quinta-feira, junho 23, 2011

Copianços

Nos últimos dias muito se tem falado no copianço que teve lugar numa instituição que se quer credível e  idónea. É assim chamada a atenção da opinião pública para um detalhe, que até poderia  ter tido outro tipo de destaque (menor) e não o grandioso protagonismo qual "golpe de Estado"....

Quem nunca copiou que "atire a primeira pedra". Se calhar descobrir-se-íam alguns "telhados de vidro". Tudo bem, também aceito que muitas pessoas nunca tenham tido necessidade de copiar. Mas são aquelas pessoas que têm uma inteligência superior (ou que estudam, por exemplo). Mas não será deste ínfimo e restrito grupo de pessoas que versa este tema de hoje.

Confesso que cheguei a copiar algumas vezes. Umas 3 vezes, no máximo. E situações perfeitamente tipificadas. No meu caso, não era bem copiar pelo colega do lado, mas mais pela máquina à minha frente. Naqueles testes em que havia muita teoria para "debitar" para o papel. Como nesses mesmos testes havia parte prática (contas de calculadora), usava a memória da mesma para "armazenamento" e posterior débito de informação para a folha de exame. O que tinha como não podia deixar de ser,a observação por parte de alguns professores acerca da necessidade de uma calculadora científica para fazer adições ou subtracções...E tudo contas simples.

Os meus auxiliares "ilegais" de memória tinham como grande objectivo o relembrar-me de alguns tópicos, que acabariam por ser desenvolvidos no próprio exame. Não me recordo de alguma vez ter copiado integralmente um exame. Ou por outro lado, eram por mim conhecidas determinadas "técnicas" que permitiam que a cópia fosse "razoável" e não levantasse suspeitas. Lembro-me dos exames de informática, em que bastava trocar o nome das variáveis para que se desvanecesse toda e qualquer dúvida. Por exemplo, se alguém me dizia que tinha atribuído os nomes: variável "tótó", variável "mentiroso" e variável "político", eu colocaria da minha parte variável "ex-PM", variável "filósofo" e variável "medíocre". Era a forma que entendia seguir para não se perceber que tinha " deitado o olho" à prova de outrém. A menos que o Professor tivesse a mesma opinião política que eu. Aí incorreria num risco significativamente grande.

Para terminar, e contra os mais puritanos, tenho de admitir que não vejo mal copiar uma coisa ou outra num exame. Não dramatizo nem tampouco quero ser falso moralista. Também não vou entrar na teorização de que é errado. Por vezes acontecem bloqueios mentais que conduzem a "brancas" na memória. Subsequentemente, não é possível concluir o raciocínio e/ou dar a resposta pretendida a determinada questão. Um colega ali mesmo ao nosso lado, e que já tenha resolvido o problema poderá dar uma ou outra pista que aclare as ideias e permita a resolução daquele "quebra-cabeças". O mesmo não se pode dizer quando se percebe que um exame é cópia integral de outro. Nem uma fotocópia tirada na papelaria do Sr. Jaime ficaria melhor! Para se copiar...que se copie bem. E com classe!

Próximo Tema: Eloquência

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