Também conhecida como "A profissão mais velha do mundo". Tal como qualquer outro grupo de pessoas, também as (os) prostitutas (os) me merecem o mais sincero e honesto respeito.
É claro que ninguém se prostitui por gosto. Este é um dado adquirido. Há várias correntes que tentando justificar a entrada de alguém para este mundo, sendo que o denominador comum é, indubitavelmente, a questão monetária. Outra corrente advoga a ideia dos fluxos migratórios (quer do interior do País para a grande urbe, quer do exterior do País para dentro do mesmo). Em qualquer dos casos, está subjacente a ideia de melhores condições de vida. E na maioria das vezes existe um agregado familiar algo grande que carece de sustento.
Se há uns anos, na capital, eram conhecidos os "poisos" habituais destas "amigas", as coisas mudaram um pouco desde então. Há o encontro marcado através do telefone, há quem receba em casa e há quem se desloque ao domicílio. Paralelamente, e cada vez menos representada, está o grupo que continua a ser encontrado ou que recebe "na rua" (dentro do carro).
Aparte das digníssimas representantes deste sector que falei agora, e em conjunto com um melhor serviço, importa referir que passou a a haver um cuidado maior com a apresentação. Foi abandonada a ideia (e prática corrente) da falta de 28 dentes. Embora continue a existir uma associação íntima entre toxicodependência / prostituição, hoje em dia não será esse o mote orientador e que leva algumas pessoas a enveredarem por esta via, mas sim o dinheiro, como já aqui referi.
Acredito que uma percentagem significativa das traições tenha lugar com prostitutas (os). Defendo a ideia que o mau sexo (e diálogo) em casa, não só frustra o homem / mulher, como também o (a) torna ávido (a) de encontrar alguém com quem se identifique na intimidade e com quem possa extravazar as suas fantasias e fetiches, sem ser questionado (a). E reside aqui um dos segredos do porquê de se recorrer ao mundo da prostituição. Liberdade sem ser questões.
Outra situação completamente diferente, será a das (os) jornalistas que escrevem sobre a prostituição. Já aqui referi no blogue anteriormente que me diverte um pouco esse tipo de jornalismo. Para que seja possível escrever na primeira pessoa, alguns profissionais deste sector entendem que devem "pôr a mão na massa" e não raro, durante uns largos meses enveredam neste mundo. Quer-me parecer que será acima de tudo a concretização de um fetiche pessoal que subsequentemente é partilhada com a sociedade. Por outro lado, parece-me um pouco perverso e revela pouca consideração pelas pessoas que não têm alternativa e fazem da prostituição um modo de vida*. É o mesmo que para se escrever sobre a droga se diga que é necessário tornar-se consumidor. Embora há quem já o tenha feito. (* - Tambem se pode ir lavar as escadas de um prédio com 89 andares. Resta saber quem é que o quer fazer, quando num dia de prostituição se ganha mais que uma porteira em 5 meses de árduo trabalho).
Sempre que se pensa em prostituição, associa-se de imediato o sexo feminino. A realidade mostra-nos que hoje em dia este é mais um dos mitos urbanos que importa desmistificar. Essa realidade já era. Hoje em dia, a prostituição masculina está cada vez mais presente. E veio para ficar. E a análise deste fenómeno será uma "colagem" da análise do fenómeno no sexo oposto, sendo que as razões que lhe dão origem são as mesmas.
Com a actual crise económica e consequente onda de despedimentos, chegam-me ao conhecimento situações complexas e que requerem acompanhamento. Pessoas que precisam mais do que um trabalho, por forma a fazer frente às contas mensais. E que ponderam na prostituição uma forma de obter um rendimento extra e acima de tudo rápido. Não sei se será a Segurança Social, a Santa Casa da Misericórdia, ou outra instituição à qual se deve dirigir alguém com dificuldades. Sei sim que é um flagelo, com um número de pessoas cada vez maior, sem que nada se faça para debelar esta realidade.
Próximo Tema: Cartas de amor



