quando alguém estranho está por cá. O terrorismo está ao virar da esquina. Quando menos esperamos.

Ser bom vizinho sugere-me seguir algumas boas práticas. Passear com o cão preso. E nem todos os meus queridos vizinhos o fazem, o que faz com que por vezes perca as estribeiras. O mais calma e educadamente avisar os vizinhos que não me foi possível dormir porque o alarme da casa / carro tocou duas noites seguidas quando a família saiu para férias.

Nos dias que correm, é cada vez mais frequente que os vizinhos não se conheçam. Em conversa com amigos e amigas dizem-me que conhecem os vizinhos nas reuniões de condomínio. Assim, só. No resto do ano nem sequer se cumprimentam. Dou comigo a pensar se será falta de educação ou se as pessoas estarão "excessivamente-metidas-consigo-mesmas" ou ainda se terão problemas existenciais de tal forma graves que as impossibilita de verbalizar um simples cumprimento.

É importantíssimo que sejam promovidas as boas relações entre vizinhos. Nunca se sabe o dia de amanhã, e quem está mais perto, que queiramos quer não, são mesmo os vizinhos. Mesmo que seja necessário um sorriso amarelo...."Planta-se hoje para colher amanhã". E nunca sabemos quando (e se) será necessário.

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sábado, novembro 27, 2010

Reuniões

Há vários tipos de reuniões, cada qual com o seu propósito. Até aqui tudo bem. Também percebo que em alguns casos seja necessário definir (e manter) uma periodicidade regular para as reuniões para que subsequentemente não se tenham surpresas. Ou seja, no domínio profissional, um dos grandes objectivos das reuniões passa por  monitorizar alguns assuntos e alocar mais recursos humanos em áreas carenciadas.

Poderia elencar outras vantagens óbvias das reuniões, mas importa falar da grande desvantagem. Se bem que as reuniões sejam necessárias, é uma perda de tempo. "Ah, mas se não tiverem lugar as reuniões como são conseguidos os pontos de situação?". A resposta é simples - organização pessoal e coordenação de passagem de informação para quem de direito. É aqui que a "coisa" falha. As pessoas esperam que as reuniões tenham lugar para "desbobinar" o que têm em mãos e como estão as coisas a correr. E  reside aqui a primeira grande desvantagem das reuniões. O poderem ser vistas como "bengala" para aqueles que não são organizados. Daqui decorre naturalmente que se as reuniões não acontecerem...não é dado conhecimento do ponto de situação dos assuntos que há em mãos.

Outra grande desvantagem é o tempo consumido. Uma reunião é algo que se pretende rápido, expedito. Repare-se que falo várias vezes em "ponto de situação". É esse o grande propósito de uma reunião. Não raro, reuniões que se espera que durem 1 hora duram 3,5 horas. E outras reuniões que se estima que durem uma hora (mínimo) duram 7 minutos. Já estive presente em ambas, sendo que nesta última foi eu quem as conduziu, por ordens directas de chefias.

Há três factores que contribuem para o bom desenrolar de uma reunião: i) Agenda da reunião; b) Saber conduzir a reunião e c) Distinguir o importante do acessório. No primeiro caso, é importante que todos os intervenientes da reunião saibam quais os assuntos que vão ser debatidos. Não faz sentido serem introduzidos novos assuntos, no decorrer da reunião. Tal só vai criar "ruído" e fazer com que a mesma seja mais demorada.

Saber conduzir uma reunião alude a alguém com "jogo de cintura". Alguém que assume uma posição neutra, sem favoritismos e que, sem problema pode "cortar a palavra" a alguém que  se desvia do tema nuclear. Sem que daí resultem mal entendidos ou rancores. Basicamente, e mais uma vez, trata-se de uma reunião que tem como objectivo o alcançar um conhecimento global do ponto de situação de vários assuntos e não um local e momento para falar de problemas paralelos ou do mundo.

Não é qualquer pessoa que distingue o que realmente importa do acessório. Frequentemente são convidadas a conduzir reuniões pessoas que não têm experiência nestas lides. Ou porque usualmente estão demasiado "comprometidas" com o seu trabalho e não têm o dom ou o à vontade para falar, ou porque não têm a "força" para interromper quem tem a palavra, ou ainda porque estão "a leste" do que realmente importa e do que é acessório. Fazendo aqui uma analogia..é o mesmo que alguém estar a falar de um automóvel sem nunca o ter visto. Quando alguém que entende da "poda" ganha a palavra, faz com que quem conduz a reunião fique siderado a absorver toda a informação. Resultado: Pode ter como consequência um incremendo de mais 2 horas na duração da reunião -> Falta de produtividade.

Importa pois reter o objectivo primordial destes momentos de grupo. No final, a diferença entre uma boa e um má reunião reflecte-se na produtividade. Quer das empresas, quer de outras razões pelas quais se justifica que exista reuniões.

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sexta-feira, novembro 26, 2010

Humor português

De há alguns anos a esta parte constato que o nível do humor português tem vindo a decair. Admito que tento frequentemente encontrar a piada dos novos humoristas portugueses, nos sketches aos quais recorrem e às situações quotidianas que são representadas...mas não consigo. Por vezes tenho de pedir ajuda para compreender algumas piadas, e quando percebo, já é tarde e não vale a pena rir.

Não quero com isto dizer que o humor português seja mau. Como refiro acima, trata-se de uma constatação pessoal, donde, e eventualmente estarei a assumir uma opiniao "contra-corrente", ou seja, todo o resto de Portugal pode (certamente) achar piada ao gozo com a "Última Ceia de Cristo" ou a gozação de outros grupos de humoristas com certas individualidades da "nossa praça". Pessoalmente, acho pouco criativo particularizarem-se situações.

Não deixando em momento algum de ser patriota, ou de gostar de enaltecer o que há de bom em Portugal, julgo que se deveria, e mais uma vez, copiar os bons exemplos "além fronteiras". Refiro-me objectivamente ao humor "corrosivo" britânico. Há quem não ache piada alguma (não entende e não tem paciência para o fazer), e há quem só goste deste tipo de humor. Há também vários tipos de humor britânico e para todos os gostos. Prefiro aquele humor que retrata situações perfeitamente passíveis de ter lugar em qualquer local / momento do nosso dia. O estar próximo da realidade faz com que o "carácter fidedigno" esteja mais presente, o que de resto me agrada mais. Relembro que várias "sitcoms" britânicas são nomeadas para prémios internacionais. Certamente não será por serem más.

Para finalizar, o humor "fácil" que por cá vejo ser utilizado deixa-me algo impaciente. Basicamente, o que acontece, é o passarem a ser usadas algumas expressões idiomáticas que decorrem desse humor. Ou seja, há expressões que fazem parte do dia-a-dia e que são "passadas" por aquelas pessoas que apreciam o humor português e que ainda por cima o difundem / disseminam.

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quinta-feira, novembro 25, 2010

Entalanços

Tenho vindo a perceber, por histórias que me chegam ao conhecimento, que são cada vez mais frequentes os entalanços, ou formas de ganhar protagonismo escolhidas por algumas pessoas...nem que para tal seja necessário "abusar" da boa vontade / disponibilidade de terceiros. Por vezes, e infelizmente, com consequências irreversíveis.

Na minha opinião, o entalar alguém é um acto cobarde. Na grande maioria das vezes consegue-se entalar alguém sem que o visad (a) seja o último a saber....através de terceiros, ou tarde demais. Chama-se a isto ter sido bem entalado, para não recorrer a terminologia em bom português vernáculo.

Trata-se de um temas que tem o dom de me tirar do sério, na medida em que está intimamente associado à injustiça, cobardia, omissão, falta de frontalidade e ambição desmesurada por parte de alguns. Contudo, a vida tem-me vindo a ensinar que a melhor forma de lidar com estas pessoas passa não só pelo desmascarar das situações óbvias e por si "cozinhadas", dando a conhecer os nomes, bem como não valorizar por aí além estas situações.  

Não há entalanços sem querer ou inocentes. Ninguém é cobarde involuntariamente. Trata-se de acções deliberadas e acima de tudo que visam o prejuízo em algum momento de alguém. Quer no esfera pessoal, quer na esfera profissional. E não são poucos os casos que existem.

Para terminar, confesso que é preciso que alguém seja inteligente para conseguir ter duas caras. Uma cara de pessoa amável, prestável e expedita...outra cara de pessoa que à primeira oportunidade "espeta a faca nas costas". E são estas as pessoas que assim que podem..."trepam". E entalam. Sem olhar a meios para atingir os fins.

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quarta-feira, novembro 24, 2010

Tansos e Tansas

Sem dúvida que nos dias que correm são os tansos e tansas que são bem sucedidos. Tenho a felicidade de conhecer alguns (e algumas) bem próximos (as), e não tenho qualquer dúvida que "at the end of the day", serão aqueles que levam a vida direito.

Não é difícil ser-se tanso. É difícil manter essa fachada credível para os demais. Constato frequentemente que aquelas pessoas que parecem ser..não o são. Fazem-se de. E reside aqui "A" diferença. A diferença basilar entre o não ter escolha e ter a infelicidade de ter dificuldades óbvias em vários assuntos e, antipodamente, aqueles que se fazem passar por tansos deliberadamente. Como referi anteriormente...dá mais trabalho, requer uma maior disponibilidade, dedicação, empenho e acima de tudo criatividade.

A grande vantagem que reside em ser-se tanso (a) tem que ver com a despreocupação, alheação ou mesmo com a natural inimputabilidade. Donde, decorre pacífica e tranquilamente que os tansos (os falsos) têm uma vida despreocupada e tranquila. Não raro, serão os as pessoas normais que acabam por ter de suportar as consequências da não responsabilização de actos dos reais tansos. Não há grande novidade aqui.

Dou comigo a pensar frequentemente que devia ter tanso. Como tantos que conheço...

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terça-feira, novembro 23, 2010

Estrelato

Não posso ficar indiferente ao facto de todos os dias surgirem novas estrelas. Pessoas sem dúvida alguma válidas e com um imenso potencial interior para explorar. De certeza absoluta.

Para quem como eu gosta de passar os olhos pelos títulos enormes dos jornais e revistas, percebe facilmente que em Portugal tudo é motivo para ser notícia. Ou é a tonta da apresentadora da sequela do "Big Brother" que se atira para o chão (porque lhe apetece), ou a "encenação-de-um-dos-participantes-do-concurso-que-afinal-até-tem-a-namoradinha-cá-fora", entre outras pérolas, a vida amorosa de um conhecido dirigente desportivo ou ainda a licenciatura do Primeiro Ministro. Tudo isto para que sejam facilmente atingidas as cotas de share (boom de vendas). Faz-me lembrar, como já aqui tive oportunidade de referir anteriormente o mediatismo internacional (e exagerado) em torno da dona-de-casa escocesa que ganhou um qualquer concurso de música surpreendendo o júri. Alguém que passou do completo anonimato para alguém quase que idolatrado.

É natural que este exagero colida com a minha forma de pensar. Creio que por ser uma pessoa low profile e não apreciar ser o centro das atenções. Talvez por dificilmente encontrar explicações para o facto de se explorarem notícias do estilo que menciono acima quando Portugal está "a saque" e a cada dia que passa a situação económica piorar. (Nota: Para além da comunicação da implementação das famosas medidas do "pacote da austeridade", com vista a adiar a mais que certa vinda dos inspectores do FMI, não vejo grande actividade neste sentido). Talvez não seja importante e talvez não mereça uma atenção especial. Importa descobrir mais estrelas. Ou potenciais estrelas.

Numa altura em que é necessário focar a atenção no que realmente é prioritário, importa re-avaliar o que é realmente importante e o que é acessório. Não me atrai particularmente o conhecimento do local e data do casamento de um dos netos da rainha do Reino Unido. Nem tampouco me interessa comprometer a minha disponibilidade mental com temas de menor importância como o exemplo dos mineiros recentemente salvos que já terão sido  aliciados com a "cenoura" (dinheiro) para a exclusividade de direitos na produção e realização de um filme sobre o que recentemente viveram debaixo de terra.

Não quero com esta reflexão ser pessimista ou "do contra". Basicamente ser realista e pragmático.

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segunda-feira, novembro 22, 2010

Gestão por Objectivos

Nos dias que correm, a certificação das organizações é um "lugar comum". Quero dizer que há uma série de mais-valias imediatas que decorrem do cumprimento dos requisitos dos referenciais normativos (eg: normas da qualidade, ambiente, segurança, etc.). As organizações que têm a clarividência de perceber esta oportunidade (ou que nos seus quadros têm alguém que consiga perceber claramente as vantagens na certificação) são sem dúvida aquelas empresas que a curto / médio prazo retirarão dividendos desta aposta. À escala internacional há cada vez mais empresas que privilegiam negócios com congéneres que partilhem o mesmo tipo de certificação.

Um dos conceitos base e que está intimamente associado às normas ISO (International Organization for Standardization) tem que ver com a gestão por objectivos. O conceito é simples e amplamente implementado em empresas certificadas por este tipo de normas. Basicamente, a Administração / Gestão de Topo das empresas define uma série de objectivos. Com uma periodicidade definida (tipicamente semestral ou anual), os objectivos são avaliados. Até que tenham lugar esses momentos avaliativos há lugar a um processo de monitorização / acompanhamento.

O processo de monitorização / acompanhamento da evolução tendencial dos objectivos  é  efectuado recorrendo à definicação de indicadores. O escolha dos mesmos sugere uma adequação e adaptação à realidade que se pretende avaliar. As metodologias de cálculo (fórmulas) dos indicadores têm de ser frequentemente verificadas por forma a garantir que as mesmas se encontram actuais.

Infelizmente nem todas as empresas têm uma metodologia clara no que toca à definição de indicadores para a tal monitorização da consecução dos objectivos. Como resultado, nas "Reuniões de Gestão", em que se avalia o cumprimentos dos objectivos, os resultados tendem a ser "mascarados". Nestas reuniões,  e das quais são lavradas actas que objecto de  análise pelos auditores, são levantadas não conformidades, na medida em que nem sempre o que está escrito corresponde à realidade. O que de resto sugere alguma alheação por parte da empresa na sua Administração e/ou um acompanhamento deficiente do "andamento" dos indicadores. Por outras palavras...empresas que não tenham objectivos definidos e um bom conjunto de indicadores desenvolvidos para aferir a tangibilidade dos objectivos...não gerem. Brincam.

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domingo, novembro 21, 2010

Culturismo

Um tema interessantíssimo e que aproveito para confessar algo. Invejo a paciência, espírito de abnegação, o sacrifício, o investimento...tudo. É muito interessante (para quem gosta) este mundo do culturismo.

Como o próprio nome indica, trata-se, em linguagem corrente, do culto pelo corpo. Quer dos homens, quer das mulheres. Pessoalmente, devo dizer que não aprecio ver uma mulher praticante de culturismo. Não interessa contudo criticar quem o faz por livre opção, até porque é uma modalidade como qualquer outra. Como em tudo terá vantagens, aos olhos de quem a pratica, e terá as suas desvantagens aos olhos de quem não pratica. Reconheço que há uma tendência ao exagero, nos casos em que o treino é feito sem supervisão, ou por pessoas que já adquiriram vícios ao longo dos vários anos desta prática.

Não sendo um verdadeiro seguidor do culturismo, admito que quando vejo uma reportagem na televisão a minha atenção é de imediato captada. Não será tanto apreciar os corpos (deles e delas). Será imaginar todo o trabalho destes praticantes, a sua dedicação e os investimentos monetário e de tempo associados. Desengane-se quem ache que é fácil definir músculos. Não é de todo. Basta pensar que qualquer pessoa normal tem sempre uma camada de gordura. Nos praticantes do culturismo, esta camada é zero, ou próxima do zero.

As coisas tendem a complicar-se quando se ingressa no mundo da alta competição. O mundo da alta competição não tem lugar para aqueles "muito bons". Só ingressa mesmo quem é "excelente". É normalmente quando descubro músculos que nem sabia que existiam. O que não deixa de ser um claro e evidente sinal de que há anos de trabalho para que aquele resultado seja atingido.

Como em tudo, quando há exageros, as coisas só podem correr mal. É uma questão de tempo. As dietas nem sempre são saudáveis ou acompanhadas por nutricionistas. Implementam-se usual e facilmente as dietas dos batidos e outros complexos proteicos (que dizem ser substitutos das refeições normais). Permitem queimar a gordura rapidamente. Resultados rápidos. E  semanas antes das competições, têm início as dietas à base de carne magra (frango) e.....água destilada. Sim, é verdade. Para "diluir" / "secar" a gordura.

É certo que no final...o resultado é tanto melhor, quanto maior fôr o empenho e o trabalho da pessoa em causa. O que não acho correcto é que para isso se sacrifique a própria vida.

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sábado, novembro 20, 2010

Sucatas

As sucatas (nome pomposo para os "ferro-velhos") são locais de inigualável importância e informação. Para os técnicos do ambiente são usualmente uma dor de cabeça, na medida em que nem sempre há o devido licenciamento de actividade, ou porque não é promovida a conveniente separação dos materiais (materiais ferrosos de materiais não ferrosos, ácidos, pneus, fluidos automóveis, etc.). Importa naturalmente acautelar este tipo de actividade, promovendo um maior número de acções de inspecção / fiscalização por parte das autoridades competentes.

Há outra análise. Aparte dos carros que foram abandonados ou que se encontram nas sucatas ao abrigo dos incentivos ao abate (veículos em fim de vida), há uma percentagem significativa (senão a maior e aquela que engrossa estes locais), que diz respeito aos carros que foram dados como perda total. Nesta percentam existe um número significativo de casos em que um "toque" pode ditar o envio do carro para a sucata e paralelamente, exise o assustadoramente o cada vez maior número de casos que carros (ou motas) que......ceifaram a vida dos seus ocupantes.

É neste último grupo de veículos que por vezes recai a minha atenção. É-me complicado explicar os sentimentos que tenho quando observo alguns carros. Amálgamas de chapa retorcida, sangue, roupas, objectos pessoais, luvas dos médicos do INEM, etc. O cenário é por vezes dantesco e não aconselhável a pessoas impressionáveis. Penso não raro no dia em que a pessoa que saiu de casa e entrou no carro. Não sabendo que essa seria a sua última viagem. Em alguns casos vou um pouco mais além e penso que em alguns casos os carros podem ser verdadeiras clausuras de sofrimento. Entre o começar e o terminar da operação de desencarceramento decorre um tempo considerável. E pode sugerir a agonia de quem ficou preso do carro. E em alguns casos, face ao que me é dado a ver...desejo (Deus me perdoe) verdadeiramente que tenha sido uma morte rápida.

Para finalizar, uma das razões que me faz ir às sucatas pontuamente prende-se com o facto de ter de por vezes necessitar uma determinada peça. Algo que precise (ou alguém que conheça precise) e que na marca seja abusivamente cara. A questão coloca-se que em alguns casos, o preço da mesma peça na sucata é mais cara que na marca. O que me deixa verdadeiramente baralhado. Mas no final..só compra quem quer, claro.

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sexta-feira, novembro 19, 2010

Comitivas

Gosto muito das Comitivas que acompanham as visitas de Estado ou visitas Presidenciais. Digo que gosto das mesmas na medida em que há sempre alguém que vai...passar as belas das férias. Claro que não são essas pessoas as culpadas...naturalmente. Eu próprio não me escusaria de ir integrado numa qualquer visita a Estugarda. Nota: Só por caso é a cidade onde fica sedeada a fábrica e o headquarter´s da Porsche...

Esta realidade tem vindo a ser uma prática comum. E infelizmente, na minha opinião. Desde há muitos anos que as comitivas que acompanham os Presidentes da República e os Primeiro-Ministros têm vindo a "engrossar". Se por um lado entendo que decorre dos convites endereçados a notáveis se entendem por bem convidar, pela mais-valia que existe na sua presença, pela network de contactos que esse convidado poderá ter e naturalmente pela própria influência que terá em determinado tipo de negócio específico no país que vai ser visitado. Já não compreendo tão bem que em alguns casos o convite acabe por ser estendido aos cônjuges e aos filhos. De um lugar no avião...passa-se a tantos quantos forem necessários para sentar aquele agregado familiar. E é neste aspecto que me insurjo e deixo de achar tanta piada.

Depois, e para quem não sabe, há os "penetras". Basicamente, não têm qualquer tipo de influência no país destino. Querem ter a oportunidade de explorar uma possibilidade de negócio nesse país. Ou quiçá efectuar um levantamento concreto e objectivo das carências locais. Na generalidade das vezes são os próprios Administradores da empresa (e/ ou Directores Departamentos Comerciais) que tentam por tudo ser convidados. O custeio das viagens, alojamento, alimentação, etc., é por conta das suas empresas. E é sempre visto como um potencial investimento futuro rentável. Que poderá ou não ter retorno. Neste tipo de caso não me choca tanto que estas pessoas façam parte da comitiva. Confesso que até me diverte perceber o desdobramento em telefonemas para que se consiga chegar à Organização da viagem. Em menos de nada já se ligou para 40 contactos (nos casos felizes num menor número). Isto só para que a reserva seja feita. Na medida em que a despesa corre por conta dos "penetras", e será o dinheiro deles (e não o meu) que está em causa, não me incomoda absolutamente nada.

Para concluir, não sou contra as comitivas. Acho muitíssimo bem. Assim não se convidem algumas centenas pessoas. Como aliás já aconteceu. Pagam-se as viagens, alojamentos e tudo o resto que está relacionado. E no final.. não o contribuinte não usufrui. Infelizmente.

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quinta-feira, novembro 18, 2010

Passividade

A passividade é daquelas coisas que me tira do sério. Sendo uma pessoa que gosta das coisas resolvidas "para ontem", aprecio pessoas expeditas e acima de tudo bem resolvidas com a vida. Gosto.

A pessoa passiva tem problemas de várias origens. Nomeadamente, relacionadas com a personalidade. É alguém que prefere ficar no "backoffice" em detrimento de assumir uma posição determinada e clara. É alguém que não gosta de ter protagonismo e como tal, prefere não "levantar ondas" ou assumir posições que possam de alguma forma ser questionadas.

É exactamente aqui que entendo que deve existir o bom senso. Não deverá ser assumida uma postura contestatária por tudo e por nada, o habitual "ser-do-contra-só-porque-me-apetece", mas passa por ter uma postura mais activa. Mais assertiva. Mais presente, se preferirem. É esta tenacidade, esta fibra que faz falta a muita gente. E que por vezes contribui para que haja mal entendidos, para que a mensagem não passe e/ou seja mal entendida (ou nem sequer entendida).

Cada vez é uma característica que mais aprecio. E valorizo.

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quarta-feira, novembro 17, 2010

Cimeira da NATO

Congratulo-me pelo facto de Portugal ter aceite o feito de organizar a cimeira da Nato. Para quem não sabe, ou andou distraído nas últimas décadas, a NATO (Tratado dos Países do Atlântico Norte) não é mais que um grupo de países que ratificaram um protocolo que, no meio de muitas outras alíneas, se comprometem a ajudar os demais comparsas em caso de conflito bélico.

Para começar, nunca consegui entender muito bem o porquê de Portugal estar metido ao barulho. Na minha modesta e humilde opinião, pois claro. A não ser a guerra colonial e outras missões de observação e/ou patrulhamento (eg: Iraque, Afeganistão, Timor-Leste, etc.), Portugal não tem um histórico bélico, além das situações que mencionei anteriormente. Os conflitos armados terroristas de que tenho memória terão sido os perpetrados pelo braço armado das FP-25 de Abril, a tomada da Embaixada da Turquia por parte de um grupo armado arménio, em Julho de 1983  e pela mais recente tentativa de tomada de assalto do balcão do BES.

A cimeira da NATO sugere um dispositivo policial nunca antes visto. Nem para o caso do representante da Igreja Católica que este ano nos visitou. Mais a mais, todos os representantes destes países (alguns deles frequentemente alvo da ira de grupos terroristas extremistas locais e não locais) estarão em Portugal por estes dias. O que naturalmente obriga a um grau de segurança superior. E que de resto é normal.

A minha reflexão vem no sentido de manifestar o meu descontentamento para com o facto deste evento se realizar por cá. Para começar (e em grande parte), porque entendo ser descabido que numa altura em que se pedem tantos sacrifícios aos portugueses, em alguma altura os mesmos tenham de pagar mais esta factura. Ninguém no seu juízo perfeito equaciona que seja uma factura leve. Imagino que todas as polícias, e Forças Armadas (3 ramos e forças especiais) estejam de prevenção / alerta máximo. Isto tem custos, óbvios e naturais.

Há uns meses atrás dizia o Governo que havia demasiadas "tolerâncias de ponto", e que se continuasse em exercício, teriam de ser revistos muitos dos feriados religiosos. Concordo, até porque acho que os feriados são momentos de não produtividade do pPaís e como tal, devem ser revistos. Assim sendo, não sei que acções foram desencadeadas nesse sentido (como sempre, diz-se que se vai fazer alguma coisa e  continua tudo na mesma), e custa-me a entender que este mesmo Governo tenha concedido tolerância de ponto na próxima Sexta-Feira, dia 19NOV2010. Não irei estranhar se fôr instituído o feriado móvel "Cimeira da Nato".

Não me parece razoável que Portugal tenha aceite a organização deste evento. Num momento em que a crise económica atinge valores históricos (corroborado pelos maus resultados da pujança económica), teremos meia Lisboa "fechada para balanço". Incluindo o aeroporto. A nossa transportadora nacional já fez saber que vai exigir o ressarcimento dos vôos cancelados e subsequentemente adiados. Os transportes colectivos vão ver muitas viagens canceladas e limitadas ao estritamente necessário. Já para não falar da proibição da circulação de pessoas e bens em determinadas artérias, ou seja, impedimento de quem trabalha ir.. trabalhar. E certamente que serão muitas as pessoas que nem sequer sairão de casa. Se o podem ou não fazer..só às mesmas dirá respeito.

Da minha parte, e pacientemente, irei trabalhar, como habitualmente. Controladamente irei tentar interiorizar e entender que terei de deixar o jipe bem longe e espero mesmo muito sinceramente que não chova. Andar todo "enchouriçado", com mala pesada e a apanhar chuva..não dá com nada. Andar debaixo de chuva por causa de uma cimeira muito menos.

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terça-feira, novembro 16, 2010

Conselhos

Sou aquele tipo de pessoa a quem se pode pedir um conselho. Sobre qualquer coisa. Sinto-me perfeitamente à vontade para ajuda quem me peça um (ou mais) conselho(s) e até hoje, que me recorde, nunca me escusei a prestar a minha ajuda a quem realmente o necessitou.

Dar um conselho é mais complicado do que se possa imaginar. Sugere conhecimento da matéria que se está opinar. Requer disponibilidade e paciência no sentido de explicar o que nem sempre é de percepção imediata por parte do receptor. Nem sempre isto é equacionado por quem detem o conhecimento. O que poderá parecer simples e de fácil entendimento para quem aconselha poderá não ser lógico e de entendimento imediato para quem recebe o conselho.

Confesso que gosto de aconselhar. Significa que quem me pede a opinião valoriza a mesma. Na generalidade dos casos têm que ver com o mundo automóvel, conhecida que é a minha paixão pelo mesmo. Dá-me prazer aconselhar nesta matéria, bem como rebater pontos de vista pouco sustentados e falíveis avançados pelos profissionais pouco escrupulosos deste meio. Como se costuma dizer "São já muitos anos a virar frangos assados". Leio sobre a matéria, falo com quem percebe da "poda", tenho vários conhecidos no meio automóvel, e claro, eu próprio, recorro à bagagem adquirida ao longo dos anos.

Outra matéria onde também costuma ser solicitada a minha opinião ou conselho, é no campo amoroso. Acho piada a que se pretenda conhecer minha opinião, até porque não sou exemplo para ninguém. Contudo, consigo aconselhar. Não me custa absolutamente nada. Consigo perceber ambos os lados da relação e de forma prática e expedita aconselhar qual o melhor caminho. Nem todas as pessoas conseguem aconselhar sem que haja um raciocínio ou opinião tendenciosa. No meu caso abstraio-me por completo e consigo ser objectivo.

Por último, as pessoas a quem peço conselhos. São cada vez mais raras. E cada vez em menor número. Em casa, é claro, e em primeiríssimo lugar junto dos meus pais. A diferença geracional nem sempre é favorável ou aponta num conselho alinhado com o que penso. Digamos que há uma elevada probabilidade de tal não acontecer. Contudo, importa reter e considerar os conselhos de quem nos conhece e melhor do que ninguém percebe quais as implicações de determinadas opções de vida. Nesse sentido, e com vista a reunir alguns conselhos que "mais-à-frente" terei em conta, é com os meus pais que esta tarefa é iniciada. Depois com os "Amigos". E só mais tarde com pessoas que entendo que podem ter algo a acrescentar.

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segunda-feira, novembro 15, 2010

Afrodisíacos

Este é um daqueles temas que me dá prazer falar. Não no sentido literal da frase, obviamente, mas sim por me divertir a moda ou o "boom" dos afrodisíacos. E ser tida como a solução de muitos dos problemas dos casais.

Sempre ouvi dizer que o "pau-de-cabinda" nunca deixou ninguém ficar "na mão" (ou noutra qualquer parte anatómica). Embora nunca tenha experimentado, tive amigos que me confidenciavam histórias mirabolantes em consequência da ingestão de alguma bebida misturada com este pó do diabo. Basicamente, uma menina do côro ficar com uma líbido maior que qualquer filme dos filmes XXX ou mesmo com vontade de danças mais insinuantes que a Madonna no "Erotica".

Com o evoluir dos tempos, acontece surgem igualmente as "modernices". Desde os tão em voga restaurantes de comida afrodisíaca, passando pelos vários estímulos que se podem encontrar em qualquer loja dedicada a estas matérias. Contudo, importa reter que sem vontade ou predisposição...é quase que inglório e manifestamente improdutivo gastar uns cobres nestas coisas. É necessário à-vontade, cumplicidade, conhecimento no seio do casal para que as coisas resultem.

Na minha opinião, as lojas que vendem estes produtos estão condenadas desde o minuto em que abrem as suas portas ao público. Para começar, porque ninguém vai a uma loja destas pedir à menina da caixa que lhe sugira um produto milagroso para apimentar a relação. Ou se tem algo em mente, ou então não se vai para a loja debater quais as melhores alternativas e efeitos associados. Além do mais, subsiste sempre o perigo da Dona Palmira, porteira desde sempre lá do prédio ir a passar do outro lado da rua e poder ver sair da loja. Iria dar que falar, certamente. Durante ano  e meio, de certeza. Outra questão pertinente, é o aspecto fidedigno destes produtos e origens dúbias. Muita química envolvida, é normalmente, sinónimo de placebo. E só compra quem quer. Ou quem acredita em milagres. Ainda o melhor será mesmo usar a criatividade e as "mezinhas" de sempre. Essas sabe-se que resultam.

Para concluir, os alimentos (ou outros que tal) afrodisíacos não substituem em momento algum a criatividade, o conhecimento do que a outra parte gosta, do Diálogo e partilha de gostos ou mesmo de experiências com o que se tem em casa. Não faz sentido depositar toda a esperança para salvar relacionamentos neste tipo de solução. Deverá ser um complemento à mesma e nunca uma forma de estar na mesma.

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domingo, novembro 14, 2010

Matraquilhos

Nunca fui adepto de matraquilhos. No salão de jogos que frequentei durante anos depois das aulas do liceu / faculdade sempre houve  mesas disponíveis mas nunca tive interesse em jogar. Aliás, nunca soube jogar, para ser preciso e verdadeiro.

É necessário serem desenvolvidas algumas aptidões para se jogar matrecos. Saber "cobrir" os bonecos da equipa adversária, quando se joga numa posição mais avançada (ou mesmo na posição mais recuada). Saber posicionar o guarda-redes durante o jogo e quando a equipa adversária tem a bola no meio campo e nos avançados. Faz-me confusão. Tenho de confessar. É demasiada informação para alguém que abomina o futebol. E que não tem a mínima paciência para aprender as regras dos "matrecos".

Quis o destino que volvidos uns 15 anos desde a última vez que tentei a vitória num jogo de matrecos, jogue diariamente. Lá no restaurante onde costumo ir almoçar com a rapaziada do trabalho, há uma mesa de matrecos. Mesa essa que já levou tanto safanão e já foi tão usada (quer antes de começarmos a jogar, quer a jogar nela) que está toda desconjuntada. Os bonecos estão num estado lastimável. Ainda assim jogamos numa base diária. Para matar o vício. Ou quase diária..na medida em que quando chove não jogamos.

Há 4 equipas residentes. A minha tem sofrido alguns capotes (5 a zero). Mas o que interessa, "at the end of the day", é mesmo gozar uns com os outros e as picardias que há. Saliente-se que o almoço tem sido deglutido o mais depressa possível para que haja tempo para fazer umas jogatanas.

E assim se tem feito a digestão...entre vários impropérios ditos em voz alta, gozo com as equipas vencidas e gáudio das vencedoras. Diariamente.

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sábado, novembro 13, 2010

Gays

Como preâmbulo desta minha reflexão, importa clarificar que considero gays homens que gostam de homens, e mulheres que gostam de mulheres. Pessoas que gostam de pessoas do mesmo sexo.

Tive uma educação católica e balizada com valores incutidos sobre o respeito para desde e para com os pais, para com as pessoas mais velhas, para com as mulheres, com o chegar a algum lado e cumprimentar, agradecer sempre que nos dão algo, etc. Durante todo este "percurso", foi-me sempre dito que era errado e "contra-natura" um relacionamento entre duas pessoas do mesmo sexo. É normal que tal pensamento tenha perpetuado durante vários anos.

Com o avançar da idade e consequentemente com uma constante necessidade de afirmação masculina (assim como estar inserido num grupo em que eram partilhadas as mesmas ideias relativamente aos gays), assumi um ideal vincado e assumidamente homofóbico. Esta foi a verdade que durante umas boas duas décadas e tal norteou o meu pensamento relativamente a esta matéria. Não sei se bem, se mal, não será este o momento para avaliar...mas foi o que aconteceu.

De há alguns anos para cá o pensamento mudou um pouco. Continuo a não gostar de gays, nem tampouco tenho de gostar. Mas consigo aceitar que cada um escolha a sua sexualidade conquanto não interfira com a minha. Também me foi possível, depois de muito tempo, interiorizar que há uma diferença entre um "gay" e uma "bicha", sendo que os primeiros podem não ter a coragem de se assumir, enquanto que os segundos só um cego não percebe. E embora ambas as figuras me façam ficar indisposto (não há volta a dar), sou capaz de "dar um bacalhau" a um gay. E até falar com ele durante 2 minutos. Com uma bicha não. Nem conheço nenhuma.

A esgamadora maioria da sociedade partilha do mesmo pensamento que eu. Não aceita os gays, e muito por culpa da educação e valores que foram transmitidos ao longo das várias gerações. É complicado um gay assumir-se e há memória de casos de despedimento (ou mesmo a não contratação) quando a opção de sexualidade é assumida. Não tenho de tecer comentários relativamente a estas decisões...entendo que quando se quer algo, tem de se lutar. Talvez a luta não esteja a ser convenientemente feita. Ou talvez existam muitos gays que não se assumem com receio das consequências. Logo, o número de indivíduos assumidos é inferior, e como tal..perde "força" a contestação. Qualquer que seja ela. Parece-me lógico.

Um outro assunto delicado é a adopção de crianças por parte de casais do mesmo sexo. Poderá parecer contrasenso, mas o facto de aceitar que exista pessoas que gostem de outras pessoas do mesmo sexo não faz com que aceite que pessoas do mesmo sexo adoptem crianças. Já aqui desenvolvi o tema "Família" (vide reflexão em Agosto de 2010), e a no topo da instituição Família está o pai e está a mãe. Não estão dois pais ou duas mães.

Já no caso de casamento de pessoas do mesmo sexo, acho óptimo que o façam. Confesso que me diverte imaginar quem será o "marido" ou quem será a "mulher". Ou se é algo que se troque ao longo das semanas. Uma semana é um e outra semana é outro. Quem faz as tarefas tipicamente masculinas e quem faz as tarefas tipicamente femininas? Não consigo controlar-me e deixar de gozar um pouco com esta situaçao. É mais forte que eu.

Todas as mulheres (sem excepção) que conheço têm ou conhecem algum gay. E todas elas dizem maravilhas dos mesmos. Que têm uma sensibilidade que os homens "hetero" ou "straight" não têm. Que são mais genuínos e até já ouvi que são mais corajosos, na medida em que assumem a sua orientação sexual. É claro que para qualquer mulher é maravilhoso ter um amigo gay. Não só não oferece qualquer "perigo", em termos de interesse ou abordagem tipicamente masculina "quando-as-hormonas-começam-a-ficar-agitadas", bem como e para todos os efeitos, é sempre a figura de um homem que está ali. Corpo presente masculino - protecção.

Como vantagem para os homens livres e orientação sexual hetero...quantos mais gays houver..mais mulheres há disponíveis.

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sexta-feira, novembro 12, 2010

Travestis

Há muitos anos atrás, um dos divertimentos da malta lá da rua passava por ir gozar com uns travestis ali na zona da Av. da Liberdade. Um carro com 5 marmanjos com a barba mal semeada na cara e, de forma zelosa e escrupulosa a nossa obrigação semanal era cumprida. É claro que com o tempo ganhámos juízo e hoje em dia temos mais que fazer que ir gozar com quem trabalha.

Tenho de confessar que não entendo muito bem qual é a piada de um homem se vestir de mulher. Só no imaginário dos mesmos essa palhaçada e fetiche fará algum sentido. Da mesma forma que me consegue tirar do sério as "mulheres-feministas-que-gostam-de-vestir-roupas-de-homem". Não faz qualquer sentido que assim seja. Aliás, é contra-natura.

Naturalmente que é uma opinião pessoal. Não vou apedrejar nenhum travesti, nem tampouco hoje em dia faz sentido injuriar verbalmente quem retira algum prazer pessoal em vestir roupas do sexo oposto e até consegue ganhar umas patacas com isso.

No final..cada um sabe de si...

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quinta-feira, novembro 11, 2010

Seminários

Acho muitíssima piada aos seminários que por vezes têm lugar nas empresas. Confesso que poucas coisas me devem proporcionar um prazer tão grande como assistir a seminários de 1 ou 2 dias. E em especial a segunda parte do dia, depois de almoço, daqueles seminários "maçudos" e que não interessam a ninguém.

Entendo que há seminários e seminários. É importante "separar o trigo do joio". Há aqueles seminários que obrigatoriamente têm de ser frequentados, enquanto necessários para complemento da actividade profissional. Há os outros seminários que alguém se lembra que têm de ser feitos, e por forma a mostrar evidências em sede de auditoria, os funcionários são obrigados a gramar aquela estopada.

Já assisti a bons seminários. Dentro da minha actividade profissional. Produtivos. Pedagógicos. Em que houve partilha de conhecimento técnico. São os que mais gosto. Outros em que nitidamente fui enganado. É o que dá inscreverem-me em seminários que nada têm a ver comigo. Aconteceu há muitos anos atrás. Ir assistir a um seminário sobre condução térmica em fios eléctricos. Foi interessantíssimo, para os nerds dos engenheiros electrotécnicos que lá estavam em delírio. Para mim..foi uma tarde bem passada....com uma boa soneca.

É claro que não podia deixar de "puxar-a-brasa-à-minha-sardinha" e importa referir que um mau tema, ou um tema complicado, poderá ser bem desevolvido por um bom formador. Ou seja, aqueles seminários que à partida não teriam outro interesse que não fosse o acerto das horas de sono...

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quarta-feira, novembro 10, 2010

Famílias numerosas

Ouvi há poucos dias atrás uma reportagem sobre as famílias portuguesas numerosas . Tenho muita pena que os meus pais não me tenham dado mais irmãos ou irmãs. Neste último caso, irmãs mais velhas para que me fosse possível ter conversas sobre a vida com todas as amigas.

Se em alguns países europeus, há incentivos por parte dos Governos a que os casais passem mais tempo em casa (ou noutro local qualquer) no "bem bom", por forma a aumentar a descendência, cá em Portugal as coisas não são bem assim. Com o objectivo "firme e hirto como uma barra de ferrro" de aumentar a produtividade do País, não só não é dada qualquer benesse ou ajuda, como ainda é pedido aos portugueses que trabalhem mais e durante mais tempo. O que não deixa de reflectir uma preocupação grande do Governo para com os seus cidadãos.

Da análise dos dados referentes à evolução das taxas de natalidade e mortalidade decorre que existe uma tendência preocupante e que tem que ver com a "pirâmide invertida" no caso da taxa de mortalidade. Ou seja, uma esperança média de vida superior, e consequentemente uma população mais envelhecida. Este facto é contrariado com o aumento da taxa de natalidade. Por exemplo, e porque não, criando momentos ao longo do dia para que os casais se pudessem encontrar e "fazer-o-cafoné". Ou que fossem instituídos dois dias por semana para que os casais tivessem momentos a sós, tranquilos e promotores do bom ambiente...

Para terminar, não podia deixar de mencionar o quão penalizadoras serão as medidas da austeridade para as famílias portuguesas numerosas. Mais uma vez, constato que quem legisla (bem como quem aprova as leis) esquece-se da realidade de muitas famílias. Lamentavelmente. Especialmente as numerosas, que até possuem uma Associação...significando que o número não será tão reduzido quanto isso.

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terça-feira, novembro 09, 2010

Fãs

Começo por dizer que me sinto uma pessoa bestialmente afortunada nos dias que correm. Consta por aí que tenho uma série de fãs. Diz-se que só me querem bem e que gostam de mim como sou. Algo cada vez mais raro, parece-me.

Na minha concepção, fã é alguém que gosta muito de outro alguém. De nós, se preferirem. Que se identifica com a nossa forma de estar, de pensar e que em qualquer momento nos defende. Não diria que nos idolatra, mas digo que segue atentamente a forma como vivemos, como agimos e como reagimos perante determinados estímulos ou situações. E retrata-se nas mesmas.

Se há muitos anos atrás, com outra maturidade e à vontade achava que era complicadíssimo suscitar o interesse no sexo oposto, entendo que hoje em dia é fácil. Basta ser eu mesmo. Ou agir normalmente. E não só suscito o interesse como não consigo ter tempo para acudir ou aceitar a todas as propostas, na medida em que também é necessário equacionar as minhas responsabilidades pessoais.

Ter fãs não é sinónimo de ser "D.Juan". Ok, pode ser um pouco.. Mas julgo que é mais um indício de alguém que se sente à vontade em dar-se a conhecer. E ser alguém agradável, interessante e que desperta a vontade de outro alguém em conhecer melhor. É nessa base que avalio e "leio" a palavra fã. Sem necessariamente ter de existir outro tipo de pensamentos mais "spicy".

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segunda-feira, novembro 08, 2010

Os "cortes"

Quem nunca levou um corte? Ou não conhece alguém que pontual ou recorrentemente é  "cortes"? Conheço várias pessoas assim.

Por definição, "cortes" é aquela pessoa que combina algo, e que à última da hora não dá um ar da sua graça. Não aparece, para ser curto e grosso. Tem  alguma piada, especialmente quando se organiza e se desmarca uma série de coisas, para no final, alguém "dar a banhada". Já mo fizeram, e asseguro que fiquei muitíssimo aborrecido...relevei..mas não esqueci.

Não entendo muito bem qual é o objectivo de alguém marcar o que quer que seja e no final não cumprir com o acordado. Naturalmente que não falo de situações atípicas, ou seja que não sejam controláveis. Estou a falar de situações aparentemente normais, em que nada faria prever um desenlace desse tipo. E que infelizmente acabam por acontecer.

Há pessoas que sei serem naturalmente "cortes", para determinado tipo de programas. Eu próprio sou, se me convidarem para noitadas. É o mesmo que me pedirem emprestado um carro para o ir "esmurrar" numa parede próxima. O "corte´" é 100% certo.  Da mesma forma no que toca às noitadas, evito. Já saí muito à noite num passado longínquo...de forma que, hoje em dia, não sinto vontade ou necessidade. Aceito de bom grado um jantar, para desentorpecer a língua...mas mais que isso, hoje em dia, começo logo a "pôr travão". Ou dar o belo do "corte", se preferirem.

E neste aspecto..continuarei a dá-los. Sem problemas de consciência.

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domingo, novembro 07, 2010

Bugs

Se tudo fosse perfeito....a vida não tinha tanta piada. Grande parte dos meus cabelos brancos têm origem os bugs informáticos (e afins).

É conhecida a minha aversão e reserva relativamente a situações que não controlo ou em que possa intervir. Os bugs informáticos são excelentes exemplos desta realidade. Não encontro nenhum exemplo melhor, para evidenciar o como se passa de um estado de aparente calma, tranquilidade e paz interior, para um estado próximo de um AVC. Basta para isso, e como mandam as regras de alguém que anda nestas lides informáticas, ter um disco externo onde se tem a informação de uma vida. Fotos da famelga, relatórios da licenciatura / bacharelato, etc. O que se quiser. E num centésimo de segundo...pulverizar-se toda a informação. Já me aconteceu, e donde,  sei bem do que falo. Até hoje não sei como consegui ser a mesma pessoa depois de ter perdido os trabalhos todos de uma licenciatura. Dividido por anos, por semestres, cadeiras...enfim. Dá para imaginar o estrago. Ah...além de ter ficado "mais leve" em cerca de 75 "heróis" na conta bancária, para que tentassem recuperar o disco externo. Sem êxito.

No início desta semana tive oportunidade de experimentar outro tipo de bug. Desta feita, relacionado com o alarme matinal do telefone (iphone). Parece que a malta lá da Apple sabia que o software do telefone tinha (e tem) um bug. Basicamente, e para os comuns mortais como eu que definido um alarme semanal e um alarme de final de semana, a coisa correu mal. Ou melhor, nem correu.  A causa está na mudança de horário. Parece que a actual versão do sistema operativo destes telefones não aceita a mudança de hora e....o despertador toca uma hora depois do que seria esperado. Resultado: ao nível mundial registaram-se atrasos. Aparte dos "atrasos do costume", o resto dos atrasos deveu-se a causas diversas, incluindo os imputados aos proprietários dos iphones. No meu caso tive a sorte de despertar mais cedo. E não me atrasei.

Para concluir, e segundo reza a teoria dos "cromos da informática", as primeiras versões dos softwares, aquilo que a chamam "versões beta",..não devem ser logo adquiridas, na medida em que ainda estão a ser alvo de alguns melhoramentos e evoluções, o que me leva a crer, e ao ritmo que as coisas neste meio andam, nunca há versões definitivas. Donde..os bugs vieram para ficar.

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sábado, novembro 06, 2010

Avaliações

Sempre detestei avaliações. Sejam de que tipo forem. Desde as avaliações académicas, as profissionais, passando pelas avaliações / inspecções periódicas dos carros...enfim, o que se quiser imaginar.

Para aquelas pessoas ansiosas (e pro vezes precipitadas) as avaliações académicas são um martírio e obviamente um mau momento para a avaliação. O nervosismo, o medo de falhar contribuem para que, por vezes, o conhecimento que se tem das matérias das avaliações não passe / seja reflectido no papel, ou não seja transmitido pelo aluno nos exames orais.

Um dos melhores sistemas que já experimentei foi aquele que alguns professores que tive seguiram. Os dois métodos de avaliação: Escrita e oral. Desta feita,  aquelas pessoas que não gostam de falar, têm na escrita uma forma de serem avaliados. Aquelas pessoas que não gostam de escrever, têm na oralidade uma forma de marcar pontos.

É claro que o método acima não agrada a um tipo "especial" de alunos: os cábulas. Não só porque não têm a "bengala" dos auxiliares de memória, bem como não têm fluência verbal que lhes permita responder oralmente às questões colocadas.

Também neste assunto deviam ser copiados os modelos de avaliação utilizados "além fronteiras". Exemplo do modelo de avaliação tipicamente norte americano (teste de cruzes em que cada resposta errada desconta). Pode parecer pouco credível, mas em termos de eficácia é a mesmíssima coisa. Apenas mais fácil e mais expedito.
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sexta-feira, novembro 05, 2010

Experiência Profissional

Tenho para mim que a experiência profissional vale o que vale. São variadíssimos os anúncios de emprego que pedem experiência profissional. Resta saber em concreto que experiência profissional. Até porque na maioria das vezes não se trabalha em nada que se tenha trabalhado anteriormente... E aqui começam as minhas dúvidas.

Em primeiro lugar, importa reter que há actividades profissionais cá em Portugal relativamente recentes. Ou seja, uma empresa que possua por cá uma actividade nova, não deverá procurar pessoas com 15 anos de experiência profissional dentro da área, até porque não há. A menos que alguém se tenha formado noutro país e por engano tenha vindo parar a Portugal.

Em segundo lugar, julgo que os anúncios de emprego são dirigidos a dois tipos de pessoas: i) Os recém-licenciados, ou seja, aquelas pessoas que querem começar a trabalhar "ontem", e ii) Pessoas com mais de 15 anos de experiência profissional. Os recém-licenciados constituem um óptimo recurso por altura da proximidade das auditorias à empresa. É-lhes pedido que revejam toda a documentação, procedimentos e manuais da empresa. É, não raro, pedido que fiquem até mais tarde, "acenando com a cenoura" de que tal disponibilidade poderá ser tido em conta na avaliação fical do estágio curricular / profissional. Findo este período, e salvo honrosas excepções, o mais valioso que obtêm é mesmo um agradecimento pelo esforço, a palmadinha nas costas e eventualmente uma carta de recomendação, que aqui entre nós, não "mete o pão na mesa".

Já no caso das pessoas com 15 anos de experiência profissional (já cheguei a ver anúncios em que eram pedidos 25 anos de experiência profissional), sugere-me logo um cargo importantíssimo tipo Presidente da República ou algo que ande lá perto. Ninguém da minha geração tem 20 anos de experiência profissional a menos que seja sobredotado e tenha terminado o curso superior enquanto saía à noite ou jogava à bola. Por outro lado, importa também equacionar a possibilidade de se tratarem de concursos internos, em que é necessária (por Lei) que o mesmo seja publicado, e assim sendo, estará à partida preenchida a vaga em aberto. O que não deixa de ser a sua piada. Aliás...nem é culpa das organizações..é culpa do legislador. Que piada tem abrir um concurso, só porque a Lei assim o decreta (em nome da transparência) e se já saber quem é o vencedor?

Para terminar, nos países ditos "desenvolvidos" não interessa que alguém fique 30 anos no mesmo local de trabalho. Isso é sinónimo de pouca iniciativa e aversão à mudança. Há casos de pessoas que mudaram muitas vezes de emprego. E que defendem que de cada um deles levaram um pouco. Que os enriqueceu. Quer pessoa, quer profissionalmente.

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quinta-feira, novembro 04, 2010

Romantismo

Tenho a informar que o romantismo é como a seriedade na política. Cada vez há menos, e tende mesmo a deixar de existir. Esta é a verdade.

Importa definir aqueles que são os vários "momentos" de uma relação afectiva: Início da relação (também conhecido como o deslumbramento); Desenvolvimento da relação (altura em que as partes se moldam e em conjunto experimentam as naturais dificuldades do dia-a-dia e próprias dos relacionamentos) e ainda a Acomodação (que tanto pode durar anos como ditar o fim da relação).

Se na primeira fase tudo é côr-de-rosa e bonito, já ser romântico nas três fases é complexo. Não é impossível, mas sugere um contínuo trabalho de ambas as partes no sentido de descobrir o que a outra parte gosta. Sugere dedicação de ambos, empenho, disponibilidade mental (e presencial). É necessário poder de encaixe, o "molde" à outra pessoa e claro, desejar que todos os problemas quotidianos tenham um desfecho feliz e pacífico. Como sabemos, isso acontece no País da Alice. Não na realidade.

Não acredito que um Homem não seja romântico além do início da relação. É neste momento que terá de dar tudo por tudo, e naturalmente, conquistar "a" tal. Aqui sim. É normal (e desejável) que nesta fase inicial se seja romântico. Que se questione o círculo de amigos (e amigas) no sentido de contribuirem com ideias para que o efeito de romance seja efectivo e que a destinatária perceba a mensagem. Que não subsista qualquer dúvida.

Já nas demais fases...é complicado. São raras as relações em que "a chama" se mantem acesa finda a primeira fase. É claro que não digo que seja algo impossível de se manter sempre. Digo que o romantismo é muito bonito quando existe nas 3 fases. Seria muitíssimo bom se assim fosse em todas as relações afectivas. Contudo, e pelo que tive oportunidade de ler ontem numa revista, em cada dois casamentos um termina em divórcio. Com uma gritante e flagrante realidade destas...não será o excesso de romantismo a causa.

Para finalizar, há também vários tipos de romantismo. Não existe uma "receita" que se possa seguir. Existe (ou deverá existir) o Diálogo, por forma a ir percebendo o que cada uma das partes gosta, e apostar. E ser criativo. Todos os dias.

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quarta-feira, novembro 03, 2010

Castanhas Assadas

Adoro castanhas assadas. Desde sempre. Lembro-me das castanhas assadas naquela mota que costumava estar parada em cima do passeio ali no Rossio. Lembro-me da imagem do fumo branco a subir rumo ao céu bem como do cheiro inconfundível possível de se sentir a largas centenas de metros.

Sou do tempo em que as castanhas assadas eram colocadas no cone feito com o papel das listas telefónicas amarelas. até hoje nunca percebi se as mãos pretas do vendedor se devia às castanhas ou à tinta preta do tal papel amarelo. As mesmas mãos com que eram feitos os trocos... O que é certo é que nunca me fez mal algum e soube-me sempre pela vida.

Importa também referir que há uns anos atrás (hoje também, mas com menos frequência), comprar castanhas assadas era uma "lotaria". Tive situações em que, num cone de 12 castanhas assadas...encontrava 4 castanhas assadas boas. Nem com estas desoladoras de desanimadoras quantidades de castanhas desisti de as comprar anualmente.

O ano passado, e seguindo o preceito, tive vontade de comer castanhas assadas. Não foi no Rossio, mas sim na Av. de Roma. A mota "triciclo" com fogareiro não era das que me lembrava. A pintura da mesma estava impecável, o fogareiro das castanhas parecia novo e...surpresa das surpresas..deixou de haver o papel da lista telefónica. Resumidamente, as castanhas assadas têm outro sabor. O papel reciclado e as tintas não tóxicas fazem com que o sabor esteja muito "trabalhado" e ao gosto dos senhores da ASAE, mas não do meu. Ou de outros saudosistas.

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terça-feira, novembro 02, 2010

Ruído Ambiental

Com a crescente modernização da indústria, tem lugar, sem dúvida uma perturbação de algo que nos é agradável e transmite paz de espírito e serenidade - o silêncio.

Ninguém tem o direito de perturbar com os escapes livres das motas, carros ou obras com o martelo pneumático fora das horas de expediente ou ao final de semana. Por vezes penso que estas pessoas deviam sentir (se ainda tiverem audição) o incómodo que é alguém querer concentrar-se ou simplesmente descansar e ouvir as corridas de motas, carros ou do obral. Não deixa de ser curioso que as autoridades se preocupem tanto com questões "secundárias". Ninguém me conseguiu explicar até hoje a razão pela qual as autoridades não têm aparelhos medidores do ruído ambiental - sonómetros. Não é preciso grande sabedoria para o manuseamento / operação destes equipamentos. O investimento certamente teria retorno, com as contra-ordenações levantadas em consequência de alguns "Fangios" e prevaricadores da Lei Geral do Ruído, no que toca aos períodos legalmente consagrados para se fazer barulho.

Lamentavelmente  as autoridades não têm ao seu dispôr mais formas de combate a quem entendes que as leis são para serem cumpridas pelos "outros". Se nem sequer há verba para pagar as revisões dos carros da polícia (há carros parados à porta da esquadra por falta de verba para custear as revisões), é perfeitamente razoável que a aquisição de um sónometro por esquadra se assemelhe a pedir um rim ao Ministro desta pasta.

A "mão-da-autoridade" peca por não ser pesada quando é necessária a sua acção vigorosa. Para aquelas sumidades intelectuais que voluntariamente se deslocam à casa de escapes lá do bairro e artesenalmente instalam uma linha de escape completa, sem silenciador, claro, ou um sistema de som (auto-rádio e colunas) no carro que.....consegue envergonhar algumas discotecas. Não estou a brincar. Há pessoas que têm instalados nos seus automóveis  potências sonoras que em nada ficam a dever à descolagem de um avião!! E em alguns casos ultrapassam este valor já de si elevado.

Não é a primeira vez que desenvolvo este tema neste espaço. Contudo, é gritante a falta de fiscalização por parte de quem de direito. Imagine-se o ridículo de um agente da autoridade mandar parar um mota dessas com escape quase livre e não se fazer ouvir quando pede os documentos ao motociclista. Não seria a primeira vez. Nem será certamente a última.

O ruído ambiental tende a agravar-se. Infelizmente é essa a tendência. Importa acautelar esta situação. Já aqui referi, e volto a frisar, a surdez é irreversível. Os headphones, a música aos altos berros, as discotecas...são poderosíssimos agressores para a audição. Já não falando do dia-a-dia, do barulho normal de uma urbe ou do meio rural (onde também há ruído, embora num valor francamente inferior).

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segunda-feira, novembro 01, 2010

Anões

Com alguma regularidade passam peças televisivas sobre os anões. Nanismo é o nome científico para o não crescimento ósseo e consequentemente o não desenvolvimento do corpo das pessoas.

Confesso que não me apercebo das restrições / limitações que surjem diariamente para os anões. Reconheço que apenas e só quando vejo essas tais peças ou leio sobre o tema realizo o quão complexa deverá ser o quotidiano destas pessoas, na medida em que não estão criadas as infra-estruturas arquitectónicas adequadas.

A preocupação de quem desenha / projecta (arquitectos) relativamente a esta temática não é antiga. Em abono da verdade, creio que a sociedade terá acordado para esta realidade há um par de décadas. Não terá sido por falta de atenção ou de respeito para com estas pessoas. Talvez, e sem querer vestir a capa do "advogado-do-chifrudo", tenha sido por não serem ouvidas as reclamações destas pessoas. Ou por não chegaram às pessoas certas  - quem manda e paga as contas.

A criação de toda uma série de infra-estruturas de raíz, o dotar as actuais de facilidades adequadas aos anões envolve custos avultados. Será preferível continuar a ouvir reclamações de quem se sente discriminado do que...agir. Intervir. Encontrar soluções. Ainda por cima em altura de crise e profunda recessão económica.

É altura e tempo de se ter mais respeito e consideração pelas pessoas que têm dificuldades. Não faz sentido continuar a projectar-se sem que seja garantida e alvo de inspecção a boa acessibilidade (e funcionalidade) para os anões. E não raro vêem-se projectos aprovados sem que tal seja equacionado. Infelizmente.

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