Sempre vi as bolsas de estudo como algo que não me inspira qualquer confiança. Digo isto baseado no facto de se saber que há meio Portugal que goza da benesse de ter o Estado a pagar os estudos, na totalidade ou em jeito de comparticipação, sendo que na realidade não precisa. E quem realmente precisa da ajuda do Estado, não consegue ser submetido a concurso, desiste e vai trabalhar para o obral ou para uma caixa do Pingo Doce. Viver à custa do Estado é algo que considero que devia ser punido criminalmente.
À semelhança de tantas outras coisas, esta é uma ideia a que os portugueses se habituaram a ter como garantida. Ceta. Alguém que cuide deles. Em grande parte, culpa dos cerca de 40 anos em que Salazar tomou conta dos desígnios de Portugal. E dos portugueses. Levando-os ao colo. E claro, hoje em dia pagam-se caros esses erros de "paternalismo" e do "não-te-preocupes-que-o-Estado-está-cá-para-te-ajudar".
Pessoalmente, vejo apenas duas razões para que sejam atribuídas bolsas de estudo a alguém: i) Declaração de pobreza e/ou responsabilidade corroborada documentalmente enquanto meio de subsistência de um agregado familiar ou ii) Mérito académico.
A declaração de pobreza e/ou a confirmada e documentada dependência de um trabalhador-estudante (trabalha de dia e estuda de noite), tornando possível "pôr-o-pão-na-mesa", é condição suficiente per se e suficiente para que ninguém no seu juízo perfeito questione o que quer que seja. Ninguém vai perguntar a outra pessoa que atesta ser pobre se o é na realidade. A menos que queira antecipar a comprar de uma placa de dentes nova ou fazer um lifting à cara. Contudo, importa mencionar que os instrumentos de auditoria e/ou confirmação da condição económica das pessoas são parcos, e nem sempre funcionam. Bem como se sabe igualmente que há formas de contornar o sistema, documental o tal estado de pobreza e morar na Quinta da Marinha. Não seria o primeiro nem o segundo caso assim que tinha conhecimento.
No caso do académico, o cenário não é melhor. A ideia, na sua génese, tem um bom íntimo. Serem bolseiros aquelas pessoas que querem estudar e não têm meios para o fazer (e.g.: famílias desfavorecidas) e ainda alunos que pelo seu afinco e método / disciplina têm boas avaliações. Acabado por se evidenciar na turma, escola, região ou mesmo País. À boa maneira portuguesa, tive colegas que chumbaram repetidamente de ano, na universidade, "esqueciam-se" de ir às aulas, mas não se esqueciam de meter o papel para o abono da família e de continuadamente concorrer para a bolsa de estudos. E por incrível que pareça, deslocavam-se para a escola de BMW e de Audi. Em alguns casos com preços superiores a um T-2 em Telheiras. E mais uma vez, não há mecanismos / instrumentos de controlo que de forma eficiente cruzem este tipo de informação.
Ainda que possa parecer um afirmação ingénua e descabida, entendo que quem se diz bolseiro e não se enquadra em nenhuma das situações acima descritas, deve abrir mão desse dinheiro mal atribuído e que poderá ser necessário a uma outra qualquer causa social. Chama-se a isso ser vertical. Honesto. Características que hoje em dia já não existem. E que cada vez mais caem em desuso. Ou são "esquecidas". Propositadamente.
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No caso do académico, o cenário não é melhor. A ideia, na sua génese, tem um bom íntimo. Serem bolseiros aquelas pessoas que querem estudar e não têm meios para o fazer (e.g.: famílias desfavorecidas) e ainda alunos que pelo seu afinco e método / disciplina têm boas avaliações. Acabado por se evidenciar na turma, escola, região ou mesmo País. À boa maneira portuguesa, tive colegas que chumbaram repetidamente de ano, na universidade, "esqueciam-se" de ir às aulas, mas não se esqueciam de meter o papel para o abono da família e de continuadamente concorrer para a bolsa de estudos. E por incrível que pareça, deslocavam-se para a escola de BMW e de Audi. Em alguns casos com preços superiores a um T-2 em Telheiras. E mais uma vez, não há mecanismos / instrumentos de controlo que de forma eficiente cruzem este tipo de informação.
Ainda que possa parecer um afirmação ingénua e descabida, entendo que quem se diz bolseiro e não se enquadra em nenhuma das situações acima descritas, deve abrir mão desse dinheiro mal atribuído e que poderá ser necessário a uma outra qualquer causa social. Chama-se a isso ser vertical. Honesto. Características que hoje em dia já não existem. E que cada vez mais caem em desuso. Ou são "esquecidas". Propositadamente.
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