sábado, abril 30, 2011

Eufemismos

Eufemismo, por definição, é uma forma suave de se dizer algo a alguém. E como objectivo primeiro de se conseguir uma visualização da expressão.

São vários os exemplos. Ao longo dos anos tenho percebido que o eufemismo está decididamente "entranhado" na língua portuguesa. Veio para ficar. E é possível todos os dias percebermos pequenos detalhes que espelham esta realidade. Senão vejamos: "Alguém viu os seus bens subtraídos", em vez de "Alguém foi roubado"; "A Avó foi ter com o Menino Jesus", em vez de "A avó morreu". "Podias perder alguns quilos", em vez de "Já emagrecias esses 15 kg que ganhaste depois do Verão". Entre outros exemplos simpáticos e do mesmo estilo.

Aqui o escriba opta pela não adopção do eufemismo na verbalização ou forma escrita. Torna-se claro, como não podia deixar de ser, que a factura é paga mais à frente. Aliás, estranho seria se fosse de outra forma. Há milhões de pessoas que usam esta figura de estilo e a quem até se acha piada ou nem se leva a sério. No meu caso não é bem assim. Não raro sou crucificado na praça pública pelo facto de dizer o que penso, frontalmente e sem "filtros"...Pena que as pessoas prefiram viver no mundo da fantasia. E com eufemismos...

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sexta-feira, abril 29, 2011

Mantra

Mantra é uma proteção mental, e que consiste numa série de sílabas que invocam a energia de um buddha ou bodhisattva. Além do mantra, existe a "sílaba semente" que sintetiza a essência de uma mente iluminada.

Para contar as recitações, normalmente é usado um rosário de cento e oito contas. Na prática, considera-se que uma volta do rosário equivale a cem mantras e as oito conta restantes servem para compensar os mantras recitados distraidamente.
 
Os mantras nem sempre possuem um significado claro e muitos deles são compostos por sílabas aparentemente imperceptíveis. Ainda assim são efectivos, na medida em que ajudam a manter a mente pacificada e integrando-a automaticamente na concentração. Conduzem a que a mente esteja receptiva a vibrações muito subtis aumentando assim a sua percepção.
 
A recitação conduz à erradicação das energias negativas grosseiras e a verdadeira natureza das coisas é reflectida na claridade resultante na sua mente.

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quinta-feira, abril 28, 2011

IRS

Mais um ano que passa, e mais uma vez é necessária a "engorda" dos cofres de Estado. Como se não bastasse tudo o que os portugueses pagam ao longo do ano, desde os bens essenciais e claro, pelos 450 aumentos do preço do combustível, é nesta altura do ano pedido "um sacrifício e compreensão" sob a forma da declaração individual de rendimentos .

Como não podia deixar de ser, alguma coisa tinha de acontecer este ano. Aliás, não me recordo de já ter entregue uma declaração de irs sem que acontecesse algo de extraordinário nesse ano. Acontece sempre alguma coisa. Este ano foi o facto da senha de acesso ao portal das finanças ter expirado e eu não saber da necessária alteração da mesma. Falam-me em questões de segurança e da necessidade da mesma ter de ser alterada anualmente. Dou comigo a pensar que nem os bancos têm este tipo de rigor. E não fico muito descansado por ter realizado isto.

Acontece que mais uma vez o sistema está de tal forma burocratizado que não há controlo efectivo do que acontece. Por acaso até sou uma pessoa curiosa, e quando não tenho nada que fazer vou ao site das finanças. Em momento algum surgiu um alerta para a necessidade de alterar a minha senha de acesso. Bastava para isso surgir um alerta, quando se acedesse ao site e tudo teria sido mais simplificado. Afinal assim não foi, e acredito que todos os portugueses soubessem desta realidade. À excepção de eu próprio, que desconhecia esta necessidade. Não fosse um aviso para experimentar a senha, há coisa de 4 dias, e talvez fizesse parte da lista de devedores ao Estado. O que de resto me merece a total ausência de comentários tendo em linha de conta o País em que vivemos, a expressiva e tendencialmente maior taxa de corrupção, as ilegalidades e as mentiras. Para não dizer outras coisas.

E assim foi. Tive de perder algumas horas nas filas das Finanças e pacientemente ver a terceira idade (que me merece todo o respeito) a pedir as senhas de acesso. No primeiro dia, eram mais de 60 idosos com mais de 80 anos que estavam à minha frente. Desse grupo, não havia um que soubesse o que é um computador. A questão que se coloca, é que, tal como eu deixaram para a última hora a submissão da declaração do irs. E claro...algum bisneto lhes deve ter dito que saíssem de casa e fossem às finanças pedir a senha para entrega via internet. O que até acho óptimo, na medida em que fazem exercício. Podiam era ter escolhido um dia em que eu não fosse lá! E não tivessem demorado tanto tempo a perceber em que consiste o processo. Ou a falar do ácido úrico ou do baixo índice de plaquetas que deu a análise da última semana.

Nota: Para o ano já sei de quem vai ser a primeira declaração que as finanças vão receber...

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quarta-feira, abril 27, 2011

D. Quixote

Dom Quixote de La Mancha (Don Quijote de la Mancha em castelhano) é um livro escrito pelo escritor espanhol Miguel de Cervantes y Saavedra. É considerada a grande criação de Cervantes. O livro é um dos primeiros das línguas europeias modernas e é considerado por muitos o expoente máximo da literatura espanhola. Em princípios de Maio de 2002 foi escolhido como a melhor obra de ficção de todos os tempos. A votação foi organizada pelo "Clube do Livro Norueguês" e participaram na votação escritores de reconhecimento internacional.

O protagonista da obra é Dom Quixote, um pequeno fidalgo castelhano que perdeu a razão após muita leitura de romances de cavalaria. A questão central passa pela vontade do mesmo em querer imitar seus heróis preferidos. O romance narra as suas aventuras em companhia de Sancho Pança, seu fiel amigo e companheiro, que tem uma visão mais pura e realista do que vivem. A acção gira em torno das três incursões desta dupla por terras de La Mancha, de Aragão e de Catalunha. Nessas incursões, D. Quixote envolve-se numa série de aventuras, mas as suas fantasias são sempre desmentidas pela dura realidade. O efeito é humorístico, como não podia deixar de ser.

Dom Quixote e Sancho Pança representam valores distintos, embora sejam intervenientes no mesmo mundo. É importante compreender a visão irónica que o Cervantes tem do mundo moderno, o fundo de alegria que está subjacente à visão melancólica e a busca do absoluto. São mundos antípodas, completamente diferentes. Sancho Pança, o fiel escudeiro de Dom Quixote, é definido pelo romancista como "Homem de bem, mas de pouco sal na moleirinha". É o representante do bom senso e é para o mundo real, aquilo que Dom Quixote é para o mundo ideal.

Por fim, a história também é apresentada sob a forma de novela realista: ao regressar a seu povoado, Dom Quixote percebe que não é um herói, mas também percebe que não há heróis.

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terça-feira, abril 26, 2011

Virilidade

A virilidade é daquelas coisas que por mais que se tente explicar, nunca será compreendida pelo sexo feminino. Por mais séculos que passem, é um conceito que infelizmente para muitos pais de família, nunca será integralmente conhecido e percebido pelas mulheres. Passo a explicar porquê.

A virilidade está intimamente ligada ou associada à masculinidade. Diria mesmo que andam de mãos dadas. Há uma série de aspectos relacionados com os homens que jamais serão aceites pelo mulherio que têm em casa. O facto de alguns machos gostarem de chegar a casa e prostarem-se em frente da televisão com os amigalhaços assistindo um verdadeiro e disputado derby à "moda antiga" adiando assim as suas obrigações e responsabilidades domésticas. O facto de se sair todas as semanas com o mesmo grupo de amigalhaços e ir beber um copo a uma qualquer casa de meninas ou de striptease - as mulheres nunca irão compreender que nestes locais é possível falar de negócios e relaxar. Ou porque não falar de passar mais do que hora e meia a olhar para carros ou motas numa exposição. Faz parte do ideal de vida "normal" de qualquer macho que se preze.

Por outro lado, há aspectos que são tabús e que afectam de forma quase irreversível a imagem máscula e viril que se pretende que qualquer macho tenha. É impensável que algum "camarada" diga num jogo de matrecos que lhe dói o ombro ou fez uma ferida na palma da mão quando rematava contra a baliza do adversário. Não faz sentido que seja a mulher a conduzir o carro, a menos que: a) O macho não tenha carta de condução (e esta situação teria de ser muitíssimo bem explicada, constituindo atenuante o facto de não ter as duas pernas ou os dois braços, ter fobia do trânsito - comprovada documentalmente - ou sempre que pegar no carro não conseguir controlá-lo - existindo prova documental que já convidado por diversas vezes a fazer seguro noutras companhias); b) Esteja indubitavelmente ébrio; c) Esteja cansado depois de um jogo de futebol ou de rugby, entre outros machos, e com o sentido de dever cumprido, ter as pernas em sangue ou com alguma distensão muscular que o impossibilite de carregar nos pedais do carro. Ainda assim teria de ser analisado. Muito bem analisado e discutido. 

A questão da virilidade na cama também é alvo de alguma críticas no meio masculino. Fala-se não raro do número de vezes (e tempo) que se consegue "entreter" a companheira. Companheira entretida é companheira fiel e prestável. É meio caminho andando para que durante as horas seguintes ao "bem bom" ninguém  "buzine" na cabeça do macho por ter deixado as suas meias e cuecas na casa de banho. Ou por ter deixado as garrafas de "jola" em cima da mesa de apoio na sala de estar. Ou por não ter estendido a toalha do banho, sendo que a mesma molhou a cama. Ou seja, findo o "período de graça", acabou-se a paz e tranquilidade em casa e volta o "inferno". Com o stress para a mente do macho, como se percebe.

Nas últimas décadas têm surgido uma série de patologias e problemas de saúde nos homens, que fazem com que seja normal e necessária uma profilaxia adequada, bem como toda uma série de medidas de rastreio ad hoc. Fala-se no cancro da próstata, nos problemas cada vez mais frequentes de infertilidade, ou em toda uma série de questões de saúde que não sendo tipicamente masculinas têm uma maior incidência neste sexo. A título de curiosidade, o cancro da mama também pode acontecer num homem....

Em qualquer dos casos pode ter lugar uma afectação da virilidade do homem. Em momento algum passa pela cabeça do macho assumir que tem problemas de índole íntima com um grupo de amigos / machos. Em momento algum um macho diz que não gosta de beber uma cerveja gelada e prefere beber um capilé. É impensável que um macho "leve desaforo para casa" após ter sido beliscada a sua honra. Sempre foi e sempre continuará a ser assim....

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Sósias

Tenho a certeza absoluta sou parecido a várias pessoas que por aí andam. Já me confundiram com outras pessoas no Algarve, em Rio Maior e até no Porto. O passado mostra-me sem qualquer margem para dúvidas esta realidade. Semelhanças com outras pessoas.

Desde o ter sido interpelado por um tipo que de forma cúmplice me piscou o olho quando eu estava a falar com uma legítima namorada no carro (confundiu-me com alguém que teria escolhido aquele local e aquela hora para estar com outra pessoa que não a legítima - ou seja, alguém teve que explicar muito na Segunda-Feira seguinte lá no trabalho), até ter sido confundido com um agente policial que tinha feito uma rusga num bairro  uns dias antes ou mesmo com um grande amigo de alguém que tinha falecido havia pouco tempo - esta última foi a mais delicada...

A questão que se coloca, é que isto tanto pode dar para o bom, como pode dar para o mau. Pelo meio dessas situações que relato acima, já perdi a conta das vezes que sou abordado na rua e se começa uma conversa como se nos tivéssemos encontrado no dia anterior. Feliz ou infelizmente nunca desarmo. Nunca dou parte de fraco e mantenho sempre uma conversação sem que se perceba que não faço puto ideia de quem é o (a) meu (minha) interlocutor (a).

Nota: Podia era acontecer que me confundissem com alguém "zilionário", e me oferecesse uma quantia avultada de dinheiro. Para custas diárias. Como quem não quer a coisa...

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Cegonhas

Foi solicitada a minha presença numa missão especial. Um dos meus tios tinha tido conhecimento que uma cegonha (a mesma dos últimos anos) tinha voltado a fazer o ninho da chaminé da casa que o mesmo tem num monte alentejano.

Sucede que esta cegonha, pelo que me foi relatado, é diferente das demais. É inteligente. E goza com as pessoas. Afinal, mesmo depois do meu tio ter de forma única e inteligente (?) ter colocado uma série de artifícios na chaminé para que a ilustre ave não fizesse o seu ninho este ano na chaminé, não foi possível contrariar a determinação e convicção desta mãe em construir o berço das crias a cerca de 20 metros do solo. Por acaso na mesma localização de há vários anos a esta parte e que não é mais que a chaminé desta casa. Se o meu tio anualmente tem vindo a desenvolver uma série de medidas que visam objectivamente que a cegonha vá fazer o ninho para o "raio que a parta", já a mesma entende que deve continuar a fazê-lo objectivamente nesta chaminé. Alguma razão concreta deverá ter.

Não basta querer tirar o ninho da cegonha da chaminé. Aliás, é mais burocrático do que se possa imaginar. É necessário solicitar autorizações à Protecção dos Animais, é necessário fazer a transferência do ninho para outra localização igualmente alta (evitando assim que a progenitora não rejeite as crias - por via de ter sido alterada a localização do ninho e ter deixado de reconhecer - pode acontecer), o que sugere que é necessário que a operação seja rápida. E como se imagina, não é fácil, até porque normalmente há duas aves (pai e mãe) e havendo crias (como me parece ter ouvido), há um dos pais que nunca abandona o ninho. Nunca ouvi casos de ataques de cegonhas a pessoas, mas nunca se sabe o que vai na cabeça destas aves. Calha bem não ter ficado muito tempo nas imediações do berço, porque com a sorte que tenho talvez fosse o primeiro caso de um destes ataques.

O facto da casa não estar habitada e estar localizada num sítio ermo ajuda à festa. Não ouvindo barulho ou não vendo movimento, a cegonha pode com toda a tranquilidade e paz construir um berçário lindo e aconchegador para as suas crias. Qual mãe dedicada e empenhada em dar o melhor às crias. Vamos ver em que resulta isto. Mas já fui ouvindo alguns impropérios dirigidos à "senhora-dona-mãe-desta-cegonha"

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domingo, abril 24, 2011

Deixar de acreditar em alguém

Tenho para mim que sou uma pessoa coerente. Que de forma lúcida me pauto pela verticalidade. Pela frontalidade e sinceridade que, norteando a minha forma de estar, possibilitam que a minha consciência esteja sempre tranquila.

É claro que esforçar-me por ser assim é um acto inglório e emocionalmente desgastante. Ficar bem comigo de pouco ou nada serve quando se vive no mundo fantasioso da farsa e da mentira. Diariamente sou confrontado com esta dualidade de valores - certo e o errado - e sou obrigado a rever a minha forma de pensar. Embora não concorde na maioria das vezes. Afinal, o que para mim era verdade não o é. Não quer dizer que abandone as minhas crenças. Significa somente que por vezes "dou a mão à palmatória" e cedo um pouco. Sempre é melhor do que ficar qual "velho-marreta-e-sozinho" a pensar que só eu tenho razão.

Subsiste um "pequeno" problema. Não está em causa o facto de poder ser revista a minha forma de pensar, mesmo sabendo que não é a correcta (daí não ter por mim sido equacionado logo de início). Está em causa a pessoa a quem passo a associar essa mudança de pensamento. Por outras palavras, quem, a meu ver é capaz de mentir. E quem é capaz de mentir uma vez, é capaz de mentir várias.

Aqui reside o meu dilema. É cada vez maior o número de pessoas em que deixo de acreditar. Independentemente de serem "pequenas" ou "grandes" mentiras. São mentiras. Não consigo perceber como vivem as pessoas tranquilamente sabendo que mentem. Ou que mentiram. Ou que vão mentir. E caros amigos e amigas....basta que alguém que eu conheça (e considere) minta uma vez......para deixar de acreditar.

As coisas nunca mais serão as mesmas. A partir desse momento passa a ser alguém "normal", que merece o meu respeito e deferência...mas tudo e mais alguma coisa que disser....desvalorizo e desmonto, bem como deixo de atribuir qualquer tipo de credibilidade.

Para terminar, posso afirmar que tenho deixado de acreditar em pessoas que nunca pensei serem capazes de mentir. Mas foram. Infelizmente.

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sábado, abril 23, 2011

Casamento real

Quem me conhece bem, sabe (ou devia saber) qual é a minha opinião acerca da mediatização de eventos como sejam os casamentos. No caso, os casamentos "reais", como este próximo, de um dos príncipes do Reino Unido  Não tenho qualquer dúvida que o mesmo decorrerá com pompa e circunstância sendo possível visionar o mesmo desde o Alasca até à Austrália.

A reflexão de hoje é dirigida para aqueles que não me conhecem. Que não sabem que sou radicalmente contra toda e qualquer mediatização destes eventos. Que não estou minimamente interessado em saber se algum príncepe ou princesa de algum país se vai casar. E que finalmente entendo que se trata de informação perfeitamente acessória e destituída de qualquer interesse aqui para o escriba.

Naturalmente que sei que vai existir um boom de tiragem das revistas que vão cobrir o casamento. Também desconfio,  que a cobertura deste casamento não será feita por "quem quer", mas sim por "quem foi convidado" para o fazer. Também me parece lógico que, tendo em conta o país onde o casamento vai decorrer, haja uma cobertura à dimensão planetária deste evento. E sei que será feita ao minuto, para mal dos meus pecados. Afinal, falamos de um casamento real, e que até terá lugar no Reino Unido, país de todos os jornais sensacionalistas que se prezam, berço dos paparazzi e que naturalmente não poderiam ficar indiferentes a esta realidade tão lucrativa. Pensando já no médio prazo, e esperando que a futura princesa seja fértil, é natural que os tablóides "esfreguem as mãos de contente", na medida em que se auguram picos de share, assim o príncipe não deixe os seus créditos por mãos alheias....e rapidamente dê início à constituição da família...

É importante reter que este tipo de acontecimento "abraça" uma imensidão de actividades profissionais, e que nos dias que correm, assegurando a manutenção de muitos postos de trabalho por mais uns tempos, e garantindo que durante esse período de tempo não "falta o pão na mesa" de muitos lares.

Ainda assim, defendo que devia haver um canal televisivo exclusivamente dedicado a este tipo de notícias - O "Canal da treta". Assim, quem como eu não vê qualquer valor acrescentado neste tipo de notícia, conseguiria manter um nível de sanidade mental razoável ocupando o seu tempo com o que realmente interessa.

Ver se me esqueço de ligar a televisão / não ler jornais nos próximos dias.

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sexta-feira, abril 22, 2011

Depreciação

Quando se fala em depreciação de um determinado activo, fala-se na sua perda de valor resultante de vários factores possíveis, tendo em consideração, naturalmente, o tipo de activo que está em causa.

Embora de utilização bastante lata, o conceito de depreciação, em termos económico-financeiros, é utilizado em duas situações fundamentais: na contabilidade das empresas e nos mercados cambiais.

Ao nível da contabilidade empresarial, entende-se como depreciação, a perda do valor monetário dos elementos que constituem o activo de uma empresa, que por sua vez, não é mais que o conjunto dos seus bens e direitos num determinado momento e que consubstanciam uma parte, normalmente importante, do seu património. Tipicamente, este indicador é tido em linha de conta quando há lugar ao pagamento por parte das seguradoras de indemnizações por roubo ou outra daquelas catástrofes naturais que teimam em acontecer quando não dá jeito nenhum. E claro está, aplica-se a "velha teoria" sustentada na sabedoria milenar destas instituições: "Quando o bem é novo, paga-se mais. Afinal o valor que é necessário segurar é superior. Quando há um azar, interessa pagar o mínimo possível de indemnização ao segurado, porque afinal há o fenómeno latente da depreciação". Interessaria perceber este "percurso". Que fosse explicado o processo de perda do tal valor monetário de um bem e de forma transparente. O que nem sempre sucede.
 
Na perspetiva dos mercados cambiais, o conceito de depreciação alude à diminuição da cotação de uma moeda nacional face a outras moedas resultante do decurso normal do funcionamento dos mercados, ou seja, sem que as autoridades monetárias do país em causa interfiram nesse processo. Nesses casos, a eventual depreciação, que corresponde ao oposto de um fenómeno de apreciação, deriva da relação entre a oferta e a procura da moeda em causa. É precisamente aqui que "bate o ponto". Afinal, não há um organismo regulador, ou com responsabilidade directa na supervisão e subsequente alerta para a diminuição da cotação de uma moeda face às demais. E sem querer entrar em grande detalhe, terá sido isto que aconteceu em Portugal, num passado muito recente.
 
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quinta-feira, abril 21, 2011

"Preso por ter cão e preso por não ter."

Na medida em que tenho recorrido várias vezes à utilização de adágios populares, decidi reflectir num em especial - "Preso por ter cão e preso por não ter."

O que a "populaça" quer dizer com isto é simples. Há injustiças. Tipicamente, neste caso, há no passado, uma má avaliação de uma determinada situação efectuada por alguém. Passado algum tempo, a situação é corrigida (desejavelmente), e quando tudo indicava que a avaliação seria diferente (para melhor), volta a ser alvo de uma má avaliação. Ou seja, dá raia e origina confusão.

É um pouco o que acontece no mundo do trabalho. Por vezes, são feitas más avaliações de determinadas situações. Ou por outro lado, o trabalho de certas pessoas não é valorizado nem creditado por quem de direito. O que normalmente sucede, é que o mundo do trabalho é marcado por eventos não equacionados / previsíveis. Quando acontece algum imprevisto e é realmente necessário uma análise expedita de uma situação (em que a tal prestação de determinadas pessoas é necessariamente avaliada), não há elementos credíveis e sustentáveis que permitam uma avaliação consciente e sustentada da realidade. Simplificando, se eu não gosto de alguém e não valorizo ou credibilizo o seu trabalho, quando confrontado com uma situação concreta em que preciso de perceber o que o trabalho desse alguém influiu (ou não), não vou ter uma análise positiva à partida. Lógico.

Por outro lado, há que ter em linha de conta o "reverso da medalha". Esse alguém que até poderá ter errado na primeira análise, percebeu que podia melhorar. E fê-lo. O problema é que já tem um "legado". E inquestionavelmente será confrontado mais cedo ou mais tarde com uma "nova farpa" ao seu profissionalismo. Até que se perde o rumo dos acontecimentos e acontece o "desnorte".

Defendi sempre que para que este tipo de situações sejam evitáveis, deverá ser provocado o diálogo franco e aberto. Honesto e pragmático. É importante que quem avalia e quem é avaliado percebam conjuntamente o cerne da questão. E que comuniquem. Que discutam / debatam as questões, por forma a que sejam evitados mal entendidos. Afinal, aquele que é avaliado poderá estar a fazer o melhor que pode. Na sua linha de pensamento, claro. Sendo que quem avalia poderá não estar a pensar da mesma forma. Com consequências. Mais cedo ou mais tarde.

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quarta-feira, abril 20, 2011

A alegoria da caverna

Este será um dos textos mais conhecidos do famoso filósofo Platão. E não é que é muitíssimo actual? Recomendo que quem ainda não teve oportunidade de ler este texo, o faça. Rapidamente. Num qualquer debate político televisivo que se aproxima. Muito mais interessante, actual e verdadeiro.

Platão assume a tese da existência de dois mundos distintos: a) Mundo Sensível, que não é mais do que o conhecimento da aparência e b) Mundo Inteligível, que é o conhecimento da realidade.

Muito resumidamente, esta alegoria estabelece uma comparação entre o mundo sensível e a realidade, a escuridão, e por outro lado alude à luminosidade e o mundo inteligível, ao mundo fora, "além gruta", em que se tenta evidenciar as reacções da Humanidade aquando do verdadeiro conhecimento. Também é claro que, e contrariamente ao expectável, o Homem não se deslumbra com a sabedoria ou quem, de forma gratuita o ajuda a clarificar a mente. Muito pelo contrário. Reage negativamente, numa primeira análise, e só depois, cabalmente clarificado quanto à verdade é que o esforço penoso da adaptação à realidade é por si recompensado.

Escolhi este tema para corroborar a minha crença de que é mais fácil seguir um modelo já experimentado, com provas dadas de segurança, estabilidade e conforto, do que enveredar pelo caminho da descoberta, experimentação de novas possibilidades e procura de alternativas credíveis e válidas. A Humanidade, tipicamente adopta e segue modelos confortáveis. Acomoda-se. Vive uma realidade tranquila e pacífica, na medida em que não há ameaças, não há pontos de discórdia e tampouco tem lugar o desconforto que uma solução não validada / experimentada anteriormente pode reflectir.

Infelizmente, e lamento informar, não é este o caminho. A História mostra que foram as "pedradas no charco" que fizeram com que acontecesse uma sequência de feitos e factos cronologicamente encadeados, e que certamente não teriam lugar se se tivesse mantido e preferido o conforto da caverna. Porventura o nosso Vasco da Gama não teria descoberto o caminho marítimo para a Índia. Ou o também nosso Cristovão Colombo não teria descoberto o "país irmão"...Eventualmente teriam sido muito mais confortável ter ficado ali em Belém a "jogar-ao-guelas". E a empanturrar-se com os pastéis de Belém. Com os velhos do Restelo.

É um pouco isto que neste momento acontece em Portugal. Não há quem tenha a coragem de "atirar a pedra ao charco". Contrariamente ao que os media avançam, discordo que exista uma crise política. É um argumento fantasioso, criativo e que me diverte, pelo facto de ser facilmente desmontável. A leitura deste presente momento deve ser outra. Antípoda. Sabe-se que nos "bastidores" há / tiveram lugar  reuniões "secretas" entre o maior partido da Oposição e o Governo demissionário. Há / houve acordos. E acredito com cada vez mais convicção que haverá uma recondução do ex-Primeiro Ministro no próximo dia 05 de Junho de 2011. Sustentado no facto de acreditar que a queda do Governo foi estratégica e cirurgicamente planeada. Não ao nível do Governo. Mas sim ao nível da concertação de dois partidos. Sendo um deles, e curiosamente, o maior partido da Oposição.

Tenho a perfeita noção de que seria muito complicado à Oposição conseguir "dar conta" do pesado e volumoso fardo que é a situação em que Portugal se encontra neste momento. O legado. Porquê? Porque o Presidente do maior partido da Oposição é um idealista. Um poeta. Advoga princípios e defende a intervenção / solução para o País baseado em cânones desadequados e nada realistas. Convida personalidades para integrar a sua lista eleitoral que pecam pela não coerência entre as afirmações de um passado recente e o presente momento. E por último, não tem o apoio dos "pêsos pesados" do partido. O que per se dita a "morte na praia". Sozinho.

Do acima, decorre um resultado perfeitamente lógico e imediato. Há desde logo dois partidos a "facturar". Por um lado, aquele que encenou a sua saída. Falo do Governo demissionário, que vendeu a imagem de que não tinha condições para governar. Comprou quem quis. Eu não quis comprar. Afinal tinha razão para não querer. Percebe-se agora que as coisas não terão sido bem como foram vendidas. A minha leitura e crença, é que o ex-Governo tardiamente percebeu que tinha feito asneira, e não tendo possível corrigir, aproveitou-se do facto de ter um Presidente da Oposição acabado de sair das fileiras da "Jota". O que só por si sugere pouco à vontade no combate político, desconhecimento das principais pastas "quentes" e claro, sem a retórica e capacidade argumentativa que é necessário reconhecer no ex-Primeiro Ministro. E claro, com um enorme pressão por parte da Comunidade Europeia, foi preferível fazer a encenação toda. Talvez tenha iludido os mais incautos. E talvez tenha vendido bem uma balela para o exterior. Para mim não. 

Por outro lado, ganha a extrema direita. Ou o partido mais à direita, se preferirem o florear o nome das coisas. Porquê? Porque mais uma vez, e como referi no início deste texto, as pessoas preferem viver numa área de conforto. Sem grandes complicações. Sem convulsões políticas. Sem terem de sair de casa e ir apanhar chuva para lutar pelos direitos adquiridos, ou manifestar-se contra a abolição do 13º mês ou do subsídio de férias. Inconscientemente dão consigo mesmas a recuar no tempo e a querer reviver aquilo que perderam há 37 anos. Porquê? Porque nessa altura, embora existisse muita coisa má (inegavelmente), havia uma área de conforto maior. Havia segurança, havia estabilidade. Havia proteccionismo (exagerado). É certo que a realidade que chegava aos portugueses já tinha sido muito filtrada. Mas também é certo que quando tudo começou, a situação do País era análoga à que se vive neste momento. E foi com muita persistência, empenho e determinação que se "levou o País a bom porto". O que neste momento não acontece. Portugal está à deriva. Dentro da caverna.

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terça-feira, abril 19, 2011

Esperança

"A esperança é a última a morrer", reza mais um dos milhares de ditados populares. Porventura, um daqueles mais ouvido por estes dias, tendo em linha de conta a crise económica em que o País se encontra.

É claro que o mundo não gira à volta das crises económicas ou políticas. Mal seria. A verdade é que há muito mais além disto. É certo que o dinheiro e a estabilidade de um país conferem uma sensação de maior conforto e tranquilidade aos seus contribuintes, mas também é verdade que não trazem felicidade. A forma como se encara a vida é, na minha opinião, significativamente importante. Faz toda a diferença, de resto. Há quem não tenha esperança, e há quem a tenha. Ou também há quem nunca a tenha perdido.

Quem já perdeu a esperança, perdeu obviamente o "norte". Perdeu a "atitude". Perdeu a reactividade ou a capacidade de resposta rápida e a ainda mais desejável capacidade de adaptação a uma qualquer realidade nova. Perdeu a capacidade de conceder credibilidade ao sistema judicial, ao sistema nacional da saúde ou à classe política. E dificilmente voltará a ganhar a esperança nestas matérias.

Quem tem esperança acaba sempre por sofrer mais. Porque "cai" e tem de se "levantar", na expectativa que o dia seguinte seja melhor que o dia anterior. Com a determinação e crença que um dia tudo isto muda. Que não é altura de esmorecer e lamuriar-se com as vississitudes da vida, mas sim é altura de arregaçar mangas e "ir à luta". São cada vez menos as pessoas com esta fibra. Com este positivismo que possa conduzir as suas vidas. Com capacidade para superar todas as adversidades do quotidiano e ainda assim manter-se à "tona da água".

Para terminar, aqueles que nunca perderam a esperança. Durante décadas sem fim conseguiram manter uma postura vertical, íntegra e claramente apostada na procura de oportunidades de melhor a condição de vida. Nunca perdendo de vista a esperança. A possibilidade de conseguir algo. De ser algo.

São estes dois últimos grupos de pessoas (os que têm esperança e os que nunca perderam a esperança) que no final, "sobreviverão". É perfeita e inquestionável aplicação da "Teoria da Selecção Natural" do Charles Darwin. No final, só os mais aptos sobreviverão. Aplica-se.

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segunda-feira, abril 18, 2011

Trovoada

A trovoada tem em mim um efeito bestial. Hipnotizante. Os relâmpagos que rasgam o céu escuro, a electricidade toda que é possív ver a dançar no céu...o barulho furioso dos trovões...mexem comigo. E com alguns prédios, por vezes.

Gosto. Se a trovoada fôr acompanhada de chuva torrencial, melhor ainda. É a "cereja no topo do bolo". Preferencialmente, que me seja possível estar dentro de casa e poder ver tudo de "camarote", como quem diz, a partir da janela. É um espectáculo único. Uma das melhores imagens que tenho, é de ter tido assistido a uma trovoada, a partir do 20º andar de um quarto de um hotel à beira-mar, em Tel Aviv, Israel. A imagem do mar a "perder de vista", a noite cerradíssima e  apenas furada  pela tímida e pontual passagem  de um ou outro avião que chegava (ou partia) do aeroporto internacional de Ben Gurion.

Durante as tempestades, há lugar a violentas perturbações eléctricas na atmosfera, e o ruído dos trovões chega até nós alguns segundos após termos visto a claridade do relâmpago. Quanto maior fôr a distância do local onde se produziu,  maior é o ruído e maior o intervalo entre este e a claridade do relâmpago.

Em distâncias curtas, considera-se a velocidade da luz como quase instantânea, donde, o tempo decorrido entre ser possível ver o relâmpago e ser ouvida a trovoada corresponde ao tempo do som deslocar-se da sua origem até ser possível o observador ouvir a mesma.

As realidades acima evidenciam que o som propaga-se através do ar com uma velocidade pequena, comparada com a velocidade da luz. A velocidade do som no ar é relativamente pequena na medida em que as moléculas que se movimentam têm de se chocar umas com as outras a fim de propagar a onda longitudinal de pressão.

A luz propaga-se com uma velocidade de 300.000 km por segundo (300.000 Km/s), enquanto as ondas sonoras circulam no ar à razão de 340,9 metros por segundo (340,9 m/s). Nos dias mais quentes, o som propaga-se com uma velocidade superior comparativamente aos dias frios, porque o ar quente é menos denso do que o ar frio. Nos dias de frio intenso a velocidade do som pode chegar a 328,7 m/s.

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domingo, abril 17, 2011

Análise SWOT

A análise SWOT é uma ferramenta utilizada para fazer análise de um determinado cenário (ou análise de ambiente), podendo igualmente ser utilizada como base para a gestão e planeamento estratégico de uma organização / empresa. Devido à sua simplicidade serve para apreciar qualquer tipo de cenário, desde a criação de um singelo blogue até à gestão de uma multinacional.


O termo "SWOT" é uma sigla oriunda do inglês, e é um acrónimo de: Forças (Strengths), Fraquezas (Weaknesses), Oportunidades (Opportunities) e Ameaças (Threats).

Embora conheça esta ferramenta há muitos anos, só muito recentemente senti necessidade de a usar numa apresentação. Há coisa de uma semana atrás. Tenho de confessar que aquilo que me pareceu simples e imediato, poderá não o ter sido para outras pessoas que não estejam habituadas a ter uma visão técnica e sintética das coisas. Contudo, e como a apresentação em causa era minha, tinha ao meu dispôr todo um leque de opções que reflectissem a mensagem que me interessava passar. E escolhi esta forma.
A análise SWOT é necessariamente simplista, o que não diminui em nada a sua importância. Resumidamente, e explicando o diagrama que coloco acima: Há duas linhas: Uma diz respeito a "Factores Internos à Organização" e a outra a "Factores Externos à Organização".  A parte mais fácil decorre aquando da distribuição das "Forças" e "Oportunidades" na coluna de "Ajuda" e na coluna de "Atrapalha" das "Fraquezas" e "Ameaças".

Este tipo de utensílio permite uma análise expedita, quando se pretende ter uma "fotografia" imediata ou a aferição do status quo da organização. Afinal, havendo discernimento, e um raciocínio treinado e lesto na identificação da informação a colocar nos 4 quadrantes..voilà, um retrato de "família" muitíssimo completo. Naturalmente que se pretende que seja uma ferramenta de utilização amigável e que sintetize a informação disponível. Se não fôr seguida esta linha de pensamento, parece-me que estaremos perante algo useless.

Confeso que fiquei fã desta ferramenta. Sinceramente, embora nunca a tivesse explorado, perdi há dias algum tempo a fazê-lo. "A necessidade aguça o engenho", versa o adágio popular, e claro que tive de aguçar o meu engenho. E em boa hora o fiz.

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sábado, abril 16, 2011

Pantagruel

Desde o início da História da Humanidade que sempre existiu um barra de chocolate Pantagruel  em minha casa. Na porta do frigorífico. Não tenho dúvida que para qualquer situação de emergência. Do tipo todos os hipermercados / pastelarias num raio de 600 quilómetros estarem encerrados e ainda assim ser possível oferecer uma sobremesa preparada na hora, às visitas lá de casa. Diz quem realmente percebe de culinárioa e naturalmente é "cozinheiro(a)-de-mão-cheia" que são vários os chocolates para os preparados culinários. E há o Pantagruel. Mundos diferentes.

Quem já teve a oportunidade de experimentar mousses de chocolate preparadas quer com chocolate normal, quer com Pantagruel, sabe do que falo. A diferença salta, não à vista, mas sim no paladar. Na consistência e na forma como o chocolate / grumos de chocolate se desfazem na boca. Não acontece isto nas mousses de chocolate instantâneas.

Constou-me que há igualmente uma publicação com o nome deste chocolate único e inigualável. A primeira publicação data de 1946 e desengane-se que apenas faz alusão a doces. Aborda toda a imensa temática que acontece numa cozinha, desde a confecção de bolas, empadas, empadões, folares, fritos, pastéis, pastelões, tartes e tortas, passando pelos cachorros, combinados e sanduíches. Ou mesmo os pães e pãezinhos. Vale a pena de certeza e certamente enriquece a biblioteca de qualquer pai/mãe de família que se preze!

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sexta-feira, abril 15, 2011

"Em Roma sê romano!"

Considero-me uma pessoa viajada. Não chegaria ao ponto de dizer que sou um "cidadão do mundo", mas felizmente conheço alguns países e realidades diferentes da portuguesa.

Em qualquer um dos países que já visitei, esforcei-me sempre por tentar encontrar uma forma de comunicação que fosse percebida por ambas as partes. Eu, enquanto emissor, quero transmitir uma mensagem. A outra parte, como receptor, terá de receber a mesma e retribuir com uma resposta. Torna-se claro que não faz muito sentido que eu aprenda os dialectos locais aquando das minhas curtas estadias em determinados locais. Se assim fosse, talvez tivesse abraçado a lucrativa e muy interessante actividade da tradução em detrimento da engenharia.

O que me causa algum transtorno e desconforto é a questão do esforço. Se aquando das minhas incursões ao estrangeiro tenho a clara e determinada preocupação em fazer com que a minha mensagem "passe", já quem por cá aparece em visita turísticas,  e pretende obter uma direcção para a ponte 25 de Abril (ou para o oceanário), não o faz. Dou comigo a experimentar na primeira pessoa a interessantíssima fantasia de tentar perceber (e falar, às vezes) o romeno, búlgaro e o não menos simpático basco.

Sendo eu uma pessoa imensamente prestável, fico muito ansioso quando não percebo logo o que me pedem. E mais ainda quando obtenho esgares de espanto e olhos esbugalhados em consequência das minhas tão esforçadas e detalhadas explicações.  Não raro, as pessoas fogem. Literalmente. Abandonam-me e deixam-me a falar sozinho. Ou vejo os carros a arrancar a alta velocidade. O que me faz sentir um incompreendido. E revoltado.

Afinal, no meu País, tenho de falar a língua dos outros. E esforçar-me por isso. Pela amostra que me tem sido dada, não me tenho dado assim tão bem. Ver se aprendo mais umas línguas...Para continuar a ser prestável.

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quinta-feira, abril 14, 2011

Falências técnicas

Por definição, falência técnica é o momento em que o passivo da empresa é superior ao activo da mesma, não sendo apresentada a capacidade para que possam ser cumpridas as obrigações. Resumidamente, "eu-enquanto-empresa-não-consigo-gerar-receita-suficiente-para-cobrir-as-minhas-despesas". E vivo acima das minhas possibilidades.

Felizmente que em Portugal, os sucessivos Executivos não são alheios a esta realidade particular empresarial. Ainda bem, devo dizer. Fico contente por saber que há injecções de capital público em empresas que aparentam estar em falência técnica de há alguns anos a esta parte. A "máquina burocrática" está de tal forma intricada na sociedade portuguesa, que esta forma de financiamento acaba por ser consensualmente aceite. E claro, os mecanismos de controlo dos gastos são negligenciados. Não interessa apostar nisso. Haja dinheiro. 

Vejo os Governos (que alternam entre dois partidos políticos) como os "paizinhos". Quando o filho(a) precisa pede ao pai. O "paizinho" lá torce o nariz, barafusta, mas dá. E isto cria uma relação de dependência e quase rotineira.

Sempre que é necessário dinheiro, sabe-se que falando com o "pai" a coisa vai lá. Na maioria das vezes, e seguindo da máxima do "Polícia bom / ´Polícia Mau", há o reverso da medalha. E que passa pelo não financiamento ou, por outro lado, muitíssimo mais complicado... junto da mãe. É sempre assim. Nota: No mundo "ideal", constata-se que os rapazes têm mais facilidade em financiar-se com as mães e as raparigas com os pais. Tenho a informar que esta fórmula não é 100% verdadeira. Falo com propriedade...

Claro está, e toda a gente sabe que os financiamento estatais são feitos a fundo perdido. Ou com períodos de retorno a "perder de vista". À boa maneira portuguesa, de resto. Não deixo também de constatar com regozijo que é necessário que o FMI venha auditar as contas públicas portuguesas (pela terceira vez ), para que este tipo de questão se conheça. Para que os portugueses tenham saibam como e onde estão a ser aplicados os seus dinheiros. Os mesmos dinheiros que por sinal são o resultado de muita contenção pedida aos contribuintes portugueses. Muita cedência / "engenharia-financeira-doméstica". E claro, alterações na forma de estar na vida e qualidade de vida que é severamente comprometida em alguns casos.

Autorizar injecções de capital público em empresas que estão em falência técnica é como ministrar oxigénio a alguém que já morreu. Não faz sentido. E tem associada uma factura que alguém terá que pagar. Em breve.

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quarta-feira, abril 13, 2011

Alianças políticas

Mais uma vez uma reflexão sobre o actual panorama político-partidário de Portugal. A pouco menos de 2 meses para as eleições legislativas, o partido demissionário e o principal partido da Oposição esgrimem argumentos estéreis em detrimento da discussão produtiva, útil e acima de tudo com a desejável maturidade que os portugueses pretendem.

O FMI, neste momento a auditar as contas públicas, já disse que é importante que exista uma discussão ampla e alargada entre o governo demissionário e o principal partido da Oposição, no sentido de avançar com um pacote de medidas que Portugal se propõe seguir / implementar. Basicamente, um PEC (Plano Estabilidade e Crescimento) novo. Por outras palavras, repesca-se o que foi chumbado há semanas no Parlamento, dá-se umas pinceladas e voilà. São apresentadas novas medidas da austeridade para "FMI ver". Importa referir que o PEC IV chumbado pelo principal partido da Oposição era do conhecimento do seu líder. Soube-se há dias. O que não deixa de ser curioso. Como é que alguém pode adiantar que o pacote foi acordado com a Comissão Europeia (CE), e afirmar peremptoriamente que não tinha conhecimento, e vir a notícia "a lume" que afinal o ex-Primeiro Ministro (PM) até tinha feito um contacto telefónico e uma reunião com este líder? Dá que pensar na craveira dos políticos que temos. E na crise política que Portugal vive neste momento.

Uma das saídas defendidas pelos analistas políticos passa pelas alianças políticas. O Partido Socialista (PS) não quer alianças com o Bloco de Esquerda (BE) - embora este último não se importasse. O Partido Comunista (PC) já manifestou a sua indisponibilidade em alianças com o BE, mas mostrou alguma flexibilidade na discussão da agenda política com o PS. Já o Partido Popular (PP) está em grande. Sendo o partido mais à direita, sabe perfeitamente que este será um dos quadrantes que interessará ao Partido Social Democrata (PSD). E tem-se assistido a discursos cada vez mais empolgados e críticos por parte do Presidente do PP, lançando várias farpas ao líder do PSD. Porquê? Porque sabe que é necessário. E que o PSD mais cedo ou mais tarde irá ter uma abordagem no sentido de estreitaram relações - aliança política. O líder do PSD diz que vai a eleições sozinho, e que alianças políticas só depois das eleições (contando com a vitória). Tenho as minhas dúvidas que não seja estabelecida uma aliança ANTES das eleições. Independemente das agendas políticas de cada um dos partidos, seria uma posição de força e inteligente. E conferiria a maioria absoluta à Direita.

Até lá, muita água vai correr debaixo desta ponte. E muitos desaguisados e confrontos políticos estão por vir. Que é exactamente aquilo que não é necessário neste momento.

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terça-feira, abril 12, 2011

Censos

Acordei para a realidade dos censos há coisa de duas ou três semanas atrás. Este ano, pelo que parece, houve a obrigatoriedade de preencher os censos (e até foi possível fazê-lo via digital).

Digo "parece" porque não fui em momento algum abordado por um(a) senhor(a) dos censos. Com pena minha. Muita pena, posso avançar. Lamento imenso que os últimos tempos estejam a ser marcados por um completo e inquestionável desprezo do País pela minha pessoa. Registo isto com alguma consternação e óbvia tristeza. Afinal, todos (ou quase todos) os portugueses embarcaram naquela que foi uma viagem maravilhosa de preencher os censos, e a mim, mais uma vez, não me tocou nada. Não respondi se tenho sanita em minha minha casa ou se há electricidade para que seja possível ligar os 45 electrodomésticos que tenho na sala. Não tive de partilhar com o senhor do INE o quanto ganho ou orgulhosamente responder a idade que tenho. Sei que eram perguntas que estavam presentes no maravilhoso, iluminado e não menos importante questionário enviado aos portugueses.

Sou do tempo em que os censos eram feitos na rua. À boca da saída do metro ou ali em pleno Rossio. Era normal em cada 10 portugueses, 9 dizerem que não tinham tempo para responder a questionários da treta e que ninguém tinha nada que saber quanto ganham. Muito menos o(a) jovem que pacientemente ouvia o(a) interpelado(a). Anos mais tarde, e se a memória não me trai, também se experimentou um formato de censo em suporte papel. E que estou certo que deu boas fogueiras no Inverno.

Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades. Presentemente, faz todo o sentido que haja uma economia e racionalização de bens. Compreendo e aceito a utilização do suporte digital em detrimento do suporte físico (papel). Já não compreendo (nem aceito) tão bem, a questão de não me ter sido enviada carta nenhuma, ou e-mail, ou mesmo de não ter sido entrevistado na rua. Não está em causa se ía responder ou não. Está em causa que mais uma vez, o sistema falha. É importante perceber que se tratam aqui de valores estatísticos. E que desejavelmente se pretendem que sejam o mais exactos possível e/ou retratem uma situação próxima da realidade.

Não faz sentido que seja de outra forma. Só assim é possível aferir o grau de iletracia dos portugueses. Ou que zonas do país vivem actualmente com índices elevados de insalubridade. Entre outros indicadores de inquestionável importância.

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segunda-feira, abril 11, 2011

Curto e grosso

É usual encontrar os "salvadores do mundo" nos últimos anos da faculdade ou outro qualquer grau académico. Frequentemente, ao concluir-se a um grau de ensino (médio ou superior), têm-se imensas ideias para mudar o mundo.

Por altura do meu ingresso no mundo do trabalho há vários anos a esta parte, vivi esta realidade. A minha organização, método, disciplina e rigor, nem sempre foram bem vistas ou aceites. Aliás, em algumas situações colidiram com a forma de estar e pensar de superiores hierárquicos que tive.

Mas nem tudo é mau. Um deles, por sinal alguém que não me deixa qualquer tipo de saudade, sugeria-me amiúde uma "abordagem ofensiva" em reuniões com Fornecedores. Para alguém como eu, que sempre teve gosto na oratória e prazer no diálogo, isto só podia ter como consequência imediata uma clara e óbvia interferência com a minha harmonia mental. Mas ordens são para cumprir, e aqui o escriba é um "soldado zeloso e cumpridor dos seus deveres". E assim fiz durante várias reuniões que conduzi.

A coisa era simples. Era instruído para não ir receber ninguém ao elevador. Vim a perceber anos mais tarde, que este pequeno gesto é tido como afável. Confortável. Quem vai participar em reuniões expectavelmente tensas sabe do que falo. É como que se houvesse um "amaciar do pêlo" antes da vergastada. Não ter ninguém à porta do elevador, ter de percorrer o corredor sem a tal conversa confortável é no mínimo aflitivo e angustiante. Entrar numa sala onde está apenas e só uma pessoa (aquela que vai presidir a reunião), é confrangedor. Mas era assim que as coisas aconteciam.

Se o descrito antes já é mais que suficiente para um início óptimo de um filme de terror, o que vem a seguir não deixa qualquer margem para dúvidas. Tinha lugar o cumprimento aos récem chegados. Já sentados, era comunicada a agenda da reunião aos participantes. Nota: Estamos a falar de um engenheiro recém-formado (eu) em reunião com Administradores de algumas das maiores empresas a nível nacional.

As directrizes que me tinham sido dadas eram muito claras. Demorar o menos tempo possível. Ser curto e grosso. Indolor. Eficaz e eficiente na transmissão da mensagem. Assertivo. Após a comunicação da agenda, tinha lugar a exposição da posição da empresa, sem lugar a perguntas durante a mesma. No final da exposição, cada participante tinha direito a uma réplica de 2 minutos. O que como se percebe, em reuniões importantes e tidas como vitais (na sua maioria diziam respeito a negociação de contratos / faltas contratuais, pagamentos / ressarcimentos), as coisas complicavam para o lado dos Fornecedores. Passei a ser visto como um tipo de negociação dura e de trato difícil.

O que também é certo é que foi algo que ficou para sempre. E na óptica da rentabilização do tempo (que entendo ser supérfluo na maioria das reuniões), era importante que assim fosse. E resultava.

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domingo, abril 10, 2011

Exílio

Há muitos anos atrás, quando era miúdo, jogava um jogo giríssimo. Havia duas equipas em campo e um risco horizontal marcado no chão, que separava ambas. O objectivo de cada equipa era dar "um toque" num elemento da equipa adversária (pontuando assim) e regressar para trás do tal risco horizontal, onde supostamente os elementos da equipa adversária não poderiam entrar. A chamada zona segura. Impenetrável.

O exílio é isto. Uma zona segura. E impenetrável para os "adversários" ou nações onde o exilado ou outra individualidade tem as "orelhas quentes" e lhe querem encomendar um "sobretudo de madeira". Trata-se de uma nação que aceita receber algum político / individualidade, que resolve ir escrever uns livros para este país onde os ânimos estão mais calmos. O que de resto é curioso. Senão vejamos: é natural que quem é contestatário no seu país, continue a sê-lo fora dele. Parece-me lógico. Vou mais longe. Lembro-me de vários exemplos de políticos portugueses que estiveram exilados em países como a França, e que nem por isso deixaram de escrever e criticar o Estado Novo. Lá de fora, no lado seguro. Com o sentimento de impunidade e conhecendo a óbvia intocabilidade. "Ah, mas isso só aconteceu porque em Portugal havia a Polícia Política, o Tarrafal, etc". É certo. Mas faz-me alguma confusão como é que era possível viveram exilados (em alguns casos) décadas, sem serem "silenciados". Estamos a falar de alturas muitíssimo conturbadas, em termos políticos, marcadas por convulsões sociais violentas e repressão policial forte como resposta.

Ainda que fosse a tal "zona segura", espanta-me como é que não houve mais "silenciamentos".

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sábado, abril 09, 2011

Sinopse

Por definição, é um resumo ou uma síntese de algo. Muito utilizada nos filmes, em que um crítico faz uma avaliação resumida do filme que teve oportunidade de assistir. Confesso que deixei de ligar às mesmas, porque se assim fosse não ía ao cinema há mais de 15 anos. Em cada 200 críticas, 2 críticas são favoráveis ao guião do filme. As restantes 198 críticas endeusam o cinema do circuito alternativo (leia-se europeu), que acho que não tem, na esmagadora maioria das vezes, muita piada. É uma opinião pessoal.

Profissionalmente, opto por fazer sinopses variadíssimas vezes. É certo que decorre de uma raciocínio mais estruturado e compartimentado que aqui o escriba desenvolveu, ao longo do tempo, mas é algo a que recorro muitas vezes, tendo como aliado o tempo. Importantíssimo.

Tudo isto acontece porque o interesse final acaba por ser passar uma mensagem de forma rápida, eficaz e de forma inequívoca.

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sexta-feira, abril 08, 2011

Animais políticos

Com o cada vez mais próximo acto eleitoral (legislativas) no início do próximo mês de Junho, importa à Oposição, ou "candidatos" munir-se de armas e fazer o seu trabalho de casa. O ex Primeiro Ministro (ex-PM) é aquilo a que os politólogos chamam de "animal político". E que importa abater sem dó nem piedade.

Se o caminho escolhido pela Oposição fôr o laxismo e a não preparação dos debates televisivos com o ex-PM, temo que os próximos anos de dificuldades e privações que se avizinham, sejam vividos com aquele que nos colocou neste estado. O mesmo que diz que a culpa da crise económica e política é culpa do maior partido da Oposição. Que aponta, em registo contínuo (e quase autista) que tentou avisar,fez o que estava ao seu alcance para que Portugal não caísse no "lodo" em que entrou. Devo ter chegado agora de Marte. Certamente alude a outra realidade que não aquela que vivi durante os últimos 6 anos e onde foi o mesmo o "timoneiro" do País.

Manobras de diversão. Numa altura em que o eleitorado começa a perceber que a sua vida vai alterar muito em breve, com cortes salariais e 13º mês cativos, há indubitavelmente uma maior apetência e vontade para que sejam mostrados argumentos plausíveis e coerentes e que permitam sustentar a crença de que as coisas podem melhorar. Sem que tenham de ser pedidos mais sacríficios.

Nos últimos debates televisivos, há coisa de dois anos a esta parte, por altura da re-eleição deste PM que agora se demite, os portugueses não tinham alternativa credível. O que se percebeu foi que a Oposição, nos mais variados quadrantes, não conseguiu ombrear ou sequer beliscar a fama (e proveito) de animal político que está associada ao ex-PM. Há mesmo quem diga que tudo isto é uma manobra ou táctica seguida para conseguir uma maioria absoluta neste próximo acto eleitoral. O que duvido seriamente que venha a acontecer. Da mesma forma que duvido que venha a ser re-eleito.

É importante que se analisem os erros cometidos no passado. Muito mais importante, que se faça uma preparação sólida e se esgrimam argumentos irrefutáveis. Um animal político é alguém que rapidamente elimina os adversários. De forma indolor. Mas fá-lo de forma eficaz e eficientemente. Que aprende a conhecer os seus pontos fracos. Que se alimenta das fraquezas dos mesmos e com isso consegue fortalecer uma posição dominante. É isto que interessa.

É com este pensamento em mente que os candidatos ao complexo e intrincado cargo de PM nos próximos anos devem partir para este próximo combate. Terão de ter presente esta realidade. É evitando o argumento político demagógico eleitoral e que acaba por ser facilmente rebatido com o curso normal das coisas e passar do tempo. E se dá de novo a confiança aos portugueses e ao investimento externo.

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quinta-feira, abril 07, 2011

Fumar socialmente

Fumar socialmente é uma forma mascarada de se dizer que não há "bilim" para dar continuidade ao vício da fumaça. Há a vontade, mas não há dinheiro para manter o vício. Daí decorre o fumar todos os dias, o tabaco cravado a alguém, quando se está em grupo. E usando a desculpa de que se fuma só às vezes, e por isso não vale a pena comprar um maço. Se virmos bem as coisas, um fumador médio, com essa linha de pensamento, pode chegar a fumar mais de um maço por dia. Sem gastar um tusto.

Há cerca de dois anos, quando era fumador, irritava-me solenemente esta forma de estar. Conta-se pelos dedos de uma mão as vezes que cravei tabaco. E quando o fazia era porque não havia uma máquina de tabaco por perto. Por outro lado, não tenho dedos nas mãos (e pés) para contabilizar as vezes que me cravaram tabaco. As mesmas pessoas e sempre com o argumento débil do "só fumo socialmente". Tretas, dizia-lhes eu.

Se o acto de fumar já é mau, fazê-lo socialmente e no trabalho, é péssimo. Atente-se no tempo "não produtivo" de alguém que fuma regularmente. E que se junta ao que fuma só socialmente. Se o primeiro ao longo do dia fumar uns 5 cigarros (horário de expediente) e o outro acompanhar, porque só fuma socialmente, são dois recursos de uma empresa na fumaça. É tempo de não produtividade. Cerca de 10 minutos por cigarro. Uma conta de somar simples:

Cinco minutos para fumar um cigarro e cinco minutos para debater o site de vídeos porno que se descobriu há 5 minutos atrás = 10 minutos de não produtividade (por pessoa) 

Cinco cigarros por dia vezes 10 minutos dá 50 minutos de não produtividade. Quase uma hora de não produtividade. Por pessoa. 

Numa semana é pouco mais de meio dia de trabalho que efectivamente não se cumpre. E a multiplicar por dois (pelo fumador e pelo outro que só fuma de vez em quando), é um custo que a organização tem de suportar, na minha opinião, injustamente. Tudo isto por via do vício.

Nota: Na altura em que fumava, nunca demorei mais de 2 minutos a fazê-lo. E fazia-o sempre sozinho.

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quarta-feira, abril 06, 2011

Más vizinhanças

Escolhi o tema da má vizinhança para partilhar que nunca experimentei a mesma. Embora conheça variadíssimos casos.

Como já aqui disse anteriormente, conheço todos os meus vizinhos. Sei por exemplo que carros têm (e também sei os carros que não são lá da rua), cumprimentamo-nos quando nos cruzamos e em alguns casos pode acontecer uma troca de palavras circunstancial: "Tem o vidro do carro aberto", "Com que idade está o Tolstoi?", "Pode deixar descair o carro que não consigo sair do meu?". Entre outros.

A má vizinhança tem lugar quando há uma ideia ou vontade que não é partilhada pelos....vizinhos. Por quem mora no andar de cima, de baixo ou do lado. Porque um vizinho trabalha por turnos e chega a casa tarde e decide ouvir Sepultura. Ou porque a "vizinha do 14º"  tem 1,40m de altura e tem de necessariamente calçar uns sapatos de salto de 20 cm para chegar ao botão do seu andar (onde afinal até mora). Claro está que pode acontecer não se descalçar logo, logo quando entra em casa, o que provoca com que o vizinho do 13º andar revire os olhos e conte até 679 3 vezes seguidas.

Outro exemplo é o facto de se ter animais de estimação em casa. Tenho um cão e sei como é. Casos de cães que ladram um dia inteiro, passando pelo cheiro que os mesmos deixam no hall do prédio quando está pior tempo  ou mesmo o chão todo marcado das patas dos melhores amigos do Homem. Dá que pensar e acima de tudo respeitar os demais vizinhos. E aposto que num prédio com 14 andares e 28 fogos, 1/3 dos vizinhos não suporta animais. É matemático. A discussão do aumento (ou não) do valor da quota de condomínio também é um item "quente" e que nas assembleias faz com que os ânimos fiquem frequentemente exaltados. Ou a necessidade da pintura da fachada do prédio que está quase a cair...E que não recolhe a anuência de todos os condóminos.

Para não me alongar muito no tema, é importante reter que uma boa vizinhança é meio caminho andado para um descanso quando há a necessidade de se ir para fora (e.g.: férias). Desde o dar a comida ao tareco e os passarinhos / peixes, desde verificar se está tudo bem, etc (segurança da casa). São só vantagens.

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terça-feira, abril 05, 2011

Boomerangs

Há muitos, muitos anos atrás, por altura da viagem de algum familiar / amigo (não me consigo recordar qual era o grau de parentesco), à Austrália, pedi que me trouxessem um dos ícones mais significativos desta maravilhosa e enorme nação também conhecida como terra dos cangurus.

Pelo facto de nessa altura morar num aglomerado urbano, fez com que me contivesse e não tivesse experimentado este utensílio utilizado desde sempre na caça pelos aborígenes australianos . Não por duvidar da minha mestria no manuseamento do mesmo. Mas porque esteve sempre  presente a real possibilidade de alguém ser colhido ao sair de casa ou em menos de nada ficar decepado ou mesmo ser trazido até mim. Optei por uma opção de vida segura, tranquila e sem ser manchada por uma acusação de homicídio (ou mesmo uma estadia na prisão).

O boomerang é utensílio com forma curva e que pode ser utilizada como arma ou para diversão. Muito embora se associe à construção de madeira, também é possível encontrar exemplares fabricados a partir de fibras de carbono reforçadas ou outras ligas especiais. Historicamente, é ainda possível identificar o osso como material utilizado para o fabrico dos primeiros exemplares.

O tipo mais comum é o vulgar boomerang de returno que, quando atirado numa determinada direcção, descreve um caminho eplítico (e se bem atirado), retorna ao ponto de origem. E aqui reside o meu medo. Posso estar enganado, mas acredito que esse tal caminho nunca será perfeito por um destes artefactos atirado por mim. E aí começam os meus problemas.

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segunda-feira, abril 04, 2011

Rádio

Desde que me conheço como gente que oiço rádio. Sempre, sempre, sempre ouvi rádio. As minhas memórias recuam até às notícias de manhã que o som da rádio era constante lá em casa, e naturalmente habituais os rotineiros momentos em que me preparava para sair de casa para a minha tão adorada e amiga escola primária.

Mudam-se os tempos e mudam-se os gostos. Hoje em dia é possível ouvir uma imensidão de animadores das rádios, que na sua grande maioria vêm da televisão, onde são usualmente comediantes. Só posso ficar feliz e sinceramente, não vejo outra maneira de ver as minhas manhãs de Segunda-Feira ficarem mais alegres, quando igualmente de forma alegre vou para o trabalho. Dou comigo não raro a rir-me à gargalhada. Especialmente quando há os telefonemas dos "Apanhados". Há pessoas mesmo tótós. Mas é isso que me diverte. E é das poucas coisas que me consegue fazer rir.

É possível reviver algumas músicas que marcaram a minha adolescência. Com as quais cresci. Hoje em dia é possível a uma rádio, assim adquira autorização por parte dos autores das músicas, passar em contínuo música durante um ano. Como? Informática. Terabytes de música. E que permitem às emissoras de rádio ir ao encontro dos vários interesses e gostos musicais das massas.

Por último, bem sei que a publicidade funciona como o "garante" das rádios. Contudo, e assim sendo, prefiro as rádios "ricas", em que passa música todo o dia, sendo que os locutores pouco ou nada intervêm. E muito menos os spots publicitários. Devia haver uma rádio que só passasse publicidade. 

A rádio ideal, para mim, seria aquela em que passasse meio-dia de "Apanhados" e outra metade do dia com música. Bastava para me fazer ainda mais feliz.

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domingo, abril 03, 2011

Marés de azar

Esta coisa das marés de azar tira-me anos de vida e faz-me ganhar cabelos brancos. E barba branca. Eu sei que dá o tal charme (dirigindo-me à facção feminina), mas também sei que é um bocado angustiante.

Há dias maus. Daqueles dias em que não se deve sair de casa. E nos quais surge sempre elencada e está sempre presente a 3ª Lei de Murphy : "Tudo o que pode correr mal, correrá mal." Afirmação simples e verdadeira.

Tenho tido uns azares raros nos últimos dias. Coisas que não sendo gravíssimas, em pessoas como eu fazem com que tenha a possibilidade de repensar uma série de coisas, em termos de personalidade, controlo de emoções e acima de tudo, na manutenção da calma e da ponderação. Nenhum dos azares é relacionado com saúde, diga-se em jeito de informação. Mas são todos relacionados com algo que faz de alguma forma com que eu me chateie e ande consumido. Nem sempre consigo abstrair-me.

A melhor forma que encontro de ultrapassar estes momentos, em que me sinto a pessoa mais azarada à face da Terra, é relacionar-me com pessoas que desvalorizam estas teias mentais complexas criadas por mim. Por norma, penso no pior cenário. Sempre. Tudo o que vier além desses mesmos cenários...é lucro. E normalmente acontece. Ou seja, consumo-me desnecessariamente. Não é defeito, é mesmo feitio.

Entendo que com a idade se aprende a ver certas coisas de uma determinada forma e a dar valor a outras. É sempre assim. O que para mim, há uns anos, era algo calamitoso, hoje em dia não o é. O que hoje em dia, para mim é ou podia ser resolvido com duas galhetas bem metidas na cara de alguém, não será, nem nunca foi uma solução exequível e da concordância dos meus pais. Sempre foi, é, e será sempre assim.

Faz sentido que quando pensarmos que temos azar, pensemos ou nos aconselhemos com quem realmente tem a sabedoria e experiência de vida. E talvez evitemos desgastes mentais grandes ou mesmo sofrimentos por antecipação.

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sábado, abril 02, 2011

Cargos políticos e licenciaturas

Em tempos discuti aqui o facto de muita gente associar um grau académico a um melhor desempenho político. Nada mais errado.

O facto de ser obtido um grau académico não é uma condição sine quo non para uma melhor prestação política. Se não o é fora do mundo da política, não vejo razão para o ser no seio do mesmo. Aliás, qualquer que seja o grau académico (em especial o obtido no ensino superior), tem associada uma perspectiva implícita de dotar o estudante das "ferramentas" para o futuro exercício da sua actividade profissional. E em alguns casos, e inevitavelmente, há um "trabalhar" da forma de pensar. Mais prática. Mais técnica.

Com o mencionado acima, o quero dizer é que não há uma correlação linear entre o facto de se ter uma habilitação académica superior e ser um bom político. Aliás, o passado recente mostra-nos exactamente o inverso. Basta ver as habilitações académicas dos sucessivos Ministros das Finanças e o estado em que o País está. É certo que em primeira lugar, a culpa é atribuída ao Presidente da República cujas atribuições devem, entre outras (naturalmente), ser supervisionar e orientar o rumo seguido pelo Estado. Contudo (segundo lugar), o facto de serem seleccionadas determinadas pessoas para Ministros das Finanças, com provas mais que dadas e currículos fortíssimos no mundo académico, mas sem expressão no mundo político, sugere más opções neste campo.

Importa, na minha opinião, "des"focar a atenção do percurso académico, e entender que valências tem determinada pessoa que pretende ocupar um cargo político. Porque deve ser aquela pessoa eleita em detrimento de outra. Mostra-nos a História de Portugal que nem sempre isso foi bem conseguido. A não ser num determinado período. Mas isso é outra conversa...

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sexta-feira, abril 01, 2011

Halls

Gosto muito de ter Halls à mão. Perto de mim. São vários os sabores, mas gosto do clássico "Mel e limão", o "Spearmint" e....um outro sabor faz-me quase vir as lágrimas aos olhos. A mim e a quem tem a audácia de me pedir um Halls quando compro destes. Trata-se de uma embalagem preta "Halls Extra Strong", ou qualquer coisa do género.

Os comuns Halls (nos seus mais variados sabores) funcionam em mim, como o antigo e tão nosso conhecido "Vicks". Sem tirar nem pôr. Conseguem desobstruir-me por completo as vias respiratórias e ainda me refrescam o hálito. Não acredito que não façam mal aos dentes (por via do açucar que têm). Mas há males que vêm por bem.

Outro assunto são os tais "Extra Strong". Os tais da embalagem preta. Costumo dizer que são os Halls para homens de barba rija e que podem, em casos extremados, ajudar a terminar uma amizade de longa data. São, como o próprio nome indica, muito fortes. É necessária coragem para os meter à boca. O paladar adoçicado inicial engana, e em menos de nada, vem a sensação brutal e explosiva da frescura misturada com o picante...Muito bom...Mas só para alguns!

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