quarta-feira, maio 04, 2011

Responsabilidade Profissional

Tenho vindo a constatar que o meu conceito de responsabilidade profissional é diferente daquele conceito que muita gente tem. Não entendo bem porquê, mas percebo há muito boa gente que, de forma leviana e irreflectida, aparentemente não é  responsável na sua actividade profissional e mais, não há mecanismos de responsabilização destas pessoas no caso de algum azar acontecer.

Tomemos como exemplo um motorista de um autocarro de passageiros. Não tenho nada contra esta classe profissional. Podia dar também o exemplo de um motorista de um autocarro de miúdos da escola, de um taxista, ou outro qualquer que me tivesse lembrado primeiro.

São pessoas que usualmente estão habituadas a fazer viagens longas. Conduzem estes "monstros da estrada" há algumas décadas, sendo que, quando começaram as coisas eram diferentes. Não só a tecnologia em termos de autocarros evoluiu para melhor, (afinal trata-se de um meio de transporte muitíssimo confortável, com boas cadeiras, televisão, ar condicionado, etc.), bem como em toda uma série de ajudas ao condutor. Algumas para evitar que se distraia. Para quem não sabe, há uma preocupação por parte dos construtores de automóveis, com questões ergonómicas do condutor, dos comandos à sua disposição, por forma a evitar distracções desnecessárias. Ou seja, e por exemplo evitar tirar os olhos da estrada. Paralelamente há instrumentos legais que regulamentam as horas de condução para estes motoristas. Quer nos veículos pesados de passageiros, quer nos veículos pesados de mercadorias - os tacógrafos.

O que acontece é que, por mais factores criados para evitar tragédias, há sempre a considerar o factor humano. É precisamente aqui que tudo muda. A necessidade de cumprir horários, a distracção momentânea (pode acontecer) e sucede o pior. Com resultados muito maus por vezes. A questão, para mim, passa pela não formação e informação adequada das pessoas. No caso concreto, destes condutores. A adaptação da condução de determinado veículo às condições climatéricas adversas, a prática de velocidade excessiva e do excesso de velocidade em troços não conhecidos, a condução sem recurso repouso adequado (ou sob efeito de alcóol, estupefacientes ou drogas) são sem sombra de dúvida conducentes ou promotores de uma desgraça.

O que sucede, na maioria das vezes, é que não há a responsabilização do indivíduo. Há no entanto famílias destroçadas, ou mesmo famílias inteiras que são perdidas / dizimadas nestes infelizes acidentes. Resultado? Uma ida a Juízo, uma história habilmente montada pelo advogado de Defesa e uma acusação de homícidio involuntário pelo facto de ser a primeira vez, pelo facto de até ter sido sempre um empregado exemplar e com uma folha limpa, isenta de incidentes ou mesmo de acidentes.

E é assim que usualmente se resolvem as coisas cá no feudo. Uma indemnização "mixuruca", paga pela seguradora da transportadora e a vida continua. E é precisamente aqui que entendo que falha o sistema. Começando pela acusação. Há sempre uma causa alheia ao condutor. São raros os casos em que é provada a sonolência (ausência de descanso) ou uma distracção que culmina numa desgraça. Não existe uma responsabilização profissional do motorista ou do condutor de um carro que mata uma família por estar a fazer uma corrida com outro colega. Entre tantos outros exemplos.

Vivemos num País de brandos costumes. Onde há sempre alguém que desculpabiliza a irresponsabilidade de outrém. Onde prevalece sempre a ideia de que o causador de algum transtorno, problema profissional ou em casos extremados, a morte, tem uma família para sustentar. Ou que naquele dia houve um azar.

Não defendo sanções exemplares, nem tampouco me refiro a degolar as pessoas por terem tido um azar de percurso. Acho contudo que as pessoas têm de ter consciência do que fazem, como fazem e em que condições fazem. Só assim está presente a assumpção da responsabilidade e naturalmente uma maior segurança. Para evitar erros.

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