quarta-feira, junho 29, 2011

A Arte de Enganar

Não é qualquer um que engana. Mas são muitos e muitas que são enganados(as). Por outras palavras, enganar não é para quem quer, mas sim para quem sabe. Felizmente sou daqueles que não sabe enganar. E que quando faz, ou tenta fazer, é de imediato apanhado. Como se tivesse colado na testa um rótulo de quem está naquele preciso momento a enganar. Ou tentar estoicamente a árdua tarefa de vender algo em que não acredita.

Percebo que cada vez são mais os enganos das pessoas umas em relação às outras. Ali, e à vista de todos. Talvez não à vista de todos, mas do conhecimento de alguém com quem se partilha confidências e segredos. Alguém conivente, portanto. Do outro lado, aquele ou aquela que é enganado(a). O último a saber, se preferirem.

Tenho vindo a questionar nestes últimos tempos algumas pessoas sobre isto mesmo. Qual é o prazer de enganar alguém (por vezes deliberada e irreversivelmente) e depois dormir descansado(a) na mesma cama? Não entendo. Aliás, até entendo. São clara e enormemente potenciados os dotes da representação. Senão vejamos: é obra uma pessoa (ele ou ela) passar uma tarde no "bem bom" com um amigo (ou amiga) colorido(a) e ainda ter "pedal" para dar duas ou três cambalhotas com aquele ou aquela que o(a) espera lá em casa. É dose. E ainda conseguir dizer com a melhor cara que lá na empresa ninguém o(a) o(a) respeita ninguém e que está assoberbado(a) de trabalho - justificando assim o recorrente atraso na hora de chegada a casa. 

Aquilo que frequentemente acontece e que me têm dado conta, é a tal chamada questão de conveniência. Que até calha bem em momento de crise e com a mais recente adopção das medidas no pacote da austeridade imposto pela troika. Dá jeito manter o mesmo nível de vida quando as coisas vão complicar e até vão mexer nos bolsos dos portugueses. Acresce o facto de que,  se ele até está com "amigas" porque não pode ela estar com "amigos"? Desde que não falte nada na mesa....

Como se costuma dizer, "a mentira tem perna curta". O que significa que é uma responsabilidade grande tentar enganar alguém. E na minha humilde opinião, ou bem que se sabe enganar, ou então mais vale ficar quieto. É vergonhoso alguém tentar enganar alguém. Não só se atenta contra a inteligência dessa outra pessoa, como se mostra uma enorme falta de respeito e de verticalidade. É subestimada a inteligência e no final, sendo descoberto o logro, perde a totalidade (ou o que resta) da credibilidade e idoneidade. Se é que ainda a tem. E em muitos casos já não existe nada.

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