Estive a ver há pouco uma reportagem sobre a apanha da conquilha em Portugal. E creio que o mesmo se poderia aplicar aos demais bivalves (e.g.: ameijoas, lapas).
Há muitos anos atrás aprendi que estes "bichos" que regra geral se encontram na areia da praia, estuários ou maciços rochosos, têm a capacidade de ser letais. Como? Simples. O efeito de determinadas toxinas, quando ingeridas pelos mesmos, é ampliado exponencialmente. Por outras palavras, a ingestão de uma quantidade "micro" de uma toxina, por estes bichos, passa a "macro" quando ingerida pelos humanos. E há casos letais.
No caso de Portugal, há outros factores que concorrem para uma fiscalização intensa por parte das autoridades. Em primeiro lugar, a ilegalidade da actividade. Em segundo lugar, o tal efeito potenciado da toxina. Em terceiro e último lugar, a questão da congelação destes bivalves, que após descongelação, são vendidos como "frescos", o que nem sempre é verdade, como se sabe.
Reconheço que há muitas famílias portuguesas que dependem deste meio de subsistência. Mas também é certo que tenho a perfeita noção do perigo para a saúde pública que é a ingestão destes bivalves. Donde, e curiosamente, revejo legitimidade nas acções levadas a cabo por parte das autoridades competentes. Por outro lado, há também a questão da segurança das embarcações, nem sempre preparadas para transportar redes de arrasto com pêsos significativamente superiores do que seria o aceitável para o tipo de embarcação. Que como se imagina, nem sempre tem todos os mecanismos de segurança expectáveis.
Donde, existem razões mais que suficientes para que não seja permita a apanha destes "bichos".
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