segunda-feira, janeiro 31, 2011

Bolsas de Estudo

Sempre vi as bolsas de estudo como algo que não me inspira qualquer confiança. Digo isto baseado no facto de se saber que há meio Portugal que goza da benesse de ter o Estado a pagar os estudos, na totalidade ou em jeito de comparticipação, sendo que na realidade não precisa. E quem realmente precisa da ajuda do Estado, não consegue ser submetido a concurso, desiste e vai trabalhar para o obral ou para uma caixa do Pingo Doce. Viver à custa do Estado é algo que considero que devia ser punido criminalmente.

À semelhança de tantas outras coisas, esta é uma ideia a que os portugueses se habituaram a ter como garantida. Ceta. Alguém que cuide deles. Em grande parte, culpa dos cerca de 40 anos em que Salazar tomou conta dos desígnios de Portugal. E dos portugueses. Levando-os ao colo. E claro, hoje em dia pagam-se caros esses erros de "paternalismo" e do "não-te-preocupes-que-o-Estado-está-cá-para-te-ajudar".

Pessoalmente, vejo apenas duas razões para que sejam atribuídas bolsas de estudo a alguém: i) Declaração de pobreza e/ou responsabilidade corroborada documentalmente enquanto meio de subsistência de um agregado familiar ou ii) Mérito académico.

A declaração de pobreza e/ou a confirmada e documentada dependência de um trabalhador-estudante (trabalha de dia e estuda de noite), tornando possível "pôr-o-pão-na-mesa", é condição suficiente per se e suficiente para que ninguém no seu juízo perfeito questione o que quer que seja. Ninguém vai perguntar a outra pessoa que atesta ser pobre se o é na realidade. A menos que queira antecipar a comprar de uma placa de dentes nova ou fazer um lifting à cara. Contudo, importa mencionar que os instrumentos de auditoria e/ou confirmação da condição económica das pessoas são parcos, e nem sempre funcionam. Bem como se sabe igualmente que há formas de contornar o sistema, documental o tal estado de pobreza e morar na Quinta da Marinha. Não seria o primeiro nem o segundo caso assim que tinha conhecimento.

No caso do académico, o cenário não é melhor. A ideia, na sua génese, tem um bom íntimo. Serem bolseiros aquelas pessoas que querem estudar e não têm meios para o fazer (e.g.: famílias desfavorecidas) e ainda alunos que pelo seu afinco e método / disciplina têm boas avaliações. Acabado por se evidenciar na turma, escola, região ou mesmo País. À boa maneira portuguesa, tive colegas que chumbaram repetidamente de ano, na universidade, "esqueciam-se" de ir às aulas, mas não se esqueciam de meter o papel para o abono da família e de continuadamente concorrer para a bolsa de estudos. E por incrível que pareça, deslocavam-se para a escola de BMW e de Audi. Em alguns casos com preços superiores a um T-2 em Telheiras. E mais uma vez, não há mecanismos / instrumentos de controlo que de forma eficiente cruzem este tipo de informação.

Ainda que possa parecer um afirmação ingénua e descabida, entendo que quem se diz bolseiro e não se enquadra em nenhuma das situações acima descritas, deve abrir mão desse dinheiro mal atribuído e que poderá ser necessário a uma outra qualquer causa social. Chama-se a isso ser vertical. Honesto. Características que hoje em dia já não existem. E que cada vez mais caem em desuso. Ou são "esquecidas". Propositadamente.

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domingo, janeiro 30, 2011

Ensino Público vs Ensino Privado

Tive a oportunidade de experimentar os dois sistemas de ensino que existem em Portugal: público e privado. Feliz ou infelizmente posso falar deste assunto com conhecimento de causa.

Em primeiro lugar, e na minha singela e humilde opinião, importar desmistificar a ideia de que o ensino privado é "mais fácil" que o ensino público. Ou que as notas são compradas, como por diversas vezes ouvi dizer. Quem assim fala não conhece de todo a realidade presente, e, à semelhança de tantas outras situações, adopta o registo de "ouvir-dizer-que-era-assim". Desengane-se quem pensa que o sistema de ensino privado é favorecido face ao público. Note-se que o Estado não intervém directamente neste tipo de ensino. Aliás, as universidades privadas têm obrigações para com o Executivo (e.g.: Licenças para ministrar ensino, acreditação dos cursos superiores e toda uma série de impostos que se não existem, passam a existir e por forma a engordar os cofres do Estado). Mas não é esse o objecto de reflexão de hoje.

Derivado de um investimento superior nas infra-estruturas (e.g.: edificíos, logística e mesmo corpo docente), há uma clara separação da qualidade do ensino estatal e privado. Note-se que no Estado, é feita uma engenharia financeira que permita fazer frente às naturais e óbvias necessidades de um organismo público. Obras, vencimentos, e todas uma série de despesas extra que não estão naturalmente contempladas num orçamento anual. Já no privado a coisa corre usualmente de outra forma. Retenha-se que na esmagadora maioria dos casos há o interesse económico que move estas estruturas. Falo naturalmente de "cooperativas", em que não há uma pessoa, mas sim várias empresas que "injectam" capital. O "profit" ou lucro que daqui advém é naturalmente proporcional ao investimento efectuado e consequentemente do número de alunos que determinada instituição tem. Há outro factor importante e que normalmente é pouco falado - a credibilidade de determinada instituição. E quem a constrói, na minha opinião, é sem qualquer sombra de dúvida o corpo docente. Quanto mais consolidado e "rico" fôr o corpo docente, maior credibilidade merecerá determinada instituição. E naturalmente que um corpo docente de "pêso" faz-se pagar, donde, é justificado o elevado valor das propinas mensais. Se há más instituições de ensino privado? Claro que há. Mas essas, o tempo encarregar-se-á de eliminar, ou quando deixem de ser um foco de interesse para os grupos económicos. Convido os meus leitores a analisarem a última década e constarem que duas universidades públicas desapareceram. E certamente não foi por serem boas.

No ensino estatal, que albergará a maioria dos estudantes portugueses, também há instituições de renome e com o devido valor. Note-se que os docentes que leccionam no público acabam por fazer "uma perna" no privado, e conciliam horários. Além da sua natural e óbvia actividade profissional. Dou comigo a  pensar que os dias para estas pessoas tem obrigatoriamente de ter mais de 24 horas...Só assim se percebe que consiga desdobrar-se em tanta solicitação. A maior parte dos meus professores de faculdade fazia isto. Se há legitimidade / legalidade? Não sei. Mas tenho a certeza absoluta que lhes "saía do corpo". O cenário piora quanto mais influente fôr determinado docente...que quando detêm cargos políticos (com a obrigatória apresentação no grupo parlamentar) ou ainda de representativade ao nível da Presidência do Conselho de Administração de algumas instituições. Nestas situações acredito que tenha de ser descurado alguma das obrigações. Ninguém consegue dar tudo nas várias situações. É humanamente impossível.

Para terminar, e aparte da minha teoria que a grande diferença entre o ensino público e privado passa por uma questão de matemática simples e de engenharia financeira (leia-se investimento, que será sempre maior do lado privado), julgo que é consensual que a realidade estatal também é sobejamente credível, sendo que é como se sabe a origem da maioria dos docentes. Tal facto é incontornável. E é sabido pelos Conselhos de Administração das universidades privadas que acabam por aliciar os docentes a um "incoming" mensal generoso, convidado à sua colaboração e integração nos seus corpos docentes. A diferença entre o ensino público e privado é, na minha perpectiva, irrelevante. Retenha-se o que afloro acima relativamente ao corpo docente. É o mesmo. A questão que se levanta, é o da logística, infra-estruturas e todo um custo estrutural economicamente insuportável no domínio público (universidade estatal) e mais facilmente "gerível" com dinheiros privados. No final, parece-me ser líquido quem ganha. Os alunos.

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sábado, janeiro 29, 2011

Experiências com animais

Tenho a perfeita noção da utilização de animais como cobaias por alguns tipos de indústria (e.g.: farmacêutica e cosmética). Tenho também a clara noção que não há outra forma de antever os resultados nos seres humanos da administração de determinados fármacos.

A questão que mais sensibiliza as pessoas, os ditos "protectores dos animais", tem que ver com o facto de serem criados animais para a experimentação científica. Os clássicos "ratinhos", os répteis, e os macacos. Entre outros animais, claro. Resumidamente, pretende-se perceber a tolerância dos vários organismos quando presentes à mesma substância. Ou conjugação de substâncias.

A metodologia científica passa por experimentar a administração de determinados fármacos, com princípios activos específicos, em organismos similares ao dos humanos. Mamíferos, preferencialmente. Chimpanzés, na medida em que a diferença para o organismo humano é marginal (muito reduzida). Nos dias que correm, e com uma assustadora e galopante taxa de carcinomas que afectam os humanos, é importante que as empresas que produzem os fármacos de combate / indutores de atraso na evolução da doença, sejam activas e sobretudo assertivas na sua investigação. E tal não é possível com experimentação em colónias de macrófitas (algas). Tem de ser em algum ser com um organismo tal que permita antever resultados fidedignos e próximos da realidade.

P.S : Para quem é mais sensível com a questão de matar os animais pobrezinhos...é um animal entre centenas de outros. E poderá estar em causa a cura para um determinado flagelo que afecta a vida humana.

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sexta-feira, janeiro 28, 2011

Acrónimos

Por definição, acrónimo é uma sigla formada pelas letras que compõem determinada conjugação de palavras. E.g: CCB (Centro Cultural de Belém).

Desde há algum tempo a esta parte que recorro aos acrónimos. Não porque tenha especial prazer ou apetência para tal, mas porque na aviação é muito recorrente a utilização desta facilidade. Parece-me "líquido" que, o que para mim sugere o simples entendimento e a fácil compreensão (não usasse eu abundamentemente os acrónimos com colegas), para o comum mortal poderá revestir-se de alguma complexidade. Tendencialmente pior se os acrónimos se referirem a palavras originárias do país de "Her Majesty".

Tenho também noção que não é correcto abusar-se desta "facilidade". Aliás, e como digo acima, a menos que o receptor da minha mensagem esteja no mundo da aviação, corro o sério risco de ficar a falar sozinho, ou de me sugerirem que vá apanhar gambuzinos. O problema, lá está, prende-se com o tipo de mensagem que se pretende passar e/ou o tipo de interlocutor / destinatário da mensagem. Reconheço que há siglas utilizadas todos os dias, por todos nós, e em qualquer lado. Quanto mais complexa fôr a realidade que vivemos, maior será a probabilidade de serem utilizadas "contracções" ou "abreviaturas" ou se quiserem, e utilizando a semântica correcta, os acrónimos.

Dou comigo a pensar como seria uma troca de insultos entre duas pessoas que por via da sua actividade profissional têm de utilizar os acrónimos. Um médico, com (entre outras) as siglas de ECG, RX, RM, HIV, IMC, IPLV (Intolerância às Proteínas do Leite de Vaca), etc. E alguém ligado à aviação com (entre outras) as siglas de EGT, TOff, LDG, RTO, NOTOC, DG, CGO, GRH, RVSM, ETOP´s, entre milhares de outras siglas ou acrónimos.

Não será à toa que quer para o mundo médico e para a aviação (bem como para outras realidades), existem compêndios para explicitação expedita das siglas. Constantemente actualizados.

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quinta-feira, janeiro 27, 2011

Sentimento de Impunidade

São várias as situações que aqui poderiam ser elencadas como sendo situações flagrantes de impunidade. Desde os desfalques financeiros que indubitavelmente têm vindo a lume (e os paraísos fiscais que todos conhecemos e ninguém faz nada), passando pelos casos dos condutores alcoolizados intervenientes em acidendes de viação ceifando por vezes a vida a famílias inocentes (hora errada, local errado), a reviravolta da conversa da principal testemunha do processo Casa Pia, o caso BPN, o caso Face Oculta, o caso Freeport, a questão dos submarinos, a temática dos carros blindados (encomendados para escolta da comitiva do Presidente Obama), o caso da funcionária de um dos Governos Regionais que "inocentemente" promulgou uma Portaria que "misteriosamente" enriqueceu a conta do seu filho em cerca de 10.000€.  Entre outros tantos casos.

É natural que surja de imediato o sentimento de revolta nos contribuintes a quem cada vez são pedidos mais esforços. Resumidamente, as pessoas sentem-se ludibriadas e com razão. Afinal, há dinheiro. Para uns. Para os outros, pede-se contenção, esforço e mais produtividade. Conheço pessoas com 2 empregos. Um já não chega. E assisto a notícias de entidades estatais que se revoltam pelo facto dos seus administradores verem os seus vencimentos diminuídos em 5%. Quando anualmente recebem, em alguns casos, quase 1M € (um milhão de euros). Dá que pensar.

O problema, mais uma vez, é cultural. É o "deixa andar". É a impunidade com situações lesivas para a sociedade, e em particular e objectivamente para as classes mais desfavorecidas - média/baixa e baixa. A classe média/alta, como já referi num dos meus textos anteriores acaba por ser a classe que tem de "pagar a factura". Infelizmente, e como refiro no meu recente texto sobre as Presidenciais 2011, basta um pedido de desculpa e uma palmadinha nas costas por parte do responsável pelo Ministério da Administração Interna para que tudo corra por bem. "Porreiro pá", como diria o outro.

Para terminar, é importante que se perceba que enquanto não houver vontade e responsabilização de quem erra, deliberadamente, as coisas não se resolverão por si  mesmas. Portugal, à semelhança do que acontece em tantas relações afectivas / matrimoniais padece do síndrome da "acomodação". E do laxismo. Sendo que nem uma nem outra são positivas.

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quarta-feira, janeiro 26, 2011

Calendários

Desde sempre que gosto muito de calendários. Aliás, para alguém como eu, que se tem como metódico e organizado, é vital a visualização e calendarização das tarefas que tem definidas mentalmente.

O calendário, é para mim, algo de importância ímpar. Não será normal sair de casa sem um calendário, da mesma forma que não há a possibilidade de sair sem um relógio no pulso. Sinto-me incompleto. Consequência directa do avanço tecnológico, habituei-me a usar o calendário dos telefones e assim sendo, tenho sempre definido um lembrete para um aniversário importante, pagar o selo dos carros ou a licença municipal do meu Paco. Coisas importantes e para as quais já não tenho cabeça.

Como já aqui referi numa das quase 500 reflexões que fiz até agora, gosto muito de me desafiar, definindo para tal os objectivos diários, semanais, mensais e anuais. Tudo isto obedece a uma intrincada e complexa forma de estar e um grau de exigência e disciplina invulgares. Gosto de cumprir os prazos e se interiorizo ou me comprometo com uma data, é para cumprir. Nem um dia antes, nem um dia depois. Mentalmente, e a nível de projecto, gosto de trabalhar com uma "almofada" que uso se alguma coisa correr mal. E claro que fico muito arreliado quando constato que o não cumprimento dos prazos por mim definidos dependem do não profissionalismo por parte de terceiros. Infelizmente acaba por ser uma realidade de muitos de nós.

Para terminar, queria aqui partilhar que há muitos anos tentei colocar um calendário no meu quarto, que o Sr. Carvalho, electricista auto lá da oficina me tinha oferecido. Era bem grande, bem vísivel, mas tinha a particularidade de, para cada mês, haver uma moça "encalorada" a fazer massagens na chapa de carros diferente. Já se vê que a minha mãe não achou muita piada a que eu tivesse aquilo na parede em frente à escrivaninha onde estudava...e volvido um dia, o calendário desapareceu. Até hoje não sei qual o destino que lhe terá sido dado. Mas deve ter feito as delícias de alguém. E garantidamente ajudou na organização das tarefas.

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terça-feira, janeiro 25, 2011

Presidenciais 2011 - A vergonha

Como sempre, em Domingo de eleições, entendi que devia exercer a minha cidadania e ir votar. Uma obrigação cívica deste escriba que vive naquilo a que muitos chamam de "democracia" - tema que desenvolverei em breve.

Imbuído de boa-vontade e voluntariamente (como sempre), desloquei-me à escola primária (onde por sinal andei) e na qual sempre votei. Não havia muitas pessoas fora, mas havia muitas pessoas dentro de um dos vários edifícios do recinto escolar. Afinal, com o frio que se fazia sentir, só mesmo os anormais como eu decidiram ir votar num acto em que estava mais que certo o vencedor. Assim sendo, faria sentido que o interior do edifício estivesse mais povoado. Também fiquei com a nítida sensação que seria a pessoa mais nova aquela hora, e naquela escola primária. A pessoa mais nova a seguir a mim devia contar 68 primaveras bem vividas a atender pela côr azulada / violeta do cabelo. As pessoas da minha idade, ou pouco mais velhas, certamente que encontraram programas alternativos muito mais interessantes que ir exercer o direito de voto no passado Domingo.

Logo à entrada, percebi que havia uma separação simples e directa: os otários e os não otários. Os não otários, foram as pessoas que não fizeram (e continuam a não fazer) caso do que o nosso digníssimo "Primeiro" diz. Continuam a renovar o mesmo Bilhete de Identidade (BI) de sempre. Sim, o tal amarelado, com a foto tirada ali na loja de fotografia do Sr. Jaime, onde se tiram fotos tipo passe há mais de 400 anos, ou, em caso de urgência maior, na cabine de fotos da estação do metro do Marquês. Já no grupo dos otários, grupo no qual me incluo, estão todos os portugueses que perderam algumas horas da sua vida na treta dos mal organizados serviços centrais de identificação, quando decidiram trocar o tal BI amarelado pelo novíssimo e espectacular Cartão do Cidadão (CC). E aqui começa a minha odisseia.

Ao que parece, até tem razão de ser a máxima de "Uns são filhos da mãe e os outros são filhos da....bom, de qualquer outra pessoa". Dirigi-me a uma mesa logo à entrada, onde estava uma rapariga com um ar inteligente. Devia desde logo ter desconfiado da única pessoa da escola que estava a atender numa mesa com um colete amarelo vestido (daqueles amarelos de sinalização e que se usa obrigatoriamente aquando há azar com o carro). Esperei pela minha vez e quando fui atendido perguntei pacientemente se havia algum problema com o facto de ter cartão do cidadão. Claro que sim, percebi de imediato. Senti-me como se lhe tivesse dito que tinha lepra. Percebi igualmente que no próximo acto eleitoral sou obrigado (?!?!) a ter conhecimento de que o meu cartão de eleitor de sempre perdia ali mesmo a validade.  Ver se não me esqueço disso. Volvido todo este tempo de espera, soube que o meu cartão branco de eleitor, que entendi plastificar logo quando o tive, para preservar para todo o sempre, morria ali. Primeira facada desferida.

Pedi à "moça" que me indicasse qual a minha secção de voto, e qual o meu número de eleitor, dado que o meu antigo número, que me acompanhou durante décadas tinha ali, naquele momento, deixado de ser válido. Teclou umas quantas vezes nas teclas do computador que tinha à sua frente (por sinal com uma idade aparentemente mais elevada que eu e a moça juntos) e ficou a olhar para o écran. Uns 10 minutos. Não percebi muito bem se queria que saísse de lá um duende e lhe desse um beijo com língua na boca. No alto da sua sapiência conseguiu organizar as palavras mentalmente para me dizer que o sistema estava lento. Repetiu esta graça 4 vezes. Pensei que fosse para os apanhados e meditei para comigo se aos olhos de algumas pessoas parecerei deficiente mental, na medida em que consigo entender as coisas à primeira. Segunda facada.

Nesta altura já estava em contagem decrescente desde os 100.000. Pela terceira vez, claro. Com a minha  mais calma postura, pedi-lhe que me devolvesse o meu cartão do cidadão. Deu-me também um papel com o número de uma Junta de Freguesia.E que eu fosse ligando para lá, se quisesse ir votar. Achei isto delicioso. Se a memória não me trai, devo ter esboçado um sorriso, só mesmo para evitar dar uma cabeçada na "menina".

Saí da escola a "apitar" e a deitar fumo pelas orelhas. Entrei no carro e fui dar uma volta para espairecer. Chegado a casa, tentei ligar para o tal número. Tive tanta sorte quanto os EUA têm em apanhar o Bin. Zero. Bola. Ninguém me atendeu. Enviei um sms para um número relacionado com as eleições, informando o meu número do BI e data de nascimento. Curiosamente foi-me devolvida um sms comunicando-me que não existo. Às tantas não existo mesmo. Sou um fantasma. Terceira facada.

A última e derradeira hipótese que vislumbrei foi mesmo a internet. Se bem o pensei, melhor o fiz. Vim aqui ao Google e procurei pelo site das eleições. Encontrei e finalmente vi luz ao fundo do túnel. Finalmente o meu problema estaria resolvido. O que sucede, é que.....estou até hoje à espera do resultado. Das primeiras 3 vezes, deu erro. E nas outras 4 vezes ficou à procura. Até agora. E desisti. Quarta facada. Quatro facadas numa tarde.

Resultado...para as sondagens, faço parte da abstenção. Daqueles que não foram votar porque não acreditam, daqueles que foram almoçar fora e dar uma volta da parte da tarde, daqueles que fizeram noitada na noite anterior e dormiram todo o Domingo. Eu, que me levantei cedo, para cumprir o meu dever cívico, fui impedido de votar. Isto porque a Universidade do Minho não deu conta do recado. Responsabilização? Não. Isso não é para nós. Somos um País de brandos costumes, e o Ministro que tutela a pasta da Administração Interna já veio pedir desculpa publicamente (segundo o mesmo, na primeira oportunidade que teve, ou seja, 2 dias depois - mais de 48 horas). Fiquei imensamente sensibilizado com o gesto e mais uma vez penso que a classe política é verdadeiramente vergonhosa. Ele é pedidos de clarificação, de esclarecimento e até julgo ter ouvido que iam impugnar o acto eleitoral. Ninguém o fez. E ganhou o mesmo.

Não obstante ter sido atingida uma das maiores taxas de abstenção de sempre, e não ter sido repetido o acto eleitoral, parece-me que há várias conclusões que têm de ser retiradas. Para começar, Portugal é um País em que basta um pedido de desculpa e uma palmadinha nas costas para que tudo volte ao normal. Não há lugar a qualquer responsabilização pelo descalabro e vergonha que foram estas eleições. Ninguém quer saber. Afinal, até foi o mesmo que lá estava que foi re-eleito. Por mais 5 anos. Ainda que um número significativo de eleitores não tenham podido expressar o seu ponto de vista. Note-se que sou um dos eleitores que contribui para a abstenção quando não era esse o meu sentido de voto.

Para terminar, parece-me que vamos ter mais 5 anos do mesmo que tivémos até agora. Diga-se em abono da verdade, que viesse o diabo e escolhesse o candidato. Mais meia década de paternalismo e de recados. O eterno "ping pong" entre Governo e o Presidente, a que já nos habituámos nos últimos anos.

E muito mais fica por dizer....Mas vou ficar por aqui. De quem eu gosto já cá não está. Infelizmente.

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segunda-feira, janeiro 24, 2011

Estagiários (as)

No início da minha actividade profissional, há vários anos atrás, também eu fui estagiário. Se pessoalmente entendia que era um marco e um cargo de grande responsabilidade, já na prática as coisas não eram bem assim. Muito por culta da orientadora de estágio que tinha, pouco mais velha que eu.

No antigamente, admitiam-se estágios de pessoas que futuramente iriam integrar os quadros dessas mesmas organizações. Resumidamente, seria um acto de "estender a mão" a alguém, acabado de sair da faculdade, "formatar" a cabeça da pessoa e subsequentemente constatar um produto final de valor acrescentado, assim tivessem sido apreendidos todos os ensinamentos ministrados. Nunca me chocou absolutamente nada esta atitude. Em primeiro lugar porque reconheço que era dada uma oportunidade a alguém acabado de sair do sistema de ensino (leia-se criação de um posto de trabalho para um recém licenciado) e em segundo lugar porque no antigamente, eram concedidas melhores condições de trabalho. Que não as de hoje.

Na actualidade as coisas são um pouco diferentes. Para começar, são raras as organizações que integram voluntariamente colaboradores nos seus quadros, após o período de estágio, sem que antes tenham sido "chupados até ao tutano" neste período de graça. Ser estagiário, hoje em dia, é ter horários de entrada e não ter horários de saída (embora se oiçam alguns comentários quando se chega um dia mais tarde). É ouvir os coordenadores, na medida em que não conseguem dar vazão ao volume de trabalho deles,  massacrarem sem dó nem piedade os estagiários. Por fim, é no final do mês receber algo a que a organização entende ser um vencimento e na realidade não passam de "ajudas de custo", tal não é ridiculamento reduzido o montante auferido.

Por outro lado, há uma aparente conivência dos vários Governos com esta situação. É tida como certa uma comparticipação estatal na remuneração do colaborador, mas não se menciona que deve ser evitada a precaridade das condições laborais (e.g.: evitar os recibos verdes). Basicamente, durante os períodos de 6 meses ou 1 ano a escravatura torna-se "legal". 

Tive conhecimento de várias situações menos correctas e desumanas vivenciadas por amigos e amigas. Houve momentos em fiquei empolgadíssimo, percebi que na esmagadora maioria dos casos não se deve isolar uma organização do contexto nacional. É tudo farinha do mesmo saco, e, contrariamente ao que seria desejável, os maus exemplos vieram para ficar. E são aqueles que são seguidos. Contam-se pelos dedos da mão as organizações que promovem as condições adequadas, apostam no futuro dos colaboradores e acima de tudo, respeitam os mesmos. 

Para terminar, há estagiários que pelo pouco tempo que passam em determinados locais nem sequer são conhecidos enquanto pessoas. São apenas mais um (a) número.

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domingo, janeiro 23, 2011

Foragidos

Há poucos dias ouvi a notícia de que dois presidiários teriam conseguido escapar de uma carrinha celular que os transportava, após terem conseguido dominar os guardas prisionais. Pelo que percebi, a justificação mais plausível tem que ver com a facilidade com que abriram as algemas que prendiam os seus pulsos. O que me faz pensar que das duas uma: Ou eram ambos discípulos do Houdini, ou alguém ter-se-á "esquecido" de fechar bem as algemas.

É curioso constatar que este tipo de evento tem lugar em 2011. Numa das reportagens televisivas alusivas a este tema, um ex-Director de um presídio, avançava que na altura em que estava no activo, há 20 anos, sensivelmente, as algemas eram muito complicadas de se abrir. Não empregou a palavra "impossível", embora o pudesse ter feito. E percebe-se porquê. Para não dar um "tiro no pé" e serem-lhe atiradas à cara algumas evasões que terão tido lugar pela altura em que estava no activo.

Em pleno século XXI, constato que o actual sistema presidiário tem lacunas. Estão à vista as debilidades. São aquilo a que chamo de fragilidades, de elos fracos "corruptíveis" que têm como consequência este ou outro tipo de acontecimento. Em altura de crise e atendendo aos vencimentos ridículos auferidos por este classe profissional, e confesso que me admira como é que ainda temos presos nas cadeias.

Para terminar, e ainda relacionado com esta notícia, ouvi na televisão que alguém teria vindo a Portugal para ajudar os guardas prisionais a garantir que não deixam fugir mais presos. Não é este o caminho. O que importa fazer, é e na minha opinião, tal como em vários outros sectores de actividade portugueses, ter os "ditos no sítio" e sanear aqueles que são corruptos. Talvez seja aqui que as coisas acabam por falhar.

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sábado, janeiro 22, 2011

Tempo Livre

Um dos temas que me costuma desenvolver, até porque não sei muito bem o que é. Nunca tive muito tempo livre, na medida em que há sempre alguma coisa para fazer. São raros os momentos em que estou sem fazer nada. Ou porque tenho em mente algo, ou porque alguém me arranja "sarna para me coçar". É esta a minha realidade.

Uma das coisas que "aprecio´", é sem dúvida ganhar a consciência de que, para eu estar ocupado, algumas pessoas estão "folgadas". O chamado "otário de serviço". Já vesti este boné algumas vezes. É algo que tem o dom de me deixar fora de mim, e começo logo a ficar "quente". Não raro, quando constato isso, lanço logo um comentário corrosivo na primeira oportunidade. E asseguro que em consciência, será o que de melhor posso fazer.

Na minha humilde e singela opinião, a maior parte das pessoas peca por fazer uma má gestão do tempo, não investe na organização do seu trabalho / vida pessoal, não sabe definir prioridades e como consequência, o seu tempo livre é escasso. E o tempo livre que resta é para dar seguimento a tarefas não concluídas em tempo útil. Quer profissionalmente, quer pessoalmente, acho que todos podem (e devem) parar para pensar e redefinir uma estratégia pessoal que permita fazer face às contingências da vida quotidiana.

O tempo livre / descanso é essencial para o equilíbrio de qualquer pessoa. Não acredito em pessoas que dizem que não precisam de descansar. Ou que lhes bastará o trabalho. Mais cedo ou mais tarde, a "factura" que irá ser paga, em consequência destes erros ao longo de décadas, é claramente alta. Por vezes alta demais. Esgotamentos, avc´s, problemas de nervos, ansiedade, situações extremas de stress, situações de isolamento..

Pessoalmente, tenho regra geral 1001 coisas para fazer, sendo que algumas me tomam mais tempo, outras menos. Algumas destas coisas são mais complexas, outras nem tanto. No final do dia, regra geral, estou com a "pilha sem carga" e uma noite de sono descansada e calma permitirá o seu "carregamento". Em grande parte, deve-se ao facto de me ter como alguém despachado e que define mentalmente as tarefas como desafios diários, e que se tudo correr bem, ao vencê-los, supero as minhas limitações. O que, como se perceberá, acaba por ser revigorante.

Em todo o caso, e como já aqui referi..uma boa gestão ou análise das prioridades poderá permitir uma maior organização pessoal e libertar mais tempo livre. Que basicamente é o que se quer.

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sexta-feira, janeiro 21, 2011

Enjôos

Se existe alguém que pode falar com conhecimento de causa acerca de enjôos, esse alguém sou eu. Desde os sintomas, desde o sofrimento infligido e o resultado final.

Os enjôos têm que ver com o equilíbrio (ou a falta dele). Foi basicamente isto que me "venderam" desde sempre. E isto sem entrar em grande detalhe científico, na medida em que não será esse o meu objectivo. Resumidamente, tudo se passa ao nível dos ouvidos, onde, como se sabe, é gerido o equilíbrio de todos nós, e nos é possível andar em pé, sem que andemos por aí a tropeçar e a partir os dentes na calçada.

Há uns tempos saltei de pára-quedas. Se a experiência só de pensar já é "adrenalizante", experimentando atingi-se um estado sublime de excitação. Afinal, andar a mais de 260 km/H num automóvel é coisa pouca. Lá em cima, com o avião a pairar a cerca de 10.000 pés, e em que a terra parece uma formiga, é dada a opção do corajoso (a) saltar "com" ou "sem" emoção. Naturalmente que escolhi "com", como aliás seria de esperar. O saltar "com" emoção consiste em sair do avião e dar uma ou duas cambalhotas. Invertidas. Posso dizer que senti de imediato o whisky da noite anterior a querer espreitar a luz do dia, e claro que fiquei fiz o resto da descida nauseado. Não obstante ser uma experiência ímpar, as sensações que de imediato associo ao tal salto são exactamente a altura elevada e o enjôo.

É sabida a minha paixão cega pelos automóveis. Fui variadíssimas vezes ao Autódromo do Estoril, enquanto espectador, há coisa de dois anos pedi a um amigo que me levasse dentro do carro. Tratava-se de um evento promovido pelo Clube ao qual pertence, e sendo que tem uma "máquina" diabólica, pedi-lhe que transportasse este vosso escriba.

Devia ter pensado antes de embarcar nesta aventura que poderia acontecer aquilo que costuma suceder quando ando no lugar do pendura (ou no banco de trás) dos carros. Enjoar. Passo a explicar...Quando ao lado do ou da condutor(a) experimento uma condução diferente da minha, que pode passar por ser uma condução nervosa, travagens bruscas em cima dos outros carros, acelerarações e desacelarações, começo logo a ficar enjoado. E sem paciência e muituíssimo arreliado. Há pessoas que não sabem conduzir e a quem jamais se lhes devia ter dado a permissão de conduzir. O que acontece, nestas viagens mais "atribuladas", é que sinto o cérebro a chocalhar dentro da caixa craneana. O que como se deve imaginar não é nada bom para a minha saúde mental. Ao fim de 3 voltas pedi ao meu grande amigo que encostasse na boxe e fui apanhar ar. Um pouco a sensação experimentada aquando do salto de pára-quedas. Também no carro, nas acelerações fortes, travagens fortes em cima da curva, habitáculo muito quente (não se deve abrir as janelas para não ser perdida a aerodinâmica), é mexido o equilíbrio. Daí ao enjôo é um "tirito".

Por último, os enjôos das mulheres. Penso que não deve ter piada nenhuma os enjôos que acontecem na gravidez. Conheço mulheres que não enjoaram nada e conheço outras que mal conseguiram conseguiam comer durante a gravidez. Julgo que terá que ver com uma questão hormonal aliada ao facto de ser mais uma vez, o tão nosso conhecido equilíbrio (mais pêso). Em todo o caso...se podia ser diferente? Poder podia...mas não era a mesma coisa.

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quinta-feira, janeiro 20, 2011

Piropos

Começo por dizer que não me recordo se já desenvolvi este tema. Pode ser que já o tenha feito. Em praticamente 400 textos escritos em 13 meses, é normal que alguns se repitam! Mas nunca será demais. Ninguém fica indiferente a um bom piropo por parte de algum dedicado trabalhador do "obral". Daqueles trabalhadores que estão sempre à coca e que conseguem ver o decote pronunciado da menina que vai a passar na rua 15 andares a baixo. Ou que vêem a saia mais curta que a menina leva.

O piropo em si, é uma forma do homem (ou a mulher), fazer a corte ao sexo oposto. É também uma excelente forma de alguém se integrar e ser respeitado em determinada comunidade. Basta imaginar que todos os colegas do tal trabalhador das obras vão achar piada ao piropo, enquanto coçam as partes baixas, vão todos olhar para o mesmo, e no final, até vão ficar a pensar que o tal que fez o piropo tem bom gosto. Afinal até era um bom decote, ainda que a moça tivesse menos 15 anos que a maior parte deles. E é alguém que passa a ser respeitado, na medida em que é alguém que diz os piropos que eles não têm coragem de dizer, e que tem "olho-para-a-coisa". Basicamente...vão poder voltar a trabalhar descansados, ser mais produtivos, porque alguém zela para que não passe decote algum naquela rua (um daqueles decotes ousados), sem que oiçam um mimo do outro colega e que exprime uma  conjugação de palavras perfeita como sejam "prateleira, montra, língua e estrelas".

Pessoalmente, não consigo dizer piropos. Já o tentei, lucidamente, e não consegui. Com alcóol a falar por mim, e com a língua "desprendida"..as coisas mudam de figura. E consigo fazer uma Madre Superiora fazer sentir-se a Linda Evangelista. De resto, em situação normal, é complicado ser bem sucedido. Por vezes, pode acontecer entrar num registo de gozo, e lançar um piropo brega e propositado a uma amiga qualquer. Se tiver confiança para tal, obviamente.

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quarta-feira, janeiro 19, 2011

Bonés

Gosto imenso da moda dos bonés. A moda de usar boné quando se conduz (não acontecer uma queimadura grave decorrente de uma exposição excessiva da pele da testa ao Sol), usar boné quando se entra numa loja ou numa sala de aula, e em tantos outros lugares do nosso quotidiano.

De há alguns anos para cá, passei a chamar a estas pessoas, Zé. Simplesmente Zé. "Zé-do-boné". Invariavelmente, as pessoas que entram numa sala de cinema com o boné posto na cabeça, têm cara de Zé. Falam alto, têm calças com cintura descaída caracterizadas por estarem muito remendadas (excertos de ganga estrategicamente colocados) e botas de montanha desapertadas (nunca percebi bem esta moda).

Da última vez que andei de boné, devia ter uns 10 ou 11 anos. Numa das centenas de colónias de férias organizadas pela Junta de Freguesia e que claro, a minha querida Mãe me inscreveu juntamente com o meu irmão. Sempre me pareceu um suplício, ter de anualmente gramar com aquela treta toda, mas no final dos 15 dias conseguia ter bons amigos e por vezes, "lavar" as vistas com as monitoras em fato de banho. Que por sinal até eram giras. Algumas, claro.

Fora destes momentos, nunca mais usei boné. Embora reconheça que é importante que seja usado, faz-me sempre lembrar as boinas dos velhos, e sinceramente, não tenho muita vontade de abreviar a quase obrigatória utilização. 

Talvez um dia, quando tiver 80 anos e começar a ficar careca, mude de opinião. Até lá...não me parece. Vou "queimando" a testa.

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terça-feira, janeiro 18, 2011

Relações amor-ódio

Trata-se de relacionamentos especiais. As quais são caracterizadas pela coexistência tumultuosa, nada pacífica e acima de tudo, por parte de pessoas que aparentemente não se suportam. Mas não vivem sem a outra parte.

É para estas pessoas que se dirigem, em primeira análise estas linhas. Conheço alguns casos. E diverte-me observar o "cão e gato", ou as tão famosas brigas, e mais tarde, quando separados, não haver outra conversa que não sobre a outra pessoa. Acho contudo que este tipo de relacionamento deve ser evitado quando se pensa em relações afectivas (namoro / casamento). Na parte do ódio podem ser ditas coisas que não se querem dizer, e na parte do amor pode ser tudo romanceado. Vai daí, é normal viverem-se relações conturbadas, e caracterizadas pela inexistência de serenidade e paz. Já nem falo do óbvio desgaste induzido nas partes envolvidas.

Assumo aqui e agora que já "dei para este peditório". Contudo, e com algum distanciamento, consigo perceber que não era esse o caminho que devia ser seguido, pelas razões que apontei anteriormente. É complexa a gestão de uma dualidade de sentimentos tão diferentes, além de que, não é qualquer pessoa que o sabe / consegue fazer. E na maioria das vezes acontece o pior - acabam por terminar as relações.

Analogamente,  e para terminar esta breve reflexão, há uma teoria que me tem dado que pensar. Há relações que sobrevivem com esta dualidade de sentimentos. E sei que saem mais fortalecidas com a mesma. Um pouco como diz o adágio popular que nos fala da "bonança" que vem depois da "tempestade". O mesmo acontece neste tipo de relação. Depois do ódio..vem sempre (ou devia vir sempre) o amor. Completando-se assim o ciclo. Ah..e fortalecendo-o, como se diz...

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segunda-feira, janeiro 17, 2011

Mezinhas

Cada vez que penso nas mezinhas, ou receitas tradicionais para resolver doenças, ocorre-me de imediato que em alguns aspectos / campos, a medicina tradicional não consegue dar conta do recado. Falo deste assunto com propriedade na medida em que existe na minha família uma representatividade considerável e significativa de médicos.

Se em alguns casos não perco tempo a pensar se o resultado poderá ser positivo ou não, no sentido da rápida resolução de algum mau estar e/ou doença, de tão recôndita e medíocre me parecem ser as soluções, já noutros casos confesso que perco algum do meu tempo a tentar perceber onde deixa de ser eficaz / eficiente o medicamento  e começa a resultar uma daquelas mezinhas conhecidas desde sempre.

Há mezinhas para tudo e aplicáveis a todas as maleitas que se imagine. Irei hoje reflectir aqui um pouco sobre aquela que nesta altura do ano atinge frequentemente os mais incautos (ou menos agasalhados) - a constipação / gripe / resfriado. Importa referir que não sou uma pessoa que fique doente com facilidade. Muito pelo contrário. Contudo, e quando tal acontece, não são coisas "leves", mas daquelas mesmo à moda antiga e que me fazem ver estrelas na maior parte das vezes. E pensar que vou partir desta para melhor.

Numa das últimas gripes resolvi optar por uma mezinha, depois de ter morto quase uma floresta em lenços de papel, e de ter ficado com o nariz em ferida, de quase ter perdido a visão (olhos permanentemente lacrimejantes), além de me ter ocorrido que ía perder o olfacto para todo o sempre. Numa bela noite acordei (pela enésima vez) com o nariz entupido, e resolvi ali mesmo terminar logo ali com o assunto. Isto tudo às 0430H da matina.

Há uma mezinha daquelas antigas que refere que a aguardente bebida de um trago aquando das constipações mais fortes tem um efeito bom. Desde sempre ouvi dizer que era um excelente "descongestionante". O que acontece é que não bebi um cálice.

A gripe já durava há algum tempo e resolvi abatê-la ali mesmo, sem dó nem piedade. Se bem pensei, melhor o fiz, e bebi de um trago uma caneca com 3/4 de brandy (não tinha naquele momento aguardente em casa), juntamente com mel e um limão. Não houve um efeito imediato, mas o que veio a seguir fez-me pensar que tinha um incêndio a deflagrar na minha garganta e no estômago. Qual bomba, senti-me como aqueles bonecos animados, "com-o-apito-do-comboio-na-cabeça" e pouco deve ter faltado para dar um salto até ao tecto. Escusado será dizer que não dormi mais, e desconfio que terei ficado mais ébrio que sóbrio.

O que é certo é que passadas umas horas estava fino, e pronto para outra. Não sei é se voltarei a experimentar esta cura...

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domingo, janeiro 16, 2011

Abelhudos (as)

Tive a felicidade de, desde que me lembro, estar rodeado de abelhudos (as). Ou intrometidos (as). Pessoas que não têm mais nada que fazer e  que se metiam (e metem) nas vidas alheias.

Um excelente exemplo do que falo acima foi, sem qualquer sombra de dúvida, a minha porteira e o merceeiro lá da rua onde morei. Se queria saber algo, era com estas "fontes". Na maior parte das vezes, sem perguntar absolutamente nada. Informação gratuita. Com todo e óbvio respeito que me merecem ambas as actividades / ocupações profissionais que menciono acima, entendo serem os "elos" importantes da cadeia, que têm necessariamente de existir, por forma a sustentabilidade do sistema, e garantir que toda a informação tida como necessária e vital para a felicidade das outras pessoas seja cabalmente passada. Se podia ser de outra forma? Poder podia, mas não tinha tanta piada.

Neste domínio, importa referir que as porteiras assumem um destacado e pródigo papel na nossa "cadeia" de influência. Logicamente, e qualquer pessoa entende que quanto mais alto fôr o prédio (mais fogos), maior e mais profundo será o nível de intromissão na vida de terceiros. Da mesma forma, ninguém no seu juízo perfeito questionará que uma digníssima porteira de um prédio de 3 andares será "olhada de lado" por uma congénere de um prédio de 30 andares. Para dissipar qualquer dúvida, tem que ver com o nível de informação a que cada uma tem acesso / detém.

Já os merceeiros, "cosem-se com outras linhas". Resumidamente, e em alguns locais, as mercearias são locais de encontro das várias pessoas. As mercearias que conheço, são locais habituais de compra de vários géneros (maioritariamente por parte das mulheres-a-dias), ao longo de um dia de trabalho. Também me parece perfeitamente exequível que a vontade de "dar à língua" com as outras colegas de trabalho, lá na mercearia, seja maior que a vontade de ir lavar uma casa de banho ou tirar borbotos da camisola de lã do Eng.º Macário, casa onde laboram. Reside aqui a razão de ser de, algumas profissionais avançarem com a teoria de que o tempo disponível não dá para a lida da casa....Já os merceeiros, sem se cansarem muito, adquirem um conhecimento ímpar e têm ao seu dispôr uma fonte de informação inesgotável acerca de tudo e mais alguma coisa. São, na minha opinião, os "abelhudos-mor". Topo da cadeia.

Lanço o desafio de imaginarem a altura do dia em que se reunem no mesmo local (por exemplo a mercearia), as mulheres-a-dias e as porteiras. Eu já assisti...e posso dizer que fiquei siderado com o intercâmbio de informação que tem lugar, sempre sobre a vida dos outros. A reter.

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sábado, janeiro 15, 2011

Excessos

Creio já aqui abordado este tema noutras reflexões, (e.g.: alcóol ou drogas), mas nunca é demais voltar a desenvolver o mesmo.

Nunca experimentei drogas. Em alguns casos, sei não ser necessário muito de determinada droga para que alguém passe uma noite inteira abraçado a uma avestruz a falar sobre a vida. Sei de dois casos assim. Acredito naturalmente que não tenha sido só daquelas vezes em concreto, e também admito que as pessoas em causa tivessem outro tipo de problemas graves de foro psíquico. Certamente, e na generalidade dos casos, consequência de muitos anos a cometer excessos.

A questão assume contornos assutadores quando em casos pontuais, surge a imagem da invencibilidade e imortalidade naqueles que cometem regularmente excessos. Reside aqui uma das  explicações para alguns dos casos que se julga serem suícidios. Talvez não seja só essa a explicação.

O consumo excessivo do alcóol, por seu lado, tem dois efeitos. Um a curto prazo e outro a longo prazo. No primeiro caso, para pessoas como este vosso escriba, que não bebe regularmente, a curto prazo ganho logo direito a uma valente ressaca. Quando ressacaso, sinto que mundo todo está contra mim e a cabeça tem o tamanho de um daqueles autocarros antigos de dois andares. E juro a mim mesmo que nunca mais beberei em toda a minha vida. É claro que se trata de um evento, numa determinada noite (ou dia) em que abusei da pinga. Pior será o segundo caso. O longo prazo. Aqui já não me revejo de todo. Excessos cometidos diária / semanalmente, ao longo de vários anos. Como consequência, a tão conhecida "cirrose" (morte das células do fígado) e que faz com que este orgão importantíssima, aparente um aspecto pior que um bocado de cortiça. Muitas são as combinações explosivas que se podem pensar. Uma conhecida por ser perigosa consiste em alcóol à vontade, volante de um carro e uma "pitada"excesso de velocidade. O resultado é entrar-se directo noutro domínio. O domínio da probabilidade. Havendo sempre duas opções claras e óbvias: chegar são e salvo a casa, ou não chegar. E por vezes acontecem alguns azares no percurso.

Podia aqui continuar a falar de vários exemplos de excessos. O que entendo que deverá ser tido em consideração, é que nada daquilo que é em excesso é necessariamente bom. Muito pelo contrário. Acontece que por vezes, isso não é entendido (em devido tempo) por algumas pessoas. O que faz que mais cedo ou mais tarde seja pedido que "paguem a factura". E normalmente, a bem (ou a mal) a mesma acaba por ser paga. Sempre.

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sexta-feira, janeiro 14, 2011

Costumes

É sabido que o Homem é um "animal" de costumes. De hábitos. De vícios. Focando na questão dos costumes, percebo a cada dia que passa que há costumes seguidos pelas pessoas com quem convivo que acabam por colidir frontalmente com os meus. Não que seja necessariamente mau ou pejorativo. São formas diferentes de encarar a vida.

Há alguns anos, quando comecei a trabalhar, dizia-me um colega (e hoje amigo) que o pai lhe tinha dito para nunca sair antes do chefe. Achei alguma piada à situação e brinquei com esse meu amigo, na medida em que achava (e continuo a achar) tal postura ridícula. O que é certo é que não me recordo de alguma vez desse meu amigo ter saído antes do chefe dele (trabalhávamos no mesmo gabinete, mas tínhamos chefes diferentes). Resumidamente, um mau costume enraízado na nossa sociedade. Como este meu colega há várias pessoas que pensam assim.

Adicionalmente, e corroborando a tese de que os bons costumes se têm vindo a perder, reparo que cada vez são menos as pessoas que primam pelos preceitos da boa educação. Sempre fui educado no sentido de, chegado a algum lado, cumprimentar os presentes. Estando numa sala, quando entra alguém na sala (mais velho ou do sexo oposto) levantar-me prontamente e esperar que a pessoa se sente. Não começar a comer antes que toda a gente sentada à mesa tenha comida no prato. Já não sou do tempo do costume de abrir a porta do carro ao sexo oposto. Neste ponto faço um mea culpa. Tenho de reconheço que não pratico este costume. Ou o costume semanal (e Dominical) de ir à Casa de Deus às 0900H...

Contudo, acho que é de bom tom que vários dos costumes que referi anteriormente voltassem a ser praticados. E em alguns casos, contra mim falo.

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quinta-feira, janeiro 13, 2011

Baton

Fico contente por perceber que o sexo oposto retomou a moda do uso do baton. Reforça a feminilidade. Não que entenda que alguma vez tenha desaparecido por completo, mas se até então era formal e rigidamente seguida pelas meninas com mais de 65 anos, hoje em dia essa realidade mudou. E tal constata-se facilmente na forma mais cuidada que as mulheres têm aquando da sua preparação antes de sair de casa.

Um dos grandes problemas que sempre me deixou impotente e  inquieto, e com o qual me deparei desde todo o sempre, prende-se com o facto das marcas de baton na cara. Daquelas indeléveis durante dois dias e meio. Nunca percebi muito bem se tinha que ver com a boa (ou má) qualidade do baton, ou se por outro lado era uma consequência da força com que sentia os lábios das minhas faces, quando era cumprimentado pelas minhas amigas com mais de 70 anos e sempre, sempre carinhosas comigo. 

Lembrei-me agora que tenho de inovar o meu repertório de tretas, na medida em que uma daquelas que costumo usar regularmente, dizendo que tenho uma doença raríssima e que me impossibilita de cumprimentar as pessoas, já não cola. Usei-a durante algum tempo, dizendo que era uma doença muito rara seguida religiosamente por mim num site do corpo médico da Universidade da Carolina do Norte. 

O fecho com "chave de ouro" tem lugar quando à tal marca do baton se junta a tão característica brisa de um perfume tipo "Chanel 5" que perdura na minha pele durante um dia. Aí sinto-me realmente "diferente". E acarinhado pelas minhas provectas amigas.

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quarta-feira, janeiro 12, 2011

O Salvador

Tenho vindo a pensar nos últimos tempos que "O Salvador" está para chegar. Não, não me refiro ao dia do "Juízo Final". Refiro-me sim ao facto de estar para breve o aparecimento de alguém que tenha a capacidade e visão para mudar o rumo do País. E levar Portugal a bom rumo. Ao sentido certo. Sem medos, sem compadrios, sem favores.

Desde a maior estupidez da história contemporânea, um evento qualquer que teve lugar em Abril de há 36 anos, que Portugal anda sem rumo. A palavra democracia é uma palavra curiosa. Que gosto de perceber que significado tem para as mais variadas pessoas, engraçada o suficiente para introduzir nas minhas discussões políticas. Para muitos, democracia é sinónimo de "abardinanço". De "avacalho". De anarquia. De desrespeito pelos valores da Pátria. Pela delapidação do património da Nação. Enfim, muitos podiam ser os exemplos dados...mas julgo que já deu para perceber.

Estou crente que vá aparecer alguém nestes próximos tempos. Eventualmente alguém que até este momento tem tido uma proeminência apagada na vida política e / ou sociedade portuguesa. Alguém que...não precisa de andar nas"festarolas-côr-de-rosa-dos-parasitas-da-sociedade" para ser conhecido. Aliás, até é bom que abomine estes pedantes, para que depois seja mais fácil a sua exterminação um dia mais tarde. Alguém que não seja de falar muito. Não me interessa absolutamente nada que sejam feitas conferências de imprensa sobre as escutas, ou sobre as acções que comprou por intermédio da sugestão de um amigalhaço. Interessa-me que seja interventivo. Que aja. Que mostre o quão vale. Que acabe, sem receio e sem medos com os lobbies instaurados. Que constitua grupos isentos, autónomos e que sejam implacáveis nos desmembramentos de cabalas e das organizações corruptas que minam este País. Que acabe com os monopólios e carteis. Que ponha fim aos paraísos fiscais. Que fomente a agricultura. Que aumente a taxa de exportações e diminua a dependência energética de terceiros... Que responsabilize quem defrauda as expectativas dos portugueses. Que aponte o dedo e desterre para Mondim de Basto ou Celorico da Beira aqueles que prometem mundos e fundos e depois não cumprem. Basta de hipocrisia, basta de palmadinhas nas costas. Basta de desculpas esfarrapadas para justificar a não acção. Se não sabem, dêem o lugar. Passem a vez.

Espero que este alguém se insurja e em breve. Vejo com impotência o País a afundar-se e aqueles que dizem que afinal nem estamos assim tão mal, começarem a evidenciar sinais de loucura. Vários sinais. Começando e acabando quando juram que vamos conseguir "dar a volta" sem a entrada (e esperada) do FMI por cá. Nem de propósito só me vem à memória a fartura da promessa dos 150.000 postos de trabalho criados.

Enfim...resta-me aguardar. E depositar esperança para que esse Salvador esteja a preparar-se para tomar as rédeas de Portugal. Como alguém o fez durante 40 anos.

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terça-feira, janeiro 11, 2011

Perseguições policiais

Creio que não virá mal ao mundo se aqui partilhar que sempre quis ser agente - "sôr agente", se preferirem - da autoridade. Sem qualquer problema posso assegurar aqui e agora que durante muito tempo fez parte do meu imaginário de criança. Ou de adolescente. E da fase adulta, pronto! Foi algo que desde sempre pairou na minha mente e que sempre me fascinou. Um grande bocado.

Talvez pela influência de filmes, sempre acreditei que os polícias gozam de um estatuto de invencibilidade grande. São intocáveis. Ser polícia (ou autoridade policial) reúne algumas coisas que gosto: poder andar depressa nos automóveis (alguns até são boas máquinas), nunca ficar parado no trânsito, não ser autuado, poder andar armado e claro, poder ligar a sirene só porque sim....e poder dar uns "carolos" a quem se porta mal (sem ninguém ver, é claro).

Embora saiba que há perseguições policiais interessantes, na medida em que há bons carros e o tão famoso "kit-de-unhas" (em alguns casos), já naquela que é a realidade actual de muitas esquadras e postos da Guarda Nacional Republicana, a coisa muda de figura. Lembro-me dos carros de giro da PSP - sendo que há carros parados à porta das esquadras porque não há dinheiro para pagar revisões dos mesmos. 

Logo a seguir lembro-me dos carros do tuning. Para quem não percebe muito de carros imaginem um avião a fugir de uma bicicleta. Ridículo não é? É a nossa realidade. A realidade portuguesa. E quem fala de automóveis, pode também falar das "super lanchas" dos barões da droga, com largas centenas de cavalos de potência. Há lanchas da guarda costeira que nem uma centena têm. Agora imagine-se as perseguições no mar. Isto quando as lanchas da nossa autoridade policial marítima não avariam. Ou desistem da perseguição. O que não deixa de ser sintomático de algo. E que não é necessariamente bom.

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segunda-feira, janeiro 10, 2011

A morte de Carlos Castro

Só quem não habita no planeta Terra e vive em Portugal desconhece que o cronista social Carlos Castro foi assassinado no passado Sábado, em Nova Iorque.

Tenho o maior respeito pela dôr que vivem neste momento os familiares deste cronista. De igual forma sempre respeitei quem fez do seu modo de vida as crónicas associadas a uma "pretensa" classe alta portuguesa. Já não concordo quando ouvi há poucos dias um destacado comentador referir-se a esta personagem como "alguém influente na sociedade portuguesa". Não lhe reconheço tal valor. É certo que é um juízo pessoal, e vale o que vale, mas não deixa de ser uma opinião perfeitamente legítima. Para mim, pessoas influentes será um "António Damásio, ou "Egas Moniz", entre várias outras individualidades.

Não interessa neste momento e nesta reflexão abordar orientação sexual deste cronista, como já tenho ouvido. Sinceramente, é-me um pouco indiferente. Também acho pouco interessante e digna de discussão a menção à diferença de idades entre o Carlos Castro e o "suposto" companheiro. Não me sugere qualquer relevância. Também há discussões entre casais hetero e da mesma idade. Poderão, na minha opinião haver outras razões.

O que me revolta um grande bocado é a projecção que esta notícia tem desde há 3 dias. Não compreendo. Aliás, nunca consegui compreender como é que a sociedade portuguesa aprendeu a apreciar a desgraça alheia. Como é que é possível ser este tipo de notícia que vende. Analogamente constato que o assassínio do Carlos Castro, para a imprensa portuguesa, é tão ou mais importante que a cada vez mais provável entrada do FMI em Portugal. Ou da tão "apagada" corrida presidencial. Entre outros asssuntos da nossa actualidade e de longe bem mais preocupantes. Não desfazendo a importância desta.

Dá que pensar, na minha modesta opinião.

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domingo, janeiro 09, 2011

Comunismo

Tinha prometido a mim mesmo não desenvolver o tema comunismo, mas tenho para mim que sou capaz de passar a minha perspectiva, sem ferir sensibilidades.

Em primeiro lugar as medidas que hoje em dia são defendidas pela Esquerda, (e.g.:Partido Comunista Português, Bloco de Esquerda), são medidas que me fazem pensar. Aliás, não fossem os alertas lançados pelos líderes partidários e pelos líderes das bancadas parlamentares...e muita coisa ficaria no segredo dos deuses, com um claro e incontornável prejuízo para os portugueses. Donde, faz todo o sentido que as vozes da discórdia se façam ouvir. Reconheço igualmente a legitimidade em algumas ou todas as observações efectuadas pelos partidos desta Oposição. A tal facto não será alheio a História da Humanidade marcada pelas diversas convulsões sociais e "combates políticos" que conduziram à conquista daquele que é hoje  em dia o espaço de cada um destas facções políticas.

Em segundo lugar importa ter em consideração algo importantíssimo na doutrina comunista - a exequibilidade de certas medidas (leia-se aplicação prática das mesmas). Na sua génese, o comunismo assenta na equidade de direitos e distribuição da riqueza, formulando assim os preceitos para um Estado social. A problemática tem lugar quando num determinado país, Portugal, por exemplo, se constata que há concertação dos grandes grupos económicos, que existe monopólio em alguns casos, e que um organismo desejavelmente neutro, como seja a autoridade para a concorrência não vê ilegalidades ou conluios. Nem quando estuda e analisa o facto de após a liberalização dos preços dos combustíveis as 4 maiores gasolineiras venderem o litro de combustível ao mesmo preço. É pois importante perceber e ganhar consciência do quão utópicas podem ser as alternativas propostas por estes partidos de esquerda (moderada e extremada).

Em terceiro e último lugar, opto por não discutir política com qualquer pessoa, e em especial pessoas que sei serem simpatizantes ou conotados com partidos de esquerda. E claro, que não têm argumentação que me faça querer discutir amigavelmente política. Isto sucede com frequência com pessoas que sei serem do partido de esquerda da moda (Bloco de Esquerda). A razão prende-se com o facto de, para as pessoas ser fácil apontar defeitos, problemas. Quando chega o momento de avançar com soluções, "assobiam para o lado". Os partidos sentados à esquerda do Presidente da Assembleia da República são pródigos neste capítulo. E normalmente ficam-se pela questão do apontar as críticas.

A título de dica, e para quem como eu é entusiasta da política e tem prazer em saber o porquê das coisas, sugiro a leitura do livro "Cisnes Selvagens" de Jung Chang, editora Livros Quetzal. Talvez sejam desmistificados alguns dogmas. Errados.

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sábado, janeiro 08, 2011

Balneários

Foram muitos anos a usar balneários. Ginásios que frequentei, complexos de piscinas ou aquando da prática de outras actividades desportivas que sugeriam que houvesse claramente definido um local para a muda da roupa que não uma "despensa" de vão de escada.

Os balneários são locais típicos de sociabilização e confraternização, aparte dos habituais. São locais onde conhecidos se encontram antes da prática desportiva, e onde se reunem após a prática do mesmo. Uma equação simples. 

Por ocasião da realização de um trabalho universitário há uns anos atrás,  tive de ter várias conversas com o responsável de um conhecido complexo de piscinas da cidade de Lisboa (piscinas essas onde eu já tinha sido utente). Para meu espanto, foi-me dito que há hábitos de higiene diferentes, e por vezes, inacreditáveis em pessoas em quem não recairia qualquer suspeita. Avançou-me este técnico que uma boa prática de utilização a piscina consiste em passar o corpo pelo chuveiro antes de entrar na piscina. A razão é simples e tem que ver com a limpeza da própria água, que naquele caso era efectuada recorrendo a técnicas pioneiras...Além disso, evitava que fosse formado à tona da água a tão característica película de gordura corporal ("filme" é o nome técnico). Em jeito de desabafo foi-me também dito que por mais de duas dezenas de vezes já tinha sido pedido a utentes que usassem os balneários antes de entrar na água. Acho isto um pouco desnecessário e acima de tudo, se eu ouvisse este reparo feito a alguém, seguramente que passaria a nadar na pista oposta.

Nunca gostei e não gosto do ambiente dos balneários. Nada tem que ver com o próprio ambiente em si, mas sim, e objectivamente, com o ter de lidar com os hábitos pessoais de cada utente. Já vi pessoas a andarem descalças no pavimento dos balneários e da própria piscina, sendo que neste último caso estão em causa motivos de segurança (e.g.: queda e cair para dentro da zona mais funda da piscina e ficar lá esquecido), bem como pela partilha das tão conhecidas micoses, e em especial, do pé de atleta. O que como é óbvio me deixa particularmente sensibilizado.

Outro aspecto a salientar, e que me preocupa profundamente, é o facto das pessoas que estão no balneário, e em particular na zona dos chuveiros, serem surdas. Só assim se explica a partilha das conversas e gargalhadas guturais sobre a noite anterior (muitas vezes acompanhadas pelo português vernáculo) sejam ouvidas no bar sito 2 pisos acima. Fica a sugestão para que quem frequenta os balneários tenha como requisito de entrada um teste audiométrico.

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sexta-feira, janeiro 07, 2011

Medo

Das várias sensações que alguém pode sentir, o medo é daquelas que no meu entender é das piores. Por várias razões, e que regra geral se prendem com razões de ordem pessoal (ou seja, a percepção pessoal do que é o medo), das más experiências passadas, do desconforto causado pelo mesmo e porque não, a impotência em alguns casos.

Tenho dois grandes medos (e não me admira que sejam partilhados pela maioria dos seguidores deste blogue): Ser enterrado vivo e morrer afogado. Se no primeiro caso a probabilidade é ínfima, e sugere-me de imediato que afinal tinha mais que uma vida ou que o médico não soubesse declarar um óbito, já no segundo caso a probabilidade de alguém morrer afogado sobe exponencialmente. Há alguns anos que deixei o "heroísmo" de ir para alto mar e voltar a terra, das vezes em que (ainda) ía à praia. Talvez tenha interiorizado que um dia podia não ter forças para nadar de volta para terra..não sei. Ganhei respeito pelo mar. Hoje em dia mergulho algumas vezes, saio da água e vou andar a pé. A menos que venha um vagalhão e me arraste enrolado para a costa californiana, julgo que diminui um grande bocado esta possibilidade.

Apartes destes dois medos que referi acima, não me recordo de mais nenhum digno de registo. Julgo que há um grupo de pessoas que sabe gerir a descarga de adrenalina quando perante uma determinada situação concreta. Lembro-me de ter lido algures, há uns tempos atrás, que tal facto passa pela avaliação sumária da situação do medo em si. Por outras palavras, de que forma a pessoa percebe ou pressente o medo. E como é tal gerido internamente.

O que não é para mim um medo, pode sê-lo para outra pessoa. Lembro-me por exemplo das viagens de avião. O que para mim é sinónimo de prazer, para outras pessoas é sinónimo de confrangimento ou desconforto. Ainda que o transporte aéreo seja o mais seguro de todos...Da mesma forma que haverá certamente pessoas que gostam de ir nadar até aos Açores e eu fico-me por meia dúzia de mergulhos. Onde há consenso é na parte do ser enterrado vivo...

Para terminar, quando experimentada a sensação de medo, uma de duas situações pode acontecer: a impotência e o ataque. Se a impotência pode ser boa num caso, noutros pode ser problemática e ter consequências desastrosas, na medida em que provoca um sentimento pior - pânico. Um exemplo clássico que costumo dar é o do carro que cai ao rio. Esta é a única situação em que o uso do cinto de segurança poderá constituir um entrave ao salvamento dos ocupantes. Se considerarmos o "stress" deste acidente infligido aos ocupantes, o medo e o pânico....temos um problema grave em mãos, e que vai ter como resultado imediato, a impotência e pouca clarividência tão necessária. Não porque não se faça nada. Pelo contrário...porque o organismo reage ao perigo / medo com alarmismo e tenta debater-se. O que poderá dificultar enormemente a operação de desencarceramento. E debaixo de água parece-me ser complicado aconselhar a calma. Por outro lado, o medo pode ter um efeito perverso. O ataque. Pode parecer um contrasenso..mas não é. Alguns pessoas, na primeira pessoa, comentando este efeito aludem ao facto de se sentirem invencíveis e com o "dobro da força e tamanho". É um facto que gostava de um dia tenho de discutir com algum psicólogo. Certamente terá uma justificação giríssima.

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quinta-feira, janeiro 06, 2011

Cortes nos vencimentos

Eis que começou a festarola. A adopção e implementação das chamadas medidas impopulares por parte do "nosso" e tão querido Governo. Desta feita, o corte nos vencimentos públicos. Na minha opinião, o tão esperado (e mais que atrasado), "princípio do fim" deste Governo. Se pensarmos bem, para já terem sido feito abordagens a constitucionalistas e avançar-se com a ideia de que a medida é para ir em frente, contra tudo e todos, é porque efectivamente se quer ir buscar mais uns cobres aos funcionários estatais que levam para casa mais de 1.200 €/mês, mais coisa menos coisa.

Esta medida dá que pensar. Em primeiro lugar, porque afecta o próprio Executivo. Ou seja, sendo o Primeiro-Ministro e o próprio Presidente da República funcionários públicos, estou cá para ver em que medida vão querer receber menos ao final do mês. Em segundo lugar, porque os próprios "boys" das Câmaras socialistas talvez não achem muita piada ver o vencimento reduzido, sendo que terão de  continuar a fazer uma ginástica financeira engraçada para que estas instituições sobrevivam. Por último, compra-se uma guerra com os sindicatos daquela que, quer queiramos quer não, representa a maior fatia da população trabalhadora no activo - a função pública.

Já aqui tive oportunidade de deixar a minha opinião relativamente aos funcionários públicos. Na altura referi, e mantenho, que a análise que fiz não é (nem deve ser) generalista. Cada caso é um caso, e importa conhecer e não cair em tentação de encetar pela via da generalização. Uma andorinha não faz a Primavera e um mau funcionário público não torna mau o funcionalismo público. Por outra lado, importa convir que não é qualquer funcionário público que leva para casa este montante. No Diário da República, no que toca a valores referência para remuneração para os vários cargos públicos, tenho de memória que este valor corresponde à remuneração de um Técnico Superior. Talvez em início de carreira nos quadros do Estado. Licenciado e com alguma experiência profissional. Em resumo, e nos dias que correm, um valor de remuneração razoável, tendo em linha de conta a taxa de desemprego cada vez maior e a tendencial precaridade na contratação de indivíduos (e.g: recibos verdes).

A questão piora quando não é só no vencimento há o corte. Adicionalmente, é aumentada a "colecta" do Estado, aumenta o preço dos bens de primeira necessidade, o preço do combustível e tudo isto como consequência imediata do aumento da taxa do IVA. Ou seja, e neste caso em concreto, convenhamos que o tal Técnico Superior, se estiver na condição de suportar uma prestação de um carro, casa, escola dos filhos, alimentação, etc., etc., tem de "parar" e fazer contas à vida. Muito à séria...porque...talvez o que leva para casa deixe de chegar.

Se há umas largas décadas atrás ser funcionário público era "para a vida", hoje em dia a realidade é outra. Quer seja em início de carreira, quer seja próximo do final, o corte nos vencimentos sugere-me de imediato que as coisas se vão complicar. Se por um lado, para as gerações mais novas de funcionários públicos, há sempre a possibilidade de ingressar (ou avaliar de forma séria) as ofertas no sector privado (também severamente afectado), para a geração de funcionários mais antigos e próximos da idade da reforma, os graus de liberdade são inferiores. Não só porque ainda não têm idade para a mesma, como vão ter de "engolir mais este sapo". Sendo que este é  "mais um" daqueles grandes. Resta ir cortanto os dias no calendário que têm na parede..para o tal dia em que metem o papel. Parede essa que vêem há 30 anos de serviço...

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quarta-feira, janeiro 05, 2011

A Alemanha e a Europa

Sempre gostei da História contemporânea, em especial da 2ª Grande Guerra (GG), e na qual a Alemanha foi a principal protagonista. A minha especial empatia por tal período prende-se exclusivamente com o aspecto bélico, estratégico-militar e não tanto pelas atrocidades cometidas e que deixaram marcas indeléveis na Humanidade. Sendo ainda mais objectivo, não vejo qualquer interesse em reflectir sobre aquilo que considero ser uma "diarreia mental" de um cobardolas que acabou por mandar matar e perseguir milhões de judeus. Já muita tinta correu sobre este assunto, e não será este o momento para partilhar a minha opinião sobre o mesmo.

Recuem-se umas décadas no tempo. A dado momento da História do "velho" continente coexiste em várias nações o Fascismo: Alemanha, Itália, Portugal, Espanha. É a partir deste momento que interessa que a análise tenha início, e tendo como "baliza" o intervalo de tempo até aos dias de hoje.

A Alemanha, sendo a nação directamente envolvida neste teatro bélico, teve de desenvolver rapidamente uma estrutura que alimentasse toda a "máquina" militar. Comparativamente às demais três nações, escusado será dizer que estiveram presentes em cenários diferentes, a outra escala e o que investimento nesta indústria foi naturalmente menor.

É conhecida a pujança na economia de um país que as guerras promovem. A criação de postos de trabalho, o aumento exportação de material, alianças estratégicas, etc., são sem dúvidas variáveis a ter em consideração na economia de certas nações que no passado estiveram envolvidas em conflitos deste género. A Alemanha é um destes exemplos. Derrotada na 2ª GG, conseguiu ao longo dos anos fortalecer-se de novo, dinamizar uma série de aspectos positivos (e.g: exportação de matérias-primas, de bens), estabelecer-se em várias nações a nível internacional e acima de tudo, ainda que com uma postura por muitos vista como "gélida", pauta-se por uma postura esforçada e... profissional. Reside aqui o segredo do sucesso.

Os restantes países da União Europeia (UE), talvez nunca tenham percebido a moral da história da "cigarra e da formiga". Desde os vários casos de esbanjamento de dinheiro comunitário, sacos "azuis", luvas "brancas", "faces ocultas"...são vários os exemplos. Enquanto que várias nações entenderam seguir outro rumo, a Alemanha definiu uma linha orientadora e empreendeu esforços no sentido de se capitalizar e consolidar a sua posição enquanto "primeira" nação da Europa. E conseguiu. A economia alemã "norteia" a economia dos demais países e em estreita coordenação e seguindo o rumo da economia norte-americana. O que lhe confere algum protagonismo europeu.

Entendo como perfeitamente normal que a Alemanha hoje em dia coloque reservas em ajudar outros países. Afinal, também a Alemanha passa pela crise e tem de lidar com problemas sociais. Contudo, é pouco lógico que seja (mais uma vez) obrigada a contribuir com dinheiro, e para ajudar outras nações, depois de tantos alertas ter feito aos países com economias deficitárias (Grécia, Irlanda e agora Portugal).

No meu entender faz sentido e importa que quem de direito assuma as responsabilidades e tenha vergonha na cara, demitindo-se de imediato e evitando perpetuar a figura ridícula de pedir esmola aos que trabalharam e conseguiram inteligentemente criar riqueza. As consequências de quem esteve negligentemente à frente dos desígnios de Portugal estão à vista. E devem ser tiradas ilacções. Simples, parece-me a mim.

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terça-feira, janeiro 04, 2011

Pragmatismo

Pragmatismo é uma forma de estar na vida que assenta na maneira prática e descomplicada com que cada um vê a realidade. Raciocínio rápido, simples e objectivo. Sem "espinhas". Directo como eu gosto.

É na minha humilde opinião o que falta em Portugal. Entendo que, por defeito, o "complicómetro" está ligado. Não raro surgem os problemas em vez das tão necessárias (e expectáveis) soluções. Tal facto conduz a um estado de aparente "navegação à vista". O que é naturalmente mau e de se evitar.

Entendo que há vários factores que concorrem para que seja complicado ser-se pragmático. A "des"informação das pessoas, a falta de cultura e o tão habitual e já recorrente "ouvi-dizer-que-é-assim". Opiniões insustentadas e baseadas naquilo que o primo da cunhada do tio disse no jantar da noite de final de ano. Tonterias, se pensaramos em algumas delas. Basicamente, e como se costuma dizer, "quem conta um conto acrescenta um ponto". O problema é que quem ouve o tal conto não "filtra" e mata logo ali aquele "conto falso". Donde, a dada altura "vêm a lume" contos rocambolescos e dignos da produção de um filme.

Conheço poucas pessoas pragmáticas. Com visão, objectividade e acima de tudo, presença de espírito que permita ter uma visão imediata e verdadeira da realidade. Acima de tudo, que tenha "activos" os filtros e que saiba e consiga passar uma mensagem de forma cabal e sem que se acrescentado o tal ponto. É isso que se pretende de alguém que se tem como pragmático. E são poucas as pessoas que o conseguem ser.

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