sexta-feira, maio 13, 2011

Crime Passional

Já ouvi várias vezes a tão célebre "deixa de amor": "Não és meu/minha, não serás de mais ninguém". É com toda a certeza mais um lugar comum e certamente que algumas das pessoas que lêem esta reflexão já teve a infelicidade de ouvir, ou de experimentar estas sensações num passado que pode ser recente ou mais longínquo.

Em primeiro lugar, é preciso ser-se doente para "cegar" e chegar a este ponto. Com toda a legitimidade, causa um incómodo enorme, provoca o receio e a perturbação a quem é ameaçado. Piora tudo quando quem é (ou está a ser ameaçado) já refez ou está a tentar refazer a vida com outra pessoa.

Em segundo lugar, a escolha da "não queixa" ou comunicação às autoridades competentes, faz com que a pessoa que está descompensada possa continuar neste registo de terror psíquico (ou físico). Algumas vezes estão envolvidos filhos pequenos e numa tentativa de não fazer a delação do cônjuge (ou companheiro/a), protegendo assim os menores, é-se conivente com uma situação bera. E que poderá ter como consequência final sérios problemas de carácter psicológico. Alguns deles indeléveis e muito complexos. Ou a morte, como se sabe.

Em terceiro e último lugar, a percentagem de crimes passionais é expressiva e entendo que deve ser alvo de mais atenção do que aquela que lhe tem sido despendida. Assiste-se também ao fenómeno relativamente recente de óbitos que têm lugar em jovens casais de namorados, que tipicamente não lidam bem com a recusa do companheiro/a e encontram no homícidio do(a) parceiro(a) a resposta para estas questões.

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