terça-feira, maio 31, 2011

Etiquetas

Desde há muitos anos que leio uma publicação periódica (mensal) de uma associação cujo objecto primeiro de existência é a tão necessária defesa dos direitos do consumidor. Um dos aspectos que mais controvérsia origina e tem sido alvo de várias críticas por parte desta instituição é sem dúvida a má etiquetagem dos produtos.

Em consequência da minha leitura atenta sobre esta matéria, bem como do gostar de saber quais os direitos que me assistem enquanto consumidor, não raro gosto de executar uma amostragem de etiquetas de alguns produtos que existem no supermercado. A "fórmula" é simples e passa por conhecer a informação que tem de necessariamente constar numa etiqueta. De resto, é confrontar essa "fórmula" com a realidade. Ou seja, com o que existe. E não raro, as coisas estão mal. E dá vontade de ter uma daquelas buzinas que se usam nos jogos da bola e buzinar com ela ao ouvido do produtor e também do responsável pela comercialização do produto (pelo facto de não ter visto a má etiquetagem e de não ter recusado a sua comercialização, enviando o produto de volta à proveniência). Ou seja, duas buzinas. Uma para um ouvido de cada um dos acima visados. Para não ser muito cruel.

A má etiquetagem é ilegal. Há elementos obrigatórios que devem constar nas etiquetas dos produtos e por forma a informar cabalmente o consumidor final. A título de exemplo, o facto de não estar presente a informação de como lavar algumas peças de roupa, faz a diferença entre colocar umas calças na máquina de lavar roupa e obter a mesma dimensão das mesmas no final do programa ou....obter uns corsários. Não havendo uma etiqueta com o mínimo de informação exigida pela Lei, o produtor é obrigado a recolher o produto. O que nem sempre acontece. Nem sequer há mecanismos que controlem esta irregularidade. À boa maneira portuguesa.
 
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segunda-feira, maio 30, 2011

Falha de memória

As falhas de memória são uma constante nas pessoas com mais idade. É um facto incontornável. Também podem ser devidas a patologias que têm associada a perda da memória. Lembro-me por exemplo do Alzheimer. Mas não será dessas falhas de memória óbvias e infelizmente cada vez mais frequentes que versa a reflexão de hoje.

Falo das falhas de memória de algumas pessoas. E já que estamos em época de eleições, falo da fraca e nem sempre presente memória dos políticos. Dou conta, com alguma preocupação e apreensão que a classe política tem uma memória muito volátil. Por outras palavras, o que dizem durante a campanha eleitoral raramente é lembrado aquando do exercício da governação. Se há duas décadas atrás algumas promessas eleitorais mereciam os meus aplausos, bem como a minha natural e clara credulidade, já nos dias que correm as coisas não são assim. Não só não acredito na argumentação naturalmente fraca e insustentada desta classe, como, fazendo uma antevisão no curto espaço de tempo, percebo que há promessas que não serão cumpridas. Nem nos próximos 70 anos. Contudo, consigo perceber que são estas mesmas promessas floreadas que conseguem reunir mais votos num povo cansado e farto que lhe vão ao bolso.

As falhas de memória dos políticos são, como não podia deixar de ser, bem calculadas. Quando um político está na televisão ou num debate televisivo sabe perfeitamente que a oposição vai trazer à baila esse tipo de argumento. As suas promessas eleitorais feitas durante a campanha e não cumpridas. E obviamente que terá de ter a sua própria defesa quando confrontado com essa "realidade". Não raro argumenta que a culpa é....do governo anterior e do estado em que deixou a Nação.

Seria importante que as pessoas honrassem as suas obrigações e responsabilidades assumidas para com os portugueses. Basta destas falhas de memória "pensadas" e que, acima de tudo em nada dignificam a classe política. Basta de prometer coisas que não podem ser cumpridas e mais à frente "esquecer-se" das mesmas. Basta de mentira. São estas e outras que me fazem ver a classe politica como completamente desacreditada, Mas no final é aquela classe que afinal até manda no País. Infelizmente...

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Estímulo

O estímulo é algo que faz parte da minha existência. Aliás, tenho a certeza absoluta que a vida não teria a mesma piada sem estímulos.

A situação, para mim, é clara. Todos os dias tenho algum estímulo. Pode ser mais ou pode ser menos directo, e mais ou menos importante. O que interessa é que tem, ou poderá ter um efeito em mim. Sendo que esse efeito poderá igualmente ser bom ou mau.

Já aqui disse há pouco tempo atrás que estou em dieta. Aliás, no meu caso não é daquelas dietas mesmo "à séria". Trata-se de adoptar uma dieta alimentar equilibrada. Este será um excelente exemplo para retratar o tema de hoje. Todos os dias recebo estímulos mentais para fazer um "bypass" à  minha tão bem delineada e rígida dieta. Desde a minha saudosa "Coca-Cola", passando pelo "Magnum" com recheio de caramelo duplo, as bolas de Berlim que chamam por mim...tudo isto é estimulante. À distância de "tome-lá-2-euros-e-passe-para-cá-uma-garrafa-de-litro-e-meio-de-"Coca-Cola"-bem-gelada-que-já-estou-a-ressacar". Um pouco em contraste com o estímulo amorfo e quase insignificante que é o de beber um copo de água antes de uma refeição ou de uma salada.

O exemplo acima é um entre muitos. Há o estímulo a velocidade, há o estímulo que determinado perfume nos dá, etc. Em todos os casos, a mente é sugestionada e o efeito que advém do estímulo poderá ser maior ou menor. Consoante o estímulo é bom ou mau. Quisesse Deus que só existissem estímulos bons...

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sábado, maio 28, 2011

Licença sem vencimento

O tema das licenças sem vencimento sempre me suscitou alguma apreensão. Não pelo facto de existir esta possibilidade para quem por algum motivo tem outra coisa mais importante que o trabalho. Mas porque entendo que há quem abuse deste direito. E porque nos primeiros tempos, até à substituição desse alguém, os colegas ficam natural e consequentemente sobrecarregados de trabalho.

Em termos gerais, licença sem vencimento é (valendo o que vale nos dias de hoje), manter o posto de trabalho, sem direito ao vencimento. Um bom exemplo será o dos altruístas que decidem abraçar causas humanitárias e vão para um qualquer ponto do mundo libertar-se da vida citadina e rotineira. E claro, dos maridos, mulheres e filhos. Não deixo de achar alguma piada quando isto acontece. Aliás, a "cara metade" tem de ter uma enorme e consolidada capacidade de compreensão para este facto. E duvido que haja por aí muita gente capaz de entender este tipo de "solicitação" do exterior.

Menos complicado de entender será o pedido da licença sem vencimento por motivos de estudo. A elaboração de uma tese de doutoramento, por exemplo. Requer uma intensa e lógica actividade cerebral. Sugere um exaustivo e não menos importante trabalho de investigação. Amadurecimento de ideias. Reuniões com o orientador, etc. Mas também me dá que pensar.

Exploremos este último exemplo, da tese de doutoramento. Tipicamente (nas licenciaturas pré-Bolonha), o doutoramento surge numa idade adulta que em média aponta para meados dos 30 anos. Obviamente que há casos em que vem antes e casos em que vem depois dessa altura. Mas o que interessa, é que aparece numa idade tal em que normalmente já há descendência, ou prestes a haver. A cara metade só pode ficar contente. Passo a explicar...Durante um ano ou ano e meio (há casos em que as teses de doutoramento duram anos), vai ter a total e incondicional ajuda em casa! Isto é fantástico. Tarefas divididas, cai por terra a preocupação de quem vai buscar os outros filhos à escola, da preparação do jantar...etc. Tudo aparece feito. Magia. E com uma facilidade imensa.

Nestes casos, o agradecimento deve ser feito à entidade patronal que autoriza a licença sem vencimento! E garantidamente a tal tese de doutoramento demora menos tempo a ser preparada! Tal não é a ânsia de se voltar a trabalhar depois de ter experimentado a pressão da execução das tarefas em casa!!

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sexta-feira, maio 27, 2011

Adormecer

Sou daquelas pessoas que não tem dificuldade alguma em adormecer. Na medida em que começo o dia antes dos galos acordarem, é normal que em muitos casos, quando a noitada dos meus caríssimos(as) e queridos(as) amigos(as) está a começar...a minha está a terminar.

Não me preocupam minimamente as várias e "doces" boquinhas, vindas daqueles que elenco acima, e relativamente ao facto de às 2430H já ter aberto a boca 956 vezes. Sou um "day guy". O dia é para começar-se cedo. Já saí muito à noite, durante vários anos e se fosse contabilizar as horas de sono que perdi (nas noitadas), apanhava facilmente um susto que me fazia ficar gago durante uns 4 meses.

Resumidamente, as prioridades do presente momento não passam por sair à noite até "desoras". Não gosto e não tenho paciência. Pior...a dado momento, quando chega a determinada hora, começo a ficar bêbado de sono. Literalmente. Apodera-se de mim um cansaço tão grande, que rapidamente entro em "modo-de-alta-descontracção", e deixo de ouvir a totalidade da mensagem do(a) meu/minha interlocutor(a). Naturalmente que não o faço de propósito, mas lamentavelmente acontece. Da mesma forma que chegou a acontecer adormecer de olhos abertos (algo único e nunca antes visto) em algumas sessões da pós-graduação (e tal ter sido presenciado pelas minhas colegas), ou quase já ter adormecido ao volante - questão muito delicada e perigosa.

Para terminar, acho que se devia deixar de sair à noite. Os bares deviam abrir às 0600H em vez de fecharem a essa hora. Qual é a piada fazer tudo isto de noite? Aliás, é sabido que de noite as pessoas até parecem ser mais bonitas...Assim via-se logo quão bonitas são. Talvez se evitassem 60% das abordagens!! Eles e elas agradeceriam. Em vez de se beber uns copos antes de ir para a discoteca, bebiam-se uns sumos de fruta. E quando acabasse a discoteca, ia-se então comer um fausto e bem regado cozido à portuguesa ali na Malveira. Conseguia-se assim que aqui o escriba pudesse também ir dar um pezinho de dança com alguma felizarda!

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quinta-feira, maio 26, 2011

Votar ou não votar?

A uma semana de mais um acto eleitoral, importa referir que está praticamente concluída a minha tarefa de "evangelização" de várias pessoas conhecidas. Não no sentido de as fazer ir à missa, mas sim no sentido de irem às urnas.

Constato que são cada vez mais as pessoas que preferem ficar em casa, ou ir para a praia, ou ao Colombo, do que ir votar. Se em alguns casos tal sucede porque são preguiçosos (as) e não lhes apetece ir para as filas das urnas, já nos restantes casos acontece que deixaram de acreditar na classe política portuguesa. E aqui reside o cerne e preocupante detalhe da questão. É curioso constatar isto após 37 anos daquela que foi a revolução do 25 de Abril....É isto a democracia. Faz-se cair um regime, onde se alega que não era dada a oportunidade de expressar a intenção do voto (ou de escolha do Governo) e afinal...abre-se mão do direito conquistado. Enfim...

Não ir às urnas, sugere-me duas leituras. A primeira leitura tem que ver com a estupidez pura e tão normal no povo português. Alguém que não vai votar, justificando-se com "não vale a pena ir porque é mais do mesmo" não pode ser muito iluminado(a). Resumindo, se todos pensássemos dessa forma, ninguém votava. Portugal governava-se por si mesmo. Não tinha lugar o sufrágio e não era concedida a oportunidade aos portugueses de expressarem a sua opinião nas urnas.

A segunda leitura decorre da primeira. Está intimamente ligada. Não ir votar é ser conivente com o actual sistema governativo. É de alguma forma pautar-se pela máxima de "em equipa que ganha não se mexe", e estando satisfeitos com a "equipa vencedora", para quê gastar gasolina em ir até à escola primária onde costumo votar? Não vale a pena. Reside aqui a outra natural e significativa lacuna de inteligência. 

Logo a partir do momento em que são implementadas as chamadas medidas "impopulares", o povo reage. É normal. Mais uma vez estão a "ir-lhe ao bolso". Sempre aos mesmos. São esses mesmos que se insurgem e passam cerca de 1460 dias a lamuriar-se. Naquele dia em que lhes é dada a oportunidade de mudar o rumo da História, preferem ir até à Costa da Caparica ver uma bifa qualquer mostrar as mamocas. 

O meu melhor argumento neste momento, é que se faça o "esforço" (para quem assim o entende) de ir expressar a sua intenção de voto. Abstenção tem um significado bem diferente de voto em branco. E uma taxa de abstenção elevada (como aquelas que têm sido constatadas nos últimos actos eleitorais) aludem para o facto de que alguma coisa vai mal. Eventualmente o facto de estarem a vir cada vez mais bifas à Costa.

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quarta-feira, maio 25, 2011

Novos modelos

Para quem como eu gosta de se manter actualizado, o lançamento dos novos modelos, desde carros, telefones, computadores, etc., acaba por ser um "lugar comum". Algo que não se discute. E é complicado de ser explicado.

A indústria dos gadgets é porventura das mais rentáveis que existe. Porquê? Porque sempre houve, há e continuarão a haver pessoas como eu, que rapidamente ficam com o pulso acelerado e arrepios no corpo quando há um lançamento de um modelo novo. Sou assaltado por ideias de como e quando trocar aquele modelo que tenho, pelo melhor preço, e por forma a ser possível ter na minha posse o mais recente modelo de qualquer coisa.

Torna-se óbvio que esta matéria é imensamente delicada. Envolve o natural e óbvio estudo da matéria. Envolve ficar a dever algumas horas de sono à cama, durante uns tempos, para se ler todas as críticas (nacionais e internacionais) relativas a determinado assunto. Diga-se em abono da verdade que se for algo que queira mesmo, a leitura exaustiva é feita pela madrugada dentro, são interiorizadas as comparações, no dia a seguir temos "catedrático-na-matéria" e.....a compra acaba por ser rápida. 

Nestes casos...fico feliz por ter algo "novo"...e infeliz por ter a conta bancária mais "leve".

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terça-feira, maio 24, 2011

Parasitas da sociedade

Quem me segue há algum tempo neste espaço (exactamente 559 reflexões) sabe que sou uma pessoa crítica. Pauto-me por ser uma pessoa que partilha os seus pontos de vista: os mais corrosivos numas reflexões e os menos corrosivos noutras.

Em todo o caso, o tema da reflexão de hoje não é inédito neste blogue. Já aqui tinha falado do mesmo. Talvez com outro ênfase ou ou dedicando-lhe algumas palavras numa outra qualquer reflexão passada . Contudo, são cada vez mais os casos destes parasitas da sociedade que me são dados a conhecer.

Alguém que "dobra" os 38 anos e não consegue dizer rapidamente o que faz em concreto na vida, ou como a ganha (se preferirem) é sem dúvida alguém que não faz puto na vida. É o típico parasita. Vive à custa e à conta. Não tem dinheiro para nada. Crava tudo. Não é só o dinheiro, mas são também outras coisas. Tipo tabaco. Tipo o carro do amigo ou amiga. Tipo a casa de amigos que faz de hotel. Acorda tarde e a más horas, consequência das longas noites passadas em frente ao pc (sabe Deus a fazer o quê) ou na copofonia com os amigos.

Por vezes passam reportagens na televisão sobre estas pessoas. Percebo que há um denominador comum. Sorte ou azar, feliz ou infelizmente, afinam todos pelo mesmo diapasão: "Está tudo mal. A culpa é do Governo e dos capitalistas. Para quê cansar-me em procurar trabalho se posso continuar a receber do subsídio de desemprego?". Sem me alongar muito é em resumo o que normalmente acontece. Claro está que se tentarmos perceber o que é feito no dia-a-dia destas pessoas, e com vista a mudar esta realidade, facilmente se constata que a resposta é "nada". Zero. Bola. É mais fácil ser parasita.

 É esta a triste realidade de algumas pessoas. Triste ou alegre, até porque conheço muitas que não tencionam mudar ou esforçar-se por mudar nos próximos tempos. Dá trabalho. E...está calor nesta altura do ano.

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segunda-feira, maio 23, 2011

Pedir a mão

Um daqueles temas que apenas se me oferece imaginar como será. Se algum dia vier a acontecer, naturalmente. Não faço ideia, nesta altura do campeonato. No entanto, não deixo de olhar para alguns amigos meus e tentar imaginar o que terá sido sentido pelos mesmos quando foram pedir a mão da "noiva" e futura mulher.

Há muitos heróis. Vangloriam-se de feitos e de situações pelas quais já passaram evidenciando a sua coragem. Ninguém coloca isso em causa. Mas poucos são aqueles que já passaram por esta imensa e importante prova de masculinidade. Falo de algo "masculino" não medida em que não me recordo de alguma vez ter tido conhecimento de uma mulher que tivesse pedido a mão do "noivo" ou futuro marido à futura sogra. Não seria inédito ou abusivamente chocante. Digamos que seria diferente. Fora do normal.

Dou comigo a pensar em casos que me são próximos. O futuro sogro ser confrontado com o pedido da mão de uma das suas filhas (ou única) no dia em que conhece o genro. Aliás, penso não raro que tipo de assuntos devem ser abordados antes, nesse encontro. Para preparar o coração do ancião para o choque daí a pouco e que passa por anuir em ver entregar a mão (e o resto) da sua menina a outro macho.

Se e quando algum dia o fizer, naturalmente preocupado com a aceleração que o coração do futuro sogro poderá ter naquele instante, optarei pelo envio prévio de um e-mail. Ou um fax (se for um sogro avesso às novas tecnologias). Comunicando no mesmo propósito do encontro. Assim como assim posso evitar uma taquicardia ou mesmo um enfarte de miocárdio nos casos de pessoas mais sensíveis. 

É claro que tudo poderá ser minimizado se houver um relacionamento entre ambas as partes (futuro genro e futuro sogro). Aí vão sendo dadas pequenas dicas ao longo do tempo. E evitam-se surpresas repentinas. E ter-se-á um sogro com uma saúde de ferro durante muitos anos!

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domingo, maio 22, 2011

Segredos

Quem não é (ou já foi) fiel depositário de segredos de outrem, que atire a primeira pedra. Todas as pessoas guardam (ou já guardaram) os segredos de outras pessoas. Segredos esses que podem ser mais ou claro, menos importantes. 

Há pessoas que não conseguem guardar segredos. Aliás, são aquelas pessoas a quem conto algo quando quero que se saiba de imediato. Conto...e passados uns minutos começo a receber e-mails ou telefonemas com pedidos de clarificação ou de informação adicional. Estas são denominadas de"correios". Conheço algumas pessoas assim. Sentem uma necessidade enorme e mais forte que elas de partilhar os segredos que lhes são confiados por terceiros. Nesta medida é importante triar o que lhes é contado. E ficam muito sentidas quando lhes é dito que não têm travão na língua.

Há pessoas que estão num patamar diferente. Pessoas que consolidaram uma imensa confiança ao longo de meses ou anos e que lhes permite serem vistas como pessoas credíveis. Em quem se pode confiar. Pessoas que são procuradas quando se tem algo para partilhar ou confiar. Mas volto a dizer que é necessário que exista uma plataforma muito sólida de confiança. E que em muitos casos perdura durante décadas.

Infelizmente são cada vez menos as pessoas em quem se pode confiar. E a tendência é para que esta situação seja agravada, muito por culpa do stress quotidiano e a lógica indisponibilidade para o Diálogo entre ambas as partes. Mais sentida pela parte que quer partilhar um segredo e...não tem com quem!

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Evasões

Desde que me conheço como gente que já pensei várias vezes em evadir-me. Por exemplo, de uma qualquer prisão de alta segurança. Fura o esquema. Dar a volta a algo perfeitamente impossível de decifrar. Desenhar  e preparar a fuga durante alguns meses, e qual Houdini, pulverizar-me no ar.

Naturalmente que tal não é exequível. Por várias razões, começando pelo facto de não estar numa prisão de alta segurança. Quanto ao facto de ser o Houdini ou o Copperfield, já a coisa "pia" de outra forma. Vivendo em Portugal é quase impossível não assistir diariamente a ilusionismos ou evasões vários (as) e facilmente constatar que qual ilusionistas mais experientes, são vários os visados que conseguem evadir-se. Pulverizar-se no ar. 

É incontornável não falar daquele que porventura será o tipo de evasão mais conhecido - a evasão fiscal. Grosso modo, não pagar impostos. E de forma tranquila e pacífica, colocar o dinheiro num qualquer offshore desses rentáveis.

Consigo também congratular-me diariamente pelo facto viver em Portugal e de perceber que não existem por cá os mecanismos que permitam identificar os frequentes enriquecimentos ilícitos sem que seja dado conhecimento a quem de direito, ou seja, o "papão-Estado". Ou de tantos outros comportamentos à margem da Lei e que fazem com que quem os comete tenha de...se evadir. E não é que consegue?

É tempo de colocar um travão nestas evasões. Quer para as fiscais, quer para as de outro tipo qualquer. Não faz sentido continuar a assistir à impunidade com que estes eventos acontecem. E por vezes com o próprio conhecimento e conivência de quem manda...O que torna as coisas mais perigosas.

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sexta-feira, maio 20, 2011

O "berço"

São muitas as situações com as quais me deparo no dia-a-dia e que me sugerem a questão do "berço" de cada pessoa. 

Refiro-me a "berço" quando quero aludir ao facto de por vezes constatar que não existe educação, que não se sabe estar ou de simplesmente não serem conhecidas as regras básicas da convivência sadia (e harmoniosamente educada) para com outras pessoas. Exemplos típicos serão o cumprimentar alguém quando se chega a algum sítio, a forma de se dirigir a alguém com mais idade, o ceder passagem numa porta (e o abrir da mesma), o não iniciar a refeição antes de toda a gente ter a comida no prato, entre tantas outras situações.

Confesso que me diverte de sobremaneira a ostentação de quem não tem berço, ou por outras palavras, é "pato bravo". Alguém que não sabe falar ter um carro "xpto", porventura na esperança que o carro fale por si. Aliás, se os carros que muita gente ostenta falassem pelos donos, não haveria iletracia em Portugal. É claro que esse alguém faz o que quiser com o seu dinheiro, mas também me assiste o direito a pensar o que quiser. E que fique bem claro que em momento algum desdenho aquilo que não tenho.

Dizia-me a mãe de alguém há uns anos, que o "berço" não se adquire. E o dinheiro não compra. Ou se tem, ou não se tem. Duas possibilidades claras e inequívocas. E convido os/as meus/minhas seguidores/as a fazerem um exercício. Quando se lembrarem desta reflexão, pensem nas pessoas que vos rodeiam. Os vossos amigos e amigas. Vejam quantas pessoas são educadas a preceito. Daqueles antigos. Saberem estar. Saberem conversar (e escrever). Conseguirem ter bom gosto. Terem cultura. Terem uma mente estruturada e interessante. E talvez cheguem a conclusões engraçadas. Eu já cheguei.

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quinta-feira, maio 19, 2011

Faltar ao prometido

Faltar ao prometido é mau. Muito mau. Há uma série de expectativas criadas em relação a determinada situação, bem como uma organização da própria agenda que acabam por ser goradas.

Logicamente que aqui  escriba não é santo. Já conto com algumas "faltas ao prometido". Ou por falta de tempo, ou por falta de disponibilidade ou porque se meteu algo pelo meio que impossibilitou cumprir o que tinha prometido. Mas tento sempre, sempre que a outra parte não fique melindrada. Ou tão melindrada. Há factores que me são completamente alheios e nesta altura da minha vida são vários. E não controlo isso. Por muita vontade que tenha.

Importa salvaguardar a coerência e a sustentação nas justificações de falta ao prometido. É muito fácil cair na tentação de aceitar um final de semana mais "animado" no Algarve com um grupo novo amigos (e com aquela miúda giríssima com quem se trocam uns olhares cúmplices) do que um passar um final de semana no Porto (e já combinado há algumas semanas) com os amigos de sempre. Posteriormente, apenas se torna necessário inventar uma desculpa qualquer, em que a única pessoa que acredita é precisamente quem a dá. 

Lembrei-me do exemplo acima porque já aconteceu comigo e foi algo que marcou. Vindo de alguém que se considera verdadeiramente amigo custa mais. Entre tantos outros exemplos que aqui poderia dar. Garantidamente que muitas mais falhas ao prometido para comigo existirão no decurso da minha vida. Vindas de pessoas que estimo e a quem concedo crédito. Perdoo mas não esqueço. Feliz ou infelizmente.

Da minha parte, tentarei sempre evitar faltar aos meus compromissos.  E tentar sempre justificar e sustentar coerentemente as minhas faltas.

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quarta-feira, maio 18, 2011

Subserviência

Subserviência é uma característica que tem o singelo dom de me tirar do sério. Do nada, se me encontrar calmo, tranquilo e na Paz do Senhor, passo de imediato a um estado de inquietude e elevada ansiedade.

A razão é simples. Passa por alguém que percebo que presta um serviço ou executa algo que lhe é pedido com demasiada solicitude ou submissão. Isto, só por si, contraria tudo aquilo que na minha opinião é o correcto, aceitável e digno.

A subserviência tem outros aspectos negativo associados. Percebe-se facilmente e denuncia indubitavelmente quem o é. Ou seja, quando alguém está a dar a "dar graxa", percebe-se. Quando alguém diz "Ámen" a tudo o que lhe é dito ou evidencia uma prontidão fora do vulgar, percebe-se. E isso é muito mau.

Sem grande dificuldade associo uma pessoa demasiado subserviente a alguém pouco vertical ou mesmo pouco séria. Nestes casos, a fronteira entre o "socialmente aceite" e o "socialmente condenável" é ténue, sendo que o prato da balança não raro pesa no prato direito da balança. E claro, não implica que quem é tipicamente subserviente tenha essa consciência. O que por si, é um mau sinal.

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terça-feira, maio 17, 2011

Reconciliações

Tenho profundas reservas relativamente a todo e qualquer tipo de reconciliação. Por alguma razão, num passado que poderá ser mais ou menos longínquo, alguém se afastou derivado de alguma quezília, arrufo, mal entendido. O que se queira imaginar.

O que para uma das partes poderá legitimar um afastamento, para a outra pode não ser bem assim, ou não ser tão líquido. Daí, e a dado momento, ser tentada uma reconciliação, esgrimindo-se não raro argumentos tidos como suficientemente válidos para "desmontar" a tese defendida pela parte magoada e que valida um afastamento. Podendo o mesmo ser momentâneo ou continuado.

Objectivamente falando de relacionamentos afectivos, as pessoas "não estão pelos ajustes". Como já aqui tenho referido em textos anteriores, o quotidiano actual das pessoas deixa pouca margem para que exista paciência, discernimento e capacidade de perdoar. Donde, e consequentemente, no "fim de linha" assiste-se a uma taxa de divórcio altíssima. As pessoas não falam, preferem terminar. É mais fácil, e passa tudo para a barra do tribunal (nos casos mais extremados), resumindo-se tudo a números e umas idas ao advogado. Não se tenta perceber o que levou a que, em dado momento do "percurso conjunto" tivesse ocorrido um "incidente" e que fizesse com que cada uma das partes seguisse o seu caminho. A partir desse momento sem companhia.

Sem me querer alongar muito, defendo que as reconciliações no domínio dos relacionamentos afectivos pecam pela sua fragilidade. Não acredito que a relação volte a ser a mesma depois de uma das partes ter traído a confiança da outra. Ocorrem-me centenas de exemplos de traição de confiança e poucos ou nenhumas, na minha humilde e reservada percepção das coisas, têm a possibilidade de ter associado um perdão. Trair a confiança depositada é grave. Deixa uma marca indelével. E por muitas promessas que se façam na tentativa de reconciliação..há algo que ficará "beliscado" para sempre. Em dado momento, alguém em quem se acreditava e confiava, falhou. Isso não se esquece. E não é possível ser apagado. E claro, as coisas nunca mais serão as mesmas. Passa-se a estar em permanente "teste". Ao primeiro deslize...nova ruptura.

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segunda-feira, maio 16, 2011

Pastéis de Nata

Há temas que me são agradáveis de desenvolver. Especial e particularmente quando gosto dos mesmos. Tento ser coerente e "dividir" igualmente a minha opinião entre os temas que gosto, e que me são mais agradáveis, assim como outros temas, que não me sendo particularmente agradáveis, pela sua importância ou relevância em dado momento, opto por dar a conhecer a minha opinião.

Os pastéis de nata enquadram-se no primeiro grupo de temas. É um tema docemente agradável, digo mesmo. Avanço também com a informação que existem três bolos que fazem as minhas delícias (aliás, só de falar começo a ficar aguado): as bolas-de-Berlim, os pastéis de nata e os palmiers cobertos / recheados. O resto dos bolos também faço um "esforço" por comer, mas estes três, sem sombra de dúvida que figuram numa abusivamente selecta e manifestamente reduzida lista de bolos que têm o dom de me deleitar.

Contrariamente ao que muita gente defende de forma acérrima, os meus pastéis de nata preferidos não são provenientes da "fábrica-sita-ali-para-os-lados-de-Belém" e internacionalmente conhecida desde o também internacionalmente conhecido Vasco da Gama. Aliás, pessoalmente falando, entendo que se chegou a uma produção "massificada" o que faz com que o pastel de nata não seja "único". Embora seja (segundo dizem) utilizada a receita original desde sempre, e que só a cozinheira de 467 anos e mais duas empregadas conhecem, não me seduz e não me torna fã. Gosto, mas não adoro. E explico abaixo.

A questão é simples. Há várias pastelarias e com pastéis de nata melhores - opinião pessoal. O segredo do pastel de nata (partilha convosco este escriba doutorado na degustação deste magnífico bolo) está na forma como se dissolve na boca (a nata e a massa folhada). O travo cremoso - com uma nota que até pode ser de limão (e esta, hein?) e finalmente a côr do creme do pastel de nata (esbranquiçada ou amarelada). Aqui reside a explicação para eu não ser daquelas pessoas que "qual autómato" e em romaria vai a Belém.

Nota: Infelizmente, não posso neste momento comer os meus habituais 4 pastéis de nata. Por via de estar numa dieta rigorosa, no presente momento, é impraticável este meu prazer. Quem sabe daqui por algum tempo...

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Termas

Se a memória não me trai, estive uma vez numas termas. Não me lembro quais. E foi seguramente há mais de 30 anos, na medida em que apenas e só resta uma imensamente vaga lembrança.

A ideia que tenho das termas passa por achar que é a vida saudável que todos deviam ter seguir e não seguem. A dieta alimentar que devia ser respeitada e não o é. Enfim, boas práticas que acabam por passar ao lado. E com um rol de justificações legitimamente associadas.
As termas estão desde sempre associadas a fins terapêuticos. Há médicos que prescrevem umas temporadas nestes locais, assim se perceba mais-valia na saúde dos pacientes. Conheço pessoas (da idade dos meus Pais, na medida em que da minha idade não há!) que desde há décadas preferem passar umas temporadas nestes centros de "desintoxicação" ao invés de rumar às praias algarvias do Sul do País. 

São opções de vida, e para quem não gosta da confusão algarvia poderá optar de forma natural e madura por este tipo de férias.

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domingo, maio 15, 2011

Dietas

Nunca fui grande seguidor de dietas, nem tampouco acreditei nas mesmas. É certo que tenho a raríssima faculdade de emagrecer quando quero. Se é normal ou não nas outras pessoas, não sei. Mas sei que quando quero consigo. E agora quero emagrecer. A determinação é meio caminho andado para o sucesso neste caso.

Aprendi à minha custa que nada acontece por acaso. A semana passada tive um "pequeno sinal" de que tinha chegado o momento de perder peso. Basicamente, estando deitado, na cama e depois de um dia de trabalho, não me consegui levantar. Dor intensa e forte nos músculos lombares. Músculos tensos, contraídos e que me fizeram ficar uns largos minutos deitado sem me conseguir mexer ora para um lado, ora para o outro.

Desde que deixei de fumar, há um par de anos, que tenho vindo a ganhar peso. A par e passo do facto de já não caminhar para novo, bem como o seguir uma dieta alimentar desequilibrada, era inevitável e expectável que o ponteiro da balança rumasse de vertiginosa e rápida para a escala onde passam a existir 3 algarismos significativos, sempre que me posicionava em cima da balança.

E foi este o momento que encontrei para acolher e aceitar de braços abertos este novo desafio e que será marcado por duas etapas: a) Perda de peso e b) Ganho de massa muscular ou tonificação da já existente. Tudo isto acompanhado de uma monitorização de 4 parâmetros, diariamente, e ainda recorrendo a um gráfico feito numa folha de excel.

Para pessoas como eu, perder peso é relativamente simples, até determinada altura. Basicamente, a fase em que me encontro é marcada pela perda de líquidos (na medida em que faço retenção dos mesmos). Tal tem associado o conhecido inchaço e ainda alguma dificuldade na movimentação, acompanhada da frequente e mais rápida sensação de cansaço. Com os "clássicos" 1,5 litros de água sugeridos em qualquer bom livro de dietas, e que tenho ingerido por dia, percebo que "tudo o que entra tem de sair". Basicamente, e na minha visão de engenheiro, o meu corpo é um "sistema aberto", onde por um lado há uma entrada de líquidos, e por outro lado há a saída de igual ou maior quantidade. Depende, claro está, da forma como trabalham os rins. E como têm trabalhado!

É importante que todo este processo de perda de peso seja avaliado e acompanhado de forma cuidada. Não é bom perder peso muito rapidamente. Ou induzir uma sobrecarga de trabalho ao sistema renal. Além dos problemas que poderão eventualmente surgir e que podem ter que ver com cálculos renais...
Deixar de ganhar peso é simples.Sempre ouvi dizer que as boas dietas são aquelas em que se come de tudo um pouco, mas de forma moderada. Importa assim, que eu, que sempre gostei de comer em qualidade (e quantidade) passe a ter em atenção a quantidade que como. 

É por aí que estou a atacar esta questão. Com sucesso, em menos de uma semana.

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sábado, maio 14, 2011

Fatalismo

A visão permanentemente fatalista das coisas tem o dom de me tirar do sério. Nunca nada está bem, o mundo inteiro está contra essa pessoa e não nada de bom acontece. Tudo o que acontece é mau. Deverá ser evitada esta abordagem e forma de estar errada na vida.

Não me admirava que uma qualquer Universidade do Estado do Arkansas, à semelhança do que já nos habituou noutros estudos interessantíssimos, chegasse à brilhante conclusão de que quem é fatalista vive menos. Porque vive em conflito permanente, porque vive ansioso e ainda vive sempre angustiado. E isto caros leitores e leitoras, é mau. Péssimo. Desgasta, cansa e torna as pessoas irritadiças, sem paciência e com uma visão muito particular (nem por isso correcta) de tudo o que acontece à sua volta.

Um dos factores que contribui para que alguém seja fatalista, acaba por ser a envolvente em que essa pessoa se move ou vive. Acredito que seja complicado para alguém ser optimista, ou encarar a vida com positivismo quando quer em casa, no grupo de amigos e com colegas de trabalho perceba que estes estão desmotivados, não vêem solução à vista e deixaram de acreditar há muito que é possível que exista felicidade. Ou momentos menos maus.

Outro factor (entre vários outros) tem que ver com a força interior que a pessoa tem. Com a sua capacidade de análise e reactividade quando perante uma situação menos boa. Não será por ter tido um "toque" com o carro há 15 anos que as pessoas deixam de conduzir. Azares acontecem, e ninguém está livre deles. Neste caso concreto, só não acontecem a quem não anda na estrada!

É o chamado factor imprevisível. Como este exemplo haverá muitos mais. E...só não há solução para a morte.

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sexta-feira, maio 13, 2011

Crime Passional

Já ouvi várias vezes a tão célebre "deixa de amor": "Não és meu/minha, não serás de mais ninguém". É com toda a certeza mais um lugar comum e certamente que algumas das pessoas que lêem esta reflexão já teve a infelicidade de ouvir, ou de experimentar estas sensações num passado que pode ser recente ou mais longínquo.

Em primeiro lugar, é preciso ser-se doente para "cegar" e chegar a este ponto. Com toda a legitimidade, causa um incómodo enorme, provoca o receio e a perturbação a quem é ameaçado. Piora tudo quando quem é (ou está a ser ameaçado) já refez ou está a tentar refazer a vida com outra pessoa.

Em segundo lugar, a escolha da "não queixa" ou comunicação às autoridades competentes, faz com que a pessoa que está descompensada possa continuar neste registo de terror psíquico (ou físico). Algumas vezes estão envolvidos filhos pequenos e numa tentativa de não fazer a delação do cônjuge (ou companheiro/a), protegendo assim os menores, é-se conivente com uma situação bera. E que poderá ter como consequência final sérios problemas de carácter psicológico. Alguns deles indeléveis e muito complexos. Ou a morte, como se sabe.

Em terceiro e último lugar, a percentagem de crimes passionais é expressiva e entendo que deve ser alvo de mais atenção do que aquela que lhe tem sido despendida. Assiste-se também ao fenómeno relativamente recente de óbitos que têm lugar em jovens casais de namorados, que tipicamente não lidam bem com a recusa do companheiro/a e encontram no homícidio do(a) parceiro(a) a resposta para estas questões.

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Peregrinos

Desde que me conheço que sempre tive uma admiração especial pelos peregrinos. Falando daqueles e daquelas que vão a Fátima pelo 13 de Maio, vejo como nobre este acto heróico de, em alguns casos, ir a pé,  sendo que para tal será necessário calcorrear algumas centenas de quilómetros.

Uma das razões pelas quais admiro os peregrinos é sem dúvida a sua força de vontade interior. Tomara muitos jovens ter aquela força interior que alguns octogenários que andam na estrada rumo a Fátima têm. Mulheres e homens que movidos pela Fé, andam. Caminham. Rumo a Fátima.

A razão de ser desta força interior tem uma explicação - Fé. É algo que não se explica, sente-se. Quem não tem Fé ou não é crente, não entende. Nunca conseguirá entender como consegue uma pessoa, nesta altura do ano, e com idade avançada, percorrer dezenas (em alguns casos centenas) de quilómetros para ir assistir à Missa em Fátima.

Tenho ideia que hoje em dia nenhum peregrino está sozinho na sua incursão a Fátima. Em primeiro lugar, está sempre com Deus, naturalmente. Em segundo lugar, nos dias que correm é possível que a sua viagem a pé seja suportada e acompanhada de perto por um dispositivo ad hoc. Em contínuo, é possível prestar assistência médica aos necessitados, e garantir alimentos sólidos e líquidos para estes corajosos (as). E naturalmente que isto tranquiliza e apazigua os familiares de quem é peregrino. E anualmente vai a Fátima agradecer algo. E colocar uma vela!

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terça-feira, maio 10, 2011

Reestruturações

Reestruturações é a "palavra de ordem" que mais se tem ouvido nos últimos dias. Em plena campanha eleitoral, e com as mais recentes recomendações do FMI, o governo demissionário e os candidatos a Primeiro Ministro têm de interiorizar esta palavra.

Tenho para mim que as reestruturações podem efectivamente ser más. Por vezes, na ânsia de conter ou "balizar" uma eventual e mais que certa convulsão social, acabam por ser tomadas decisões que  vinculam e hipotecam a harmonia desejável de uma nação. Lembro-me por exemplo das naturais, comuns e tão conhecidas trocas de responsáveis pelas "pastas" de determinados Executivos. Claro que falo dos ministros. Mas a mesma análise poderia ser aplicável a qualquer cargo de responsabilidade em qualquer instituição pública ou privada.

Uma das formas para obter êxito nas escolhas dos ministros, por exemplo, passa não só pela análise curricular dos mesmos, mas também pela percepção da sua capacidade de gestão de um ministério. Há testes que podem ser feitos - psicotécnicos e entrevistas realizadas por empresas especializadas que com toda a certeza permitem a quem de direito perceber se a escolha é a acertada ou nem por isso.

Reestruturações em "cima do joelho" dão mau resultado. A história mostra que quando estas reestruturações acontecem para "tapar algum buraco", as próprias escolhas para esses cargos acabam por se mostrar surpresas com a escolha. E claro, quando se lhes é pedido que "façam omeletes sem ovos", naturalmente que não conseguem. Não é possível. Outra abordagem, que também ocorre, passa pela análise curricular. Sendo  normalmente este o critério seguido. Um bom académico, com um currículo fortíssimo pode não ser um bom político. Temos tido vários ministros com um percurso académico notável, mas que quando confrontados com a vida política acabam por evidenciar não terem sido boas escolhas. Pelo facto de só se ter atendido, por exemplo, a um percurso académico ou profissional. Mas não político.

Sou a favor que se façam reestruturações. Sempre para melhor e nunca para pior. E nos últimos tempos é o que mais tem acontecido. Infelizmente.

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segunda-feira, maio 09, 2011

Sentido de orientação

Acho que todas as pessoas deviam dar importância ao terem ou desenvolverem o seu sentido de orientação. É importantíssimo e faz toda a diferença, entre chegar a horas e chegar tarde porque se perdeu no caminho.

Desde há algum tempo que optei pelo GPS. Não só me é dada uma estimativa do tempo que demoro a ir de "A" para "B", como, com um grau de certeza elevado, permite-me chegar onde quero com relativa rapidez. Dependerá do trânsito, semáforos e claro, se não apanhar algum "domingueiro" pelo caminho.

Assusta-me a falta de sentido de orientação de algumas pessoas, e a tranquilidade com que vivem com esta lacuna. Confesso que me irrita um pouco, na medida em que quaisquer 70€ (ou valor próximo) compram uma dessas máquinas (GPS) que se colam ao vidro dianteiro do carro. Não há desculpa. Mesmo na internet, há soluções para quem quer saber como chegar a qualquer destino, incluindo fotos de satélite, possibilidades várias de transporte, etc.

Da próxima vez que não souber que direcção tomar, procure antes de usar mais uma vez a treta da desculpa do "Perdi-me 4 vezes antes de chegar aqui, daí o atraso". Cai mal, tendo em consideração as soluções ao alcance de qualquer um, nos dias que correm. 

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domingo, maio 08, 2011

Anulação

A anulação é daquelas coisas que quando acontecem é muito mau sinal. Para mim, é igualmente sinónimo de alguém que não tem personalidade ou voto na matéria, e que prefere que a "outra parte", tipicamente uma personalidade dominante, prevaleça. Para evitar confusões e confrontos desnecessários, ouve-se com frequência.

Sou radicalmente contra este tipo de pensamento ou forma de estar na vida. Aliás, acredito que anular-se em função de outrém é um mau princípio e colide frontalmente com as regras da "fórmula" da relação sadia. E caros amigos (as), cada vez acontece com mais frequência.

Um dos sinais claros passa pelo facto de uma das partes da relação entregar-se de corpo e alma na relação. E do outro lado não há uma entrega na mesma proporção. Ao longo do tempo, que podem ser meses ou anos, essa entrega é cada vez mais evidente e mais acentuado o fosso entre ambas as partes. E claro, a consequente anulação de uma das partes. Ou seja, há uma das partes que se anula em prol de outra. Por exemplo, deixa de estar com os seus amigos de sempre, deixa de fazer o que fazia antes do início da relação, entre outros exemplos que poderiam aqui ser dados. Resumidamente, em vez de ser tentado o equilíbrio entre ambas as vontades e entregas, opta-se pelo caminho mais fácil. Torna-se claro que uma das partes perde bem mais que outra.

A anulação tem regra geral um resultado péssimo e regra geral, as coisas não correm bem. Terminada a relação, aquela parte que se anulou não tem amizades. Porquê? Porque decidiu entregar-se de corpo e alma à relação, e como tal "abriu mão" da consolidação das amizades de sempre. Não é inédito. Nem será caso único.

Mais uma vez....é algo que poderá ser resolvido com recurso ao Diálogo. Assim haja vontade.

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sábado, maio 07, 2011

Dislexia

Sem querer entrar em grande detalhe técnico (deixo isso para os profissionais da saúde - médicos, terapeutas e afins), entendo que a dislexia está associada à dificuldade na leitura, na escrita e na soletração.  Pode igualmente ser identificada nas salas de aula, intimamente associada a uma dificuldade na aprendizagem.

Ao longo dos tempos tenho conhecido vários disléxicos (as).  Há aqueles casos em que será mais evidente e aqueles em que não será tanto. A habitual e sintomática troca de letras na construção de uma palavra e/ou associada a uma deficiente construção frásica são os sintomas típicos de quem é disléxico. Entre vários outros sintomas, naturalmente.

Não existe grande coisa que o comum mortal possa fazer. Não judiar com alguém que é disléxico parece-me ser um bom princípio. Ser compreensivo e não estar recorrentemente a chamar a atenção parece-me igualmente sensato e adequado. É claro que em idades mais jovens, é importante que exista uma preocupação e acompanhamento  dos pais no sentido de prevenir que a dislexia seja agudizada. Para isso há terapias, há acompanhamento profissional.

No caso de adultos, o primeiro passo para a "cura" passa invariavelmente pela interiorização do problema, e naturalmente pela procura de meios adequados para que não esteja tão evidenciada a dislexia no dia-a-dia e seja possível "amenizar" a mesma.

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sexta-feira, maio 06, 2011

Queima das Fitas

A queima das fita sempre foi para mim um assunto muito delicado. Não porque não concorde que em dado momento do percurso académico dos universitários, a mesma tenha lugar. Não porque não concorde que exista as tunas académicas ou os trajes académicos. Mas sim porque nada disto me puxou minimamente durante os meus anos de faculdade. Nunca.

Embora tenha estado sempre ligado ao associativismo académico, todas estas particularidades e eventos específicos, passaram-me ao lado. Aliás, cheguei a gozar com estas coisas. Apenas ía às festas das faculdades (especialmente as de farmácia e de psicologia - onde tipicamente havia mais mulheres).

Zombei sempre com os "corvos". Foi sempre mais forte que eu. Volto a dizer que não tenho nada contra o andar trajado e a praxar a caloirada. Mas entendo que há muito "coirão", que anda a marcar passo na faculdade (com os papás a bancarem os estudos), e com bom físico para alancar com uns valentes baldes de cimento no obral. Acredito ser "uma fuga para a frente" e o medo de enfrentar o mundo duro do trabalho.

Torna-se para mim claro e óbvio que alguém que vive intensamente a vida académica anseie pelo momento único da queima das fitas. Um pouco aquilo que acontece com as escolas de samba aquando da preparação do tão colorido Carnaval carioca ou por cá, os típicos bairros lisboetas na preparação das marchas populares. Já no nosso caso, do tema de hoje, o evento da queima é marcado pelos pardos trajes e pior, com a família a ver este espectáculo, com as pastas (com as fitas do curso) nas mãos. Certamente que iria ser gozado pelos meus primos o resto da minha vida. 

Em bom rigor, o que deveria constituir um momento único, de culminar de mais um processo educativo, não o é na verdadeira acepção do termo. Ou seja, são em maior número os estudantes que vão queimar as fitas e a quem falta mais de metade do curso para terminar, do que aqueles que vão queimar as fitas em devido tempo. Mas isso nota-se bem pela tez bronzeada dos calões (delas e delas) em contraste com a pele macilenta daqueles que religiosa e esforçamente seguiram um percurso académico exemplar e ali terminam o mesmo. Embora também acredite que estes últimos estudantes não conheçam os prazeres da vida aos 23 anos, mas isso é outra conversa.

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quinta-feira, maio 05, 2011

Cegueira

A cegueira é um dos temas que mais me faz pensar. Por um lado, existem todas as pessoas que nascem cegas, que nunca viram a côr das coisas, e que sempre sentiram a forma de um copo através da ponta dos dedos. Por outro lado, existem as doenças degenerativas que podem conduzir à perda deste sentido tão importante (eg.: diabetes).

É deste segundo grupo de pessoas falarei hoje, na medida em que é aquele que mais impressão me causa. Explico porquê. Uma coisa é alguém que não sabe o que é o encarnado, ou nunca ter visto um cão. Nasce, vive e morre na ignorância. Penso muita vez como será que um cego idealiza um cão. Sem nunca ter visto um. Ou outra coisa qualquer que possamos imaginar. Sem nunca terem visto um. Um exercício fácil será pedirmos a alguém para nos dar a tocar um objecto que nunca tenhamos visto antes. Experimentem fazê-lo.

Outra análise bem diferente será sustentada no facto de alguém que a dado momento da sua vida perde a visão. Uma possível causa será uma doença aguda, como sejam as diabetes (exemplo). Aqui, parece-me a mim, é muito pior. A questão prende-se com o facto de alguém saber como é um cão. Ou um copo. Ou uma rosa. Mas nunca mais poder ver qualquer um deles. Nunca mais se terá oportunidade de ver um jogo de futebol (para quem gosta) ou de ver a primeira queda do neto (ou filho, nos casos das diabetes que aparecem em pessoas novas). E isto sim...é mau. É frustrante. Mas "a vida continua"..como diria o outro.

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quarta-feira, maio 04, 2011

Responsabilidade Profissional

Tenho vindo a constatar que o meu conceito de responsabilidade profissional é diferente daquele conceito que muita gente tem. Não entendo bem porquê, mas percebo há muito boa gente que, de forma leviana e irreflectida, aparentemente não é  responsável na sua actividade profissional e mais, não há mecanismos de responsabilização destas pessoas no caso de algum azar acontecer.

Tomemos como exemplo um motorista de um autocarro de passageiros. Não tenho nada contra esta classe profissional. Podia dar também o exemplo de um motorista de um autocarro de miúdos da escola, de um taxista, ou outro qualquer que me tivesse lembrado primeiro.

São pessoas que usualmente estão habituadas a fazer viagens longas. Conduzem estes "monstros da estrada" há algumas décadas, sendo que, quando começaram as coisas eram diferentes. Não só a tecnologia em termos de autocarros evoluiu para melhor, (afinal trata-se de um meio de transporte muitíssimo confortável, com boas cadeiras, televisão, ar condicionado, etc.), bem como em toda uma série de ajudas ao condutor. Algumas para evitar que se distraia. Para quem não sabe, há uma preocupação por parte dos construtores de automóveis, com questões ergonómicas do condutor, dos comandos à sua disposição, por forma a evitar distracções desnecessárias. Ou seja, e por exemplo evitar tirar os olhos da estrada. Paralelamente há instrumentos legais que regulamentam as horas de condução para estes motoristas. Quer nos veículos pesados de passageiros, quer nos veículos pesados de mercadorias - os tacógrafos.

O que acontece é que, por mais factores criados para evitar tragédias, há sempre a considerar o factor humano. É precisamente aqui que tudo muda. A necessidade de cumprir horários, a distracção momentânea (pode acontecer) e sucede o pior. Com resultados muito maus por vezes. A questão, para mim, passa pela não formação e informação adequada das pessoas. No caso concreto, destes condutores. A adaptação da condução de determinado veículo às condições climatéricas adversas, a prática de velocidade excessiva e do excesso de velocidade em troços não conhecidos, a condução sem recurso repouso adequado (ou sob efeito de alcóol, estupefacientes ou drogas) são sem sombra de dúvida conducentes ou promotores de uma desgraça.

O que sucede, na maioria das vezes, é que não há a responsabilização do indivíduo. Há no entanto famílias destroçadas, ou mesmo famílias inteiras que são perdidas / dizimadas nestes infelizes acidentes. Resultado? Uma ida a Juízo, uma história habilmente montada pelo advogado de Defesa e uma acusação de homícidio involuntário pelo facto de ser a primeira vez, pelo facto de até ter sido sempre um empregado exemplar e com uma folha limpa, isenta de incidentes ou mesmo de acidentes.

E é assim que usualmente se resolvem as coisas cá no feudo. Uma indemnização "mixuruca", paga pela seguradora da transportadora e a vida continua. E é precisamente aqui que entendo que falha o sistema. Começando pela acusação. Há sempre uma causa alheia ao condutor. São raros os casos em que é provada a sonolência (ausência de descanso) ou uma distracção que culmina numa desgraça. Não existe uma responsabilização profissional do motorista ou do condutor de um carro que mata uma família por estar a fazer uma corrida com outro colega. Entre tantos outros exemplos.

Vivemos num País de brandos costumes. Onde há sempre alguém que desculpabiliza a irresponsabilidade de outrém. Onde prevalece sempre a ideia de que o causador de algum transtorno, problema profissional ou em casos extremados, a morte, tem uma família para sustentar. Ou que naquele dia houve um azar.

Não defendo sanções exemplares, nem tampouco me refiro a degolar as pessoas por terem tido um azar de percurso. Acho contudo que as pessoas têm de ter consciência do que fazem, como fazem e em que condições fazem. Só assim está presente a assumpção da responsabilidade e naturalmente uma maior segurança. Para evitar erros.

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terça-feira, maio 03, 2011

Curandeiros

Num dos vários artigos que ultimamente me chamaram a atenção, um deles foi sobre uma curandeira.

Tendo na família vários médicos e médicas e confesso, para começar, que tenho algumas reservas sobre os curandeiros. Atenção, digo que tenho reservas, não digo que não acredito. Na minha percepção e lógica de entendimento das coisas, a medicina tradicional dá resposta a 98% das situações apresentadas. Dependerá claro está dos profissionais da saúde, dos aparelhos utilizados e do estado mais ou menos avançado da doença, origem das queixas do doente. Entre outros factores.

Já os curandeiros têm uma percepção diferente das coisas. Tipicamente são pessoas que têm um "dom" divino.Vêem coisas que os médicos não vêem. Onde tocam curam. Assim a doença não esteja num estado avançado de desenvolvimento - como é normal. Aí não há nada a fazer.

Tive apenas uma experiência com algo deste género - o Reiki. No caso, uma pessoa tentou fazer com que um cão que tive, conseguisse recuperar. Contudo, fiquei a pensar nestes dons. Inatos ou treinados ao longo de vidas que algumas pessoas têm. O que é certo é que muitas dores, cefaleias, constipações, são curadas. E tenho esse testemunho dado por mais que uma pessoa.

É complicado para mim entender este tipo de coisas, na medida em que foge de um entendimento simples, directo e lógico. São situações em que a medicina tradicional por vezes não consegue explicar, há também lugar a curas milagrosas e constata-se que há pessoas que efectivamente têm um dom. Nas mãos e nas mezinhas que preparam / administram. E que resolvem os problemas.

Dá que pensar!

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segunda-feira, maio 02, 2011

Viagra

Há dias li um artigo num semanário sobre o "comprimido azul". Como qualquer peça jornalística que se preze, estava a mesma bem documentada, bem sustentada e evidenciava um bom trabalho de investigação por parte do jornalista. Em suma, condições que entendo serem essenciais para que uma peça deste tipo capte a minha atenção. E logo com um tema tão actual e interessante. Não que precise de recorrer ao mesmo, graças a Deus, mas gosto de estar informado acerca das modas actuais.

Pelo que li, há três marcas de laboratórios que dão felicidade a muitos lares: o Levitra (menos receitado), ocupa a terceira posição. O Cialis, da Holanda, cuja acção pode durar 36 horas assim haja estímulo - esgota frequentemente (vá lá saber-se porquê), e não pela procura nacional, mas sim pela exportação de grande quantidade. E claro, o Viagra.

A descoberta do Viagra teve lugar acidentalmente. Uma equipa num laboratório multinacional em Kent (Inglaterra), estudava um comprimido que curasse a angina de peito ou hipertensão. Após ensaios clínicos percebeu-se que os pacientes tinham erecções imediatas. Não deixa de ser curioso, se pensarmos bem na situação...alguém com problemas no coração e ter a outra "bomba" em pleno funcionamento. Durante horas....

Há uma teoria comummente defendida no meio científico e que acho que espelha bem a realidade do comprimido azul: "O Viagra deu um novo pénis aos homens, mas não deu novas vaginas às mulheres". Vejamos alguns números (como habitualmente gosto de explanar): a história da Humidade é clara e inequívoca - o orgasmo para o homem é de cerca de 3 minutos enquanto que para o sexo oposto é de 7 minutos (sendo que por vezes não chegam para ver as estrelas...). O que acontece é que estes comprimidos vão desvirtuar por completo o relacionamento sexual. Por vezes, outros problemas como sejam a disfunção eréctil por ajudar o casal. Há o mesmo ritmo, pois a mulher, por vezes não tem desejo. Sendo que, claro está, é um problema que poderá afastar ou aproximar o casal. Introduzir um destes comprimidos, como por exemplo o Cialis (também conhecido como comprimido do final-de-semana), é perigar a relação. Natural e logicamente que passa a haver vontades diferentes e entregas diferentes. Com as devidas consequências para o casal.

São cada vez mais os casos de jovens que recorrem ao Viagra para provar a masculinidade às companheiras. Há relatos de um número expressivo de avôs e pais que de um momento para o outro pedem aos netos / filhos para lhes fazerem o favor de dar um salto à farmácia e comprar uma caixa da pílula azul. A situação belisca o sublime quando se junta o alcóol a rodos e o rock´n´roll. Sem que pelo caminho se perca pitada de....vontade.

Já não há homens como antigamente!

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domingo, maio 01, 2011

Mania da Perseguição

Ultimamente tenho conhecido várias pessoas com a mania da perseguição. Muitas mesmo. Não percebi ainda se é uma moda, se passou a "ser bem" ter esta mania, mas o que é certo é que constato que anda por aí muita gente que pensa que todos lhe querem fazer mal.

Certamente têm as suas razões. Passados recentes ou distantes conturbados, relações afectivas / profissionais conflituosas, entre outras situações, que ditam ou podem ditar / conduzir a comportamentos atípicos e usualmente caracterizados pelas respostas evasivas, pelos ataques permanentes e pela sempre presente desconfiança.

Todos temos problemas. Diariamente surgem situações novas que carecem de resolução.A forma como cada um resolve os seus problemas pessoais não pode, ou não deve, interferir com a sociabilização com os demais. Ninguém é culpado de problemas passados e muito menos concordo que deva mostrar, ou por outra, que lhe seja exigido que mostre que é merecedor da atenção. Aquilo que acontece é precisamente o contrário. Por via de passados complicados, ou te ter havido sofrimento, surge a ideia de que não há pessoas boas. Pessoas de bem. É pedido às pessoas que permanentemente mostrem o que valem. Não é concedido crédito nem tampouco o benefício da dúvida a alguém. Por outras palavras, torna-se frequente que seja pedido a alguém que "pague o pato". Mesmo que esse alguém nunca o tenha visto..

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