quinta-feira, maio 26, 2011

Votar ou não votar?

A uma semana de mais um acto eleitoral, importa referir que está praticamente concluída a minha tarefa de "evangelização" de várias pessoas conhecidas. Não no sentido de as fazer ir à missa, mas sim no sentido de irem às urnas.

Constato que são cada vez mais as pessoas que preferem ficar em casa, ou ir para a praia, ou ao Colombo, do que ir votar. Se em alguns casos tal sucede porque são preguiçosos (as) e não lhes apetece ir para as filas das urnas, já nos restantes casos acontece que deixaram de acreditar na classe política portuguesa. E aqui reside o cerne e preocupante detalhe da questão. É curioso constatar isto após 37 anos daquela que foi a revolução do 25 de Abril....É isto a democracia. Faz-se cair um regime, onde se alega que não era dada a oportunidade de expressar a intenção do voto (ou de escolha do Governo) e afinal...abre-se mão do direito conquistado. Enfim...

Não ir às urnas, sugere-me duas leituras. A primeira leitura tem que ver com a estupidez pura e tão normal no povo português. Alguém que não vai votar, justificando-se com "não vale a pena ir porque é mais do mesmo" não pode ser muito iluminado(a). Resumindo, se todos pensássemos dessa forma, ninguém votava. Portugal governava-se por si mesmo. Não tinha lugar o sufrágio e não era concedida a oportunidade aos portugueses de expressarem a sua opinião nas urnas.

A segunda leitura decorre da primeira. Está intimamente ligada. Não ir votar é ser conivente com o actual sistema governativo. É de alguma forma pautar-se pela máxima de "em equipa que ganha não se mexe", e estando satisfeitos com a "equipa vencedora", para quê gastar gasolina em ir até à escola primária onde costumo votar? Não vale a pena. Reside aqui a outra natural e significativa lacuna de inteligência. 

Logo a partir do momento em que são implementadas as chamadas medidas "impopulares", o povo reage. É normal. Mais uma vez estão a "ir-lhe ao bolso". Sempre aos mesmos. São esses mesmos que se insurgem e passam cerca de 1460 dias a lamuriar-se. Naquele dia em que lhes é dada a oportunidade de mudar o rumo da História, preferem ir até à Costa da Caparica ver uma bifa qualquer mostrar as mamocas. 

O meu melhor argumento neste momento, é que se faça o "esforço" (para quem assim o entende) de ir expressar a sua intenção de voto. Abstenção tem um significado bem diferente de voto em branco. E uma taxa de abstenção elevada (como aquelas que têm sido constatadas nos últimos actos eleitorais) aludem para o facto de que alguma coisa vai mal. Eventualmente o facto de estarem a vir cada vez mais bifas à Costa.

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