sexta-feira, junho 10, 2011

Compras do mês

Para quem como eu está "formatado" para semanalmente ir às compras, há dois momentos que apontam de forma clara e inequívoca para uma economia nacional pujante. O princípio e o final de cada mês. 

Mesmo que, por algum motivo me tenha "escapado" que me encontro num desses momentos, rapidamente percebo que estarei num deles, pelo facto de ter de dar o dobro do número de voltas no estacionamento do hipermercado. Começa aqui a minha vertiginosa perda de paciência.

Também sei que o percurso entre o carro e a entrada para interior do hipermercado,  é uma ocasião única para interiorizar aquilo que já sei que vai acontecer. Um espectáculo ímpar e caracterizado por um bom par de horas em que é testado para lá da exaustão o meu poder de encaixe. Uma boa prova de fogo e terapia para pessoas como eu. 

Dou conta que as pessoas ainda não se capacitaram que é possível continuar a falar mais encostadas às prateleiras dos produtos, em vez de estarem no meio do corredor de passagem, obstruindo a mesma.  Se nesse momento concreto estiver a decorrer o feliz momento da reposição da quantidade de algum produto, fica um corredor entupido. Admito que seja necessário tirar um qualquer curso em Harvard para perceber essa boa prática e regra básica de convivência social, que se pauta por facilitar a deslocação no interior de um hipermercado.

Por outro lado, a terceira idade. Deveriam os filhos e filhas fazer as encomendas dos seus progenitores online. As grandes superfícies, hoje em dia, disponibilizam um serviço de entrega ao domicílio, contra uma pagamento irrisório dificilmente percepcionado na factura final. Evitam-se assim congestionamentos derivados da Dona Hortênsia que não pode andar mais depressa por ter joanetes nos pés. Ou pelo facto do seu marido Sr. Germano conseguir a proeza histórica de se perder 4 vezes  numa hora. No mesmo corredor.

A questão assume contornos ainda mais interessantes quando em qualquer um destes momentos há uma "feira" específica ou a publicitação de uma baixa de preços em vários produtos. Aqueles que como eu não podem deixar de ir semanalmente ao hipermercado, percebem do que falo. Ou seja, aqueles dois momentos que falo atrás, tornam-se rapidamente em martírios. Acredito que em alguns casos, no dia anterior, tenha lugar uma reunião familiar em que todos os elementos do agregado, com mobilidade normal (leia-se capazes de andar depressa ou correr) são mobilizados. Razão: conseguir açambarcar o mais depressa possível o maior número de produtos.
Para terminar, como se já não bastasse o tempo acrescido que se demora a seleccionar os produtos pretendidos (substancialmente superior tendo em linha de conta a afluência ao hipermercado nestes dias), a "cereja no topo do bolo" é sem dúvida, o momento do pagamento. Carros cheios até ao tecto. Como se não houvesse amanhã. Para mostrar que afinal a crise é para os outros e que lá em casa se vive bem. O pior vem quando o "totalizador" da caixa se aproxima do valor limite que se queria gastar naquele dia. Vai daí....começa-se ali, à boca de pagar, a definir prioridades de compra. Não raro, as caixas ficam com metade do que existia no carro. Consequência da crise. E da velha máxima de "mais olhos que barriga". 

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