quinta-feira, junho 02, 2011

Apoios Comunitários

Até há uns anos atrás houve vários programas comunitários de apoio à agricultura portuguesa e outros sectores económicos, responsáveis pela dinamização da economia nacional. Portugal, enquanto parte integrante dos países da CE (Comunidade Europeia) teve direito a concorrer a esses programas e naturalmente, no que toca à agricultura,  tendo uma extensa área do seu território arável / cultivável, só poderia ter direito aos fundos ou apoios comunitários.

Acontece que à semelhança de tantos outros temas importantes, há os chamados portugueses "inteligentes" e os portugueses "burros". Num país como Portugal, em que há uma imensa variedade de cultivo (clima temperado) não se entende como é que durante décadas não houvesse uma produtividade em consonância. Mais...havendo ou estando criadas as condições económicas para que tal acontecesse. Bruxelas foi concedendo apoios comunitários sem que tivesse lugar uma produtividade significativa ou de acordo com a verba disponibilizada. Ou seja, cai por terra o argumento do "mau ano, secas, etc" quando é sabido que houve verba, ou dinheiro para o incentivo à agricultura. 

O que quero dizer é que tendo havido uma linha de fundos comunitários dedicada à concessão de ajuda aos agricultores portugueses, a mesma não foi devidamente utilizada. Poder-se-ía (e deveria ter-se) investido em pivots de rega, ou noutras soluções que visassem a não perda total de colheitas durante décadas. Parece-me lógico que há uma total e inconsequente cultura agrícola. Sei de casos que pessoas que tentaram cultivar espécies específicas e características de determinados terrenos noutros, que nada tinham a ver com aquele tipo de solo e clima que seria desejável. E claro.perda total do cultivo, e vá de pedir a Bruxelas mais dinheiro.

À semelhança do que sucedeu na agricultura, também nas vias de comunicação (infra-estruturas rodoviárias) houve deslizes ou derrapagens, como queiram. O que é feito do dinheiro que a CE deu a Portugal para construção de vias de comunicação? Não sei. Quanto dinheiro foi atribuido a Portugal nesse sentido? Desconheço. Quanto sobrou? Não faço a mais pálida ideia. Tudo bem...mas os prazos das obras foram cumpridos? Negativo. Foram as entidades responsabilizadas pelo atraso - usualmente, neste tipo de obra, há lugar a um clausulado contratual rígido e severo, aquando do incumprimento dos prazos - não. Nenhuma entidade foi responsabilizada.

É claro que estes e outros factores são tidos em linha de conta aquando da avaliação de Portugal por outros países. Países com uma cultura de responsabilização, em que há esforço, em que há índices de produtividade significativamente superiores. É natural que Portugal não seja tido como um país que fez uma boa utilização dos fundos comunitários (e consequentemente dinheiros públicos). Mais, não havia qualquer tipo de contrapartida financeira para com a CE. Em alguns casos, os empréstimos foram a "fundo perdido". E foram aproveitados para comprar casas, terrenos e carros topo de gama. À boa maneira portuguesa.

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