quinta-feira, março 31, 2011

Apanha da conquilha

Estive a ver há pouco uma reportagem sobre a apanha da conquilha em Portugal. E creio que o mesmo se poderia aplicar aos demais bivalves (e.g.: ameijoas, lapas).

Há muitos anos atrás aprendi que estes "bichos" que regra geral se encontram na areia da praia, estuários ou maciços rochosos, têm a capacidade de ser letais. Como? Simples. O efeito de determinadas toxinas, quando ingeridas pelos mesmos, é ampliado exponencialmente. Por outras palavras, a ingestão de uma quantidade "micro" de uma toxina, por estes bichos, passa a "macro" quando ingerida pelos humanos. E há casos letais.

No caso de Portugal, há outros factores que concorrem para uma fiscalização intensa por parte das autoridades. Em primeiro lugar, a ilegalidade da actividade. Em segundo lugar, o tal efeito potenciado da toxina. Em terceiro e último lugar, a questão da congelação destes bivalves, que após descongelação, são vendidos como "frescos", o que nem sempre é verdade, como se sabe.

Reconheço que há muitas famílias portuguesas que dependem deste meio de subsistência. Mas também é certo que tenho a perfeita noção do perigo para a saúde pública que é a ingestão destes bivalves. Donde, e curiosamente, revejo legitimidade nas acções levadas a cabo por parte das autoridades competentes. Por outro lado, há também a questão da segurança das embarcações, nem sempre preparadas para transportar redes de arrasto com pêsos significativamente superiores do que seria o aceitável para o tipo de embarcação. Que como se imagina, nem sempre tem todos os mecanismos de segurança expectáveis.

Donde, existem razões mais que suficientes para que não seja permita a apanha destes "bichos".

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quarta-feira, março 30, 2011

Calorias

Feliz ou infelizmente, sou das pessoas que acredita e aposta fortemente na ingestão das calorias contidas nos alimentos. Sigo fielmente o princípio "Quem não é bom para comer, não é bom para trabalhar" para o bom e para o mau. Assim sendo, e não raro, tenho refeições calóricas com 4 algarismos significativos.

Não me sinto minimamente preocupado com esta realidade. Lamento informar aqueles que zelam pelo meu bem-estar. Não me parece que nos próximos tempos vá deixar de comer o que gosto, ou nas quantidades que gosto (próximo do alarve). Acho óptimo que os/as demais entendam fazer dietas vegetarianas para mostrarem silhuetas esbeltas daqui por uns meses na praia. Já eu não sou assim. E não me parece que o venha a ser. Eu adoro comer. E por azar, gosto de comer tudo o que faz mal.

Em termos calóricos, os alimentos "sugar free" ou "fat free" não têm piada alguma. Não sabem a nada. Ou por outra, sabem a remédio, ou a cortiça. Será o caso da "Coca-Cola diet" ou das "bolachas de soja". Aliás, neste último caso acho que existem "cascas" de oliveira mais saborosas...

Resumindo e concluindo...se podia ter em linha de conta que as calorias em excesso fazem mal? Poder podia..mas não era  a mesma coisa.

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terça-feira, março 29, 2011

Troca de acusações

Com o início da campanha eleitoral para as próximas legislativas, e destituído que foi o Governo, começa a "dança-das-cadeiras" ajudada pela troca de acusações ou galhardetes entre o ex-Governo e a Oposição.

Não é disto que Portugal precisa. Não é de uma troca de acusações estéril que irão surgir as soluções que façam com que o País saia do marasmo em que se encontra. Não é da "lavagem-da-roupa-suja-na-praça-pública" que a situação melhorará. Muito pelo contrário. É tempo perdido. E que não leva a lado algum.

Era importante que o tempo perdido na troca de acusações fosse canalizado no sentido de encontrar soluções para os problemas reais que existem. Como me dizia um Director com quem trabalhei há alguns anos: "Engenheiro, não me traga problemas. Traga-me soluções". É disto que Portugal precisa. De soluções. Do debate construtivo. Edificado. Sustentado na procura de soluções. E não da contínua discussão acusatória que não leva a lado algum.

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segunda-feira, março 28, 2011

Falta de jeito

Não me considero um "embaixador-da-falta-de-jeito", mas reconheço que nem sempre tenho um "jeitaço" daqueles para reparar ou resolver alguma situação que me é colocada. Em grande parte devido à falta de paciência que me caracteriza. Que é inimiga da perfeição, como de resto se percebe.

É óbvio que aquilo que é facilmente visível. Há muitos anos atrás, por altura de um curso que tirei, uma peça metálica que deveria no final ter uns 10 cm de comprimento e 1,5 cm de espessura, no final, a minha tinha 4 cm de comprimento e 0,9 cm de espessura. Por aqui se vê o quão "dotado sou para este tipo de trabalho.  Rapidamente realizei que o meu futuro não passava pelos trabalhos manuais. Já cheguei a ir trocar móveis que montei, porque os "parafusos-lascam-sempre-a-madeira". Até poderia ser normal num simples caso. Não em 3 casos seguidos...

Por outro lado, a minha falta de jeito manual é compensada pelo meu gosto em saber fazer as coisas. É caso para dizer que gosto de ver fazer e mais ainda, gosto de ver fazer o que eu sei como se faz. Não tenho é jeito para a coisa!

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domingo, março 27, 2011

Re-eleição

Muito se fala em re-eleições. No espectro político, a palavra "re-eleição" tem o condão de me deixar algo inquieto e muitíssimo preocupado. Afinal, passa por ser mais do mesmo. Se bem que nem toda a gente perceba isso com facilidade.

Tem havido várias re-eleições, e nem por isso me agradam. No último evento eleitoral, como aqui comentei, nem sequer me foi permito votar. Por razões que expliquei por essa altura, o meu direito à contestação ou indignação, foi-me vetado. Por incúria de quem deveria ter garantido um evento estável e simples. A ver vamos se nas próximas do dia 05 de Junho de 2011 me é conferida essa possibilidade. Em aditamento, estou ansioso para que chegue a minha casa a tal carta que se fala, e que será o "garante" de que tudo me será explicado para que possa votar tranquilamente neste próximo acto eleitoral.

Há as re-eleições alicerçadas ou baseadas num percurso harmonioso, estável e que per se justifica um novo voto de confiança. São vários os exemplos, mas tenho para mim que deve ser re-eleito quem mostra trabalho. Quem tem um histórico que o/a precede e que fala por si. Em quem se sabe e é reconhecida "obra feita". E por último em que se pode confiar.

A questão que se coloca é que nos últimos tempos a palavra "re-eleição" assume outro tipo de significância. Um sentido mais lato e não tanto, como seria desejável, o sentido "estrito". Resumidamente, tem sido verificada uma tendência de voto que aponta no sentido de apostar em soluções que nem sempre são as melhores. E assim sendo porquê a aposta? Simples. Pela não existência de uma alternativa credível e com a tal "obra feita". É aqui que reside a grande diferença e está presente a justificação para alguns dos últimos resultados eleitorais.

É cada vez menor a probabilidade de se votar no "escuro". Ou seja, de apostar em alguém que não se conhece. Actualmente há muitos "idealistas". Parece-me a mim, que neste momento presente, urge uma acção reactiva, forte e no sentido de sair do "atolanço" em que Portugal se encontra. Em linguagem do todo-o-terreno, é altura de ligar as "redutoras" (dá mais força ao carro e aumenta a tracção) e calcar suavemente o acelerador, para não estragar ainda mais o trabalho. E sair. Talvez Portugal não tenha ainda encontrado o botão para ligar as redutoras...

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sábado, março 26, 2011

Bitoque

O tema que hoje me proponho reflectir é do conhecimento de qualquer bom (boa) português (esa). O bitoque.

Há três tipos de bitoque: carne de vaca, carne de porco e sola de sapato. Em cada 10 bitoques de vaca que peço (gosto mais de carne de vaca), 6 saem-me com a sola do sapato. O que não deixa de ser interessante. Nota: Talvez por isso o meu dentista me receba sempre com um forte e caloroso abraço, tal não é o número de visitas que lhe faço por ano. Às vezes ponho-me no lugar dele e naturalmente também ficaria contente. No espaço de 2 meses trocou de carro e actualmente anda com os poucos cabelos que tem ao vento num Mercedes descapotável. Ah..também já me mostrou um Ferrari. Tive de controlar o sentimento de revolta a apoderar-se de mim e ainda consegui esboçar um sorriso francamente amarelo, desejando-lhe boas e "rápidas" voltas no seu "cavallino rampante".

O bitoque em si é um prato de fácil confecção (para quem domina a arte de saber fazer arroz, que não é o meu caso, como já aqui confidenciei). Qualquer tasco ali do Rossio consegue confeccionar um bitoque em menos de nada. Basta para isso um bife (logicamente), o arroz branco, uma mão cheia de batatas fritos "palito" e um ovo estrelado. Parece simples? Não é. O tempero do bife, o tempo de cozedura do arroz e o óleo usado nas batatas podem fazer toda a diferença. Se o bife é grelhado. Se é frito em óleo ou em banha, também faz toda a diferença. Se o ovo estrelado está demasiado frito....Tudo isto são factores que podem contribuir para um bitoque melhor. Ou pior.

Da próxima vez que pedirem um bitoque pensem nisto.

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sexta-feira, março 25, 2011

Anjo da guarda

Sei que tenho um anjo da guarda. Não sei se as outras pessoas também têm, mas sei que tenho um.

O meu anjo da guarda não tem muito trabalho. Na medida em que me porto exemplarmente, e não ando por aí a brincar com a sorte. A testar a presença ou ausência da mesma, se preferirem. Contudo, já foi necessária a sua intervenção. E sei que cumpriu zelosamente a sua função e honrou as responsabilidades que lhe foram atribuídas.

O anjo da guarda conhece-me bem e tenho a certeza absoluta que tem uma rede de influências que usa (e abusa) para me proteger. E em algumas vezes certamente que foi solicitada uma intervenção "ainda mais" superior.

Obrigado meu Anjo da guarda.

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quinta-feira, março 24, 2011

Maus caminhos

Já aqui referi antes que entendo que há sempre dois caminhos que podem ser seguidos: o bom e o mau. Pense-se num cruzamento. Para um lado o "bom caminho", para o outro lado e logicamente o "mau caminho".

Um bom exemplo de mau caminho (passo o pleonasmo) será a opção de vida "fácil" seguida por muita gente, e que passa pelo completo alheamento da realidade por via do consumo de drogas. O que não raro tem início numa inocente brincadeira e tentativa suspeita de afirmação pessoal num grupo, acaba frequentemente por ser a justificação do vício e solução para os problemas individuais. Pretensamente, claro.

Muitos outros exemplos podiam (e podem ser) aqui abordados. Pertenço a uma geração em que o acesso facilitado a determinadas "soluções" e a não condenação sumária de alguns comportamentos sociais, me sugere de imediato a opção do tal mau caminho. Nunca pactuei, não pactuo e muito menos me vejo a aceitar ou partilhar um sentimento de pena ou comiseração por alguém que voluntária e conscientemente opta pelo mau caminho. Como sempre, há o tal "cruzamento". E a opção do bom caminho.

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Outdoors

Em primeiro lugar, este é mais um daqueles temas que me agrada enormemente. Em segundo lugar, deixo aqui uma palavra de apreço e um forte e caloroso abraço aos meus amigos criativos das agências publicitárias de casas como a  "Triumph" e "Intimissimi". Em terceiro e último lugar, um expressivo e afável cumprimento para a extensa e profissional lista de reboques e agentes oficinais espalhados (as) por esse País fora. Estão segura e intimamente ligadas às agências publicitárias.

Gosto dos outdoors dos carros e de lingerie. Pela fotografia cuidada e pela mensagem que se pretende passar. E passa. Penso para mim quantas horas terão os criativos perdido a chegar aquela mensagem final. Não acredito que tenha sido em minutos. As mensagens são cuidadosamente preparadas. São dias e dias árduos, para que se consiga afinar as mesmas. O tamanho da letra, as côres, as fotografias que acompanham as mensagens..e tudo isto pensado para que tenha também lugar a passagem de mensagens subliminares. Ou seja, não são directamente percebidas...mas são inferidas.

Passo frequentemente pelo edifício da Triumph ali à chegada de Lisboa. Tem um dos outdoors maiores que conheço, dedicado à lingerie feminina desta marca. É curioso constatar que quase todos os paineis publicitários de lingerie se destinam ao sexo feminino. O que me leva a crer que estas grandes marcas não desenvolvem nada para o sexo forte, com a convicção que aquilo que há de roupa interior de algodão no Continente serve para o gasto. Em todo o caso, e não dedicando muito tempo a pensar nesta minha dúvida existencial, congratulo-me por ter a oportunidade de "lavar a vista" com as modelos que são criteriosa e habilmente escolhidas como figurantes.

Como não há bela sem senão, importa também referir que o "casamento" do avanço tecnológico da fotografia e da informática avançada são lógica e expectavelmente "apadrinhados" pelas agências publicitárias. Ou seja, há "milagres" nas fotografias...e que contrariam o fenómeno do avançar da idade de algumas modelos. E da gravidade, claro. Não sei como é possível que estas marcas imaginem que os homens não tenham ainda percebido que há lingerie que faz milagres. Em mulheres de 93 anos...

Tudo isto na prerrogativa de tentativa de ilusão e aludindo para um conceito de mulher ideal. Podem tentar (ou mesmo) enganar muita gente. Não a mim.

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terça-feira, março 22, 2011

O princípio do fim

Já não era sem tempo. Aproxima-se vertiginosamente (provocado e mais que certo) final do actual Executivo. Perdoem-me os mais cépticos relativamente à mudança, mas este será, sem dúvida alguma, o momento certo, apropriado para a mudança de quem manda no País. Não digo em momento algum que vai ser a solução para os problemas. Mas pode ser parte da mesma.

"Ah, mas assim junta-se à crise económica uma crise política", advogam algumas vozes dissonantes. Quando oiço esta argumentação fraca e insustentada, apetece-me bater com a cabeça numa quina viva. Penso para comigo que "cego é aquele que não quer ver". Certamente, e segundo essa linha de pensamento genial, o País devia chegar a um estado debilitado e francamente pior do que aquele em que já se encontra para que se pensasse na substituição do Governo.

Imagine-se um clube de futebol qualquer, desses que não têm muito dinheiro e deambulam intermitentemente numa qualquer 2ª ou 3ª divisão. Pensemos num dos jogadores desse clube. Tem uma prestação média / fraca e é conhecido por resolver as coisas à sua maneira. Murros e cabeçadas. Marcou um golo em 24 jogos, já depois de ter passado o tempo de prolongamento, e porque o guarda-redes da equipa adversária pensou já ter terminado o jogo. O treinador deste clube, frequentemente depara-se com inevitável e incontornável dilema de ter de colocar este jogador em jogo, por via de todos os outros jogadores não serem suficientemente conhecidos, e como tal, não sabe das suas qualidades / potencialidades. E sem pêso na consciência fá-lo. Prefere que jogue o tal brigão, que já conhece. E em todos os jogos tem problemas disciplinares com o tal jogador.

Portugal é o tal clube de futebol. Os portugueses o treinador. O actual Primeiro Ministro (PM) é o tal jogador. Importa que pensemos em "contratar" novos jogadores ou apostar noutros jogadores que normalmente não vão a jogo. Pelo facto deste jogador ter uma taxa de êxito próxima de zero, reforça a ideia da necessidade de apostar em alternativas que existem no plantel, minimizando desta forma uma despesa "nova", reflectida na contratação de um jogador externo e que em nada ajuda as contas do clube. Se há "esperanças" que normalmente não são seleccionadas...importa colocá-las mais vezes a jogo. Avaliar as atribuições, os pontos fortes e os pontos fracos. Trabalhar e encetar esforços no sentido de que a prestação do jogador vá ao encontro das necessidades do clube. E não colocar em jogo este jogador. É importante que o mesmo saia. E vá jogar para outro lado qualquer.

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segunda-feira, março 21, 2011

Mente aberta

A questão da menta aberta tem muito que se lhe diga. Na minha humilde e muito particular opinão, ter a chamada "mente aberta" baseia-se em ser ou não ser alguém "cool", nos dias que correm.

O que é isto de ter a mente aberta? São coisas simples, meus amigos e amigas. É sair à noite até às 0700H ou 0800H da matina, vomitar o carro do(a) melhor amigo(a) e no dia seguinte, com uma palmadinha nas costas pedir desculpas pelo episódio infeliz. Achar piada à troca de casais (swing) e deixar mesmo que esta temática seja debatida no seio do casal. É entender que a traição (consumada e consentida) pode funcionar como um "teaser" do casal. Achar piada à filha de 14 anos que sai com as amigas e amigos com uma mini saia menor que um cinto largo. Ou por exemplo dar um telémovel a um adolescente com 12 anos (eu tive o meu aos 19 ou 20 anos e nunca me raptaram), entre outras coisas.

Naturalmente que alguns dos casos que refiro acima são extremados. Mas reflectem facilmente algumas das situações (não todas) que me chegam a conhecimento. Está tudo doido. Em qualquer um dos casos é necessário que se perca tempo a pensar nestas coisas. E a interiorizá-las. Como já aqui deixei claro, em textos anteriores, são situações que me custam a admitir, e que dificilmente entenderei ou aceitarei.

Talvez viva num mundo muito meu. Talvez não tenha a mente suficientemente aberta. Mas continuarei a viver assim. Bem comigo mesmo.

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domingo, março 20, 2011

A guerra da Líbia

Têm-se assistido nas últimas semanas a manifestações e convulsões sociais em nações conotadas com regimes totalitaristas ou ditatoriais. O mais recente está neste momento a ter lugar na Líbia.

Dizia uma Professora universitária minha há uns anos, que as guerras não têm só coisas más. Por incrível que possa parecer podem (e são) verdadeiros teasers das economias nacionais das potências beligerantes envolvidas. Resumidamente, há uma indústria que se desenvolve durante o período de guerra, são criados postos de trabalho e claro, há um reflexo de todo este dinamismo na economia.

O que acontece, na minha opinião, e neste caso em concreto, é que existe uma desproporcionalidade clara de forças. Senão vejamos: temos a NATO de um lado, o que significa uma ofensiva conjunta, coordenada e perpetrada pelos Aliados (EUA, França, Reino Unido, Itália e Espanha). Do outro lado temos a Líbia, que recentemente abriu um (!!?) qualquer paiol de armas e anunciou a distribuição gratuita de morteiros pelos civis que queiram lutar pela nação. Ou morrer pela nação, se preferirem. Cessa aqui a minha análise acerca deste teatro bélico. Não há muito mais a acrescentar. Para quem não conseguiu ainda perceber o alcance do que digo acima, imagine-se todas as forças armadas de Portugal (Marinha, Força Aérea, Exército) cercarem o Casal Ventoso. Com o armamento mais poderoso que possam imaginar. É um pouco o que está a acontecer na Líbia.

Em qualquer teatro de guerra há sempre a lamentar as baixas civis. Na gíria militar denominam-se de "danos colaterais". É certo que são de lamentar, na medida em que são inocentes que são apanhados em fogo cruzado entre duas forças. Por outro lado, os números avançados pela Líbia não coincidem com os números avançados pelas tropas aliadas. Ou seja, tipicamente (e com o claro objectivo de culpabilizar o oponente), quem está a sofrer importantes perdas - alvos militares estratégicos - avança com o número de vidas civis perdidas. Nunca percebi bem o que se pretende. Certamente não será "amolecer" o adversário!!

O Coronel Kadafi está a ver mal este filme. E a brincar. Talvez demais. Por um lado, num dia um porta-voz afecto ao regime anuncia o cessar-fogo imediato em determinadas localidades. Por outro lado, no dia a seguir percebe-se a continuada ofensiva armada "pró-regime" noutras zonas desta nação. É brincar com o fogo.

Ainda que exista uma clara desproporcionalidade de forças aliados vs forças afectas ao regime, parece-me que há uma clara e indiscutível inflexibilidade por parte do Coronel, alicerçada pela também inapelabilidade ao Diálogo. Assim sendo, justifica-se uma acção armada forte e intensificada e com o intuito de fazer "cair por terra" este ditador. De uma vez por todas.

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sábado, março 19, 2011

Rascunhos

Muito antes de formar-me em Ambiente já existia em mim a preocupação relacionada com esta matéria. Incutida desde tenra idade pelos meus pais e preocupados com a verba avultada dispendida em cadernos escolares por mim totalmente inutilizados com as folhas diagonalmente riscadas.

É claro que esta interiorização não foi por mim imediata. Demorou o seu tempo. Anos, diria mesmo. Foi necessária a "ajuda" com algumas colheres de pau e algumas composições obrigatoriamente redigidas em convidativas tardes de Verão quentes e soalheiras. Isto enquanto os amigalhaços iam para a praia "lavar a vista" com as bonecas e o vosso escriba ficava retido em casa de castigo.

Se por um lado apoderava-se de mim o "velho" e habitual sentimento da incompreensão e revolta, por outro lado, e volvidas algumas décadas percebo que canalizei estes períodos de castigo para a leitura e aperfeiçoamento da escrita. Enquanto os amigalhaços discutiam o tamanho reduzido do bikini de alguma moça da toalha ao lado, eu lia um qualquer conto infantil da Sofia de Meoo Breyner. E posteriormente tinha de fazer um resumo. Resultado...desenvolvi substancialmente a capacidade de escrita e gosto pela leitura. Inicialmente contrariado e mais tarde por gosto.

Nos resumos que menciono acima, eram por mim aproveitadas as tais folhas dos cadernos inutilizadas para rascunhos. Colocava inicialmente e por escrito todas as minhas ideias. Fazia os gatafunhos todos. Irritava-me e riscava até fazer buracos nas folhas irritado por vezes com a minha burrice. Depois, mais sereno, escrevia tudo com a minha melhor letra e entregava um documento lindo, com a minha melhor caligrafia, à minha mãe e para sua apreciação e avaliação (Nota: a minha mãe é professora primária aposentada), como salvo-conduto para ir beber uma groselha depois do jantar.

Mais tarde, e de há alguns anos a esta parte, tive oportunidade de experimentar o ensino britânico. A dado momento, fiquei confuso, porque nos exames não é permitido usar lápis (embora eu o usasse para posteriormente passar tudo a limpo com esferográfica). Fiquei desolado porque passei a entregar provas rasuradas e sem a possibilidade de passar o que quer que fosse a limpo. Já se adivinha que simples facto foi colidir com o meu perfeccionismo de sempre. Mas ainda assim consegui passar a fazê-lo e ultrapassar este handicap.

Nos dias que correm tento "evangelizar" quem conheço a usar ao máximo folhas de rascunho. Fazer blocos de notas com folhas de impressão inutilizados, usando as costas como rascunho. Já usei muitos blocos. E continuarei a fazê-lo.

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sexta-feira, março 18, 2011

Alta fidelidade nos carros

Interesso-me desde há muitos anos pelo fenómeno de preparação de automóveis. Quer ao nível estético externo, como ao nível interno e passando pela preparação de motor. Não ao nível de competição, na medida em que é muitíssimo complexo, mas a um nível amador. Resumidamente, justifica-se pelo facto de partilhar com outras pessoas o gosto pelo mundo automóvel.

Como em tudo, é necessário que esteja sempre presente o bom senso e discernimento neste tipo de coisas. Mas o que é bom gosto para mim, pode não ser para outra pessoa. Mas ainda assim, não consigo perceber entendo até hoje como pode alguém ter num carro um sistema de som (alta fidelidade) mais caro do que aquele que possa (eventualmente) ter em casa. Mais, sabendo de antemão que o usa...3/4 vezes ao ano. O resto do tempo não usufrui de 20% das potencialidades.

Oiço frequentemente o argumento de que é algo que possibilita ouvir som com mais qualidade. E confesso que nesse momento sou levado a acreditar que estou perante verdadeiros melómanos. Que conseguem perceber em qualquer música os detalhes que facilmente passariam despercebidos ao comum dos mortais - grupo no qual me incluo.

Não raro, dou comigo confuso. Qual o interesse de ouvir Roberto Leal com um som cristalino ou fazer sobressair o grave da voz do Leandro? Ou do Leonardo? Ou ainda uma qualquer kizombada ou malha de um forró. Custa-me a perceber. Mas como sempre, gostos não se discutem e respeito. Acho é que se podia ter um gosto musical mais eclético. A bem da audição destas pessoas e respeito pelas outros. Já que é necessário ouvir a música que amavalmente partilham...que seja boa música.

Em todo o caso, importa que estas mesmas pessoas que "investem" nos estúdios que conduzem pelas estradas portuguesas entendam que a surdez, como aqui já tenho dito, encabeça o "top 5" dos doenças "silenciosas". Assumo o contrasenso, mas julgo que se entende. O mal provocado pela audição de música muito alto, não é imediato. Ocorre, e de forma irreversível, passado alguns anos. Sem que até lá se dê conta. Daí o ser "silenciosa".

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quinta-feira, março 17, 2011

Camarotes

As grandes empresas, quer nacionais, quer multinacionais têm camarotes nos estádios da bola. Não é em todos, claro. Não me parece que interesse pagar um camarote no Sacavenense (nem campo deve ter). Interessa ter nos estádios "dos 3 grandes". E quem não sabia disto, passa a saber. Descobri isto há meia dúzia de anos. Acho uma óptima ideia, de resto. Acabar um dia árduo de trabalho, em que se movimentaram (ou que se espera vir a movimentar) uns milhões de euros...ir ver a bola ao estádio. No camarote. Com os amigalhaços de sempre. Ou convidados. Cai sempre bem.

Esta coisa dos camarotes não é para quem quer. O camarote num estádio, segundo sei, é para os ricos. Os valores pedidos por um são obscenos. E resumidamente, destinam-se para para os convidados dos ricos. Porque estes não vão ao estádio ver a bola. Por outro lado, não "há cá" encontrões ou a necessidade de mostrar o cartão ao "portas". O acesso aos camarotes é diferenciado e afastado do acesso dos pobres. Até o assistir ao jogo é diferente (e até facilitado para quem tem a vista curta - há televisores no camarote), além de que ouvi dizer que há sempre meninas a chatear com aperititivos e drinks vários. Uma treta, portanto. E garanto que não devem ter buço...

Nota: É pena que o sistema (leia-se Estado) não tenha (ou não queira ter, ou ainda não tenha interesse em ter) as ferramentas fiscais que permitam o cruzamento de informação entre estas empresas e o que pagam de impostos. E talvez não houvesse dinheiro para camarotes. E para outras coisas.

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quarta-feira, março 16, 2011

Planos por água abaixo

Quantos de nós já viram os planos ir por água abaixo? Para quem nunca ouviu esta expressão (e se assim fôr acho viverá em Marte), é o mesmo que dizer que aquilo que foi planeado, por alguma razão, não foi possível cumprir.

Desde o sair com aquela miúda com quem se demoraram 4 longos meses a conseguir um singelo café, passando por um compromisso profissional que teve de ser adiado pelo facto de ter surgido entretanto algo urgente, até à consulta do dentista que foi desmarcada pela recepcionista do "Dôtor" porque o mesmo teve de ir para uma conferência na Austrália e pede para avisar.

Em qualquer um dos casos é suposto a pessoa comer e calar. Ou simplesmente obter esta informação, digeri-la e a vida continua. Aqui o escriba vê as coisas de forma mais complexa. Algo que não correu conforme planeado colide de imediato com o previamente planeado e interiorizado por mim. E regra geral, quando constato que aquilo que planeei e defini para esse dia, semana ou mês não se realizou....não fico contente. Muito pelo contrário. Tento perceber o que correu mal e tento melhorar. Durante esse tempo, entre o tentar perceber e o melhorar....o humor não será dos melhores. Se podia ser de outra forma? Poder podia..não tinha tanta piada.

Mais uma coisa que terei de melhorar. A seu tempo.

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terça-feira, março 15, 2011

Desastre nuclear (Japão, 2011)

Espera-se aquilo que mais é temido neste momento no Japão, relacionado com um desastre nuclear. O alerta de desastre nuclear subiu ontem para um nível 5, numa escala de 7, e as autoridades japonesas não estão a conseguir ter controlo na situação. O tremor de terra, o tsunami e o incidente nuclear figuram como a maior crise japonesa desde a Segunda Grande Guerra, como referiu o Primeiro Ministro japonês, Naoto Kan.

Por definição, a energia nuclear é a energia liberada numa reacção nuclear, ou seja, em processos de transformação de núcleos atómicos. Baseia-se no princípio da equivalência de energia e massa, segundo a qual, durante as reacções nucleares ocorre a transformação de massa em energia. No Japão, um dos principais problemas, senão aquele que mais aflige esta nação no presente momento, assenta no facto dos reactores nucleares não estarem a ser arrefecidos em contínuo. As paredes de contenção dos mesmos, que entre outras atribuições possibilitam o arrefecimento dos núcleos onde tem lugar a fissão nuclear, deixaram de existir. O arrefecimento é neste momento efectuado via aérea (helicópteros) e terrestre (carro dos bombeiros). Em qualquer um dos casos, há o risco de colapso dos reactores e da exposição humana à já existente radioactividade.

A tecnologia nuclear tem como finalidade o aproveitamento da energia nuclear, convertendo o calor emitido na reacção em energia eléctrica, donde, em alguns países constitui uma alternativa válida aos convencionais combustíveis fósseis.

Parece-me que é urgente a re-análise desta alternativa. Pesar (mais uma vez) as vantagens e desvantagens. Tomar como exemplos o que aconteceu em Chernobyl e está a acontecer neste momento no Japão, desconhecendo-se para já o desfecho. Importa estudar estes eventos com detalhe e aferir o que falhou. E preventivamente dotar estes sistemas de mecanismos de segurança que evitem a recorrência deste tipo de episódios.

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segunda-feira, março 14, 2011

Novas medidas de austeridade

Ainda nem há um ano foram apresentadas as medidas da austeridade e um novo pacote de medidas já está na calha. Talvez as medidas do outro pacote não tivessem sido suficientemente penalizadoras. Ou talvez as mesmas não tivessem induzido uma significativa e dolorosa perda de qualidade de vida nos portugueses...
Já aqui tenho reflectido bastante sobre a crise económica. Esta via que está a ser seguida pelo Governo, na minha opinião, não será a correcta para nos fazer sair deste marasmo. Também é certo que não valerá a pena estar perpetuamente a chorar acerca da actual situação. Importa encontrar soluções que sejam eficazes e concedam aos portugueses a esperança de encontrar uma saída.

Choca-me um bastante que aqueles que trabalharam uma vida inteira (e descontaram em conformidade), vejam neste momento a sua pensão diminuída. Em paralelo, choca-me que o projecto do TGV e do novo aeroporto continuem a ser equacionados. Não faz sentido. É por estas e por outras que a Alemanha tem tantas reticências relativamente à economia portuguesa. É por esta e por outras que o nosso Primeiro Ministro e o seu Ministro das Finanças tiveram de ir de urgência explicar o que pretendem fazer e como o vão fazer. E aqui têm lugar alguns fenómenos interessantes: o facto de ser uma viagem / reunião surpresa - quer para os principais partidos da Oposição, quer para alguns elementos do próprio partido do Governo - não se percebe. E ainda, o ir à Alemanha elencar uma série de medidas eficazes, que se pretendem adoptar para fazer face à realidade actual, mas.....desadaptada do contexto nacional. Ou seja, medidas para "alemã ver". Sem que aqueles que as mostraram, acreditem realmente que as mesmas irão avante. E os sinais disso são as manifestações semanais de protesto.

O objectivo parece-me claro. É querer evitar a entrada do FMI. Só que os portugueses já estão no limite. Já foram pedidos muitos sacrifícios sem que se vislumbre qualquer retorno. Muito embora seja prejudicial um cenário de crise política, não vejo outro resultado, nos próximos dias. A contestação social sobe de tom, e se se reparar, semanalmente há uma manifestação. E cada vez mais representadas. O que não é minimamente bom quando as alternativas que existem não me parecem suficientemente boas para tomar as rédeas de Portugal.

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domingo, março 13, 2011

Dar atenção

Dar atenção é uma daquelas coisas que até parece fácil, mas não o é na realidade. Por outro lado, nem toda a gente percebe bem o que significa o "dar atenção". Ou por outra, nem toda o consegue ou sabe fazer.

Tenho-me deparado com variadíssimas situações ao longo da minha vida, e que passam (ou são resolvidas), na maioria das vezes com o simples...mostrar que se está "ali". Fazer companhia ou dar atenção. Resumidamente, estar presente quando precisam de nós.

Dar atenção sugere sensibilidade. Disponibilidade. Conhecimento. Partilha. E poderia aqui continuar a elencar a complexa, vasta e intrincada lista de aspectos necessários que envolvem este gesto. Afinal bastará pegar no telefone e fazer uma chamada para saber se está tudo bem do outro lado. Do nada. Chama-se a isto surpreender com um mimo ou carinho. É, na minha opinião, um exemplo de como dar atenção.

A actualidade faz com que infelizmente, o dar atenção seja algo presente nos primeiros tempos da relação - "grace period" - findo o qual, surge a dura realidade, marcada pela ausência de alguns dos gestos que refiro acima. Na esmagadora maioria das vezes não é por mal, quero acreditar, mas passa pela má gestão do tempo e consequente atribuição ou prioritização destes pequenos gestos que caem sempre bem.

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sábado, março 12, 2011

O dia seguinte

A frase "O dia seguinte" pode ser aplicada a milhentas situações. Tantas que chego a perder a conta. Desde o dia seguinte a ter concluído o curso superior, o dia seguinte a ir buscar o carro novo ao stand, o dia seguinte a ter chegado mais um elemento a casa, o dia seguinte a ter iniciado / terminado uma relação, o dia seguinte a ter "partido" alguém que nos era querido, entre centenas de outros exemplos.

Há quem não ligue, e há quem quem ligue. Faço parte do grupo de pessoas que liga. Feliz ou infelizmente, entendo que para tudo o que acontece na minha vida há uma explicação. E para tudo há algo associado de bom ou de menos bom. Será com este tipo de escolhas e aprendizagem contínua que crescemos enquanto seres humanos.

Importa no tal dia seguinte avaliar o que aconteceu no dia anterior. E retirar do mesmo, o que de bom aconteceu, ou, por outro lado, perceber o que aconteceu de mal e garantir a sua não recorrência. Nesta óptica, todos os dias que vivo são para mim "dias seguintes". Todos os dias retiro o que de bom há para retirar e avalio o que (eventualmente) poderá ter corrido menos bem no dia anterior. E tento melhorar. Ou corrigir comportamentos menos positivos. É lamentável que nem toda a gente consiga fazer este exercício. Talvez por isso o mundo ande como anda.

Normalmente, o que de errado se fez no dia anterior não é avaliado e/ou corrigido. Dá trabalho. Exige esforço mental. Exige o reconhecimento do erro e a definição de uma acção correctiva. E não acontece. Donde, e logicamente, são continuamente cometidos os mesmos erros.

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sexta-feira, março 11, 2011

O cumprimento

O cumprimento é daquelas coisas que para mim, demonstra o carácter e verticalidade de uma pessoa. Alguém que chega a algum lado e não cumprimenta quem já lá está...meus amigos e amigas, não é bem educado(a). Não há desculpa para tal. Coloco ao mesmo nível da não desculpa para os atrasos.

O que seria de um soldado que não batesse continência a um oficial. Ou o que seria se não cumprimentasse os meus pais sempre que chego de algum lado. Trata-se de uma questão de educação e de respeito. E é tão simples quanto um "Bom dia", "Boa tarde" ou "Boa noite".

Talvez a minha educação nesse sentido tenha sido demasiado exigente e a dos demais (os que falham) não o tenha sido. Será essa uma das possíveis explicações para esta falha.

Não há muito mais para dizer relativamente a este assunto. Quem me conhece sabe o quão "afino" com isto. Talvez seja eu quem está errado. Ou talvez não.

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quinta-feira, março 10, 2011

Quaresma

Por definição é o período de quarenta dias que antecede a ressurreição de Jesus Cristo, comemorada no Domingo de Páscoa.

Tal como no Natal, esta celebração religiosa sempre foi intensamente vivida cá em casa. Aliás, a minha Mãe não deixaria que fosse de outra forma, sendo uma católica fervorosa. Para mim, guardo o detalhe que esta época me sugere. Por exemplo, a missa da Vigília Pascal, que para os católicos significa a mais longa eucaristia de todas. Aliás, por alguma razão começa mais cedo... Também importa referir que não raro aproveito esta celebração para fazer longas e agradáveis "introspecções". De mim e para mim. Interrompidas pelas cotoveladas da minha querida Mãe.

Outra questão curiosa (e dilemática, para algumas pessoas), passa pelo jejum e pela abstinência aconselhado(a) nesta quadra pascal. Devem ser colocados em perspectiva de solidariedade activa e efectiva. A ascese quaresmal torna-se então um exercício adequado para redescobrir o caminho para ser discípulo de Jesus Cristo, porque o Senhor não se conhece senão participando na sua vida, não de fora, mas por dentro. “Quem quiser vir após mim, renuncie a si mesmo, tome a sua cruz e siga-me” (Mt. 16, 24). Confesso que me agrada esta passagem. Fico com todos os pêlos do corpo arrepiados quando a leio. Resumindo, trata-se de um pedido para a alheação de todos os prazeres mundanos (e naturalmente bons), em prol do sacrifício e espírito de abnegação. Em sentido estrito,gosto de imaginar quantas pessoas abdicariam do seu conforto quente e caseiro, para ir para a rua, fria e molhada, pegando numa cruz de madeira e seguir o Senhor....

Por outro lado, o não comer carne e privar-se do "bem bom" nesta altura do ano, também me capta o interesse. Foco-me nesta questão e rapidamente realizo que no milénio passado não seria conhecido um bife da Portugália. Ou talvez ainda não tivessem sido descobertos os "outros" e verdadeiros prazeres da carne. Em alternativa, consigo encontrar assim de repente 47 formas de evidenciar o sacrifício em prol de algo, sem que tenha de abdicar de qualquer um dos dois prazeres que acima refiro.

Não tenho dúvida que haverá alguma boa razão para que esta prática tenha sido perpetuada até aos dias de hoje. E que me escapa. Claramente.

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quarta-feira, março 09, 2011

Demagogia

Demagogia, por definição, é o acto de dizer ou propôr algo que dificilmente será posto em prática. Ou se preferirem, algo que será impossível de pôr em prática.

Facilmente se percebe que a classe política é quem usa e abusa da demagogia. Noutras alturas de crise (não tão agudas como aquela que actualmente se vive), o povo embarcou em argumentos demagógicos habilmente esgrimidos pelos candidatos, quer em eleições legislativas quer em eleições presidenciais.

Como já aqui tive oportunidade de referir neste espaço, lamento que não exista uma autoridade que avalie o que foi proposto na campanha eleitoral e o que efectivamente foi concretizado. "Ah, e tal, mas as coisas mudam ao longo do tempo, o que é hoje não é necessariamente igual daqui a duas semanas". Concordo. Então, na minha opinião, que se tenha isso em consideração aquando das promessas eleitorais. São várias as promessas que foram feitas pelo actual PM, por altura da campanha que conduziu ao seu primeiro mandato. E são poucas as que foram cumpridas. Ou seja, o rácio entre "Prometido / Cumprido" não é satisfatório. Muito pelo contrário. E nesta altura, na medida em que era atestado e confirmado o "não governo" por parte do Executivo, devia o mesmo ser afastado do exercício das funções.

As promessas são (foram) globalmente compradas pelos portugueses. As promessas do primeiro mandato e agora as promessas do segundo. Nota: Acredito que para a  esta última re-eleição tenha contribuído o facto dos adversários não terem uma preparação / bagagem política que fizesse os portugueses vê-los enquanto alternativas. Reside aqui a razão de ser perpetuada a argumentação demagógica e completamente desafasada da realidade. Mas, e infelizmente, é a opção que existe....e como a Nação não pode ficar sem Governo....mais vale o que lá está do que outro novo, e começar tudo de novo.

O actual Governo está muito debilitado. Os escândalos sucessivos envolvendo o PM (e outros Ministros), são o reflexo de má gestão e que faz com que os portugueses esperem ou anseiem cada vez mais que surja o/a "salvador(a)".

Basta de argumentos demagógicos. Basta de esconder a realidade e mascarar os números. Importa que a verdade seja comunicada aos portugueses. Merecemos isso.

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terça-feira, março 08, 2011

Carnaval

Começo por partilhar que não entendo bem qual é a piada do Carnaval. Entendo que até aos 7 anos possa ter alguma piada. Mas até essa idade não há ainda o discernimento do ridículo. A partir dessa idade não encontro razões plausíveis para achar piada ao Carnavel. Trata-se de uma opinião pessoal, claro. Ainda que me tenha mascarado 1 ano de "Homem Aranha", 2 anos de "cowboy" e 2 anos de "Super Homem". Sim, só me comecei a mascarar a partir dos 3 anos....

Para começar, o mascarar-se ou assumir o papel de outrém com uma idade abaixo dos 7 anos não me choca. É a idade em que tudo é permitido e aceitável. Acho piada ver os miúdos mascarados, as fantasias que são compradas e conquanto não andem aos guinchos estridentes, consigo perceber que nestas idades exista algum tipo de expectativa e prazer nesta altura do ano. Afinal, trata-se de um momento de brincadeira e de boa disposição para ser vivido entre crianças.

Já nos adultos, não percebo. Principalmente quando tem lugar uma "personificação" de certas personalidades que não têm puto a ver com a pessoa. Exemplo: Porque será que a Dona Maria do Céu, senhora respeitável, com 67 anos bem vividos, moradora de Tondela compra a máscara do Obama?....Porque é que invariavelmente os homens de barba rija se mascaram de mulheres? E fazem figuras ridículas mostrando os pêlos das pernas e andando desengoçados nos saltos altos das mulheres / namoradas? Não entendo, por muito que me esforce. Aliás, suspeito que em alguns homens, há um desejo recôndito de ser na realidade a figura que se mascara!!! Lembro-me perfeitamente de me sentir invulnerável a ataques de inimigos e de saber que tinha super poderes quando me mascarava de "Homem Aranha" ou de "Super Homem". Mas tinha menos de 7 anos...

A tradição carnavalesca, em Portugal, é típica de 3 zonas do País: Torres Vedras, Loulé e Madeira. O resto é paisagem. Não em tentem convencer do contrário. São tentativas de réplicas destes carnavais. Aliás, o Carnaval está para a Madeira como os Santos Populares estão para Lisboa. E não me admira que em alguns bairros mais típicos da cidade de Lisboa existam dois momentos importantes: o desfile do cortejo carnavalesco e o descer a Avenida da Liberdade por altura de Junho. E há ocupação durante ano inteiro, para preparar estes eventos.

Nota: Não deixa de ser curioso que em qualquer um dos 3 locais que menciono, exista uma significativa presença de brasileiros, ao qual não será alheia a expressiva e não menos importante implantação do "povo irmão" nestas zonas do País. O que de resto nem me parece mau de todo até porque "dão côr" a estas zonas. Afinal, dentro de alguns (vários) anos poderemos ver as mulheres portuguesas mais desinibidas e despidas de pudor. A bem do Carnaval...Tal qual como acontece nesta altura do ano no Brasil...A diferença reside no facto da mulher brasileira "malhar" e preocupar-se com o físico e no Carnaval aprecia mostrar a razão de ser da Natureza ter sido benevolente consigo. Já a congénere portuguesa tem de ter algum decoro e respeito pela sociedade, percebendo por ela mesma que é normal que a fantasia carnavalesca usada há 4 anos não lhe sirva mais. E o que era uma saia pelo joelho parecer um string...

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segunda-feira, março 07, 2011

Necessidade de afirmação

A necessidade de afirmação é algo que nem sempre é necessariamente bom. Por outras palavras, pode acontecer que nessa "fantasia" de alguém se querer afirmar, em grupo, ou perante a sociedade ou alguém, as coisas sejam prejudicias. Ao fim de algum tempo ou no imediato.

Comecei a fumar com 16 anos. Na altura porque achava piada e porque fazia parte de um grupo onde quase toda a gente fumava. Demorei 18 anos a perceber que a fumaça só fazia mal. À saúde, em primeiro lugar, à carteira em segundo lugar e em terceiro e último lugar depois de ter ficado próximo de ter 2 avc´s seguidos quando vi a cinza incandescente dos cigarros furar o tecido dos bancos de dois carros que tive. E sem poder fazer nada. Também contribui o facto de ter aquelas idades caracterizados pela facilidade do influenciável, bem como pelo facto de nessa altura frequentar as obrigatórias discotecas e bares onde 90% das pessoas fumava. Embarquei pois no vício da nicotina.

A bebida, como também já aqui escrevi, é outra daquelas coisas que faz com que o Ricardo, aquele nerd que se costumava sentar lá no final da sala de aula de ciências naturais conseguisse envergonhar o "Zézé-que-fala-bem-o-inglish". A bebida solta a língua e faz cair por terra as inibições ou cerimónias. E este tipo de situação acontece quando estas pessoas são convidadas a acompanhar a malta que tem por hábito sair à noite. E mal ou bem, habituados a beber. O que não acontece com o pobre Ricardo. O problema reside no facto do Ricardo passar poder passar a ver o copo como seu confidente e catalisador ou agente promotor do seu sucesso junto do mulherio. E...bem-vindo ao mundo do alcoolismo.

Há vários exemplos que podiam ser aqui desenvolvidos. Em todo o caso, estes dois, na minha geração, serão os mais comuns. Não considero a droga como algo que reflicta em momento algum a necessidade de afirmação. Reflecte a burrice e pobreza de espírito. Um pouco como o tabaco (faço aqui um acto de contrição).  Na minha geração, e relativamente à droga, houve poucas pessoas que caíram na mesma. Que fizessem ou façam parte do meu círculo de amigos. Talvez por ser um grupo de pessoas que entenderam, durante a adolescência, que a droga era algo errado. Não digo que não houvesse as célebres ganzas ou erva. Mas era pouco e pessoalmente, nunca me "puxou".

A necessidade de afirmação também acontece no reino animal. Quando o meu Paco vai passear e faz 567 vezes xixi em todos os locais estratégicos e onde sente o cheiro de outros quadrúpedes. Quanto mais sítios marcar...melhor. Afirma-se como o "Rei Paco", aquele que consegue numa volta marcar mais sítios que os demais. E todos ficam a saber que o têm de respeitar. Afinal tem uma bexiga enorme. E afirma-se como macho dominante. Marca o território. Porque tem necessidade de se afirmar.

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domingo, março 06, 2011

Team building

Os eventos de team building são algo comummente explorado pelas multinacionais. Quer nos seus países de origem, quer nos locais onde têm representação, possibilitando e promovendo um entruzamento de práticas e costumes entre os vários colaboradores destas empresas. Dizem os advisors em recursos humanos que é notório um aumento da produtivade e empenho dos colaboradores.

Para quem não sabe, team building é algo que por definição (e escolhido pela maior parte das empresas) envolve um final de semana fora do local de trabalho e área de residência. Descontracção, ausência de formalismo e boa disposição são alguns dos vários ingredientes que tornam possível que se passe um final de semana inesquecível na companhia dos colegas de outros departamentos que por vezes nem sequer se sabia que existiam (os colegas, não os departamentos. Aliás, no caso do desconhecimento ser relativo aos departamentos, será aconselhável que o colaborador repense a sua estadia na empresa).

Tipicamente, estes são momentos em que os Administradores se misturam com os seus colaboradores com o propósito de, e em equipa conseguirem atingir um determinado objectivo, que tipicamente surge sob a forma de jogo, proposto pela empresa que dinamiza o evento. Pessoalmente, acho que são momentos únicos e que aproximam sem sombra de dúvida quadros superiores com quadros médios / inferiores e em que são consolidados relacionamentos profissionais e pessoais. Afinal, naquele momento, é preciso que reunam esforços no sentido de obter bons resultados.

Infelizmente, nem sempre as empresas portuguesas estão interessadas neste tipo de promoção. Ou porque entendem que não deve haver misturas entre quadros, ou porque entendem que se trata de um desperdício de dinheiro (é necessário pagar as contas de centenas de colaboradores de alojamento, alimentação, etc.).

Aqui está um bom exemplo que pode e deve ser seguido pelas demais empresas. É importante que as Gestões de Topo se envolva com os quadros inferiores. Se dêem a conhecer. Que haja proximidade..havendo respeito. Que haja profissionalismo...havendo recompensa e promoção deste tipo de eventos. Assim haja coragem por parte de quem manda. E pode.

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sábado, março 05, 2011

"Quando a cabeça não tem juízo....

...o corpo é que paga", já apregoava o António Variações no refrão de uma das suas canções mais ouvidas. E lá sabia o cantor o que dizia. Trata-se de uma verdade incontornável. A quase totalidade das maleitas que sucedem às pessoas, na actualidade, são directa ou indirectamente acção do Homem. E na minha opinião, se têm acção humana....é porque em algum momento alguém as pensou e amadureceu. Embora possa não ter pensado em algumas consequências. O que facilmente se vem a constatar. Por vezes tarde demais.

A droga. O alcóol. O excesso de velocidade. As brincadeiras com explosivos / produtos inflamáveis, as armas de fogo, os venenos deixados ao alcance de crianças, as crianças sem adultos por perto em piscinas / praias não vigiadas, entre variadíssimos outros exemplos que aqui podiam ser dados. No extremo, podem ter maus desfechos. E têm, não raro.

Tenho pensado que nem sempre valorizamos o corpo que temos. Pode parecer idiota, o pensamento, mas não nos ocorre viver sem uma perna ou sem um braço. Porquê? Porque os temos e bons. Não nos ocorre viver sem os dois olhos ou sem conseguir comunicar. Porquê? Porque conseguimos ver e conseguimos comunicar com outras pessoas. Contudo, todos os dias praticamos comportamentos de risco. Todos os dias brincamos com a sorte..até ao dia. E no final...é o corpo que paga a factura....que não haja qualquer dúvida.

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sexta-feira, março 04, 2011

Incompreensão

Este é um daqueles temas que dava para escrever uma tese. E é um dos temas que toda a gente sente, sabe que existe, toda a gente já vivenciou (ou vivencia), e em alguns casos pouco há a fazer para que haja esperança no sentido de mudar essa realidade.

São cada vez mais os casos de incompreensão que tenho conhecimento. Acontece nos mais variados domínios, quer seja profissional, afectivo ou familiar. Por vezes parece-me claramente incompreensão, noutros casos parece-me que há algum "empolamento" / dramatização de determinada situação, e noutros casos nem sequer concordo com a atribuição da palavra "incompreensão" em si.

No meu caso, já fui variadíssimas vezes alvo de incompreensão. E não é nada bom sentir-se incompreendido ou injustiçado. Atenção...não se trata de carpir mágoas ou estar a dizer mal do mundo. Não sou nem nunca fui pessoa desse tipo. Trata-se de identificar momentos e/ou situações em que pelo facto da mensagem não ter passado correctamente entendida ou nem sequer ter chegado ao outro lado...ou ainda por não ter sido dado a oportunidade de explicar...há lugar à incompreensão. E meus amigos e amigas..é triste.

Não há um conselho que possa ser dado nestes casos. O melhor mesmo, é garantir que se evita completamente esta realidade da incompreensão.

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quinta-feira, março 03, 2011

Timidez

Creio que padeço do mesmo mal de muito boa gente. Ainda que me considere uma pessoa extrovertida, com quem é fácil falar e com quem se estabelece facilmente empatia, tenho a informar que sou tímido. No início dos conhecimentos, como é óbvio.

Findo que é o "quebra gelo" e ganho confiança....as coisas mudam muito. Não me calo. Não quero com isto dizer que seja uma "matraca". Mas gosto (e na generalidade das vezes consigo) falar sobre tudo. Alguém que fale sobre tudo é alguém que consegue falar horas. Ininterruptamente. E pode ter imensos defeitos...sendo que a timidez não será um deles.

Ser tímido (a) hoje em dia, é estar "out" do filme. É não fazer por passar a mensagem. Ou passar a mensagem do que pensa e do que sente. É certo que não se espera que alguém que se acabou de conhecer seja extrovertida..mas espera-se que num tempo considerado razoável se comece a soltar.

Após o tal período considerado razoável, solto-me. O que acontece, por vezes, aquando dessa "soltura", os assuntos em discussão não me dizem absolutamente nada. Ou bem que são assuntos da actualidade, e onde posso dar a minha opinião, ou se o assunto "delas" são os filhos e colégios, e "deles" é o facto do Mourinho ser o melhor treinador do mundo e o jogo da PS3 "crackado"....desisto e vou ver um bocado do canal História. Não considero que seja ser anti-social.

Não tenho~de fazer conversa. Ou fazer "corpo presente" em grupos nos quais são discutidos assuntos que me dizem zero. E garanto que já me aconteceu várias vezes. Donde, e na medida em que não falo, a avaliação de tímido imediata. Quando a realidade é precisamente outra. E aceito pacificamente a classificação de "falso tímido".

Não gosto de pessoas tímidas. As verdadeiras tímidas. E não gosto porque são as tais pessoas que se preferem manter no seu canto. Que não falam, que não tomam partidos..que não debatem. Estarem ali ou não estar..é a mesmíssima coisa. E isso faz-me confusão. Bastante.

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quarta-feira, março 02, 2011

Testes psicotécnicos

Uma das melhores invenções do Homem. Tenho para mim que todas as pessoas deviam fazer testes psicotécnicos, em algum momento da sua vida, e perceber o significado dos resultados. Ou por outro lado, o que querem dizer os seus comentários acerca das manchas de Rorschach. Tornar-se-á claro para os meus seguidores que já fiz variadíssimos testes psicotécnicos.

Realizei várias vezes este tipo de testes. Quer no preparatório (para seleccionar a área curricular seguinte e que me seria mais favorável), quer após terminar o liceu (para aferir o curso superior que devia seguir) e posteriormente, já engenheiro, enquanto testes de admissão para determinados cargos, com funções e responsabilidades específicos (as).

Se nos primeiros dois casos os testes são relativamente "simples" e trabalhados para em menos de nada sugerir ao profissional (psicólogo) a orientação profissional que deverá ser sugerida, já no último caso tenho a informar que devo ter ganho alguns cabelos brancos e sem dúvida alguma aumentei a minha paciência. Explicando resumidamente...

Estes últimos testes são por norma encomendados pelas empresas (empregadores) a estas empresas de recrutamento. Nestas empresas de recrutamento estão os  psicólogos, que andaram 5 anos da sua vida a aprender a fazer testes e a interpretar as respostas aos mesmos. Isto entre várias tunas académicas e bebedeiras tão próprias e normais neste tipo de curso. Ah..onde por sinal, 96% dos estudantes são do sexo feminino....

Os testes são diferentes consoante o cargo a que se destinam. Os testes que já tive oportunidade de fazer são do mais complexo que existe à face da Terra. Necessitei estar muitíssimo concentrado para no mais curto espaço de tempo fazer um brilharete. Daqueles em que no final...preciso de fazer exercícios de relaxamento para serenar o meu interior, dado que nestes testes dou o tudo por tudo de mim. Nada menos que isso.

Desconfio que algumas das minhas interpretações das tão célebres manchas de Rorschach já conduziram à minha eliminação em processos de recrutamento. Sem querer desenvolver muito acerca do tema, posso adiantar que em alguns casos vi o "satã", vi "cães a guardar o satã", "abutres na cabeça de pessoas" e uma "avestruz a fumar um cachimbo". Devo ser a única pessoa do mundo que vê o que as manchas realmente reflectem. Mais ninguém vê, digo eu.

Sou de opinião que os testes psicotécnicos deviam ser obrigatórios e não facultativos. Talvez não andasse meio mundo enganado...em cursos que nada têm que ver com a sua vocação e em alguns casos vontade.

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terça-feira, março 01, 2011

Pipocas

Ir à sessão da meia-noite do cinema e não comprar um balde de pipocas (normalmente o maior que existe), na minha opinião, é como ir à praia e não levar a toalha. Esta é a realidade.

Das vezes que me aventurei a fritar o milho cá em casa, não só fiquei com o cheiro a óleo cá em casa durante largas semanas, como mais de metade das pipocas ficou carbonizada. Confesso que tenho suspeitas que exista um meio termo qualquer relacionado com o tempo de fritura, ou então, passar pelo abanar mais frequentemente da panela onde são as pipocas fritas. Enfim, alguma das coisas deve conduzir a pipocas iguais às que como no cinema.

Comer pipocas não é para qualquer um. Ou melhor, podem todos comer, mas devia haver uma forma de garantir que quem comprasse pipocas tivesse um cartão qualquer onde fosse validado que se conseguia comer as mesmas sem incomodar os vizinhos. Nesta minha brilhante e pioneira ideia, tenho a certeza absoluta que há pessoas que lamentavelmente iriam ter de compras as cobras de coca-cola (gomas) na medida em que se comprovaria a proibição de comer pipocas. Em qualquer sítio, claro está, e em especial no cinema.

Quem está sentado na última fila de cadeiras, abaixo da cabine de projecção do filme e consegue a proeza ímpar de se fazer ouvir 7 filas à frente, tem dois problemas. Um deles, que me parece grave e preocupante, está relacionado com a sua audição. O outro problema tem que ver com o não saber viver em sociedade. Ou respeitar as demais pessoas. Complementarmente, devia haver um mecanismo qualquer que possibilitasse que certas pessoas fossem convidadas a sair da sala se se comprovasse que não sabem comer pipocas em público. Ou que as fossem comer para a WC e voltassem depois para ver o resto do filme.

Prefiro as pipocas doces às salgadas. Aliás, o filme nem é a mesma coisa se não tiver um balde enorme de pipocas doces acompanhado de um balde de igual tamanho de coca-cola. Coisas que fazem bem, portanto. Mas não abro mão destes "pequenos" prazeres.

Nota: Dispensava era os tais alarves com quem tenho de partilhar o mesmo espaço físico.

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