sábado, dezembro 31, 2011

Balanço de 2011

Eis que somos chegados ao último dia do ano de 2011. Para muitos terá sido um excelente ano, marcado pelo cumprimento de vários objectivos pessoais e profissionais, propostos no início do ano e para outros nem por isso. Mais do pensar em festividades, nesta altura do ano, importa efectuar o balanço do que foi bom e do que poderia ter sido melhor. De forma honesta e sobretudo interiorizando os resultados para que este novo ano comece da melhor forma.

O ano que termina foi para mim marcado por uma série de "provas". Ao nível pessoal e ao nível profissional. Foram várias as "opções de caminho" a seguir. Alguns terão sido bem escolhidos, outros nem por isso. O tempo o dirá. Foi um ano marcado por mudanças na minha personalidade e no meu feitio. Por vezes percebidas com quem lido, e outras sem que certas pessoas tivessem tempo de perceber. Ou porque não quiseram ou porque eu não quis que percebessem. Muito fica por mudar em mim, e como em tudo, irá sendo mudado, a pouco e pouco, e num processo que antevejo moroso, mas que espero sinceramente que tenha bons resultados.

Também no campo profissional é também altura de ser feito um balanço. Há coisas boas e há coisas más. Entendo que as coisas más constituem oportunidades de melhoria. Um dos vários defeitos que tenho, e que terá de ser trabalhado este ano, está relacionado com a expectativa que tenho relativamente a cada pessoa que comigo trabalha. As pessoas têm ritmos de vida (e de trabalho) diferentes umas das outras, formas de estar na vida diferentes e isso condiciona naturalmente a sua forma de estar ao nível profissional. A solução passa por deixar de criar altas expectativas como tenho feito até agora. Na maioria das vezes que o faço sou mal sucedido. Não estou com isto a dizer que sou melhor que alguém. Estou apenas e só a partilhar que não mais o farei . O "feedback" / resultado final não podia ser pior e não o fazendo, talvez signifique que possa conviver de forma mais pacífica e tranquila comigo mesmo.

No ano que entra, este blogue passará a ter outro figurino. Os dois últimos anos tiveram temas desenvolvidos diariamente...o que não é fácil. Quase 800 temas desenvolvidos e com a partilha do "próximo tema" a ser desenvolvido. É um exercício complexo, intrincado, mas nem por isso menos interessante. Mas como em tudo, o modelo que passará agora a ser experimentado será ligeiramente diferente.

Não é um modelo inédito. Basicamente, e analogamente ao que fazem alguns comentadores residentes em alguns canais televisivos, passarei a escrever semanalmente (em princípio ao Domingo). Durante a semana farei para mim mesmo uma escolha de temas que entenda ser interessantes e desenvolverei os mesmos no final de semana. Deixar de haver a "sugestão" do tema a ser desenvolvido no dia seguinte. Ou seja, deixa de haver dia seguinte.

Da minha parte, e para terminar, espero que o ano de 2012 não seja tão mau como o que "pintam" e que para todos nós, seja melhor que o ano que finda. Que todos os projectos pessoais e profissionais se realizem e que haja saúde. E dinheiro. Acima de tudo estes dois aspectos.

Até lá...uma boa semana!

sexta-feira, dezembro 30, 2011

Falar em Público

Sou uma pessoa que sempre gostou de falar em público. Gosto de me ouvir. Gosto de ter audiência fixa em mim. De comunicar e de me expressar oralmente. A par e passo com a escrita acho que é algo em  que me saio relativamente bem.

Ao longo dos anos tenho tido oportunidade de assistir a várias apresentações em público. Conferências, trabalhos de grupo (na altura da pós-graduação e faculdade) e acções de formação várias. E do que tenho visto, é com muito pesar que digo que, em algumas situações preferia enfiar finas farpas de madeira nas unhas do que estar ali, naquela sala, a perder o meu tempo a assistir a tristes apresentações.

Uma das piores coisas que alguém que fala em público pode fazer, é dar a entender que não estudou a matéria. Não saber do que se vai falar. É o falar de futebol sem saber o que é uma baliza. Não faz sentido. Em menos de nada ganha-se um rótulo de alguém que não percebe nada do que está ali a falar e, daí ao desinteresse colectivo é um fósforo. Normalmente, quando o interlocutor usa e abusa de um registo monocórdico ou torna um tema já de si enfadonho ainda mais desinteressante, entretenho-me a inventar um qualquer jogo de quebra-cabeças ou a pintar as barrigas das letras "a", "e", "p", etc..

Do acima, percebe-se facilmente que não espero mais do que alguém estar devidamente preparado para falar em público. Ter estudado a lição e estar preparado para responder às questões que naturalmente surgirão no decurso da apresentação. Um dos aspectos que normalmente passa despercebido, à maioria das pessoas, é que quando alguém está a falar em público é sem dúvida, o centro das atenções. Quanto mais dirigido e profissional for o discurso, devidamente enquadrado e estudado, melhor. Maior será a credibilidade que qualquer presente na sala atribuirá ao emissor da mensagem. O contrário verificar-se-á se se perceberem partas gagas, um discurso incoerente e a leitura errónea ou dúbia do que se projecta (e.g.: slides do powerpoint).  Das melhores apresentações que já vi, até hoje, nem sequer havia projector. Apenas o "flipchart" em conjugação com o quadro branco. Defendo a utilização de um dos dois. São os que mais uso. Em auditórios, sem dúvida que recorro ao projector, mas apenas e só com tópicos elencados nos slides. Outra coisa que detesto, é falar sentado. Privilegio o andar pela sala. Mostrar dinamismo. E sempre com a ajuda do ponteiro laser.

Para terminar, não podia deixar de referir um marco importante, em que pude aprender algumas técnicas de exposição em público. Curso de formação de formadores. A forma de como deve ser feita a abordagem do público. Saber ler o público em sala. O praticar da "escuta activa". O reforçar positivamente as ideias e sugestões. O estímulo das questões...são tudo técnicas que se discutem e aprendem neste tipo de formação ad hoc. E que acho que toda a gente devia pensar em fazer. Para evitar fazer figuras tristes.

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quinta-feira, dezembro 29, 2011

Libertação

Entendo por libertação o afastar ou deixar / abandonar de vez as "amarras" ou "âncoras" no passado. Recordações, pessoas, cheiros, músicas, lugares, configuram tudo situações / eventos que trazem memórias e que podem ser boas ou más.

Um dos grandes problemas que tem lugar quando alguém enceta um novo relacionamento afectivo prende-se com o facto da outra parte poder não ter feito convenientemente "o luto" da relação anterior. Bem sei que já aqui falei num tema muito próximo deste (e de resto associado). Libertar-se das amarras do socialmente aceite e convencionado é, na minha humilde opinião, meio caminho andado para a libertação do espírito e consequentemente para a felicidade. É uma condição que tem de ser necessariamente satisfeita para que as coisas evoluam no bom sentido.

Não quero com isto dizer que se deve pautar a vida pela "marginalidade" ou afastar-se dos padrões sociais. O ideia que quero reforçar prende-se com a necessidade da libertação do espírito das amarras / âncoras do passado para que se possa evoluir. Enquanto pessoa, enquanto ser humano. E para que as futuras relações afectivas que se venham a ter (se for esse o caso) decorram com o máximo de normalidade e tranquilidade.

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quarta-feira, dezembro 28, 2011

Festa da Passagem de Ano

A última palhaçada do ano. Como não podia deixar de ser. Como se já não bastassem umas 50 palhaçadas ao longo do ano, mais uma para acabar qualquer ano em beleza.

Sinceramente, não entendo qual é a piada da passagem do ano. Nunca entendi, para ser sincero. Mais um dia que se passa e que segundo o calendário gregoriano que me foi dado a conhecer na longínqua primária, simboliza a passagem do último dia do mês de Dezembro do ano transacto para o primeiro dia do mês de Janeiro do ano subsequente. Até aqui nada de novo. Porque razão não se festeja a passagem do último dia do mês de Março de todos os anos para o primeiro dia de Abril? Não entendo. Qual é a piada de o fazer no último dia do ano? Nenhuma.

À semelhança de tantos outros eventos sem interesse algum e que têm lugar ao longo do ano, também a passagem de ano é um verdadeiro momento de consumismo e hipocrisia. Em primeiro lugar o consumismo. Vejo empresas como a dos frutos secos de das passas, pinhões e nozes "florescerem" ou terem índices de lucro meteóricos. Quando no resto do ano passam pelas ruas da amargura e com lucros que devem resultar apenas da exportação para países terceiros. E com a crise que o mundo atravessa os lucros mal devem pagar os custos de produção (e transporte associado) destas empresas.

Outra das indústrias igualmente lucrativas é o das bebidas espirituosas.  Estas talvez mais lucrativas que a indústria dos saborosos e calóricos frutos secos, até porque há mais festividades que têm de ser regadas com champanhe ou espumante durante todo o ano. Há pessoas que não sabem a diferença entre entre um champanhe bruto e um champanhe semi-seco. Mas não será aqui e agora que irei fazer a destrinça. E a partir das 2000H (ou até mais cedo) no dia de 31 de Dezembro começa a maluqueira. E claro, o jantar pela noite dentro. Há casos em que os "convivas" já passam a meia-noite do ano novo de tal forma etilizados que só ficam sóbrios 4 dias depois. E sem saber que já dobraram o ano. Ou quando o fizeram.

Por último a hipocrisia. Como é que alguém este ano vai, em consciência desejar um bom ano a outra pessoa que esteja ao seu lado? Não consigo perceber. Não é ser hipócrita? Com esta crise e depois de parte do subsídio de férias ter ficado cativo? Eu acho que é. Há alguns anos que digo que o ano novo seja melhor que o anterior. É o máximo que consigo dizer. E não preciso de bater nas panelas. Ou de a andar a lançar fogo de artifício (ou  a apanhar as canas). Desejo bom ano a quem tenho de desejar e vou dormir. Amanhã é outro dia. No ano novo.

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terça-feira, dezembro 27, 2011

Andropausa

A andropausa está para os homens assim como a menopausa estará para as mulheres. A diferença básica entre a andropausa e a menopausa baseia-se no facto da menopausa atingir todas as mulheres após uma certa idade, enquanto que a andropausa poderá atingir apenas uma reduzida fracção do sexo masculino.

Uma das principais alterações que advém da andropausa é a não produção da testosterona. Sem entrar em grande no detalhe técnico, testosterona é a hormona produzida pelos homens e que faz com que eu tenha a voz grossa, uma barba cerrada qual homem das cavernas (e pêlos no peito - sem parecer um símio), seja musculado e tenha uma maçã de Adão proeminente.

Desta feita já sei que quando atingir o meio século de existência, passarei  a ter uma voz mais fina, não mais terei de me preocupar em fazer a barba, deixarei de pensar nos pêlos do peito e ainda desaparecerá  a  maçã de Adão. Tudo coisas boas. A coisa menos boa é que os livros adiantam que tem lugar uma diminuição do tamanho dos testículos (daí a diminuição da produção da testosterona) e consequente alheação dos prazeres da carne. O que me deixa pouco tranquilo e a acreditar que talvez não seja descabido começar a pensar na forma de ocupação do muito tempo livre que passarei a ter, por exemplo no estudo de viveiros de trepadeiras ou porque não tornar-me catedrático no estudo da climatização estufas para caracóis. Dois bons e aliciantes desafios.

Não tenho dúvida que o efeito da andropausa num homem é bem pior que o da menopausa numa mulher. Na mulher deixa de existir o incómodo e habitual fluxo menstrual mensal e os tão frequentes momentos de má disposição durante o período fértil passam a ter lugar de tempos a tempos. Já não falando na economia na medida em que deixa de ser necessário comprar pensos higiénicos / tampões.

No homem as coisas são diferentes. A masculinidade é severamente afectada. Afinal, deixa de ter vontade de "festa". Ou esquece-se do que é a "festa", direccionando natural e progressivamente a sua atenção para outro tipo de actividade como seja o tafetá ou o bordado a ponto cruz. Ou então ser acometido de uma vontade louca de aprender a cozinhar. Ou de ser Presidente da República. Conheço várias pessoas a quem deu para isso. Algumas têm azar e conheço uma que teve sorte de levar o seu sonho a cabo...Eu e todos os portugueses.

Contrariamente às mulheres que deixam de gastar dinheiro, nos homens há lugar a um dispêndio de dinheiro. Explico porquê. Não podia deixar de falar das honrosas excepções deste sexo forte e que entendem que com 93 anos ainda estão "aí" para as curvas. E que perpetuam a sua actividade sexual com octogenárias recorrendo ao comprimido azul. Para sua auto-afirmação e para desespero das companheiras. Ao que sei, é "festa" toda a noite!

Há malucos para tudo. E ainda bem que assim é!

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segunda-feira, dezembro 26, 2011

Carteiro

Sou do tempo dos carteiros entregarem as cartas / encomendas à mão. Transportar tudo a pé e ir distribuindo pelas caixas do correio / à porta sempre que justificado. Quando as encomendas eram maiores que ele, compreensivelmente, deixava um aviso na caixa do correio para que a mesma fosse levantada na estação de correios.

Anos mais tarde, e já a viver noutra casa,  aconteceu uma vez um episódio caricato. Com o meu outro cão (já falecido). Um pastor alemão com mais de 50 kg e que achou por bem não deixar que o carteiro tocasse à campainha para avisar que tinha uma encomenda para entregar. Ou seja, com pessoas em causa, mas o carteiro optou por manter a integridade física da sua mão para redigir um aviso com a seguinte mensagem: "Não foi possível entregar a encomenda porque o cão não deixou". Devo ter algures por aí esse aviso.

Hoje em dia as coisas são diferentes. Os carteiros não andam mais a pé. Andam de carro. E assim sendo, já podem transportar encomendas muito maiores que a sua altura, sem grande dificuldade. Outras empresas que ganharam projecção foram as multinacionais que também entregam cartas e encomendas. São várias e bem conhecidas. As encomendas são entregues na porta do destinatário no dia seguinte e com toda a comodidade. O que faz com que a tão conhecida e secular instituição dos correios seja muitas vezes preterida. E cada vez mais será assim. Qualquer dia as pessoas que entregam encomendas nem sequer falam português. Ou não têm medo de cães. Já faltou mais.

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domingo, dezembro 25, 2011

Bastidores

Pouca gente valoriza os "bastidores". Refiro-me  a pessoas / organizações que não sendo conhecidas, têm um contributo preponderante no sucesso (ou fracasso) de alguém.

É sabido que os políticos não elaboram os seus discursos. Estudam / decoram os discursos preparados por terceiros. Por outras pessoas que têm como responsabilidade ou atribuição o estudar, investigar e compilar informação. Que têm por hábito ler toda a imprensa diária com o intuito de ganhar conhecimento das notícias que versem o político para o qual trabalham. São estas pessoas para quem não há um agradecimento público. E consigo perceber porquê. Seria desmontada toda a credibilidade de uma figura pública se fosse conhecida a sua não autoria das intervenções ou posições públicas que faz / assume. Contam-se pelos dedos de uma mão (ou meia mão) as pessoas públicas que não têm conselheiros de imagem ou uma equipa de profissionais que labora arduamente, 24/7, para a construção de uma imagem credível, sólida e inabalável. Sim, creio ser do conhecimento de qualquer ser pensante que há certas notícias que são rapidamente abafadas e que nem sequer vêm a público, por via de serem perigosas ou que podem "beliscar" a imagem de alguém. Tudo tendo como objectivo conferir o máximo de consistência à imagem  de alguém.

É pena que todas estas pessoas, que constituem equipas determinadas a manter a imagem de uma pessoa, não sejam publicamente reconhecidas. Os "louros" ficam sempre para as figuras públicas. Que "sem saber ler nem escrever" mantêm intactas e incólumes as suas imagens. E em alguns casos..à prova de tudo!

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sábado, dezembro 24, 2011

Reencontro

Os momentos de reencontro são para mim momentos únicos. Para o bem e para o mal. Em algumas situações, e por via de troca de agendas telefónicas ou mesmo de telefones, perde-se o rasto a alguém. E quando acontece o reencontro é como se o mundo começasse de novo.

Como referi anteriormente, há reencontros bons e reencontros maus. Os bons reencontros são aqueles que acabo de exemplificar. Por algum motivo perdeu-se o contacto com alguém, e algum tempo mais tarde encontra-se de novo essa pessoa. Acontece-me frequentemente. Aqueles colegas de faculdade com quem me relacionava mais, antigos colegas de outros empregos, professores, antigos vizinhos, enfim, uma série de exemplos. De bons exemplos de reencontros. Também acontece que nunca sei muito bem o que dizer nestas situações. O normal e habitual cumprimento. A clássica questão do que tem feito neste tempo em que não nos vimos (esperando que seja uma resposta longa e que o(a) interlocutor(a) conduza o resto da conversa) e depois...acaba-se o tema. É um problema de fundo. E sorrimos um para o outro anuindo de forma condescendente e paternal.

Nos maus reencontros acontece o inverso. Imagine-se a situação de ter acabado de abastecer de combustível o carro. Ou estar numa fila do supermercado. E de repente, olhar-se para quem temos à nossa frente e vermos que é o(a) nosso(a) antigo(a) colega com quem discutimos há uns meses / anos atrás. Ou um(a) "ex". Esta situação então é do melhor. Não há nada melhor que ter o(a) ex com o(a) respectivo(a) e actual companheiro(a). Estar ali, parado numa fila (sem ter por onde fugir sem dar parte de fraco) e ter uma desses casos incómodos à frente. Melhor só mesmo ir à secção do azeite, abrir uma garrafa e despejar em cima de nós.

Há coisas do diabo..

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sexta-feira, dezembro 23, 2011

Fóruns

Há muitos anos que frequento fóruns na internet. Maioritariamente ligados ao mundo automóvel - quer velocidade e mais recentemente todo-o-terreno. Mas também estou registado num sobre problemas de condomínio e outro sobre temas legais!

Há vários aspectos que saltam de imediato à vista a quem frequenta este tipo de site na internet. Em primeiro lugar, o facto de se perceber que muita gente terá de voltar aos bancos da escola para aprender a escrever. Ou não. Talvez a adopção do novíssimo acordo ortográfico venha colmatar essas falhas linguísticas (verbal e escrita) e faça com que quem não saiba escrever correctamente passe portanto a fazer brilharetes de erudito nesta matéria. Calha bem.

Em segundo lugar, a questão da educação. Os fóruns são locais, como o próprio nome indica, de discussão pública. Não faz sentido que o sejam de outra forma. O problema é que são locais utilizados por muita gente, dos mais variados estratos sociais e que o utilizam para se "expandirem", por vezes em linguagem não adequada ao meio. A ajudar à festa, posições extremadas de egocentrismo e egoísmo fazem com que determinados temas sejam tidos como "incendiários" e obriguem ao fecho dos mesmos por parte do painel dos moderadores - membros que zelam pelo bem-estar do fórum.

Em terceiro e último lugar, a velha questão das pessoas se esconderem atrás de um écran de computador. Há muitos anos atrás participei num fórum automóvel. Naturalmente que, como em tantos outros fóruns havia pontos de discórdia entre vários membros e relativamente a alguns temas. O engraçado era conhecer essas pessoas posteriormente e pessoalmente. Lembro-me objectivamente de dois irmãos, por exemplo que vieram a demonstrar ser pessoas...com dupla face. Ao vivo eram "super" e atrás do écran não era bem assim. Melhor ainda. A figura deles, presencialmente roçava o patético. Ou seja, houve tópicos em que um dos manos incendiava, deliberadamente, e que tinha o dom de me fazer pensar em ir dar um mergulho ali no Tejo para ver se acalmava...A solução era lembrar-me das suas figuras...tipo 1,50 metros, enquanto me imaginava a exercitar apneia. Era a forma de me acalmar.

Deixei de frequentar tópicos ou de entrar em discussões desse tipo. Hoje em dia frequento-os numa óptica de adquirir conhecimento e trocar impressões técnicas. Apenas e só. E é o melhor que faço.

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quinta-feira, dezembro 22, 2011

Respeitar o Espaço

Respeitar o espaço, na minha opinião, é sem dúvida uma das variáveis que contribui de forma decisiva para que uma relação afectiva / amizade perdure: Semanas, meses ou anos. 

Se no início de qualquer relação, seja de que tipo fôr, é muito bonito dizer-se que se respeita o espaço e individualidade do outro lado, é na prática (e com a ajuda do factor tempo) que as coisas se confirmam  na realidade e se são assim ou se é treta. Na maior parte das vezes, e infelizmente, é treta. Complicado? Muito.

Não há uma fórmula cientificamente comprovada para dar a volta a este problema que aflige tantos casais ou relacionamentos de amizade. Acima de tudo, e remetendo o leitor para um dos meus textos sobre o "Diálogo" (Maio/2010), acho que é necessário que haja uma partilha sobre limites em que cada um se sente confortável. Zonas de conforto, se preferirem. A minha zona de conforto não é necessariamente igual à zona de conforto de uma pessoa com quem gosto de falar e debater assuntos relacionados com o todo-o-terreno ou de alguém que prezo e estimo e a quem ligo para saber como correu o dia. Ou seja, por outras palavras, os "timings", a regularidade de contacto e a forma como são encetados os mesmos poderão conduzir a sensações de desconforto e de incomodidade que podem ser evitadas assim haja uma discussão aberta, frontal e adulta sobre limites individuais.

Não tanto numa relação de amizade, mas mais numa relação afectiva, com muita frequência os limites são desrespeitados. Por vezes involuntariamente. Na expectativa de se querer estar "presente", mimar ou agradar..o resultado consegue ser pior. É certo que a sensação de desconforto até é justificada. Vejamos. Há histórico de relacionamentos afectivos anteriores que não resultaram e que, por exemplo, uma das partes nunca aceitou o final. Consequentemente, há casos de perseguição, de ameaças, etc. Coisas más e que não matam (em alguns casos), mas moem.

Até que aparece uma pessoa nova. A insistência de um contacto desta pessoa, numa tentativa de mostrar interesse, e sem que tenha havido tempo para a outra pessoa "enterrar os esqueletos que tem no armário", pode ser como consequência reacções intempestivas e violentas. Não personificadas, é certo, mas que carecem de entendimento e acima de tudo, percepção que é necessário respeitar o espaço. E o tempo.

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quarta-feira, dezembro 21, 2011

Pôr a mesa

Pôr a mesa é algo que faço há muitíssimos anos. Diria mesmo que desde que passei a conseguir colocar as coisas em cima da mesa (como seria normal e expectável).

Esta singela (mas nem por isso menos importante) tarefa doméstica foi durante décadas motivo de discórdia entre eu e o meu querido irmão. Discussões acesas em consequência do não cumprimento de planeamentos acordados verbalmente entre ambos. Ou seja, combinávamos que um de nós punha a mesa ao almoço e o outro levantava. Numa semana. O problema era a memória de ambos ser curta o que originava logo confusão.

Uma das coisas que mais me irrita, quando estou numa refeição, é o ter de me levantar da mesa. Detesto. Prefiro perder mais uns segundos a pôr a mesa do que durante a refeição ter de me levantar. Dá mais trabalho? Dá. Mas consigo ter uma refeição em paz. A melhor analogia que consigo avançar é a de um "4 patas" que alegremente se banqueteia com o focinho mergulhado na sua gamela. A privação da gamela neste momento da refeição pode ser como consequência uma ferroadela que faz ver estrelas. Eu não mordo, naturalmente, mas analogamente fico muitíssimo mal disposto. São várias as situações que já me fizeram levantar: um telefone esquecido numa outra divisão da casa que não aquela onde está naquele momento, e que começa insistentemente a tocar como se alguém estivesse a ser queimado com ácido clorídrico e que me deixa à beira de um colapso nervoso - ou o ter de me levantar porque falta alguma coisa na mesa: desde sal, a pinça para a salada, o pão, etc. 

Desenvolvi recentemente uma metodologia infalível para que ninguém me consiga fazer interromper a refeição. Mentalmente, durante semanas, desenvolvi um esquema mental para elencar quais eram os items que normalmente estavam em falta e eram pedidos quando estava entre a 2ª e a 3ª garfada de comida. Comecei a interiorizar essa lista e disciplinei-me no sentido de a pôr em prática, o que quer dizer, em termos práticos, de colocar as coisas na mesa. Fui mais longe. Coloco também coisas que não são primariamente necessárias, o que faz com que a mesa do jantar se assemelhe à confusão arquitectónica que caracteriza o Parque Expo.

Com o tempo, e na medida em que já estou "calhado", consigo pôr uma mesa completa em menos de 3 minutos. É claro que pelo meio há aqui uns exercícios de contorcionismo, com pratos, copos, talheres, guardanapos, pão, vinho, telefones a ser tudo carregado de uma só vez (na óptica de optimização do tempo). Mas resulta...

...e são cada vez mais raras as vezes que me levanto. E me deleito nas refeições...

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terça-feira, dezembro 20, 2011

Ser do contra

Quem me conhece há algum tempo sabe que nunca gostei, não gosto e dificilmente irei gostar das tão conhecidas e habituais carneiradas. Seguir o que é defendido ou advogado pelos outros, sem que me tenha sido explicado muito bem o porquê não faz muito o meu género. Não gosto, e acho um pouco despropositado.

Em bom rigor, posso considerar-me do contra. Porquê? Porque as coisas que a maior parte das pessoas gosta...entedia-me. Por exemplo, não gosto de ir beber uns copos ou ir para as discotecas da moda e deitar-me quando o sol está a nascer. Nem que seja pontualmente. E são muitas as pessoas que conheço e que gostam. Não consigo achar piada alguma ao karaoke. Da mesma forma entendo que ninguém no seu juízo perfeito devia ousar sequer pensar em convidar-me para cantar. O som das canas rachadas ao pé da minha voz soa a uma música de flauta. E detesto ir cantar. E toda a gente a olhar para mim. A diferença entre estar ali a cantar ou estar nú, é nenhuma. É um momento óbvio de elevado confrangimento. Seguindo esta linha de pensamento já "estive nú" 3 vezes em toda a minha vida. Chega.

Há contudo questões mais sensíveis. A política e a religião são dois bons exemplos disso e em que normalmente há fractura num diálogo comigo. Muito raramente (mesmo muito) encontro alguém com a mesma opinião ou que, por outro lado, defenda convictamente o seu ponto de vista. Já eu não sou assim. Se tiver de ser do contra, sou até ao fim. Se tiver de defender uma determinada posição, defendê-la-ei. Contra tudo e contra todos. Sendo sempre coerente comigo mesmo. Mesmo que o tempo venha a ser mostrar-me que afinal estava errado. Fi-lo em consciência.

Ser contra não é sinónimo de ser tapado. Não é sinónimo de ser inflexível. É sim ser alguém com convicções e que mantém um registo de conversa coerente com aquilo em que acredita. É discordar sem recorrer ostensiva e irritantemente ao "porque sim" ou ao "porque não", ou "porque quero assim", em cargos de poder. É conseguir sustentar um ponto de vista divergente. Ser do contra, mais do que assumir uma opinião contrária, é marcar a diferença. E para marcar...que o seja bem feito.

Próximo Tema: Pôr a mesa

segunda-feira, dezembro 19, 2011

Espírito de Missão

Ter espírito de missão, nos dias que correm, é ser superior à tentação de seguir o caminho mais fácil. É conseguir ultrapassar os obstáculos do quotidiano sem ceder. É continuamente mostrar profissionalismo, espírito de inter-ajuda, espírito de sacrifício e abnegação. Mostrar que se é capaz e competente para aceitar a missão que lhe foi atribuída.  É, em tempo de crise, arregaçar as mangas e produzir mais. Não ser necessário que seja o Governo a impôr mais meia hora de trabalho aos trabalhadores. Partir do trabalhador esse esforço adicional.

Já aqui referi recentemente que o direito ao trabalho está constitucionalmente consagrado. Mas, por outro lado, não está escrito em lado algum que a entidade patronal tenha de manter em funções um trabalhador que não traz qualquer mais-valia para a organização. Este é o grande problema dos portugueses. Têm para si que são insubstituíveis e que são imprescindíveis nas organizações. Até ao dia em que rola a cabeça de uma daquelas pessoas que já faz parte da mobília e que se julgava intocável. Só nessa altura as pessoas acordam.

Nenhuma empresa é obrigada a dar trabalho a quem quer que seja. Já o trabalhador é obrigado a dar o seu melhor para manter o seu posto de trabalho. É aqui que entra o tal espírito de missão. Necessariamente imune às vozes dissonantes de grupos que tentam dissuadir os trabalhadores responsáveis de levarem a cabo um trabalho profissional. São os medíocres, os maus profissionais, aqueles que erradamente pensam que a empresa é obrigada a manter o seu posto de trabalho que contestam. Que reivindicam. E que acham que espírito de missão é treta.

Pois bem, tenho a informar que se este Governo levar a cabo as medidas que apregoa, esses iluminados vão todos para o olho da rua. Vão fazer as greves que quiserem nos Domingos à tarde, ali para o Rossio. E deixando trabalhar quem quer trabalhar.

Próximo Tema: Ser do contra

domingo, dezembro 18, 2011

Zangam-se as comadres....

...sabem-se as verdades. Mais um adágio popular que cada vez tem mais aplicabilidade. Um pequeno exemplo do quão aplicável é o mesmo, é nem mais nem menos que o exemplo da alternância do poder (Governo) que acontece em Portugal e a consequente oposição que passa a ser feita pelo partido demissionário.

O exemplo que avancei tem muita razão de ser. Senão vejamos. Ninguém, quero eu acreditar, em consciência, acredita que os calotes financeiros que têm vindo a ser conhecidos não o eram no Governo anterior. Não acredito que haja alguém tão ingénuo e que pense dessa forma. Ou que os escândalos todos que têm envolvido políticos no activo (e outros que não estão no activo) eram desconhecidos. Não eram. Nada do que tem vindo a ser ultimamente conhecido era desconhecido. É tudo uma questão de gestão do timing para que algumas notícias venham a lume.
Aqui reside outro aspecto interessante. O saber "domar" a opinião pública. E gerir os tais timings das notícias. Há poucos dias, um candidato presidencial norte americano saiu da corrida à Presidência, por terem sido descobertas as suas "escapadelas" ou "facadas" matrimoniais. Sim, plural, mais que uma. É que uma escapadela, ainda vá que não vá, e o povo americano ainda perdoa. Agora..todas as semanas vir a público uma nova história...é demais. Achou o candidato que era melhor sair de cena. Também acho que foi o melhor que fez. 

Em política, dizia-me um amigo há uns anos atrás, vale tudo. Tudo é tudo. E há muita gente com "o rabo preso". Da mesma forma que há outras pessoas que são pagas para fazer o trabalho de "sapa" que não é mais que ir para o terreno e descobrir tudo de alguém. Até as suas rotinas. Se cá já vem sendo hábito, imagine-se nos EUA onde tudo e mais alguma coisa acontece.

Fico um bocado grande chateado com tudo isto. É preciso esperar pelas eleições para que os podres de um determinado Governo sejam conhecidos. É nessa altura concreta que aparecem aqueles segredos mirabolantes e que nunca ninguém gosta que sejam conhecidos e pelo facto de significarem menos votos.

As comadres deviam zangar-se mais vezes durante a legislatura e não só no final da mesma.

Próximo Tema:  Espírito de Missão

Youtube

Tenho de admitir a minha pouca experiência no campo informático. Passo vergonhas enormes quando sei que toda a gente utiliza uma solução ou programa há quase 30 anos, e a dado momento, querendo fazer um brilharete, e num dia qualquer eu digo que uso essa solução ou programa. Não percebo onde é que as pessoas aprendem a utilizar estes programas novos. Não sei se há alguma revista dedicada onde estão todos programas ou soluções que devem ser usados para um tipo ser "cool". Se é assim...nunca vi essa revista. Talvez tenha sido aí que foi publicitado o youtube.

Só vejo uma vantagem na utilização do youtube. O poder ouvir músicas de todos os grupos que conheço. E que não conheço. Tem a funcionalidade de dar a conhecer grupos de música com o mesmo estilo / género. É óptimo. Além da música é também possível ver vídeos de variadíssimas outras situações: humorísticos, carros, motas, DIY (Do It Yourself), séries televisivas, etc. É um mundo por explorar. Pode-se passar horas, dias, anos a ver aquilo. E nunca se cansar.

A grande desvantagem, julgo que estará relacionada com os direitos de autor. Recordo-me de ter lido algures que há guerras (de anos) nos tribunais, pelo facto de grupos de música / actores, etc, reivindicarem mais justiça pelo facto de trabalhos seus terem sido publicados na comunidade virtual. Isto sem que os mesmos reflectissem lucro para os seus autores. O que é chato, convenhamos.

Em todo o caso, e enquanto não é abolida a utilização desta solução, é uma excelente oportunidade para rever muitos telediscos e vídeos sobre automóveis de outros tempos. Ou outros programas que julgávamos perdidos no tempo. Afinal não..estão no youtube!

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sexta-feira, dezembro 16, 2011

O capucho

Com o tempo que se tem feito sentir (ora chove, ora não chove), é natural que use o capucho dos casacos impermeáveis. Dá mais jeito do que andar com guarda-chuvas atrás, que com uma "rabanada" de vento ou voam, ou dobram, etc. Isso então é do pior...e com chuva e vento...fico maluco.

Há dias aconteceu isso mesmo. Tive de ir à rua e como sempre, estando a chover, não levei o chapéu. Ainda olhei para ele, mas não o levei. Como habitualmente, preferi a solução mais cómoda e expedita do capucho do casaco. Para tornar o desafio mais engraçado, não só tinha a chuva, como tinha ventos ciclónicos.

É claro que o resultado não podia ser pior. O capucho do meu casaco é daqueles que tem uns elásticos com molas na ponta, que permitem ajeitar o capucho conforme a pessoa quiser, e fazendo com que o capucho não saia do sítio. Pois bem. Quando saí de casa, apanhei de imediato um chapadão do vento que quase me pôs sentado no chão e com o capucho sem estar a tapar a cabeça. Ou seja, a apanhar chuva e frio. 

Não desisti. Levantei-me e apertei o capucho com toda a força que tenho. Em poucos segundos tive de aliviar porque devo ter ficado sem irrigação sanguínea ao cérebro - comecei a sentir náuseas e vontade de vomitar. Ah, e também deixei de ver para a frente, porque na posição em que o capucho tinha sido apertado - em cima do sobrolho, nem sequer conseguia ver 20cm à minha frente. Aliviei, compus o capucho e lá fui eu de novo à minha vida. Não demorou 3 segundos a ser atingido por nova chapada do vento que me tirou o capucho e me fez apanhar chuva e vento. É claro que nesta altura comecei aos berros no meio da rua, com asneiras cabeludas. 

O resto do percurso foi em luta constante com o capucho. Ora ganhava o vento e a chuva, ora ganhava eu. Mas perdi, tenho de admitir. Foram mais as vezes em que apanhei chuva (e vento) do que aquelas que tive o capucho na cabeça.

Detesto chuva e vento. Mesmo.

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quinta-feira, dezembro 15, 2011

Malaguetas

Quem gosta de cozinhar sabe que as malaguetas são um condimento importante a ter na cozinha. Li algures que permitem evidenciar o sabor de alguns pratos, se usada com moderação e em pouca quantidade.

Gosto do contraste da cor das malaguetas numa banca do mercado e quando "misturada" com as cores de outros legumes. A sua cor forte faz com que se destaque e que seja naturalmente apelativa à vista.

Também conheci as malaguetas noutro contexto. Com menos de uma dezena de anos de idade  e numa altura em que dizia asneiras cabeludas. Rapidamente percebi que não é só na cozinha que as malaguetas podem ser usadas. E que asneiras cabeludas era sinónimo de malagueta na língua. O que me fazia beber rios de água a seguir e pensar bem se queria continuar a dizer asneirada.

Não sendo apreciador de picantes, gosto de vez em quando (muito de vez em quando) de um pouco de picante na carne grelhada. Dá outro sabor à carne. Tenho é de ter água sempre por perto...e aviva-me a memória para não dizer asneiras!!

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quarta-feira, dezembro 14, 2011

Vendas de Natal

Nesta altura do ano é normal que tenham lugar as vendas de Natal. São várias, espalhadas pela cidade, País, em todo o Mundo.

Das primeiras vezes que fui a uma venda de Natal foi ali na paróquia de Benfica. Na altura, com cerca de 1,50m de altura e pouco mais de 100 escudos no bolso fazia as compras de Natal lá para casa. Não comprava muita coisa, até porque quem vendia também estava à espera de "realizar algum". Mas ainda assim, dava para comprar algumas coisas engraçadas e a um preço mais baixo que se fosse a uma loja...tipo luvas para as panelas ou conjuntos de chávenas de chá. E que a minha mãe ao receber fazia o ar mais deliciado que lhe era permitido fazer.

Há vendas de Natal muito conhecidas (e participadas). Lembro-me por exemplo da clássica venda de Natal, anualmente organizada pelas mulheres dos embaixadores e que tem lugar ali para os lados da antiga FIL. Nunca lá fui, mas aposto que seja uma coisa interessantíssima, não só pela riqueza cultural das vendedoras, bem como pelo preço que é pedido pelo que é vendido. Também não me parece que por lá vá encontrar uma luva para tirar o empadão de carne do forno. Ou por outra, até sou capaz de encontrar..com um custo que dava para comprar um carro novo. Um dos bons.

Que continuem as vendas. Por muitos e muitos Natais...!

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terça-feira, dezembro 13, 2011

Ser especial

Não. Não vou aqui perder tempo a escrever do treinador de futebol (português) que se julga um ente superior e que é conhecido em todo o sistema planetário. Sinceramente, não tenho paciência para escrever ou sequer tentar organizar ideias sobre pessoas arrogantes, egocêntricas e petulantes. Dizem-me que tem razões para o ser. Eu digo que ninguém tem razões para ser como ele é. Ninguém.

Há algumas pessoas que considero terem sido especiais na minha vida. Família directa (Pais, irmão e restante família directa) que de alguma forma contribuem (ou contribuíram) para que determinadas opções tivessem sido seguidas na minha vida. Noutra perspectiva, pessoas com quem me relacionei (profissional ou afectivamente). De alguma forma, também estas relações induziram alguns dos meus traços de personalidade. Por exemplo, a capacidade analítica, a organização, o reconhecimento de alguns defeitos e o necessário trabalho a partir de mim que tem de ser desenvolvido. Muito importante esta parte. Na medida em que são pessoas que convivem comigo diariamente, conseguem de forma directa e quase que óbvia dar-me nota desses aspectos. E claro, por serem especiais oiço e valorizo a sua opinião.

Nem toda a gente que quer ser especial na minha vida o consegue. Infelizmente e por via de alguma circunstância, não consigo ter para mim que todas as pessoas que conheçam sejam especiais. Pessoas especiais destacam-se pelo facto de em algum momento terem estado ao meu lado. Pelo facto de me terem ajudado. Ou por outra, de terem melhorado a minha vivência ou de terem contribuído para ser uma pessoa melhor. E não é qualquer pessoa que o consegue.

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segunda-feira, dezembro 12, 2011

Ser honesto

Contam-se pelos dedos de uma mão (ou de meia mão) as pessoas que conheço e que são honestas. Dessa meia mão, um dos dedos, diz respeito aqui ao escriba.

Em primeiro lugar, ser honesto significa ser uma pessoa íntegra, vertical, com valores morais muito bem consolidados e definidos. É mais fácil ser desonesto que honesto, é uma realidade. É mais fácil encontrar uma carteira, retirar o dinheiro que lá está dentro (dizendo que já se encontrou a carteira assim), do que a devolver com tudo o que lá estava dentro, incluindo o dinheiro. Nos dias que correm até calha bem. A honestidade, para quem encontrou a carteira, baseia-se portanto no facto de a mesma ter sido encontrada e entregue (e.g: PSP). Sempre se poupa na trabalheira de ir tirar todos os documentos de novo...

Em segundo lugar, ser honesto é o pautar-se por uma forma de estar na vida diferente da dos demais. É valorizar aspectos como a integridade, frontalidade, sensatez e tendo como "baliza" os valores morais e éticos apreendidos no decurso da vivência. É neste processo que muito boa gente diverge e que, mais tarde se evidenciará como sendo algo que influiu de forma errada no molde da personalidade. E há muita gente assim. Infelizmente.

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domingo, dezembro 11, 2011

Saber ser humilde...

Um dos aspectos que importa ou que deve ser "afinado" com o passar do tempo é efectivamente o saber ser humilde. Incentivar a capacidade ou a disponibilidade para aceitar uma crítica ou para aprender. É isto a que me refiro. Mas nem sempre é assim.

Saber ser humilde implica, em algum momento, ser detentor de um poder de encaixe razoável, o que como se sabe é complicado. Alguém que me diga que gosta de ouvir críticas depreciativas acerca da forma como trabalha. Ou comentários ao facto de ostensivamente chegar atrasado ao trabalho (se bem que esta até é bem metida), ou ainda de ser uma pessoa acomodada e sem visão de futuro. A resposta parece-me lógica e directa. Ninguém.

A admissão do erro é meio caminho para a correcção do mesmo. É o definitivo "acto de contrição" e que faz a diferença entre uma pessoa que reconhece o erro (e quer mudar) e uma pessoa que ou não reconhece ou não quer reconhecer e que inevitavelmente permanecerá "sem ver a luz" por tempo indefinido, ficando "ancorado" a fantasmas do passado. Será a diferença entre o ser humilde e o mostrar disponibilidade para a mudança ou não o ser e mostrar que pensamentos passados e muito consolidados ou determinados estão presentes, eventualmente em consequência de episódios vividos menos bons. O que nem sempre é bom...e que a jusante comprometem significativamente a capacidade para alguém ser humilde.

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sábado, dezembro 10, 2011

Passar pelas brasas

Cá está mais um dos temas que me é muito querido. Em consequência de me levantar da cama muito cedo, e na maior parte das vezes ainda de noite, é normal que com o avançar do dia o cansaço vá aparecendo. E agravando-se o mesmo no período pós-almoço. Até aqui nada de novo. Acontece a qualquer um.

Descobri ao longo dos anos dois fenómenos curiosos que acontecem comigo. Um deles, o primeiro fenómeno, acho que acontece com mais pessoas. Tem que ver com o facto de invariavelmente passar pelas brasas ou de adormecer em toda e qualquer acção de formação que acontece a seguir ao almoço. Não há volta a dar. Já tentei de tudo. Desde beber baldes de café seguidos para queimar bem a traqueia, ou meter a cabeça debaixo da torneira e abri-la no máximo e ir de seguida para a sala de formação com o cabelo a pingar deixando um rasto de água por onde passo...enfim...artifícios. Nada resultou até hoje.

O segundo fenómeno é ainda mais hilariante. Aqui já duvido que haja muita gente a conseguir este feito singular. Prende-se com o ser possível dormir com os olhos...abertos. Não é espectacular? Também acho. Mais ainda quando durante as aulas da pós-graduação, com sala disposta em "U" as minhas colegas da frente me apanhavam a dormir. Várias vezes. Não é para qualquer um. Eu conseguia e consigo..

Sinto-me verdadeiramente afortunado. Quantas e quantas vezes não adormeço em reuniões ou tenho de morder o lábio quase a fazer sangue para me manter acordado? Já aconteceu milhares de vezes. São autênticos desafios que lanço a mim mesmo. Simplesmente lindo. Às vezes ganho...outras nem por isso.

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sexta-feira, dezembro 09, 2011

Horas Extraordinárias

A questão das horas extraordinárias tem muito que se lhe diga. Ninguém gosta de as fazer. E claro que quando as mesmas são feitas são exigidos ressarcimentos por parte das associações sindicais que por vezes roçam o obsceno.

As tabelas de remuneração das horas extraordinárias estão tabeladas, ou seja, o índice de remuneração das horas extraordinárias está legalmente determinado. Ninguém precisa de "inventar a roda". Basta fazer as contas e pagar o que está determinado na lei, ultrapassadas que são as 8 horas diárias / 40 horas semanais. E entra-se no domínio das horas extraordinárias.

Feliz ou infelizmente, houve alguém que se lembrou de algo com imensa piasa. Dá-se pelo nome de "isenção de horário". Ou seja, se porventura a ACT (Autoridade para as Condições do Trabalho) bater à porta de qualquer empresa às 2100H e encontrar vários trabalhadores ainda na labuta...dificilmente poderá fazer algo. Ou seja, o empregador consegue evidenciar - através do recibo de vencimento - que o trabalhador é ressarcido dessas horas a mais que faz por dia / semana (apontando para uma parcela incluída no vencimento mensal) e pouco há a fazer. Mesmo que o trabalhador tenha umas olheiras até ao chão e aparente evidente descoordenação motora ou balbucie que o fim do mundo é no dia seguinte.

Nas empresas onde os resultados positivos são uma constante (usualmente multinacionais) não há horas extraordinárias. A determinada hora (julgo que é às 1800H ou às 1900H), as luzes de todos os pisos do prédio são apagadas. Se porventura algum trabalhador ficar a trabalhar até mais tarde, e se for detectado na ronda do segurança, é identificado pelo mesmo. No dia seguinte, o chefe de equipa deste trabalhador é chamado à coordenação de divisão e é questionado o porquê de ter sido identificado um colaborador da sua equipa a desoras no escritório. Há trabalho a mais? Está a ser delegada demasiada responsabilidade em alguém que não dá conta do recado? Serão as tarefas atribuídas passíveis de ser executadas por esse trabalhador? Será que o mesmo tem competências para tal? Teve a adequada formação e informação para as levar a cabo? Ou por outro lado houve má gestão das tarefas ou do tempo por parte do trabalhador? Ou é alguém que tem dado indícios de estar cansado ou de não ser capaz de ter tarefas de responsabilidade? O que é certo é que o segurança detectou alguém em horário "pós-laboral". E não é suposto.
À boa maneira portuguesa, se este procedimento fosse implementado nas empresas nacionais, todos os dias os chefes de divisão seriam chamados à pedra. O português é pródigo em trabalhar bem sob pressão. As pessoas gostam de trabalhar bem sob pressão, o que evidencia por si só que não há seguimento de um planeamento prévio. Ou se há...é furado. Mais cedo ou mais tarde. O trabalhar português, tipicamente não segue um planeamento. Prefere trabalhar ao seu ritmo e vontade. Daí as horas extraordinárias.

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quinta-feira, dezembro 08, 2011

Tolerâncias de Ponto

Já aqui referi que sou radicalmente contra as tolerâncias de ponto. E não se pense que é pelo facto de trabalhar há anos no sector privado e não usufruir das benesses do sector público. Por definição, sou contra.

Esta minha animosidade relativamente à concessão das tolerâncias de ponto não seria descabida há 50 anos atrás. Na altura, o sector privado teria uma menor representatividade face à tão almejada e cobiçada efectividade no Estado. Em muitas situações o que era concedido (em termos de tolerâncias de ponto) no público era seguido no privado. Até este ano. 

Com o passar dos anos passou a ser uma opção por parte de quem paga os vencimentos, em nome da produtividade. E confesso que não discordo.

Mas voltando atrás. Há 50 anos (ou até antes), assistiu-se ao  êxodo rural massivo do meio rural e consequente fixação das pessoas nas grandes urbes em busca das melhores condições de vida, das boas oportunidades e naturalmente em busca de algo que fosse o garante de uma boa vida para os filhos e gerações vindouras. Tudo isto em detrimento da necessidade de ir acordar as galinhas para chocar os ovos ou de ir mungir as vacas por volta das 0430H. Ou ir todos para o campo de noite a noite. Assim sendo, e nesta perspectiva, parece-me fazer sentido a fuga do campo e tentar a sorte nas cidades. 

Mas como se sabe, nem sempre é possível que se cortem as raízes. Nas épocas festivas e por altura das romarias, na apanha da uva ou da azeitona, a saudade aperta e os corações de pedra dos chefes (também eles lá da "terra") eram amolecidos. O na altura "dono de Portugal" também era ele próprio provinciano. E claro que com facilidade eram concedidas estas benesses. Para que as pessoas que iam à terra "tivessem um dia" para a viagem de volta à terra. Lembro os mais esquecidos que na altura não havia alcatrão em todo o "rectângulo" e ir de Lisboa ao Porto....era capaz de demorar menos umas horas do que as actualmente necessárias para ligar Lisboa ao...Brasil.

Para concluir, e por via de ter sido dada prioridade máxima à construção de estradas por parte de um determinado governante, construíram-se muitas. Demasiadas, diria mesmo. Mas tornou-se possível ir ao Porto em menos de duas horas para comer uma francesinha. E assim sendo, deixa de fazer sentido avançar a necessidade de se tentar "engrupir" o chefe com a treta de se perder um dia em viagem. A questão é que os portugueses perpetuam (como de resto já vem sendo hábito), a "chica espertice". E esquecem-se que os tempos mudaram. Porque lhes convém esquecer, claro. Mas como até é bom ter finais de semana prolongados...mais vale estar quieto. Quando em altura de crise...o que se devia pensar é nas formas de dar a volta. E fazer mais sacrifícios. 

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quarta-feira, dezembro 07, 2011

A gota de água...

É usual ser usada a expressão "a gota de água foi..." (qualquer coisa) quando se quer enfatizar algo que mudou o rumo dos acontecimentos. Na maior parte das vezes é um evento de somenos importância, mas que aliado a toda uma série de eventos anteriores faz toda a diferença.

O que esta expressão tem de perigoso é o facto de se referir a um pequeno acontecimento que pode muda irreversivelmente  uma sequência de acontecimentos subsequentes. Bons exemplos da aplicação desta expressão são aquelas situações em que há um típico acumular de situações não desejáveis - e.g.: mau comportamento escolar de um puto reguila. A Professora adverte umas 2 vezes os pais do puto. Em casa, e para desespero dos pais, o puto continua sempre a fazer das suas e a gota de água é um dia fazer um remate numa bola qual Ronaldo e partir uma jarra da dinastia Ming que sempre existiu na família da mãe...

Também fora da esfera familiar há também "várias gotas de água". Um acumular de maus exemplos no campo profissional - e.g.: atrasos, faltas de companheirismo, falta de assiduidade, irresponsabilidade, desrespeito pela cadeia de comando, etc.. Outro "bom" exemplo são os relacionamentos afectivos longos e marcados por repetidas discussões, até que um dia, algo que acontece e que nunca teve importância, passa a ter uma importância vital. 

Não há uma solução para que esta expressão não seja utilizada. A melhor forma de evitá-la é mesmo estar atento aos sinais. Sempre.

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terça-feira, dezembro 06, 2011

Taser

Para quem nunca ouviu falar dos tasers, não são mais do que armas capazes de libertar uma descarga eléctrica tal, que podem causar a dormência da zona onde os eléctrodos tocam, ou mesmo o desmaio do agressor (ou marido traidor) durante alguns largos minutos, permitindo assim sová-lo ou castigá-lo pelo crime cometido.

Os tasers são comummente utilizados pelas autoridades policiais lá fora. Embora mais uma vez se façam ouvir as Ligas que defendem os Direitos Humanos, não se ouve falar tanto como nos casos do recurso às habituais armas de fogo. Afinal, depois de levar com os eléctrodos, que pode culminar em desmaio, a vítima acorda e continua viva. Já com um tiro certeiro num coração as probabilidades de ficar cá para contar o sucedido diminuem consideravelmente . 

Nos Estados Unidos, por exemplo, pretende-se inverter a curva exponencial de americanos com armas de fogo em casa. O taser começa a ser muito utilizado como dispositivo de defesa pessoal. Em alguns casos há mais que uma arma em casa, mais que duas armas...em alguns casos mais de uma dezena de armas. A legislação norte americana é diferente da portuguesa, e é permitido a um cidadão deste país, (sendo maior de idade) comprar uma arma.

O taser é considerado "arma" na medida em que há registo de casos mortais. O princípio é basicamente o mesmo. Dois eléctrodos, ligados a dois fios de cobre que podem ter quatro, seis, oito ou dez metros. Ao disparar, são lançados os dois eléctrodos, que ao atingir a vitima, fazem uma descarga eléctrica durante 5 segundos, imobilizando o alvo. Findo esse tempo, e mantendo-se pressionado o gatilho, há uma descarga disparada a cada 1,5 segundos. Após o disparo, os eléctrodos e os fios são descartados, sendo trocados efectuar novo disparo. Pode-se acoplar ao taser uma lanterna táctica e mira  laser, para evitar erros acidentais. Há modelos que imobilizam a vitima, independente da resistência à electricidade do alvo e da área atingida, pois devido à descarga ser intra-muscular,vai agir directo no sistema nervoso central, fazendo com que o alvo fique em posição fetal...

Nos dias que correm, com a escala da violência, sei que serão muitas as pessoas a comprar um dispositivo destes, em vez da habitual pistola (necessária licença de uso e porte de arma). Não deve ser nada agradável levar com uns milhares de volts no corpo. Nada mesmo.

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segunda-feira, dezembro 05, 2011

Futuro da Europa

Os últimos tempos têm sido conturbados. Para quem como a Alemanha e a França querem de alguma forma fazer com que haja prosperidade e dinamismo na economia do bloco europeu, o cenário com o qual se têm deparado é negro e cada vez mais complicado de gerir.

Em primeiro lugar, porque se começa a notar algum tipo de "travão" na disponibilização de verba para ajudar os países mais carenciados, por parte dos países que efectivamente têm capacidade para o fazer, nomeadamente os dois que refiro acima. A situação preocupante fala por si: Irlanda, Grécia, Portugal e mais recentemente a Itália. Veremos ver como se consegue desenvencilhar este último país, mas para já, é bom ter sido efectuado o auto- reconhecimento da  necessária implementação das incontornáveis medidas de austeridade. Tal como tem vindo a acontecer por cá.

Em segundo lugar, a reacção dos contribuintes. Se na Irlanda, Portugal e Itália me parece que houve uma interiorização e consciencialização por parte de quem paga impostos de que tempos difíceis se avizinham, já na Grécia as coisas não foram assim. Sucessivas greves e paralisações, motins e formas de contestação erradas, que, na minha opinião, e como aqui no blogue já disse, neste momento são erradas. Basicamente, poderá estar em causa a concessão de mais tranches de ajuda monetária, assim a Grécia não evidencie a consecução dos objectivos a que se propôs, para que já lhe tivessem sido atribuídas 2 ou 3 tranches de ajuda monetária (ou balões de oxigénio) num passado recente.

Em terceiro e último lugar, é mais que certa a radicalização do discurso e o endurecimento das sanções para os países incumpridores. Concordo. Falando objectivamente de Portugal, foram muitos anos com o País a ser governado de forma displicente e irresponsável. Jamais um país com uma economia pouco pujante como é a economia portuguesa poderia ter permitido que fossem construídos 11 (onze) estádios de futebol por ocasião de um evento futebolístico. Que seria se porventura regressasse a Fórmula 1 a Portugal...seria construído um autódromo (que como se imagina obedece a uma série de requisitos de segurança - tornando o projecto muito oneroso)... 

Basta ver o tempo perdido com "trocas de galhardetes" por altura dos debates da Assembleia da República. É errado. Da mesma forma que é errada a forma como é feita por cá a Oposição. Quando deveria haver um debate construtivo e no sentido de encontrar soluções para o País, é por isso que os deputados são eleitos (e pagos), prefere-se definir uma atribuição de culpas da situação actual. Que como se sabe alterna entre os dois maiores partidos políticos de Portugal.

Quando há um ex-Primeiro Ministro que diz que querer pagar a dívida é coisa de criança, preocupo-me. Da mesma forma que me preocupa o mesmo ex-político ter dito que as dívidas não se pagam. São para ser geridas. Há uns dias atrás fui almoçar e na altura de pagar, percebi que não tinha a carteira comigo. Podia ter pago passados uns dias, até porque vou a este restaurante quase diariamente. Fui buscar a carteira, fiz 4 vezes o mesmo percurso, mas a dívida foi paga volvidos 3 minutos. Quando o dono do restaurante me viu de volta, disse logo que não era necessário e que podia ter pago depois. Apenas que lhe disse que as boas contas fazem os bons amigos. Tomara que tivesse sido posta em prática desde sempre disciplinada política económica em Portugal, ao invés de permitir que a banca estimulasse o endividamento familiar durante décadas. Como se sabe e é conhecida. 

Agora é necessário mudar mentalidades e hábitos que como é sabido é o mais complicado.

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domingo, dezembro 04, 2011

Suporte Técnico

Há vários anos que percebo um fenómeno curioso. Nos suportes técnicos (ou apoio técnico, se preferirem) trabalham pessoas que não gostam de mim. Foram já várias as vezes em que os meus contactos telefónicos com estes serviços culminaram em discussão e não raro comigo fora de mim com tamanha insolência e falta de profissionalismo.

No suporte técnico de qualquer empresa, deverão trabalhar pessoas que saibam resolver os problemas. De forma expedita e efectiva. É simplesmente isto que se pede. Que não sejam emitidas opiniões pessoais. E que quem atende o telefone tenha autonomia de resposta, sem ter de colocar uma pessoa em espera, a ouvir música, enquanto vai perguntar ao chefe de equipa o que se pode dizer ou fazer.

Não ligo para estes números porque me apetece ou porque sinta necessidade de partilhar com alguém do outro lado como me correu o dia. Ligo por necessidade e depois de haver esgotado todas as possibilidades (passíveis de serem equacionáveis como solução no meu conhecimento de leigo nestas matérias). Donde, e com esta assumpção, se ligo é porque estou de alguma forma impossibilitado de fazer / ligar algo. Aceder à internet, por exemplo. Coisa pouca, se atendermos que no final do mês o prestador de serviços não vai esperar quando fôr o momento de fazer o débito bancário para ser ressarcido dos serviços disponibilizados...

Não basta hoje em dia disponibilizar os serviços. É necessário garantir um suporte adequado e eficiente, que vá de encontro às necessidades imediatas dos Clientes. Só assim se pode falar em fidelização. E suportes técnicos que invariavelmente arranjam problemas em detrimento de os resolver...fazem com que a empresa perca Clientes. E com razão.

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sábado, dezembro 03, 2011

Centros de Emprego

Nos dias que correm, os centros de emprego deviam ser dos locais mais procurados por quem ficou sem emprego. Refiro que deviam porque nem sempre o próprio desempregado recorre ao centro de emprego da sua área de residência, e como tal, a estatística relativamente aos desempregados vale o que vale. Poderemos estar perante "mais um iceberg"...ou seja, ser muito maior o número de desempregados do que aquele que é avançado pelo Instituto Nacional da Estatística (INE).

Para alguém que sempre teve trabalho (e bem pago), poderá parecer desprestigiante ser visto por um amigo ou amiga numa fila do centro de emprego às 0800H. Compreendo isso. As justificações que têm de ser dadas, o repisar uma realidade má e confrangedora fazem com que a vontade de alguém ir para uma fila do centro de emprego, logo de manhã, não seja muito diferente da vontade em sair da cama de madrugada para ser sovado.

Na minha opinião, e por muito que custe ou seja complicado pensas nisso, é importante que as pessoas se inscrevam nos centro de emprego enquanto desempregados. Só assim se poderá ter uma noção real do flagelo do desemprego e tomar iniciativas que visem o rápido decréscimo desta percentagem. Nomeadamente canalizar parte das ajudas financeiras externas para este problema, em vez de se dar tanta importância a assuntos de somenos importância neste momento tão delicado.

Com o (quase) certo endurecimento das medidas da austeridade em 20112, muitas serão as empresas que não conseguirão manter as portas abertas, e consequentemente será naturalmente incrementada a taxa dos desempregados. Julgo, como refiro acima, que deveria haver a obrigatoriedade de inscrição no centro de emprego. Bem sei que com o que mencionei é complicado e também sei que as pessoas acabam por não se deslocar aos centros de emprego. Contudo, acredito que é o local próprio para se procurarem oportunidades de emprego, e para atestar perante o Estado que se está à procura de emprego, por forma a ser atribuído o subsídio (de desemprego). E pôr de vez de lado o pensamento de que é algo "demeritório".

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sexta-feira, dezembro 02, 2011

Ficar sem emprego

Já são muitos os casos de pessoas que tenho conhecido e que têm a infelicidade de ter ficado sem emprego nos últimos tempos. Não vou aqui, e à semelhança do que já terão dito tantas outras pessoas, dizer que é uma infelicidade e que melhores dias virão. Acho escusado. Quem está nesta situação já sabe disso. Melhor do que ninguém.

Há contudo algumas sugestões que posso fazer. Em primeiro lugar, não esmorecer ou baixar os braços. É o pior que pode ser feito. Naturalmente que não espero que apeteça ir dançar a alguém que tenha ficado sem emprego, mas é importante saber avaliar as coisas de cabeça fria. Aqui reside uma das formas para se poder "dar a volta por cima". Saber avaliar a situação e porque não, definir numa singela folha de papel as qualidades pessoais e as fraquezas (numa coluna) e numa outra coluna os locais ou empregos onde gostaria de trabalhar. Não há impossibilidades. Há oportunidades que podem ser criadas. Ou não. Mas é necessário que se tente.

Em segundo lugar, a questão da forma como usualmente se concorre a uma determinada vaga. Contrariamente ao que muita gente possa pensar, por vezes, os anúncios de emprego que aparecem nos jornais ou nos sites dedicados são meramente ilusórios. Ou seja, determinada empresa quer sondar o mercado e ver quantos profissionais concorrem para determinada vaga. Publica o anúncio e fica com os currículos desses candidatos em base de dados. É uma prática comum e não tem necessidade de custear os serviços de empresas dedicadas a este tipo tipo de serviço (e.g.: recrutamento ou head hunting). Por forma a validar quão fidedigno será um determinado anúncio, uma sugestão que faço, é que quem procura emprego não se limite a ficar sentado em frente a um computador, a enviar currículos por e-mail. Ou a enviar os mesmos por carta. Isso não resolve nada. E cai no esquecimento. Entre dezenas, centenas de outras candidaturas.

Um Director de Recursos Humanos ou alguém com capacidade de decisão, numa empresa de renome, recebe por dia dezenas (ou centenas) de candidaturas espontâneas. Assim sendo, importa marcar a diferença. Uma forma de o fazer é tentar perceber quem é o responsável pelo processo de recrutamento de novos colaboradores. Tipicamente um Director de Recursos Humanos. Sem dúvida alguma que será uma pessoa com uma agenda carregadíssima e envolvido em 10 processos de recrutamento que decorrem em simultâneo. Mas é a "pessoa chave". É importante chegar até esta pessoa e marcar uma reunião. Nesta reunião entrega-se o currículo em mão e o tal responsável fica logo a perceber que há aqui uma atitude, uma postura. Vontade de vencer. Isso conta, marca pontos.

O presente momento poderá parecer eternamente complicado e demorado. Mas é a realidade actual e em todo o mundo. Assiste-se a uma crise económica sem paralelo nos últimos 30 anos. Os investidores estão há coisa de 5 anos sem investir, na expectativa de que melhores dias virão. E o que se constata é que há cada vez mais medo em fazê-lo. Principalmente na Comunidade Europeia (CE), onde todos os dias se constata que há mais um país com uma economia frágil e disparam os alarmes em Bruxelas. Como consequência, as empresas nacionais, aquelas que ainda se conseguem manter no activo, preferem apostar no que já têm, do que estar a sobrecarregar os custos de estrutura (custos fixos). É jogar pelo seguro, manter os postos de trabalho existentes e não alimentar expectativas de novas contratações que podem sair goradas num breve espaço de tempo. Por esta razão entendo que podem ser abraçadas oportunidades de emprego imediatas e com um carácter temporário. Assiste-se por exemplo a uma oferta de emprego expressiva na actividade comercial ou prestação de serviços. Sendo que em alguns casos à remuneração está indexado um plano comissional, poderá ser uma solução de recurso simpática. Dentro do possível, claro.

Mais uma vez refiro aqui neste espaço que é importante que sejam dados sinais de confiança aos investidores. Só assim poderá ter lugar o estímulo e incentivo ao investimento nacional (e internacional em Portugal). E só assim será possível a criação de mais postos de trabalho. É esse o caminho.

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quinta-feira, dezembro 01, 2011

Tirar notas

Desde sempre que tirei notas. Contudo, e de forma mais disciplinada nos últimos anos. A memória já não é o que era e torna-se necessário que tire notas de quase tudo por forma a que me lembre das coisas passados alguns dias / meses.

Tal como a minha agenda, também o meu caderno de notas diárias evoluiu. Abandonei definitivamente o papel, não sem antes ter demorado algum tempo até encontrar o caderno digital de notas perfeito. E estou satisfeito. Posso escrevinhar todas as minhas notas diárias, usar as cores (sim, também uso aqui as cores), e até colocar fotografias! Excelente.

Mais uma ajuda...na minha organização!

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quarta-feira, novembro 30, 2011

Mealheiros

Cresci com um mealheiro de ferro fundido de uma conhecida instituição bancária. Ainda hoje mantenho o mesmo mealheiro, encarnado, onde durante décadas, sempre que eu solicitava de forma irritante, alguém me deixava uma moeda. Temo que a quase totalidade das moedas que lá estão dentro sejam da "moeda antiga", o que poderá fazer com que seja complicado fazer a troca do dinheiro que tenho dentro deste meu mealheiro pelo tão desejado Porsche. Também posso adiantar aqui e agora que este meu mealheiro nunca foi aberto. Talvez o venha a ser, se Portugal não cumprir com o acordado com troika...e talvez fique milionário...

Há poucos dias compraram-se dois mealheiros digitais cá para casa. Calha bem numa altura em que todas as pessoas deviam começar a pensar em amealhar. No mealheiro (gosto desta conjugação de palavras..amealhar no mealheiro). Adiante.

Foi com expectativa que coloquei as baterias nos mealheiros (como são digitais precisam de baterias para funcionar). Ansioso por começar a encher os mealheiros com os quilos de moedas que normalmente carrego nos bolsos. A grande expectativa deu rapidamente lugar à desilusão. Qualquer um dos mealheiros erra na identificação das moedas. Confunde as moedas de 0,50 cêntimos com as moedas de 1 euro. E outras moedas, não me recordo agora dos valores em causa. Ou seja, é necessário um trabalho contínuo de conversão!
Fiquei algo triste porque pensei que seria uma forma muito boa de manter uma boa contabilidade das minhas economias "de bolso". Afinal não. Estes mealheiros funcionarão apenas como reservatório dos meus trocos. A sua contabilização peca por errónea e quando os mesmos estiverem cheios terei de mais uma vez perder uma boa horita a contabilizar quanto mais rico estou.

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terça-feira, novembro 29, 2011

Agendas

Quem como eu tem 1300 coisas para fazer no mesmo dia, e prima pela organização, tem de ter em prática uma metodologia qualquer que lhe permita ter o dia / semana ou o mês organizado. A melhor forma que encontrei foi a de manter organizada (e actualizada) a minha agenda pessoal.

Nas minhas agendas há traços ou marcas que as tornam únicas. O uso da cor e o que está escrito nas mesmo são bons exemplos disso. Uso e abuso. Gosto de agendar todos os eventos que tenho programados para um determinado dia e tentar perceber como vou ser capaz de me desdobrar naqueles eventos em que há sobreposição de horários. Dão-me água pela barba. E assumem o incontornável estatuto de grandes desafios se se souber que não é de todo possível alterar ou re-agendar horários. Falo por exemplo das consultas dos médicos ou dentistas que invariavelmente têm lugar no horário de expediente.

Obviamente que não é qualquer agenda que me serve. Foram sempre necessários 6 meses para escolher a agenda que me satisfizesse. O que significa que durante meio ano comprava outras agendas, como que para me convencer que tinha uma agenda daquele mesmo ano, mas sempre com o olho em novas alternativas. Até que surgiu a possibilidade das agendas electrónicas.

A agenda electrónica permite um tipo de organização próxima daquela que a PIDE tinha dos ficheiros dos comunistas. Organização máxima. Mais. Não há um limite temporal ou de uma agenda que termine no dia 31 de Dezembro desse ano (normalmente ainda há a possibilidade de ter mais 2 ou 3 dias do início do ano seguinte). Ou seja, posso programar um jantar, às 2010H do próximo dia 23 de Setembro de 2032 (ver se não me esqueço de ver em que dia da semana calha). Posso também continuar a adicionar as minhas tão importantes notas na parte posterior da folha por forma a que nada me escape. E fazer bonecada.

Como nota final, tenho de confessar que é necessária uma enorme disciplina e força de vontade em manter uma agenda actualizada. Não é qualquer pessoa que o consegue. Aliás, em cada 10 pessoas que conheço, 4 usam uma agenda. E dessas 4 pessoas, duas preferem usar a agenda do e-mail. É uma boa alternativa, na medida em que as pessoas têm de ligar todos os dias o computador. Assim mantenham actualizada a mesma, parece-me igualmente uma excelente forma planeamento.

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segunda-feira, novembro 28, 2011

Recibo de Pagamento

Julgo não ser novidade para ninguém que o recibo de pagamento é um comprovativo documental importante e que deve ser guardado para posteriormente ser mostrado, caso seja necessário proceder à troca de determinado bem. 

A questão, para mim, reveste-se de particular interesse se pensarmos que assim sendo devemos guardar todos os recibos de pagamentos daquilo que adquirimos. Desta feita, e como fiel seguidor desta máxima, tenho naturalmente um arquivo (dossier) com todas os recibos de bens "de maiores dimensões" (e.g.: máquina de lavar de alta pressão) e....um local específico na minha secretária onde vou amontoando os recibos dos bens de "menor dimensão",  ou de menor importância, como é o caso dos recibos referentes aos pares de meias que comprei há dois dias.

Com tanta coisa que já foi inventada, e muitas vezes sem qualquer tipo de interesse prático, não compreendo como não foi ainda pensada uma forma alternativa de ter um comprovativo de pagamento de bem / serviço sem ser em papel. Poupar-se-ía nas árvores..e no espaço!

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domingo, novembro 27, 2011

Sobremesas

Confesso que gosto de comer sobremesas. E também tenho de partilhar que por vezes a comida me sabe melhor sabendo de antemão o que me está reservado como sobremesa. Sempre foi assim.

Uma das minhas sobremesas de eleição é sem dúvida a mousse de chocolate caseira. E digo a mousse caseira porque tem naturalmente um sabor diferente da instantânea que usualmente sabe pior que uma folha de papel. Gosto também muito de aletria. Também sempre gostei. À qual não pode faltar o habitual e necessário toque da canela (se não tiver ainda a canela posta, gosto de escrever o meu nome com a mesma).

A pêra bêbeda. Mais uma coisa que também gosto. E claro, os bolos. Gosto especialmente dos bolos mais "húmidos" e que usualmente se comem no final das refeições acompanhando o café / digestivo. Bolo de chocolate, brownies, bolo mármore, bolo de laranja, trança, etc. (já estou a ficar aguado).

Infelizmente, tenho cada vez mais de controlar a vontade de comer doces. A balança não engana. Já fui mais "doceiro" do que sou hoje em dia. Se bem que todos os dias "oiça os doces chamar por mim". Faço-me de surdo!

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sábado, novembro 26, 2011

A dor

Por infeliz necessidade, há poucos dias atrás tive de fazer uma pequena cirurgia local. Enquanto esperava que terminassem a mesma (com anestesia) pensava nesta dolorosa questão. Claro que comecei a sentir (ainda) mais a dor. Podia ter esperado até mais tarde para pensar, mas resolvi começar a pensar naquele preciso momento. 

Há quem consiga suportar a dor e há quem não consiga. Não me refiro a jogos de masoquismo ou desvios sexuais em que se procure que seja infligida a dor. Falo de situações normais, do quotidiano. Quando por exemplo alguém está a picar uma cebola e acidentalmente pica ou corta um indicador. Ou quando se baixa para apanhar um talher que caiu ao chão e dá uma cabeçada com toda a força no bico do tampo da mesa de jantar, que por sinal até é de vidro. Ou acidentalmente se fecha a porta blindada lá de casa em cima do polegar. Coisas deste tipo.
Uma das dores que mais me custa é sem dúvida na cadeira do dentista. Já aqui disse isto. Não só é uma dor muitíssimo irritante como é invariavelmente acompanhada do barulho agudo da broca estúpida. Fico sempre, mas sempre com vontade enorme de dar um pontapé com toda a força naquela cadeira do dentista que em alguns casos deve custar mais que um carro, chamar palavrões a toda a gente do consultório e ir embora envolto numa nuvem cinzenta com relâmpagos. Sim, de babete posto e tudo.

Outra dor que me deixa fora de mim, é aquela que tem lugar quando estou a mascar pastilha e mordo a bochecha numa determinada zona. Já é mau (e doloroso) que tal aconteça. Pior ainda quando mordo mais 3 vezes nessa mesma zona ao longo do dia. Fico à beira de um ataque de nervos. E muito mal disposto. Pois claro.

Haja paciência. Calha bem que sou uma pessoa que tolera "relativamente bem" a dor. A não ser em casos específicos em que não há volta a dar. E aí sim...não fico propriamente bem disposto.

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sexta-feira, novembro 25, 2011

Piquetes da Greve

Sempre achei piada à figura do "piquete da greve". Piada no bom sentido. Trata-se de uma peça essencial na consecução do objectivo final que é a realização de uma greve. Com máxima adesão. Como de resto se quer.

O piquete da greve é constituído por colegas de empresa. Não é qualquer desconhecido que vai ali a passar na rua e é nomeado para fazer parte do tal piquete. São colegas de empresa, que durante os restantes dias (que não o(s) dia(s) da(s) greve(s)) almoçam ao nosso lado. Recebem do mesmo patrão. Em alguns casos conhecem-se as famílias. Ou seja, há um elevado grau de intimidade. Afinal, e quando ao mesmo nível hierárquico, todas as pessoas são iguais. Quando além da relação profissional há também uma relação pessoal, há uma ligação mais forte. Lógico.

Em dias de greve as coisas mudam naturalmente de figura. Os tais conhecidos deixam de o ser. O colete "piquete da greve" faz toda a diferença. É como que vestir uma capa de "decisor sumário". Ali, à porta das empresas, ou nos parques de estacionamento (e.g.: parques de camiões de mercadorias, camiões de resíduos, etc.). E não devia ser assim.

Na minha opinião pessoal, e mais uma vez, não reconheço qualquer autoridade a um piquete da greve para impedir quem quer que seja de ir trabalhar. Em momento algum, em circunstância alguma, posso admitir que alguém seja impedido de trabalhar. Todas as pessoas têm (ou deverão ter) autonomia e discernimento para decidir o que fazer. Se querem ou não trabalhar. No caso de não quererem trabalhar, não podem impedir que quer trabalhar que o faça. Não devem. A violência física, em caso extremo, que por vezes tem sido aplicada para aqueles que querem trabalhar pode funcionar ao contrário. Ninguém terá dúvidas que legitimamente.

Há canais próprios para dar a conhecer a não concordância com determinadas políticas implementadas. por exemplo, as reuniões com a Tutela. Que culpa têm as pessoas que querem trabalhar do não entendimento entre sindicatos e o Governo? Não entendo. Porque razão haverão os demais trabalhadores, os que querem trabalhar ser prejudicados? Faz-me lembrar os tempos de liceu. Em que a minha turma fazia boicote a uma determinada cadeira porque a Professora chegava invariavelmente atrasada. Nunca fui embora 1 segundo após o "segundo toque" para a entrada. Cheguei a assistir sozinho a uma aula, juntamente com outro colega, após a Professora ter chegado meia hora atrasada à sala de aula. E nunca faltei.

Não serei o exemplo máximo de verticalidade. Mas sou alguém que se pauta por valores firmes. Não posso impôr a minha vontade a quem pensa de forma diferente da minha. Para o bem de todos. E para o meu próprio bem.

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quinta-feira, novembro 24, 2011

Lições de Vida

Lições de vida, como o próprio nome indica, são as lições que se aprendem à nossa custa, em consequência de termos vivenciado algo específico. Sem ajudas.

Todos nós, de forma mais presente ou mais distante, já experimentámos ou recebemos lições de vida. Na parte que me toca, o ter sido demasiado crédulo em muitas situações ou o ter confiado em tantas outras, fez com que a vida me ensinasse que nem sempre deve ser esse o caminho a seguir. Resultado: aprendi a ser mais desconfiado, fazendo jús à máxima popular de que "quando a esmola é muita, o pobre desconfia". E realmente faz sentido.

Outra coisa que vou interiorizando ao longo dos tempos é que ninguém dá nada a ninguém ou que "não há almoços grátis". As pessoas são cada vez mais individualistas, mais egocêntricas e por muito que apregoem o contrário, em primeiríssimo lugar está o seu umbigo. Depois o resto. Não condeno. Respeito.

Numa fase de conhecimento de alguém interessa pois perceber que lições de vida já terá recebido essa pessoa. Que experiências de vida tem essa pessoa. Tal percepção poderá fazer a diferença entre uma pessoa mais ou menos madura que nós, e caso seja assim entendido, debater, dialogar essas questões no sentido de se perceber de que forma poderão (ou não) ser vivências que no futuro poderão ser fracturantes.

É neste aspecto que julgo que residirá a essência do conhecimento e consequentemente a aferição do quão grande é a identificação que pode haver com determinada pessoa. E quanto mais identificados nos sentirmos com alguém, mais fácil será o relacionamento. Desejavelmente.

Resumindo, vivências similares poderão sugerir lições de vida e aprendizagens ou lugares comuns similares. Ou não. Daí o necessário diálogo.

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quarta-feira, novembro 23, 2011

Greve Geral

Na altura em que escrevi os textos sobre greves e as convulsões sociais (Fevereiro e Dezembro de 2010, respectivamente), estava longe de imaginar o que o futuro reservava ao meu País. Muito longe.

O direito à greve é algo que está consagrado no artigo 57º da Constituição da República Portuguesa. Trata-se de uma garantia e compete ao trabalhador definir o que quer defender com a greve. Quer isto dizer que todo e qualquer trabalhador pode (e deve) exercer o seu direito à greve, assim tenha perfeitamente definido o que está em causa. O que se reivindica.

Por outro lado, e na mesma Constituição da República Portuguesa, logo a seguir, no artigo 58º está reflectido o "direito ao trabalho". Indo mais longe, no artigo 59º (Direitos dos Trabalhadores), pode ler-se no ponto 2, alínea a):

2. Incumbe ao Estado assegurar as condições de trabalho, retribuição e repouso a que os trabalhadores têm direito, nomeadamente: 

a) O estabelecimento e a actualização do salário mínimo nacional, tendo em conta, entre outros factores, as necessidades dos trabalhadores, o aumento do custo de vida , o nível de desenvolvimento das forças produtivas, as exigências da estabilidade económica e financeira e a acumulação para o desenvolvimento;(...)

in Constituição da República Portuguesa, VII Revisão Constituicional (2005)

Parece-me claro  que o que está a ser feito, pelo actual Governo não é mais do que o que está destacado a amarelo e neste excerto da Constituição, sendo que esta mesma Constituição decorre da tal revolução do 25 de Abril de 1974. Ou seja, espelha as pretensões do Povo.
Actualmente, o que está a ser feito, não é mais que honrar os compromissos assumidos com a Comunidade Europeia (CE) e objectivamente com o FMI. Estes compromissos foram curiosamente ratificado pelo Governo anterior. E que actualmente está na Oposição. Nota: Já não falo na forma negligente e impune com que se desresponsabilizou de qualquer imputação de culpa pelo estado a que conduziu Portugal. Como seria de esperar.
Para serem atingidos os objectivos propostos e elencados no tal memorando são necessários esforços. Sim, mais esforços ainda. A situação do País não é tão boa quanto aquela que o Governo anterior avançou, e com (entre outros), "buracos da Madeira", alguém tem de pagar a factura. Para que seja paga a factura, é necessário que tenham lugar sacrifícios. E sejam tomadas medidas impopulares, como sejam a retenção de 50% do subsídio de Natal, o aumento dos impostos, a taxação das SCUT, as privatizações, etc. Recordo mais uma vez que quem avançou com as medidas que seriam implementadas (e estão-no a ser) não foi o actual Governo. Foi o anterior. Com a aprovação do actual e do partido com quem governa em coligação. Donde, quero acreditar que de forma lúcida e responsável idealizaram a melhor forma de o fazer.

A actual greve geral é, no meu entender, infrutífera. Não só os grevistas vão logicamente perder um dia de trabalho, como em altura de Portugal mostrar que consegue honrar os compromissos assumidos e que tem em curso uma política de implementação de medidas que visem o enriquecimento da Nação, não o conseguirá. Por um lado, o Governo quer trabalhar, quer governar. Quer mostrar resultados que permitam à CE ganhar confiança no caminho delineado e continuar a abrir os cordões à bolsa e conceder as tão necessárias tranches de dinheiro. Foi exactamente o que não aconteceu com a Grécia e é cada mais mais certo a saída deste país do grupo europeu.

Em tempo de guerra não se limpam armas, já reza o adágio popular. Este não é o momento de se perder tempo com paralisações que não conseguem mais que uma tomada de posição (com toda a legitimidade) mas que consegue empobrecer ainda mais o País. Onde são passados para a CE sinais de instabilidade social, convulsões e uma imagem de não coesão. A situação é grave e exige que durante alguns anos tenham de ser feitos sacrifícios. Contrariamente aos tempos das "vacas gordas" em que Portugal viveu durante cerca de duas décadas, com alternância de poder político entre os dois maiores partidos. 

Seria interessante quantificar o prejuízo infligido a Portugal nesta greve geral. E as consequências que tal poderá ter em termos de cumprimento dos objectivos propostos. De uma coisa se pode estar certo...é um ponto negativo. Não é assim que Portugal sairá da recessão técnica em que se encontra actualmente.

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