quinta-feira, junho 30, 2011

Frieza

Oiço muitas vezes falar em "frieza" na forma como se fala ou na forma como se avaliam as coisas. Quanto questiono o porquê da utilização de uma palavra tão forte, na quase totalidade das vezes não concordo. E são várias as razões pelas quais não concordo.

Este tema está muito relacionado com um que desenvolvi há dias. As pessoas não estão habituadas a ser confrontadas com a realidade das coisas. A esmagadora maioria das pessoas com quem tenho a felicidade de privar prefere, confortavelmente, viver no tal mundo da fantasia e ouvir as coisas ditas com delicadeza ou "anestesia". Como que a prepará-las, com tempo, com calma e sem grande preocupação. Pois aqui divirjo completamente deste tipo de abordagem e como tal, sou tido como sendo frio.

Importa pois dizer que esta minha qualidade (defeito para muitos) veio para ficar. Enquanto entender que devo dizer as coisas com frontalidade, com a mesma sinceridade de sempre e tentando nunca interferir com o bem-estar e individualidade de cada um, pautar-me-ei como até aqui por dizer tudo o que penso e da forma que entender adequada. Enquanto entender que sou respeitador e fiel aos meus princípios orientadores de vida, farei tudo o que estiver ao meu alcance para melhorar a vida daqueles que gosto, dizendo-lhes o que têm de saber. Com máxima frontalidade e sem floreados. Sempre.

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quarta-feira, junho 29, 2011

Consolo Espiritual

Desde há algum tempo a esta parte que tento entender que referência ou referências terá alguém que não acredita em Deus tal como eu. Não me refiro aos crentes de outras religiões. Refiro-me a quem não tem nada em que acreditar. Ou que diz que não acredita em nada.

Às vezes penso se as pessoas deste grupo não me mentirão um grande bocado. Como é que é possível não se acreditar em nada? Não é. Não pode ser. Eventualmente têm vergonha de dizer que crêem nas sábias palavras do Luís Filipe Vieira que diz que é desta que o "Glorioso" vai ser campeão nacional ou do digníssimo Presidente do "Fê-Cê-Pê" que diz que não ficou triste com a saída do André. Toda a gente sabe que ficou. Mas, e aquilo que importa, está a crença de alguém em qualquer uma das individualidades que acabo de referir.

Pessoalmente posso com orgulho e toda a frontalidade dizer que já encontrei consolo e paz espiritual em vários momentos. Quando foi necessário vencer determinados obstáculos em determinados momentos da minha vida. Quando precisei de força e não sabia como arranjar. Quando necessitei de partilhar as angústias com alguém e não tinha com quem. Quando preciso de me acalmar... Sempre encontrei consolo espiritual. E foi essa presença de espírito e consolo em Deus que consolidaram a minha Fé. Aquela Fé que não preciso de mostrar a ninguém, nem tampouco preciso de justificar o quão grande é, ou de que forma se pode ter. Ou se tem ou não se tem, costumo dizer.

Creio já aqui ter referido algumas vezes neste espaço que quem não crê em nada se deve sentir desamparado(a) em momentos específicos da vida. São vários os exemplos que podem ser avançados como pondo em causa a existência de uma Entidade Divina e Superior como é efectivamente Deus. São vários os ataques feitos à Instituição Igreja, sob forma de alguns dos seus representantes terem comportamentos desviantes e reprováveis. 

Ocorre-me nesses momentos, após análise e interiorização desses fenómenos pontuais (mas nem por isso raros), que "Uma andorinha não faz a Primavera" e que no final fica a Fé. E o consolo espiritual de que a minha Fé permanece intocável e sem ser beliscada.

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A Arte de Enganar

Não é qualquer um que engana. Mas são muitos e muitas que são enganados(as). Por outras palavras, enganar não é para quem quer, mas sim para quem sabe. Felizmente sou daqueles que não sabe enganar. E que quando faz, ou tenta fazer, é de imediato apanhado. Como se tivesse colado na testa um rótulo de quem está naquele preciso momento a enganar. Ou tentar estoicamente a árdua tarefa de vender algo em que não acredita.

Percebo que cada vez são mais os enganos das pessoas umas em relação às outras. Ali, e à vista de todos. Talvez não à vista de todos, mas do conhecimento de alguém com quem se partilha confidências e segredos. Alguém conivente, portanto. Do outro lado, aquele ou aquela que é enganado(a). O último a saber, se preferirem.

Tenho vindo a questionar nestes últimos tempos algumas pessoas sobre isto mesmo. Qual é o prazer de enganar alguém (por vezes deliberada e irreversivelmente) e depois dormir descansado(a) na mesma cama? Não entendo. Aliás, até entendo. São clara e enormemente potenciados os dotes da representação. Senão vejamos: é obra uma pessoa (ele ou ela) passar uma tarde no "bem bom" com um amigo (ou amiga) colorido(a) e ainda ter "pedal" para dar duas ou três cambalhotas com aquele ou aquela que o(a) espera lá em casa. É dose. E ainda conseguir dizer com a melhor cara que lá na empresa ninguém o(a) o(a) respeita ninguém e que está assoberbado(a) de trabalho - justificando assim o recorrente atraso na hora de chegada a casa. 

Aquilo que frequentemente acontece e que me têm dado conta, é a tal chamada questão de conveniência. Que até calha bem em momento de crise e com a mais recente adopção das medidas no pacote da austeridade imposto pela troika. Dá jeito manter o mesmo nível de vida quando as coisas vão complicar e até vão mexer nos bolsos dos portugueses. Acresce o facto de que,  se ele até está com "amigas" porque não pode ela estar com "amigos"? Desde que não falte nada na mesa....

Como se costuma dizer, "a mentira tem perna curta". O que significa que é uma responsabilidade grande tentar enganar alguém. E na minha humilde opinião, ou bem que se sabe enganar, ou então mais vale ficar quieto. É vergonhoso alguém tentar enganar alguém. Não só se atenta contra a inteligência dessa outra pessoa, como se mostra uma enorme falta de respeito e de verticalidade. É subestimada a inteligência e no final, sendo descoberto o logro, perde a totalidade (ou o que resta) da credibilidade e idoneidade. Se é que ainda a tem. E em muitos casos já não existe nada.

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segunda-feira, junho 27, 2011

Regras do Jogo

Não gosto nada de jogar. Contam-se pelos dedos de "meia mão" as vezes que jogo durante um ano. Aliás, nem considero bem jogar...passa mais por gastar "duas dezenas de euros" numa qualquer slot machine do Casino. E tentar a minha parca e tímida sorte nestas lides.

Mas não é do meu azar ao jogo que interessa falar hoje. A questão é outra. Quando vou ao Casino gastar dinheiro, sei de antemão que posso perder, mas também sei que o Júlio César pode ter de ser acordado a meio da noite para me vir entregar o cheque com 6 ou 7 dígitos. Ou seja, probabilisticamente falando, há sempre 50% de hipóteses de ver a minha conta bancária passar a ser gerida por uma qualquer instituição experimentada em gerir grandes fortunas. Como rapidamente se percebe, aqui o escriba não tem sido "bafejado" pela sorte no jogo...nem "noutros campos", mas isso será outra "liga".

Paralelamente ao que acontece quando vou ao Casino, também será expectável que no nosso quotidiano sejam conhecidas as "regras do jogo". Ou seja, aquilo com que posso contar. Quer seja em questões do "coração", quer seja em questões profissionais. A percepção das coisas varia de indivíduo para indivíduo e mais uma vez, nem sempre o que é claro para mim poderá ser para outra pessoa. Ou vice-versa. Donde, é necessário que seja bem conhecido o que está em causa. Neste caso, o jogo e as suas regras. Quem e quando pode ir a jogo. Quais os trunfos...por aí. 

O não conhecimento das regras tem como consequência a "derivação" ou desvio daquilo que efectivamente é essencial. As interpretações incorrectas, sem que haja lugar à discussão ou diálogo conduzem a "jogos" que não vingam ou em que desde logo e claramente um perdedor. O que não deveria acontecer...No mundo ideal, pois claro.

Importa pois que exista sempre uma discussão aberta e franca sobre o jogo. Sem fantasia. Para que ambas as partes saibam bem ao que vão. Para que seja perfeitamente conhecida a tal probabilidade de vitória / derrota. No final queremos todos ganhar...mas nem sempre é possível.

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domingo, junho 26, 2011

Período de Graça

O "Período de Graça" ou "Grace Period" (para quem gosta de fazer uns brilharetes de vez em quando e partilhar com os demais o seu profundo conhecimento na língua britânica) será o período de tempo em que tudo é permitido a alguém. Desde o estagiário que pretensa (e desejavelmente) ocupará uma determinada posição numa empresa, passando pelo caso de um novo Governo em funções ou mesmo das relações afectivas.

Em qualquer um dos três casos acima há algo transversal: As primeiras impressões. São essas que, quer se queira (quer não), acabam por ficar. Desde a avaliação da pontualidade e absentismo do estagiário, a sua postura aquando de determinado pedido por parte de um superior, o seu relacionamento com os demais colegas...tudo isto acaba por ser equacionado no tal determinado "período de graça". Há com toda a certeza alguns "graus de liberdade", mas não serão tantos quanto isso. E seguramente que, na hora da decisão de contratação (ou não) serão naturalmente tidos em linha de conta.

No caso da política as coisas são mais aligeiradas. Explico porquê. Tome-se o exemplo do Governo demissionário. Facilmente se constata que o período de graça foi de meia dúzia de anos quando deveria ter sido no máximo de 1 ano (já em loucura extrema). Não faz sentido que se tenha deixado perpetuar algo que desde o início mostrou que não ía dar bom resultado. E mais quando foram conhecidos tantos escândalos pelo meio. 

Na minha humilde e singela percepção desta realidade, há medidas concretizáveis no curto, médio e longo prazo. Aliás, fazem comummente parte do programa eleitoral de cada um dos candidatos a determinado cargo político. O que interessará, no final, não é mais que a verificação do desvio face aos compromissos anteriormente assumidos com os portugueses. Não raro ouve-se falar em "legado político", como que aludindo à "não culpa" de tudo. Bem sei. Mas também sei que aquando da candidatura esse "legado" é conhecido (se não houver surpresas escondidas) e como tal, não me parece legitimada esta argumentação que peca pela fragilidade. Em todo o caso, e consensualmente, é usualmente atribuído um período de graça, ou por outra, é dada uma oportunidade para que o novo Governo em funções mostre o que vale. Ou que não vale.

Por último, as relações afectivas. Quem as vive neste momento ou já viveu em algum momento, sabe bem do que falo. O tal período "côr-de-rosa" dos primeiros meses e que poderá durar até ao ano ou ano e meio. Ninguém no seu juízo perfeito avançará com a teoria de que não há um máximo de felicidade durante este período de tempo. Há. O mundo é perfeito. Acorda-se e deita-se a pensar em alguém que se tem ao lado. Há a vontade de querer agradar com tudo o que se tem ao alcance. Todos os problemas são resolvidos em conjunto. E por aí adiante... Tudo tem um "sabor maravilhoso". A questão é o "após" o tal ano e meio. (Nota: Falo genericamente e sem querer com isto dizer que é assim que as coisas acontecem sempre). Subitamente aparecem os problemas. Passam a existir os problemas resolvidos apenas por uma das partes. Perde-se a mística da relação. O encantamento. E invariavelmente cai-se na "acomodação" da relação. Em alguns casos há muito a perder (e.g.: Famílias que já se conhecem, há bens comprados em comum, grupo de amigos consolidado, etc.). Ainda que aquela essência inicial, o chamado período de graça já "lá vá". E que conduz a relacionamentos estéreis ou de fachada...e com vivências traumáticas quando há crianças pelo meio. Ou mesmo para os adultos.

Não há uma fórmula matemática para perpetuar o período de graça em qualquer uma destas três situações. Julgo que cada caso é um caso e com tranquilidade e paz de espírito tem de ser analisado. Para que tudo corra bem. E tenha lugar a dilatação deste período...

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sábado, junho 25, 2011

Perda de Tempo

Ao longo dos anos tenho percebido objectivamente o significado da tão célebre e banal conjugação de palavras "Perda de Tempo". Se há coisa que cada vez mais prezo e valorizo é sem dúvida o correcto e adequado aproveitamento do tempo.

O que acaba por acontecer é que nem todas as pessoas têm a desejável e correcta percepção desta realidade. O que para mim é uma total perda de tempo, não o será para outra pessoa. E vice-versa. Até aqui tudo bem. O que também constato, é que serão poucas as pessoas que pensam como eu. E também é um facto que o grupo de pessoas que conheço e que acreditam que o dia começado cedo rende mais é imensamente reduzido. Preferem acordar mais tarde e fazer as coisas a correr. É uma forma de pensar que me deixa um pouco nauseado, mas entendo que "disciplina", "abnegação" e "espírito de sacrifício" serão palavras que me são familiares mas estranhas ao léxico de muito boa gente.

Já tive oportunidade de aqui e neste humilde espaço manifestar o meu repúdio pelos momentos "mortos" ou de improdutividade que se vivem no dia-a-dia das empresas. Desde o grupo da "fumaça", passando pelas 956 idas ao café (se eu bebesse um café por cada vez que vejo irem ao café não dormia durante 2 meses) ou a amena cavaqueira que se tem com a colega da sala ao lado, que fala do polo giríssimo que comprou em saldos numa qualquer loja de roupa para criança.

Considero lamentáveis todas estas situações. E pior..que as pessoas não se capacitem disto mesmo. Há muitas pessoas que conseguem ver o seu posto de trabalho como garantido, e dão-se ao luxo de perder tempo, com coisas que...poderiam reduzir ou eliminar mesmo enquanto hábitos nocivos. Quer para a saúde, quer para uma qualquer empresa que nesta altura de crise carece de "alavancagem". 

A mentalidade portuguesa no que toca à produtividade (aspecto contrário à perda de tempo), é algo arcaica, quando comparada com a uma mentalidade nórdica. Não só se trabalha menos por cá, como também o índice de produtividade é inferior. Fazem-se greves para se exigirem aumentos salariais. O que não deixa de ser curioso. Como é que alguém que em termos de produtividade semanal tem um valor próximo de 10 horas quer um aumento salarial? Quando ao seu lado tem um colega que eventualmente trabalha afincadamente e que nem pede nada?  Ou que tendo as mesmas necessidades de nicotina e cafeína consegue gerir melhor os tempos de não produtividade? É por estas e por outras que o País não anda...

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sexta-feira, junho 24, 2011

Eloquência

A eloquência, por definição, é a arte de bem falar. Aprecio as pessoas eloquentes. As mesmas que têm gosto no falar. Que utilizam linguagem cuidada, precisa e do entendimento de qualquer outra pessoa.

Naturalmente que nem toda a gente que pensa saber falar é eloquente. Entre o "querer ser e ser"...vai um passo enorme. Por vezes não há volta a dar. Para se ser eloquente, é necessário que seja verificada uma condição anterior - o gosto pela leitura. São condições indissociáveis. Consigo perceber que quem não gosta de ler não sabe falar. E quem não sabe não tem hábitos de leitura. Parece simples.

A questão é tanto mais grave quando se trata de pessoas com projecção mediática (e.g.: televisão). Ou por exemplo, no caso dos professores. Basicamente, o "receptor" não espera menos que a mensagem seja total e cabalmente passada. E constata-se que por vezes não é. Ou por via de não ser conhecida a mensagem que se vai passar (e.g.: má preparação de entrevista ou de uma aula), ou porque o "emissor" não sabe mesmo falar. E importa aqui, nesta avaliação, ser frontal e pragmático. Deveria ser obrigatório um critério de selecção das pessoas para uma determinada função atendendo à forma como falam. Quem vai para a televisão ou vai dar aulas para a faculdades, tem de saber falar. Sem erros. Conjugando correctamente os tempos verbais, evitando o recurso da 3ª pessoa do singular (quando se refere a si mesmo), entre outras "pérolas" do género.

É importante que se insista mais nos hábitos de leitura e na oralidade nas crianças. Assiste-se hoje em dia a um assustador baixo nível de oralidade, pobre e sem vocabulário. São cada vez mais os professores que primam pelo baixo nível de educação transmitida aqueles que serão o futuro do País. E já conheci alguns casos de professores que falam mal / escrevem mal. Questiono-me para onde caminhamos, com este tipo de exemplos.

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quinta-feira, junho 23, 2011

Copianços

Nos últimos dias muito se tem falado no copianço que teve lugar numa instituição que se quer credível e  idónea. É assim chamada a atenção da opinião pública para um detalhe, que até poderia  ter tido outro tipo de destaque (menor) e não o grandioso protagonismo qual "golpe de Estado"....

Quem nunca copiou que "atire a primeira pedra". Se calhar descobrir-se-íam alguns "telhados de vidro". Tudo bem, também aceito que muitas pessoas nunca tenham tido necessidade de copiar. Mas são aquelas pessoas que têm uma inteligência superior (ou que estudam, por exemplo). Mas não será deste ínfimo e restrito grupo de pessoas que versa este tema de hoje.

Confesso que cheguei a copiar algumas vezes. Umas 3 vezes, no máximo. E situações perfeitamente tipificadas. No meu caso, não era bem copiar pelo colega do lado, mas mais pela máquina à minha frente. Naqueles testes em que havia muita teoria para "debitar" para o papel. Como nesses mesmos testes havia parte prática (contas de calculadora), usava a memória da mesma para "armazenamento" e posterior débito de informação para a folha de exame. O que tinha como não podia deixar de ser,a observação por parte de alguns professores acerca da necessidade de uma calculadora científica para fazer adições ou subtracções...E tudo contas simples.

Os meus auxiliares "ilegais" de memória tinham como grande objectivo o relembrar-me de alguns tópicos, que acabariam por ser desenvolvidos no próprio exame. Não me recordo de alguma vez ter copiado integralmente um exame. Ou por outro lado, eram por mim conhecidas determinadas "técnicas" que permitiam que a cópia fosse "razoável" e não levantasse suspeitas. Lembro-me dos exames de informática, em que bastava trocar o nome das variáveis para que se desvanecesse toda e qualquer dúvida. Por exemplo, se alguém me dizia que tinha atribuído os nomes: variável "tótó", variável "mentiroso" e variável "político", eu colocaria da minha parte variável "ex-PM", variável "filósofo" e variável "medíocre". Era a forma que entendia seguir para não se perceber que tinha " deitado o olho" à prova de outrém. A menos que o Professor tivesse a mesma opinião política que eu. Aí incorreria num risco significativamente grande.

Para terminar, e contra os mais puritanos, tenho de admitir que não vejo mal copiar uma coisa ou outra num exame. Não dramatizo nem tampouco quero ser falso moralista. Também não vou entrar na teorização de que é errado. Por vezes acontecem bloqueios mentais que conduzem a "brancas" na memória. Subsequentemente, não é possível concluir o raciocínio e/ou dar a resposta pretendida a determinada questão. Um colega ali mesmo ao nosso lado, e que já tenha resolvido o problema poderá dar uma ou outra pista que aclare as ideias e permita a resolução daquele "quebra-cabeças". O mesmo não se pode dizer quando se percebe que um exame é cópia integral de outro. Nem uma fotocópia tirada na papelaria do Sr. Jaime ficaria melhor! Para se copiar...que se copie bem. E com classe!

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quarta-feira, junho 22, 2011

Passagem de Trabalho

A passagem de trabalho (ou passagem de serviço) é daquelas coisas que me parece ser indiscutivelmente importante. Aliás, em qualquer empresa com o mínimo de organização, e com uma realidade de trabalho que sugere a coordenação de equipas (turnos), é importantíssimo que a passagem de trabalho tenha lugar e seja bem feita. O que nem sempre acontece, avanço desde já.

Os portugueses têm um problema gravíssimo e que decorre de décadas de uma mentalidade errada, tacanha e com o receio infundado de "escreverem" o que quer que seja, por forma a ficarem "defendidos" e afirmarem que nunca disseram ou fizeram algo. Ou seja, por outras palavras, há 40 anos havia a cultura que passava pelo "uso e abuso" da oralidade no que quer que se quisesse transmitir. Informação mais importante, informação menos importante. Raro era o que ficava escrito. Com receio de se poder ser acusado de algo ou de ter algo escrito que o/a comprometesse.

Ao longo dos anos tenho notado que esta mentalidade se perpetua. Na medida em que passei por várias empresas onde o trabalho por turnos era uma realidade, também as passagens de trabalho o eram. O que constato, hoje em dia, é que nunca vi seriedade nas mesmas. É claro que conhecedor da realidade específica percebia o porquê das coisas. Mas sempre me insurgi contra este tipo de postura e ausência de profissionalismo.

A passagem de trabalho feita com profissionalismo atesta a "quem vem a seguir" o que está feito e o que está por fazer. Evita o "duplo trabalho", ou seja, que a mesma tarefa seja efectuada duas vezes (a não ser que seja mesmo necessária). Por outro lado, responsabiliza - preto no branco - alguém. E é aqui que reside a razão de muitas das passagens de trabalho serem feitas verbalmente. 

Na infelicidade de ocorrência de um azar qualquer (e.g: acidente de trabalho) e sendo necessário perceber o que de errado aconteceu, os intervenientes, a análise das causas, torna-se complicada esta tarefa. E muito. Porque natural e logicamente vão ser encontradas muitas lacunas de informação e será complicado fazer ligações. Porque contrariamente ao que seria desejável (e normal) nada está escrito. Porque as passagens de trabalho são mal efectuadas. Seguindo o critério que era seguido no antigamente. O que não é de todo bom.

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terça-feira, junho 21, 2011

Javalis

Para os defensores dos animais, endereço desde já um sentido e honesto pedido de desculpas. É certo que não concordo com uma série de espectáculos (eg.: touradas, sejam de que tipo forem), mas gosto da caça. Especialmente ao javali. Por várias razões (passando pela questão das armas, como não podia deixar de ser) e terminando nas "esperas" que têm de ser feitas.

Para quem anda um pouco mais distraído (a) destas lides (o que acaba por ser natural, dado que a caça não é algo que seja consensualmente aceite), a "espera" não é mais que, como o próprio nome indica, fazer uma espera à caça. Para muitos não é muito interessante, até porque por vezes é necessário esperar algumas horas. Mas como quem corre por gosto não cansa, será uma forma de induzir alguma piada à coisa. Imagine-se se tudo fosse tão fácil como "chegar lá", descarregar 4 ou 5 cartuchos, caçar e vir embora. Não tinha piada.

Conheço e já oiço falar dos javalis há bastante tempo. Naturalmente que quem caça também os conhece. Grosso modo, o javali é aparentado do (e ao) porco doméstico. Com a diferença de ter piores modos, ser maior e ser adestrado (ou domesticado). Assim sendo também é conhecido como "porco selvagem" ou mesmo "javardo".  

Uma das coisas que o javali mais gosta de fazer é o tão conhecido banho de lama. Estes banhos têm várias funções. Uma das funções passa pela regulação da temperatura corporal do animal, uma vez que os javalis não suam por terem glândulas sudoríparas atrofiadas (glândulas responsáveis pela sudação). Por outro lado, também existe a crença de que estes banhos têm um  importante papel nas relações sociais da espécie, e pasme-se, na selecção sexual. Enquanto no verão todos os javardos usam e abusam do tão apreciado banho na lama, sem distinção de sexo ou idade, durante a época do cio estes banhos estão reservados quase que exclusivamente aos machos adultos. Considera-se que estes banhos ajudam a manter os odores corporais sob um substrato estável como aquele proporcionado por uma camada de barro aderida à pelagem.

A boca do javali é provida de enormes dentes caninos que se projectam para fora e crescem continuamente. Os caninos superiores são curvados para cima, enquanto os inferiores, ainda maiores, chegam a ter 20 cm de comprimento. Os caninos são usados como armas em lutas entre machos e contra inimigos. Aqui reside um potencial grande problema e preocupação para um caçador que inadvertidamente falhe o seu tiro. Passa a ter em mãos (ou noutro sítio qualquer) de lidar com uma investida de uma besta que em adulto poderá chegar aos 250kg (macho) e aos 130 kg (fêmeas), como pêsos máximos.

Ao contrário de certas raças de porcos domésticos, os javalis são cobertos de pelagem. A mesma é rija e nos adultos variam de cor entre o cinza-escuro e o acastanhado. As crias apresentam cor de terra clara com listras negras, o que lhes dá uma camuflagem eficiente. A pelagem das crias acaba por escurecer com a idade.

Para terminar, é sabido que há muitos coutos em Portugal que promovem o desenvolvimento desta raça com o propósito económico. Para quem não sabe, a prática da caça por cá, não é à vontade do freguês. Daí haver um interesse associado ao desenvolvimento de locais e espécies em determinados locais, que promovam a caça nos mesmos. Contra o pagamento de um "fee".

Não se pode (deve) ir por aí com uma espingarda e desatar aos tiros indiscriminadamente. Há uma época da caça específica, há espécies protegidas (em risco de extinção) e há ainda a proibição de uso de certas  munições. Como não podia deixar de ser, há sempre quem fure o esquema legal. E a seu "bel prazer" entende legislar novos decretos legais e vá de caçar em áreas protegidas, espécies protegidas e claro, usando aquela munição proibida. A jusante, ou como consequência, há todo um compromisso sério do desenvolvimento da raça, espécie, sub-espécies bem como a prática perigosa da caça (em zonas não autorizadas, não sinalizadas e demarcadas - podendo haver alguma bala perdida que vá atingir alguém).

É necessário garantir e supervisionar em que condições, por quem e onde é praticada a caça - dotando quem de direito dos meios necessários e adequados. Não só do javali, mas também de todos os outros tipos de caça. Só assim será assegurada a segurança na prática da caça e a manutenção do ecossistema.

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segunda-feira, junho 20, 2011

Bacanais

Os bacanais fazem parte do mundo fantasioso de qualquer homem. Qualquer "macho" que se preze já idealizou (ou idealiza) estar na "brincadeira" com mais que uma mulher, preferencialmente gémeas, loiras e se não for pedir muito, que tenham sido "generosamente" dotadas. Se é que me faço entender. Ouro sobre azul, portanto.

A questão que se coloca, na minha humilde e atamancada visão das coisas é que, aquilo que era tipicamente conotado como sendo algo dos homens, ou por outras palavras tipicamente associado ao género masculino,  hoje em dia também o assumido pelas mulheres. E sinceramente, tenho perdido algum do meu pouco tempo a tentar perceber a razão de ser deste tipo de fantasia, quer para eles, quer para elas. Ou por outras palavras, penso que se por vezes já há muito trabalho em "dar conta do recado" com uma, que dizer do mesmo para duas ou três "danadas para a brincadeira"...e que gostam de festa.

O bacanal pode ser visto numa óptica do swing ou então, para algum felizardo estar com duas "amigas" no bem bom durante umas horas. O mesmo se aplicará a uma felizarda, é claro. Ou então, um casal com outros casais. Não deixa de ser piada. Para quem se estimule com esta perspectiva das coisas. Que não é o caso aqui do escriba. Em nenhuma das situações acima referenciadas.

A minha reflexão que faço do tema de hoje é em tudo similar à do swing. Quando um casal (ou alguém individualmente) procura o "prazer dobrado" ou "triplicado" significa para mim que não se basta com o que tem em casa. Em vez de promover o tanta vez falado aqui falado "diálogo" neste blogue, é preferível a solução óbvia e facilitada, que passa por experimentar variantes. E claro que, nos dias que correm há muitos casais ou pessoas na mesma condição de experimentação. Literalmente falando, junta-se a "fome à vontade de comer" e as coisas acontecem.

Não me vou alongar muito mais sobre este tema. Muito do que penso já referi no texto dedicado ao swing como menciono atrás. Na minha óptica, está muito presente o risco de "desmembramento" definitivo e irreversível da relação entre duas pessoas. Não acredito em "balões de oxigénio" ou no "apimentar" da relação, como muita vez se ouve, enquanto justificação para um comportamento deste tipo. Acredito que haja problemas. De fundo. E que não há coragem para que sejam discutidos.

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domingo, junho 19, 2011

Melindres

Já aqui tive oportunidade de referir numa qualquer reflexão passada que sou uma pessoa frontal. Não está em causa se o fui sempre, mas sim o como sou neste momento. Frontal, sincero e directo. Contrariamente a muitas pessoas (atrever-me-ía a dizer que a quase totalidade das que conheço) não floreio as coisas. Digo o que tem de ser dito, doa a quem doer. Feliz ou infelizmente para muita gente. E gosto que este mesmo critério e postura sejam tidos para comigo.

É claro que há as naturais e óbvias consequências desta minha postura. Daquela que é por mim assumida e pautada pela frontalidade, pelo ser directo, sincero e pragmático. Sem inventar, sem "viajar" e sem floreados. Não tenho paciência nem jeito para isso. E sou péssimo em floreados. Aliás, nunca fui. Rapidamente entro em contradição e  fico ansioso e enervado comigo mesmo.

O que tenho constatado e percebido, é que muitas pessoas preferem ouvir as coisas com floreados e "mascaradas". Sem serem genuínas e directas. E claro, quando apanham alguém como eu...sentem-se melindradas. Atingidas e afastam-se. Ninguém imagina a quantidade das pessoas que facilmente fica melindrada e não aguentando ouvir umas quantas verdades, se sente atingida e prefere continuar a viver no mundo da fantasia.

Não estou a enviar "recados" para ninguém com toda esta prosa. Nunca precisei nem preciso de me refugiar na escrita para o fazer. Aliás, nem seria coerente com o que acabo de escrever acima. E sendo sincero, o melindre que algumas coisas que digo causam a certas pessoas "é o lado para onde durmo melhor". Lamento que as mesmas não sejam entendidas e interiorizadas numa óptica de crítica construtiva. Aliás, não me recordo de tecer comentários depreciativos a quem quer que seja. Posso falhar na "forma", mas nunca no "conteúdo". Mas também não vejo grande interesse por parte dessas pessoas em perceber objectivamente o que quer que seja. Ou onde podem (e se precisam) de melhor algo.

O que quero reforçar, para terminar a minha linha de pensamento, é que há muita gente mal habituada. Que aprecia o floreado, a omissão e assim continuar numa vidinha pacata e tranquila. Não sei viver assim.

Lamentavelmente a vida "lá fora" não é fácil. E estou cá eu para "chamar os bois pelos nomes". Mesmo que seja a única pessoa que é capaz de o fazer.

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sábado, junho 18, 2011

Apáticos

Ter de lidar com pessoas apáticas sugere-me de imediato o  despertar do meu nervosismo. Desta feita, aquele que é visceral. Nunca tive nem tenho paciência para "moscas mortas" ou para pessoas que não conseguem falar rápido e alto. Entro logo em desespero e rapidamente sou acometido de uma reacção alérgica caracterizada pela presença da urticária no corpo todo.

Acredito que haja muito boa gente que seja apático(a) em consciência e com o firme propósito de ver "passar todas as cores do arco-íris" na minha cara. Só pode. Mesmo que não me conheçam de lado algum. Devo ter ar de quem gosta de ser gozado ou de quem se enerva com facilidade e vai daí, toca de testar-me. Só pode.

Pior de tudo será quando o(a) apático(a) entende ou acredita que é dono(a) da verdade. Aí sim, temos um problema ainda mais grave. Já não bastava ser lento(a) e mole, ainda acresce o facto de se achar genial. E claro está que isto tem como consequência o não ser prestada atenção ou se perca tempo a falar com quem realmente necessita mesmo desse contacto.

Julgo que este tipo de pessoas devia ir viver para uma ilha qualquer, longe das pessoas normais e onde pudessem viver entre indivíduos da mesma espécie, interesses e forma de estar na vida. Talvez eu vivesse melhor.

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sexta-feira, junho 17, 2011

Imunidade

A imunidade é um dos temas que mais azo dá a discussões acaloradas entre a minha humilde pessoa e o meu restrito grupo de amigos. Não raro, dou comigo a criticar algo que está secularmente instituído e que é consensualmente aceite. Menos por mim, é claro. Como não podia deixar de ser, dirão alguns que me conhecem.

É sabido que os diplomatas representam os seus países noutros países. Aceito isso e consigo entender. Normalmente, estabelecem-se nesses países estrangeiros e vivem nos mesmos durante vários anos. Também vejo e também consigo perceber. E nem me faz grande confusão que alguns deles fiquem por cá para sempre - tipicamente no final das suas carreiras diplomáticas. Aproveitando as suas reformas milionárias, um País onde se vive bem com pouco, que dá para jogar golfe e onde até há em alguns círculos o tão agradável hábito do chá das cinco.

Acontece uma coisa curiosa, que descobri há "um par de anos". Quando um diplomata está em exercício de funções, num determinado país, não está sujeito ao regime legal desse país. Ou seja, por outras palavras, há como que um gentleman agreement (acordo de cavalheiros) entre ambas nas nações e o indivíduo em questão goza de um estatuto especial. Por exemplo, ninguém se recorda de casos de diplomatas (ou filhos de) detectados em carros que circulam em excesso de velocidade. Ou carros de diplomatas que são interceptados sem que sejam os mesmos a conduzir (e só os próprios podem fazê-lo), etc. E muitos outros casos desconhecidos do público.São abafados.

O estatuto de imunidade diplomática deve ser analisado caso a caso. A Lei Portuguesa deve ser aplicada a todo e qualquer cidadão que esteja em território nacional. Mais a mais, em alguns casos, os diplomatas até vivem cá. Não faz sentido que um qualquer diplomata, gozando do tal estatuto de "intocável", possa circular na A5 como se estivesse no circuito de Le Mans. Ou que sequer lhe possa passar pela cabeça conduzir embriagado. Ou ter a veleidade de viajar em 1ª Classe nos aviões. Porquê? Parece-me pouco razoável. Um diplomata acaba por ser um representante do seu país noutro país, e deviam ser bem controladas as suas despesas. E ilegalidades.

Contudo, e em prol da amena e cordial relação entre duas nações, nada acontece quando um qualquer destes casos vem a lume. Porquê? Porque há alguém que se mexe e tem o trabalho de fazer dois telefonemas. Um para quem manda no País e outro para quem manda nos jornais. É simples. Ou não fosse Portugal um País de brandos costumes. Para os de cá e para os de fora....

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quinta-feira, junho 16, 2011

Sustos

Há vários tipos de sustos. Para começar, há os sustos propositados. Aqueles que conheço bem na medida em que durante vários anos os primos mais velhos tinham prazer em pregar aos primos mais novos (grupo no qual naturalmente se incluía aqui o escriba). Desde o estarem à coca quando íamos dormir e pregarem sustos com lanternas a apontar para a suas bocas, passando pelo esconder algo que era importante termos connosco ou simplesmente, num passeio qualquer a um local desconhecido, esconderem-se de nós. É certo que tudo acabava por se resolver, não sem aquela sensação momentânea de "perda de pé".

Outro tipo de sustos são aqueles que não são propositados. Aqueles que tipicamente teimam em me acontecer. Um bom exemplo será aquele que frequentemente me acontece quando circulo calmamente na estrada e alguém se coloca à minha frente, do nada e sem sinalizar a manobra. Perco logo ali uns 10 anos de vida. Ou os sustos  recorrentemente experimentados quando acordava tarde para as aulas da manhã da faculdade, e quando dava por mim já tinha feito gazeta à primeira hora. Entre outros exemplos.

Para terminar, dizem que os sustos tornam as pessoas gagas. E que também são os sustos que fazem com que as pessoas deixem de o ser. Acho uma parvoíce de todo o tamanho. Nunca consegui perceber qual o suporte científico deste tipo de comentário ou crença. Mais uma coisa que me ultrapassa.

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quarta-feira, junho 15, 2011

Eternidade

A eternidade é algo que tenho presente na minha vida. Já aqui tive oportunidade de referir que sou uma pessoa ansiosa.  É um defeito meu, identificado e do conhecimento (para mal dos meus pecados) de algumas pessoas com quem me relaciono ou já relacionei em algum momento da minha curta e feliz existência neste mundo.

A minha ansiedade não liga com a clara e objectiva eternidade com que algumas pessoas executam tarefas. Tal como o azeite e a água ou o Primeiro Ministro demissionário e a verdade dita (e devida por direito) aos portugueses.

No meu caso, a ansiedade assume a forma de impaciência e nervosismo. Tenho uma paciência muitíssimo reduzida para quem executa algo para o qual não está preparado. E para o qual deveria estar. Chamo a isso falta de profissionalismo. Não de quem executa, mas de quem manda executar. Mas isso é outro "campeonato"...

Dou comigo a pensar não raro que as pessoas não estão devidamente consciencializadas ou sensibilizadas para o impacto que pode ter a sua "demorada" contribuição individual para a economia portuguesa. Imagine-se um funcionário que leva 15 dias a analisar um processo camarário de licenciamento de habitação. Em causa está por exemplo uma autorização para edificação / reabilitação de uma zona velha da cidade. O proponente será uma entidade (empresa) cujo objecto de realização de capital próprio (riqueza) depende desta apreciação técnica. É certo que esta não será a única edificação que tem em carteira, mas imagine-se o capital investido pela mesma e que não é movimentado. 

Se fôr analisada a "causa raíz" percebe-se que tudo dependerá de uma pessoa. Ou de duas, desta e do seu superior hierárquico.

A tal entidade não edifica, não cria postos de trabalho que já poderiam estar predestinados, não vende imóveis e não cria riqueza nacional como consequência. Não há envolvência das instituições bancárias no processo de concessão de créditos e como tal não há movimentação da "massa". E como se sabe, "não havendo dinheiro não há palhaços". 

Tudo porque alguém, em alguma das tantas Câmaras Municipais espalhadas por este pequeno País não terá o conhecimento técnico adequado para ocupar o cargo que ocupa, porque o "sistema" de atribuição de licenças é faccioso, falível e excessivamente burocrático ou porque poderá acontecer ter em cima da mesa  956 processos "urgentes" para analisar e não ter capacidade de dar resposta. Daí a eternidade. Daí o desemprego. E daí a minha impaciência e nervosismo para com este tipo de pessoas.

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terça-feira, junho 14, 2011

Conhecer alguém

Todos os dias tenho desilusões com as pessoas. Não serei a única pessoa que assim pensa. Acredito que seja uma consequência directa e relacionada com o facto de estar cada vez mais exigente com a idade. E também do querer conhecer melhor as pessoas. Sendo que as por vezes as mesmas não mostrem tudo. 

A situação complica-se quando, em determinado momento, em que se espera uma determinada resposta e se obtém outra.

Não acredito que as pessoas façam por mal. Acredito sim que a esmagadora maioria  seja "escrava" do passado (que pode ser mais ou menos recente), e que de alguma forma se queira defender, não se dando a conhecer de forma profunda. Dar a conhecer é algo que sugere disponibilidade temporal e mental. Expectavelmente deverá ser efectuado na ausência de "âncoras"em eventos passados ou relacionamentos anteriores. Só assim o conhecimento presente poderá ter feito num registo pacífico e tranquilo.

O que me transtorna e faz reflectir bastante é a forma leviana (e em alguns casos  irresponsável) com que as pessoas se conhecem. Há naturalmente uma das partes que se entregará mais ou acreditará mais em algo. Obviamente que partilhará mais de si. Quererá contudo que do outro lado ter reciprocidade na entrega. Na forma e no conteúdo. Mas nem sempre isto acontece. At the end of the day, na altura do "deve e do haver", há por vezes atritos que podem ter como resultado discussões sérias, na medida em que não há uma entrega igual de ambas as partes.

Por fim, tenho de confessar que há algo que me irrita um pouco. Aquelas pessoas que não falam, que observam, escudando-se no argumento de que preferem ouvir, ou avançando a tese de que são tidas pelos demais como "bons ouvintes". Para mim, e se assim fôr, há um lado que ficará sempre mais confortável. E claro, a comunicação será sempre unilateral e sem direito a discussão ou diálogo. O que per se condiciona o processo de conhecimento. Na minha opinião.

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segunda-feira, junho 13, 2011

Operação "Viagem Segura"

A Operação "Viagem Segura" de 2011 deverá ser a 1.435.694 ª operação que a Brigada de Trânsito da Guarda Nacional Republicana (GNR-BT) "monta" para garantir que as viagens dos portugueses que tempo de festividades circulam nas estradas portuguesa sejam mais seguras.

Pessoalmente, e no fundo tenho para mim que é um bom princípio. Acaba por ser uma rotina repetida anualmente, e por altura das tão desejadas mini-férias. Acredito que a presença / avistamento das viaturas caracterizadas das GNR-BT, funcione como um excelente elemento dissuasor para os "aceleras", o que sugere, consequentemente, que em determinados troços (tidos como problemáticos) a velocidade média de circulação decresça substancialmente. A "jusante" diminuirá a taxa de mortalidade derivada da sinistralidade rodoviária nesse ponto "negro" concreto do mapa rodoviário de Portugal.

Em termos de "saldo final" destas Operações que já tiveram lugar, o mesmo tem sido negativo. Enquanto houver a lamentar a perda de uma vida humana que seja, concluirei que essa Operação concreta não foi eficaz. E que importa estudar as razões pelas quais falhou a Operação. Porque não foi mesma um êxito (Sem perdas humanas a lamentar).

Também conheço e percebo a repetida argumentação da falta de meios humanos e  materiais para supervisionar todas as estradas em contínuo, ou como seria desejável, segundo uma determinada lógica de controlo. Acontece, e também tenho em linha de conta, que as dificuldades no "terreno" sugerem necessidades mais profundas, bem como uma mudança radical de atitude por parte das mentalidades e atitude cívica dos condutores portugueses. Há o célebre e clássico exemplo dos carros caracterizados e carros descaracterizados. São conhecidos os casos militares que, mais "zelosos" das suas funções / responsabilidades / obrigações instigam condutores incautos a exceder o limite de velocidade legal em determinado ponto. E claro, depois vem o "postal de boas festas", vulgarmente conhecido como coima. Com sorte ainda com a sanção acessória da inibição de conduzir (no limite, claro).

Há aspectos que não entendo. Um deles é o caso dos militares graduados (há sempre um sacrificado escalado para estas alturas do ano), que vão à televisão (tipicamente num Domingo à noite, altura em que faltarão umas 4 horas para terminar a mesma), dizer que foram levantados "40 autos de contra-ordenação a condutores ébrios", "10 autos de contra-ordenação a condutores que circulavam em excesso de velocidade" e ....espante-se "20 autos de contra-ordenação a condutores que conduziam sem estar habilitados a tal".Todos os anos há mais pessoas que entendem conduzir sem ter carta de condução.

Questiono-me o porquê de continuarem a ser interceptados condutores sem serem encartados. Também me ocorre o que acontece a estas pessoas: são identificadas e deixadas ir em liberdade. Nunca ninguém pensou que podem ser causadoras de um acidente mortal e ceifar a vida a uma ou mais famílias? Não. Têm idade para conseguir pensar em roubar as chaves do carro, mas não têm idade de serem sancionados com penas exemplares. Tipo..nunca mais poderem tirar a carta de condução. Mas tal não acontece. Típico.

Mais uma vez digo neste espaço que urge que tenha lugar uma discussão séria relacionada com a segurança rodoviária. Não basta teorizar e ir para as televisões dizer que houve menos mortes este ano do que em período homólogo (ano passado). É preciso que se defina um objectivo, de forma séria e consciente. Que se dotem as forças para-militares responsáveis pela supervisão das estradas dos meios necessários para cumprirem cabal e zelosamente o exercício das suas tarefas.

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domingo, junho 12, 2011

Escravatura

Este é mais um daqueles temas sensíveis. Não pelo facto da escravatura ter sido abolida há vários séculos. Mas porque ainda existe em alguns países do terceiro mundo. E não só.

Quando penso em escravos, ocorre-me de imediato uma imagem típica. Os "clássicos" trabalhos forçados no campo, os grilhões nos tornozelos e o chicote zurzindo freneticamente no ar, na mão de qualquer guarda zeloso das suas responsabilidades. Não tenho dúvidas que é igualmente a imagem que ocorre à esmagadora maioria das pessoas que leram estas minhas linha até aqui.

Li há algum tempo uma outra abordagem. E que partilho. As "novas" formas de escravatura. A precarização do trabalho tendo directamente associada a perda de qualidade de vida do trabalhador. A afectação da vida pessoal e familiar em consequência da exploração por parte de quem paga os salários ridiculamente baixos.

Julgo que este momento de crise internacional dá outro tipo poder (em demasia) ao empregador. Os graus de liberdade são vários e com facilidade com que se contrata e descontrata alguém é assustadora. Enquanto contratado (a) tem lugar a escravização. E não é opcional. Em muitos casos é mesmo a necessidade que faz com que se vivam momentos maus e francamente angustiantes. Períodos de trabalho largamente ultrapassados (com a promessa medíocre que isso será equacionado no final do estágio na empresa), o recurso aos recibos verdes durante anos e o não desconto para a segurança social são alguns dos vários exemplos. E que considero serem pertinentes da má vontade de alguns dos empregadores portugueses. A linha que separa a "empregabilidade" de "escravatura" é demasiado ténue.

É lamentável que muitas cabeças que se dizem "pensantes" tenham esta visão redutora das coisas. E mais. Que nunca tenha havido coragem para mudar algumas mentalidades. E de forma exemplar penalizassem quem, de forma inequívoca, não respeita o seu semelhante.

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sábado, junho 11, 2011

Vendas à porta

Há profissões a que "tiro o chapéu". Vender o que quer que seja, também conhecido como "porta-a-porta" é uma delas. Desde ser vendedor de aspiradores, de uma MEO,  de uma ZON, de rifas dos bombeiros voluntários dos quais nunca se ouviu falar (nem da corporação, nem do peditório em concreto), há de tudo.

A coragem é algo que terá de estar sempre presente para alguém que almeja ser vendedor  bem sucedido. Fazer frente às intempéries (não se caia na tentação de pensar que só se celebram contratos da MEO quando está bom tempo e é agradável andar na rua). É necessária a paciência  de santo, coordenada com um esboço de sorriso minimamente credível para ouvir a Dona Graciete  durante 45 minutos dissertar sobre as pontadas que sente na perda direita quando acorda  (mais ninguém na rua fala com ela e assim sendo, aqui consegue tempo de antena, mesmo que não tencione comprar nada).  Finalmente, é necessário ter nervos de aço, e aguentar firme "como uma barra de aço" quando se vê um qualquer cão de guarda com 50 kg a espumar e com as patas  da frente no portão.  A escassos centímetros da cara. E tentar esboçar um sorriso enquanto o ladrar grave do "quatro patas" fazem tremer as entranhas e remetem de imediato para o momento em que devia ter sido seguido o conselho do pai em ter seguido Economia.

A questão que se coloca, na minha humilde e desvinculada apreciação deste tema, é que vender o que quer que seja à porta de alguém, "é chão que já deu uva". É um pouco como os delegados de propaganda médica. Já foi uma actividade que deu muito dinheiro a ganhar. Hoje em dia já não é bem assim. Ou bem que se mantém uma lista de médicos e médicas muito bem gerida, e é possível trabalhar a mesma, "impingindo" novos produtos, ou então, o melhor será apostar noutro ramo de actividade. A vida não está para brincadeiras. Para começar, para quem tenta vender o que quer que seja. Em última análise, para quem é confrontado com essa tentativa de venda. Aliás, em alguns casos há mesmo lugar a algum gozo e descredibilização do vendedor em causa. Infelizmente. Mas também é sabido que nem todas as pessoas têm respeito pelos outros.

No meu caso, e numa tentativa de respeitar o tempo do meu semelhante (no caso, o vendedor), digo de imediato que não estou interessado. Não raro tenho sempre qualquer coisa mais interessante do que estar à porta de minha casa a ouvir alguém.  A perder o meu tempo e a ver o mamífero que está à minha frente a perder o seu. Mais a mais, há toda uma série de soluções empresariais que evitam que exista este tipo de contacto pessoal. Quer via e-mail, carta, distribuição de flyers, o que quer que seja. Menos estar à porta de casa a falar com um vendedor. Melhor. Em menos de 2 minutos a minha vida é escrutinada e fica aquela alma a saber que serviço tenho contratado, quanto pagoe que canais vejo.  Não me apetece partilhar este tipo de informação. Da mesma forma que não me apetece que sejam conhecidos os canais televisivos que mais vejo. Ou quanto falo ao telefone. E por aí adiante. Esta será no meu entender uma das grandes desvantagens deste tipo de contacto. A "devassa" da vida privada.

Em momento algum sou contra que as pessoas fazem deste tipo de actividade uma fonte de rendimento adicional (ou única, em alguns casos). Contudo, não sou hipócrita e muito menos falso. O contacto é sumariamente abreviado com um "Bom dia / Boa tarde. Não estou interessado. Obrigado." E assim continuará a ser. Não há paciência.

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sexta-feira, junho 10, 2011

Compras do mês

Para quem como eu está "formatado" para semanalmente ir às compras, há dois momentos que apontam de forma clara e inequívoca para uma economia nacional pujante. O princípio e o final de cada mês. 

Mesmo que, por algum motivo me tenha "escapado" que me encontro num desses momentos, rapidamente percebo que estarei num deles, pelo facto de ter de dar o dobro do número de voltas no estacionamento do hipermercado. Começa aqui a minha vertiginosa perda de paciência.

Também sei que o percurso entre o carro e a entrada para interior do hipermercado,  é uma ocasião única para interiorizar aquilo que já sei que vai acontecer. Um espectáculo ímpar e caracterizado por um bom par de horas em que é testado para lá da exaustão o meu poder de encaixe. Uma boa prova de fogo e terapia para pessoas como eu. 

Dou conta que as pessoas ainda não se capacitaram que é possível continuar a falar mais encostadas às prateleiras dos produtos, em vez de estarem no meio do corredor de passagem, obstruindo a mesma.  Se nesse momento concreto estiver a decorrer o feliz momento da reposição da quantidade de algum produto, fica um corredor entupido. Admito que seja necessário tirar um qualquer curso em Harvard para perceber essa boa prática e regra básica de convivência social, que se pauta por facilitar a deslocação no interior de um hipermercado.

Por outro lado, a terceira idade. Deveriam os filhos e filhas fazer as encomendas dos seus progenitores online. As grandes superfícies, hoje em dia, disponibilizam um serviço de entrega ao domicílio, contra uma pagamento irrisório dificilmente percepcionado na factura final. Evitam-se assim congestionamentos derivados da Dona Hortênsia que não pode andar mais depressa por ter joanetes nos pés. Ou pelo facto do seu marido Sr. Germano conseguir a proeza histórica de se perder 4 vezes  numa hora. No mesmo corredor.

A questão assume contornos ainda mais interessantes quando em qualquer um destes momentos há uma "feira" específica ou a publicitação de uma baixa de preços em vários produtos. Aqueles que como eu não podem deixar de ir semanalmente ao hipermercado, percebem do que falo. Ou seja, aqueles dois momentos que falo atrás, tornam-se rapidamente em martírios. Acredito que em alguns casos, no dia anterior, tenha lugar uma reunião familiar em que todos os elementos do agregado, com mobilidade normal (leia-se capazes de andar depressa ou correr) são mobilizados. Razão: conseguir açambarcar o mais depressa possível o maior número de produtos.
Para terminar, como se já não bastasse o tempo acrescido que se demora a seleccionar os produtos pretendidos (substancialmente superior tendo em linha de conta a afluência ao hipermercado nestes dias), a "cereja no topo do bolo" é sem dúvida, o momento do pagamento. Carros cheios até ao tecto. Como se não houvesse amanhã. Para mostrar que afinal a crise é para os outros e que lá em casa se vive bem. O pior vem quando o "totalizador" da caixa se aproxima do valor limite que se queria gastar naquele dia. Vai daí....começa-se ali, à boca de pagar, a definir prioridades de compra. Não raro, as caixas ficam com metade do que existia no carro. Consequência da crise. E da velha máxima de "mais olhos que barriga". 

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quinta-feira, junho 09, 2011

Mania das grandezas

Cada vez é maior o número de pessoas que conheço com a mania das grandezas. Entenda-se por mania das grandezas, em sentido estrito, viver acima das possibilidades. Algo em que os portugueses são pródigos.

Com a facilidade na concessão dos créditos pessoais ou empréstimos bancárias, tudo se tornou mais simples ao longo dos anos. Deixou de ser um problema comprar uma casa claramente acima das posses de cada um, e tornou-se muito mais próxima a realidade de ter um qualquer carro alemão topo de gama à porta de casa. Só para fazer pirraça ao vizinho, que mantém o mesmo carro há 7 anos.

A questão, muitas vezes não equacionada por quem é "grandioso" no pensamento, é que talvez o vizinho que mantém o mesmo carro há quase uma década tenha outras prioridades. Talvez estejamos perante um melómano e o mesmo entenda canalizar o dinheiro para essa paixão. Talvez seja possível uma vida mais confortável e desafogada, na medida em que não detem 7 empréstimos, sendo que alguns deles já foram contraídos com o objectivo de pagar os outros. É um ciclo vicioso, perigoso e que frequentemente não tem bom resultado.

Torna-se assim claro que Portugal vive claramente acima das suas possibilidades. Dos países da União Europeia é aquele que mais endividado está, assim sugerem os últimos estudos. A culpa desta situação, na minha humile opinião, tem que ver com a moda das linhas de crédito (que veio para ficar) facilmente alcançáveis, e que tornou possível tornar "real" a possibilidade de uma melhor qualidade de vida. Ainda que a qualquer custo.

Os próximos tempos de crise vieram para ficar e penso que poderão servir para que muita gente reveja o seu estilo de vida e prioridades. É tempo de poupança, de contenção e acima de tudo, de responsabilidade. Aspectos que nem sempre são verificados.

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quarta-feira, junho 08, 2011

Voltar para casa dos Pais

Voltar para casa dos Pais, nos dias que correm, não é bom sinal. Muito pelo contrário. Pode acontecer quando uma relação termina e se opta pela venda da casa comum. Pode acontecer quando as condições profissionais se alteram (e.g.: despedimento, falência da empresa). Ou outros motivos não tão frequentes.

Um dos argumentos amiúde avançado prende-se com os hábitos conquistados. O descompromisso dos horários. A não justificação de se chegar mais tarde às Sextas-Feiras (ou Sábados) a casa. O não ter de "dar cavaco" porque apetece comprar um casaco mais caro. Entre outros exemplos.

Custará tanto mais voltar a casa dos Pais, quanto mais cedo se tiver saído da mesma. Nos casos em que as pessoas saíram há muitos anos e a "pulso" conquistaram a sua independência (conjunta ou individualmente), a coisa fica mais feia. No casos em que a saída é recente...não será tão mau. Basicamente, o período de ausência é tipo...férias.

O cerne da questão prende-se com a alteração dos hábitos, as formas de pensar antípodas,  os conflitos geracionais (em muitos casos fracturantes) e claro, o que se conquista quando se tem um espaço próprio. É complicado encontrar palavras para me explicar..mas passa por algo parecido a "direitos adquiridos". Passa por um "balão de oxigénio" conquistado, em alguns casos arduamente. Passa por se ter vivido "enclausurado" durante décadas...e ter sido possível reverter, em algum momento essa realidade. Liberdade. Autonomia. Independência. Aparte de toda a responsabilidade associada ao facto de se viver sozinho e ter o seu próprio espaço. 

É isto que contribui para que o regresso a casa dos Pais seja sempre algo perturbador. ou nem sempre tão pacífico quanto seria desejável. Para quem regressa...e para quem vê regressar!

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terça-feira, junho 07, 2011

Acampadas

O termo "acampadas" sugere-me contestação. Sugere-me  também o direito à liberdade de expressão. Por fim, sugere-me organização ou ajuntamento de pessoas com um propósito comum.

Que fique claro desde já que não sou contra as "acampadas". Ou por outra, sou contra quando as mesmas são organizadas à revelia e sem respeitar as regras claramente definidas. Há formas e formas de uma pessoa contestar uma política ou dar a conhecer o seu ponto de vista. Há mecanismos legais, perfeitamente consagrados na Constituição Portuguesa, que defendem e documental o direito que assiste ao contestatário(a), e que lhe possibilitam ou facultam o direito de se expressar livre e abertamente sobre o que melhor lhe aprouver. 

A questão que se coloca, é que me parece que a moda das acampadas veio para ficar. Resumidamente, basta um computador, uma ligação à internet e uma qualquer rede social. dessas mixurucas para dinamizar a coisa. E claro. Um ou vários "iluminados" como percursores da ideia. Os mesmos que normalmente têm pouco que fazer e têm demasiado tempo para pensar em como comprometer ainda mais a já de si deficitária economia do País. 

Ocorre-me frequentemente o pensamento do porquê de não serem organizadas "acampadas" no sentido de pedir mais trabalho e menos aumentos salariais. Muito se fala em melhoramento das condições de vida, de empregos, etc. Mas o tempo que se perde a fazer este tipo de manifestação (com consequências negativas para a economia das empresas e consequentemente nacional) não é tido em linha de conta. Não se consegue atingir ou perceber o alcance deste tipo de evento.

O facto de me fazer confusão ver este tipo de ajuntamentos não significa que os condene ou que seja contra a liberdade de expressão de qualquer um. Na esmagadora maioria das vezes insurjo-me é contra a "forma" como são estas coisas organizadas, bem como com o que é utopicamente pretendido frequentemente.

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Políticos e Novas Tecnologias

É sabido que o Obama não se dissocia do seu Blackberry. São cada vez são mais os políticos que aderem a este tipo de novas tecnologias. Sob a forma de pequenos gadgets tipo BlackBerry ou iPhone / iPad, a ideia é estar sempre contactável. Em qualquer momento e em qualquer local.

A noite dos resultados eleitorais, foi marcada pelo recurso a meios informáticos e soluções (software) que eu nunca tinha visto. Já há vários anos que me dedico com calma e serenidade a assistir à evolução da contagem dos votos nas noites das eleições. Consigo achar piada. Gosto de ver a conquista e perceber o sabor da derrota experimentado por alguns. Gosto de ver os deputados ganhos e os deputados perdidos. Aprecio ver as cidades que sempre foram de uma determinada côr política e que passam a ser de outra. Acontece. E tem sido uma constante. Quer nas legislativas, quer nas presidenciais.

Não foi preciso procurar muito para perceber que também os canais televisivos quiseram dar a perceber aos portugueses que estavam em cima do acontecimento mediático, utilizando para tal os recursos tecnológicos do momento. Lembro-me por exemplo de um dos canais em que era recorrentemente utilizado o novíssimo "iPad". Mostra adaptação às novas tecnologias. Evidencia actualização. E nada melhor que o fazer num momento em que se sabe que (expectavelmente), o País terá os olhos postos nas televisões.

A ligação "políticos-novas tecnologias" é sadia. Veio para ficar. Acredito mesmo que a Blackberry não precise de se preocupar nunca mais com publicidade nos próximos 500 anos, na medida em que o homem mais poderoso do mundo tem um exemplar destes. E faz questão de dizer que não vive sem o mesmo. Poucas serão as marcas que conseguem ter esta projecção planetária, a custo  zero, bem como ficarem associadas a um propósito tão claro e determinado como é o de tornar possível o contacto.

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domingo, junho 05, 2011

Derrotas eleitorais

Numa altura em que se perspectivava uma empate técnico nos dois partidos políticos com maior representação na Assembleia da República (AR), foi com satisfação que vi aquela que era  até agora a Oposição levar a melhor. Não o conseguiu com uma vitória esmagadora, mas venceu de forma inegável.

A derrota daquele que ficou conhecido como o "timoneiro" do Governo que levou o País ao descalabro era vaticinada em alguns meios mais restritos. Timidamente passou a ser partilhada publicamente. Mas sem grande alarido, na medida em que poucas eram as pessoas que acreditavam na vitória do outro que até nem era muito conhecido no mundo político. Muita gente acreditava que o "animal político" ía  levar mais uma vez a melhor, e que durante os próximos anos seria mais do mesmo, ou seja, 4 anos de legislatura socialista. Assim não foi.

O Primeiro Ministro demissionário subestimou claramente o seu adversário. Aquele que não tinha passado político (um dos argumentos esgrimidos durante toda a campanha). Aquele que até foi Administrador de várias empresas e que não era detentor de uma curricula política tão vasto e consolidado como o seu. Mas o "princípio do fim" começou no debate televisivo que pôs frente a frente estes dois candidatos. E o saldo foi positivo. Para o partido "centro-direita".

Neste último acto eleitoral houve um claro vencedor. Aquele que aqui cheguei a dizer que teria de alterar a sua postura. Que teria de ser mais assertivo. De se preparar bem para a guerra que teria  de ser travada com o outro candidato com mais experiência, com mais traquejo. A questão, na minha óptica, passava pela mudança de atitude. E por jogar com o mesmo baralho. Sem grandes fantasias. Sem grandes "viagens". E assim foi.

É certo que há uma panóplia enorme de "image advisors" nos bastidores. É certo que há lugar à preparação milimétrica de alguns discursos e debates (para quem não sabe, as perguntas são conhecidas antes do debate). Mas também é certo que foi notória uma melhor preparação por parte do "benjamim" dos sociais democratas em detrimento ou em contraste com a não preparação daquele que deu as legislativas como vencidas.

Para concluir, uma palavra de consolo à extrema esquerda. Aqueles que nos últimos actos eleitorais viram a sua representatividade aumentar no hemiciclo. Aqueles que se vangloriavam pelo facto de acto eleitoral para acto eleitoral, serem a esperança dos portugueses. Acabaram por ser a desilusão. Numa altura crítica do País,  de crise, em que os portugueses querem  sentir segurança, pretendem decisões maduras e pensadas, recusaram-se a negociar com a troika. Qual brincadeira de crianças. Qual "braço-de-ferro". Aliás, uma recusa partilhada com os primos "encarnados" (sendo que estes ainda conseguiram manter o resultado de actos eleitorais anteriores).

Para breve augura-se a negociação das pastas (ministérios) entre os dois partidos vencedores, que se unem neste momento em aliança democrática pós-eleitoral. Só assim é tornada possível uma governação sustentada na maioria absoluta e que permitirá a tomada de medidas que não só assegurarão o cumprimento dos compromissos assumidos com a troika, bem como garantirão a tão esperada estabilidade governativa. Já não era sem tempo.

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sábado, junho 04, 2011

Aguardente de Medronho

Tendo família no Algarve, é normal que tenha um conhecimento relativamente bom acerca da gastronomia desta zona do País. Falo é claro dos "comes", "bebes", doçaria e logicamente das bebidas espirituosas.

O Sr. Coelho, sogro de um dos meus primos é agricultor. Daqueles bem sucedidos. Tenho-o em grande estima e é uma das pessoas mais genuínas que conheço. Prezo muito isso. É detentor de uma sabedoria popular enorme e uma capacidade de organização que faz com que eu seja desorganizado. E trata-se de uma pessoa que poucos ou nenhuns estudos tem. Subiu a pulso, fez vida, teve filhos, criou-os e hoje em dia usufrui do que conseguiu conquistar ao longo dos vários anos.

Uma das suas culturas é, como não podia deixar de ser, o medronho. Para quem não sabe ou conhece, o medronho está para o Algarve como as imagens da Torre Eiffel está para Paris. Em todo o lado se fala do medronho. Ao virar de cada esquina.Há 45 sobremesas que se podem fazer com este fruto. Gastronomia típica, pois claro. E ainda a questão da aguardente.

A história da aguardente de medronho conta-se facilmente. Trata-se de uma aguardente preparada a partir de um fruto (medronho), que tipicamente surge nas serras algarvias. A fruta é posteriormente fermentada em tanques de madeira ou barro. 

Actualmente a fermentação também se faz em depósitos de cimento, mas só em destilarias de significativa dimensão. A fermentação é natural e pode durar entre trinta a sessenta dias. Os tanques devem ser cobertos com frutos esmagados para evitar o contacto com o ar. É necessário adicionar uma parte de água para cinco partes de fruta. Depois de fermentado o produto deve ser guardado durante sessenta dias e bem protegido do ar. Hoje em dia existem destilarias semi-industriais. No entanto, a melhor aguardente é aquela que é produzida por destilação descontínua (fogo directo), ou seja, à moda antiga, e por forma a encorpar mais a bebida (leia-se aumentar o teor alcoólico). Uma boa aguardente de medronho é transparente, com o cheiro e o gosto da fruta. Nas montanhas, uma boa aguardente deve ter 50º. E é precisamente aqui que quero chegar.

Numa das minhas idas ao Algarve, a casa do Sr. Coelho, fui brindado com um copo de aguardente de medronho. O aroma frutado enganou-me. A tonalidade transparente do conteúdo do cálice deveria ter soado em mim os alarmes de quem vive em Lisboa durante 300 e tal dias do ano e não está habituado a beber este tipo de bebida demoníaca. E assim foi, num grupo de uns 10 homens, reunidos em círculo e com os cálices a transbordar desta aguardente, seria mau não beber tudo de um trago só. Aliás, como todos fizeram. Eu também, é claro.

A sensação inicial foi boa. Aquela aguardente de medronho estava bem gelada. Parecia um qualquer licor inofensivo. Mas devia ter percebido que nem tudo o que parece é. E rapidamente cheguei a essa conclusão..Da pior forma. A sensação que veio a seguir será próxima do ter sorvido 3 copos de gasolina. E de ter de seguida ateado fogo. Incendiei por dentro. Tentei esboçar um sorriso, com as lágrimas a correrem pela face, e a tentar manter a compostura. Lá veio outra vez a treta do "velho" cisco que entrou para o olho. No caso para ambos os olhos. Foi complicado, mas aguentei estoicamente sem cair para o lado. Só passados 5 minutos consegui verbalizar que afinal era uma "boa pomada". Não consegui dizer mais nada o resto da tarde. Serviu-me de emenda.

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sexta-feira, junho 03, 2011

Azeitonas

Começo por dizer que a única situação em que gosto das azeitonas é efectivamente numa das 1001 formas de cozinhar o bacalhau. Em concreto, no caso do "Bacalhau-à-Braz". E justifico pelo facto de ser possível, no meu humilde entendimento, "cortar" um pouco a gordura do óleo com que o bacalhau é frito com as batatas e o ovo.

Em todos os demais pratos, dispenso, e como aperitivo, passo bem melhor se não tiver de comer azeitonas. Depois, há vários tipos de azeitonas. As verdes, as pretas, as com recheio, as sem recheio.. Não raro fico irritadíssimo quando na mesa onde estou só existe um pires com  azeitonas verdes. Aquelas que considero serem as mais amargas e fazem o limão mais amargo parecer mel...

Estou para perceber de onde vem a moda das azeitonas como aperitivo. Porventura a mesma que considera que o tremoço vai bem com uma "loira gelada"....Haja paciência!

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quinta-feira, junho 02, 2011

Apoios Comunitários

Até há uns anos atrás houve vários programas comunitários de apoio à agricultura portuguesa e outros sectores económicos, responsáveis pela dinamização da economia nacional. Portugal, enquanto parte integrante dos países da CE (Comunidade Europeia) teve direito a concorrer a esses programas e naturalmente, no que toca à agricultura,  tendo uma extensa área do seu território arável / cultivável, só poderia ter direito aos fundos ou apoios comunitários.

Acontece que à semelhança de tantos outros temas importantes, há os chamados portugueses "inteligentes" e os portugueses "burros". Num país como Portugal, em que há uma imensa variedade de cultivo (clima temperado) não se entende como é que durante décadas não houvesse uma produtividade em consonância. Mais...havendo ou estando criadas as condições económicas para que tal acontecesse. Bruxelas foi concedendo apoios comunitários sem que tivesse lugar uma produtividade significativa ou de acordo com a verba disponibilizada. Ou seja, cai por terra o argumento do "mau ano, secas, etc" quando é sabido que houve verba, ou dinheiro para o incentivo à agricultura. 

O que quero dizer é que tendo havido uma linha de fundos comunitários dedicada à concessão de ajuda aos agricultores portugueses, a mesma não foi devidamente utilizada. Poder-se-ía (e deveria ter-se) investido em pivots de rega, ou noutras soluções que visassem a não perda total de colheitas durante décadas. Parece-me lógico que há uma total e inconsequente cultura agrícola. Sei de casos que pessoas que tentaram cultivar espécies específicas e características de determinados terrenos noutros, que nada tinham a ver com aquele tipo de solo e clima que seria desejável. E claro.perda total do cultivo, e vá de pedir a Bruxelas mais dinheiro.

À semelhança do que sucedeu na agricultura, também nas vias de comunicação (infra-estruturas rodoviárias) houve deslizes ou derrapagens, como queiram. O que é feito do dinheiro que a CE deu a Portugal para construção de vias de comunicação? Não sei. Quanto dinheiro foi atribuido a Portugal nesse sentido? Desconheço. Quanto sobrou? Não faço a mais pálida ideia. Tudo bem...mas os prazos das obras foram cumpridos? Negativo. Foram as entidades responsabilizadas pelo atraso - usualmente, neste tipo de obra, há lugar a um clausulado contratual rígido e severo, aquando do incumprimento dos prazos - não. Nenhuma entidade foi responsabilizada.

É claro que estes e outros factores são tidos em linha de conta aquando da avaliação de Portugal por outros países. Países com uma cultura de responsabilização, em que há esforço, em que há índices de produtividade significativamente superiores. É natural que Portugal não seja tido como um país que fez uma boa utilização dos fundos comunitários (e consequentemente dinheiros públicos). Mais, não havia qualquer tipo de contrapartida financeira para com a CE. Em alguns casos, os empréstimos foram a "fundo perdido". E foram aproveitados para comprar casas, terrenos e carros topo de gama. À boa maneira portuguesa.

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quarta-feira, junho 01, 2011

Croissants

Desde sempre que gosto de croissants. Mistos, com chocolate, com doce de ovos ou simples (também gosto), marcha tudo.

O croissant, tal como o pastel de nata, tem de respeitar determinados requisitos para que seja digno da designação de "bom". Em primeiro lugar tem de ser fresco. Croissants com o interior seco e o exterior tipo casca de carvalho não valem nada. Em segundo lugar, o exterior tem de ser estaladiço. Aceita-se neste requisito, a variante do exterior sem ser estaladiço, mas terá de ser reluzente e ligeiramente adocicado. Por último, as extremidades do croissant deverão ser estaladiças ou em alternativa ser possível desfazerem-se na boca.

Curiosamente, os croissants que temos cá em Portugal, não ficam a dever nada aos de França. Já tive oportunidade de experimentar ambos, e concluo que a receita deve ser a mesma. Ou por outra, o tipo de confecção, tempo de cozedura da massa e ingredientes deverá ser igual. Mas o sabor é outro. Afinal, comer-se um croissant com doce de morango, no seu país originário, não é todos os dias! E tem outro sabor!

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