sexta-feira, dezembro 31, 2010

Final de 2010

Último dia do ano de 2010. Para muitos  é altura de avaliar o ano que finda. Ao mesmo tempo,  perceber o que podia ter corrido melhor, o que se podia ter evitado. Pensar de que forma se pode preparar  o ano que aí vem. E como viver da melhor maneira com as dificuldades já conhecidas por muitos. Julgo que ficou bem clara estas realidades em grande parte das minhas reflexões.

O ano que termina foi também marcado por algumas vitórias pessoais. Uma delas, e aquela que julgo que será mais marcante para mim, será o ter conseguido atingir o meu objectivo pessoal, balizado por uma enorme dose de disciplina, e que foi o ter apostado neste blogue. E que grande aposta! O número de textos publicados em 2010 atesta e corrobora o que acabo de dizer. 365 textos. Mais um haveria se o ano fosse bissexto..

O que decorre do parágrafo anterior é que consigo sempre o que quero. Assim esteja motivado e acima de tudo, assim tenha um objectivo claramente definido. E é com grande satisfação que constato que foi o mesmo atingido. E está à vista de todos.

Por outro lado, e para terminar, foram várias as situações com que me deparei este ano, e que no final, me fizeram crescer enquanto pessoa. Desde experiências vividas com pessoas que o destino quis que se cruzassem comigo, a perda de pessoas que já partiram deste mundo. Penso que o que interessa é guardar o que realmente ficou de bom. Isso é o mais importante. Em paralelo, e como nem tudo é como queremos, também houve momentos menos bons. E claro, como menciono num dos meus textos deste ano, cabe-nos conseguir desenvolver mecanismos de defesa que visem o ultrapassar as adversidades do quotidiano. A consequência imediata é não só a aptidão para resolver os próprios problemas, mas também o fortalecimento pessoal.

Muito havia por dizer, desde os eventos que marcaram este ano, na actualidade política, bem como na conjuntura sócio-económica nacional e internacional. Na medida em que fui abordando esses e outros temas ao longo do ano aqui no blogue, correria o risco de me repetir, e assim sendo, pouparei os meus seguidores dessa maldade. 

Desejo a todos (as) os (as) meus (minhas) seguidores (as) um excelente ano de 2011 recheado de tudo o que mais desejarem. Que todos os projectos e desejos se realizem e..haja saúde. Da minha parte...fica a promessa de mais 365 textos. Ou 366..!

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quinta-feira, dezembro 30, 2010

Convulsões Sociais

Próximos do final de 2010, importa reter que o próximo ano vai ser um ano de provas. Atrevo-me a dizer que quem conseguir superar e manter o mesmo nível de vida que tem neste momento...aguenta tudo.

Contudo, é sabido que nem todas as pessoas vão conseguir aguentar. Com 600.000 desempregados a coisa está preta. E com tendência a piorar. Basta pensar no IVA que vai sofrer um aumento de 2,5%. E faz diferença nas contas. É líquido que aquelas empresas que não tiverem liquidez financeira e/ou um "pé-de-meia" para fazer frente às dificuldades que se avizinham, não terão alternativa senão em fechar as portas e  "engrossar" as listas dos desempregados.

Já mencionei anteriormente o facto dos portugueses estarem cépticos, desconfiados e sem alternativas. A fraca afluência às urnas, corroborada pela elevada abstenção dos últimos actos eleitorais são sinais claros do descrédito que vigora no presente momento relativamente à classe política, ou seja, de quem manda. Para "piorar a fotografia", a classe alta e classe baixa continuarão a não pagar impostos. No final, subsiste a sacrificada classe média. Sem novidade até aqui.

Com a carga fiscal que se prevê para 2011, a classe média será ainda mais sacrificada. Tal facto sugere que neste estrato social se acentue o fosso entre os extremos, ou seja, o que separa a classe média-alta da classe média-baixa. Resumindo, quem vai suportar a crise económica de Portugal será a primeira. Não tenho qualquer dúvida.

Classe média-baixa. A classe social que sobrevive recorrendo a uma engenharia financeira bestialmente complexa. Agregados familiares de 4 elementos e com vencimentos mensais brutos que rondam os 700 / 800 € , faz-me pensar que deviam ser propostas ao Nobel da Economia como autênticos "casos estudo". É francamente preocupante a realidade vivida por muitos dos lares portugueses.

Se a situação foi má em 2010, e ainda assim permitiu a sobrevivência, em 2011, a classe média-baixa será aquela decairá para a classe baixa. A taxa de desemprego vai aumentar, o Governo deixará de garantir o subsídio de desemprego para todos aqueles que não têm trabalho. O equilíbrio financeiro entre aqueles que descontam (trabalhadores no activo e  que pagam os impostos) e aqueles que não têm trabalho e precisam de receber o subsídio, será indubitavelmente muito delicado. E é precisamente aqui que quero chegar com o tema de hoje.

O não poder alimentar os filhos faz com que qualquer homem perca a cabeça e o tino. Quanto realizar que lhe é pedida mais contenção e volvidos alguns dias vier à baila as "necessárias" mudanças na frota de automóveis do Governo...parece-me que poderá fazer emergir um sentimento de raiva e incompreensão. É certo que há pessoas que conseguem encaixar esta realidade, mas importa perceber outras não o conseguem fazer. E entendem provocar greves (ou outras formas de luta mais violentas) como forma de contestação de medidas mais castradoras. Daí à convulsão social é um passo.

Não vejo que o actual Governo se aguente por muito mais tempo em exercício. No dia em que acontecer a vez mais esperada e óbvia vinda do FMI a Portugal, para pôr ordem nas contas do País, o Executivo, o Primeiro Ministro, recebe um atestado de inépcia, que na minha opinião, ditará o "princípio do fim" do seu mandato. E já vem tarde.

Esperemos que toda a situação seja cabalmente explicada aos portugueses por forma a garantir equidade e justiça evitando assim. Até ao momento ainda ninguém teve a coragem de o fazer. Nem vai ter até ao final do mandato. Que de forma voluntária ou coerciva terminará em breve. Mais breve do que se possa imaginar.

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quarta-feira, dezembro 29, 2010

Objectores de Consciência

Objector de consciência é algo que algumas  pessoas que defendem certos princípios religiosos, morais ou éticos, avançam (fazendo prova), como sendo princípios incompatíveis com a prática do serviço militar, ou prestação de serviço nas Forças Armadas enquanto instituição bélica.

No caso da religião, a questão resolve-se facilmente. Há sempre a hipótese do serviço religioso, e há sempre alguém com legítima necessidade de "ver a luz" no campo da batalha. Resumidamente, quem avança com este objector, deve estar disposto e preparado para aceitar um serviço alternativo ao serviço militar convencional.

Já no segundo caso, a defesa do objector de consciência por parte de um cidadão maior de idade e obrigatoriamente recenseado, revela-se mais complexa e frágil. Se durante toda a história da instituição militar, alguns objectores de consciência como sejam a homossexualidade (ou outros) eram incompatíveis com a doutrina e credo militar, a história contemporânea sugere outra realidade. Ainda há poucos dias surgiu a notícia de que as forças armadas norte americanas são obrigadas a manter nos seus quadros os homossexuais assumidos. Aconteceu no EUA, país em que este tipo de assuntos é objecto de discussões acaloradas, e a comunidade gay tem uma força diferente da que têm muitas outras nações. É certo que era uma das promessas eleitorais do Obama, mas também é certo que o eleitorado gay norte americano tem uma expressão numérica maior do que aquilo que se pode imaginar. Em Portugal, e pelo que sei, a realidade é outra, como já tive oportunidade de referir noutro momento. Se é uma mentalidade tacanha, hermética ou inflexível, caberá a esta comunidade lutar pelos seus direitos, tal como fez a congénere norte americana.

Em paralelo, subsiste a questão do fim da obrigatoriedade do serviço militar obrigatório. É certo que não "faz homens" (ou mulheres), mas ensina a disciplina, os hábitos e o aprumo que são incutidos nos cidadãos que por lá passam. Pessoalmente, sempre me divertiu um grande bocado ver vários dos meus amigos arranjarem radiografias das pernas e braços com ferros lá dentro, atestados médicos viciados, enfim, tudo servia para fugir à tropa. Uma questão de postura e de gosto, claro está. Além disso, e já no campo da ética / moral, há pessoas que ao considerarem-se pacifistas ou anti-militaristas conseguem "colidir" com o propósito da causa militar e que assenta basilarmente na defesa da Nação. O que per se é um enorme objector de consciência.

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terça-feira, dezembro 28, 2010

Reveillon

Eis que se aproxima a tão esperada noite do final de ano. Partilho convosco o estar efusivo e não poder comigo de tanta alegria. Noto que mais uma vez, as grandes superfícies disponibilizam imenso champagne e espumante (para todos os gostos e bolsas), para que nada me falte. Os frutos secos, as passas (que normalmente enfio todas juntas na boca e depois tenho de formular 12 desejos de rajada), enfim, um fartote.

Mais a sério...Tendo em linha de conta todas as análises políticas dos comentadores semanais  e dos vários artigos de opinião publicados nas revistas e jornais, apraz-me perceber que os portugueses ainda queiram festejar o que quer que seja. Aliás, a única e singela razão para que tenha lugar um festejo é..continuar no mundo dos vivos.

Como não podia deixar de ser, aqui o escriba acha o reveillon é uma das maiores palhaçadas de sempre. Devia haver uma votação para as 10 maiores tretas ou palhaças de sempre. A passagem de ano devia figurar num dos primeiros lugares. Note-se que não pondero ou sequer equaciono a possibilidade ir deitar-me às 2130H na noite de 31 de Dezembro. Nada disso. O que me deixa sinceramente preocupado é o perceber que motivos tenho para festejar. Aparte do que mencionei acima...

Sem querer adoptar um registo de pessimismo e negativismo, tenho para mim que o final de ano está a ficar um pouco como o Natal. Um momento de hipocrisia e de consumismo. A única diferença para o Natal é que não há a tão conhecida heresia. Como é que alguém com 2 dedos de testa pode desejar "Bom Ano" sabendo que o iva vai aumentar para 23,5%? Ou sabendo que no primeiro trimestre do ano vão ser implementadas as tão faladas medidas do plano de austeridade? Não percebo. Alguma coisa me está a escapar certamente.

O espumante / champagne são indubitavelmente presença obrigatória na noite da passagem de ano. Se equacionarmos que por cada lar português se consomem 2/3 garrafas de bebida espirituosa e mais uns frutos secos, sem grande problema temos uma despesa de 10 ou 12 euros. Se ampliarmos esta despesa à realidade nacional, é fácil perceber que se chega aos milhões de euros de despesa. Parece-me claro que em tempos de crise há hábitos que não se perdem. E dinheiro mal gasto.

 Numa altura em que se pede contenção aos portugueses, também neste momento do ano se devia dar o exemplo, vindo de cima. Governo e Presidente da República deviam ir para o Terreiro do Paço com chapéus na cabeça, e bater com as tampas das panelas, enquanto cirandavam por ali próximo do local que albergava os antigos Ministérios. Depois da meia-noite, sentavam-se e debatiam o Estado da Nação com os contribuintes que tivessem sugestões para dar, enquanto era servido bolo rei que sobrou do Natal e copos de plástico com "champomix".

A minha crítica não pretende ser depreciativa. Nem pessimista. Acho óptimo que as pessoas festejem, mas quando há motivos verdadeiros para tal. O ano que finda foi mau. E o que aí vem, vai ser pior. Donde, acho que os portugueses não têm muito por onde fazer a festa. A menos que tenham em mente coisas excelentes e que as façam sentir alegres. Da minha parte, e a 3 dias da noite de final do ano, não tenho. Donde, e um pouco contrafeito, vou mais uma vez fingir que festejo a passagem do ano.

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segunda-feira, dezembro 27, 2010

"Toureiras"

A reflexão de hoje nada tem que ver com a tauromaquia que não aprecio (vide reflexão de dia 08JAN2010). Trata-se de um termo que entrou para o léxico deste vosso escriba há coisa de dois anos. Ainda hoje estou para perceber como é que ainda não me ocorreu escrever umas linhas alusivas ao mesmo.

Sendo curto e grosso, para nós homens, "toureira" é a mulher que gosta de provocar, de "mostrar-o-rebuçado" e depois esconder. Simples. Recorendo a números: Há cerca de 6 milhões de portugueses do sexo masculino. Deste grupo, retirem-se 3 milhões de portugueses que, no limite, fazem parte do grupo de homens que ainda não possuem a palavra "Vitalício" no campo da validade do bilhete de identidade. Retire-se igualmente a maltosa que esconde religiosamente a "pílula-azul-mágica" para, de forma selvagem e louca "dar conta do recado" duas vezes por ano. São vários os exemplos que aqui podia dar. Mas o que realmente interessa aqui e agora é segmentar de forma inequívoca o alvo das "toureiras" - Sexo masculino dentro do "prazo da validade". Nota: Abaixo do meio século de idade, note-se.

Parece-me óbvio e imediato que estas sábias personagens aperfeiçoam as suas técnicas com cobaias. Resumidamente, são aqueles homens que são pobres de espírito e fracos de personalidade. Ninguém tem dúvida alguma que hoje em dia há artefícios técnicos, e amplamente disseminados na indústria da lingerie, que fazem com que uma Kate Moss envergonhe uma Pamela Anderson e a faça sentir mais lisa que uma tábua de engomar. É este tipo de ligação e raciocínio que o homem tem de estar preparado para fazer. Desconfiar. Sempre. Estar alerta / prevenido. Olhar logo para as mãos da fulana e para o cabelo.

Normalmente são aspectos que são tidos em consideração por estas "amigas", e com o intuito de chamar a atenção dos homens incautos. Os decotes até ao umbigo, as mini-saias (que de saias pouco ou nada têm) e os saltos altos de 17 cm constituem sem dúvida alguma, (e entre outras opções válidas), o tipo de armas a que as toureiras recorrem para provocar o tão conhecido efeito "tcharan" quando entram num local qualquer.

Caros leitores, o truque reside em saber "isolar" cada uma das armas que descrevo acima, e mentalmente imaginar o resultado final. Garanto-vos que é algo de ir às lágrimas: "dois-sacos-de-café" ao invés de algo que inicialmente pareciam  ser "dois-airbags-de-puro-prazer", a tão típica anca larga (com celulite) e claro...1,50 cm. Bem-vindos ao mundo real.

Há um efeito positivo e claramente benéfico. A competição entre mulheres. O mundo feminino é dos mais competitivos que existe, e as "toureiras" contribuem de forma inequívoca para acentuar as desigualdades. Parece-me líquido que o Sr. Hortênsio, porteiro lá do prédio, e que veio da Beira Baixa directo para Lisboa há 300 anos, que sempre viveu maritalmente com a Sra.Dona Juvelina, mulher entradota e que arrasta os pés a andar, é capaz de ficar em lume se vier a piquena do 2º Dto pedir-lhe salsa a desoras, em trajes reduzidos. Seria maldoso por parte da jovem fogosa. O ancião ficará a pensar que é o vinho a pregar-lhe partidas, ou então tem de ir a algum lado perceber o que lhe aconteceu "lá em baixo"... Claro está que as "toureiras" fazem com que as mulheres / namoradas fiquem inquietas e não apreciem por aí além ver os respectivos pares olharem para estas "enviadas-do-demónio".

Felizmente, já conheci várias destas "amigas" ao longo da minha vida. Para mim, que não sou um homem melhor, ou um homem pior que os demais, são fáceis de identificar. A forma como falam, como abordam e como se vestem...sugere e diz muito das pessoas em causa. Pena que nem toda a gente conheça o sexo oposto como seria desejável. E tanta gente seja enganada.

Eu conheço um pouco do sexo oposto. Um bocadito pequeno. Que me permite agir em antecipação. Como se quer.

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domingo, dezembro 26, 2010

Indultos Presidenciais

São três as definições no dicionário para indulto: i) Perdão; ii) Remissão total ou parcial de pena e por último iii) Privilégio concedido pelo papa, conferindo poderes fora das regras ordinárias. Confesso que o indulto presidencial é um daqueles temas que me causa alguma incomodidade e, tendo-me como uma pessoa vertical, que honra os seus compromissos e que se pauta por uma vida balizada por valores de integridade, honradez e honestidade, não posso deixar de ficar incrédulo e em completo desacordo com este instrumento legal do Presidente da República (PR).

À nossa dimensão, e outro maravilhoso exemplo que me ocorre, é, como não podia deixar de ser, a palhaçada da amnistia das multas de estacionamento. Lembro-me de vários amigos (e amigas) que coleccionavam mais de duas dezenas de multas e fazerem gáudio de mais tarde todas (ou praticamente todas) terem sido amnistiadas pelo Papa. Aqui o escriba que vos endereça esta reflexão de hoje, deve ser a única pessoa do planeta que até aos dias de  hoje percorre quilómetros para estacionar o carro em locais legais e nunca interferindo com a desejável fluidez do tráfego. Não é um direito, é uma obrigação minha. Deve igualmente ser a única pessoa deste mundo que de uma vez, pagou no multibanco 4 multas de estacionamento, tendo ficado zonzo com o rombo na conta bancária. Devo ter algures guardado o comprovativo de pagamento, e pode ser que um dia destes me lembre de  emoldurar e colocar no tecto do meu quarto. Só para me fustigar durante 45 minutos todos os dias.

Não percebo muito bem o porquê do indulto presidencial. É um reconhecimento do PR perante a restante sociedade que um preso se portou bem e como tal "Toma-lá-10-euros-para-ir-comer-uma-bucha-e-uma-mini-e-vamos-esquecer-os-últimos-20-anos-em-que-estiveste-de-cana? Vamos-também-esquecer-que-mataste-a-tua-família-de-7-pessoas-porque-pensaste-que-a-tua-mulher-andava-a-dormir-com-o-homem-do-gás". Parece-me inusitado. Da mesma forma que me parecem completamente inaceitáveis os erros judiciais (em breve reflectirei sobre os mesmos). Aparte destes últimos, o indulto presidencial peca por ser injusto para com os demais presos (se é que merecem algum tipo de justiça) e é algo que, por vezes, pode dar azo à abertura de sérios precedentes.

Há cerca de dois anos, tive oportunidade de manifestar a minha opinião relativamente ao sistema judicial português. Em concreto, relativamente ao desfecho do caso judicial mais moroso e mediático de sempre em Portugal. Disse na altura, que se o desfecho fosse um, eu passaria de imediato a ser um céptico e descrente no nosso sistema judicial. E assim foi. Tenho pena de não ter jogado mais vezes no euromilhões nessa altura..certamente estaria a redigir esta reflexão a partir de uma palhota qualquer em Bora Bora. Importa salientar que esta minha observação e promessa teve lugar cerca de um ano antes de ser conhecido o Acordão final. E ainda assim acertei, e mantive a minha convicção.

Vêem-me falar em segundas oportunidades e da tão aclamada reinserção social. Lamento não concordar nem tampouco aceitar. Acho que é tudo uma treta pegada e confesso que me tira do sério conseguir perceber um pequeno sinal de impunidade. Aliás, é um direito que me assiste e tenho  uma opinião claramente contrária à da corrente comum. Analogamente, é o mesmo que eu ser detectado em excesso de velocidade pela autoridade policial e pedir para pagar apenas parte da coima, na medida em que não me dá muito jeito pagar a totalidade naquele momento. Claro que tal não é possível. E o PR também não estará muito preocupado com o facto de me aplicarem a coima máxima e ser obtida mais uma receita extraordinária para os Cofres de Estado.

Não me querendo alongar muito sobre este tema, termino dizendo que este "poder" do PR devia ser abolido. Não faz qualquer sentido, e, para ser sincero, compromete ainda mais o já de si desacreditado sistema judicial português. Repare-se está em causa a deliberação de uma pena, em Juízo, de um Magistrado...e quando assim é..deveria constituir obrigação incontornável que a mesma fosse integralmente cumprida. E sem possibilidade de, a dado momento poder ser indultada pelo representante máximo da Nação.

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sábado, dezembro 25, 2010

Investimentos em tempos de crise

Não é novidade para ninguém que os investimentos em tempo de crise constituem um dos motes para a dinamização da economia de um país. A criação de postos de trabalho, o incremento das taxas de importação / exportação, o aumento do nível de confiança dos investidores estrangeiros em determinado país sugere que os investimentos passem a ser uma solução a ser tida em linha de conta em tempos mais difíceis. Poderá parecer incoerente (o não haver dinheiro e haver investimento), mas basta ter em consideração a história contemporânea dos EUA, da Alemanha, Itália, países de Leste, alguns países do continente africano (que em algum momento estiveram envolvidos em guerras) para perceber que a riqueza produzida pela indústria bélica foi, em algum momento, uma opção válida.

Importa reter que não basta investir e deixar que as coisas "apareçam feitas". Em primeiro lugar, é necessário ter visão de negócio. Significa isto que importa perceber em que momento se comuta de investimento feito a retorno (e lucro). Por outras palavras, em que momento se "passa a ganhar dinheiro". E à realidade portuguesa, este é um dos grandes handicaps. São feitos investimentos sem ser efectuada de forma séria a análise de viabilidade económica do projecto, e na qual, um dos indicadores mais importante é sem dúvida o tal ponto de viragem (investimento vs lucro). Porquê? Porque se adjudicam obras à empresa do camarada, do amigo. E enquanto esta realidade estiver presente...Portugal não evolui.

Em segundo lugar, ocorre-me que o investimento nacional é algo tido como estanque. Significa isto que é feita uma injecção de capital, desenvolve-se o projecto (com uma análise deficitária como menciono atrás) e assim que culmina o seu desenvolvimento e tem início a fase de maturação do mesmo, cessa o investimento. Note-se o "caso estudo" da Expo de Sevilha e a realidade da Expo 98 (actual Parque das Nações). Enquanto que no primeiro caso há o completo abandono, finda que é a maturação (realização da exposição), já à realidade nacional, as coisas decorreram de forma diferente. Houve uma requalificação da zona ribeirinha, o projecto teve início, desenvolvimento e maturação, foram criados postos de trabalho. Numa altura em que se vislumbrava o mesmo destino que Sevilha, algum "iluminado" lembrou-se da possibilidade de transferência de várias empresas dispersas pela Grande Lisboa para esta zona. Inclusive Ministérios. E assim foi.

Em terceiro lugar, interessa perceber a realidade do país, bem como a engenharia financeira tornada necessária para tornar exequível um investimento em tempo de crise. O actual Executivo, e de forma caprichosa, entende que as obras do novo aeroporto e a conclusão da linha do TGV devem avançar. Numa altura em que se vivem momentos de acentuada crise económica (apenas comparável com aquelas que se viveram há algumas décadas atrás), não é aconselhável que estas grandes obras avancem. E não há qualquer incoerência com o que foi dito no primeiro parágrafo. Ninguém no seu juízo perfeito cometerá o erro crasso de comparar uma realidade económica alemã com a realidade económica portuguesa. Não faz sentido.

A título de exemplo, imagine-se que o Sr. Albino e o Sr. António querem comprar uma casa. A casa de cada um deles tornou-se pequena e pretendem algo maior. A diferença entre ambos reside no facto do Sr. Albino pertencer à classe alta, ter uma pequena fortuna e provas dadas que tem liquidez monetária, bem como existe histórico de anteriores parcerias (com o seu banco) bem sucedidas..enfim, um Cliente de confiança para o banco, e que interessa manter. Sem grande dificuldade, e como prova de confiança, é-lhe concedida uma linha de crédito com valores "de amigo" (se bem que hoje em dia seja complicado).

No caso do Sr. António (mais um que integra a sacrificada classe média), gostava de ter uma casa melhor, de poder proporcionar uma melhor qualidade de vida à sua mulher e 3 filhos. Para o mesmo banco, é um Cliente diferente. Não que seja um trafulha..mas não interessa ao banco emprestar pouco dinheiro a um Cliente que não trará riqueza ou mais-valia à própria instituição bancária. Resumindo, para o Sr. António, e na medida em que não tem um capital financeiro (leia-se desafogo financeiro) como o do Sr. Albino, as linhas de crédito são menos aliciantes, sendo que, em algumas instituições bancárias, têm associadas taxas de juro que roçam valores pornográficos. Facilmente se depreende que o Sr. Albino é o exemplo da Alemanha e o Sr. António será o de Portugal. Neste momento, há linhas de crédito cortadas para Portugal, o que interfere e estagna o investimento de / no nosso País.

Face à realidade espelhada no último parágrafo, importa pois perceber que é tempo de abandonar caprichos do Gonverno e antes de qualquer investimento, sanar as dívidas que existem. Quer internas (Fornecedores) quer externas. E depois sim, investir forte.

Em quarto e último lugar, espero que 2011 seja um ano de mudança de mentalidade. Que se deixem de lado modelos fantasiosos e que de forma séria se pense e aja em prol de Portugal. Não auguro um futuro auspicioso, se fôr continuada a actual linha de pensamento deste Executivo. Algo terá de mudar: o pensamento ou o próprio Governo.

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sexta-feira, dezembro 24, 2010

Cortes nas Reformas

Assisti ontem a uma peça televisiva que abordava os tão esperados cortes naquela que é a subsistência de quem trabalhou uma vida inteira - os aposentados. Resumidamente, quem recebe mais de aposentação, descontará mais.

Não há muito a dizer. Basicamente, e em consequência de termos um Primeiro Ministro caprichoso e com os horizontes curtos, Portugal desembocou uma situação débil no que toca ao binómio económico-financeiro. Sem controlo. Não há em Portugal instrumentos / mecanismos que permitam aferir os reais gastos do Estado. Bem como não há um pagamento atempado do Estado aos seus Fornecedores. Os mesmos acomodaram-se à máxima dos " Pagamentos tardios, mas são feitos". Não deveria haver uma penalização por incumprimento por parte do Estado?

O que resulta, do acima, é que se chegou a uma situação insustentável. O Estado não tem liquidez financeira, e continua a alimentar um capricho desta legislatura do investimento nas grandes obras. Importa reter que o dinheiro que Portugal "compra", passou a ser vendido com uma taxa de juro altíssima. Resultado..alguém, em algum momento, tem de pagar a factura. E tem sido paga. Os classe média dos contribuintes portugueses, que com seus impostos tendencialmente mais agravados e....os aposentados.

Congratulo-me por viver num País que nem no tempo do merecido descanso, depois de uma vida de trabalho, os portugueses são aliviados dos descontos. E por incrível que possa parecer, na mesma proporção em que descontavam quando se encontravam na vida profissional activa. E se é revoltante para mim, acredito que só a experiência de vida, e muita "sova" apanhada ao longo de uma vida, faz com que alguém mais velho que eu não fique mais revoltado e cometa uma loucura.

É importante que o actual Executivo tenha em mente valores básicos como sejam o respeito pelas pessoas que durante toda uma vida já contribuiram para o progresso e evolução de Portugal. Desejavelmente, terão honrado de forma atempada o seu compromisso de contribuinte e como tal, merecem outro tipo de postura por parte do Governo. Que não a actual.

Não há direito do Estado entender retirar parte do que os aposentados auferem mensalmente. É muito mau. E uma tremenda falta de respeito. Infelizmente, e cada vez mais, se nota a falta de valores...

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quinta-feira, dezembro 23, 2010

Presidenciais 2011

Começou a corrida a Belém. Não para ver o Menino Jesus como seria desejável nesta altura do ano, mas sim para o cargo de Presidente deste magnífico e espectacular País que é o nosso Portugal. São 6 os candidatos, mas irei centrar a minha reflexão de hoje em três, que considero serem os mais mediáticos, e com maior probabilidade de disputarem uma 2ª volta. Falo de Cavaco Silva (CS), Manuel Alegre (MA) e Fernando Nobre (FN).

Cavaco Silva (CS) é de todos o que reúne mais consenso como sendo aquele que tem maior probabilidade de ganhar as eleições. Infelizmente, não será pelos seus magníficos feitos em prol da Nação, mas sim porque não existe uma alternativa à sua altura. "Em equipa que ganha não se mexe", parece ser o mote para que muitos portugueses optem por colocar a cruz no seu nome, quando forem às urnas, no próximo dia 23 de Janeiro de 2011. Para um leigo em matéria de política como me considero, CS podia em todo e qualquer momento do seu mandato, ter vetado leis, ter tido uma postura mais interventiva e, em nome da Nação, ter enfrentado / castigado mais o Governo. Mais vezes e de forma mais severa. A analogia que imediatamente me ocorre, é a de um pai que vai dizendo ao filho para se portar bem. Sendo que o filho continua a portar-se mal e o pai vai sendo condescendente e conivente com as diabruras.

Afinal, dar uma lambada na cara do miúdo até é anti-pedagógico e há sempre o medo que a criança fique com traumas, em consequência da deslocação do cérebro em consequência da lambada bem aplicada. Quantas e quantas galhetas não apanhei na altura certa e nunca me fizeram mal. Reside aqui o cerne da questão. CS é um excelente político, de craveira, com provas dadas enquanto Primeiro Ministro de Portugal. Contudo, e se em alguma altura depositei esperanças no seu mandato enquanto Presidente da República (e que consequentemente mereceu o meu voto de confiança para que fosse eleito), desiludiu-me. Um mandato "cinzento", marcado pelas poucas vezes em que interveio e acima de tudo, um argumento que frequentemente utilizou: o da "estabilidade governativa", ou não tão falada relação cordial entre o Presidente da República e o Governo. Resumidamente, o pai foi alertou várias vezes o filho para não fazer asneiras, o filho não fez caso disso. Ignorou os alertas. E caiu, obviamente magoando-se.  Assim afundou Portugal o actual Governo . CS vem agora, em plena campanha eleitoral dizer que alertou o Governo para o rumo dos acontecimentos. Questiono-me de que valem AGORA os seus alertas, se (como se sabe e estão consagrados na Constituição Portuguesa), os instrumentos que assistem ao PR no sentido de dissolução da Assembleia da República e veto de leis? Não compreendo. É algo que me transcende um grande bocado. E sinceramente, um próximo mandato de CS parece-me que será "mais do mesmo".

Nunca pensei dizer isto de CS, mas da maneira como as coisas têm funcionado, com a vergonha do sistema judicial português, com a falta de meios policiais para os crimes mais complexos (abordavam esta temática numa reportagem que tive oportunidade de assistir), a gritante falta de respeito para com os aposentados, enfim, uma série de pormenores. Que óbvia e naturalmente não beliscam o cidadão CS, na medida em que nunca irá sentir na pele qualquer uma destas situações. Não conhecerá a realidade da sociedade porque não é mais interventivo e mais interessado. E talvez porque não conhece tão profundamente os diplomas legais que lhe passam pelas mãos e recebem o seu despacho favorável. Ou ainda porque teve informação privilegiada que lhe deu indicação do rebentamento do escândalo do BPN...e lhe permitiu tirar o seu dinheiro antes...O que me parece também que poderá justificar a sua grande reserva em que o FMI venha cá a Portugal...

Manuel Alegre é um poeta. Nunca gostei do seu estilo. Aparte de ser comunista, que não gosto, é o tipo de pessoa que se orgulha de não saber o que fez na altura da licenciatura. Li há poucos dias um carta que amavelmente me passaram, e que era endereçada ao seu cunhado. Na mesma, e entre outras coisas, aludia ao facto de ter a certeza que "um padrinho" tinha qualquer coisa alinhavada para ele  e que como tal, pretendia ter uma relação das cadeiras feitas no curso até então. Basicamente, um "job for the boy". Isto antes do 25 de Abril de 1974, e numa altura em que o artista estaria debaixo de olhos por aqueles a quem chamava de "Filhos da P***", referindo-se à Polícia do Estado. Incomoda-me que exista este tipo de pessoas. Manuel Alegre é o protótipo de político que chama a si mesmo o papel de defensor de um Estado Social e equitativo, da governação justa e rigorosa por parte do Presidente da República. Congratulo-me por ser alguém que vejo como idealista. Um poeta. Só assim compreendo que alguém como ele acredite que esse é o caminho.

Num dos debates que tive oportunidade de assistir, dizia que nunca tinha votado uma revisão à Constituição Portuguesa. Pergunto-me se terá alguma noção do que isso envolve. Ou que medidas entende este poeta que deviam ser revistas e votadas. Aposto o que quiserem, que (e se) fosse eleito Presidente da República, iria passar mais tempo a pensar na poesia que na própria governação enquanto Presidente. É preciso determinação, força, inteligência...predicados que não revejo no MA. O que, mais uma vez, não deixa de lhe tirar o mérito enquanto excelente poeta. Para terminar, como pode um poeta, um tipo que fez uma revolução com cravos (e que se vangloria de ter feito parte da mesma), ser Chefe Supremo das Forças Armadas? É incoerente.

Há pessoas que deviam ter a noção do ridículo. FN é uma delas. É conhecido o seu excelente contributo para a humanidade e trabalho desenvolvido enquanto Presidente da AMI. E que, na minha modesta e humilde opinião, é desempenhada de forma ímpar. Um Presidente interventivo, que prefere vestir umas calças de "combate" a estar de fato Armani atrás de um secretária a assinar papelada. Gosto do estilo. Mas...só isso. Assisti ao debate entre o FN e o MA. Confesso que me divertiu o pouco que pude ver. Deu-me para rir. Especialmente quando se começou "a-medir-o-tamanho-das-pilas" relativamente ao número das missões em guerra nas quais já estiveram ambos presentes. Pensei que tivessem levado para o estúdio o curriculum das missões em que estiveram ao serviço da Pátria. Parece-me que o FN tem a "pila-maior-que-a-do-MA". Mas também é Presidente da AMI (daqueles que vai ao terreno), e o MA apenas cumpriu a sua obrigação enquanto militar numa qualquer comissão no Ultramar.

O grande handicap do FN é estar a concorrer ao cargo político de maior relevo na Constituição Portuguesa. E infelizmente não estar de todo preparado para tal. Não interessa aos portugueses as vezes que, no exercício da sua actividade profissional (e porque assim optou), tenha estado em cenários de guerra. Interessa zero. Dá-lhe sem dúvida alguma projecção, confere-lhe alguma imagem coragem, mas somente isso. Em termos de experiência na governabilidade de manutenção de um Estado coeso, com economia débil e muitíssimo sacrificada....contribui zero. E já há algum tempo que FN devia ter percebido isso.

Há outros candidatos a Belém. O objectivo das suas candidaturas é "cansarem" a candidatura de CS, como tive oportunidade de referir no início desta reflexão, o canditato que reune mais consenso. A analogia que vejo das demais candidaturas é alusiva aos "cães que ladram mas não mordem". E que no final do dia, como se sabe, convergirão todas no candidato à esquerda. Basicamente, uma prática comum que tem vindo a ser seguida, nas últimas eleições legislativas / presidenciais. Vários candidatos com o intuito de "criar ruído" e depois, aconselham o seu eleitorado a votar mais à esquerda / direita.

Uma jogada astuta..mas que na minha opinião...conhecida e que pode ser prejudicial.

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quarta-feira, dezembro 22, 2010

Paternalismos

Dá-me um certo prazer conhecer pessoas que entendem e sabem de tudo, e recorrendo a um tom paternalista opinam sobre várias matérias. Fico muitíssimo contente. É da maneira que não tenho que me preocupar. Há sempre alguém que o faz, e do alto da sua sapiência, me aconselha em dado momento.

É certo que mais cedo ou mais tarde isto descamba nos chamados "amargos de boca". Ou seja, este tipo de pessoas não consegue encaixar uma opinião diferente da sua, e não raro, são pessoas que se incompatibilizam com aqueles que os criticam. Não concebem que outras pessoas possam ter outra leitura diferente da sua.

Para terminar, o tom paternalista pode colidir frontalmente com o feitio de certas pessoas. Há aquelas pessoas que detestam este tipo de atenção desmesurada (por vezes quase num tom a roçar o insolente), e ripostam. Nem sempre de forma pacífica e tranquila. E quem de alguma até podia ter a melhor das intenções (embora tenha escolhido uma forma de o demonstrar menos correcta), acaba por não perceber bem algumas reacções...

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terça-feira, dezembro 21, 2010

Prendas de Natal

Chegada que é a quadra natalícia, surgem uma série de hábitos peculiares e tipicamente associados a esta altura. Daqueles que só podem acontecer nos meses de Dezembro. Um deles será a procura incessante das prendas de Natal. A corrida às grandes superfícies (leia-se centros comerciais) em busca da "prenda-especial-para-alguém-especial". O problema é quando 1 milhão de pessoas tem a mesma ideia. No mesmo dia. À mesma hora.

Em primeiro lugar, nunca consegui perceber porque trocam prendas os ateus, os comunistas e outros tantos grupos que durante 364 dias de um ano não têm um Deus, não têm qualquer ligação à Igreja Católica e em alguns casos até são hereges durante um ano inteiro. Dá que pensar. É sabido que o Natal tem um significado especial para os católicos, e que passa pelo perpetuar a simbolismo associado das ofertas dos Reis Magos ao Menino Jesus. Falando apenas na religião católica, que é aquela que conheço juntamente com 8 milhões de portugueses. Uns mais praticantes, outros menos praticantes, mas Deus está sempre presente no pensamento quando é preciso. Há uma crença. Há uma identificação com a maior parte dos ideais advogados pela instituição Igreja. O que me leva a pensar em que se baseará um ateu para trocar prendas nesta altura do ano. Ou se por outro lado, um anti-Cristo esperará pelas 2400H do dia 24 de Dezembro para abrir as suas prendas. O mesmo raciocínio poderia ser extrapolado para o gozo dos feriados religiosos. 

Resumidamente, há um claro aproveitamento dos dias religiosos por parte daqueles que não têm puto a ver com a religião católica. Importa também referir a minha satisfação pela óbvia e lógica falta de argumentos por parte de quem troca prendas e é ateu. Uma questão de hábito, dizem-me quando questionados acerca do porquê de o fazerem. Rio-me para dentro. Afinal, aquele (a) "sarraceno (a)", que nem um Pai Nosso sabe rezar, diz-me que troca prendas porque em Portugal há esse costume ou hábito. O que me leva a pensar se andaria nú pela rua se todos andassem (em alguns casos é mesmo melhor nem pensar nisso tal não devem ser as "misérias"....).

Em segundo lugar, mais um ano em que o trânsito "entope". E em que são gastas horas para percorrer troços que usualmente não demoram mais de uma dezena de minutos. Os centros comerciais não têm capacidade de dar vazão ao afluxo enorme de "compradores-incansáveis-que-querem-agradar-aquela-pessoa". Confesso que me dá para rir quando me dizem que estão cansados (as) das compras. De ter palmilhado, filas de espera, etc. Não tenho qualquer dúvida que a intenção será a melhor. Mas também tenho a certeza que só deixa para fazer as compras na última hora quem não tem paciência, ou quem consegue aguentar a pressão social de fazer as compras nas primeiras semanas de Dezembro. Sim, há uma certa pressão social, até porque acontece frequentemente que compromissos tenham de ser adiados em função de "A" ou "B" estar nas compras. Resultado..aquele (a) que queria ir beber apenas um café rápido...começa a sentir-se um pouco confrangido por ainda não ter feito as compras.

Em terceiro lugar, o valor das prendas de Natal. Hoje em dia, pauto-me por oferecer prendas práticas. Funcionais. Que sei de antemão que vão ser usadas. E quando menciono estas prendas, não significa que gaste muito nas mesmas. Gasto o essencial. O mesmo não acontece com muita gente que conheço, que gasta rios de dinheiro em prendas que...depois são arrumadas e esquecidas. Deixei-me disso. Acho pouco sensato que não se tenha em atenção os gostos e necessidades da pessoa a quem se quer oferecer algo.

Não me alongando muito mais neste tema que daria "pano para mangas", esta quadra, e este ano sugere contenção. Em plena crise económica (e que veio para ficar), é importante que as pessoas não alimentem o consumismo e tenham em consideração o bom senso e não gastem mais do que aquilo que devem (e podem).

Um Santo Natal para todos (as).

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segunda-feira, dezembro 20, 2010

Hipocrisia

Considerando uma pequena amostra das pessoas que tive oportunidade de conhecer nos últimos anos, chego à conclusão que o número de pessoas hipócritas com que me tenho cruzado é cada vez maior. É uma constatação imediata.

Infelizmente, são cada vez menos as pessoas capazes de assumir o seu ponto de vista e de expressar o seu descontentamento (ou contentamento) quando perante algumas situações. Assim sendo, de forma dissimulada, adoptam outro tipo de postura que não a genuína. O que tem como consequência falta de carácter e verticalidade, na minha opinião.

É claro que uma postura adaptável às circunstâncias, qual camaleão, tem sempre bons "frutos". Basicamente, não se deixa de agradar, quer à esquerda, quer à direita, e todos vivem feliz, nem que para isso tenha lugar de alguma forma a anulação da vontade / pensamento / credo, etc., de algumas pessoas.

Talvez por nunca ter pactuado com hipocrisias tive alguns dissabores no passado. Não sei se foi a melhor forma de lidar com determinadas questões, mas foi sem dúvida aquela que me deu tranquilidade ao espírito naquele momento. E na minha opinião, se todos dissessem e agissem em conformidade com o que pensam, talvez houvesse mais justiça no mundo. E mais verdade.

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domingo, dezembro 19, 2010

Clubes de striptease

Vale o que vale o que vou dizer, e acredita quem quiser acreditar...nunca fui a um club de striptease. Não tem nada que ver com o facto de ter alguma coisa contra (naturalmente que não terei), mas não é algo que me fascine e obrigatoriamente me faça perder o sono ou ter uma vontade louca de conhecer.

Em primeiro lugar, não se pode tocar. Não compreendo bem o que é que os donos destas casas pretendem. Já cheguei a pensar que têm acordos com cardiologistas. É complicado um homem controlar-se, e não tocar no corpo de uma daquelas moças esculturais toda despida. Em algumas vezes, estão tão próximas do olfacto que é possível perceber o odor do corpo. E acredito que nesses momentos, o coração "dispare" no número de batidas....e não me admira que em alguns casos a "bomba" bata depressa demais. Em algumas idades mais avançadas (que também frequentam estes espaços lúdicos), podem mesmo parar. O que é uma chatice para a casa de strip, que tem de chamar a ambulância, etc, etc.

Também já dei comigo a pensar qual será a rúbrica do IRS em que a "Lucy", nome comum nestas andanças, introduzirá o que aufere anualmente. Deve ser em qualquer uma relacionada com artista de variedades...E que variedade...

Para a esmagadora maioria das pessoas a linha que separa um casa de striptease de um bordel é ténue. Afinal, a stripper despe-se em troco de dinheiro. A parte má aconteceu quando o homem é provocado, e sem que o mesmo possa experimentar a textura da pele da menina subsequentemente. Poderá experimentar outras texturas, como por exemplo a do punho de um dos gorilas que costumam estar à porta deste tipo de estabelecimento, se fôr atrevido

Uma coisa que nunca entendi, é o porquê do padrinho do noivo marcar em 99% das vezes, o final da despedida de solteiro do enforcado numa destas casas. Palavra que por muito que tente não consigo. Será que tem um prazer mórbido em ver aquele que se casa no dia a seguir (ou semana seguinte) ébrio e a ter uma moça destas a dançar para ele em cima de uma mesa (na gíria, a tão célebre "table dance")? Porque não combinar um salto de pára-quedas nocturno com o enforcado e os seus amigos? Isso sim, é uma despedida de solteiro à homem (talvez quando alguns chegassem cá abaixo teriam de rever a sua sexualidade)...

Para terminar, uma confidência curta. Fico sempre muito atento (e zonzo) quando vejo na televisão alguns programas em que as meninas começam a dançar à roda com um varão metálico. Não percebo bem qual é a piada, além de ficarem elas mesmas tontas. Talvez esteja subjacente o objectivo de hipnotizar o sexo masculino a abrir mais os cordões à bolsa. Dou comigo a pensar como conseguem fazer aquilo sem se magoar e cair para o lado.

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sábado, dezembro 18, 2010

Decepções

Confesso que me entristece um pouco o tema de hoje, mas o facto é que todos os dias sou decepcionado. Partilho este sincero e honesto pensamento, na medida em que tenho para mim que o grau de exigência pessoal é tendencialmente superior. Quando extrapolado para as relações que estabeleço (de amizade ou afectivas), dá raia. Só podia, de resto.

Não é fácil que ser decepcionado, e muita gente poderá dizer que também decepciono. Importará, no limite, eu fazer uma introspecção e perceber como decepciono alguém, assumindo como integralmente verdadeiro o que menciono no primeiro parágrafo - o meu grau de exigência cada vez maior. Só assim concebo o amadurecimento enquanto ser humano e tornar-me melhor enquanto pessoa.

O grande problema, e reside aqui (na minha opinião) a explicação de tudo, é que, quando há várias personalidades em causa, vários ritmos de crescimento (ou não), tem lugar o atrito. Incomoda-me de sobremaneira as pessoas que teimam em querer interiorizar que não há mais nada para perceber / crescer interiormente. Consequentemente, é aceite pacificamente a acomodação e quanto "menos ondas" se fizerem, melhor.

Eis que acontece a primeira "colisão"..sou o antípoda desta posição. No meu entender, quem se acomoda revela pouca fortaleza de carácter. Que de resto detesto. Quando constato isso ao fim de algum tempo, e com pessoas com quem tenho oportunidade de privar, é ntural que fique decepcionado. Quando tenho um termo de comparação, uma referência, que naturalmente é a minha, de proactividade, de força, determinação, empreendorismo e vontade de vencer...as expectativas são obviamente defraudadas. E talvez aconteça com uma regularidade mais frequente do que aquilo que gostaria. O que significa, em termos práticos, que frequentemente me sinto decepcionado com as pessoas que se cruzam na minha vida.

As vivências das pessoas, as suas formas de encarar a vida, as próprias defesas, concorrem para que uma pessoa aja de determinada forma, quando perante determinada "prova", adversidade / vississitude da vida.

Da minha parte, resta-me praticar o exercício de aceitação. Da compreensão. Do tentar adaptar-me a novas posturas, não anulando a minha. É aqui pode haver trabalho da minha parte. Estou certo que conseguirei. Assim haja paciência, vontade e tempo.

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sexta-feira, dezembro 17, 2010

Wikileaks

Devo ser a única pessoa do mundo que nunca tinha ouvido deste site, "wikileaks" de seu nome. Basicamente, e ao meu alcance, percebo tratar-se de um site existente na internet, perfeitamente sensacionalista, cuja existência tem que ver com o choque de mentalidades (usando como justificativas a democracia e a liberdade de expressão), e por último, que veio para ficar.

Não é de agora a minha opinião relativamente à não existência de um organismo que controle a informação. Não falo de censura, até porque sou frontalmente contra toda e qualquer acção que vise a hipoteca do livre direito à expressão. Contudo, e no "reverso da medalha", também reconheço que há casos de inocência, e que "no-final-do-dia" é a vida de alguém que fica manchada irremediavelmente por uma notícia menos profissional, menos sustentada e que apenas e só tem como objectivo o incremento da tiragem. Não são poucos os casos.

Já aqui referi anteriormente que os meios de comunicação têm um poder enorme. Perverso diria mesmo. Hoje em dia, e com os óbvios avanços tecnológicos, torna-se clara a força que tem um meio de comunicação como seja a internet. A informação é transmitida à velocidade da ligação da internet, em legítima alternativa aos demais meios de comunicação utilizados durante décadas (eg.: fax, correio registado, telex, etc). Resultado..existindo uma ligação à internet, é possível que a mensagem passe de imediato, e em alguns casos até com anexos (eg.: fotos, documentos) que corroborem a mesma.

Temo que este site venha a indispôr várias individualidades. Aliás, em consequência de algumas indisposições, o dono do site foi acusado de pedofilia e outros crimes. Convenientemente, até porque tal acontece quando algumas notícias começam a ter algum protagonismo e dimensão. Se são verdade ou não, caberá aos visados nas mesmas defenderem-se ou optar pelo silêncio (perigoso, na minha modesta opinião). Contudo, não deixa de ser curiosa (e oportuna) a detenção do dono deste site nesta altura. Por outro lado, temos a questão de estarem a "vir a lume" algumas notícias que podem gerar algum incómodo em nações com um histórico de animosidade. E que não terá desaparecido em momento algum, mas sim que permanece latente. Importa pois aguardar os novos desenvolvimentos, e esperar que os mesmos não venham a causar conflitos diplomáticos. Ou pior.

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quinta-feira, dezembro 16, 2010

Camarate


No passado dia 04 de Dezembro fez 30 anos que aconteceu o acidente aéreo vitimando Sá Carneiro e Adelino Amaro da Costa e os outros 4 passageiros da aeronave Cessna que partia do aeroporto militar do Figo Maduro e com destino a Setúbal. Não deixei aqui a minha opinião nessa altura porque entendo que é um assunto meritório de alguma deferência e acima de tudo consideração pelos familiares das vítimas. E mais uma vez, muito foi o que se escreveu sobre este trágico acidente.

Começo por dizer que entendo que o número de "Comissões" de investigação / inquérito para a investigação deste trágico acidente "roça" o obsceno. É pornográfico. Ninguém consegue perceber, e muita gente defende a ideia que este será um caso que não interessa resolver, até porque envolve muitas individualidades de renome. Em causa está a morte do então Primeiro-Ministro português (Sá Carneiro) e do seu Ministro da Defesa (Adelino Amaro da Costa). O caso terá prescrito em 2006, sendo que até este momento em que escrevo estas linhas terão existido cerca de uma dezena de comissões de inquérito. Não posso deixar de manifestar o meu agrada por perceber que de alguma forma que este assunto vá ser perpetuado ad eternum pelo espaço temporal sem que alguém entenda que é necessário pôr um ponto final nesta palhaçada. Ou que leve a sério a investigação. Sinceramente, houve uma altura em que acreditei que havia a quase necessidade de constituir "mais uma" comissão de inquérito por ocasião dos vários Governos.

O facto dos relatórios destas sucessivas comissões serem inconclusivos também me deixa inquieto e preocupado. Ao longo do tempo foram sendo vários os suspeitos constituídos - havia essa necessidade, para dar resposta às vozes de incredulidade que se faziam ouvir por parte da sociedade portuguesa. Um dos que mais consenso reuniu, e onde se depositou alguma esperança no sentido de deslindar todo o crime, foi em Lee Rodrigues. O homem de quem mais se falou no caso Camarate, e que na altura esteve na ribalta. O homem dos 20 nomes: Lee Rodrigues, Captain Hassan Sinan El Kindy, Juan Rodrigues, Gravedigger Junes, entre vários outros. Lee parece ter nascido em Moçambique, e em 1980 surgiu associado a meios criminosos, tendo sido detectado pela Scotland Yard, ao preparar um negócio em Portugal de minas aderentes. No dia da queda do Cessna, foi visto com uma farda e uma placa identificativa da Philipine Airlines - o que lhe terá conferido acesso à placa aeroportuária - a mesma companhia com quem trabalhou num caso de tráfico de armas no âmbito do conflito Irão-Iraque. As suas “capacidades” operacionais só encontram comparação nas identidades: mecânico de aviões, piloto experimentado, traficante de armas e explosivos, de droga e de diamantes.

Se a memória não me trai, quando em juízo, terá dito que não se recordava de nada daquilo que teria acontecido naquele dia. Eu próprio não me recordaria se soubesse que era suspeito de um acto terrorista ocorrido há uma série de anos atrás. Convenientemente terá alegado amnésia. Um pouco o que terá acontecido (e de igual forma convenientemente) pelos elementos de uma facção armada muito conhecida cá em Portugal no pós-25 de Abril..

Lee Rodrigues escudou-se naquilo a que em Psicologia se denomina de "Memória Selectiva", acredito eu. E, à boa maneira portuguesa nos últimos 36 anos, não existe qualquer problema. Como o principal suspeito para onde apontam todas as provas diz não se recordar de nada, vá de criarem-se novas comissões de investigação / inquérito sobre este tema. É ridículo e apenas reflecte o estado decrépito e permissivo do sistema judicial português. Acredito que todo o corpo de magistrados que presidiram os vários julgamentos, bem como os elementos constituintes das várias comissões quissesem ir mais além. Contudo, é também sabido que há "grãos-de-areia-na-engrenagem" e que as investigações a dado momento têm de terminar. Em 30 anos volvidos..nunca percebi porquê.

Para terminar, as mais recentes (e quentes) notícias da Comunicação Social acerca das declarações do General Ramalho Eanes sobre Camarate, que aludem ao facto dos Estados Unidos terem documentação referente a este caso. A ver vamos qual será a importância (e interesse) conferida (o).

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quarta-feira, dezembro 15, 2010

Cabazes de Natal

Entre o final de Novembro e durante todo o mês de Dezembro, é altura de comprar ou oferecer os tão conhecidos cabazes de Natal. Só para dar início a esta reflexão, registo (e partilho) o facto de, até ao dia de hoje, ter  recebido apenas um (e um só) cabaz de Natal.

Tenho a noção clara  de existirem cabazes de Natal adequados para diferentes bolsas. Aqueles que se encontram  nas grandes superfícies e os outros se compram nas lojas gourmet. Parece-me óbvio que qualquer pessoa preferirá comer umas fatias de um verdadeiro presunto "Pata Negra", ao invés de comer o presunto corrente e habitual que se encontra na prateleira de qualquer hipermercado. Não desfazendo que podem ser muitíssimo saborosos. Mas sabe sempre bem experimentar coisas boas. E perceber se a diferença de custo é justificada. Daquilo que conheço é.

Os cabazes de Natal tornaram-se uma prenda óptima e prática. Frequente entre as escolhas para prendas trocadas entre empresas (e em alguns casos como prendas para os seus funcionários). Também é lógico que o cabaz de Natal será tanto melhor quanto mais importante fôr o destinatário. E neste caso, melhor é sinónimo de mais caro. Resumindo, o cabaz será tanto melhor quando mais importante nos fôr a pessoa a quem se destina o cabaz.

Também é conhecida a escolha dos cabazes de Natal como mostra da solidariedade das várias empresas, e com vista a suprir (ou ajudar) as necessidades de bens de primeira necessidade daqueles que são os mais desfavorecidos neste quadra. Não resolve os problemas, mas certamente que ajuda e consolará um pouco mais quem nesta quadra festiva menos tem.

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terça-feira, dezembro 14, 2010

Alimentos racionados

Há várias leituras para a notícia que veio a lume no passado Domingo sobre os alimentos racionados. Pensei, na minha ingenuidade que tal só acontecesse em tempo de guerra, mas afinal não. Aconteceu há 2 dias atrás. E cá em Portugal.

Em causa estava o açucar. Ontem fui ao hipermercado e momentaneamente pensei que tivessem escondido todo o açucar num outro sítio qualquer. Alguma brincadeira de um engraçadinho. Mas não. Mais próximo da prateleira onde usualmente costuma estar o açucar arrumado, consegui perceber que o preço estava tapado com um rótulo azul com o dizer "Produto temporariamente esgotado". Lembrei-me do artigo que tinha lido no dia anterior, e que avançava com teorias justificativas para este problema. Por um lado,  era dito que ver com o transporte do açucar, também li que poderia ser devido à falta de matéria-prima. E finalmente, aquela que me parece ser mais consistente, e que tem que ver com uma "janela" pensada pelos produtores deste bem para aumentar o preço, em consequência da escassez.

Não é novidade. A tão conhecida "Lei da Oferta e da Procura". Havendo muita procura e pouca oferta, o preço do bem aumenta. É contudo uma péssima opção, nos dias que correm, e em concreto neste mês. É certo que nesta altura do campeonato (crise económica) se devia tentar uma contenção maior e cortar no supérfluo. Mas nos doces de Natal?? Não dá. Que seria de uma ceia de Natal sem as rabanadas (que levam açucar)? Ou dos vários tipos de filhós (que levam açucar)? Ou ainda ddos coscorões (que leva adivinhem o quê)? Pois é. Não auguro nada de bom. Aliás, começo a ficar um bocado ansioso e desnorteado, porque Natal sem as rabanadas com calda, é como o Brasil sem Carnaval.

Certamente que tudo isto terá uma razão de ser. Poderá ter que ver com o facto do FMI estar cá hoje em Portugal, e nos hipermercados Continente ter-se pensado que os auditores poderiam querer passar por lá antes de irem para o hotel. Tipo comprar um pacote de leite ou meia dúzia de ovos. Quando passassem pelo corredor do açucar e o vissem vazio, pensariam logo que Portugal está tão bem que nem precisa de adicionar açucar na dieta alimentar. Ver se não me esqueço de enviar um sms ao meu amigo Paulo (o Azevedo) para saber se pediu para tirar todos os pacotes de açucar de todos os Continentes do País. Fiquei a pensar nisso. E confesso que um pouco intrigado desde Domingo.

Vou esperar até ao final desta semana. Mais a mais os doces lá em casa só começam a ser feitos na próxima semana. É certinho que no Domingo à noite terei de ter muito açucar em casa. Para garantir que pelo menos não faltam as rabanadas com calda.

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segunda-feira, dezembro 13, 2010

Compra da dívida de Portugal pela China

Nos últimos dias tem-se ouvido falar na compra da dívida de Portugal por parte da China. Confesso que fui apanhado um pouco de surpresa. Desconhecia por completo. E soube desta negociata nesse momento. Com todo o respeito pela comunidade chinesa que habita em Portugal, sou radicalmente contra. E adianto que nada tem que ver com a comunidade chinesa que habita em Portugal (e onde naturalmente existe o bom e o mau). Como em todas as comunidades. 

Em jeito de partilha, posso adiantar que sou um grande apreciador da comida chinesa. Como tal, até me dava algum jeito que todos os Mac Donald´s fossem substituídos por restaurantes chineses. Sempre tinha oportunidade de comer as sopas de milho, o xau min e o porco agridoce. Já para não falar de ter todo o tempo do mundo para aprender a comer com os dois pauzinhos e deixar de pedir o garfo e faca... A cultura e história da China produzem em mim uma grande vontade de conhecer mais e melhor sobre este povo. Penso sempre nisso cada vez que trinco um crepe de legumes. Aconselho a leitura do livro "Cisnes Selvagens", que aborda a temática do comunismo, que teve a sua génese na China e não na Rússia, como (e erradamente) muitas pessoas acreditam. Donde, tenho aqui argumentos mais que legitimados para que não me opusesse à compra.

Um facto que julgo que reúne algum consenso, tem que ver com o facto das lojas chinesas estarem abertas sempre (e não estarei longe da realidade se avançar com o número mágico de 24/7). Tenho ideia que os chineses não dormem. Não descansam. E esta situação tem uma consequência imediata. Minar o comércio tradicional. Por exemplo, a mercearia do meu querido amigo Sr. Mário lá da rua e que tantos anos serviu a minha casa. Há alguns anos teve lugar a primeira "facada" das grandes superfícies (hipermercados) com horários de abertura que inicialmente eram restritivos (a partir das 1300H de Domingo). Há pouco tempo foi levantada essa restrição. Ou seja, o horário é normal. Se o Sr. Mário, já tinha levado com a facada dos horários, ainda estaria a recompôr-se da mesma quando levou outra pelas costas - lojas chineses. Acredito que se possa comprar tudo nestas lojas. Entrei até hoje meia dúzia de vezes nestas lojas e consegui sair sem comprar nada. Não sei bem porquê.

Na minha percepção, esta minha contrariedade não tem que ver com o facto de ser a China a comprar a nossa dívida. O mesmo pensaria com outro país qualquer. Tem que ver com os compromissos que Portugal assumirá. Não creio que seja apenas e só um "deixa-me-lá-pagar-a-tua-dívida-e-deixas-me-abrir-mais-duas-lojas-ali-no-Martim-Moniz". Há mais qualquer coisa. O que de resto não é necessariamente bom. Noto falta de transparência e pouco detalhe neste negócio. E como se costuma dizer, "ninguém dá nada a ninguém", e não vejo outra razão que não a de uma maior penetração em Portugal por parte da China.

Mais uma vez sou de opinião que este é o momento adequado para que entre em força o FMI cá em Portugal. Que seja feita uma auditoria às contas públicas. Que sejam tornados públicos os nossos pontos fracos e apontados os pontos susceptíveis de serem melhorados. É este o grande objectivo de uma auditoria. Sou auditor e é esta a minha postura nas minhas auditorias.

Acabo por não entender o porquê de tanta relutância em que o FMI faça o que melhor sabe fazer por cá. E que em desespero de causa se hipoteque o futuro de Portugal, contraindo uma dívida com a China. Que curiosamente sei estar em força em Angola. Agora em Portugal. Dá que pensar.

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domingo, dezembro 12, 2010

Juventude rebelde

Há uns dias atrás tive a oportunidade de ficar sentado ao lado de uma mesa ocupada por uns 15 adolescentes imberbes. Não que isso me preocupe ou de alguma forma incomode. Mas fez-me repensar uma série de acontecimentos e formas de estar da minha própria adolescência, estabelecer comparações e perceber que esta juventude está "muito-mais-à-frente" do que a minha com a mesma idade.

Tratava-se de um grupo misto (rapazes e raparigas), na casa dos 19/20 anos. Trajes escuros, com penteados "à-la-The-Cure" (grandes franjas em preto azeviche)..por aí adiante. Os tempos mudam e os hábitos também. Fiquei focado numa das miúdas a enrolar um cigarro. Nunca tinha visto tal. Não que tenha alguma coisa contra. Até poderá ser usual nos dias que correm...mas não é de todo algo que tivesse um paralelo com a minha altura (que me recorde de ver). Correndo o risco de ser machista...foi algo que ficou gravado na minha mente.

Não vi 500 garrafas de cerveja em cima da mesa, nem tampouco alguém deitado no chão a espumar da boca (coma etílico). Vi poucos copos em cima da mesa, e que pela côr dos conteúdos certamente não seriam água ou ice tea - bebidas espirituosas.  A fórmula revela-se simples: ingere-se menos quantidade de bebida para que o "estrago" seja maior. Matemática simples.

Não percebi confusão ou berros. Não havia o "tijolo" ao lado da mesa fazendo com que toda a esplanada fosse obrigada a conhecer os gostos musicais deste grupo, nem vi os tão em voga tambores jambé. Desde já o meu mais sincero e profundo agradecimento. Um grupo calmo, tendo em linha de conta as idades. Na minha altura, a permanência naquele espaço seria encurtada, com a barulheira que faríamos e sempre bem "regada", claro está (daí ter mencionado as garrafas de "cevada"). O que não significa que fosse melhor. Muito pelo contrário, na minha modesta opinião.

Chegada a hora de partida deste grupo, ouvi um diálogo entre dois dos "machos" que me deixou incrédulo. Basicamente, acordaram ali, à minha frente, uma ida à "Vasco da Gama". Ou seja, ali, naquele minuto foi combinado o "despiquezito" entre dois "chavalecos" que nem barba a sério têm. E reside aqui uma grande diferença entre esta juventude de hoje e a minha.

Na minha juventude havia concerteza rebeldia. Havia as paixões platónicas. Havia as ganzas (para alguns), algumas voltas nos carros dos pais, conduzidos por alguns mais corajosos e sem carta de condução. E claro, as habituais cenas de pancadaria entre grupos rivais. Fazia parte. Ninguém teve telemóvel até aos 19/20 anos. Foi já no final da adolescência que soubémos o que era o ecstasy. Curiosamente, e por incrível que pareça, havia no grupo uma preocupação grande com alguns  valores. O da Família - o proteccionismo dos irmãos mais novos. A preocupação com os bens da própria rua. Lembro-me de terem sido apanhados um total de 4 assaltantes de carros, e mais um tipo que partia os vidros de uma empresa lá da rua - "não jogava com o baralho todo".

Embora a polícia fosse visitante assídua, para identificar os arruaceiros e chamados por algum vizinho mais sensível de ouvido, o que é certo é que éramos um grupo de jovens com "sangue na guelra", mas no fundo pessoas de bem. Nunca houve problemas de droga (a não ser as ganzas para alguns), nem de desiquilíbrios emocionais que tivessem desfechos trágicos. Hoje em dia os adolescentes vivem muito mais intensamente este tipo de coisas.

Nos dias que correm, e já aqui escrevi anteriormente, é importante que os pais conheçam os seus filhos, e acima de tudo, os amigos dos filhos. Há uma gama de idades em que a há uma maior predisposição à experimentação / descoberta e que acontece num "piscar de olho".

A questão do duelo que referi acima, na Ponte Vasco da Gama, é uma brincadeira perigosa. Na maioria das vezes, os pais não suspeitam que o carro que deram ao filho (ou filha), está numa corrida nesta Ponte que liga as duas margens do País. Não precisa de ser um carro muito potente. Basta que a sorte não esteja do lado do condutor naquela noite. E naquele momento.  E pode acontecer um acidente. Mortal. Para o condutor e ocupantes.

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sábado, dezembro 11, 2010

Previsões

Gosto muito das previsões. Hoje em dia, as previsões já não são tão falíveis, na medida em que é um factor "alicerçado" em modelos matemáticos que por sua vez utilizam a estatística como ferramenta essencial neste domínio.

A previsão metereológica é um excelente exemplo. Quem já não saiu de casa todo "enchouriçado" e afinal não choveu? Lá está..daí denominar-se "previsão" e não ser algo definitivo. Os senhores da meteorologia prevêem, com base na monitorização e análise de modelos matemáticos específicos (eg: modelos de dispersão de massas de ar quente  frio tendo em conta a velocidade do vento, etc), e informam o que esperam ter como condição climatérica. Com a possibilidade de prever ao segundo.  Mas não é definitivo. Nem podia ser. Hoje em dia são cada vez menos as certeza que existem nesta matéria, com as várias e profundas alterações climatéricas que se fazem sentir neste Planeta.

As sondagens alusivas ao sentido de voto dos eleitores é outro exemplo consensualmente aceite como sendo um claro reflexo do avanço feito na previsibilidade. As empresas de sondagens "credíveis", têm como primeiro objectivo o avançar com previsões muito próximas da realidade. Isto horas antes de serem conhecidos os resultados finais. Para que tal seja possível, torna-se necessário "montar" uma máquina brutalmente eficaz e eficiente. No final do dia, é o que faz a diferença entre várias empresas com o mesmo propósito, e claro, o consumidor final terá uma atenção especial por aquela empresa que nas eleições legislativas / presidenciais conseguiu, com um hiato de tempo considerável, aproximar-se do resultado final. Há naturalmente a ter em consideração as margens de erro (que em linguagem do dia-a-dia defendem as empresas das sondagens da eventualidade de não acertar no valor exacto). Sem complicar muito mais, creio que o essencial já foi dito anteriormente.

Para terminar, as previsões efectuadas por alguns comentadores políticos. Têm tanto mais de veracidade quando mais influente fôr o comentador em questão. Alguns dos comentadores têm acesso a informação privilegiada, assim se relacionam com vários estratos da sociedade, e não raro, há também amizades pessoais com pessoas que ocupam cargos de topo nas empresas. Tal facto sugere uma antecipação no conhecimento de acontecimentos importantes e que em alguns casos são surpreendentes. Donde, o termo "previsão", neste caso, acaba por passar a "constatação", quando se conhece o final da história.

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sexta-feira, dezembro 10, 2010

Análises Clínicas

Adoro. Desde sempre. Não só por causa do cheiro das salas desinfectadas, mas também pela possibilidade que é me dada de observar atentamente todas as operações. Sem perder pitada.

Desde há muitos anos que foi instituído lá em casa que teria de haver uma periodicidade regular nas análises clínicas. Para todos. Desde os mais graúdos aos mais miúdos. Faz sentido. Os dias que correm são favoráveis a maus hábitos alimentares, aos excessos (bebidas alcóolicas, fritos, açucares), e entre outros, são aspectos normalmente reflectidos nas análises de alguém, e que sem dúvida alguma, poderão servir de ponto de partida para uma mudança de estilo de vida. Ou deviam servir.

Não consigo perceber muito bem o porquê da aversão das pessoas em fazer as análises clínicas. Ou a aversão às agulhas a entrar na pele. Ou em fazer o garrote no braço. Já vi pessoas tombarem para o lado enquanto lhes era feita uma colheita de sangue. Paralelamente, acho alguma piada piada quando me dão o frasquinho para recolha de urina e não tenho vontade. Começo logo a ficar impaciente e aí é que não se consegue nada. E demoro mais tempo.

Defendo a ideia de ser feito um check-up mais cuidado a partir de certa idade, e que naturalmente contemplará este tipo de análises. Permitem, a meu ver, prevenir doenças, e de forma regular aferir a condição física e estado de saúde da pessoa, e alertar para situações graves numa fase ainda "embrionária".

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quinta-feira, dezembro 09, 2010

Impunidade

Um dos grandes problemas de Portugal. O sentimento de impunidade cada vez maior. O descrédito completo do sistema judicial português e de alguma forma, a sensação de que a ilegalidade compensa. Lamentavelmente.

Não é preciso ser-se sobredotado para entender que as coisas estão mal. E tendem a piorar. O desfecho de alguns dos casos judiciais mais mediáticos é no mínimo surreal e jocoso. O sentimento que me é dado a conhecer por parte de algumas pessoas  com quem lido é um misto de revolta e desnorte. A pergunta mais comum é exactamente em que parte terá falhado o sistema. E que por fulano "A" ter bons "padrinhos" ou fulano "B" ter um grau de parentesco com outrém, as coisas resolveram-se de feição. No final do dia, como sempre, que se entala é a arraia-miúda. Que todos sabem quem é.

É triste que assim seja. Os ricos encontram (ou pagam para que seja encontrada) uma forma de se safar ao fisco, de não declararem o IRS, dos subsídios europeus arrecadados ao longo de dezenas de anos, dos lobbies...da tão falada concertação de preços. O pobre não tem dinheiro para pagar nada. Alega pobreza. Quem é a classe sacrificada? A classe média. Como sempre. Que "acarta" com as fugas dos ricos e a quem é pedida a comiseração para com os pobres - sendo que alguns se congratulam por não trabalhar e receber o subsídio de desemprego. Sem comentários.

Quando um organismo que tem como principal objectivo detectar situações de monopólio (ou oligopólio) diz que não há desigualdades e não foram detectadas irregularidades, sinto um arrepio profundo no meu sistema nervoso central. Desde a base do hipotálamo até às células nervosas dos dedos dos pés. Este é o resultado de anos e anos de compadrios, de conluios e de acordos por baixo da mesa. Só assim se compreende que existam variações mínimas (ao nível do cêntimo) nos preços de vários produtos. Não é preciso pensar muito para encontrar meia dúzia de exemplos. Um desafio que vos lanço...

Pior que o sistema judicial cada vez mais desacreditado, é o sentimento de impunidade que se apodera das pessoas, que de dia para dia são confrontadas com mais pedidos de contenção e mais descontos. Mais descontos significa menos dinheiro no final do mês e, como se percebe, menor poder de compra. E contrastante com o aumento da despesa nos Ministérios, o aparente descontrolo das contas e o aumento do endividamento público. Cujos responsáveis, como se sabe passarão o legado para quem vier a seguir. "Passa a outro e não ao mesmo". E claro..voltarão à vida académica, em qualquer universidade onde serão docentes convidados qualquer como Administradores de empresas bem sucedidas e com vencimentos milionários. Mais do mesmo.

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