sexta-feira, maio 06, 2011

Queima das Fitas

A queima das fita sempre foi para mim um assunto muito delicado. Não porque não concorde que em dado momento do percurso académico dos universitários, a mesma tenha lugar. Não porque não concorde que exista as tunas académicas ou os trajes académicos. Mas sim porque nada disto me puxou minimamente durante os meus anos de faculdade. Nunca.

Embora tenha estado sempre ligado ao associativismo académico, todas estas particularidades e eventos específicos, passaram-me ao lado. Aliás, cheguei a gozar com estas coisas. Apenas ía às festas das faculdades (especialmente as de farmácia e de psicologia - onde tipicamente havia mais mulheres).

Zombei sempre com os "corvos". Foi sempre mais forte que eu. Volto a dizer que não tenho nada contra o andar trajado e a praxar a caloirada. Mas entendo que há muito "coirão", que anda a marcar passo na faculdade (com os papás a bancarem os estudos), e com bom físico para alancar com uns valentes baldes de cimento no obral. Acredito ser "uma fuga para a frente" e o medo de enfrentar o mundo duro do trabalho.

Torna-se para mim claro e óbvio que alguém que vive intensamente a vida académica anseie pelo momento único da queima das fitas. Um pouco aquilo que acontece com as escolas de samba aquando da preparação do tão colorido Carnaval carioca ou por cá, os típicos bairros lisboetas na preparação das marchas populares. Já no nosso caso, do tema de hoje, o evento da queima é marcado pelos pardos trajes e pior, com a família a ver este espectáculo, com as pastas (com as fitas do curso) nas mãos. Certamente que iria ser gozado pelos meus primos o resto da minha vida. 

Em bom rigor, o que deveria constituir um momento único, de culminar de mais um processo educativo, não o é na verdadeira acepção do termo. Ou seja, são em maior número os estudantes que vão queimar as fitas e a quem falta mais de metade do curso para terminar, do que aqueles que vão queimar as fitas em devido tempo. Mas isso nota-se bem pela tez bronzeada dos calões (delas e delas) em contraste com a pele macilenta daqueles que religiosa e esforçamente seguiram um percurso académico exemplar e ali terminam o mesmo. Embora também acredite que estes últimos estudantes não conheçam os prazeres da vida aos 23 anos, mas isso é outra conversa.

Próximo Tema: Dislexia

Sem comentários: